Autores

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Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Março 08, 2010

VEJA

Livro A Cabana

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Ficção

01 A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro
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02 O SÍMBOLO PERDIDO
Dan Brown . leia um trecho do livro
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03 O LADRÃO DE RAIOS (1º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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04 A BATALHA DO LABIRINTO (4º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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05 AMANHECER (4º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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06 O MAR DE MONSTROS (2º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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07 A MALDIÇÃO DO TITÃ (3º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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08 DIÁRIOS DO VAMPIRO 3 – A FÚRIA
L.J. Smith
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09 ECLIPSE (3º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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10 O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
John Boyne . leia um trecho do livro
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Livro Comer Rezar Amar

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Não-Ficção

01 COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro
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02 GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO BRASIL
Leandro Narloch
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03 1808
Laurentino Gomes . leia um trecho do livro
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04 O ANDAR DO BÊBADO
Leonard Mlodinow . leia um trecho do livro
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05 MENTES PERIGOSAS
Ana Beatriz Barbosa Silva
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06 UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro
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07 MAIS VOCÊ 10 ANOS
Ana Maria Braga
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08 HONORÁVEIS BANDIDOS
Palmério Dória
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09 UMA BREVE HISTÓRIA DO SÉCULO XX
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro
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10 MENTES INQUIETAS
Ana Beatriz Barbosa Silva
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Notebooks
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Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Fevereiro 22, 2010

O Estado de São Paulo

Livro O Simbolo Perdido

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Ficção

01 O SÍMBOLO PERDIDO
Dan Brown . leia um trecho do livro
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02 A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro
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03 O LADRÃO DE RAIOS (1º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos) – Obs: CAPA DO FILME
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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04 O MAR DE MONSTROS (2º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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05 O LADRÃO DE RAIOS (1º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos) – Obs: CAPA ORIGINAL
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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06 O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
John Boyne . leia um trecho do livro
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07 OS ESPIÕES
Luis Fernando Verissimo . leia um trecho do livro
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08 AMANHECER (4º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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09 CAIM
José Saramago
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10 O VENDEDOR DE SONHOS – O CHAMADO
Augusto Cury . leia um trecho do livro
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Livro O Verdadeiro Poder

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Não-Ficção

01 O VERDADEIRO PODER
Vicente Falconi
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02 COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro
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03 SE ABRINDO PRA VIDA
Zibia Gasparetto
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04 GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO BRASIL
Leandro Narloch
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05 POR QUE OS HOMENS AMAM AS MULHERES PODEROSAS?
Sherry Argov
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06 HONORÁVEIS BANDIDOS
Palmério Dória
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07 O ANDAR DO BÊBADO
Leonard Mlodinow . leia um trecho do livro
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08 O MONGE E O EXECUTIVO
James C. Hunter . leia um trecho do livro
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09 CLARICE
Benjamin Moser
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10 UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro
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seta Leia um trecho do livro A Senhora do Jogo (Sidney Sheldon)

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Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Fevereiro 15, 2010

O Estado de São Paulo

Livro O Simbolo Perdido

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Ficção

01 O SÍMBOLO PERDIDO
Dan Brown . leia um trecho do livro
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02 A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro
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03 O LADRÃO DE RAIOS (1º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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04 AMANHECER (4º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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05 ECLIPSE (3º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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06 O MAR DE MONSTROS (2º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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07 A SENHORA DO JOGO
Sidney Sheldon
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08 A MALDIÇÃO DO TITÃ (3º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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09 DIÁRIOS DO VAMPIRO 1 – O DESPERTAR
L.J. Smith . leia um trecho do livro
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10 O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
John Boyne . leia um trecho do livro
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Livro Se Abrindo Pra Vida

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Não-Ficção

01 SE ABRINDO PRA VIDA
Zibia Gasparetto
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02 POR QUE OS HOMENS AMAM AS MULHERES PODEROSAS?
Sherry Argov
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03 COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro
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04 GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO BRASIL
Leandro Narloch
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05 O VERDADEIRO PODER
Vicente Falconi
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06 MENTES PERIGOSAS – O PSICOPATA MORA AO LADO
Ana Beatriz Barbosa Silva
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07 UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro
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08 HONORÁVEIS BANDIDOS
Palmério Dória
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09 MAIS VOCÊ 10 ANOS
Ana Maria Braga
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10 O ANDAR DO BÊBADO
Leonard Mlodinow . leia um trecho do livro
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seta Leia um trecho do livro A Batalha do Labirinto (Percy Jackson 4)

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Trecho do Livro: A Batalha do Labirinto (Percy Jackson 4)
A Batalha do Labirinto
Autor: Rick Riordan
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788598078700

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Obs: A Batalha do Labirinto é o quarto volume da premiada série “Percy Jackson e Os Olimpianos” criada pelo escritor norte-americano Rick Riordan. Os livros anteriores são: O Ladrão de Raios, O Mar de Monstros e A Maldição do Titã.

Notícia aos fãs: A série Percy Jackson e Os Olimpianos termina no quinto livro da saga “O Último Olimpiano“, mas haverá uma nova série, talvez a partir de 2010, sobre o Acampamento Meio-Sangue.

Notícia aos fãs: O filme O Mar de Monstros tem previsão de estreia para o ano de 2012.

—–

A última coisa que queria fazer nas férias de verão era destruir outra escola. Mas lá estava eu naquela manhã de segunda-feira, primeira semana de junho, sentado no carro da minha mãe diante da Goode High School, na rua 81 Leste.

A Goode ficava em um prédio grande de arenito com vista para o Rio East. Um monte de BMWs e Lincoln Towns estava estacionado diante dela. Olhando os elegantes arcos de pedra, eu me perguntei quanto tempo levaria até ser expulso daquele lugar.

— Relaxe. — A voz de minha mãe não parecia nada relaxada. — É só uma visita de orientação. E lembre, querido: esta é a escola de Paul. Portanto, tente não… você sabe.

— Destruí-la?

— É.

Paul Blofis, namorado da minha mãe, estava de pé no portão da escola, recebendo os futuros alunos do primeiro ano do ensino médio à medida que subiam os degraus. Com seus cabelos grisalhos, roupa de brim e casaco de couro, parecia um ator de tevê, mas ele era só um professor de inglês. Paul conseguira convencer a Goode High School a me aceitar no primeiro ano, apesar de eu ter sido expulso de todas as escolas que frequentei. Tentei avisá-lo de que aquela não era uma boa ideia, mas ele não me deu ouvidos.

