Administracao Financeira

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Livros sobre Ações e Investimentos na Bolsa de Valores

Para quem quer ser trader na Bolsa de Valores (B.V.) e operar ativos na Bovespa pela internet, é importante saber como funciona o mercado de capitais antes de colocar o dinheiro nesse tipo de investimento.

Os volumes que integram a lista de livros a seguir trazem informações tanto para aqueles que querem se dedicar a análise técnica de ações (também chamada de análise gráfica ou grafista) quanto para aqueles que optarem pela análise fundamentalista das empresas.

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POSICAO EM ACOESBolsa de Valores TÁTICAS OPERACIONAIS DE POSIÇÃO EM AÇÕES
Alexandre Wolwacz . leia um trecho do livro
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OPERANDO NA BOLSA DE VALORESBolsa de Valores OPERANDO NA B.V. UTILIZANDO ANÁLISE TÉCNICA
Joseilton S. Correia . leia um trecho do livro
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CANDLESTICK 7Bolsa de Valores CANDLESTICK – MÉTODO PARA AMPLIAR LUCROS NA B.V.
Carlos Alberto Debastiani . leia um trecho do livro
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TECNICAS DE INVESTIMENTOBolsa de Valores TÉCNICAS DE INVESTIMENTO PARA O MERCADO DE AÇÕES
Marcelo C. Piazza . leia um trecho do livro
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COMPRANDO ACOESBolsa de Valores COMPRANDO AÇÕES E VENDENDO OPÇÕES
Alexandre Wolwacz e Luiz F. Roxo . leia um trecho do livro
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OPERAR NA BOLSA VIA INTERNETBolsa de Valores APRENDA A INVESTIR EM AÇÕES
Carlos A.H. Brum . leia um trecho do livro
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ESTRATEGIA ACIONARIABolsa de Valores ESTRATÉGIA ACIONÁRIA PARA VENCER NA B.V.
Rivadavila S. Malheiros . leia um trecho do livro
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AVALIANDO EMPRESASBolsa de Valores AVALIANDO EMPRESAS, INVESTINDO EM AÇÕES
Carlos A. Debastiani e Felipe A. Russo . leia um trecho do livro
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COMO INVESTIR EM ACOESBolsa de Valores COMO INVESTIR EM AÇÕES
Carlos Alberto Orge Pinheiro . leia um trecho do livro
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COMO INVESTIR EM ACOES 2Bolsa de Valores COMO INVESTIR EM AÇÕES
Eduardo Alves da Costa . leia um trecho do livro
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PRINCIPIOS DE INVESTIMENTOBolsa de Valores OS PRINCÍPIOS DE INVESTIMENTO DE WARREN BUFFETT
James Pardoe . leia um trecho do livro
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BEM VINDO A BOLSA DE VALORESBolsa de Valores BEM-VINDO À BOLSA DE VALORES
Marcelo C. Piazza . leia um trecho do livro
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IMPOSTO DE RENDA NAS BOLSAS DE VALORESBolsa de Valores IMPOSTO DE RENDA NAS BOLSAS DE VALORES
Gilberto Ferrero . leia um trecho do livro
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Trecho do Livro: Pai Rico, Pai Pobre
Pai Rico Pai Pobre
Autores: Robert T. Kiyosaki e Sharon L. Lechter
Editora: Campus
ISBN: 9788535206234

» Confira o preço no Submarino ou na Livraria Cultura

Tive dois pais, um rico e outro pobre. Um era muito instruído e inteligente; tinha o Ph.D. e fizera um curso universitário de graduação, com duração de quatro anos, em menos de dois. Foi então para a Universidade de Stanford, para a Universidade de Chicago e para a Northwestern University, sempre com bolsa de estudos. O outro pai nunca concluiu o segundo grau.

Ambos foram homens bem-sucedidos em suas carreiras e trabalharam arduamente durante toda a vida. Ambos auferiam rendas consideráveis. Contudo, um sempre enfrentou dificuldades financeiras. O outro se tornou o homem mais rico do Havaí. Um morreu deixando milhões de dólares para sua família, para instituições de caridade e para sua igreja. O outro deixou contas a pagar.

Ambos eram homens fortes, carismáticos e influentes. Ambos me ofereceram conselhos, mas não aconselharam as mesmas coisas. Ambos acreditavam firmemente na instrução mas não sugeriram os mesmos estudos.

Se eu tivesse tido um único pai, teria tido que aceitar ou rejeitar seus conselhos. Tendo dois, tive a escolha entre pontos de vista contrastantes; a visão de um homem rico e a visão de um homem pobre.

Em vez de aceitar ou rejeitar simplesmente um desses pontos de vista, me descobri pensando mais, comparando-os e escolhendo por mim mesmo.

O problema é que o homem rico ainda não era rico e o homem pobre ainda não era pobre. Ambos estavam no início de suas carreiras e lutavam por dinheiro e pela família. Mas tinham idéias muito diferentes sobre o dinheiro.

Por exemplo, um dos pais dizia: “O amor ao dinheiro é a raiz de todo mal.” O outro: “A falta de dinheiro é a raiz de todo mal.”

Quando garoto, a influência de dois pais, ambos homens fortes, era uma situação complicada. Eu queria ser um bom filho e ouvia, mas os dois pais não falavam a mesma língua. O contraste entre suas idéias, especialmente no que se referia ao dinheiro, era tão extremo que eu ficava curioso e intrigado. Comecei a pensar profundamente sobre o que cada um deles dizia.

Muito do meu tempo era gasto refletindo, fazendo-me perguntas como “Por que ele fala isso?”, a respeito das afirmações dos pais. Teria sido muito mais simples falar “Sim, ele está certo. Concordo com isso”. Ou simplesmente rejeitar o ponto de vista dizendo “O velho não sabe do que está falando”. Porém, tendo dois pais que eu amava, fui forçado a pensar e a escolher um dos caminhos por mim mesmo. Esse processo de escolher por mim mesmo se mostrou muito valioso no longo prazo, não se tratou simplesmente da aceitação ou da rejeição de um único ponto de vista.

Uma das razões pelas quais os ricos ficam mais ricos, os pobres, mais pobres e a classe média luta com as dívidas é que o assunto dinheiro não é ensinado nem em casa nem na escola. Muitos de nós aprendemos sobre o dinheiro com nossos pais. O que pode dizer um pai pobre a respeito do dinheiro para seu filho? Ele diz simplesmente: “Fique na escola e estude muito.” O filho pode se formar com ótimas notas; mas com uma programação financeira e uma mentalidade de pessoa pobre. Isso foi aprendido pelo filho em sua tenra idade.

O dinheiro não é ensinado nas escolas. As escolas se concentram nas habilidades acadêmicas e profissionais mas não nas habilidades financeiras. Isso explica por que médicos, gerentes de banco e contadores inteligentes que tiveram ótimas notas quando estudantes terão problemas financeiros durante toda a sua vida. Nossa impressionante dívida nacional se deve em boa medida a políticos e funcionários públicos muito instruídos que tomam decisões financeiras com pouco ou nenhum treinamento na área do dinheiro.

Muitas vezes penso no novo milênio e imagino o que acontecerá quando houver milhões de pessoas precisando de assistência financeira e médica. Eles se tornarão dependentes do apoio financeiro de suas famílias ou do governo. O que acontecerá quando o Medicare e a Seguridade Social ficarem sem dinheiro? Como uma nação sobreviverá se ensinar sobre dinheiro continuar sendo tarefa dos pais — cuja maioria será ou já é pobre?

Como tive dois pais a me influenciar, aprendi com ambos. Tive que refletir sobre os conselhos de cada um deles e ao fazê-lo percebi o poder e o impacto dos nossos pensamentos sobre nossa própria vida. Por exemplo, um pai costumava falar “Não dá para comprar isso”. O outro proibia o uso dessas palavras. Insistia em que eu falasse: “O que posso fazer para comprar isso?”

Num caso temos uma afirmação, no outro uma pergunta. Um deixa você sem alternativa, o outro obriga você a refletir. Meu pai-que-logo-ficaria-rico explicava que ao falar automaticamente “Não dá para comprar isso” seu cérebro pára de trabalhar. Ao perguntar “O que posso fazer para comprar isso?”, você mantém seu cérebro trabalhando. Ele não estava dizendo que comprasse tudo o que desejasse. Ele incentivava fanaticamente que exercitasse minha mente, o computador mais poderoso do mundo. “Meu cérebro fica mais forte a cada dia porque eu o exercito. Quanto mais forte fica, mais dinheiro ganho.” Ele acreditava que repetir mecanicamente “Não dá para comprar isso” era um sinal de preguiça mental.

Embora ambos os pais trabalhassem com afinco, observei que um deles tinha o hábito de pôr seu cérebro a dormir quando o assunto era dinheiro e o outro tinha o costume de exercitar seu cérebro. O resultado era que, ao longo do tempo, um dos pais ficava mais forte financeiramente, e o outro enfraquecia. Isso não é muito diferente do que ocorre quando uma pessoa faz exercícios físicos regulares enquanto a outra senta no sofá e fica assistindo à televisão. O exercício físico adequado aumenta suas chances de ter boa saúde, e o exercício mental adequado aumenta suas chances de ficar rico. A preguiça reduz tanto a saúde quanto a riqueza.

Meus dois pais tinham atitudes mentais diferentes. Um acreditava que os ricos deviam pagar mais impostos para atender os menos afortunados. O outro dizia: “Os impostos punem os que produzem e recompensam os que não produzem.”

Um dos pais recomendava: “Estude arduamente para poder trabalhar em uma boa empresa.” O outro falava: “Estude arduamente para poder comprar uma boa empresa.”

Um dos pais dizia: “Não sou rico porque tenho filhos.” O outro: “Tenho que ser rico por causa de vocês, meus filhos.”

Um incentivava as conversas sobre dinheiro e negócios na hora do jantar. O outro proibia que se falasse do assunto durante as refeições.

Um dizia: “Em questões de dinheiro seja cuidadoso, não se arrisque.” O outro: “Aprenda a administrar o risco.”

Um recomendava: “Nossa casa é nosso maior investimento e nosso maior patrimônio.” O outro: “Minha casa é uma dívida e se sua casa for seu maior investimento, você terá problemas.”

Ambos os pais pagavam suas contas no prazo, mas um deles pagava suas contas em primeiro lugar enquanto o outro as deixava para a última hora.

