Trecho do Livro: Técnicas de Investimento para o Mercado de Ações

Trecho do Livro: Técnicas de Investimento para o Mercado de Ações
Livro Tecnicas de Investimento para o Mercado de Acoes
Autor: Marcelo C. Piazza
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788599560440

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Um breve histórico do nascimento da Análise Técnica: Os primeiros rumores de que se tem notícia sobre tentativas relativamente bem sucedidas de análise e interpretação dos mercados ocorreu em Osaka, no Japão, sede da primeira Bolsa de Futuros do mundo, a Bolsa de Arroz Dojima, fundada em 1654. Foi aí, também, que surgiu Munehisa Homma (1724-1803), um reconhecido investidor que, por volta de 1750, escreveu alguns livros que traziam, entre suas experiências nos mercados, um conhecimento novo para a época: a técnica das velas, ou castiçais, hoje denominada Candlesticks.

Não se sabe o motivo pelo qual esta descoberta permaneceu em uso somente no Japão por mais de 200 anos. O fato é que só em 1991 (há apenas 17 anos) a técnica dos Candlesticks passou a ser conhecida também nos Estados Unidos, e quase tão logo, em todo o mundo. E isso só aconteceu graças a Steve Nilson, na época vice-presidente da Merrill Lynch, hoje um dos maiores Bancos de Investimentos e Corretoras de Valores do mundo. Ele foi o primeiro a tomar conhecimento da técnica no Ocidente, e a divulgá-la amplamente.

Mas, entre esses dois acontecimentos marcantes – o desenvolvimento dos Candlesticks por Homma e a chegada desse conhecimento ao resto do mundo graças a Nilson – nascia, também, a Análise Técnica ocidental, cujo primeiro grande nome a marcar a história foi Charles Henry Dow (1851-1902). Dow será citado diversas vezes no decorrer deste livro, dada sua importância histórica no nascimento da Análise Técnica que conhecemos hoje.

Dow era jornalista financeiro de grande destaque na época. Trabalhava no pequeno estado de Rhode Island, o menor dos Estados Unidos em extensão territorial, num jornal impresso, em companhia de Edward Jones (1856-1920), quando, juntos, foram transferidos para Nova York, em 1880. Alguns anos depois, fundaram, ainda juntos, a Dow Jones & Company, cujo principal produto era seu informativo financeiro com cotações de empresas negociadas nos mercados de Nova York. Nascia, aí, o Índice Dow Jones. Mas, ainda havia muito mais por vir.

Em 1884, quando fundou o Wall Street Journal, também em companhia de Jones, Dow passou a publicar diversas matérias sobre seus estudos de formas para interpretar o movimento dos preços das ações. Esse conhecimento, porém, ainda não era organizado sobre a forma de uma teoria.

Somente a partir de 1902, com a morte de Charles Dow, o então repórter do Wall Street Journal, Samuel A. Nelson, teve a iniciativa de fazer um levantamento sobre tudo o que Dow havia desenvolvido, reunindo, assim, seus conceitos para publicá-los sob a forma de um livro, intitulado The ABC of Stock Speculation, que explicava a base do que denominou de Teoria de Dow .

Mas estes não foram os únicos a participarem do nascimento da Análise Técnica. Em 1931, Robert Rhea, reconhecido estudioso e analista da época, reorganizou e aprofundou ainda mais os princípios criados por Dow, transformando-os naquilo que conhecemos atualmente. Rhea marcou seu nome na história dos mercados de risco ao lançar o livro The Dow Theory.

A partir de então, vários outros nomes foram contribuindo para o fortalecimento da Análise Técnica. Ralph Nelson Elliott criou as tão populares Ondas de Elliott, além de aplicar, com sucesso, os números da seqüência de Fibonacci, e suas razões, para realizar uma projeção futura dos preços das ações. Surgiu, também, o primeiro dos indicadores, chamado de Índice de Força Relativa (IFR), desenvolvido por J. Welles Wilder Jr. Em seguida, foram descobertas inúmeras outras técnicas, conhecidas e aplicadas até hoje por grande parte dos operadores de mercado de todo o mundo.

Mas o que é Análise Técnica?

Por definição, temos que: Análise Técnica é a ciência que busca, por meio do estudo de registros multiformes, associados a formulações matemático-estatísticas, incidentes sobre preços, volumes e contratos em aberto do passado e do corrente dos diferentes ativos financeiros, proporcionar, pela análise de padrões que se repetem, condições para que possamos projetar o futuro caminho dos preços, dentro de uma lógica de maiores probabilidades. (NORONHA, 1995)

Em outras palavras, podemos dizer que a Análise Técnica se interessa pela análise gráfica do histórico de preços da ação, e pelo seu desempenho ao longo de diversos períodos de tempo. Para tal, dispõe de uma infinidade de ferramentas capazes de gerar uma previsão aproximada para os próximos movimentos de preços. Afinal, é preciso haver uma forma de traduzir o que está ocorrendo no mercado, assim como tentar avaliar a próxima tendência, pois não se pode aplicar recursos numa ação qualquer, escolhida sem nenhum critério lógico de seleção.

