Trecho do Livro: Como Lidar com Pessoas que Te Deixam Louco | Paul Hauck

Autor: Paul Hauck
Editora: Fontanar (Objetiva)
ISBN: 9788573029420
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Nos meus 43 anos como psicólogo, tive a sorte de estudar a natureza humana em detalhes e em suas infinitas variedades e complexidades. Minha recompensa sempre foi a grande satisfação que sentia quando alguma pessoa com problemas passava a compreender e controlar aqueles hábitos que fizeram com que me procurasse. Minha ênfase na terapia sempre foi mostrar aos pacientes como estavam angustiando a si mesmos e como precisavam parar com esse hábito. Dessa forma, eu e milhares de terapeutas em todo o mundo ajudamos a reduzir ou quase eliminar o sofrimento causado por culpas esmagadoras, fúrias perigosas, medos apavorantes, ciúmes exagerados ou adiamentos prejudiciais. Consideramos que ajudar nossos pacientes a resolver essas necessidades seja realmente o nosso campo de atuação. Mesmo quando convidamos os cônjuges, pais, filhos, patrões ou professores de nossos pacientes a participarem da sessão, só o fazemos com a intenção de proporcionar ao paciente uma maior compreensão e acelerar o ritmo da terapia.
As duas fontes dos problemas emocionais
Imagine que você está em um campo de golfe. Você está sozinho, treinando o movimento que o levará a conseguir uma bela tacada. Entretanto, repetidas vezes, você bate na bola e ela segue para a esquerda, depois para a direita, ou sobe girando e cai logo em seguida. Aquela tacada longa e arqueada sobre o campo de golfe simplesmente não está se materializando.
O que há de errado? Não é o tempo: o sol está brilhando e o dia está quente. Não há vento para desviar a bola de um vôo reto. Você está completamente sozinho, então não pode culpar outras pessoas por distraírem você. Resumindo, o problema é a sua falta de habilidade para jogar golfe. O problema não pode ser atribuído a ninguém além de você mesmo.
Logo você percebe isso. E então resolve ficar irritado. Existe uma enorme gama de opções à sua disposição, como em um balcão de supermercado cheio de frutas para escolher. Você pode ficar deprimido, se sentir culpado, ter pena de si mesmo, se sentir inferior, ficar desconfiado e até paranóico, sentir raiva, inveja, preocupação ou entrar em pânico: qualquer uma dessas reações e muitas outras. Esses são distúrbios que você pode causar a si mesmo. Tecnicamente, são conhecidos como distúrbios intrapsíquicos.
Agora, suponha que esteja jogando golfe tão mal quanto antes, mas que tenha companhia, um homem e duas mulheres. É natural que eles impliquem com você por causa de suas bolas erradas. E eles acertam tacadas campo abaixo sem nenhum problema. Você pode ficar novamente irritado, mas dessa vez principalmente em resposta à implicância que está sofrendo. Você pode ficar tão deprimido, furioso, nervoso ou sentir inveja quanto antes. Dessa vez, porém, o distúrbio é causado pela influência indireta de outras pessoas; a isso nós chamamos distúrbio interpsíquico.
Faço essa distinção, até certo ponto, porque a maior parte da nossa infelicidade não vem de problemas intrapsíquicos, quando nos irritamos sozinhos. Pelo contrário, a maioria dos distúrbios humanos vem de nossas reações à forma como as outras pessoas nos tratam, as reações interpsíquicas. Foi isso que observei repetidas vezes desde o início da minha carreira como psicólogo. As pessoas geralmente têm problemas com os outros e, com menos freqüência, consigo mesmas. E onde estão esses criadores de caso? Nos únicos três lugares em que poderiam estar: em casa, no trabalho ou na comunidade.
