Trecho do Livro: Seu Bebê em Perguntas e Respostas – Do Nascimento aos 12 Meses

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Trecho do Livro: Seu Bebê em Perguntas e Respostas – Do Nascimento aos 12 Meses
Livro Seu Bebe
Autor: Sylvio Renan Monteiro de Barros
Editora: MG Editores
ISBN: 9788572550543

seta Saiba onde encontrar este livro

Fui afortunado em conhecer o dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros. Minha esposa, que é sua amiga desde os tempos de adolescência, apontou-me a necessidade de trocarmos de pediatra; um de nossos filhos precisou dele em um momento muito difícil. Desde então, ele sempre esteve com minha família, inclusive em horas muito mais amenas, e sempre de amizade.

O dr. Sylvio é um “cuidador”. O leitor perceberá, desde o início, que seu texto reflete trinta anos de experiência de cuidados com o bebê. Muito mais que curar, o médico cuida da vida. Poucas especialidades mostram isso tão bem como a pediatria.

A medicina trata da vida, transcendendo época, linguagem, nacionalidade, cultura. Não é uma profissão: é um ofício marcado por dois dos piores medos que acometem o ser humano: o medo do desconhecido e o medo perene do desaparecimento da própria vida. Requer capacitação técnica, intuição, afeição e principalmente amor à verdade e total rejeição à violência. Amada ardentemente na necessidade; esquecida fora dela. Desafios à intuição médica me parecem ainda mais marcantes no ofício do pediatra: ele precisa ouvir quem ainda não sabe falar e quem está muito aflito e não consegue mais se expressar.

Sylvio ouve, antes de mais nada. Ouve pacientinhos, suas mães, avós, tias, babás, empregadas. Olhos e ouvidos já estão prontinhos no quarto mês de gravidez; cones, bastonetes e células do ouvido interno são neurônios diferenciados. Mas, diante de tantas contradições do ser humano, ainda temos dificuldade para ouvir! Bons livros de minha especialidade, a psicanálise, vêm chamando a atenção para esse fato desde o tempo de Freud. Popularizou-se o seu “tratamento pela fala”, mas igualmente poder-se-ia dizer “pelo ouvir”. É por isso que o dr. Sylvio escreve perguntas e respostas.

O problema é que nenhum livro pode dar ao leitor uma capacidade de ouvir. Mas a experiência viva ajuda bastante. Muito tempo depois de formado, dei-me conta de que foram pediatras e “quase-pediatras” quem mais contribuições deram à psicanálise. Eles ampliaram as descobertas de Freud. Donald Winnicott, que veio da pediatria, descobriu coisas por observar a espátula bucal. Mesmo tendo se voltado à psicanálise, jamais abandonou a semiologia pediátrica. Melanie Klein, que queria ser médica, aprendeu a ouvir bebês como ninguém; e Wilfred Bion, como o dr. Sylvio, falou do alimento psicológico proporcionado pelo contato físico mãe–bebê.

Em determinado trecho do livro, Sylvio explica que “[...] a tensão, preocupação, angústia ou insegurança da mãe se transferem para o bebê, que reage com comportamentos ‘anormais’, como choro intenso, cólicas e insônia, entre outros. Se a mãe não percebe ou não é informada de que seu bebê está apenas reagindo a estímulos maternos, corre-se o risco de se iniciar aí um círculo vicioso, em que as reações do bebê às instabilidades emocionais da mãe produzem mais insegurança, o que retroalimenta as reações do bebê”. Um psicanalista identifica nessas e em muitas outras respostas as contribuições de Klein, Winnicott e Bion, e conclui: a psicanálise precisou de pelo menos oitenta anos para descobrir algo que pediatras suficientemente bons descobrem e expõem de modo tão cristalino – e, no caso do dr. Sylvio, escrevem tão claramente.

Com o respeito que talvez esteja manifestado na paráfrase do verso e do poeta tão conhecidos em nosso meio, autor, aliás, de nome “Pessoa”, sinto-me honrado, surpreso e pouco preparado diante da solicitação do dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros de prefaciar esta obra – oferecida com o tecido delicado de um conteúdo precioso e útil para mães e bebês, com inigualável amor, afeto, experiência e capacidade de doação.