Um deles acreditava que a empresa ou o governo deveria cuidar de você e de suas necessidades. Estava sempre preocupado com aumentos salariais, planos de aposentadoria, benefícios médicos, licenças de saúde, férias e outros benefícios. Ele ficava impressionado com dois de seus tios que foram para o exército e se aposentaram com vários benefícios após vinte anos de serviço ativo. Ele adorava a idéia de assistência médica e serviços de reembolso de alimentos que os militares ofereciam a seus aposentados. Ele também se empolgava com as cátedras vitalícias do sistema universitário. A idéia de estabilidade no emprego e benefícios trabalhistas lhe parecia às vezes mais importante do que o próprio emprego. Dizia freqüentemente: “Trabalhei muito para o governo, mereço essas mordomias.”

O outro pai acreditava na total auto-suficiência financeira. Ele sempre se manifestava contra a mentalidade dos “direitos” e falava que isso estava criando pessoas fracas e financeiramente necessitadas. Ele dava muita ênfase à competência financeira.

Um dos pais lutava para poupar alguns poucos dólares. O outro simplesmente criava investimentos.

Um pai me ensinou a escrever um currículo impressionante para que eu pudesse encontrar um bom emprego. O outro me ensinou a fazer sólidos planos financeiros e de negócios de modo que eu pudesse criar empregos.

Ter dois pais fortes me proporcionou o luxo de observar o impacto de diferentes formas de pensar sobre a própria vida. Observei que as pessoas moldam suas vidas por meio de seus pensamentos.

Por exemplo, meu pai pobre sempre me dizia: “Nunca vou ficar rico.” E isso acabou acontecendo. Meu pai rico, por outro lado, sempre se referia a si próprio como sendo rico. Ele dizia coisas como: “Sou um homem rico e pessoas ricas não fazem isto.” Mesmo que estivesse totalmente quebrado após um revés financeiro, ele continuava a se considerar um homem rico. Ele se justificava dizendo: “Há uma diferença entre ser pobre e estar quebrado. Estar quebrado é algo temporário, ser pobre é algo eterno.”

Meu pai pobre dizia: “Não ligo para dinheiro” ou “O dinheiro não é importante.” Meu pai rico sempre dizia: “Dinheiro é poder.”

O poder de nossos pensamentos nunca poderá ser medido ou avaliado, mas desde jovem se tornou óbvio para mim a tomada de consciência de meus pensamentos e da forma como me expressava. Observei que meu pai pobre não era pobre por causa do dinheiro que ganhava, que era bastante, mas por causa de seus pensamentos e ações. Quando garoto, tendo dois pais, me tornei consciente de que deveria ser cuidadoso com os pensamentos que decidisse adotar como meus. A quem ouviria — a meu pai rico ou a meu pai pobre?

Embora ambos tivessem um enorme respeito pela educação e pelo aprendizado, eles discordavam quanto ao que era importante aprender. Um queria que eu estudasse arduamente, me formasse e conseguisse um bom emprego para trabalhar pelo dinheiro. Ele queria que eu estudasse para me tornar um profissional, um advogado ou um contador, ou que fosse para uma faculdade de administração para obter um MBA. O outro me incentivava a estudar para ficar rico, para entender como funciona o dinheiro e para aprender como fazê-lo trabalhar para mim. “Não trabalho por dinheiro”, costumava repetir uma e outra vez. “O dinheiro trabalha para mim.”

Com nove anos de idade resolvi ouvir e aprender com meu pai rico tudo sobre dinheiro. Optei por não dar ouvidos a meu pai pobre, mesmo que fosse ele quem possuísse todos os títulos universitários.

Ao escolher não dar atenção aos conselhos e atitudes quanto a dinheiro de meu pai muito instruído, tomei uma decisão dolorosa, mas foi uma decisão que determinou o resto de minha vida.

Com a decisão de quanto a quem dar ouvidos, teve início minha educação sobre dinheiro. Meu pai rico me deu lições ao longo de um período de trinta anos, até que cheguei aos 39 anos de idade. Suas lições pararam quando ele percebeu que eu conhecia e entendia plenamente o que ele estava tentando martelar na minha cabeça, às vezes, bastante dura.

O dinheiro é uma forma de poder. Mais poderosa ainda, entretanto, é a instrução financeira. O dinheiro vem e vai, mas se você tiver sido educado quanto ao funcionamento do dinheiro, você adquire poder sobre ele e pode começar a construir riqueza. O motivo pelo qual o simples pensamento positivo não funciona é porque a maioria das pessoas foi à escola e nunca aprendeu como o dinheiro funciona, e assim passam suas vidas trabalhando pelo dinheiro.

Como comecei com apenas nove anos, as lições que meu pai rico me ensinou foram simples. E quando tudo foi dito e tudo foi feito, encontramos apenas seis lições, repetidas ao longo de trinta anos. Este livro trata dessas seis lições, expostas da maneira mais simples possível, da forma como meu pai rico as passou para mim. Estas lições não pretendem ser respostas e sim marcos. Marcos que ajudarão você e seus filhos a enriquecerem, não importa o que aconteça em um mundo de crescente mudança e incerteza.

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Trecho do Livro: Aprenda a Investir em Ações e a Operar na Bolsa Via Internet
Livro Aprenda a Investir em Acoes e a Operar na Bolsa Via Internet
Autor: Carlos A.H. Brum
Editora: Ciência Moderna
ISBN: 9788573934731

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Subsistema Financeiro Nacional

Subsistema Normativo

O Sistema Financeiro Nacional é constituído por um subsistema normativo e por outro operativo. O subsistema normativo controla e regula o subsistema operativo. Esse controle e regulação são exercidos por meio de normas legais, expedidas pela autoridade monetária. As instituições que compõem o subsistema normativo são: o Conselho Monetário Nacional, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários.

CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL

O Conselho Monetário Nacional é o órgão deliberativo máximo do sistema financeiro brasileiro. Ele tem a incumbência de formular a política da moeda e do crédito, de acordo com a Lei Nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964.

BANCO CENTRAL DO BRASIL – BACEN

O Banco Central do Brasil, criado pela Lei Nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda e tem, por objetivo, executar e fiscalizar o cumprimento de todas as normas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional, zelar pela adequada liquidez da economia, manter as reservas internacionais do país em nível satisfatório, assegurar a formação de poupança em níveis apropriados e garantir a estabilidade e o aperfeiçoamento do Sistema Financeiro Nacional.

COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (C.V.M)

A CVM é uma Autarquia Federal, criada em 1976 pela Lei Nº 6.385, para regular, disciplinar e fiscalizar o mercado de títulos e valores mobiliários (bolsas de valores, companhias abertas, fundos de investimento e mercados derivativos que tenham por referência valores mobiliários). É conhecida como a instituição “xerife” do mercado de capitais brasileiro.

Uma das principais funções da CVM é cuidar para que os investidores tenham acesso a informações que confirmem a boa qualidade das companhias abertas e dos fundos de investimento. Ou seja, que o mercado seja transparente para o investidor e, o que ainda é mais importante, que todos tenham oportunidade de acesso a informações relevantes de maneira uniforme. Dessa forma, é possível evitar o chamado insider information, informações privilegiadas que vão beneficiar determinado grupo de investidores em detrimento de outros.

A CVM, a partir de 2002, com a aprovação da nova lei das empresas S.A., foi transformada em uma agência reguladora autônoma e independente. Passou, desde então, a usufruir de autonomia financeira através de orçamento próprio, com autoridade administrativa independente e estabilidade de seus dirigentes, que passaram a ser nomeados pelo presidente da República com a aprovação do Senado e com mandato fixo de cinco anos.

A Comissão de Valores Mobiliários agora pode tipificar os crimes na hipótese de uso de informação privilegiada, delegar às bolsas a possibilidade de abertura de processo contra terceiros e, ainda, dar prioridade a processos. No caso das bolsas, os processos só podem ser abertos contra corretoras que operam na própria bolsa.

Quem manipular o mercado estará sujeito à pena de um a oito anos de reclusão e multa equivalente a até três vezes a vantagem financeira que obteve na operação.

O uso de informação privilegiada também estará sujeito à pena de um a cinco anos de reclusão e multa de até três vezes o montante obtido.

As funções da Comissão de Valores Mobiliários são, dentre outras, regular e fiscalizar:

- Registro de companhias abertas;

- Registro de distribuição de valores mobiliários;

- Administração de carteiras e a custódia de valores mobiliários;

- Negociação e intermediação no mercado de valores mobiliários;

- Organização, funcionamento e operações das bolsas de valores;

- Credenciamento de auditores independentes, administradores de carteiras de valores mobiliários, consultores e analistas de investimento;

- Suspensão ou cancelamento de registros, credenciamentos ou autorizações;

- Suspensão de emissão, distribuição ou negociação de determinado valor mobiliário, ou decretar recesso de bolsa de valores.

Subsistema Operativo

O subsistema operativo é constituído pelas instituições financeiras públicas e privadas que atuam no mercado financeiro. Ele se divide em instituições bancárias e não bancárias.

As instituições bancárias são aquelas que operam com ativos financeiros monetários, aos quais é dada a faculdade de emissão de moeda (moeda escritural). Essas instituições também se caracterizam pela captação de depósitos à vista, livremente movimentados pelos depositantes. São instituições bancárias: os bancos comerciais, a Caixa Econômica Federal (CEF), o Banco do Brasil, as caixas econômicas, as cooperativas de crédito e os bancos múltiplos.

As instituições não bancárias se caracterizam por operar com ativos financeiros não monetários, porquanto não lhes é permitida a emissão de moeda escritural, pela impossibilidade de captar depósitos à vista. São instituições não bancárias: os bancos de investimento, as sociedades de arrendamento mercantil, as sociedades de crédito, investimento e financiamento, as sociedades de crédito imobiliário e associações de poupança e empréstimos, e os bancos de desenvolvimento.

Entretanto, as instituições mais importantes na área de investimento em ações são as que fazem parte da distribuição de títulos e valores mobiliários: as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, as bolsas de valores, as bolsas de mercadorias, as sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, e a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC).

CORRETORAS DE VALORES MOBILIÁRIOS

As Corretoras de Valores Mobiliários são instituições típicas do mercado acionário, operando com compra, venda e distribuição de títulos e valores mobiliários por conta de terceiros.

São instituições financeiras membros das bolsas de valores, credenciadas pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários e pelas próprias bolsas, e estão habilitadas, entre outras atividades, nos mercados financeiro e de capitais, a negociar valores mobiliários com exclusividade por sistemas de negociação mantidos pela Bovespa.

Em outras palavras, é a intermediária entre compradores e vendedores de ações nas transações em bolsas de valores. Administra carteiras de ações, fundos mútuos e clubes de investimentos, entre outras atribuições.

Bolsa de Valores

É uma associação civil, sem fins lucrativos, e tem como objetivo básico manter local adequado à realização de transações de compra e venda das ações das companhias abertas.