Diversas vezes, perguntei aos meus pacientes se podia conversar com seus cônjuges, parentes, filhos, pais, vizinhos, patrões para ver se conseguíamos progredir mais depressa. Algumas vezes, eles consentiam. Quando isso acontecia, eu geralmente conseguia obter uma idéia mais clara da dinâmica do meu paciente. Às vezes eu percebia que ele era sensível demais. Outras vezes, percebia imediatamente toda a extensão do comportamento ameaçador e cruel ao qual ele era submetido.
Quando isso acontecia, eu percebia que meu paciente era um mero ator coadjuvante no drama em que estava envolvido. O “frustrador invisível” era a pessoa com quem eu deveria estar lidando esse tempo todo. Foi ele quem maltratou fisicamente o meu paciente, xingou-o com nomes feios e o envergonhou diversas vezes. Era a menina que gritava para a mãe passiva, acusando-a de ser egoísta e negligente, dizendo que deveria se sacrificar mais por sua filha ou a história continuaria por horas a fio. O frustrador invisível é aquele que tomou o controle da vida da esposa em tal nível que ela não sabe mais pensar sozinha, perdeu a autoconfiança para tomar a mais simples das decisões, começou a beber e, então, o marido dominador a trouxe a mim para fazer psicoterapia; ele, que indiretamente contribuiu para o problema dela.
As histórias que paciente atrás de paciente me contavam sobre perderem a auto-estima, pensarem em suicídio, sobre os ataques de fúria que só conseguiam ser apaziguados pelo álcool, me ajudaram a visualizar a cena inteira, a completar a equação do distúrbio humano. Foram essas histórias que me levaram a chamar essas pessoas de fazedores de louco e a escrever este livro.
A equação à qual me referi é capaz de resumir as minhas observações da seguinte maneira:
PSD + FDL x F x I x D = PCD
Uma pessoa sem distúrbio (PSD) mais um fazedor de louco (FDL) multiplicado pela freqüência (F), a intensidade (I) e a duração (D) da crueldade resulta numa pessoa com distúrbio (PCD).
Muitos de vocês devem estar se sentindo aliviados ao perceber isso. Quando você acredita que seu sofrimento é culpa sua, eu diria que, primeiro, você é responsável diretamente por 51% dos seus problemas sentimentais. Ninguém pode abalá-lo emocionalmente a não ser que você permita. Nem todos os fazedores de louco do mundo juntos poderiam levá-lo à loucura sem a sua permissão. Você, a pessoa que está deprimida, zangada ou com medo, é o maior causador de seus próprios sentimentos neuróticos. Você é responsável pelas frustrações que os fazedores de louco lhe infligem. Você é responsável pela forma como reage a eles.
O outro lado da moeda faz com que o fazedor de louco não seja mais do que 49% indiretamente responsável por seu sofrimento, já que não pode feri-lo de modo direto, a não ser que o machuque fisicamente. Nesse caso, ele é 100% responsável por seu sofrimento.
Assim, se os fazedores de louco não são os verdadeiros responsáveis por seus problemas emocionais, por que estou escrevendo este livro sobre eles? De certa forma, são eles que carregam a loucura. As pessoas, sendo pessoas, geralmente respondem às frustrações com sentimentos perturbadores. Esses sentimentos costumam ser inofensivos, como a decepção, o arrependimento ou a tristeza. Entretanto, quando as reações atingem o nível da fúria, suicídio ou ataques de ansiedade, eles estão respondendo intensamente às frustrações, coisa que não fariam se não tivessem de se confrontar com tantos aborrecimentos.
Quem são essas pessoas?
Elas existem em todos os graus de perturbação. Algumas são pessoas negligentes e inofensivas que não sabem se cuidar e deixam a louça acumular em cima da pia da cozinha. Você pode imaginar como a pessoa que é maníaca por limpeza fica feliz lidando com esse desleixado.
Analisando esse casal cômico, a seriedade do comportamento deles se torna mais preocupante conforme estudamos o mimado, o fracassado, o controlador e o “bully”, o pior de todos os fazedores de louco. (O termo “bully” é usado para descrever a pessoa que usa a agressão física e/ou psicológica para intimidar e manipular alguém. Não se trata de um “valentão”, um tipo encrenqueiro, agressivo e brigão, e sim um manipulador sádico, que sente prazer em humilhar suas vítimas sociais.)