Olhei para minha mãe.

— Você não contou a ele a verdade sobre mim, contou?

Ela tamborilava os dedos nervosamente no volante. Estava vestida para uma entrevista de emprego — seu melhor vestido azul e sapatos de salto alto.

— Pensei que seria melhor esperarmos — ela admitiu.

— Para não o espantarmos.

— Tenho certeza de que vai dar tudo certo na visita de orientação, Percy. É só uma manhã.

— Ótimo — murmurei. — Posso ser expulso antes mesmo de começar o ano letivo.

— Pense positivo. Amanhã você vai para o acampamento! Depois da orientação, você tem o encontro…

— Não é um encontro! — protestei. — É só a Annabeth, mãe. Poxa!

— Ela está vindo do acampamento até aqui para ver você.

— É, eu sei.

— Vocês vão ao cinema.

— Sim.

— Só os dois.

— Mãe!

Ela ergueu as mãos em sinal de rendição, mas eu podia ver que estava fazendo força para não rir.

— É melhor entrar, querido. Até a noite.

Eu estava prestes a sair do carro quando olhei para a escadaria da escola. Paul Blofis cumprimentava uma garota de cabelos ruivos frisados. Ela vestia uma camiseta marrom e um jeans surrado customizado com desenhos feitos com caneta hidrográfica. Quando se virou, vi seu rosto de relance, e os pelos do meu braço se eriçaram.

— Percy? — chamou minha mãe. — O que foi?

— N-nada — gaguejei. — A escola tem uma entrada lateral?

— Descendo a rua, à direita. Por quê?

— Até mais tarde.

Mamãe começou a dizer algo, mas saltei do carro e corri, torcendo para que a garota ruiva não me visse.

O que ela estava fazendo ali? Nem mesmo a minha sorte poderia ser assim tão ruim.

Pois, sim. Eu estava prestes a descobrir que minha sorte poderia ser muito pior.

Entrar sorrateiramente na escola não deu muito certo. Duas líderes de torcida de uniforme roxo e branco estavam na entrada lateral, esperando para emboscar os calouros.

— Oi! — Elas sorriram, e eu deduzi que aquela era a primeira e a última vez que uma líder de torcida seria tão simpática comigo. Uma delas era loura, com gélidos olhos azuis. A outra era afro-americana, com cabelos escuros e enroscados como o da Medusa (e, pode acreditar, eu sei do que estou falando). Ambas tinham o nome bordado em letras cursivas no uniforme, mas, com a minha dislexia, as palavras pareciam espaguete, sem nenhum sentido.

— Bem-vindo à Goode — disse a loura. — Você vai amar muito isso aqui.

Mas, enquanto me olhava de cima a baixo, sua expressão parecia dizer algo como: Argh, quem é este perdedor?

A outra garota se aproximou tanto que me senti desconfortável. Examinei o bordado em seu uniforme e consegui decifrar Kelli. Ela cheirava a rosas e a algo que reconheci das aulas de equitação no acampamento — o cheiro de cavalos recém-lavados. Era um perfume estranho para uma líder de torcida. Talvez tivesse um cavalo, ou algo assim. De qualquer modo, ela estava tão perto de mim que tive a sensação de que ia tentar me empurrar escada abaixo.

— Qual o seu nome, calo?

— Calo?

— Calouro.

— Hã, Percy.

As garotas trocaram olhares.

— Ah, Percy Jackson — disse a loura. — Estávamos à sua espera.

Isso fez um intenso arrepio de Ah, não! percorrer minha espinha. Elas estavam bloqueando a entrada, sorrindo de uma forma nada amistosa. Minha mão instintivamente se dirigiu ao bolso onde eu guardava minha caneta esferográfica letal, Contracorrente.

Então outra voz veio do interior do prédio:

— Percy? — Era Paul Blofis, de algum ponto adiante no corredor.

Eu nunca me sentira tão feliz por ouvir a voz dele.

As líderes de torcida recuaram. Eu estava tão ansioso em passar por elas que acidentalmente esbarrei o joelho na coxa de Kelli.

Clang.

Sua perna emitiu um ruído metálico e oco, como se eu tivesse acabado de atingir o mastro de uma bandeira.

— Ai — murmurou ela. — Preste atenção, calo.

Olhei para baixo, mas aquela parecia uma perna comum. Eu estava apavorado demais para fazer perguntas. Avancei apressadamente para o corredor, as duas garotas rindo atrás de mim.

— Aí está você! — exclamou Paul. — Bem-vindo à Goode!

— Ei, Paul… hã, sr. Blofis. — Olhei para trás, mas as líderes de torcida esquisitas haviam desaparecido.

— Percy, você está com cara de quem viu fantasma.

— É, hã…

— Ouça, eu sei que está nervoso, mas não se preocupe. — Paul me deu um tapinha nas costas. — Temos uma porção de garotos aqui com dislexia, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Os professores sabem como ajudar.

Eu quase tive vontade de rir. Como se meus maiores problemas fossem a dislexia, o transtorno de déficit de atenção e a hiperatividade… Bem, eu sabia que Paul estava tentando ajudar, mas, se eu lhe contasse a verdade, ou ele pensaria que eu estava louco ou sairia correndo e gritando. Aquelas líderes de torcida, por exemplo — eu estava com um mau pressentimento em relação a elas…

Então olhei mais adiante no corredor e me lembrei de que havia outro problema. A garota ruiva que eu vira na escadaria da frente estava passando pela entrada principal.

Não me veja, rezei.

Mas ela me viu. Seus olhos se arregalaram.

— Onde é a orientação? — perguntei a Paul.

— No ginásio. Por ali. Mas…

— Tchau.

— Percy? — ele chamou, mas eu já estava correndo.

Pensei que a tivesse despistado.

