Administracao de Empresas

You are currently browsing articles tagged Administracao de Empresas.

.
_______________________________________________________________

Trecho do Livro: Acerte o Preço e Aumente Seus Lucros
Livro Acerte o Preco e Aumente Seus Lucros
Autor: Frederico Zornig
Editora: Nobel
ISBN: 9788521313649

seta Saiba onde encontrar este livro

Decisões sobre preços são tomadas diariamente em qualquer empresa. Desde o estabelecimento de uma estratégia de preços para um novo produto, até a negociação feita por um vendedor para fechar a venda com um cliente. Estabelecer preços para produtos e serviços é uma decisão responsável por muito mais do que a simples definição de um valor monetário a um produto ou serviço. São os preços que auxiliam a imagem de uma marca – seja ela de qualidade superior ou de um produto de valor por dinheiro (value for money). Também são os preços efetivamente praticados que determinam níveis de lucratividade em qualquer negócio. Porém, poucas empresas prestam a devida atenção à maneira como podem estabelecer vantagens competitivas através de estratégias de preços agressivas. Por outro lado, na visão do cliente ou consumidor, preços influenciam o que comprar e em que quantidade comprar. Portanto, alterações de preços também afetam o mercado. Por exemplo, quando a demanda por um certo produto ou serviço é maior que a oferta, normalmente os preços deveriam subir para refletir uma nova realidade na curva de oferta e demanda.

Vários autores já definiram o que é preço, mas gosto da idéia de que, em geral, preço é a razão entre o valor recebido em dinheiro pelo vendedor em troca de uma certa quantidade de produtos ou serviços entregue ao comprador. Por exemplo, quando uma caixa longa vida de 1 litro de suco de manga concentrado é vendida por R$ 3,25, estamos entendendo que o vendedor está recebendo R$ 3,25 do comprador, e este leva a caixa de suco para a casa. Portanto, a maneira de alterar os preços mais diretamente é aumentando a quantidade necessária de dinheiro pela mesma caixa de suco. Desta forma podemos, por exemplo, assumir que a partir de agora o preço a ser pago será de R$ 3,45 pela mesma caixa de suco e o preço estará alterado.

Outra maneira que algumas empresas utilizam para alterar o preço é reduzindo a quantidade de suco na caixa ou embalagem. Ou seja, em um outro cenário podemos cobrar os mesmos R$ 3,25 por uma caixa de suco, mas que em vez de 1L tenha apenas 900 ml. Ainda uma outra possibilidade para alterarmos os preços é mudando a qualidade do produto vendido. Vamos assumir que pelos mesmos R$ 3,25 o vendedor passará a oferecer uma garantia da qualidade do suco de manga, por meio de uma embalagem longa vida de última geração. Por entregar ao comprador mais valor pelo mesmo preço de antes, o vendedor está de fato abaixando seu preço!

O mesmo vendedor também poderá reduzir seus preços oferecendo descontos por quantidade. Por outro lado, poderá conseguir um “aumento” de preços de seus produtos se, em vez de oferecer 30 dias para pagamento, só aceitar pagamentos à vista.

Finalmente, alterar os meios de recebimento do preço do suco também pode afetar seu preço final – ao cancelar a parceria com a empresa de cartão de crédito, o vendedor poderá evitar um desconto sobre o valor de sua venda pela operadora do cartão.

Notem, porém, que em qualquer decisão a ser tomada em relação aos preços praticados, as conseqüências têm de ser levadas em consideração. O objetivo final de uma ação estratégica de preços deverá sempre ter como objetivo a maximização do lucro da empresa no longo prazo.

Outros fatores que estão de certo modo fora do controle de apenas uma empresa e que afetam os preços de um produto ou serviço precisam também ser levados em conta. Podemos mencionar aspectos como desenvolvimento e avanço de novas tecnologias, o aumento da competição globalizada, regulamentação de preços de alguns setores da economia, variações cambiais significativas, taxas básicas de juros, entre outros.

Preço é quase tudo

Com uma estratégia de preços correta, uma empresa seguramente estará ampliando seus lucros da maneira mais rápida e eficaz que existe entre os quatro “Ps” de marketing (preço, propaganda, produto e praça – distribuição). Um aumento de apenas 1% no preço poderá elevar o lucro de qualquer negócio em aproximadamente 10%. Em um estudo feito pela consultoria McKinsey, utilizando dados de balanço publicados na Average Economics Global 1200 de 2002, que inclui empresas de capital aberto do mundo todo, foi demonstrado que 1% de aumento no preço líquido geraria um aumento nos lucros líquidos da ordem de 11%. Nesse mesmo estudo ficou demonstrado que 1% de redução em custos variáveis, para essas empresas, geraria uma melhora no lucro de 7%. Se os ganhos fossem em volume, ou seja, vendendo 1% a mais em volume, teriam um aumento de lucro de 3,7%, e se reduzissem custos fixos em 1% conseguiriam apenas uma melhora de 2,7% no lucro. Fica claro que um pequeno aumento em preço pode se transformar em grandes aumentos de lucratividade (veja tabela 1, abaixo).

————————-
Tabela 1 – Impacto na lucratividade após melhoria de 1% nas variáveis

Variável Percentual – impacto no lucro

Custos fixos – 2,7%
Volume – (unidades) 3,7%
Custos variáveis – 7,3%
Preços – 11,0%

Fonte: Estudo McKinsey baseado na Average Economics Global 1200, edição 2002.
————————-

Quando discutirmos aumentos de preços neste livro, temos de esquecer nossa cultura inflacionária, de que até 1994 era comum aumentos de preços de 1% ao dia, e começarmos a buscar oportunidades em pequenos aumentos reais (acima de índices inflacionários) ao longo do tempo. Em alguns casos de companhias de bens de consumo de massa, um aumento real (descontada inflação) de 0,5% pode representar toda a lucratividade de uma empresa em um ano.

Encontrar oportunidades para incrementar preços em 1% é factível em qualquer empresa e em qualquer tipo de mercado (inclusive aquelas que acreditam que só vendem commodities). Basta implementar alguns dos conceitos (estratégias ou táticas) que serão apresentados neste livro que o aumento no seu lucro aparecerá.

Claro que falar de aumentos de preços sempre nos traz a dúvida sobre a equação preço versus volume (ou curvas de oferta e demanda). Normalmente, os gerentes de vendas e de marketing pensam em abaixar os preços para aumentar a demanda e conseqüentemente o volume, e com isso, alcançar maiores lucros. Para argumentar minha crença de que esta geralmente não é a melhor estratégia, gostaria de voltar para os dados da Average Economics e o estudo da McKinsey citados acima. Utilizando os dados disponíveis, podemos observar que uma redução de 5% nos preços requer um aumento de volume da ordem de 18% apenas para alcançarmos o ponto de equilíbrio. Na maioria dos negócios, este aumento é bastante incomum, especialmente no longo prazo. Além disso, estamos mostrando que com dados de 1200 empresas globais temos uma elasticidade média de 3,5. Ou seja, para cada 1% de redução de preço temos de aumentar o volume em 3,5%. Mais uma vez utilizando dados da Average Economics, a elasticidade de preços alcança, no mínimo, 0,8. Ou seja, atingir os níveis exigidos para equilíbrio no lucro após uma redução de preços da ordem de 5% é bastante improvável.

Nunca me esqueço de que em quase todas as lojas de roupa que vou, ao final da compra, sempre peço mais 5% de desconto e, em 90% das vezes, sou atendido. Espero que já tenham avaliado a variação do volume necessária para justificar estes 5% de descontos adicionais. Sem falar em possíveis guerras de preços que reduções dessa natureza poderiam gerar em alguns mercados. Mas este será um tema de outro capítulo.

Como um bom exercício para entender esses conceitos e confirmar o poder de um aumento de preço, convido o leitor a fazer essas análises de elasticidade e aumentos de preços versus redução de custos ou aumento de volume com dados do seu próprio negócio. Empresas com um bom entendimento dos impactos dessas variações nos seus lucros com certeza estarão deixando menos dinheiro escapar por decisões equivocadas.

Outro fator importante é que, em geral, todos os negócios, sejam voltados para o consumidor ou business-to-business (B2B), estão sendo afetados por uma pressão para a redução dos preços. Se as empresas não tomarem alguma atitude, eventualmente estas forças conseguirão reduzir os preços e afetar a lucratividade. Algumas dessas forças no mercado para o consumidor que podemos ilustrar incluem: a concentração do poder dos varejistas – vejam o exemplo de hipermercados, como Carrefour e WalMart, prometendo o menor preço todo dia; a venda de produtos pela internet, em que podemos consultar preços mais baixos ao clique de um mouse; o mercado de trabalho estagnado com nível de desemprego alto, obrigando os consumidores a procurar sempre a melhor oferta; o surgimento de marcas próprias em supermercados, diminuindo a diferença na qualidade para os produtos de marca premium. Já para as empresas que participam de negócios apenas com outras empresas (B2B), as forças predominantes incluem a profissionalização do mercado de procurement, isto é, cada vez mais empresas lidam com compradores treinados e preparados para extrair o máximo de seus fornecedores, programas de redução de custos e eficiência por parte das grandes empresas, obrigando os pequenos fornecedores a melhorar qualidade e reduzir custos ao mesmo tempo.

Em função do nosso custo tributário de faturamento, mais e mais empresas querem abrir mão do distribuidor, obrigando empresas a se reestruturar e assumir mais tarefas ou reduzir suas margens para manter a competitividade dos distribuidores, portais eletrônicos de compras, entre outros tantos.