Os fazedores de louco vêm de todas as camadas sociais. Em toda empresa há chefes, supervisores e diretores impossíveis. Eles podem também morar no seu prédio ou na sua rua. Mas o pior lugar para encontrá-los é dentro de casa. Os fazedores de louco também vêm na forma de cônjuges, pais e filhos. Eles são de ambos os sexos, de todas as idades, de todos os níveis educacionais e de todas as classes sociais. Eles estão em todos os lugares. Mas, nunca se esqueça, você e eu também fazemos parte desse grupo de vez em quando.
Por razões práticas, não posso descrever todos os diversos tipos de fazedores de louco que existem mundo afora: o livro seria tão grande que você não ia querer ler. Em vez disso, vou me concentrar em personalidades que são tão comuns e irritantes que todos precisamos saber como identificá-las e como lidar com elas.
Essas pessoas adquiriram certos hábitos no início da vida adulta e fizeram isso com tanta intensidade que agora é difícil mudar. É justamente por isso que é mais provável elas serem chamadas de fazedores de louco do que outras pessoas que não têm o costume de irritar os companheiros. Essas pessoas são inflexíveis, se acham superiores e não se importam com o que os outros pensam.
O que faz alguém se tornar um fazedor de louco?
A personalidade se desenvolve de duas formas: primeiro, pela aprendizagem; e, segundo, pela formação física e/ou genética. A aprendizagem é resultado do que nossos pais nos ensinaram durante nossa criação. Alguns de nós tiveram pais que trabalhavam muito, gastavam dinheiro com parcimônia, eram gentis e responsáveis. Isso nos ajudou a nos tornarmos adultos maduros e estáveis, e conseguimos isso principalmente através do exemplo deles. Como diz o ditado: “Filho de peixe, peixinho é.” O senso comum nos diz que aprendemos sem perceber que estamos aprendendo. Adotamos comportamentos de organização, generosidade, honestidade e responsabilidade porque os vemos com tanta freqüência que aprendemos a imitar. É assim que aprendemos a falar a língua dos nossos pais. Você consegue imaginar, por um segundo sequer, uma criança com pais italianos, sendo criada na Itália e que só fale russo?
Da mesma forma que as características positivas são transmitidas pela aprendizagem, as negativas também o são. Pais que resolvem todos os impasses com gritos e xingamentos ensinam esses hábitos aos seus filhos. Filhos desses lares freqüentemente maltratam suas esposas e filhos e sempre ficam furiosos quando se sentem frustrados. Quando esse processo de aprendizagem acontece no início da vida de uma criança, de forma intensa, você pode ter certeza de que esses hábitos estão sendo gravados em concreto.
Por que dizemos que são loucos?
A forma como entendemos a loucura, ou a insanidade, como nós profissionais costumamos dizer, muda de acordo com a época e o lugar. Em algumas sociedades, você é chamado de louco se disser que recebe mensagens de Deus através da televisão; em outras, você é considerado um santo se tiver uma visão da Virgem Maria.
No início da minha carreira, trabalhei como psicólogo-chefe de um hospital psiquiátrico estadual. Nessa posição, vi praticamente toda forma de distúrbio de comportamento. Eles se encaixavam no estereótipo de como uma pessoa louca deve ser. Falavam de forma ininteligível e tinham ilusões de grandeza. Sempre enxergamos a insanidade dessa maneira.
Isso ainda é verdade hoje em dia. Mas o significado da palavra “louco” se ampliou tanto pelo uso popular que hoje inclui comportamentos que são altamente irracionais, se não pura e simplesmente estranhos. Por essa razão, usamos o termo “louco” imprecisamente para designar ações que não estão em sintonia com o senso comum. Seja como for, é um termo útil quando descreve pessoas muito irritantes, mesmo que sejam brilhantes, casadas, sociáveis, tenham empregos, mas ainda assim difíceis de se conviver.