Paulo Cesar Sandler (Mestre em Medicina pela Universidade de São Paulo, mestre em Psiquiatria pela Associação Médica Brasileira e analista didata pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo)

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APRESENTAÇÃO

Conheci o doutor Sylvio quando minha filha estava com dois meses e meio. Naquela época, talvez a mais difícil da minha vida, eu não sentia a menor segurança como mãe. A Lavínia não parava de chorar e se recusava a dormir depois de enfrentar dias e dias da cólica mais terrível sem que eu pudesse fazer nada – a não ser massagens, compressas com toalhas mornas e rezar. Minha mãe já tinha ido embora, as férias do meu marido haviam terminado e me vi, de repente, às voltas com um serzinho que chorava o tempo todo e se recusava a fechar os olhos e descansar. Isso sem falar na roupa que se acumulava na área de serviço e nas dezenas de tarefas domésticas que me aguardavam.

Até então, já tínhamos consultado três pediatras. O primeiro seguia o manual do “bebê-padrão” e dizia que “logo passava”. Uma vez me jogou na cara a seguinte frase: “Mãe ansiosa, bebê com cólica; mãe tranqüila, bebê sem cólica” (como se, depois de sessenta dias de choros de dor incessantes, algum ser humano conseguisse manter a calma)… A segunda disse que eu amamentava pouco (embora eu o fizesse de duas em duas horas) e que deveria me transformar em uma vaca leiteira (sic). A terceira, que infelizmente me deixou com trauma de homeopatas, afirmou que a menina chorava porque “não havia harmonia” em meu lar. Juro, ela disse isso.

Enfim, quando cheguei ao consultório do doutor Sylvio, por indicação de uma pessoa da família, estava muito magra, extremamente cansada, deprimida e, pior, sentindo uma culpa imensa por não conseguir fazer minha filha feliz. A primeira coisa que notei foi o olhar calmo e tranqüilizador daquele médico. Em seguida, reparei num coala de pelúcia minúsculo pendurado em seu estetoscópio. Finalmente um pediatra que realmente gostava de crianças!

Na penumbra de seu consultório – faltou luz naquela tarde –, expliquei a ele o que estava acontecendo e disse que minha filha e eu precisávamos de ajuda. Ele ouviu tudo com atenção, fez algumas perguntas e então começou a falar, com um sotaque mineiro-carioca (que depois descobri ser capixaba) bastante peculiar. Explicou que as minhas inquietações eram comuns em mães com o primeiro filho e que provavelmente a Lavínia não tinha nenhum problema de saúde. Disse ainda que, quanto antes eu aceitasse que minha vida mudara para sempre – e me habituasse, pelo menos nos primeiros meses, a não dormir, a não ter hora para comer e a me dedicar totalmente ao bebê –, mais fácil seria. A maneira como tudo isso foi dito, acolhedora e compreensiva, me tranqüilizou quase imediatamente. Senti que enfim alguém me entendia e não me tratava como “mãe-de-primeira-viagem-histérica-infantil-e-neurótica”.

O passo seguinte foi realizar um exame físico extremamente minucioso, que os outros pediatras não tinham feito com o mesmo apuro. O doutor Sylvio me assegurou que, em princípio, não havia mesmo nada de errado com a Lavínia, mas pediu um exame de urina e outro de sangue, só para ter certeza.

No dia seguinte, como ela não parava de chorar, resolvi seguir o conselho de uma prima, mãe recente, e depois de amamentar fiz uma mamadeira de leite em pó e ofereci à minha filha. Ela não só parou de chorar como dormiu, pela primeira vez, por seis horas seguidas. Liguei para o doutor Sylvio e contei o que tinha acontecido. “Sua filha está mesmo com fome. Complemente as mamadas com leite em pó, mas ofereça sempre o seio primeiro”, disse ele. “Mas, doutor, por que aconteceu isso comigo? Os outros pediatras disseram que quanto mais se amamenta mais se tem leite!”, retruquei. “E se ela largar o peito? Eu sempre quis amamentar…” “Veja”, respondeu ele, “antes você chorava porque a Lavínia tinha fome; agora que descobriu o problema vai arranjar outro?” Aquilo me despertou para o fato de que a maternidade, por mais difícil que seja, não precisa ser dramática. E, a partir daí, a relação com a minha filha ficou muito mais fortalecida e serena.

Fiz, nesse meio-tempo, centenas de ligações para o doutor Sylvio. As dúvidas iam de passar ou não protetor solar na Lavínia a trocar o bico da mamadeira ou manter determinada medicação. E as respostas, sempre prestativas, rápidas e certeiras, vinham com um respeito inexplicável, mesmo às altas horas da madrugada. Também houve uma enxurrada de e-mails, todos respondidos prontamente e com uma firmeza de dar inveja a qualquer profissional.

Foi por isso, e por ter conhecido várias mães e pais que recorreram e recorrem ao doutor Sylvio e, assim como eu, confiam no seu trabalho, que o convidei para escrever este livro. Todo aquele conhecimento não podia ficar restrito ao seu consultório!