Para finalizar, lembre-se daquela calça jeans de marca italiana que você comprou pagando pelo menos 10 vezes mais que uma calça jeans de qualidade similar, que você encontraria em uma loja de boa marca nacional. Este é um ótimo exemplo da importância de uma estratégia de preço sendo implementada. Se uma empresa consegue, por várias razões, estabelecer uma percepção de valor para o cliente de que sua marca, imagem e qualidade valem 10 vezes mais do que uma outra opção e consegue capturar este valor em forma do preço cobrado, podemos concluir que ela está tendo sua superioridade recompensada pelo cliente.

Se “apenas” 10 vezes mais é o ponto ideal já não posso afirmar, com o nível limitado de informações que tenho a respeito, mas a idéia aqui é que se todo o valor gerado para o cliente não estiver sendo capturado, eventualmente essa empresa poderá inclusive perder a possibilidade de manter-se em um patamar superior de preços e imagem de marca. Pois posso assegurar que muitos concorrentes estão utilizando preços de maneira estratégica para conseguirem extrair o máximo de retorno de seus produtos ou serviços.

Outros conceitos importantes

Apresento abaixo outros conceitos que são fundamentais para o bom entendimento dos próximos capítulos, quando apresentaremos estratégias e táticas assumindo que o leitor já domina alguns termos utilizados no gerenciamento e administração de preços.

Preços absolutos e preços relativos

É importante entender as diferenças entre estes dois conceitos. Preço absoluto é o preço de um produto – um veículo VW Fox 1.6 Total Flex, por exemplo, custa, pela tabela da revista Auto Esporte de agosto de 2005, R$ 34.911,00, e o VW Gol Power 1.6 Total Flex, pela mesma tabela, custa R$ 32.478,00. Preço relativo é a diferença de preço percebida pelo cliente – ou seja, nessa data temos uma diferença entre os dois modelos de R$ 2.433,00.

Para ilustrar esses conceitos, vamos imaginar que estamos no ano de 2010 e supor que a Volkswagen tenha agora seus preços para o mesmo Fox em R$ 54.911,00 e que o mesmo modelo de Gol é vendido pelo preço de R$ 52.478,00. Portanto, a diferença de preço entre os dois veículos foi mantida ao longo desses hipotéticos cinco anos. Qual seria, em sua opinião, a reação dos consumidores?

Em algumas situações similares podemos constatar que o produto com mais qualidade percebida, neste caso o Fox, ganharia participação de mercado. O erro hipotético da Volkswagen teria sido ignorar que clientes e consumidores percebem a diferença de R$ 2.433,00 em 2005 como sendo muito mais significativa do que a diferença de R$ 2.433,00 se comparada aos preços de 2010. Portanto, notem que os preços absolutos de ambos os carros aumentaram. Porém o preço relativo entre ambos foi bastante reduzido em cinco anos.

Valor percebido e preço

Uma loja de chocolates caseiros no interior de São Paulo mantinha uma política de preços similar à de uma rede de lojas de chocolate de abrangência nacional (ou pelo menos nas grandes cidades do país). Por ser uma loja local, detinha uma certa preferência por parte dos consumidores e, em função disso, mantinha uma vantagem competitiva em relação ao competidor nacional em sua cidade. Porém, a rede de lojas nacional iniciou um processo de modernização de seus pontos de vendas, lançou novos produtos e campanhas agressivas de marketing em outdoors e revistas. Além disso, foi notado também um aumento de preços generalizado na rede. Já a loja de chocolate local, em vez de também melhorar seu ponto de venda e investir em novos produtos para poder manter a relação preço versus qualidade similar ao concorrente nacional, optou pelo caminho mais fácil de abaixar os preços. Em questão de meses, os clientes começaram a perceber que a loja tinha produtos e qualidade inferior ao da marca nacional e a vantagem competitiva que a loja local detinha por ser mais próxima aos clientes de sua cidade foi sendo perdida. A proprietária da loja não percebeu os limites entre preços e valor percebido pelos clientes. Neste caso, como na grande maioria das vezes, um produto de menor preço foi considerado de qualidade inferior pelo seu próprio público consumidor.

Preços de referência e limites de preços

De acordo com Kent Monroe, preços são sempre avaliados comparativamente. Ou seja, para um comprador decidir se um preço é justo, muito alto ou muito baixo é necessário comparar o preço com um produto ou serviço similar. Consumidores e empresas, pela experiência, iniciam um processo de arquivo de preços de referência para produtos ou serviços adquiridos.

Ao criar esses preços de referência para um determinado produto, os preços oferecidos para aquele produto serão sempre julgados em relação à referência existente. Se a diferença for muito grande em relação a essa referência, o preço ofertado poderá sair dos limites máximos e mínimos para aquele cliente. Os limites de preços máximos são ultrapassados quando um cliente decide não optar pela compra, por acreditar que o preço pedido está fora do que seria razoável por aquele produto.

Durante minha vida profissional sempre trabalhei com empresas de qualidade e com produtos com excelente imagem de marca e relativo domínio de mercado e por isso algumas vezes ouvi que vendia produtos como se vendesse Coca-Cola gelada na praia. Imagine, porém, se eu fosse vender essa Coca-Cola e decidisse pedir por uma latinha gelada R$ 30,00. Provavelmente, não venderia muitas unidades, uma vez que a grande maioria dos clientes acharia este preço acima do limite aceitável de preço para uma lata de Coca-Cola (mesmo que gelada na praia). Este é um exemplo de um limite máximo de preço baseado no preço de referência que temos para uma lata de refrigerante. Notem que preços até podem ser superiores ao preço de referência para algumas situações (tais como a conveniência de se comprar uma Coca-Cola gelada deitado na areia da praia, mas sempre dentro de uma faixa “aceitável” de valor – falaremos mais sobre isso no decorrer do livro).

Na outra extremidade, temos situações em que o preço pode ficar abaixo de uma referência que temos para um valor mínimo aceitável e questões sobre a qualidade do produto podem influenciar a decisão de não consumirmos.

Vamos também imaginar uma visita a uma loja de roupas para comprarmos um terno. Apesar de ser um produto em que, dependendo da marca, podemos encontrar variações bastante significativas, vamos supor que nos deparamos com uma promoção na qual um terno de marca estabelecida estava sendo oferecido por R$ 50,00. No mínimo, o cliente que já tem uma idéia do valor de um terno daquela marca acharia estranho tamanho desconto. Também poderia acreditar que não se tratava de mercadoria original ou, ainda, que tivesse algum defeito e por alguma dessas razões decidiria não levar o produto.

A importância (ou não importância) dos custos

Existe quase uma regra enraizada na mente de muitos executivos e empresários de que preços devem ser formados a partir de um custo. Seja este custo de produção ou aquisição de uma mercadoria, além de muitas vezes ainda acrescentarem alocações de custos administrativos, vendas e marketing.

Infelizmente, este é um dos erros mais comuns que encontro na maioria das empresas. Custos não são relevantes para a definição de uma estratégia de preços. Ainda mais se forem os custos com alocações baseadas em regras criadas pelo departamento de contabilidade. No máximo, o custo direto de um produto poderá servir para sabermos qual o valor que abaixo dele estaremos perdendo dinheiro em cada venda daquele produto ou item. Além disso, de nada mais serve.

Indignado com tamanho descaso sobre tão importante variável na equação? Ótimo. Por isso que este livro vai mudar sua maneira de definir e administrar preços na sua empresa. Boa leitura nos próximos capítulos.

seta2 Conheça o livro Marketing Para o Século XXILivro Marketing Para o Seculo XXI

Veja também:

seta Leia um trecho do livro Grátis, O Futuro dos Preços

seta Leia um trecho do livro Direito Empresarial e Tributário

seta Leia um trecho do livro O Ponto da Virada

seta Veja a lista atualizada dos Livros mais vendidos no Brasil

seta Acompanhe as atualizações através do Feed ou do Twitter

______________________________________________________________

.
Notebooks
______________________________________________________________

Tags: , , , , , , , , , ,

Trecho do Livro: SuperFreakonomics
Livro SuperFreakonomics
Autores: Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner
Editora: Campus Elsevier
ISBN: 9788535237283

seta Saiba onde encontrar este livro

A coisa mais elementar sobre soluções baratas e simples é que em geral elas resolvem problemas que parecem insolúveis. No entanto, invariavelmente, um Semmelweis ou uma equipe de Semmelweises despontam no horizonte e salvam a humanidade. A História está apinhada de exemplos. No começo da Era Cristã, cerca de 2.000 anos atrás, havia cerca de 200 milhões de pessoas na Terra. No ano 1.000, esse número aumentara para apenas 300 milhões. Mesmo em 1750, havia nada mais que 800 milhões de pessoas. A fome era preocupação constante e os gurus afirmavam que o planeta provavelmente não suportaria muito mais crescimento. A população da Inglaterra vinha decrescendo – “basicamente porque”, escreveu um historiador, “a agricultura não tinha condições de atender às pressões de alimentar mais gente”.

Entra em cena a Revolução Agrícola. Várias inovações, nenhuma delas muito complexa – plantações de alto rendimento, melhores ferramentas e uso mais eficiente do capital – mudaram a agricultura e, em seguida, a superfície do planeta. Na América do século XVIII, “precisava-se de 19 em 20 trabalhadores para alimentar a população do país e produzir excedentes para exportação”, escreveu o economista Milton Friedman. Duzentos anos depois, apenas 1 em 20 trabalhadores era necessário para alimentar população muito mais numerosa e também fazer dos Estados Unidos “o maior exportador de alimentos do mundo”.