Então, para que você não ache que estou me referindo a essas pessoas de forma totalmente exagerada, deixe-me mostrar por que considero esses termos justificados. Por exemplo, se o comportamento desses fazedores de louco pudesse ser facilmente encontrado em um livro de psiquiatria, seria mais fácil para você vê-los como perturbados? Se não, o que faria? Como você logo vai ficar sabendo, quatro dos fazedores de louco que descrevo nas páginas seguintes são claramente pessoas que precisam de tratamento psicológico. Eles não são loucos ou insanos de fato, mas você acaba se sentindo assim quanto mais tempo passa em sua presença.
Os resultados da convivência com pessoas assim
O que acontece exatamente com você quando vive ou trabalha com um fazedor de louco depende, por um lado, de quão bem sabe lidar com os comportamentos difíceis dele, e, por outro, do tipo de pessoa difícil com a qual você está lidando. É óbvio que faz diferença se está lidando com um bully, que o maltrata física ou emocionalmente, ou se está vivendo com um pai carinhoso que mima seus rebentos.
O BULLY: Entre as piores conseqüências de se lidar com um bully estão o medo, o pavor, a culpa, a depressão, a baixa auto-estima e a raiva. Esses são apenas alguns dos resultados mais comuns de se conviver com pessoas violentas e furiosas. Fisicamente, você pode sofrer ferimentos muito graves e precisar ser hospitalizado.
O CONTROLADOR: Se você mora ou trabalha com um controlador, porém, primeiro vai perder sua autoconfiança. Depois, vai deixar que mandem em você até se sentir abatido. Em vez de enfrentar esses ditadores, vai aprender a ficar calado. O resultado emocional geralmente vem em forma de depressão, medo e raiva. Culpar-se por ser covarde e tolerar que outros dominem a sua vida podem gerar culpa e complexo de inferioridade, que juntos, por sua vez, resultam num quadro de depressão.
O MIMADO: Por outro lado, se você vive ou trabalha com uma pessoa mimada, pode acabar com raiva ou perder o amor pela pessoa, sentindo-se esgotado, ou manipulado, e depois ser acusado de egoísta. Você perderá um pouco do senso de juízo porque suas crenças com relação ao que é correto e moral serão desafiadas por esses “reclamões” exigentes e chorões. Mais uma vez, ficará deprimido, normalmente se sentindo culpado, e se tornará tenso e ansioso por medo de ser rejeitado. Para evitar tais conseqüências, você vai mimar os pestinhas que existem em sua vida, mas sem resultado. Não importa o quanto faça pelos seus queridinhos, nunca é suficiente: as exigências não têm limites e são inesgotáveis.
O FRACASSADO: E, então, temos os fracassados, almas miseráveis e patéticas que são tão negligentes consigo mesmas que aqueles que os amam e querem aliviar seu sofrimento acabam arrancando os próprios cabelos por causa da ineficácia de suas tentativas de ajudar. Os fracassados sofrem de um desejo de morte modificado ou de um verdadeiro desejo de morte. Acreditam, de fato, que não valem nada e que merecem sofrer, e essa percepção bate de frente com as tentativas das pessoas próximas a eles, que fazem tudo que podem para ajudá-los a agir de acordo com o interesse próprio. O conflito entre os fracassados e os que querem ajudá-los pode ser enlouquecedor.
Eu poderia continuar a descrever os diversos tipos de fazedores de louco que tanto nos frustram, mas acho que não é necessário. Com certeza, você já deve ter uma noção de como eles podem irritar e enfurecer suas vítimas.
Agora, que tal as conseqüências físicas dos fazedores de louco? Embora as pressões psicológicas sobre as vítimas sempre façam parte do cenário dessas pessoas, a agressão física também atua nesse quadro, algumas vezes vindo dos controladores, mas são mais comuns com os bullies.