Um grupo de garotos e garotas estava seguindo para o ginásio, e logo eu era apenas um entre os trezentos adolescentes de 14 anos amontoados nas arquibancadas. Uma banda tocava um grito de guerra da escola, que soava desafinado como se alguém estivesse batendo em um saco de gatos com um taco de beisebol de metal. Garotos mais velhos, provavelmente membros do grêmio estudantil, estavam lá na frente, apresentando o uniforme da Goode, com cara de: Ei, nós somos o máximo. Professores circulavam no local, sorrindo e apertando a mão dos alunos. As paredes do ginásio estavam cobertas por grandes bandeiras roxas e brancas onde se lia: Bem-vindos, futuros alunos do primeiro ano, a Goode é legal, somos todos uma família, e um monte de outros slogans alegres que me davam vontade de vomitar.

Nenhum dos outros futuros alunos tampouco parecia entusiasmado por estar ali; afinal, apresentar-se aos orientadores em junho — enquanto as aulas só começam em setembro — não é nada legal. Mas na Goode “Preparamos para a excelência cedo!”. Pelo menos era o que dizia o folheto.

A banda parou de tocar. Um sujeito de terno de risca de giz dirigiu-se ao microfone e começou a falar, mas o som reverberava pelo ginásio e eu não tinha a menor ideia do que ele estava dizendo. Daria no mesmo se ele estivesse gargarejando.

Alguém agarrou meu ombro.

— O que você está fazendo aqui?

Era ela: meu pesadelo ruivo.

— Rachel Elizabeth Dare — eu disse.

O queixo dela caiu, como se não pudesse acreditar que eu tivera a ousadia de me lembrar de seu nome.

— E você é Percy não sei de quê. Não cheguei a saber seu nome todo dezembro passado, quando você tentou me matar.

— Olhe, eu não estava… eu não queria… O que você está fazendo aqui?

— O mesmo que você, eu acho. Orientação.

— Você mora em Nova York?

— Por quê? Achou que eu morasse na Barragem de Hoover?

Aquilo nunca me ocorrera. Sempre que eu pensava nela (e não estou dizendo que eu pensava; ela só me passava pela cabeça de tempos em tempos, está bem?), imaginava que morasse perto da Barragem de Hoover, já que fora lá que eu a conhecera. Havíamos passado acho que uns dez minutos juntos, e nesse meio-tempo eu acidentalmente a golpeara com uma espada, ela salvara minha vida e eu fugira correndo, perseguido por um bando de máquinas assassinas sobrenaturais. Sabe, um encontro assim… bem comum.

Um garoto atrás de nós murmurou:

— Ei, calem a boca. As líderes da torcida estão falando!

— Oi, pessoal! — disse efusivamente uma garota ao microfone. Era a loura que eu vira na entrada. — Meu nome é Tammi, e esta é, bem, Kelli. — Kelli deu uma estrela.

A meu lado, Rachel gritou como se alguém a tivesse espetado com um alfinete. Alguns garotos olharam na direção dela e soltaram uma risadinha abafada, mas Rachel continuou encarando fixamente as líderes de torcida, aterrorizada. Tammi não pareceu perceber a agitação. Ela começou a falar sobre todas as atividades maravilhosas nas quais poderíamos nos envolver em nosso primeiro ano.

— Corra — disse-me Rachel. — Agora.

— Por quê?

Ela não explicou. Abriu caminho até a lateral da arquibancada, ignorando os professores de testa franzida e os resmungos dos alunos nos quais pisava.

Eu hesitei. Tammi estava explicando que nos dividiríamos em pequenos grupos e faríamos um tour pela escola. O olhar de Kelli encontrou o meu e ela me dirigiu um sorriso divertido, como se estivesse esperando para ver o que eu ia fazer. Ficaria mal se eu saísse naquele momento. Paul Blofis estava lá embaixo com os outros professores. Ele ficaria imaginando qual era o problema.

Então pensei em Rachel Elizabeth Dare, e na habilidade especial que ela demonstrara no último inverno na Barragem de Hoover. Ela conseguira enxergar um grupo de seguranças que não eram guardas de verdade, não eram nem humanos. Com o coração batendo forte, eu me levantei e a segui, saindo do ginásio.

Encontrei Rachel na sala de música. Ela estava escondida atrás de um tambor, na seção de percussão.

— Venha até aqui! — chamou. — Mantenha a cabeça baixa!

Eu me senti bastante bobo escondido atrás de alguns bongôs, mas me agachei ao lado dela.

— Elas seguiram você? — perguntou Rachel.

— Está se referindo às líderes de torcida?

Ela assentiu, nervosa.

— Acho que não — eu disse. — O que elas são? O que foi que você viu?

Seus olhos verdes brilhavam de medo. As sardas salpicadas no rosto me lembravam constelações. Sua camiseta marrom dizia Departamento de Arte de Harvard.

— Você… você não iria acreditar em mim.

— Ah, iria sim — garanti. — Sei que consegue ver através da Névoa.

— Do quê?

— Da Névoa. É… bem, é como um véu que esconde o que as coisas são de verdade. Alguns mortais nascem com a habilidade de enxergar através dela. Como você.

Ela me olhou com atenção.

— Você fez isso na Barragem de Hoover. Disse que eu era mortal. Como se você não fosse.

Tive vontade de dar um soco em um bongô. O que eu estava pensando? Nunca conseguiria explicar. Não deveria nem estar tentando.

— Fale para mim — ela implorou. — Você sabe o que isso quer dizer. Todas essas coisas horríveis que eu vejo?

— Olhe, isso vai soar estranho. Você sabe alguma coisa sobre mitologia grega?

— Como… o Minotauro e a Hidra?

— Sim, mas tente não dizer esses nomes quando eu estiver por perto, o.k.?

— E como as Fúrias — continuou ela, animando-se. — E como as sereias, e…

— O.k.! — Dei uma olhada pela sala de música, certo de que Rachel ia fazer um bando de criaturas asquerosas e sedentas de sangue pular das paredes; mas ainda estávamos sozinhos. Mais à frente, no corredor, ouvi um grupo de garotos saindo do ginásio. Estavam começando o tour. Não tínhamos muito tempo para conversar.

— Todos aqueles monstros — eu disse —, todos os deuses gregos… eles são de verdade!

— Eu sabia!

Teria me sentido mais à vontade se ela tivesse me chamado de mentiroso, mas a expressão de Rachel mostrava que eu acabara de confirmar suas piores suspeitas.

— Você não sabe como é difícil — disse ela. — Durante anos pensei que estivesse ficando maluca. Eu não podia contar a ninguém. Não podia… — Seus olhos se estreitaram. — Peraí. Quem é você? Quer dizer, de verdade?