As bolsas atuam como auxiliares da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na fiscalização do mercado, em especial de seus membros, as Sociedades Corretoras, e têm ampla autonomia na sua esfera de responsabilidade.

A Bolsa de Valores de São Paulo, hoje considerada o mais importante centro de negócios do mercado latino americano, foi fundada em 23 de agosto de 1890 como entidade oficial corporativa, vinculada à secretaria de finanças do governo estadual e composta por corretores nomeados pelo poder público.

A Bovespa só adquiriu a característica institucional que mantém hoje (uma associação civil sem fins lucrativos, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial) em 1965/66, com a implementação das reformas do sistema financeiro nacional e do mercado de capitais.

Desde o regulamento anexo à Resolução CMN nº 2.690 de 2000, que as bolsas de valores brasileiras têm a faculdade de também se constituírem como sociedades anônimas.

Bolsa de Mercadorias

As Bolsas de Mercadorias têm, como principais objetivos, proporcionar ao mercado condições adequadas para a realização de negócios de compra e venda à vista, a termo e a futuro, de mercadorias, tais como ouro, café, algodão, boi gordo etc., bem como de outros ativos suscetíveis de negociação em bolsa como, por exemplo, o dólar (comercial ou flutuante).

Uma das peculiaridades desse mercado é que apenas, em média, 2% das operações são liquidadas pela entrega efetiva do bem negociado. Compram-se e vendem-se mercadorias e ativos financeiros apenas no papel. Não há a concretização física do negócio, mas sim a concretização financeira.

Sociedades Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários

As sociedades distribuidoras são firmas constituídas como sociedades anônimas ou sociedades por quotas de responsabilidade limitada, cuja autorização de funcionamento é fornecida pelo Banco Central do Brasil.

São entidades financeiras que atuam no mercado de ações e outros valores mobiliários, mas que não podem intermediar negócios nos sistemas de negociações das bolsas de valores e de mercadorias. Por isso, utilizam os serviços de uma corretora de títulos e valores mobiliários para intermediar os negócios nas bolsas.

CBLC – COMPANHIA BRASILEIRA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA

Para a liquidação das operações, a Bovespa utiliza, desde 16 de novembro de 1998, uma empresa independente, a CBLC – Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia. A CBLC é a responsável pela liquidação de operações de todo o mercado brasileiro de ações. Parcela significativa da eficiência da Bovespa repousa na CBLC, que realiza um serviço de alta qualidade, isento e confiável. A CBLC tem inúmeras responsabilidades. Entre elas destacamos:

- Registrar, liquidar e compensar operações à vista, a termo e do mercado de opções, de responsabilidade das corretoras ou de seus comitentes;

- Receber depósitos e margens para garantia de operações realizadas por associados da Bolsa;

- Emitir certificados visando o resgate, desdobramento, conversão e transferência de títulos negociados ou a negociar;

As Corretoras da Bovespa e outras instituições financeiras são os Agentes de Compensação da CBLC, responsáveis pela boa liquidação das operações que executam para si ou para seus clientes.

Empresas como a CBLC são conhecidas como Clearings – entidades de prestação de serviços de liquidação e custódia.

As Clearings desempenham atividades relacionadas à compensação, liquidação, custódia e controle de risco para os mercados à vista, a termo e de opções.

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Trecho do Livro: Mais Tempo, Mais Dinheiro | Gustavo Cerbasi
Livro Mais Tempo Mais Dinheiro
Autores: Gustavo Cerbasi e Christian Barbosa
Editora: Thomas Nelson Brasil
ISBN: 9788578600501

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As gerações de produtividade. Quando, aos 9 anos, comecei a programar e a ganhar algum dinheiro com a venda de joguinhos ou de programas para a empresa do meu pai, eu sempre ouvia as pessoas me dizerem: “Tempo é dinheiro! Quanto mais rápido você acabar o programa, mais rápido vai receber.” O tempo passou e essa frase ainda é recorrente nos dias de hoje, porém está começando a ser substituída por “Tempo é vida, vamos aproveitar!” (Christian Barbosa)

Essas frases nos mostram um choque de ideias mais profundo, sendo, na verdade, um choque entre gerações que mudaram radicalmente a forma como encaram o uso da tecnologia, do conhecimento, da cultura e, obviamente, do tempo e do dinheiro.

Existem diversas definições para a idade exata que define uma geração, o que, em nosso contexto, não é o mais importante. O que melhor define uma geração, em termos práticos, é um conjunto de vivências históricas compartilhadas, princípios de vida, visão, valores comuns, formas de relacionamento e de lidar com o trabalho e a vida.

Façamos uma reflexão sobre as quatro principais gerações vivas existentes: os Baby Boomers, a Geração X, a Geração Y e a novíssima Geração Z. Antes dessas gerações temos os chamados Seniores, que nasceram antes de 1925 e formam uma geração que criou grandes fortunas, e os Builders (construtores), que nasceram de 1926 a 1945 e foram os grandes responsáveis por iniciarem os princípios de gestão de tempo. Depois deles, vieram os Baby Boomers — expressão que vem de baby boom, ou explosão de bebês, referindo-se ao grande aumento no número de nascimentos após a segunda guerra.

Baby Boomers

Os Baby Boomers nasceram entre 1946 e 1964, época que foi marcada inicialmente por grandes taxas de desemprego, devido ao término da indústria bélica. Eles tinham uma necessidade de empreender ou de criar grandes estruturas corporativas, eram voltados a normas e burocracias e adoravam uma hierarquia. Em um artigo da revista HSM de novembro de 1998, um executivo sênior de um banco de Nova York, típico baby boomer, contou sua experiência: “Como subalterno, eu sequer tinha uma sala, é claro. Trabalhava em um local que eles costumavam chamar de plataforma. Ter uma sala era sinal de sucesso. Só usávamos camisas brancas. Usávamos chapéu dentro e fora do escritório. Os chapéus faziam parte do uniforme. E, obviamente, não ousávamos tirar o paletó. Nem mesmo dentro da sala, para os que tinham uma. Era totalmente proibido. Ficávamos de paletó o dia todo, mesmo com a porta da sala fechada.”

O uso do tempo pelos Baby Boomers estava extremamente associado à produção, já que, por quanto mais tempo você produzisse, mais reconhecido seria e mais dinheiro ganharia. O tempo era fundamentado principalmente na realização da vida profissional. Equilíbrio era uma questão secundária. Tempo era unicamente dinheiro e a mulher não tinha uma posição no mercado profissional, sendo seu tempo focado na casa e nos filhos.

Geração X

A Geração X compreende as pessoas nascidas basicamente entre 1965 e 1980, mas alguns especialistas consideram até 1977 e dizem que a Geração Y teve início em 1978. A Geração X possui uma visão claramente contrária à dos Baby Boomers. Eles basicamente desejam contradizer os padrões criados pelas gerações anteriores.

Dá para entender um pouco melhor a Geração X se analisarmos que ela viveu grandes transformações históricas e culturais, como a queda do Muro de Berlim, o fim dos grandes estadistas, a geração MTV, o início do microcomputador, Apple, Microsoft, Tartarugas Ninja, He-Man, Disney Magic Kingdom, Palm, Aids, Blade Runner, cultura hippie etc. Foram tantas novidades e mudanças, que fizeram com que a Geração X tivesse uma completa ruptura ideológica e social com as gerações anteriores.

O uso do tempo da Geração X também teve várias transformações, começando pelo desenvolvimento de metodologias e formas de ver o tempo de outra maneira, não apenas focando a vida profissional. A questão do equilíbrio entre vida pessoal e profissional se tornou vital para a carreira. A introdução da internet e do e-mail, nesse contexto, transformou a forma de comunicação do profissional e a velocidade da informação passou a gerar a sensação de que ele está correndo mais rápido a cada dia.

A Geração X coloca a mulher em posições de destaque no mercado de trabalho e quebra diversos tabus. Por exemplo, entre as mulheres da Geração X que responderam a uma pesquisa do Gallup, 61% disseram preferir se subordinar a outra mulher, contra 26% das mulheres de um grupo da geração baby boom. Em contrapartida, novas atividades geram para a mulher um volume de estresse nunca antes visto, aumentando significativamente o número de infartos femininos e a busca por formas de ter uma vida mais equilibrada.

Geração Y

A Geração Y compreende as pessoas nascidas entre 1979 e 2000, e que vêm ocupando um grande espaço no mercado de trabalho. É a geração Power Ranger, Jimmy Neutron, Orkut, Matrix, Twitter, iPod, iPhone etc. Boa parte da sua vida esteve dentro de um computador conectado à internet, muitos usaram MSN, GTalk e Skype, entre outras ferramentas para fazer os trabalhos da escola ou da faculdade.

É uma geração muito decidida, sabe o que quer, alguns parecem ter seu próprio mundo, sua própria comunidade. Muitos são filhos de “Xs” que não tinham muito tempo para si próprios ou viveram com pais separados. A Geração Y está transformando a forma como as empresas funcionam. O pessoal da área de Tecnologia da Informação tem muito trabalho para lidar com essa geração que quer se comunicar por Twitter, instalar blogs e criar comunidades no Facebook ou no MySpace para a empresa.

Uma grande parcela de empresas de web, software e marketing, entre outros segmentos, é composta 100% por pessoas da Geração Y. Em termos de tempo, esse pessoal se importa como nunca em fazer as coisas de que gosta, ter tempo para lazer, para jogar Nintendo Wii ou PSP, ficar em comunidades na Net. Equilíbrio é mais importante que cargo ou salário. Outra grande mudança é a tendência a multitarefa. Apesar de a qualidade ainda não ser muito efetiva, eles já começam a dar os primeiros passos para fazer muitas coisas bem feitas ao mesmo tempo. Usam a internet para gerenciar e colaborar, usam softwares de produtividade, gostam de reuniões virtuais e não gostam muito de conversar via e-mail.

O que veremos nos próximos anos é uma adequação, e não um conflito de valores entre as gerações. Cerca de 75 milhões de trabalhadores terão se aposentado nos próximos dez anos nos EUA — os baby boomers — e, com eles, 50% dos CEOs das maiores empresas do país. Para que as organizações consigam suprir essa lacuna, os profissionais que já estão no mercado (Geração X) deverão interagir com a Geração Y, que está chegando agora e conta com apenas 45 milhões de pessoas.

Geração Z

E, por fim, chegamos a ainda pouco divulgada Geração Z ou, como dizem, The New Kids on the Virtual Block (as novas crianças no bloco virtual). É a geração que engloba todas as pessoas nascidas após o ano 2000. Essa geração nasceu com internet banda larga, Google, smartphone, jogos online, Xbox e mais uma série de gadgets.