Essas pessoas são quase sempre homens, quer sejam meninos, adolescentes ou adultos. A testosterona, hormônio masculino, é predominante basicamente nos homens. Os casos de mulheres violentas geralmente são de meninas mimadas que não estão conseguindo a atenção e o carinho que desejam e que podem ser fatais. Quando desprezadas, agem como homens violentos.
Portanto, vamos nos concentrar nos homens. Eles são claramente a maioria no que se refere aos bullies. Costumam bater, intimidar e até mesmo matar suas vítimas. Têm pouco ou nenhum sentimento de culpa; estão convictos de que as pessoas que os frustraram são más e de que a melhor forma de mudar pessoas más é sendo extremamente severo com elas.
Além do sofrimento psicológico e físico que essas pessoas causam por tempo indeterminado às suas famílias e aos seus empregados, ainda há o enorme estresse que isso provoca nos casamentos e empregos das vítimas. Não podemos esperar que uma pessoa normal, que não aprendeu os métodos de controle emocional da Terapia Racional Emotiva Comportamental (TREC), saiba lidar de forma eficaz com esse tipo particular de fazedor de louco da mesma forma que pessoas que conhecem a TREC.
Estou me referindo aqui, particularmente, aos bullies e aos controladores. Os primeiros usam a força grande parte do tempo. Os controladores, por outro lado, raramente usam a força, e mesmo quando isso acontece, utilizam métodos menos violentos do que os usados pelos bullies.
Outros fazedores de louco que vou descrever neste livro são simplesmente pessoas difíceis de se lidar em diversos aspectos. Embora não sejam fatais, são exigentes, ameaçadores, fazem chantagem emocional e, em geral, são tão irritantes que conseguem levá-lo ao ponto de marcar uma sessão de terapia.
Finalmente, não vamos nos esquecer dos tristes efeitos que os fazedores de louco têm sobre as crianças. Não é preciso ser um gênio para avaliar as conseqüências negativas em crianças que vivem em um lar com pais que gritam e brigam. O medo, a falta de confiança, a impotência, a culpa e o complexo de inferioridade estão quase sempre presentes, em alguma combinação, quando se vive sob essas condições.
Essas crianças são os candidatos em potencial, anos mais tarde, para os hospitais psiquiátricos, devido à natureza imprevisível de suas infâncias. Essas são as crianças que, na adolescência ou juventude, acabam presas. Isso não devia nos surpreender, já que violência e negligência aos padrões mínimos de decência ensinam às crianças a resolver seus problemas com raiva e ódio. Sempre fico apavorado com o fato de o comportamento abusivo de adultos ser tão prontamente adotado pelas próprias crianças que receberam essas agressões. Como explicamos isso? Por que uma pessoa repetiria um comportamento do qual foi vítima e tinha medo? A resposta é simples: foi o que aprendeu a fazer.
Você pode não gostar da melodia da língua que fala, mas se é a única que sabe, certamente será a que vai ter de usar.
Da mesma forma, crianças que vêem pais bebendo, fumando, xingando e traindo estão sujeitas a imitar o que vêem e escutam. Como podem fazer o que nunca aprenderam? Dessa forma, somos deixados com a triste conclusão de que adultos agressivos foram crianças que sofreram agressões.
Como lidar com os fazedores de louco
Vamos discutir quatro assuntos que são úteis na hora de lidar com pessoas perturbadas. Nesta seção, não serei específico nem explicarei quais métodos devemos aplicar com cada fazedor de louco em particular. Em vez disso, quero mostrar que você não é tão impotente quanto imagina, e que existem, literalmente, dezenas de estratégias que podemos usar ao lidar com esses indivíduos que tanto nos frustram.
Métodos de proteção física
Esses métodos obviamente se aplicam aos bullies, algumas vezes aos controladores e com menos freqüência aos mimados, fracassados e desleixados. A melhor forma de nos protegermos é desenvolver nossa força. Essa sugestão foi feita para você, que é pequeno e/ou mulher. Certamente você não é uma grande ameaça para um adolescente de 16 anos que pesa 90 quilos. Mas está em condições de igualdade com alguém na mesma faixa de altura e peso que você. Resumindo, quanto mais forte for, mais será capaz de se defender contra os que são mais fracos que você. Entre em uma academia de ginástica e ganhe força. Fará maravilhas para a sua auto-estima. Quando você sobe na hierarquia social, a vida simplesmente se torna mais prazerosa.