— Eu não sou um monstro.

— Bem, disso eu sei. Eu veria se você fosse. Você parece… você. Mas não é humano, é?

Engoli em seco. Embora tivesse tido três anos para me acostumar a ser quem era, eu nunca havia falado a respeito disso com um mortal comum — isto é, exceto com minha mãe, mas ela já sabia. Não sei por quê, mas resolvi me arriscar.

— Sou um meio-sangue — eu disse. — Sou metade humano.

— E metade o quê?

Nesse momento Tammi e Kelli entraram na sala de música. As portas se fecharam atrás delas com estrondo.

— Aí está você, Percy Jackson — disse Tammi. — Chegou a hora da sua orientação.

— Elas são horríveis! — suspirou Rachel.

Tammi e Kelli ainda usavam o uniforme roxo e branco de líderes de torcida, segurando os pompons da apresentação.

— Qual é a aparência real delas? — perguntei, mas Rachel parecia perplexa demais para responder.

— Ah, deixe ela para lá! — Tammi me lançou um sorriso brilhante e começou a caminhar na minha direção. Kelli permaneceu na porta, bloqueando nossa saída.

Elas nos haviam apanhado em uma armadilha. Eu sabia que teríamos de lutar para escapar, mas o sorriso de Tammi era tão deslumbrante que me distraía. Seus olhos azuis eram lindos, e o modo como os cabelos balançavam nos ombros…

— Percy — advertiu Rachel.

Eu disse algo muito inteligente, do tipo:

— Hein?

Tammi estava se aproximando. Ela estendeu os pompons.

— Percy! — A voz de Rachel parecia vir de um lugar muito distante. — Dê o fora daí!

Precisei usar toda a minha força de vontade, mas consegui pegar a caneta no bolso e destampá-la. Contracorrente então se transformou em uma espada de bronze de noventa centímetros, a lâmina brilhando com uma suave luz dourada. O sorriso de Tammi tornou-se uma expressão de escárnio.

— Ah, pare com isso! — protestou ela. — Você não precisa disso. Que tal um beijo, em vez dessa coisa?

Ela cheirava a rosas e a pelo limpo de animal — um aroma estranho, mas de alguma forma intoxicante.

Rachel beliscou meu braço com força.

— Percy, ela quer morder você! Olhe para ela!

— Ela só está com ciúme. — Tammi olhou na direção de Kelli. — Posso, senhora?

Kelli ainda estava bloqueando a porta, lambendo os lábios, faminta.

— Vá em frente, Tammi. Está indo bem.

Tammi avançou mais um passo, mas apontei a espada contra seu peito.

— Para trás!

Ela rosnou.

— Calouros — disse, com desprezo. — Esta é a nossa escola, meio-sangue. Nós nos alimentamos de quem escolhemos!

Então ela começou a ficar diferente. A cor se esvaiu de seu rosto e de seus braços. A pele se tornou branca como giz, os olhos, completamente vermelhos. Os dentes cresceram e viraram presas.

— Uma vampira! — balbuciei. Então notei suas pernas. Abaixo da saia do uniforme, a perna esquerda era marrom e peluda, com um casco de burro. A direita tinha o formato de uma perna humana, mas era feita de bronze. — Hã, uma vampira com…

— Não fale das pernas! — disse Tammi. — É grosseiro zombar disso!

Ela avançou com suas pernas estranhas, descombinadas. Parecia totalmente bizarra, mais ainda com os pompons, mas eu não conseguia rir — não encarando aqueles olhos vermelhos e as presas afiadas.

— Uma vampira, você disse? — Kelli riu. — Essa lenda boboca foi inspirada em nós, seu tolo. Somos empousai, servas de Hécate.

— Hummm. — Tammi aproximou-se ainda mais. — A magia negra nos criou a partir de um animal, do bronze e de fantasmas! Existimos para nos alimentar do sangue de homens jovens. Agora venha e me dê aquele beijo!

Ela mostrou as presas. Fiquei paralisado, sem conseguir me mover, mas Rachel jogou um tarol na cabeça da empousa.

O demônio sibilou e, com um golpe, desviou o tarol, que foi rolando pelos corredores entre os suportes de partituras, as molas chocalhando de encontro ao couro. Rachel lançou então um xilofone, mas o demônio também o desviou com um tapa.

— Geralmente não mato garotas — grunhiu Tammi. — Mas para você, mortal, vou abrir uma exceção. Você enxerga um pouquinho demais!

Ela investiu contra Rachel.

— Não! — Desferi um golpe com Contracorrente. Tammi tentou esquivar-se à lâmina, mas consegui perfurar seu uniforme de líder de torcida, e com um gemido horrível ela explodiu em uma nuvem de pó sobre Rachel.

Rachel tossiu. Parecia que tinham acabado de jogar um saco de farinha em cima dela.

— Que nojo!

— Isso acontece com os monstros — eu disse. — Desculpe-me.

— Você matou minha estagiária! — gritou Kelli. — Precisa de uma lição sobre espírito esportivo, meio-sangue!

Então ela também começou a se transformar. Os cabelos crespos tornaram-se chamas bruxuleantes. Os olhos ficaram vermelhos. As presas cresceram. Ela veio em nossa direção, o pé de bronze e o casco ressoando descompassados no piso da sala de música.

— Eu sou a empousa sênior — grunhiu. — Nenhum herói me derrota há mil anos.

— Mesmo? — perguntei. — Então já passou da validade!

Kelli era bem mais rápida que Tammi. Esquivou-se ao meu primeiro golpe e rolou para a seção de metais, derrubando uma fileira de trombones com um ruído altíssimo. Rachel saiu do caminho. Coloquei-me entre ela e a empousa. Kelli nos rodeou, os olhos indo de mim para a espada.

— Uma laminazinha tão linda — disse ela. — Que pena que está entre nós dois.

Sua forma tremeluzia — às vezes um demônio, às vezes uma linda líder de torcida. Eu tentava manter a mente focada, mas aquilo era muito perturbador.

— Pobrezinho — riu Kelli. — Você não sabe nem o que está acontecendo, não é? Logo seu lindo acampamentozinho estará em chamas, seus amigos se tornarão escravos do Senhor do Tempo, e não há nada que possa fazer para evitar isso. Seria até misericordioso dar um fim à sua vida agora, antes que tenha tempo de assistir a tudo.