Infelizmente, nem todas as jovens mães de hoje foram feitas para a maternidade. Aprenderam que devem ser independentes, estudar, trabalhar, viajar, batalhar. A necessidade de competir com os homens nos afastou do arquétipo da progenitora acolhedora e feliz, além de sufocar os instintos mais básicos de mãe. Sabemos ser excelentes executivas, mas temos medo de estar fazendo tudo errado quando se trata do nosso bebê! Por isso, precisamos de palavras de conforto, que nos tranqüilizem, resgatem esse lado materno de dentro de nós e nos devolvam a confiança. E é isso que o doutor Sylvio transmite aos pais e às mães de seus pequenos pacientes.

Aqui você vai encontrar perguntas e respostas sobre as questões que mais afligem os pais no que se refere a sono, alimentação, desenvolvimento físico e psicológico e cuidados com o bebê. O material é fruto da experiência do autor em mais de trinta anos de exercício da medicina e da puericultura. Dos momentos contemplativos que às vezes tomam conta das crianças ao modo de preparar a sopinha, as informações são apresentadas de forma simples e objetiva. E, mais importante, levando em conta as especificidades de cada criança em cada fase do desenvolvimento.

Que este livro guie e tranqüilize muitos pais e mães!

A Editora

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INTRODUÇÃO

Este livro foi escrito com o objetivo de ajudar as mães a cuidar de seus filhos e estabelecer com eles uma relação de amor e confiança. Foi feito no formato de perguntas e respostas porque consideramos (eu e a editora) ser a maneira mais rápida de conseguir uma informação, além de ser a forma da qual as mães se utilizam nas consultas – elas chegam com suas famosas “listinhas”, que tanto ajudaram na confecção do livro.

Apesar de todo o trabalho que tive para catalogar as questões, pesquisar em livros, revistas e na internet e preparar as respostas, não posso negar o grande prazer que senti ao elaborar este livro. Comecei a relembrar momentos mágicos do passado, em que eu era questionado durante as consultas e me via rapidamente envolvido na questão, esforçando-me para dar à jovem mãe a melhor resposta – aquela que a ajudaria a cuidar melhor de seu filho. Foi um processo evolutivo, culminando com a elaboração deste livro, que pode ser lido na ordem natural ou consultado como fonte de pesquisa, dirigindo-se a mãe diretamente à questão que lhe interessa.

As perguntas aqui elencadas foram obtidas de mães de pacientes durante o exercício da pediatria em meu consultório, de outras mães, de dúvidas remetidas ao meu site e de mães potenciais (em vias de ter bebês), entre outras, conforme relacionado na seção de agradecimentos.

Dirigido a mães e pais de bebês de até 1 ano, o livro está dividido em trimestres. Ao lê-lo, o leitor logo perceberá que o capítulo “Do nascimento aos 3 meses” é o mais extenso em todos os assuntos. Isso porque essa é realmente a fase em que pais e mães recentes mais têm dúvidas.

Obviamente, este livro não está completo. No entanto, procurei falar das questões mais abrangentes e mais freqüentes, que deverão servir de primeiro passo para esclarecer a mãe quanto à conduta que ela deve ter com seu bebê. Ao identificar uma pergunta que também é sua e ler a resposta, a mãe (é o que desejo) se sentirá mais segura e poderá criar com o bebê uma relação mais tranqüila e sem culpa.

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ANTES MESMO DE O BEBÊ CHEGAR

Se você está lendo este capítulo, é porque tem dúvidas em relação ao bebê que ainda vai chegar. Essas dúvidas são normais e perfeitamente compreensíveis. Veja a seguir as perguntas mais comuns feitas no período que antecede o parto.

Devo procurar um pediatra antes de o bebê nascer?

Considero de extrema valia uma consulta ao pediatra antes do parto. Ele lhe fornecerá informações importantíssimas, além de lhe transmitir maior segurança nos cuidados com o seu bebê, principalmente nos primeiros dias de sua vida, e poderá orientá-la sobre os produtos mais adequados para o recém-nascido.

seta2 Veja: Crianças de 1 a 3 anos – Manual do ProprietárioLivro Criancas de 1 a 3 anos

Veja também:

seta Leia um trecho do livro Engordei ou Minha Roupa Encolheu?

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seta Veja a lista dos Livros mais vendidos no Brasil – 30.11.2009

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  1. Prezado
    Admiro muito seu site, ainda mais com dicas bastante interessantes sobre economia e agora, sobre bebês!!
    Bom trabalho.

    Responder

    1. Obrigado, Lucio.

      Responder