Se você não quer entrar em uma academia, então inicie um programa semanal de exercícios que lhe traga condicionamento físico. Eu usei como guia o livro Capacidade Aeróbica do Dr. Kenneth H. Cooper. Aprendi que se quero ter um bom condicionamento físico, tenho que fazer exercícios quatro vezes por semana e correr por 20 minutos. Quando está frio, pulo no meu trampolim em vez de correr ao ar livre. Depois faço 30 flexões, 30 abdominais, 50 agachamentos, dois exercícios para as costas e termino com mais 30 flexões. O último grupo de exercícios (depois da corrida) só leva cinco minutos. O resultado desse programa rápido quatro vezes por semana é que agora consigo jogar tênis com vigor por uma ou duas horas, pedalar de 80 a 100 quilômetros e passar o dia esquiando.
Mesmo assim, eu ainda não entraria em um ringue com um adversário mais experiente e mais forte. Mas não hesitaria em me defender em uma briga simplesmente porque agora tenho menos medo de ser dominado fisicamente. (Algumas mulheres conseguiram se salvar em situações de perigo porque foram fortes o suficiente para lutar contra seus agressores ou rápidas o bastante para escapar deles.)
Além da força física e da velocidade, também recomendo que homens e mulheres tenham aulas de artes marciais; talvez boxe ou caratê. Para superar o medo da impotência, é estimulante saber que você tem a habilidade de infligir dor no agressor.
Finalmente, comprar bons cadeados para a sua casa, instalar sistemas antiarrombamento e saber de cor os números de telefone da polícia podem deixá-lo mais tranqüilo.
Métodos de proteção social
A lição aqui é: tenha cuidado com o que você deseja, você pode consegui-lo. É muito comum confiarmos demais nas pessoas. Nós nos apaixonamos por pessoas que acabam se transformando no nosso pior pesadelo. Portanto, tente sempre não permitir que o amor tampe seus olhos para relacionamentos que seus amigos e familiares facilmente percebem que será um desastre. Além de curtir o charme e a gentileza de seu namorado ou de sua namorada, sempre pergunte a si mesmo quais características negativas ele ou ela também tem. Resumindo, seja um pouco cético.
Se a tensão e a ansiedade estão presentes no seu relacionamento, provavelmente é melhor você adiar ou até cancelar os planos de se casar, por mais perto que a data do casamento esteja.
Além disso, é sempre prudente não discutir com pessoas que todos sabem que são temperamentais, principalmente se elas estão sob a influência de álcool ou drogas.
Métodos de proteção financeira
Nunca subestime os benefícios que o dinheiro pode proporcionar para se defender de um bully. Ter dinheiro permite que as vítimas tenham aulas de defesa pessoal e artes marciais e que comprem cães de guarda. Com dinheiro suficiente, você pode construir muros em volta de sua casa e até contratar seguranças para vigiarem seu terreno. Pessoas ricas de todo o mundo usaram essas estratégias durante anos e tiraram bom proveito delas. Lamentavelmente, a riqueza é limitada. Mas você não precisa ser rico para largar seu emprego atual se está se sentindo ameaçado. Primeiro encontre um novo emprego, depois peça demissão do atual. Da mesma forma, se pessoas indesejáveis estão morando na sua vizinhança, o dinheiro pode ajudá-lo a mudar para um local mais seguro. Melhor de tudo, com dinheiro suficiente você pode largar o companheiro ou o parente que o agride. Com dinheiro, você não conquista apenas respeito, mas segurança e tranqüilidade com o simples ato de assinar alguns cheques que paguem as despesas de uma mudança e a entrada para outra casa.