Eu ouvia vozes vindo do fim do corredor. Um grupo fazendo o tour se aproximava. Um homem falava algo sobre combinação de cadeados.

Os olhos da empousa se iluminaram.

— Excelente! Vamos ter companhia!

Ela apanhou uma tuba e a lançou contra mim. Rachel e eu nos abaixamos. A tuba voou sobre nossas cabeças e quebrou a janela.

As vozes no corredor se calaram.

— Percy! — gritou Kelli, fingindo-se assustada. — Por que você atirou aquilo?

Eu estava surpreso demais para responder. Kelli pegou um suporte de partitura e atingiu uma fileira de clarinetas e flautas. Cadeiras e instrumentos musicais desabaram no chão com um estrondo.

— Pare! — eu gritei.

As pessoas agora disparavam pelo corredor, vindo em nossa direção.

— Hora de cumprimentar os nossos visitantes! — Kelli arreganhou as presas e correu para as portas. Fui atrás dela com Contracorrente. Precisava evitar que ela ferisse os mortais.

— Percy, não! — gritou Rachel. Mas eu não percebi o que Kelli pretendia até que fosse tarde demais.

Kelli abriu as portas. Paul Blofis e um grupo de calouros recuaram, em choque. Eu ergui minha espada.

No último segundo, a empousa se virou para mim como uma vítima apavorada.

— Ah, não, por favor! — gritou.

Eu não podia parar a lâmina, que já estava em movimento.

Segundos antes de o bronze celestial atingi-la, Kelli explodiu em chamas como um coquetel molotov. Ondas de fogo lançaram-se sobre tudo. Eu nunca vira um monstro fazer algo assim, mas não tinha tempo para pensar no assunto. Recuei para a sala de música enquanto as chamas engoliam o vão de entrada.

— Percy? — Paul Blofis parecia totalmente atônito, fitando-me através do fogo. — O que você fez?

Adolescentes gritavam e corriam pelo corredor. O alarme de incêndio soava. Os sprinklers no teto silvavam, ganhando vida.

Em meio ao caos, Rachel me puxou pela manga da camisa.

— Você precisa sair daqui!

Ela estava certa. A escola estava em chamas e a culpa seria atribuída a mim. Os mortais não conseguiam ver com perfeição através da Névoa. Para eles, pareceria que eu atacara uma garota indefesa diante de um grupo de testemunhas. Não havia como eu explicar. Dei as costas para Paul e disparei para a janela da sala de música destruída.

Saí da viela na 81 Leste e dei de cara com Annabeth.

— Ei, você saiu cedo! — Ela riu, agarrando meus ombros para evitar que eu me estatelasse no chão. — Olhe para onde está indo, Cabeça de Alga.

Por uma fração de segundo ela estava de bom humor e tudo corria bem. Vestia jeans e a camisa laranja do acampamento, e usava o colar de contas de cerâmica. O cabelo louro estava preso em um rabo de cavalo. Os olhos cinzentos brilhavam. Ela parecia pronta para ir ao cinema e passar uma tarde divertida comigo.

Então Rachel Elizabeth Dare, ainda coberta de poeira de monstro, veio correndo pela viela, gritando:

— Percy, espere!

O sorriso de Annabeth se desfez. Ela olhou para Rachel e, em seguida, para a escola. Foi então que pareceu notar a fumaça negra e o som dos alarmes de incêndio.

Ela me olhou, franzindo a testa.

— O que foi que você fez dessa vez? E quem é essa?

— Ah, Rachel… Annabeth. Annabeth… Rachel. Hã, ela é uma amiga, acho.

Eu não sabia ao certo como chamar Rachel. Quer dizer, eu mal a conhecia, mas, depois de estarmos juntos duas vezes em situações de vida ou morte, eu não podia simplesmente dizer que ela não era ninguém.

— Oi — disse Rachel, e então se virou para mim: — Você está muito encrencado. E ainda me deve uma explicação!

As sirenes da polícia gemiam na FDR Drive.

— Percy — Annabeth falou com frieza. — Precisamos ir.

— Quero saber mais sobre meios-sangues — insistiu Rachel. — E monstros. E essa história dos deuses. — Ela agarrou meu braço, pegou uma caneta permanente e escreveu um número de telefone em minha mão. — Vai me ligar e explicar tudo, o.k.? Você me deve isso. Agora vá.

— Mas…

— Vou inventar uma história — disse Rachel. — Vou dizer a eles que não foi culpa sua. Mas vá!

Ela voltou correndo para a escola, deixando-me na rua com Annabeth.

Annabeth me encarou por um segundo. Então se virou e começou a correr.

— Ei! — Fui atrás dela. — Lá dentro tinha duas empousai — tentei explicar. — Eram líderes de torcida, sabe, e disseram que o acampamento ia pegar fogo, e…

— Você contou a uma garota mortal sobre os meios-sangues?

— Ela pode ver através da Névoa. Viu os monstros antes que eu os notasse.

— Então você contou a ela a verdade.

— Ela me reconheceu da Barragem de Hoover…

— Você a tinha encontrado antes?

— Hã… O inverno passado. Mas, sério, eu mal a conheço.

— Ela é bem bonitinha.

— Eu… eu nunca reparei nisso.

Annabeth continuava andando na direção da avenida York.

— Vou resolver a história da escola — prometi, ansioso para mudar de assunto. — De verdade, vai ficar tudo bem.

Annabeth nem mesmo me olhava.

— Acho que nossa tarde já era. É melhor tirarmos você daqui, agora que a polícia vai sair à sua procura.

Atrás de nós, a fumaça se erguia da Goode High School em ondas. Na coluna escura de cinzas tive a impressão de quase enxergar um rosto — um demônio feminino, de olhos vermelhos, rindo de mim.

Seu lindo acampamentozinho em chamas, dissera Kelli. Seus amigos transformados em escravos do Senhor do Tempo.

— Você tem razão — disse a Annabeth, com o coração apertado. — Precisamos ir para o Acampamento Meio-Sangue. Agora.