A Revolução Agrícola liberou milhões de trabalhadores que impulsionaram a Revolução Industrial. Em 1850, a população mundial crescera para 1,3 bilhão; em 1900, era de 1,7 bilhão; em 1950, chegara a 2,6 bilhões. E, então, a espécie humana realmente decolou. Nos 50 anos seguintes, a população mais do que dobrou, superando em muito os 6 bilhões. Caso se tivesse de escolher uma única bala de prata responsável por esse surto, seria o nitrato de amônia, fertilizante incrivelmente barato e eficaz. Não haveria exagero em afirmar que o nitrato de amônia alimenta o mundo. Se ele desaparecesse da noite para o dia, diz o economista agrícola Will Masters, “a dieta da maioria das pessoas retrocederia a montes de cereais e leguminosas, com os produtos animais e frutícolas reservados para ocasiões muito especiais e para os ricos”.

Reflita sobre o caso da baleia. Caçada desde a antiguidade, no século XIX ela se tornou o motor econômico que ajudou os Estados Unidos a converter-se em potência. Cada centímetro cúbico do animal poderia ser convertido em algo, razão pela qual a baleia foi para um país em rápido crescimento como que um hipermercado onde se encontrava tudo: matéria-prima para a fabricação de tintas e vernizes, têxteis e couro; de velas e sabões; de roupas e, evidentemente, de alimentos (a língua, em especial, era iguaria supimpa). A baleia era adorada, mormente, pelo s_xo mais sofisticado, renunciando a partes de seu corpo para a fabricação de corpetes, colares, para-sóis, perfumes, escovas para cabelo e tinturas para tecido. (Este último produto, dentre todas as fontes, era extraído do excremento da baleia.) De todos os derivados, o mais valioso era o óleo da baleia, lubrificante para todos os tipos de máquinas e, ainda mais importante, combustível para iluminação. Como declara o autor Eric Jay Dolin, em Leviathan, “o óleo de baleia da América iluminou o mundo”.

De uma frota mundial de 900 navios baleeiros, 735 eram norte-americanos, que caçavam nos quatro oceanos. Entre 1835 e 1872, esses navios retiraram dos mares 300.000 baleias, média superior a 7.700 por ano. Nos bons anos, a receita total oriunda do óleo e do osso excedia a US$10 milhões, equivalente hoje a cerca de US$200 milhões. A pesca da baleia era trabalho perigoso e difícil, mas constituía o quinto maior setor econômico dos Estados Unidos, empregando 70.000 pessoas.

E então, o que parecia recurso inexaurível, de repente e, em retrospectiva, obviamente, estava ameaçado de extinção. Navios demais estavam caçando baleias de menos. Um barco que antes passava um ano no mar para encher seus porões com óleo de baleia agora precisava de quatro anos. Os preços do óleo de baleia, em consequência, dispararam, sacudindo a economia americana. Hoje, indústria como aquela seria considerada “grande demais para falir”, mas o setor baleeiro realmente estava falindo, com sérias repercussões para toda a economia nacional.

Foi quando um ferroviário aposentado, chamado Edwin L. Drake, usando motor a vapor para impulsionar uma sonda a 22 metros de profundidade, através de xisto e rocha, descobriu petróleo em Titusville, Pensilvânia. O futuro borbotou na superfície. Por que arriscar a vida e os membros, caçando leviatãs em todos os mares, precisando arrastá-los e descarná-los, quando tanta energia jazia à espera, nos porões do país, para ser bombeada para fora?

O petróleo foi não só uma solução barata e simples, mas também, como o óleo da baleia, demonstrou extraordinária versatilidade. Podia ser usado como óleo para iluminação e aquecimento, como lubrificante e como combustível para automóveis; era matéria-prima para plásticos e até para meias de náilon. A nova indústria do petróleo também criou muitos empregos para os baleeiros desempregados e, como bônus, ainda exerceu com mais eficácia a função que seria atribuída à legislação de proteção às espécies ameaçadas, salvando as baleias da extinção quase certa.

No começo do século XX, a maioria das doenças infecciosas – varíola, tuberculose, difteria e outras – estavam em vias de erradicação. Mas a pólio recusava-se a capitular.

Seria difícil inventar doença mais devastadora. “Era doença de criança; não havia prevenção; não se conhecia a cura; todas as crianças, em todos os lugares, poderiam contraí-la”; diz David M. Oshinsky, autor de Polio: An American Story, livro ganhador do Prêmio Pulitzer. “E tudo isso significava que os pais estavam absolutamente histéricos.”

A pólio também era um grande mistério, exacerbando-se no verão, por motivos desconhecidos. (Em caso clássico de falsa correlação e causalidade, alguns pesquisadores aventaram a hipótese de o sorvete – consumido em quantidades muito maiores no verão – provocar a pólio.) De início se pensou que o principal alvo fossem filhos de imigrantes pobres, mormente meninos, residentes em favelas, mas logo se constatou que também vitimava meninas, assim como crianças em subúrbios arborizados. Até Franklin Delano Roosevelt, muito longe das comunidades pobres de imigrantes e já bem distante da infância, aos 39 anos, contraiu a doença.

Todos os surtos da doença deflagravam novos acessos de quarentena e pânico. Os pais mantinham os filhos longe de amigos, piscinas, parques e bibliotecas. Em 1916, a mais devastadora epidemia de pólio até então registrada assolou a Cidade de Nova York. De 8.900 casos relatados, 2.400 foram fatais, a maioria crianças com menos de cinco anos. A de 1952 foi ainda mais arrasadora, com 57.000 casos em todo o país, 3.000 fatais e 21.000 resultando em paralisia permanente.

Sobreviver aos piores casos de pólio era pouco melhor que morrer. Algumas vítimas ficavam hemiplégicas da cintura para baixo e sentiam dores constantes. Quem adquiria paralisia respiratória praticamente sobrevivia em “pulmões de aço”, enorme tanque que exercia a função dos músculos do tórax. Com o crescimento da população de vítimas de pólio, o custo da assistência médica atingia proporções espantosas. “Em uma época em que apenas menos de 10% das famílias do país tinham alguma forma de seguro-saúde”, escreve Oshinsky, “as despesas com a internação de uma vítima de pólio (cerca de US$900 por ano) efetivamente eram superiores ao salário anual médio (US$875).”

Os Estados Unidos já eram o país mais poderoso do planeta, vencedor de duas guerras mundiais, potência abençoada, cujo futuro despontava com fulgor ofuscante. Mas pairava sobre o país o receio legítimo de que o flagelo da pólio consumiria parcela tão desmesurada dos orçamentos públicos a ponto de também estropiar a economia nacional.

E, então, desenvolveu-se a vacina – uma série de vacinas, na realidade – e a pólio foi extirpada.

Chamar a vacina de solução “simples” talvez pareça desconsideração com o esforço ingente de todos que ajudaram a combater a praga: os pesquisadores médicos (mormente Jonas Salk e Albert Sabin); os voluntários que levantaram fundos (a Marcha dos Tostões [March of Dimes], descreve Oshinsky, foi “o maior exército filantrópico já visto pelo país”); e até os mártires não humanos (importaram-se milhares de macacos para testar as vacinas experimentais).

Por outro lado, não existe solução médica mais simples que a vacina. Veja as duas principais maneiras de combater doenças. A primeira é inventar procedimentos ou tecnologias que ajudem a resolver o problema já existente (cirurgia de coração aberto, por exemplo); esses consertos tendem a ser muito onerosos. A segunda é desenvolver medicamentos que previnam o problema, ou seja, que impeçam seu surgimento; no longo prazo, essa segunda solução tende a ser extremamente barata. Pesquisadores da área de assistência médica estimam que, não fosse a vacina, os Estados Unidos hoje estariam cuidando de no mínimo 250.000 portadores de paralisia infantil, a um custo anual de ao menos US$30 bilhões. E aí não se inclui “o custo intangível do medo, do sofrimento e da morte”.

A pólio é um exemplo contundente, mas são incontáveis as soluções médicas simples e baratas. Novos medicamentos contra úlcera reduziram a taxa de cirurgia em mais ou menos 60%; nova rodada de medicamentos ainda mais acessíveis economiza cerca de US$800 milhões ao ano para os portadores da doença. Nos 25 anos subsequentes à adoção do lítio no tratamento da depressão maníaca, economizaram-se quase US$150 bilhões em custos de hospitalização. Até a simples adição de flúor aos sistemas de abastecimento de água evitou cerca de US$10 bilhões por ano em despesas com dentistas.

Como já observamos, as mortes por doenças cardíacas caíram substancialmente nas décadas recentes. Mas será que esse progresso é consequência apenas de tratamentos dispendiosos, como transplantes e enxertos, angioplastias e stents?

Na verdade, não. Esses procedimentos são responsáveis por parcela extremamente pequena do aprimoramento. Cerca de metade do declínio decorre da redução de fatores de risco, como colesterol alto e pressão sanguínea elevada, ambos os males tratados com medicamentos relativamente baratos. E boa parte da redução remanescente se explica por tratamentos de custo irrisório, como aspirina, heparina, inibidores ECA e bloqueadores beta.

seta2 Conheça o livro FreakonomicsLivro Freakonomics

Veja também:

seta Leia um trecho do livro A Lógica do Consumo, de Martin Lindstrom

seta Leia um trecho do livro Mais Tempo, Mais Dinheiro, de Gustavo Cerbasi

seta Veja as Taxas de Juros – Financiamento Veículos – 20.11.2009

seta Veja a lista atualizada dos Livros mais vendidos no Brasil

seta Acompanhe as atualizações através do Feed ou do Twitter

______________________________________________________________

Tags: , , , , , , , , , ,

Trecho do Livro: Free, Grátis – O Futuro dos Preços | Chris Anderson
Livro Free Gratis
Autor: Chris Anderson
Editora: Campus
ISBN: 9788535230680

seta Saiba onde encontrar este livro

Em novembro de 2008, os sobreviventes do grupo Monty Python original, aturdidos com a extensão da pirataria digital de seus vídeos, divulgaram um anúncio relativamente grave no YouTube:

“Durante três anos, vocês, YouTubers, têm nos roubado, pegando dezenas de milhares de nossos vídeos e disponibilizando-os no YouTube. Agora, nós viramos a mesa. É hora de fazermos justiça com nossas próprias mãos.