É por isso que sempre aconselho todas as mulheres a guardarem dinheiro suficiente para que possam pegar seus filhos a qualquer hora e passar uma noite segura em um hotel. Ter algum dinheiro escondido no carro, na bolsa ou em um sapato já foi muito útil para algumas pacientes minhas que precisaram sair de casa rapidamente quando o marido se transformou em um bully.
Uma das melhores vantagens que o dinheiro pode proporcionar é a facilidade com que se consegue ajuda legal. É fácil conseguir mandados de segurança, separações legais ou papelada para um divórcio quando se tem dinheiro para pagar um advogado.
Nunca subestime as bênçãos do dinheiro. Ele, sozinho, pode recuperar mais saúde mental do que horas de terapia. O dinheiro não traz felicidade, mas pode trazer conforto e segurança. E todos nós precisamos disso.
Métodos de proteção legal
Nunca subestime o poder da lei. Mesmo sem fundos, você consegue que a polícia o proteja dos bullies. Entretanto, quando eles chegarem, não deixe de prestar queixa para que ele seja preso. Não volte atrás no momento em que ele esfriar a cabeça e a polícia estiver conversando com ele. Não levar seu plano adiante é a mesma coisa que dar um prêmio a ele. Você estaria encorajando esse comportamento que tolerou. Se não prestar queixa quando a polícia chegar, o agressor vai perceber que você blefou e, portanto, que não tem nada a temer.
Já está mais do que na hora de a sociedade, principalmente as vítimas de agressões, se manifestarem politicamente, aprovando leis que protejam mulheres e crianças dessas pessoas más e altamente perturbadas. Isso já começou, e leis com esse cunho estão sendo estudadas. Embora a tarefa pareça difícil, tome coragem. Muitas das leis que estão em vigor hoje começaram como uma simples conversa entre pessoas numa sala de estar e acabaram sendo aprovadas.
Métodos de proteção psicológica
Este é o tema de que mais entendo. As recomendações que dei anteriormente são limitadas quando o assunto é a sua proteção. Certamente você deve ter pensado que nem todo mundo consegue ser forte, rápido ou destemido. Algumas pessoas nunca conseguirão se defender contra os bullies e os controladores. É possível que elas não tenham nenhuma alternativa a não ser viver suas vidas com grande grau de frustração num regime de semi-escravidão.
Mas métodos de proteção psicológica estão disponíveis a praticamente qualquer um. As pessoas têm sede de se conhecer mais a fundo, principalmente no que se refere à sua maneira de pensar. É aí que posso ser mais útil.
As teorias terapêuticas chamadas Terapias Cognitivo-comportamentais (TCC) estão disponíveis para todos nós. Existe uma linha, em especial, das TCC chamada Terapia Racional Emotiva Comportamental (TREC), que já mencionei anteriormente e que de todas é a que conheço melhor. Não vou explicar detalhadamente a TREC, mas vou explicar as técnicas que se aplicam a determinados fazedores de louco que discutirei nos próximos capítulos.
Conforme você vai se familiarizando com meus pontos de vista, tente relacioná-los com você mesmo e com as pessoas com quem vive e trabalha. Perceba como essas pessoas se transformam em dores de cabeça humanas e aprenda o que funciona melhor na hora de lidar com elas. Infelizmente, não ofereço soluções mágicas; nada é tão fácil. Mas ensinarei técnicas psicológicas e percepções que vão suavizar suas frustrações, mesmo que você nunca consiga acabar com elas totalmente. Dessa forma, a sua vida ficará mais fácil, você poderá ajudar quem o enlouquece a crescer, e espero que também consiga detectar os elementos de loucura no seu próprio comportamento.
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Tags: Autores, Brasil, Escritores, Leitura, Literatura, Literatura Estrangeira, Livro Como Lidar com Pessoas que Te Deixam Louco, Livros, Paul Hauck, Psicologia, Saude
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Achei MUITO legal esta indicação de livro.. o Trecho aguçou minha curiosidade vou comprar.
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