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Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Fevereiro 01, 2010

O Estado de São Paulo

Livro O Simbolo Perdido

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Ficção

01 O SÍMBOLO PERDIDO
Dan Brown . leia um trecho do livro
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02 A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro
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03 AMANHECER (4º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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04 ECLIPSE (3º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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05 OS ESPIÕES
Luis Fernando Verissimo . leia um trecho do livro
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06 O LADRÃO DE RAIOS (1º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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07 O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
John Boyne . leia um trecho do livro
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08 DIÁRIOS DO VAMPIRO 1 – O DESPERTAR
L.J. Smith . leia um trecho do livro
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09 CAIM
José Saramago
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10 A SENHORA DO JOGO
Sidney Sheldon
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.
.

Livro Se Abrindo Pra Vida

.
Não-Ficção

01 SE ABRINDO PRA VIDA
Zibia Gasparetto
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02 COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro
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03 POR QUE OS HOMENS AMAM AS MULHERES PODEROSAS?
Sherry Argov
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04 O VERDADEIRO PODER
Vicente Falconi
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05 MENTES PERIGOSAS – O PSICOPATA MORA AO LADO
Ana Beatriz Barbosa Silva
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06 GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO BRASIL
Leandro Narloch
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07 HONORÁVEIS BANDIDOS
Palmério Dória
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08 O ANDAR DO BÊBADO
Leonard Mlodinow . leia um trecho do livro
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09 O MONGE E O EXECUTIVO
James C. Hunter . leia um trecho do livro
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10 MAIS VOCÊ 10 ANOS
Ana Maria Braga
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Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Janeiro 18, 2010

O Estado de São Paulo

Livro O Simbolo Perdido

.
Ficção

01 O SÍMBOLO PERDIDO
Dan Brown . leia um trecho do livro
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02 A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro
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03 AMANHECER (4º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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04 ECLIPSE (3º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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05 CREPÚSCULO (1º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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06 LUA NOVA (2º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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07 CAIM
José Saramago
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08 DIÁRIOS DO VAMPIRO 1 – O DESPERTAR
L.J. Smith . leia um trecho do livro
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09 A HOSPEDEIRA
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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10 DIÁRIOS DO VAMPIRO 2 – O CONFRONTO
L.J. Smith
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.
.

Livro Se Abrindo Pra Vida

.
Não-Ficção

01 SE ABRINDO PRA VIDA
Zibia Gasparetto
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02 POR QUE OS HOMENS AMAM AS MULHERES PODEROSAS?
Sherry Argov
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03 COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro
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04 MENTES PERIGOSAS – O PSICOPATA MORA AO LADO
Ana Beatriz Barbosa Silva
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05 O VERDADEIRO PODER
Vicente Falconi
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06 MAIS VOCÊ 10 ANOS
Ana Maria Braga
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07 UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro
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08 O MONGE E O EXECUTIVO
James C. Hunter . leia um trecho do livro
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09 O ANDAR DO BÊBADO
Leonard Mlodinow . leia um trecho do livro
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10 HONORÁVEIS BANDIDOS
Palmério Dória
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Trecho do Livro: Para Sempre – Os Imortais | Alyson Noel
Livro Para Sempre Os Imortais
Autora: Alyson Noel
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788598078625

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As cores da aura e seus significados:

Vermelho: energia, força, raiva, paixão, medo, ego
Laranja: autocontrole, ambição, coragem, poder de reflexão, desânimo, apatia
Amarelo: otimismo, felicidade, intelectualidade, amizade, indecisão, vulnerabilidade à influência alheia
Verde: serenidade, poder de cura, compaixão, farsa, ciúme
Azul: espiritualidade, lealdade, criatividade, sensibilidade, generosidade, humor instável
Violeta: alta espiritualidade, sabedoria, intuição
Índigo: benevolência, intuição apurada, busca existencial
Rosa: amor, sinceridade, amizade
Cinza: depressão, tristeza, cansaço, falta de energia, ceticismo
Marrom: ambição, egoísmo, opiniões fortes
Preto: falta de energia, doença, morte iminente
Branco: equilíbrio perfeito

—–

— Adivinha!

As mãos quentes e úmidas de Haven apertam minhas bochechas, e seu anel, um crânio de prata escurecido, deixa uma marca de sujeira sobre minha pele. E mesmo que meus olhos estejam cobertos e fechados, sei que os cabelos dela, tingidos de preto, estão partidos ao meio; um espartilho de vinil preto se sobrepõe a uma blusa de gola rulê — mantendo-se em conformidade com o código de vestimenta de nossa escola; a saia comprida de cetim preto, apesar de nova, já tem um furo próximo à bainha, de quando ela pisou com o bico das botas Doc Martens; os olhos parecem dourados, mas só porque ela está usando lentes de contato amarelas.

Também sei que o pai dela não está viajando “a trabalho”, como ele mesmo disse; que o personal trainer de sua mãe é muito mais “personal” que “trainer” e que o irmão caçula quebrou um CD dela, do Evanescence, e agora está com medo de contar.

Mas não sei isso tudo porque andei bisbilhotando a vida dela, nem porque alguém me contou. Sei porque tenho poderes sobrenaturais.

— Anda logo, adivinha! Daqui a pouco o sinal vai tocar! — ela diz com a voz rouca.

Enrolo um pouco enquanto penso na última pessoa com quem ela gostaria de ser confundida.

— Hilary Duff?

— Eca! Vai, tenta de novo. — Ela aperta ainda mais forte, nem sequer desconfiando de que não preciso ver para saber.

— Será a sra. Marilyn Manson?

Ela ri e desencosta as mãos, e então lambe o polegar para apagar a tatuagem de sujeira em minha bochecha, mas levanto o braço antes que ela possa me alcançar. Não porque tenha nojo da saliva dela (quer dizer, sei que Haven não tem doença nenhuma), mas porque não quero que encoste em mim novamente. O toque humano é muito revelador, muito cansativo, então procuro evitá-lo a todo o custo.

Com um gesto rápido, ela tira o capuz de minha cabeça e aperta os olhos ao ver meus fones de ouvido.

— O que você está ouvindo?

Levo a mão ao bolsinho para iPod que costurei no capuz de todos os meus moletons (para esconder dos professores os tão conhecidos fiozinhos brancos) e entrego a ela o aparelho.

— Puxa… — ela diz com os olhos arregalados. — Quer dizer, que barulheira é essa? Quem é que está cantando isso?

Haven se curva para que nós duas possamos ouvir Sid Vicious berrando sobre a anarquia no Reino Unido. Na verdade, nem sei se ele é a favor ou contra. Sei apenas que berra o suficiente para dar uma acalmada em meus supersentidos.