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Eu, que colaborei com o nascimento de dois membros da Geração Z, ouvi de meu filho mais velho quando estava na quarta série: “Pai, como você fazia na escola, quando não tinha Google nem MSN?” (Christian Barbosa)
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Essa ultranova geração nasceu na velocidade do conhecimento. Eles não são acelerados; velocidade é o ritmo normal deles. Têm acesso a um volume de informações a que nenhuma outra geração teve tão fácil e rapidamente, e a forma como eles levarão isso ao mercado profissional é o que veremos nas próximas décadas. Tudo indica que eles serão a geração do tempo bem aproveitado! Serão mais focados, conseguirão executar múltiplas atividades com mais qualidade e terão uso pleno das tecnologias de colaboração.

Gerações estressadas

Existe um problema que, infelizmente, se tornou comum ao longo de todas as gerações atuais: o estresse. Nosso mundo moderno criou uma sociedade de pessoas estressadas, sobrecarregadas, com excesso de informação e de prioridades.

Existem diversas definições para o estresse, mas podemos sintetizá-lo na reação biológica do seu organismo, na resposta de algum tipo de demanda. Qualquer coisa que imponha um desafio ou ameace o seu bem-estar é um tipo de estresse.

O estresse não é uma doença, mas sim a capacidade da pessoa de se adaptar a qualquer estímulo, tanto físico como emocional. Essa capacidade de adaptação é estudada desde o início do século passado, mas só foi estabelecida da forma como a conhecemos a partir dos trabalhos dos fisiologistas Walter Cannon e Hans Selye, que a denominaram de síndrome geral de adaptação, ou estresse (palavra que foi trazida da engenharia, e que se refere ao desgaste de materiais submetidos à pressão excessiva).

A falta de tempo e de dinheiro gera estresse? Não encontramos nenhuma pesquisa sobre essa pergunta, mas podemos concluir que, sem dúvida, as preocupações financeiras deixam você sem dormir, o que acaba afetando sua produtividade e deixando-o sem tempo para nada. Em consequência, seu nível de estresse aumenta e tira sua capacidade de criar novas oportunidades para ampliar sua renda. É um círculo vicioso, que, se não for interrompido, paralisará seu progresso.

De acordo com uma pesquisa da União Geral dos Trabalhadores na Europa, feita em junho de 2008, 73% dos trabalhadores sofrem de estresse no ambiente de trabalho. Três quartos deles também têm problemas de saúde por conta dessa situação. As doenças mais comuns são fadiga, dor no pescoço, dor de cabeça, irritabilidade, sensação de angústia, insônia, falta de concentração e dificuldades de visão.

Outro estudo, realizado pelo Hospital do Coração de São Paulo em 2008, com mais de 400 executivos que passaram pelo seu check-up clínico, mostrou que 59% dos pesquisados não estão apenas com estresse, mas sim com um índice elevadíssimo de estresse. O detalhe dessa pesquisa é que a faixa etária dos pesquisados está entre os 20 e 30 anos, ou seja, a Geração Y está estressada!

Um estudo da International Stress Management Association no Brasil mostrou que 70% dos brasileiros sofrem de estresse no trabalho. Mas não é um número muito diferente de outros níveis mundiais. Na Inglaterra, o percentual é similar. Nos Estados Unidos, sobe para 72%. De acordo com a Associação Médica Americana, o estresse está direta ou indiretamente relacionado às seis principais causas de morte no mundo: doenças do coração, câncer, enfermidades do pulmão, acidentes, cirrose e suicídio. Nesse campo, o Japão ocupa o primeiro lugar, apresentando 70% de profissionais estressados em fase burnout (nível intenso de exaustão prolongada e diminuição de interesse, especialmente em relação ao trabalho e às pessoas). Em segundo está o Brasil, com 30% nessa fase, seguido pelos Estados Unidos, com 20%.

Na pesquisa feita entre mais de 5 mil mulheres para o livro Você, Dona do Seu Tempo (Christian Barbosa, Editora Gente, 2007), quando questionadas sobre se conseguiam equilibrar vida pessoal e profissional, 70% das entrevistadas afirmaram que não conseguem ter tempo para ambas as coisas, e isso acaba sendo a causa de grande estresse e frustração.

A boa notícia com relação a todos esses dados alarmantes do estresse é que ele pode ser mantido em níveis aceitáveis, se você conseguir aprender a administrar bem seu tempo e sua vida financeira. Nosso objetivo é ajudá-lo a se conscientizar de que tempo é vida e que sucesso não será medido apenas pelas suas conquistas materiais, mas sim pela qualidade de vida que você tiver! Para conseguir essa desejada melhoria no uso de seus preciosos recursos, iniciaremos explicando como suas decisões de hoje influenciam toda sua vida futura, determinando o ritmo de construção — ou destruição — de seu bem-estar e prosperidade.

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Trecho do Livro: Mercado Financeiro | José Roberto Securato
Livro Mercado Financeiro
Autor: José Roberto Securato
Editora: Saint Paul
ISBN: 9788598838748

» Saiba onde encontrar este livro

Introdução ao Mercado Financeiro. Este capítulo apresenta uma visão geral do mercado financeiro, suas principais divisões, bem como uma noção histórica da unidade básica do mercado financeiro – a moeda. Nesse sentido, os mercados monetário, cambial, de crédito e de capitais serão identificados e discutidos brevemente, sendo mais aprofundados nos capítulos seguintes. A evolução histórica e o papel da moeda como componente fundamental do mercado financeiro também serão tratados neste tópico.

Os principais objetivos de aprendizagem deste capítulo podem ser resumidos nos seguintes tópicos:

1) O papel econômico da moeda
2) A composição do mercado financeiro e a sua relação com a moeda
3) A inflação e a taxa de juros como resultantes da moeda
4) A evolução histórica da moeda brasileira

1. Conceitos e definições iniciais

Pode-se chamar de mercado financeiro ou bancário o conjunto de instituições e operações ocupadas com o fluxo de recursos monetários entre os agentes econômicos. Basicamente, é o mercado de emprestadores e tomadores de empréstimos, sendo que o valor da remuneração desses empréstimos é chamado de juros ou, em termos percentuais, de taxa de juros. Essa taxa representa, em dado período, a remuneração relativa que os emprestadores obterão e o custo relativo com que os tomadores de empréstimos terão de arcar.

As instituições que desempenham essa função de criação de mercado, reunindo tomadores e emprestadores, ou operadores, são denominadas intermediários financeiros. Os corretores e os bancos são exemplos de intermediários financeiros no mundo moderno. Os depositantes de um banco lhe emprestam dinheiro, e este, por sua vez, faz empréstimos com os fundos nele depositados. Essencialmente, o banco é um intermediário entre os depositantes e os tomadores finais de recursos. Para fazer o mercado, é preciso assegurar que este último se equilibre. Para haver equilíbrio do mercado, é necessário igualar o volume total que as pessoas desejam emprestar ao volume total que as pessoas desejam tomar emprestado.

Também é fundamental compreender que o equilíbrio do mercado está ligado ao valor das taxas de juros, ou seja, taxas de juros mais elevadas incentivam os emprestadores (poupadores) a depositar mais recursos nos bancos com o objetivo de receber a remuneração proporcionada por essa taxa. Por outro lado, se as taxas de juros caírem de forma representativa, esses emprestadores (poupadores) não serão estimulados a depositar seus recursos no banco por saber que seus rendimentos são, agora, menores. Portanto, o mercado precisa encontrar a taxa de juros de equilíbrio, isto é, a taxa que os emprestadores desejam fornecer precisa ser exatamente igual à taxa que os tomadores desejam captar.

Essa intermediação financeira se desenvolve de forma segmentada, com base, pelo menos, em quatro subdivisões estabelecidas para o mercado financeiro:

1) Mercado monetário
2) Mercado de crédito
3) Mercado de câmbio
4) Mercado de capitais
5) Mercado de derivativos
6) Outros mercados

Apesar de respaldarem o estudo do mercado financeiro, esses segmentos costumam se confundir na prática, permitindo que as várias operações financeiras interajam por meio de um amplo sistema de comunicações.

O mercado financeiro apresenta uma referência comum para as diversas negociações financeiras: a taxa de juros, entendida como a moeda de trocas desses mercados.

O mercado monetário envolve as operações de curto e curtíssimo prazo, proporcionando um controle ágil e rápido da liquidez da economia e das taxas de juros básicas pretendidas pela política econômica das autoridades monetárias. É o mercado de títulos de alta liquidez.

O mercado de crédito engloba as operações de financiamento de curto e médio prazo, direcionadas aos ativos permanentes e ao capital de giro das empresas. Esse mercado é constituído, basicamente, pelos bancos comerciais e sociedades financeiras.

O mercado de câmbio abrange as operações de conversão (troca) de moeda de um país pela de outro, determinada por diversas modalidades de transferência de recursos, como empréstimos, investimentos, remessa de lucros e comércio internacional, e por operações especulativas em moeda estrangeira.

O mercado de capitais assume papel dos mais relevantes no processo de desenvolvimento econômico. É – ou deveria ser – o grande municiador de recursos permanentes para a economia, em virtude da ligação que efetua entre os que têm capacidade de poupança – os investidores – e aqueles carentes de recursos de longo prazo, isto é, que apresentam déficit de investimento. O Mercado de Capitais está estruturado de modo a suprir as necessidades de investimentos dos agentes econômicos através de diversas modalidades de financiamento de médio e de longo prazo para capital de giro e capital fixo. É constituído por instituições não bancárias, instituições componentes do sistema de poupança e empréstimo (SBPE) e diversas instituições auxiliares.

O mercado de derivativos é formado por contratos privados, entre duas ou mais partes, cujo valor é quase todo derivado do valor de algum ativo, taxa referencial ou índice-objeto como uma ação, título, moeda ou commodity. Os contratos de derivativos utilizam, portanto, um objeto de referência, do qual tais contratos derivam – daí o nome derivativo – e funcionam somente em razão dessa referência. Dividido em Futuros e Opções, o mercado de derivativos cresce de forma excepcional no Brasil por meio da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), principal ambiente de negociação.

2. A moeda e o dinheiro

There is nothing about money that cannot be understood by the person of reasonable curiosity, diligence and intelligence. (John Kenneth Galbraith)

Este tópico é dedicado a explorar as primícias do sistema financeiro mundial, bem como apresentar, sob a ótica do observador apaixonado por finanças e economia, a evolução histórica do dinheiro desde os tempos em que não havia sequer a noção de papel moeda até os dias de hoje, quando as transações são feitas eletronicamente ao apertar de um botão. Como ficará claro nas páginas a seguir, o homem inicia sua jornada na terra prescindindo da moeda para realizar suas transações econômicas e evolui a um estágio tal, que, neste início de século XXI, alguns anteveem uma economia mundial em que o dinheiro, como é conhecido atualmente, não terá a importância preponderante dos últimos séculos.