Sabemos quem são vocês, sabemos onde moram e podemos ir atrás de vocês de formas horríveis demais para dizer. Mas como somos sujeitos extraordinariamente camaradas, descobrimos um jeito melhor de recuperar o que é nosso: lançamos nosso próprio canal do Monty Python no YouTube.

Chega desses vídeos de qualidade lastimável que vocês ficam postando. Estamos dando o que há de melhor: vídeo de alta qualidade diretamente de nossos cofres. Além disso, estamos pegando nossos clipes mais assistidos e fazendo o upload de novas versões de alta qualidade. E como se tudo isso não bastasse, estamos deixando que vocês vejam tudo absolutamente de graça. É isso aí!

Mas tem uma coisa que queremos em troca.

Chega de baboseiras ou comentários idiotas. Queremos que vocês comprem nossos filmes e programas na televisão e reduzam nossa dor e indignação por termos sido roubados durante todos esses anos.”

Três meses depois, os resultados desse radical experimento foram divulgados. Os DVDs do Monty Python decolaram para o segundo lugar na lista de filmes e programas de televisão mais vendidos na Amazon, e as vendas aumentaram 23.000%.

É isso aí!

O Grátis funcionou, e funcionou de forma brilhante. Mais de dois milhões de pessoas assistiram aos clipes no YouTube à medida que o boca a boca se espalhava e os pais apresentavam os filhos ao Cavaleiro Negro e ao Papagaio Morto. Milhares de expectadores se lembraram do quanto adoravam o Monty Python, quiseram mais e compraram os DVDs. Em resposta, vídeos, mashups e remixes se espalharam e uma nova geração aprendeu o significado de “Coelho Assassino”. E tudo isso não custou basicamente nada ao Monty Python, já que o YouTube pagou por todos os custos de banda larga e armazenamento.

O surpreendente nesse exemplo é o quanto isso não surpreende. Existem inúmeros outros casos exatamente como esse on-line, em que praticamente tudo é oferecido de graça em alguma versão com a esperança de vender alguma coisa – ou, com ainda mais frequência, sem qualquer expectativa de pagamento.

Estou digitando estas palavras em um computador “netbook” de $250, que é a nova categoria de laptop de maior crescimento. O sistema operacional é uma versão do Linux, gratuito, embora isso não faça diferença, já que não rodo programa algum além do Firefox, um navegador da Web gratuito. Não estou usando o Microsoft Word, mas sim o Google Docs, gratuito, que tem a vantagem de disponibilizar meus rascunhos onde quer que eu esteja e não tenho de me preocupar em fazer back-up, já que o Google cuida disso para mim. Todo o resto que faço neste computador é de graça, desde meu e-mail até meu blog no Twitter. Até o acesso sem fio é grátis, graças ao café no qual estou.

No entanto, o Google é uma das empresas mais lucrativas dos Estados Unidos, o “ecossistema Linux” é uma indústria de $30 bilhões e o café parece estar vendendo cappuccinos de $3 mais rapidamente do que consegue prepará-los.

Aqui reside o paradoxo do Grátis: as pessoas estão ganhando muito dinheiro sem cobrar nada. Não nada por tudo, mas nada pelo suficiente para criarmos uma economia tão grande quanto a de um país de tamanho razoável a um preço em torno de $0,00. Como isso aconteceu e para onde nos levará?

Essa é a questão central deste livro.

Para mim, tudo começou com um detalhe não explicado no livro A Cauda Longa: do Mercado de Massa para o Mercado de Nicho. Meu primeiro livro foi sobre a nova forma da demanda do consumidor, quando tudo está disponível e podemos escolher de uma prateleira infinita, em vez de nos limitarmos ao mostruário dos campeões de vendas. O abundante mercado da cauda longa foi possibilitado pelo ilimitado “espaço de prateleira” da Internet, que é o primeiro sistema de distribuição da história tão apropriado para os nichos quanto para as massas, tanto para o obscuro quanto para a tendência dominante. O resultado foi o nascimento de uma nova cultura radicalmente diversificada e uma ameaça às instituições da cultura existente, da mídia de tendência dominante às gravadoras.

Só existe um modo de ter espaço de prateleira ilimitado: se esse espaço não custar nada. Os “custos marginais” praticamente inexistentes da distribuição digital (isto é, o custo adicional de enviar mais uma cópia além dos “custos fixos” do hardware com o qual isso deve ser feito) nos permitem uma utilização indiscriminada – nenhum guardião é necessário para decidir se algo merece alcance global ou não. E dessa competição aberta a todos, surgiu o milagre da Web atual, o maior repositório de conhecimento, experiência e expressão humana que o mundo já viu. Então, esse é o poder do espaço de prateleira gratuito.

Enquanto eu me maravilhava com as consequências, comecei a pensar mais sobre o Grátis e percebi até onde o fenômeno se espalhara. Isso explicava não apenas a explosão de variedade on-line, como também a precificação on-line. Além disso, esse “grátis” não era apenas um artifício de marketing como as amostras grátis e os brindes no varejo tradicional com os quais estamos acostumados. Esse grátis parecia vir sem qualquer restrição: não era apenas uma isca para uma venda futura, mas algo oferecido verdadeiramente de graça. A maioria de nós depende de um ou mais serviços do Google todos os dias, mas isso nunca é cobrado em nossos cartões de crédito. Não existe contador medindo sua utilização do Facebook. O Wikipedia não custa nada.

O Grátis do século XXI é diferente do Grátis do século XX. Em algum ponto na transição de átomos a bits, um fenômeno que achávamos já conhecer se transformou. O “grátis” se transformou no Grátis.

Com certeza, os economistas devem ter algo a dizer a respeito, pensei. Mas não consegui encontrar nada. Nenhuma teoria da gratuidade ou modelos de precificação que chegassem a zero. (Para ser justo, existem alguns estudos, como pesquisas posteriores viriam a revelar. Mas são, em sua maior parte, obscuras discussões acadêmicas de “mercados de dois lados” e, como veremos no capítulo sobre economia, teorias do século XIX praticamente relegadas ao esquecimento.) De alguma forma, uma economia surgiu em torno do Grátis antes que o modelo econômico pudesse descrevê-lo.

Eis a razão deste livro, a exploração de um conceito que está no centro de uma evolução radical. Como eu viria a descobrir, o Grátis é um conceito ao mesmo tempo familiar e profundamente misterioso. Esse conceito é tão poderoso quanto incompreendido. O Grátis que surgiu na última década é diferente do Grátis que veio antes, mas o como e o porquê raramente são explorados. Além disso, o Grátis de hoje está cheio de contradições flagrantes: é possível ganhar dinheiro dando coisas de graça. O almoço grátis não é uma mera abstração. Algumas vezes, você recebe mais do que paga.

Foi divertido escrever este livro. A jornada me levou dos fabricantes de remédios patenteados nos Estados Unidos do final do século XIX aos mercados de produtos pirateados da China. Mergulhei na psicologia dos brindes e na moralidade do desperdício. Nas horas vagas, me dediquei a um projeto de testar novos modelos de negócio com base em eletroeletrônicos de propriedade intelectual gratuita (um modelo conhecido como hardware livre). Fiz um brainstorm com meus editores sobre as várias formas de distribuir este livro de graça na maioria de suas formas, ao mesmo tempo em que pensávamos em uma alternativa para que todas as pessoas que ajudaram a produzi-lo fossem pagas.

Em alguns aspectos, este foi um projeto de pesquisa pública, como o livro A Cauda Longa. Testei a tese em um artigo do Wired e escrevi um blog a respeito, a exemplo do que fiz com A Cauda Longa. Mas o livro tomou um caminho diferente, desenvolvendo-se mais em minha cabeça do que em uma conversa coletiva com os colaboradores on-line. Este livro se baseia mais em histórias e narrativas e é tanto sobre o passado do Grátis como sobre seu futuro. Minhas pesquisas me levaram tanto a arquivos e textos de psicologia do século XVIII como aos mais recentes fenômenos na Web. E então eu me vi praticando uma modalidade mais tradicional de escrita, que envolve estudo e elaboração solitária do texto com fones de ouvido em uma loja da Starbucks, exatamente como Deus planejou.

Quando não estava escrevendo, eu estava viajando, conversando com as pessoas sobre o Grátis. Descobri que a ideia de poder criar uma enorme economia global em torno do preço-base zero era invariavelmente controversa, mas um fator em comum era que praticamente todo mundo tinha suas dúvidas. Correndo o risco de ser acusado de preconceito com base na idade, deparei com dois grupos de céticos: as pessoas com mais de 30 anos e aquelas com menos de 30 anos. Os críticos mais velhos, que cresceram com o Grátis do século XX, tinham motivos para suspeitar: com certeza, o “grátis” não é grátis – nós pagaremos por isso mais cedo ou mais tarde. Isso não só não é novidade alguma, como é o artifício de marketing mais antigo da história. Quando você ouvir a palavra “grátis”, segure sua carteira.