Os parâmetros disponíveis para a elaboração dessas ferramentas são bem conhecidos de qualquer investidor: a cotação atual do ativo, seu histórico anterior, seu preço máximo, médio e mínimo do dia, seus valores de abertura e fechamento, seu volume financeiro e de negócios. Dispondo apenas desses dados básicos, alguns dos mais talentosos investidores e estudiosos do planeta adicionaram a eles seu conhecimento, suas experiências e sua criatividade para desenvolver métodos capazes de, segundo eles, interpretar o movimento aparentemente incoerente dos gráficos de preços, fornecendo sinais valiosos sobre qual será o próximo passo a ser dado pelo mercado e, diante disso, que posições o investidor deve assumir.

A Análise Técnica independe dos fundamentos de uma companhia, como relação preço/lucro, lucro líquido, grau de endividamento, patrimônio líquido, pagamento de dividendos, notícias sobre possíveis fusões ou venda, entre outros, que costumam afetar fortemente os investidores fundamentalistas, adeptos da Análise Fundamentalista, que é a segunda forma de análise disponível, também utilizada para a interpretação dos mercados. A escola técnica é totalmente diferente, e não está ligada à situação clínica de uma empresa. Também não sofre grandes abalos com as notícias divulgadas pelos meios de comunicação.

Partindo do princípio de que a Análise Técnica acredita que todos esses fatores já virão descontados nos gráficos de preços, muitas vezes até mesmo antes que as notícias sejam divulgadas à população em geral, os investidores técnicos concentram-se apenas em analisar os gráficos, dando-se por satisfeitos e convencidos de que estão tendo uma visão real e total das companhias, do mercado e da economia como um todo.

Sobre a eficácia da Análise Técnica, é evidente que funciona, assim como a Análise Fundamentalista também tem seus méritos, caso contrário ambas não sobreviveriam até hoje. O problema é que os investidores não dedicam ao aprendizado dessas duas nobres disciplinas o tempo e o esforço que lhes é devido.

Vejamos um exemplo semelhante: para que alguém se torne um profissional ou especialista em algo, o primeiro passo, hoje, é que ele freqüente uma faculdade ou alguns cursos técnicos sobre o assunto. Após esta preparação inicial, o que costuma durar de dois a quatro anos, o interessado sairá “cru” em direção ao mercado de trabalho, onde vai passar por um período de estágio, para que coloque em prática os conhecimentos teóricos adquiridos. Essa etapa dura de seis meses a dois anos. Só então esse indivíduo estará apto a começar, veja bem, começar a atuar profissionalmente no mercado de trabalho, e a gerar renda e valor para a empresa que o contratar. Alguns profissionais optam, também, por uma pós-graduação, um MBA ou um mestrado, visando aprofundar seus conhecimentos, agregando ainda mais pontos ao seu curriculum. Esse novo passo poderá levar um ano ou mais.

A indústria dos investimentos funciona da mesma forma, e está repleta de profissionais e especialistas, com larga experiência, que estão prontos para abocanhar verdadeiras fortunas de capital rapidamente, inclusive o seu. A maioria deles dispõe de grandes aparatos tecnológicos, sistemas de negociação e envio de ordens automáticos, além dos melhores provedores de análises de mercado. Como se não bastasse, alguns ainda contam com a retaguarda de grandes bancos de investimentos, fundos de investimentos e Corretoras de Valores, que os estimulam com altos salários, pomposas comissões e a possibilidade de operarem com taxas de corretagem próximas de zero.

Aí vem a pergunta: por que um iniciante, com pouca ou nenhuma experiência de mercado, capital reduzido, psicológico despreparado e imaturo para suportar as pressões geradas pelas operações de risco e a iminência constante de perda do capital, além de insuficiente conhecimento sobre Análise Técnica e/ou Fundamentalista, deve ser capaz de ganhar dinheiro nas Bolsas de Valores, especulando de mercado em mercado, de ação em ação? Por quê?

Como você pode notar, atuar nos mercados é uma profissão como qualquer outra. Para ganhar dinheiro nesse meio não existem segredos. O caminho é um só: o aprendizado e o domínio das técnicas de análise e dos fatores fundamentais para a sobreviência nesse mercado, como o treinamento psicológico adequado e um longo período de experiência, através da vivência prática, dia a dia. A Bolsa de Valores é, sim, um ambiente repleto de oportunidades, que surgem a todo instante, todos os dias, mas você precisa estar preparado para aproveitá-las.

Quando ouvir alguém dizer que ganhou uma bolada de dinheiro com investimentos em Bolsa, pense duas vezes antes de achar que foi apenas um lance de sorte. Talvez ele estivesse preparado, apenas aguardando pacientemente o momento certo chegar. Como muito bem disse Elmer Letterman: “Sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade”. Nos investimentos, esse conceito é absolutamente aplicável e fundamental para que se tire algum dinheiro dos mercados.

seta2 Veja: Bem-Vindo à Bolsa de Valores, de Marcelo C. PiazzaLivro Bem Vindo a Bolsa de Valores

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