2.1 As formas de troca

Nos primórdios da civilização, cada ser humano dependia quase que integralmente de seu próprio esforço para a satisfação de suas necessidades. Isto é, se o indivíduo desejasse um sapato, teria de confeccioná-lo com as próprias mãos; no momento de fome, sua satisfação dependia de sua capacidade de pescar, caçar ou coletar; suas lanças dependiam de sua habilidade em talhar a pedra e, em um momento posterior, em sua habilidade de forjar metais. Naturalmente, era muito difícil que um indivíduo pudesse dominar todas as técnicas envolvidas nessas atividades.

Gradativamente, ficou evidente que, se o homem dominasse uma tarefa, como agricultura, artesanato, construção de casas, pesca, sapataria, alfaiataria, ou qualquer outra atividade específica, tanto ele quanto a coletividade teriam um salto qualitativo em relação ao período em que um indivíduo realizava todas essas atividades sem, contudo, ser especialista em nenhuma delas.

Aquele que se empenhasse apenas em construir arreios para cavalos poderia se dedicar à sua especialidade com maior afinco, possibilitando a produção de arreios melhores ou a confecção de mais unidades por intervalo de tempo. Em outras palavras, a especialização proporcionava, aos agentes econômicos, ganhos de produtividade e, com o passar do tempo, fez com que o total produzido excedesse as necessidades do consumo familiar.

Entretanto, o ferreiro que produzia lanças precisava se alimentar, o agricultor necessitava de calçados, o lenhador demandava carroças para transportar madeira, pessoas interessadas em ornar suas casas com pequenas obras de arte necessitavam dos artesãos, o pastor de ovelhas demandava móveis produzidos pelo carpinteiro e assim por diante.

Porém, como cada um desses agentes econômicos poderia adquirir itens de sua necessidade se, naquele momento da história, não existia dinheiro ou moeda em circulação? Enfim, como um artesão que produzisse copos e pratos de argila pagaria o agricultor para obter um saco de arroz?

2.2 O escambo

Ora, a solução natural para esse artesão era pagar com sua produção excedente de copos e pratos de argila ao agricultor. De maneira similar, o alfaiate poderia adquirir lenha para se aquecer no inverno pagando ao lenhador com roupas. Esse tipo de transação, por meio do qual os agentes econômicos trocam mercadorias, é conhecido como escambo.

O escambo foi muito utilizado nas comunidades mais antigas e, em grau menor, continua sendo praticado até hoje em sociedades de economias pouco sofisticadas, ou naquelas com escassez de dinheiro.

Porém, esse tipo de transação comercial possui deficiências intrínsecas. A primeira delas é que, para ocorrer o escambo, é necessário haver a coincidência de interesses. Por exemplo, para que o artesão adquira o saco de arroz do agricultor, este precisa estar disposto a receber pelo arroz, copos e pratos de argila.

Adicionalmente, o consumo de arroz, ao menos em tese, é muito mais recorrente que a necessidade de se trocar utensílios domésticos, como pratos e copos, significando que uma segunda compra de arroz do mesmo vendedor, sendo o artesão o comprador, dificilmente vai se repetir. Isso já representa um custo de transação, pois o artesão terá de despender esforços até encontrar outro agricultor disposto a aceitar copos e pratos de argila como forma de pagamento por um saco de arroz.

O segundo inconveniente é a dificuldade de se estabelecer preços para os diversos bens transacionados. Considerando uma situação em que o lenhador esteja acostumado a pagar com uma carroça cheia de madeira cinquenta quilos de trigo e que o alfaiate pague por igual quantidade de trigo com dez calças, conclui-se que, numa comunidade como essa, vigoram os seguintes preços:

cinquenta quilos de trigo equivalem a uma carroça cheia de madeira;
cinquenta quilos de trigo equivalem a dez calças;
uma carroça cheia de madeira equivale a dez calças.

Portanto, em uma economia baseada no escambo, que possua três tipos de mercadorias transacionadas, há três preços vigentes no mercado.

Se o agricultor aceitar um par de botas em troca de cinquenta quilos de trigo, então, nessa comunidade, vigorarão os seguintes preços:

cinquenta quilos de trigo equivalem a uma carroça cheia de madeira;
cinquenta quilos de trigo equivalem a dez calças;
cinquenta quilos de trigo equivalem a um par de botas;
uma carroça cheia de madeira equivale a dez calças;
uma carroça cheia de madeira equivale a um par de botas;
dez calças equivalem a um par de botas.

Ou seja, em uma economia baseada no escambo, com 4 tipos de mercadoria, há 6 preços vigentes nessa pequena comunidade.

A complexidade no estabelecimento de preços decorre do fato de que cada mercadoria deve ser precificada de acordo com as demais. Isso significa que, em um mercado com N produtos, haverá “Nx(N-1)/2″ preços. Portanto, em uma comunidade com 30 mercadorias transacionadas, vigorarão 435 preços. Se, contudo, a economia da comunidade tiver 500 bens, vigerão 124.750 preços! Essa quantidade ainda assim é uma estimativa modesta, pois, naquela época, assim como hoje, não havia uma padronização das mercadorias ofertadas.

O terceiro grande problema de uma economia amparada no escambo é a impossibilidade de se fracionar alguns bens. Como um fabricante de carroças fará para adquirir três frangos? Ou, retomando o exemplo anterior, em que um par de botas comprava dez calças, como o sapateiro poderia comprar apenas uma calça?

2.3 O surgimento do dinheiro

I understand the history of money. When I get some, it’s soon history. (Alan Greenspan)

Conforme evidenciado, a especialização proporcionou aos agentes econômicos ganhos de produtividade que, em certa altura, o total produzido já excedia as necessidades do consumo familiar. Esses excedentes impulsionaram a adoção do escambo como forma de viabilizar as transações econômicas. Essa elementar forma de comércio, encontrada ainda hoje, foi fundamental para o desenvolvimento econômico nos primórdios da civilização humana. Porém, os custos de transação, inerentes a essa forma de troca, pressionaram a civilização a encontrar um meio mais eficiente para auxiliar nas suas transações.

Não há dúvida de que o modo mais adequado de viabilizar as transações é o dinheiro, que, imediatamente, elimina a necessidade de coincidência de interesses, reduz a quantidade de preços em vigor na comunidade a um número idêntico à quantidade de bens transacionados, além de ser utilizado como reserva de valor.

Naturalmente, a introdução do dinheiro na civilização não se deu sob a forma das cédulas conhecidas hoje, mesmo porque isso não era tecnologicamente possível. Naquela época, para um bem ser utilizado como dinheiro e ser aceito na troca por algum produto, deveria reinar um clima de confiança na sociedade, de tal sorte que o dinheiro recebido por uma transação poderia ser prontamente aceito pelos demais fornecedores de bens ou serviços.

Nos primórdios da civilização, essa confiança era possível graças ao valor intrínseco do material utilizado como dinheiro. Eis o motivo das moedas primitivas terem sido cunhadas com ouro, prata, ou qualquer outro material de valor.

Além dos metais preciosos, há registros históricos de que algumas comunidades antigas utilizaram outros materiais como dinheiro, tais como: conchas, pérolas, chá, couro, gado, sal, açúcar e até mesmo fumo. No Brasil, o uso de mercadorias como moeda já ocorreu, inclusive atendendo a determinações legais. Em 1614, o governador do Rio de Janeiro estabeleceu que o açúcar fosse utilizado como moeda legal, obrigando os comerciantes a aceitá-lo como pagamento. Em 1712, por força de lei, o algodão era a principal moeda do Maranhão. Talvez, o exemplo mais contundente de exploração humana tenha sido a utilização de escravos como moeda para o pagamento de dívidas e compra de outros ativos. Segundo Darcy Ribeiro, o valor do índio escravo podia chegar a 20% do preço de um negro.

O dinheiro de metal conseguiu reunir outras condições que tornaram seu uso corrente, fazendo desaparecer aos poucos a troca de mercadorias. Propriedades, como o entesouramento, permitiram que a moeda se tornasse reserva de valor; sua divisibilidade foi possibilitada por moedas de pesos e dimensões distintas; a facilidade de transporte e a beleza foram outras qualidades que fizeram com que os metais passassem, paulatinamente, a ser o padrão de valor. Há registros de que, em 2.500 a.C., os egípcios produziam anéis de metal utilizados como moeda.

O Código de Hamurabi, datado de cerca de 1.780 a.C., em seu artigo 17o, faz menção ao dinheiro feito de prata quando prevê que, se alguém encontrar um escravo ou escrava fugitivos em terra aberta e devolvê-los a seus mestres, eles devem pagar à pessoa dois shekels de prata.

Já em 700 a.C., um povo localizado na Lídia – onde hoje é a Turquia – se tornou o primeiro do mundo ocidental a cunhar moedas. O historiador grego Heródoto, escrevendo no século quinto a.C., exaltou o fato dos Lídios serem a primeira civilização conhecida a cunhar moedas feitas de uma liga de prata e ouro. Essa liga, conhecida pelo termo em latim – electrum –, foi utilizada para cunhagem de moedas que possuíam inscrições em apenas um lado.

Adicionalmente, as moedas de metal precioso e semiprecioso tinham seu apelo pela durabilidade, facilidade de carregar e por serem visualmente atraentes.

Em síntese, a solução de utilizar a moeda de metal raro para auxiliar as transações obteve sucesso porque agrupou as seguintes características:

1) A moeda metálica podia ter sua qualidade padronizada. Nesse caso, uma moeda de ouro tinha o peso e a pureza atestados por um agente confiável, tal como o governo ou um banco;

2) A moeda metálica era durável, ou seja, muito resistente, e podia conservar suas características físicas por um grande intervalo de tempo;

3) A moeda metálica tinha valor compatível com os atributos tamanho e peso;

4) A moeda metálica era divisível, uma vez que era cunhada em diversos tamanhos, pesos e medidas, possibilitando seu uso na aquisição de bens de grande e pouco valor;

5) E, acima de tudo, a moeda de metal possuía valor intrínseco.

Contudo, esse tipo de moeda apresentava sérios inconvenientes, particularmente os relacionados com aspectos de segurança, pesagem, pureza e facilidade de transporte. Se moedas de ouro são fáceis de transportar, por conseguinte, são fáceis de roubar. Quem arriscaria transportar quilos de ouro em uma carroça com o objetivo de adquirir um bem de grande valor? Na hora de se fechar o negócio, o vendedor teria que pesar o ouro e atestar sua pureza. Ainda que moedas de ouro ou, até mesmo ouro em barra, fossem ótimas reservas de valor, não era aconselhável guardá-las em casa.