Os críticos mais jovens tiveram uma reação diferente: “E…?” Essa é a Geração do Google e eles cresceram on-line presumindo que tudo que é digital é grátis. Eles internalizaram a dinâmica de mercado sutil da economia do custo marginal quase inexistente, da mesma forma que nós internalizamos a mecânica newtoniana quando aprendemos a pegar uma bola. O fato de estarmos criando uma economia global em torno do preço zero parecia tão óbvio que mal chegava a ser notado.

Diante disso, percebi que seria um tema perfeito para um livro. Qualquer tema capaz de dividir igualmente os críticos em dois campos opostos – “totalmente errado” e “tão óbvio” – precisa ser bom. Espero que as pessoas que lerem este livro, mesmo que comecem em um desses campos, não acabem em qualquer um deles. O Grátis não é novo, mas está mudando. E isso está acontecendo de maneiras que nos forçam a repensar algumas de nossas premissas mais básicas em relação ao comportamento humano e aos incentivos econômicos.

As pessoas que compreenderem o novo Grátis dominarão os mercados de amanhã e abalarão os mercados de hoje – na verdade, elas já estão fazendo isso. Este livro é sobre elas e sobre o que elas estão nos ensinando. É sobre o passado e o futuro de um preço radical.

O NASCIMENTO DO GRÁTIS

Não há como evitar: a gelatina é proveniente de carne e ossos. É aquela substância translúcida e viscosa que sobe à superfície quando você cozinha a carne. Mas se você coletar o suficiente dessa substância e submetê-la a um processo de depuração, ela se transforma em outra coisa: a boa e velha gelatina. Pó em um pacote, muito distante de suas origens, o tecido conjuntivo e a medula óssea vindos direto do matadouro.

Atualmente, não pensamos muito sobre as origens da gelatina, mas, no final do século XIX, se quisesse um regalo gelatinoso à mesa do jantar, você teria muito mais trabalho do que hoje: colocar restos de carne em uma panela e esperar metade de um dia para que o colágeno hidrolisado surgisse da cartilagem.

Em 1895, Pearle Wait, um carpinteiro de LeRoy, Nova York, dedicado nas horas vagas a empacotar remédios patenteados, estava sentado à sua mesa de cozinha cutucando uma tigela de gelatina. Vinha querendo entrar no então novo negócio de alimentos embalados e achava que a gelatina seria um sucesso se ao menos ele conseguisse descobrir como torná-la mais atrativa. Apesar de fabricantes de cola estarem produzindo a gelatina durante décadas como um subproduto do processamento de carne de animais, ela ainda não era popular com os consumidores americanos. Por um bom motivo: era trabalho demais por tão pouco.

Wait se perguntava se não haveria um jeito de popularizar a gelatina. Tentativas anteriores de vender gelatina em pó pré-embalada, inclusive por parte do inventor do processo, Peter Cooper (que criou o Cooper Union), eram vendidas na forma básica e sem sabor, com base no argumento de ser a forma mais flexível; as pessoas poderiam adicionar o sabor que quisessem. Mas Wait achava que as gelatinas com sabor poderiam vender mais, de modo que misturou a ela sucos de fruta além de açúcar e corantes alimentares. A gelatina assumiu a cor e o sabor das frutas – laranja, limão, cereja e morango –, criando algo com aparência, aroma e sabor atrativos. Colorida, transparente e divertida, a gelatina era um deleite capaz de trazer trepidação translúcida e divertida a quase qualquer refeição. Para distanciar ainda mais o produto de suas origens no matadouro, sua esposa, May, o rebatizou de Jell-O. E o produto tinha tudo para ser um sucesso.

Mas não foi. O Jell-O era um alimento estranho demais e uma marca desconhecida demais para os consumidores da virada do século. As tradições da culinária ainda se baseavam em receitas vitorianas, em que cada tipo de comida tem seu lugar. Essa nova gelatina era um ingrediente de salada ou uma sobremesa?

Durante dois anos, Wait continuou tentando instigar o interesse pelo Jell-O, com pouco sucesso. Ele acabou desistindo em 1899 e vendeu a marca registrada – o nome, com hífen e tudo – a Orator Frank Woodward, que morava na mesma cidade. O preço foi de $450.

Woodward era um vendedor nato e morava no lugar certo. A cidade de LeRoy se tornara uma espécie de incubadora de produtos do século XIX, mais conhecida por seus fabricantes de remédios patenteados. Woodward vendia vários remédios milagrosos e também era criativo nas vendas do gesso. Ele comercializava bolas de gesso para serem usadas como alvos por atiradores e inventou um ninho de gesso para galinhas poedeiras feito com pó antipulgas.

Mas até a empresa de Woodward, a Genesee Pure Food Company, teve dificuldades de encontrar um mercado para a gelatina em pó. Era uma nova categoria de produto com um nome de marca desconhecido em uma época na qual quase todos os produtos que dispensavam prescrição médica para a compra eram vendidos em bazares e os clientes tinham de pedi-los pelo nome. O Jell-O era produzido em uma fábrica da região, administrada por Andrew Samuel Nico. As vendas do novo produto eram tão baixas e desanimadoras que, em um dia cinzento, diante de uma enorme pilha de caixas encalhadas de Jell-O, Woodward ofereceu a Nico todo o negócio por $35. Nico recusou.

O maior problema era que os consumidores não entendiam o produto ou não sabiam o que podiam fazer com ele. E sem demanda dos consumidores, os comerciantes se recusavam a tê-lo em estoque. Fabricantes de outros produtos no novo negócio de ingredientes embalados, como o bicarbonato de sócio Arm e Hammer e o fermento Fleischmann, muitas vezes incluíam livros de receitas em suas caixas. Woodward pensou que um livro de receitas poderia ajudar a criar demanda pelo Jell-O também, mas como distribuir os livros? Afinal, ninguém estava comprando as caixas.

Então, em 1902, Woodward e seu diretor de marketing, William E. Humelbaugh, tentaram uma nova abordagem. Para começar, eles elaboraram um anúncio de 7,5cm para o Ladies’ Home Journal, ao custo de $336. Com bastante otimismo, o anúncio proclamava o Jell-O como “A Sobremesa Mais Famosa da América” e explicava as vantagens do produto: essa nova sobremesa “pode ser servida com o simples acréscimo de chantilly ou creme de ovos. Se, contudo, você quiser algo mais sofisticado, pode preparar rapidamente centenas de combinações deliciosas”.

Então, para ilustrar todas essas ricas e variadas combinações, a Genesee imprimiu dezenas de milhares de panfletos com receitas do Jell-O e os entregou a seus vendedores para distribuí-los de graça às donas de casa.

Isso foi uma forma inteligente de contornar o principal problema dos vendedores. Enquanto viajavam pelo país em suas carroças, eles eram proibidos de vender porta a porta na maioria das cidades sem uma dispendiosa licença de vendedor ambulante. Mas os livros de receitas eram diferentes: dar coisas de graça não era vender. Eles podiam bater às portas e dar à dona da casa um livro de receitas grátis, sem compromisso. O papel para imprimir os livros era barato em comparação com a produção do Jell-O. Eles não tinham como dar amostras grátis do produto, de modo que fizeram o que podiam: informações gratuitas que só podiam ser utilizadas se o consumidor comprasse o produto.

Depois de entupir uma cidade com os livretos, os vendedores procuravam os comerciantes locais e diziam que eles estavam prestes a ver uma onda de consumidores pedindo um novo produto chamado Jell-O e os aconselhando a ter o produto em estoque. Finalmente, as caixas de Jell-O nas carroças começaram a ser descarregadas.

Em 1904, a campanha se transformara em um enorme sucesso. Dois anos mais tarde, o Jell-O atingiu a marca de um milhão de dólares em vendas anuais. A empresa lançou a “Jell-O Girl” em seus anúncios e os livretos se transformaram em livros “best-sellers” de receitas do produto. Em alguns anos, a Genesee imprimiu nada menos que 15 milhões dos livros gratuitos e, nos primeiros 25 anos da empresa, imprimiu a estimativa de um quarto de bilhão de livros de receitas gratuitas e os distribuiu porta a porta por todo o país. Artistas famosos como Norman Rockwell, Linn Ball e Angus MacDonald contribuíram com ilustrações coloridas no livro de receitas. O Jell-O se tornou item obrigatório em qualquer cozinha americana e um nome que todo americano conhece.

Assim nasceu uma das ferramentas de marketing mais poderosas do século XX: dar uma coisa para criar demanda por outra. Woodward sabia que “grátis” é uma palavra com grande capacidade de alterar a psicologia do consumidor, criar novos mercados, abalar mercados antigos e tornar qualquer produto mais atrativo. Ele também percebeu que “grátis” não significava “lucro zero”. Grátis só significava que a trajetória do produto à receita era indireta, algo que viria a ser consagrado no manual de estratégia do varejo como o conceito do preço “isca”.

KING GILLETTE

Ao mesmo tempo, o exemplo mais famoso desse novo método de marketing estava sendo maquinado algumas centenas de quilômetros ao norte, em Boston. Aos 40 anos, King Gillette era um inventor frustrado, um anticapitalista amargurado e um vendedor de tampas de garrafa revestidas de cortiça. Apesar de todas as ideias, energia e dos pais ricos, seu trabalho rendia poucos frutos. Ele atribuía a culpa à diabólica concorrência no mercado. Com efeito, em 1894, publicou um livro, The Human Drift, argumentando que toda a indústria deveria ser tomada por uma única corporação de propriedade do público e que milhões de americanos deveriam viver em uma cidade gigantesca chamada Metropolis, com toda a energia proveniente das Cataratas do Niágara. Enquanto isso, o chefe dele na empresa de tampas de garrafa tinha apenas um conselho a dar: invente algo que as pessoas usem e joguem fora.