— Sex Pistols — respondo, desligando o iPod e guardando-o de volta no esconderijo.

— Nem sei como você pôde me ouvir. — Haven sorri ao mesmo tempo que o sinal toca.

Simplesmente dou de ombros. Não preciso escutar para ouvir. Claro, não é isso que digo a ela. Falo apenas que a gente vai se ver de novo na hora do almoço e vou para minha aula, atravessando o campus da escola e encolhendo-me ao intuir os dois garotos que se aproximam pelas costas de Haven e pisam a bainha da saia dela — por pouco não a fazem cair. Mas quando ela se vira para trás, faz o sinal do Mal (certo, não é o sinal do Mal, mas algo que ela mesma inventou) e os encara com aqueles olhos amarelos, eles imediatamente se afastam e a deixam em paz. Quanto a mim, suspiro aliviada e entro na sala de aula, sabendo que não vai demorar muito até que eu deixe de sentir a energia persistente do toque de Haven.

A caminho de minha carteira, no fundo da sala, desvio-me da bolsa que Stacia Miller deixou de propósito em meu caminho e ignoro a serenata — “Per-de-do-ra!” — que ela diariamente sussurra ao me ver. Em seguida, acomodo-me na carteira, tiro livro, caderno e caneta da mochila, coloco os fones de ouvido, visto o capuz, jogo a mochila na carteira vazia a meu lado e espero pela chegada do sr. Robins.

O sr. Robins está sempre atrasado. Sobretudo porque gosta de tomar uns goles de seu cantil de prata entre uma aula e outra. Mas bebe apenas porque a mulher grita com ele o tempo todo, a filha o considera um fracassado e ele, quase sempre, detesta a própria vida. Descobri tudo isso em meu primeiro dia nesta escola, quando acidentalmente toquei na mão dele ao entregar o formulário de transferência. Agora, portanto, sempre que tenho de lhe entregar algo, deixo na beirada da mesa.

Fecho os olhos e espero, enquanto meus dedos deslizam pelo moletom, a fim de trocar o barulhento Sid Vicious por algo mais leve, mais tranquilo. A gritaria de Sid não é mais necessária agora que estou na sala de aula. Acho que a relação entre professor e alunos ajuda a conter, pelo menos até certo ponto, minha energia mediúnica.

Nem sempre fui essa bizarrice que sou hoje. Já fui uma adolescente normal, do tipo que ia às festinhas da escola, se apaixonava por celebridades e tinha tanto orgulho dos cabelos louros que jamais pensaria em prendê-los num rabo de cavalo ou escondê-los sob um capuz. Eu tinha mãe, pai, uma irmã caçula chamada Riley e uma cadela labrador amarela, fofíssima, de nome Buttercup. Morava numa casa agradável, num bairro bacana de Eugene, no Oregon. Era popular, feliz e mal podia esperar para chegar ao segundo ano, pois tinha acabado de me tornar chefe de torcida da principal equipe da escola. Minha vida era completa, e o céu era o limite. Essa história de céu pode ser um tanto gasta, mas, no meu caso, ironicamente, é também a mais pura verdade.

No entanto, sei tudo isso apenas por ouvir dizer, pois desde o acidente só me lembro claramente de uma coisa: eu morri.

Tive o que as pessoas chamam de “experiência de quase-morte”, ou EQM. Acontece que as pessoas estão erradas. Podem acreditar, não houve nada de “quase” no que me aconteceu. Foi assim: num instante, Riley e eu estávamos no banco de trás do SUV do papai, Buttercup com a cabeça pousada no colo de minha irmã e o rabo batendo suavemente em minha perna, e a próxima lembrança… os airbags inflados, o carro inteiramente destruído, e eu lá, assistindo a tudo do lado de fora.

Olhando para os destroços — os estilhaços de vidro, as portas amassadas, o para-choque dianteiro agarrado ao tronco de um pinheiro num abraço letal —, fiquei me perguntando o que poderia ter acontecido de errado, esperando e suplicando que todos tivessem conseguido sair dali como eu. De repente, ouvi um latido familiar; virei para trás e vi minha família seguindo por um caminho, guiada por Buttercup, que abanava o rabo.

Fui ao encontro deles. De início, tentei correr e alcançá-los, mas depois fui mais devagar, querendo me demorar e passear por aquele campo vasto e perfumado de árvores e flores vibrantes que tremeluziam, e apertando os olhos diante da névoa deslumbrante que refletia e brilhava intensamente, iluminando tudo.

Prometi a mim mesma que seria rápido, que logo voltaria para encontrar minha família. Mas, quando enfim olhei, só deu tempo de, num relance, eles sorrirem e acenarem para mim ao atravessarem uma ponte, sumindo de vista pouco depois.

Entrei em pânico. Olhando para todas as direções, comecei a correr de um lado para o outro, mas tudo parecia igual: uma névoa sem fim, tépida, branca, brilhante, iluminada, bonita e estúpida. Então, caí no chão e fiquei ali, morrendo de frio, chorando, gritando, xingando, implorando, fazendo promessas que sabia jamais poder cumprir.

Foi então que ouvi alguém dizer:

— Ever? É esse seu nome? Abra os olhos e olhe para mim.

Aos tropeços, voltei para a superfície, onde tudo era dor e sofrimento, e minha testa porejava de tanta dor, uma dor lancinante. Então olhei fixamente para o sujeito que se curvava sobre mim, dentro de seus olhos escuros, e sussurrei:

— Sim, sou Ever. — E desmaiei outra vez.

—–

Segundos antes de o sr. Robins entrar na sala baixei o capuz, desliguei o iPod e fingi ler meu livro, sem me dar o trabalho de levantar a cabeça quando ele disse:

— Pessoal, este é Damen Auguste. Acabou de se mudar do Novo México. Muito bem, Damen, pode se sentar lá atrás, ao lado da Ever. Vai ter de acompanhar com o livro dela até comprar o seu.

Damen é lindo. Sei disso sem precisar espiá-lo nem uma única vez. Mantenho os olhos cravados no livro enquanto ele anda para os fundos da sala, pois já conheço minha turma como a palma de minha mão. No que me diz respeito, um pouquinho de ignorância até que não seria mau.

Mas, segundo os pensamentos mais recônditos de Stacia Miller, sentada apenas duas filas à minha frente, Damen Auguste é um espetáculo!