Surgiram, então, instituições especializadas em guardar ouro de pessoas ou empresas preocupadas com aspectos de segurança. Essas instituições funcionavam da seguinte maneira: seus clientes depositavam ouro e, em troca, adquiriam um recibo comprovando o depósito. Portanto, era muito mais seguro manter um recibo de um depósito de ouro do que transportar ou guardar ouro em casa.

Uma consequência natural desse avanço foi a utilização desses recibos para aquisição de mercadorias ou pagamento de contas. Ora, como o recibo não passa de um pedaço de papel assinado por uma instituição, conclui-se que, a partir desse momento, surgiu um tipo de dinheiro sem valor intrínseco.

Na verdade, a instituição em questão é o que se chama hoje de banco, e o recibo consiste em uma cédula de dinheiro lastreado totalmente em ouro. A única premissa a ser satisfeita é de que o vendedor que adquirir o recibo como forma de pagamento acredite na veracidade do documento, bem como na solidez e reputação do banco que o emitiu. Os bancos, portanto, tinham interesse em dizer aos quatro ventos o valor em depósitos nos seus cofres com o objetivo de transmitir solidez. Nesse período, além de cobrarem taxas para custodiar o ouro, os bancos auferiam receitas de juros ao emprestar para clientes que necessitassem de dinheiro.

Portanto, um avanço formidável da história monetária foi a utilização das cédulas que emergiram como um meio de troca e continuam sendo empregadas até hoje.

Os registros históricos indicam que a China foi a primeira a usar dinheiro de papel, o que passou a ocorrer durante a Dinastia Tang (618-907). No período da Dinastia Ming, em 1.300, os chineses puseram o selo e a assinatura de seus imperadores em um papel feito de mulbery bark.

Nos tempos modernos, as cédulas são criadas de acordo com as necessidades detectadas pelas autoridades monetárias dos países, representadas pelos respectivos bancos centrais (assunto a ser discutido detalhadamente nos capítulos seguintes).

Recentemente, o Banco Central do Brasil passou a emitir notas de dois reais. Conhecido como FED, o Banco Central americano, logo após sua criação, emitiu notas que iam de um dólar até dez mil dólares!

As cédulas e moedas, tanto no passado como atualmente, refletem a cultura e os valores de um povo. É comum que haja efígies em homenagem a personalidades que marcaram época, como é o caso de Santos Dumont, Barão do Rio Branco, Clarice Lispector e Juscelino Kubitschek, no Brasil.

Apenas por curiosidade, nos Estados Unidos, a primeira moeda a apresentar a inscrição In God We Trust data de 1864, sendo que, em 1955, foi aprovada uma lei determinando que todo o papel-moeda a ser emitido devesse conter tal dizer.

2.4 Condições para aceitação da “moeda sem valor intrínseco”

Tanto as cédulas antigas quanto as atuais são desprovidas de valor intrínseco. Note que a aceitação de cédulas ou moedas sem valor intrínseco é baseada exclusivamente na confiança de que aquele objeto representa um bem de valor – tal como ouro –, ou uma promessa de pagamento ao seu portador com a garantia de uma instituição confiável como o governo ou um banco.

Atualmente, o dinheiro em circulação não é provido de valor intrínseco. Contudo, a sociedade moderna espera que outras condições básicas sejam satisfeitas para que ele tenha boa aceitação.

Essas condições exigem que o dinheiro sirva como:

- meio de troca: as moedas devem ser aceitas universalmente pelos agentes econômicos em troca de mercadorias e serviços;

- unidade de conta: o valor dos bens e serviços pode facilmente ser expresso em termos monetários. A unidade de conta serve também como denominador comum para expressar o valor dos bens. É por esta propriedade que se pode saber o valor monetário de bens totalmente diversos, tais como um avião, uma tonelada de ouro, duas horas em uma seção de análise etc.;

- reserva de valor: os agentes econômicos devem sentir-se confortáveis guardando sua riqueza na forma de moeda;

- pagamentos diferidos no tempo: a moeda deve ser capaz de ser utilizada como medida para pagamentos futuros.

2.5 As várias formas do dinheiro

Muitos aspectos relacionados ao dinheiro já foram discutidos, porém, antes de avançar, cabe perguntar: o que é dinheiro?

O Federal Reserve System apresenta a seguinte definição para dinheiro:

Anything that serves as a generally accepted medium of exchange, a standard of value, and a means of saving or storing purchasing power. In the United States, currency (the bulk of which is Federal Reserve notes) and funds in checking and similar accounts at depository institutions are examples of money.

Pela definição do FED, nota-se que dinheiro é qualquer coisa aceita prontamente como meio de troca e que sirva como padrão e reserva de valor. Uma definição mais sucinta seria: dinheiro é um objeto que as pessoas estejam propensas a aceitar em contrapartida de receber um bem ou serviço.

2.5.1 Moeda fiduciária e moeda-mercadoria

Foi visto que, nos seus primórdios, o dinheiro possuía valor intrínseco, o que exigia que as moedas fossem feitas de ouro, prata ou qualquer outro bem valioso.

O dinheiro com valor intrínseco tinha seu poder de compra alterado dependendo das circunstâncias. Na prática, seu valor nunca poderia ser inferior ao valor da commodity da qual era feito e, frequentemente, coincidia com o valor da sua respectiva commodity.

Também foi mostrado que promessas de pagamento que tinham confiança passavam a ser utilizadas como dinheiro. Essa confiança permitiu que bens com pouco ou nenhum valor intrínseco, como papel, couro e moedas de metais ordinários passassem a ser empregados como dinheiro.

Pelo exposto, conclui-se que é possível enquadrar o dinheiro presente nas economias em duas categorias distintas:

- Dinheiro com valor intrínseco: conhecido como moeda-mercadoria ou commodity money;

- Dinheiro sem valor intrínseco: conhecido como moeda fiduciária (fiat money). Ambas as modalidades servem igualmente como meio de troca, reserva de valor e unidade de conta.

Tanto a moeda fiduciária quanto a moeda-mercadoria podem ser tangíveis, tal como uma moeda metálica ou uma cédula de papel ou plástico. Contudo, apenas a moeda fiduciária, isto é, sem valor intrínseco, poderá ser intangível à medida que se tornar um crédito em uma conta bancária ou poder de compra advindo de um cartão de crédito.

Atualmente, todo o sistema monetário moderno baseia-se em dinheiro sem valor intrínseco. A viabilidade desse sistema repousa na política e nas ações do emissor da moeda, normalmente representado pelo Banco Central do país.

No passado, virtualmente, qualquer banco que tivesse boa reputação e conseguisse transmitir uma idéia de solidez poderia emitir dinheiro. Nos modernos sistemas financeiros, a única instituição habilitada a emitir dinheiro – license to print – é o banco central do país.

Da mesma maneira que, nos primórdios do fiat money, a confiança na moeda repousava na reputação do banco que o emitiu. Atualmente, a confiança e o real valor da moeda dependem da capacidade dos Bancos Centrais em estabelecer políticas monetárias consistentes.

2.5.2 Moeda conversível e totalmente lastreada

Foi visto que, no passado, os agentes econômicos utilizavam metais preciosos como meio de pagamento. Ocorre que o transporte e a pesagem desses metais eram imprecisos e perigosos. Então, as pessoas passaram a depositar quantidades de ouro sob a responsabilidade de indivíduos de confiança, os quais entregavam recibos do ouro depositados sob sua guarda, como comprovante dos depósitos.

Evolução foi a utilização dos recibos como forma de pagamento para compra de bens e serviços. Daí surgiu a moeda fiduciária conversível e totalmente lastreada em ouro. Sob essas circunstâncias, tem-se que:

- A moeda é conversível porque, a qualquer momento, seu detentor pode se dirigir ao banco que emitiu o recibo e trocá-lo por ouro;

- A moeda é totalmente lastreada em ouro porque a soma do valor dos recibos emitidos pelo banco corresponde exatamente à quantidade de ouro detida por ele.

Em um regime monetário em que a moeda fiduciária é totalmente lastreada em ouro, ou qualquer bem de valor, se todos os correntistas se dirigirem ao banco com o intuito de trocar suas cédulas por ouro, o estabelecimento não terá problemas em fazê-lo.

2.5.3 Moeda conversível e fracionariamente lastreada

Os guardadores do ouro, isto é, os bancos, perceberam que poderiam utilizar o ouro inativo sob sua custódia para multiplicar suas operações de empréstimo. Também notaram que, do total do ouro depositado, apenas uma fração era requisitada por seus donos. Dessa maneira, se o banco soubesse que, do total de depósitos em ouro, 10% em média era requisitado em determinado intervalo de tempo, poderia emprestar o equivalente a dez vezes o total de depósitos sob sua custódia.

Sob essas circunstâncias, tem-se que:

- A moeda é conversível porque, a qualquer momento, seu detentor pode se dirigir ao banco que emitiu o recibo e trocá-lo por ouro;

- A moeda é fracionariamente lastreada em ouro porque a soma do valor dos recibos emitidos pelo banco supera a quantidade de ouro que o estabelecimento detém consigo.

Em um regime monetário no qual a moeda fiduciária é fracionariamente lastreada em ouro, ou em qualquer bem de valor, se todos os correntistas quiserem trocar suas cédulas por ouro, o banco não disporá de reservas suficientes para fazê-lo.

2.5.4 Moeda escritural

Hoje não mais vigora o padrão ouro, e apenas o banco central de cada país tem permissão para imprimir o papel-moeda. Ou seja, os bancos centrais têm o monopólio na emissão de moeda.

Ainda assim, os bancos comerciais conservaram a habilidade de criar dinheiro. Quando um cliente deposita dinheiro (reserva) em sua conta corrente, este é denominado de depósito à vista, que não é remunerado. Como os bancos sabem que apenas parte de toda reserva a ele confiada nos depósitos à vista será utilizada pelos clientes, poderá empregar essa reserva não utilizada como empréstimo para outros clientes, o que, por si só, constitui a criação de moeda pelo banco. Portanto, diz-se que os depósitos à vista confiados aos bancos e a outras instituições creditícias constituem moeda escritural, que também é conhecida por moeda bancária.

Atualmente, com o auxílio da tecnologia, os correntistas dos bancos não necessitam carregar dinheiro, uma vez que a maioria das transações são eletrônicas – via cartões de débito, débito automático, transferências eletrônicas, DOCs e por intermédio de cheques. Essas novas modalidades de transações, eletrônicas ou não, intensificaram o uso da moeda escritural.

Já o cheque é uma ordem de transferência de depósito e não pode ser considerado moeda. A primeira referência do cheque no Brasil apareceu em 1845, sob a denominação de cautela por ocasião da fundação do Banco Comercial da Bahia. O cheque só foi regulamentado pelo decreto n. 2.591, de 7 de agosto de 1912.