Um dia, enquanto fazia a barba com uma navalha tão gasta que não podia mais ser afiada, ele teve a ideia. E se a navalha pudesse ser feita com uma fina lâmina de metal? Em vez de perder tempo afiando as lâminas, os homens a descartariam quando elas perdessem o fio. Alguns anos de experimentação metalúrgica mais tarde, nasceu o aparelho de barbear seguro e descartável.

Mas não foi um sucesso imediato. No primeiro ano, 1903, Gillette vendeu um total de 51 aparelhos de barbear e 168 lâminas. Ao longo das duas décadas posteriores, tentou todos os artifícios de marketing em que conseguiu pensar. Colocou o próprio rosto na embalagem, transformando-se em uma personalidade lendária e – algumas pessoas acreditavam – fictícia. Ele vendeu milhões de barbeadores ao Exército com um enorme desconto, esperando que os hábitos desenvolvidos pelos soldados se mantivessem em tempos de paz. Vendeu barbeadores em massa a bancos para serem dados como brindes para novos depósitos (as campanhas “shave and save” – barbeie-se e poupe). Barbeadores eram vendidos com praticamente tudo, desde chicletes da Wrigley a pacotes de café, chá, temperos e marshmallows.

Os brindes ajudavam a vender esses produtos, mas a tática ajudou Gillette ainda mais. Ao vender barato a parceiros que davam os aparelhos de barbear de graça, que, sozinhos, eram inúteis, ele estava criando demanda por lâminas descartáveis. Era exatamente como o Jell-O (cujos livros de receitas eram os “aparelhos de barbear” e a gelatina era a “lâmina”), mas com itens muito mais estreitamente interdependentes. Uma vez que o cliente se acostumava com as lâminas descartáveis, Gillette tinha um cliente diário para a vida inteira.

É interessante notar que a ideia de que a Gillette deu as lâminas de graça é, em grande parte, um mito urbano. Os únicos exemplos documentados foram o lançamento do Trak II na década de 1970, quando a empresa deu de graça uma versão barata do aparelho com uma lâmina que não podia ser substituída. O modelo mais usual da empresa era vender barbeadores com uma baixa margem a parceiros, como bancos, que normalmente os davam de graça em promoções. O verdadeiro lucro da Gillette provinha da alta margem das lâminas.

Alguns bilhões de lâminas mais tarde, esse modelo de negócios passou a fundamentar setores inteiros: dê o telefone celular, venda o plano mensal; faça o console de videogames ser barato e venda jogos caros; instale sem custo máquinas de café sofisticadas em escritórios para vender caros sachês de café.

Surgindo com esses experimentos no início do século XX, o Grátis abasteceu uma revolução do consumidor que definiu os 100 anos subsequentes. A ascensão da indústria publicitária e a chegada do supermercado fizeram da psicologia do consumidor uma ciência e do Grátis, a ferramenta preferida. O rádio e a televisão aberta ou “free to air” (o termo utilizado para sinais enviados pelo ar e que qualquer um pode receber gratuitamente) uniram uma nação e criaram um mercado de massa. “Grátis” era o brado de convocação do marqueteiro moderno, e o consumidor nunca deixava de responder.

O GRÁTIS NO SÉCULO XXI

Agora, no início do século XXI, estamos inventando uma nova forma de Grátis que definirá a próxima era tão profundamente quanto a anterior. A nova forma de Grátis não é uma isca, um truque para transferir dinheiro de um bolso para outro. Ele é impulsionado por uma extraordinária nova capacidade de reduzir os custos dos bens e serviços a quase zero. Embora o Grátis do século passado tenha sido um poderoso método de marketing, o Grátis deste século representa um modelo econômico completamente novo.

Essa nova forma de Grátis se baseia na economia de bits, não de átomos. Uma qualidade singular da era digital é que, uma vez que algo se transforma em um produto digital, inevitavelmente passa a ser grátis – em termos de custo, com certeza, e muitas vezes em termos de preço. (Imagine se o preço do aço caísse para tão perto de zero que King Gillette pudesse dar de graça tanto o aparelho de barbear quanto as lâminas e lucrar com algo totalmente diferente – talvez espuma de barbear?) E isso está criando uma economia de bilhões de dólares – a primeira na história –, em que o preço primário é zero.

Na economia dos átomos – em outras palavras, a maioria das coisas que nos cercam –, tudo tende a ser mais caro com o tempo. Mas na economia dos bits, que é o mundo on-line, as coisas ficam mais baratas. A economia dos átomos é inflacionária, enquanto a economia dos bits é deflacionária.

O século XX representou, em grande parte, uma economia dos átomos. O século XXI será igualmente uma economia dos bits. Qualquer item grátis na economia dos átomos deve ser pago por algum outro item, e é por isso que o Grátis tradicional cheira tanto a uma isca – você está pagando, de uma forma ou de outra. Mas o Grátis na economia dos bits pode ser realmente grátis, excluindo totalmente o dinheiro da equação. As pessoas têm motivos para suspeitar do Grátis na economia dos átomos e para confiar no Grátis na economia dos bits. Intuitivamente, elas percebem a diferença entre as duas economias e entendem por que o Grátis funciona tão bem on-line.

Uma década e meia depois do grande experimento on-line, o grátis se tornou o padrão, e o pagamento se tornou uma rota para a obscuridade. Em 2007, o jornal The New York Times foi disponibilizado gratuitamente on-line, assim como grande parte do conteúdo do Wall Street Journal, usando um inteligente modelo híbrido que disponibilizava as notícias gratuitamente a pessoas que quisessem compartilhá-las on-line, em mensagens postadas em blogs ou outras mídias sociais. Bandas de rock como o Radiohead e o Nine Inch Nails passaram a disponibilizar suas músicas on-line, percebendo que o Grátis lhes permite atingir mais pessoas e criar mais fãs, alguns dos quais vão aos shows e até mesmo (!) pagam por versões premium da música. Os setores de mais rápido crescimento na indústria dos jogos são os “jogos casuais” (videogames ou jogos on-line voltados a um público de massa de “jogadores casuais”, em oposição a jogadores “pesados”) pagos pela propaganda e os jogos on-line de múltiplos jogadores (multiplayer on-line games, jogo on-line capaz de comportar centenas de milhares de jogadores simultaneamente em um mundo virtual) gratuitos.

A ascensão da “freeconomics”, a economia do Grátis, está sendo abastecida pelas tecnologias da era digital. Da mesma forma que a Lei de Moore dita que o preço de uma unidade de capacidade de processamento em um computador cai pela metade a cada dois anos, o preço da largura de banda e da armazenagem está caindo muito mais rapidamente. O que a Internet faz é integrar os três, combinando as quedas de preço dos três elementos tecnológicos: processadores, largura de banda e armazenagem. Em consequência, a taxa de deflação anual líquida do mundo on-line é de quase 50%, o que equivale a dizer que o custo do YouTube para divulgar um vídeo hoje cairá para a metade daqui a um ano. Todas as linhas de tendência que determinam o custo de fazer negócios on-line apontam na mesma direção: para zero. Não é de se surpreender que todos os preços on-line avancem na mesma direção.

George Gilder, cujo livro de 1990, Microcosm, foi o primeiro a investigar a economia dos bits, aborda esse fato em seu contexto histórico:

“Em toda revolução industrial, algum fator essencial de produção é radicalmente reduzido em termos de custo. Em relação ao custo anterior para atingir essa função, o novo fator é praticamente grátis. (Graças ao vapor) a força física na Revolução Industrial se tornou praticamente grátis em comparação a obter a mesma energia da força muscular animal ou humana. De repente, você pode fazer coisas que antes não conseguia fazer. Você pode fazer uma fábrica trabalhar 24 horas por dia fabricando copiosamente produtos de uma forma antes inimaginável.”

Hoje em dia, os modelos de negócios mais interessantes estão descobrindo maneiras de ganhar dinheiro em função do Grátis. Mais cedo ou mais tarde, toda empresa precisará descobrir formas de utilizar o Grátis ou competir com o Grátis, de uma forma ou de outra. Este livro investiga como fazer isso.

Para começar, analisaremos a história do Grátis e por que ele tem tanto poder sobre nossas escolhas. Em seguida, veremos como a economia digital revolucionou o Grátis, transformando-o de um artifício de marketing em uma força econômica, incluindo os novos modelos de negócios que isso possibilita. Por fim, mergulharemos nos princípios fundamentais da economia do Grátis: como funciona, onde atua e por que é tão incompreendida e temida. Mas para começar, o que “grátis” realmente significa?

Veja também:

seta Veja a lista atualizada dos Livros mais vendidos no Brasil

seta Lista dos Livros mais vendidos no Brasil em 17.08.2009

seta Leia um trecho do livro Os Princípios de Investimento de Warren Buffett

seta Leia um trecho do livro Mercado Financeiro

seta Acompanhe as atualizações através do Feed ou do Twitter

______________________________________________________________

Tags: , , , , , , , , , ,

Trecho do Livro: O Ponto da Virada | Malcolm Gladwell
Livro O Ponto da Virada
Autor: Malcolm Gladwell
Editora: Sextante
ISBN-13: 9788575424834

seta Saiba onde encontrar este livro

Para os Hush Puppies – os clássicos sapatos americanos de couro nobuck, com solado de borracha levíssimo – o Ponto da Virada ocorreu por volta do fim de 1994 e o início de 1995. Até então, a marca quase tinha desaparecido do mercado. As vendas haviam caído para 30 mil pares por ano, a maioria para o comércio de ponta de estoque do interior do país e lojinhas administradas por famílias de cidades pequenas. A Wolverine, que fabrica os Hush Puppies, estava pensando em interromper a produção com a qual ficara famosa. Mas algo estranho aconteceu. Durante uma sessão de fotos de moda, dois executivos da empresa – Owen Baxter e Geoffrey Lewis – encontraram-se por acaso com um estilista de Nova York que lhes disse que os clássicos Hush Puppies eram a última moda nos clubes noturnos e bares do centro de Manhattan. “Ficamos sabendo”, lembra Baxter, “que havia brechós no Village e no Soho vendendo os sapatos. O pessoal ia procurar nas lojinhas de venda a varejo, onde eles ainda podiam ser encontrados, e acabava com o estoque”. Baxter e Lewis não entenderam nada. Para eles, não fazia sentido a volta de sapatos tão fora de moda. “Diziam que até Isaac Mizrahi usava”, Lewis comenta. “Para falar a verdade, naquela época nem sabíamos quem era Isaac Mizrahi.”

No outono de 1995, as coisas começaram a acontecer mais rápido. Primeiro foi o designer de moda John Bartlett quem telefonou. Queria os Hush Puppies para a sua coleção de primavera. Depois, outra designer de moda de Manhattan, Anna Sui, ligou solicitando os sapatos para o seu desfile também. Em Los Angeles, o designer Joel Fitzgerald colocou um cão bassê inflável de 7,5m – símbolo da marca Hush Puppies – no telhado da sua loja em Hollywood e esvaziou uma galeria de arte ao lado para transformá-la numa butique de artigos com a marca Hush Puppies. Ele ainda estava pintando e montando as prateleiras quando o ator Pee-wee Herman entrou e pediu dois pares. “Foi tudo propaganda boca a boca”, lembra Fitzgerald.

Em 1995, a empresa vendeu 430 mil pares do modelo clássico e, no ano seguinte, quatro vezes mais, até os sapatos voltarem a ser uma peça básica no guarda-roupa do jovem americano. Em 1996, durante o jantar do Council of Fashion Designers, no Lincoln Center, o presidente da Hush Puppies subiu ao palco ao lado de Calvin Klein e Donna Karan para receber o prêmio pelo melhor acessório – uma conquista com a qual, como ele foi o primeiro a reconhecer, sua empresa quase nada tinha a ver. Os Hush Puppies haviam emplacado de repente, e tudo começara com alguns garotos no East Village e no Soho.

Como isso aconteceu? Aqueles meninos não tinham intenção de promover os Hush Puppies. Usavam os sapatos exatamente porque ninguém usava. Acontece que a novidade agradou a dois designers de moda que os calçaram para promover outra coisa – a alta-costura. Os sapatos foram um toque acidental. Ninguém estava tentando fazer estilo com eles. Mas, de alguma forma, foi o que ocorreu. Eles alcançaram determinado ponto de popularidade e emplacaram. Como um par de sapatos de US$ 30,00 saiu dos pés de um grupo de jovens irreverentes e de designers de moda do centro de Manhattan para todos os shoppings dos Estados Unidos em dois anos?

1.

Em Nova York, não faz muito tempo, os bairros paupérrimos de Brownsville e East New York viravam verdadeiras cidades fantasmas ao anoitecer. Os trabalhadores não ousavam caminhar pelas calçadas. As crianças não andavam de bicicleta. Os idosos não se sentavam nos alpendres nem nos bancos das praças. O comércio de drogas era tão intenso e a guerra entre gangues tão comum naquela parte do Brooklyn que à noite a maioria das pessoas preferia a segurança de seus apartamentos. Os policiais que serviram em Brownsville da década de 1980 até o início da de 1990 dizem que, naquela época, bastava o sol se pôr para que em seus rádios só se ouvissem as conversas dos patrulheiros com o pessoal da base sobre todos os tipos de crimes violentos e perigosos imagináveis. Em 1992, aconteceram 2.154 assassinatos na cidade de Nova York e 626.182 crimes graves – a maioria deles em lugares como Brownsville e East New York. Mas então algo estranho aconteceu. Em algum ponto misterioso e crítico, a taxa de criminalidade começou a se inverter. Declinou. Em cinco anos, o número de assassinatos caiu para 770 – 64,3% –, e o total de crimes , 355.893. Em Brownsville e East New York, as calçadas estavam cheias de novo, as bicicletas voltaram a circular, os idosos reapareceram nos alpendres. “Houve um tempo em que era comum ouvir rajadas de tiros, como se a gente estivesse no Vietnã, no meio da selva”, diz o inspetor Edward Messadri, chefe da delegacia de polícia de Brownsville. “Eu não escuto mais os tiros.”

A polícia de Nova York diz que foi porque as estratégias de policiamento da cidade melhoraram muito. Os criminologistas apontam para o declínio do comércio de crack e o envelhecimento da população. Os economistas afirmam que a melhora da situação econômica da cidade ao longo dos anos 1990 deu oportunidade de emprego àqueles que, de outra forma, poderiam ter se tornado criminosos. Essas são explicações convencionais para a ascensão e queda de problemas sociais, porém não são mais convincentes do que dizer que os garotos do East Village foram a causa da volta dos Hush Puppies. As mudanças no comércio de drogas, na população e na economia são todas tendências de longo prazo, que acontecem em todo o país. Elas não explicam por que o índice de criminalidade caiu muito mais em Nova York do que em outras cidades dos Estados Unidos, assim como não respondem por que tudo isso se deu tão de repente. Quanto aos avanços da polícia, eles também são importantes. Mas há uma lacuna intrigante entre a dimensão das mudanças no policiamento e o tamanho do efeito causado em lugares como Brownsville e East New York. Afinal de contas, a quantidade de crimes não foi se reduzindo lentamente à medida que as condições melhoravam. Ela despencou. Como alterações em alguns índices sociais e econômicos fazem com que a taxa de homicídios sofra uma redução de dois terços em cinco anos?

2.

O Ponto da Virada é a biografia de uma idéia, que é muito simples: a melhor maneira de compreender o surgimento das tendências da moda, o fluxo e refluxo das ondas de crimes, assim como a transformação de livros desconhecidos em best-sellers, o aumento do consumo de cigarros por adolescentes, os fenômenos da propaganda boca a boca ou qualquer outra mudança misteriosa que marque o dia-a-dia, é pensar em todas elas como epidemias. Idéias, produtos, mensagens e comportamentos se espalham como vírus.

A ascensão dos Hush Puppies e a queda do índice de criminalidade em Nova York são exemplos didáticos de epidemias em curso. Embora pareçam não ter muita coisa em comum, elas apresentam o mesmo padrão subjacente básico. Primeiro, são exemplos claros de comportamentos contagiantes. Ninguém publicou um anúncio dizendo que os Hush Puppies tradicionais eram o máximo e que todos deveriam começar a usá-los. Aqueles garotos simplesmente calçavam os sapatos para ir a clubes e cafés e para caminhar pelas calçadas do centro de Nova York. Ao fazerem isso, expunham outras pessoas ao seu conceito de moda. Eles as contagiaram com o “vírus” Hush Puppies.

O declínio da criminalidade em Nova York sem dúvida ocorreu da mesma forma. E não foi porque uma enorme porcentagem de assassinos em potencial decidiu, de repente, em 1993, não cometer mais crimes. Nem foi porque a polícia conseguiu intervir, como num passe de mágica, em numerosas situações que se tornariam fatais. O que aconteceu foi que um pequeno número de pessoas, num reduzido número de situações sobre as quais a polícia ou as novas forças sociais tiveram impacto, começou a se comportar de forma muito diferente, e essa conduta de alguma maneira se espalhou entre outros possíveis criminosos em situações semelhantes. De alguma maneira, uma quantidade significativa de indivíduos em Nova York acabou sendo “contaminado” por um vírus anticrime em muito pouco tempo.

O segundo aspecto diferenciador nesses dois exemplos é que, em ambos os casos, pequenas mudanças surtiram grande efeito. Todas as possíveis razões para a queda do índice de criminalidade em Nova York foram mudanças que aconteceram de modo marginal e com pouca intensidade. O comércio de crack se estabilizou. A população ficou um pouco mais velha. A força policial apresentou ligeira melhora. Mas o resultado foi extraordinário. O mesmo aconteceu com os Hush Puppies. Quantos garotos devem ter começado a usar esses sapatos nas ruas de Manhattan? Vinte? Cinqüenta? Cem, no máximo? No entanto, o que eles fizeram parece ter desencadeado por si só uma tendência de moda que ganhou dimensão internacional.

Por fim, ambas as mudanças aconteceram rápido, e não num ritmo lento e constante. É instrutivo ver um gráfico do índice de criminalidade em Nova York a partir, digamos, de meados da década de 1960 até o fim dos anos 1990. Parece um arco gigante. Em 1965, ocorreram 200 mil crimes na cidade e, a partir daí, essa marca apresenta uma nítida ascensão, dobrando em dois anos e seguindo numa linha quase ininterrupta até chegar a 650 mil crimes anuais em meados da década de 1970. O índice de criminalidade permanece estável nas duas décadas seguintes até cair em 1992 tão acentuadamente quanto subira 30 anos antes. Ele não foi baixando. Não desacelerou aos poucos. Atingiu determinado ponto e despencou.

Estas três características – a possibilidade de contágio, o fato de que pequenas causas podem ter grandes efeitos e de que a mudança acontece não gradualmente, mas num momento decisivo – são os mesmos três princípios que explicam como o sarampo se dissemina numa sala de aula e como a gripe aparece todo inverno. O terceiro traço – a idéia de que a epidemia pode surgir ou sumir num momento decisivo – é o mais importante, porque é o que dá sentido aos dois primeiros e permite entender melhor como ocorre a mudança moderna. O nome que se dá a esse momento decisivo numa epidemia, quando tudo pode mudar de repente, é Ponto da Virada.