O emprego de cheque tem grandes vantagens em relação ao porte de moeda física, a saber:

- Os cheques são mais difíceis de ser roubados e muito mais discretos. Imagine como seria a situação do comprador de um carro de luxo se tivesse que efetuar o pagamento carregando notas de dinheiro?

- Ainda que um cheque seja roubado, é possível contatar as autoridades e o banco e cancelar os efeitos do roubo.

- No Brasil, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos (1), graças ao moderno sistema de compensação bancária, um cheque se transforma em reserva com extrema rapidez, não interessando em que parte do país tenha sido emitido. Com a introdução do sistema de pagamentos brasileiro, a ser discutido em capítulos posteriores, o tempo que levará para compensar um cheque será ainda menor.

- O cheque pode ser emitido em qualquer quantia, dispensa o troco e economiza o tempo da contagem do dinheiro.

- A utilização de cheques dá maior segurança a quem o emitiu na medida em que pode ser utilizado para comprovar a realização de transações.
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(1) Em 1927, por força do McFadden Act aprovado pelo congresso americano, foram estabelecidas muitas restrições à expansão interestadual dos bancos. Dessa forma, ficou muito difícil para os bancos americanos expandirem nacionalmente, tal como ocorre no Brasil. Portanto, a compensação de um cheque emitido no norte ou leste dos Estados Unidos pode demorar uma semana ou mais se o banco emissor for do sul ou oeste do país. As restrições do McFadden Act foram abrandadas por ocasião do Branching Efficiency Act de 1994.
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2.5.5 Moeda, meio de pagamento e meio circulante

Considerando o conceito de moeda, pode-se dizer que meio de pagamento consiste na soma do papel-moeda em poder do público acrescida da moeda escritural ou bancária.

Outra visão igualmente interessante que envolve o meio de pagamento é considerar a disponibilidade de moeda de um país como a soma da moeda pública – cédulas e moedas metálicas em poder da população – com a moeda privada constituída dos depósitos à vista nos bancos comerciais – moeda escritural ou bancária.

Outro conceito afim é o meio circulante, que consiste no conjunto de cédulas e moedas com poder liberatório (inclusive comemorativas) de posse do público e dos bancos. O poder liberatório nada mais é que a capacidade da cédula, ou moeda, de liberar débitos e efetuar pagamentos.

Ora, uma vez que o meio de pagamento de um país é a soma da moeda pública – cédulas e moedas metálicas em poder da população – acrescido dos depósitos à vista, surge a necessidade de um organismo independente controlar o estoque de moeda em circulação.

Note que o excesso de moeda em circulação pode criar inflação, tal como ocorreu no Brasil por muitos anos. Por outro lado, a falta de moeda em circulação, como aconteceu na Argentina no ano de 2001/2002, gera efeitos muito negativos.

O organismo com o dever de controlar a emissão de papel moeda e também de estabelecer limites para a utilização da moeda escritural por parte dos bancos é justamente o banco central do país. Ao conjunto de instrumentos que o banco central utiliza para regular o estoque de moeda, dá-se o nome de política monetária, cujos instrumentos clássicos são: assistência à liquidez, depósito compulsório e open market, os quais serão explorados no capítulo 3.

2.6 Os agregados monetários

Contudo, enxergar a moeda apenas como meio de pagamento é uma visão limitada da realidade econômica. Os economistas encontraram uma definição mais ampla do que vem a ser moeda e meio de pagamento. Para eles, o conceito latu senso de meio de pagamento é encontrado nos agregados monetários M1, M2, M3, M4.

Nessa linha de pensamento, o Banco Central (Bacen) do Brasil considera os agregados monetários por intermédio dos meios de pagamentos: M1, M2 M3 e M4. Nas suas definições, o Bacen adota conceitos e definições internacionalmente aceitos e fundamentados na teoria econômica. Adicionalmente, o próprio Bacen salienta a existência de particularidades na abrangência, mensuração e convenções contábeis de cada uma das variáveis que compõe cada tipo de agregado.

Em 2001, o Bacen atualizou e revisou os critérios de classificação dos meios de pagamento: M1, M2, M3 e M4. Até esse mesmo ano, o Bacen utilizava, como critério de ordenamento, o grau de liquidez e, a partir de então, passou a empregar como critério os sistemas emissores dos meios de pagamento.

Critérios adotados antes de 2001

O M1 compreende os passivos de liquidez imediata. É composto pelo Papel-Moeda em Poder do Público (PMPP) e pelos Depósitos à Vista (DV).

– O PPMP é o resultado da diferença entre o papel-moeda emitido pelo Banco Central do Brasil e a disponibilidade de “caixa” do sistema bancário.

– Os DVs são aqueles captados pelos bancos criadores de moeda e transacionáveis por meio de cheques. Compõem o grupo dos bancos criadores de moeda, os bancos comerciais (inclusive o Banco do Brasil), os bancos múltiplos e as caixas econômicas. Nesse segmento, não são incluídas as cooperativas de crédito, em razão da insignificância de seus depósitos, como também pela dificuldade de obtenção global dos dados diários e mesmo de balancetes mensais. Os depósitos do setor público estão incluídos nos depósitos à vista, com exceção dos recursos do Tesouro Nacional, depositados no Banco do Brasil.

O M2 engloba, além do M1, os Fundos de Aplicação Financeira (FAF), os Fundos de Renda Fixa de Curto Prazo (FRF-CP), os Fundos de Investimento Financeiro de Curto Prazo (FIF-CP), os Depósitos Especiais Remunerados (DER) e os Títulos Públicos (TP) da União, dos Estados e dos Municípios, que se encontram em poder do público não-financeiro. Quanto aos Títulos Federais, são considerados o total de títulos emitidos pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central do Brasil, excetuando-se o estoque desses títulos mantidos em carteira no Banco Central, no sistema financeiro e nos fundos. No componente Títulos Estaduais e Municipais, são considerados o total da emissão, subtraindo-se aqueles em poder dos próprios emissores, em decorrência de operações de recompra temporária comandadas pelo próprio governo, e aqueles mantidos pelas instituições do sistema financeiro.

O M3 inclui o M2 acrescido dos depósitos de poupança (integram esse componente os recursos de associações de poupança e empréstimo).

No M4 são incorporados, além do M3, os títulos privados compostos pelos depósitos a prazo, letras de câmbio e letras imobiliárias e hipotecárias. Exclui-se desse componente aqueles mantidos em carteira nas instituições do sistema financeiro e nos fundos mútuos.

Critérios adotados após 2001

O M1 não sofreu mudança conceitual, mantendo os mesmos critérios descritos anteriormente.

O M2 engloba o M1, além dos depósitos especiais remunerados, dos depósitos de poupança (integram esse componente os recursos de associações de poupança e empréstimo) e dos títulos emitidos por instituições depositárias.

O M3 inclui o M2, acrescido dos fundos de renda fixa e das operações registradas no Selic.

No M4 são incorporados, além do M3, os títulos públicos de alta liquidez.

O Bacen aponta que os dados publicados sobre os agregados monetários referem-se ao universo de instituições componentes do panorama bancário e provêm da contabilidade do Banco Central do Brasil e da consolidação das informações dos bancos criadores de moeda e das outras instituições bancárias, as quais são extraídas do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (Cosif).

2.7 A inflação

A inflação é um fenômeno monetário. Apesar de gerar certo debate acadêmico em economia, essa afirmação é geralmente aceita como verdadeira pela maioria dos autores. Em outras palavras, a inflação está intrinsecamente ligada à moeda e à política monetária de uma economia.

A inflação pode ser definida, de forma sintética, como o aumento generalizado dos preços de determinada economia. Em qualquer economia, alguns preços aumentam ao longo de certo período de tempo, enquanto outros diminuem no mesmo período. A inflação se caracteriza quando a maioria dos preços aumenta. Por outro lado, quando a maioria dos preços diminui, observa-se uma inflação negativa, também conhecida como deflação.

Diversas podem ser as causas da inflação, mas as três mais comuns são:

- Inflação de oferta: é gerada por significativo aumento de preços de algum insumo de uso bastante relevante para certa economia, ocasionando aumento de custos aos empresários, que, por sua vez, repassam, pelo menos em parte, essa elevação de custos para os preços finais, produzindo inflação. Os insumos que normalmente causam inflação de oferta são: petróleo, energia elétrica e taxa de câmbio. No Brasil, houve inflação de oferta em 2002 provocada pela desvalorização cambial da ordem de 53% entre janeiro e dezembro deste ano. Essa desvalorização aumentou os custos das matérias-primas e bens importados para as empresas nacionais, custo este pelo menos parcialmente repassado para os preços finais.

- Inflação de demanda: é gerada pelo excesso de demanda na economia para o qual não há possibilidade de ser totalmente atendido pela oferta. Esse fenômeno geralmente ocorre por um aumento repentino do consumo na economia, muitas vezes decorrente da elevação de renda. O Brasil sofreu esse fenômeno em alguns planos econômicos, tais como o Plano Cruzado, em 1986, e no início do Plano Real, em fins de 1994 e início de 1995. Devido à queda brusca da inflação, grande parte da população brasileira auferiu um aumento de renda, majoritariamente convertido em expansão de consumo, gerando pressão de demanda que não poderia ser imediatamente atendida pela oferta. Em 1986, essa foi uma das principais causas do fracasso do Plano Cruzado. No caso do Plano Real, esse excesso de demanda foi atendido com o aumento das importações.

- Inflação crônica: é gerada pelo aumento contínuo da quantidade de moeda na economia. Geralmente, essa situação é provocada por um significativo déficit fiscal do setor público que, não tendo outra forma de financiá-lo, utiliza sua prerrogativa de único emissor da moeda, emitindo moeda para cobrir seu déficit. Uma vez que estes últimos normalmente são recorrentes, o setor público usualmente amplia a quantidade de moeda na economia, fazendo com que esta enfrente uma espiral inflacionária, ou seja, uma inflação crescente ao longo do tempo. O Brasil passou por esse fenômeno de forma mais acentuada na década de 1980 e no início da década de 1990, sendo que só foi definitivamente debelado com o Plano Real, em 1994.

2.7.1 Os efeitos da inflação nas funções da moeda

A inflação tem um efeito deletério sobre a moeda, em especial sobre as suas funções mais básicas, tornando-a uma representação sem valor ou aceitação.

Inicialmente, a inflação destrói a sua função de reserva de valor. A moeda só pode ser utilizada como reserva de valor, sem considerar, claro, o custo de oportunidade de entesourar moeda, se a inflação for igual ou menor a zero. Caso contrário, a inflação fará com que a moeda perca poder de compra ao longo do tempo, não servindo, portanto, como reserva de valor.