3.

Um mundo que segue as regras das epidemias é um lugar muito diferente daquele em que acreditamos estar vivendo hoje em dia. Pense, por um instante, no conceito de contágio. Ao ouvir essa palavra, você logo a associa a resfriado ou gripe ou, quem sabe, a algo muito perigoso como HIV ou Ebola. Temos uma noção muito específica, biológica, do que significa a possibilidade de contaminação. Mas, se é possível haver epidemias de crime e de moda, devem existir muitas coisas tão contagiantes quanto um vírus. Já pensou no bocejo, por exemplo? Bocejar é um ato surpreendentemente forte. Boa parte dos leitores deste livro estará bocejando daqui a pouco somente por ter lido as palavras “bocejo” e “bocejar” nas duas frases anteriores e mais duas vezes agora. Até eu, enquanto escrevo, já bocejei duas vezes. Se você estiver lendo este livro num local público e tiver acabado de bocejar, é provável que muita gente que o tenha visto fazer isso esteja bocejando neste momento e que uma grande parte de quem estava olhando para essas pessoas esteja dando bocejos também, e assim por diante, num círculo interminável.

O bocejo é incrivelmente contagiante. Consegui fazer com que alguns leitores abrissem a boca só por ter escrito essa palavra. Talvez tenha sido o seu caso. Assim, quem bocejou ao ver você fazer isso foi contaminado por essa visão – que é um segundo tipo de contágio. Essas pessoas poderiam até ter bocejado só de ouvi-lo bocejar, pois outra forma de contágio do bocejo é pela audição. Se fizermos com que deficientes visuais escutem gravações de bocejos, eles bocejarão. E, por fim, se você bocejou ao ler isto, passou por sua cabeça – ainda que de modo fugaz e inconsciente – que pudesse estar cansado? Acho que foi isso que aconteceu com alguns leitores, o que significa que os bocejos podem, ainda, ser emocionalmente contagiantes. O simples fato de escrever a palavra me permite incutir um sentimento na sua cabeça. Será que o vírus do resfriado faz isso? O contágio, em outras palavras, é uma propriedade inesperada de todo tipo de coisa, e precisamos nos lembrar disso para reconhecer e diagnosticar a mudança epidêmica.

O segundo princípio da epidemia – de que as pequenas mudanças podem ter grandes efeitos – também é um conceito bastante radical. Como seres humanos, somos fortemente condicionados a fazer uma espécie de aproximação grosseira entre causa e efeito. Quando queremos expressar uma profunda emoção ou quando pretendemos convencer alguém do nosso amor, por exemplo, entendemos que precisamos falar com paixão e franqueza. Se a intenção é transmitir uma notícia ruim, baixamos o tom de voz e escolhemos as palavras com cuidado. Somos treinados para pensar que, em qualquer transação, relacionamento ou sistema, o que entra deve estar associado de modo direto, em intensidade e dimensão, com o que sai. Considere, por exemplo, o seguinte quebra-cabeça. Eu lhe dou uma folha bem grande de papel e peço que a dobre uma vez e, depois, mais uma vez, e assim sucessivamente até que você tenha repetido essa operação umas 50 vezes. Que altura você acha que esse papel dobrado terá no final? Antes de responder, a maioria das pessoas dobrará a folha mentalmente e dirá, num palpite, que ela terá a espessura de uma lista telefônica ou, se forem de fato corajosas, a altura de uma geladeira. Mas a resposta certa é que a altura desse papel dobrado seria quase igual à medida da distância entre a Terra e o Sol. E, se ele for dobrado mais uma vez, sua altura corresponderá ao dobro dessa distância. Em matemática isso se chama progressão geométrica. As epidemias são outro exemplo de progressão geométrica: quando um vírus se dissemina numa população, ele vai se duplicando até deixar de ser (figurativamente) uma simples folha de papel e chegar ao Sol em 50 etapas. Para nós, seres humanos, é muito difícil entender esse tipo de progressão porque o resultado final – o efeito – parece muito desproporcional em relação à causa. Para avaliar a força das epidemias, devemos abandonar essa expectativa de proporcionalidade. Temos que nos preparar para a possibilidade de que às vezes grandes mudanças decorrem de pequenos acontecimentos e que, em alguns casos, elas podem se dar muito depressa.

A possibilidade de mudança súbita é a essência da idéia do Ponto da Virada e pode, muito bem, ser o mais difícil de aceitar. A expressão se tornou popular na década de 1970 para descrever um movimento observado entre as pessoas brancas que moravam nas cidades mais velhas do nordeste americano – elas começaram a fugir para os subúrbios. Quando o número de americanos de origem africana que se instalavam num bairro atingia determinado patamar – 20%, digamos –, os sociólogos observavam que havia uma “virada”, ou uma “guinada”, na situação da comunidade: a maioria dos indivíduos brancos remanescentes saía quase de imediato. O Ponto da Virada é o momento de massa crítica, o limiar, o ponto de ebulição. No início da década de 1990, houve um Ponto da Virada para os crimes violentos em Nova York e outro para o ressurgimento dos Hush Puppies, assim como existe um Ponto da Virada para a introdução de qualquer nova tecnologia. A Sharp, que em 1984 colocou no mercado o primeiro aparelho de fax de baixo custo, vendeu cerca de 80 mil unidades desse produto nos Estados Unidos naquele ano. Nos três anos seguintes, as empresas foram comprando de forma lenta e constante uma quantidade cada vez maior desses aparelhos até que, em 1987, tantas pessoas os usavam que fazia sentido todo mundo ter um. O ano de 1987 foi o Ponto da Virada para esses equipamentos. Um milhão dessas máquinas foram vendidas naquele ano e, em 1989, mais dois milhões estavam em operação. Os telefones celulares seguiram a mesma trajetória. Durante a década de 1990, eles foram ficando menores e mais baratos, e o serviço melhorou até 1998, quando a tecnologia deu uma guinada e, de repente, todos tinham telefone celular. (Para uma explicação da matemática dos Pontos da Virada, veja as notas referentes à introdução na página 269.)

Todas as epidemias têm Pontos da Virada. Jonathan Crane, sociólogo da Universidade de Illinois, estudou o efeito que a quantidade de modelos de uma comunidade – administradores, professores e outros profissionais que o Census Bureau definiu como de “alto nível” – exerce na vida dos adolescentes de um bairro. Ele encontrou pouca diferença nos índices de gravidez e de abandono dos estudos nos bairros em que a população tem de 5 a 40% de trabalhadores de alto nível. No entanto, quando a quantidade desses profissionais fica abaixo de 5%, explodem os problemas. Entre os estudantes negros, por exemplo, à medida que o percentual de trabalhadores de alto nível cai apenas 2,2 pontos percentuais – de 5,6 para 3,4% –, os índices de evasão escolar mais do que dobram. Nesse mesmo patamar decisivo, os índices de gravidez entre adolescentes – que mal atingem esse ponto – quase duplicam. Supomos, intuitivamente, que os problemas sociais e os dos bairros diminuem numa espécie de progressão constante. Mas, às vezes, essa progressão não existe. No Ponto da Virada, as escolas podem perder o controle dos alunos, enquanto a vida familiar pode se desintegrar ao mesmo tempo.

Ainda me lembro do dia em que, quando criança, vi o primeiro encontro do nosso cãozinho com a neve. Foi um choque, ele ficou encantado. Abanava a cauda nervoso, fuçava a estranha substância fofa, gania diante daquela coisa misteriosa. Naquela manhã do primeiro dia em que ele viu a neve não fazia mais frio do que na noite anterior. Os termômetros devem ter marcado pouco mais de um grau à noite e, de manhã, a temperatura estava apenas meio grau abaixo de zero. Em outras palavras, quase nada havia mudado. No entanto – e esse é o fato interessante –, estava tudo diferente. A chuva se transformara em algo totalmente novo. Neve! Somos todos, em essência, gradualistas – estabelecemos nossas expectativas pela passagem constante do tempo. Mas o mundo do Ponto da Virada é um lugar onde o inesperado se faz esperado – onde a mudança radical é mais do que uma possibilidade. É – contrariando todas as nossas expectativas – uma certeza.

Na busca dessa idéia radical, vou levá-lo a Baltimore para que você saiba como foi a epidemia de sífilis nessa cidade. Apresentarei a você três tipos fascinantes, a quem chamarei de Experts, Comunicadores e Vendedores, que têm papel essencial nas epidemias das comunicações informais que ditam gostos, tendências e modas. Vou lhe mostrar os sets dos programas infantis As pistas de Blue e Vila Sésamo e o impressionante mundo do homem que ajudou a criar o Columbia Record Club para que você veja como é possível estruturar as mensagens e fazer com que elas exerçam o máximo de impacto sobre o público. Vou conduzi-lo a uma empresa de alta tecnologia em Delaware, para falar sobre os Pontos da Virada que governam a vida em grupo, e ao metrô da cidade de Nova York para que você entenda como a epidemia de crimes terminou ali. O objetivo de tudo isso é responder a duas perguntas simples que estão no cerne daquilo que todos nós gostaríamos de realizar como educadores, pais, profissionais de marketing, executivos e políticos. Por que alguns comportamentos, produtos e idéias deflagram epidemias e outros não? E o que podemos fazer deliberadamente para desencadear e controlar as nossas próprias epidemias positivas?

Veja também:

seta Lista atualizada dos livros mais vendidos no Brasil

seta Filme Eclipse (Stephenie Meyer) já tem data marcada

seta Acompanhe as atualizações através do Feed ou do Twitter

______________________________________________________________

Tags: , , , , , , , , ,