Em um segundo momento, a inflação destrói a sua função de unidade de cálculo. Esta última faz com que a moeda seja o grande referencial para se comparar os preços de bens na economia. Quando a inflação se torna bastante alta, por exemplo, 10%, 20% ou 30% ao mês, fica difícil utilizar a moeda da economia para se fazer qualquer comparação de preços, pois, de um dia para outro, os preços aumentam significativamente em moeda nacional. Esse fenômeno ocorreu, no Brasil, na década de 1980 e início da década de 1990, quando a moeda nacional perdeu sua função de unidade de cálculo da economia, sendo substituída por indexadores como a ORTN, OTN, BTN e BTN-F2 e, em alguns casos, pelo dólar americano.

Em um terceiro momento, a inflação destrói a mais básica e significativa função da moeda, o seu uso como meio de troca. Quando a inflação se torna absurdamente alta, tendendo ao infinito, a moeda nacional perde completamente o seu poder de compra e para de ser aceita nas transações cotidianas. Esse fenômeno também é denominado hiperinflação. O Brasil, felizmente, nunca passou por tal situação, apesar de ter chegado próximo a isso em fevereiro de 1990, no último mês do governo do presidente José Sarney e logo antes da posse do presidente Fernando Collor de Mello, quando a inflação chegou a 84% ao mês. Apenas alguns poucos países passaram por tal fenômeno, como a Alemanha na década de 1920.

2.8 Aplicação de conceitos: colapso do currency board argentino

Neste ponto, é possível compreender melhor as contradições do regime monetário argentino predominante na década de 1990, cujas consequências custaram o cargo de quatro presidentes da república em um intervalo inferior a trinta dias!

O sistema introduzido na Argentina, em 1991, pelo então presidente Carlos Menem, sob a batuta do ministro das finanças, Domingo Cavallo, lastreou a moeda local, o peso, ao dólar norte-americano em um sistema conhecido como currency board. Sob esse sistema, todos os depósitos bancários efetuados na moeda local poderiam prontamente ser convertidos em dólar, na razão de um para um.

Isso, no linguajar dos economistas, consiste em um regime de câmbio fixo pelo fato de o valor do peso não se alterar em relação ao dólar. Contudo, a agudização da crise argentina, verificada na virada do milênio, comprometeu a confiança da população no sistema financeiro, levando a uma corrida bancária: correntistas aflitos para trocar seus pesos por dólares na razão de um para um.

Ora, se o regime cambial fosse efetivamente de um currency board, haveria dólares suficientes na economia para que a troca fosse efetuada, pois, em tese, os pesos em circulação estavam totalmente lastreados em dólar americano.

Na verdade, a deterioração da economia argentina, nos últimos anos da década de 1990, drenou os dólares para fora do país, fazendo com que os pesos ficassem parcialmente lastreados em dólar.

2.9 Aplicação de conceitos: índices de inflação no Brasil

O Brasil, por seu histórico inflacionário, possui uma grande diversidade de índices que tem por objetivo medir a inflação. Contudo, esses índices basicamente se dividem em duas famílias:

- Os Índices Gerais de Preços (conhecidos genericamente pela sigla IGP) que, entre os mais famosos, destacam-se o IGP-M (mercado) e o IGP-DI (disponível), ambos divulgados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

- Os Índices de Preço ao Consumidor (conhecidos genericamente pela sigla IPC) que, entre os mais famosos, destacam-se o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), ambos divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o IPC-Fipe, divulgado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), ligada à Universidade de São Paulo (USP).

Para fins de simplificação, serão analisados o IGP-M, como representativo dos Índices Gerais de Preços (IGP), e o IPCA, como representativo dos Índices de Preços ao Consumidor (IPC).

2.9.1 A metodologia do IGP-M

O IGP-M tem por objetivo medir a inflação de uma forma ampla na economia, ou seja, considera não somente a variação dos preços finais ao consumidor – também conhecida como variação dos preços no varejo e que reflete nos preços dos bens consumidos diretamente, como, por exemplo, gasolina, alimentos, remédios, vestuário, eletrodomésticos –, mas também os preços no atacado – preços entre produtores e atacadistas, importadores e exportadores – e os preços da construção civil. O IGP-M é calculado pela seguinte metodologia:

- 60% de sua composição é o Índice de Preços no Atacado (IPA), que reflete os preços entre produtores, atacadistas, importadores e exportadores e outros.

- 30% de sua composição é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que reflete os preços dos bens finais nos pontos-de-venda ao consumidor, como, por exemplo, combustíveis nos postos de revenda, alimentos, vestuário, eletrodomésticos nos supermercados e lojas varejistas, energia elétrica, mensalidades escolares etc. Esses preços também são conhecidos como preços no varejo.

- 10% de sua composição é o Índice Nacional da Construção Civil (INCC), que reflete os preços do mercado imobiliário, em especial da construção civil.

O objetivo desse índice é espelhar os preços da economia em um sentido amplo, os preços no atacado, ou seja, o IPA, dominam a composição do índice.

2.9.2 A metodologia do IPCA

O IPCA tem por finalidade medir somente a variação de preços ao consumidor, ou seja, os preços dos bens diretamente consumidos, também conhecidos como preços no varejo. Diferentemente do IGP-M, a metodologia do IPCA privilegia a inflação “sentida no bolso do consumidor” e não aquela da economia como um todo, em sentido amplo.

Comparando-se o IPCA e o IGP-M, o primeiro seria correspondente exclusivamente ao Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que forma 30% da composição do IGP-M, apesar de os índices não serem idênticos. Portanto, analogamente ao IPC, que compõe 30% do IGP-M, o IPCA reflete os preços no ponto final de venda dos bens aos consumidores. Contudo, enquanto no IGP-M tal índice reflete apenas 30% de sua composição, no caso do IPCA, a metodologia dos preços no varejo corresponde a 100% da composição do índice.

2.10 Aplicação de conceitos: breve histórico das mudanças de moeda no Brasil

O Brasil, por sua inflação crônica durante muitos anos, sofreu diversas mudanças de moedas em sua história recente. A seguir, é apresentado um breve relato dessas mudanças.

a) Império do Brasil (Padrão Real de 1833 a 1888)

b) República (Padrão Mil Réis de 1889 a 1942)

c) Criação do Cruzeiro (5 de outubro de 1942)

O Cruzeiro foi criado no dia 5 de outubro de 1942. Contudo, somente a partir do dia 31 de outubro de 1942, começou a valer como unidade monetária. O cruzeiro substituiu o padrão Mil-Réis, com dois objetivos principais:

- Eliminar os problemas da divisão por mil;

- Unificar o meio circulante, já que na época existiam 56 tipos diferentes de cédulas, sendo 35 do tesouro nacional, 14 do Banco do Brasil e 7 da Caixa de Estabilização.

A conversão foi realizada a $1000 = Cr$ 1,00.

d) Criação do Cruzeiro Novo (13 de fevereiro de 1967)

O Cruzeiro Novo foi implantado em 13 de fevereiro de 1967. Padrão monetário desde 1942, o Cruzeiro teve três zeros cortados e se transformou no Cruzeiro Novo, que foi o único padrão monetário que não teve cédulas próprias.

O Banco Central reaproveitou as cédulas do Cruzeiro, carimbando-as para convertê-las em Cruzeiros Novos. O carimbo utilizado era formado por dois círculos concêntricos, com o valor expresso no centro e as palavras BANCO CENTRAL e CENTAVOS ou CRUZEIROS NOVOS no espaço entre os círculos.

A conversão foi realizada a Cr$ 1.000,00 = NCr$ 1,00.

e) Criação do Cruzeiro substituindo o Cruzeiro Novo (15 de maio de 1970)

O Cruzeiro Novo foi substituído pelo Cruzeiro em 15 de maio de 1970, sem corte de zeros.

A conversão foi realizada a NCr$ 1,00 = Cr$ 1,00.

f) Criação do Cruzado substituindo o Cruzeiro (28 de fevereiro de 1986)

A partir de 28 de fevereiro de 1986, mil cruzeiros passaram a valer um cruzado. Para implantar o Cruzado, o governo aproveitou as cédulas de 10 mil, 50 mil e 100 mil cruzeiros, carimbando-as para o novo padrão. O Carimbo era circular, com as palavras “Banco Central do Brasil” e “Cruzado” com o valor no centro.

Cr$ 1.000 = Cz$ 1,00.

g) Criação do Cruzado Novo substituindo o Cruzado (15 de janeiro de 1989)

O Cruzado Novo entrou em circulação em 15 de janeiro de 1989, na segunda reforma monetária do presidente José Sarney. A nova moeda substituía o Cruzado, sendo que um Cruzado Novo valia 1.000 Cruzados.

Foram aproveitadas as cédulas de mil, 5 mil e 10 mil Cruzados, que receberam um carimbo para o novo padrão monetário. O carimbo adotado era um triângulo com as palavras “cruzado novo” em duas linhas próximas à base do triângulo.

Cz$ 1.000,00 = NCz$ 1,00.

h) Criação do Cruzeiro substituindo o Cruzado Novo (16 de março de 1990)

Uma nova moeda, novamente chamada de Cruzeiro, foi introduzida como padrão monetário, em substituição ao Cruzado Novo como parte do “Plano Collor”, sem ocorrer a perda de três zeros.

NCz$ 1,00 = Cr$ 1,00.

i) Criação do Cruzeiro Real substituindo o Cruzeiro (1o de agosto de 1993)

O Cruzeiro Real foi implantado em 1o de agosto de 1993, substituindo o Cruzeiro, e foram cortados três zeros. Foram aproveitadas as notas de 50 mil, 100 mil e 500 mil Cruzeiros, devidamente carimbadas para o novo padrão.

Cr$ 1.000,00 = CR$ 1,00.

j) Criação do Real, substituindo o Cruzeiro Real (1o de julho de 1994)

O Real foi lançado em 1o de julho de 1994, no bojo do Plano Real do governo Itamar Franco, com o objetivo de criar uma moeda forte e acabar com a inflação. Primeiro, foi estabelecido um índice paralelo para efeito de transição, a Unidade Real de Valor (URV). A Conversão de Cruzeiros Reais para Reais foi feita mediante a divisão do valor em Cruzeiros Reais, pelo valor da URV de CR$2.750,00.

CR$ 2.750,00 = R$ 1,00.

Veja também:

» Lista atualizada das Taxas de Juros praticadas no Brasil

» Trecho do livro Os Princípios de Investimento de Warren Buffett

» Lista atualizada dos livros mais vendidos no Brasil

» Vídeo e letra da música Beat It, do cantor Michael Jackson

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