A melhor amiga dela, Honor, concorda em gênero, número e grau.

Assim como o Craig, namorado da tal Honor, mas isso já é outra história.

— Oi. — Damen se espreme na carteira a meu lado, minha mochila produzindo um baque surdo ao ser jogada no chão.

Retribuo o cumprimento com um aceno de cabeça, recusando-me a olhar além das botas de motoqueiro dele. Lustrosas e pretas, muito mais para revista de moda que para Hells Angels. Bem diferentes da profusão de chinelos coloridos que salpica o carpete verde da sala.

O sr. Robins pede que a gente abra o livro na página 133, e Damen se inclina em minha direção.

— Posso acompanhar com você? — diz.

Apavorada com tanta proximidade, hesito um pouco, mas depois empurro o livro até a beirada de minha carteira, o mais longe que consigo sem derrubá-lo no chão. E quando ele arrasta sua cadeira para perto, ocupando o pouco espaço que havia entre nós, deslizo para a extremidade oposta da minha, o mais longe possível. E novamente me escondo sob o capuz.

Damen ri baixinho. Como ainda não olhei para ele, não faço a menor ideia do que isso possa significar. Foi um risinho discreto e gostoso, mas talvez tivesse um duplo sentido qualquer.

Afundo na carteira ainda mais, a cabeça apoiada em uma das mãos, os olhos fixos no relógio e determinada a ignorar todos os olhares e comentários maldosos desferidos contra mim. Tais como: Coitado do novato bonitão… ter de se sentar ao lado da esquisitona! É mais ou menos isso o que passa pela cabeça de Stacia, Honor, Craig… e de quase todo mundo na sala.

Bem, todo mundo menos o sr. Robins, que, como eu, não vê a hora de chegar o fim da aula.

No almoço, ninguém fala de outro assunto que não seja Damen.

Já viu o aluno novo? Que gato, hem?… É… Ouvi dizer que é do México… Do México, não, da Espanha… Tanto faz, de um outro país qualquer… É claro que vou convidar ele pro Baile de Inverno… Mas você nem conhece o cara ainda!… Fique tranquila, porque vou conhecer…

— E aí, amiga? Já viu o tal de Damen? O que acabou de chegar! — Haven se senta a meu lado e espia através da franja, que de tão comprida chega a roçar os lábios pintados de vermelho.

— Ah!, não, você também, não… — Balanço a cabeça e cravo os dentes em minha maçã.

— Aposto que você não diria isso se tivesse tido o privilégio de ver o cara — ela diz, retirando o cupcake de baunilha da caixa de papelão rosa e lambendo a cobertura de glacê, tal como faz todos os dias, embora ela se vista como alguém que não hesitaria nem mesmo um segundo antes de trocar um cupcake por um bom copo de sangue.

— Vocês estão falando sobre o Damen, é? — sussurra Miles, deslizando no banco e fincando os cotovelos na mesa, os olhos castanhos oscilando entre nosso rosto, um sorriso maroto estampado no rostinho de bebê. — Que gato! Vocês viram as botas? Tão Vogue… Acho que vou perguntar se ele quer ser meu próximo namorado.

Haven aperta os olhos amarelos na direção dele.

— Tarde demais — diz. — Eu vi primeiro.

— Poxa, foi mal. Não sabia que você curtia “não góticos”. — Ele dá um risinho, revira os olhos e desembrulha seu sanduíche.

Haven ri de volta.

— Se forem como ele, curto. Juro que ele é simplesmente um absurdo de tão irresistível, você precisa ver. — E balançando a cabeça, irritada com minha indiferença, vira-se para mim e diz: — Ele é demais!

— Você ainda não viu? — espanta-se Miles, segurando o sanduíche.

Baixo os olhos para a mesa, muito inclinada a contar uma mentira. Diante daquele carnaval todo, não conseguia ver outra saída. Mas não posso mentir, não para eles. Haven e Miles são meus melhores amigos. Os únicos que tenho. Além disso, já guardo segredos demais.

— Ele se sentou ao meu lado na aula de inglês — digo, finalmente. — Fui obrigada a dividir o livro com ele, mas não cheguei a vê-lo direito.

— Obrigada? — Haven move a franja para o lado para ver melhor a maluca que foi capaz de proferir tamanha asneira. — Ah, deve ter sido horrível pra você, um suplício, né? — Ela revira os olhos e suspira. — Eu juro: você não faz ideia da sorte que tem! Devia estar agradecendo de joelhos!

— Que livro vocês leram juntos? — pergunta Miles, como se o título pudesse revelar algo de muito importante.

— O Morro dos Ventos Uivantes — respondo, dando de ombros. Coloco o que restou da maçã sobre um guardanapo e dobro as pontas em torno dela.

— E o capuz? — pergunta Haven. — Com ou sem?

Depois de certo esforço, lembro que botei o capuz enquanto Damen caminhava em minha direção.

— Hmm… com. É, tenho certeza: com.

— Ainda bem — resmunga Haven, aliviada, partindo o cupcake em dois. — A última coisa de que preciso é competir com a deusa dos cabelos dourados.

Eu me encolho e mais uma vez baixo os olhos para a mesa. Fico envergonhada quando as pessoas fazem elogios assim, que no passado costumavam ser muito importantes para mim. Agora, não são mais.

— Mas, e o Miles? — pergunto, desviando a atenção para alguém realmente capaz de apreciá-la. — Você não acha que ele também é um forte candidato?

— Isso mesmo! — Miles passa a mão pelos curtos cabelos castanhos e vira de perfil, oferecendo-nos seu melhor ângulo. — Eu também estou na parada!

— Bobagem — diz Haven, limpando do colo as migalhas brancas. — Damen e Miles não jogam no mesmo time. Pelo menos dessa vez, a beleza estonteante e incomparável de nosso amigo top model não vai contar.

— Como você sabe em que time ele joga? — pergunta Miles, apertando as pálpebras enquanto destampa sua garrafa de isotônico. — Como pode ter tanta certeza assim?

— Meu gaydar não apitou — explica Haven, dando um tapinha na própria testa. — Confie em mim: o cara não aparece nele.

Pois bem, Damen é meu colega não só na aula de inglês do primeiro tempo, como também na de educação artística do sexto (não que ele tenha se sentado ao meu lado, nem que eu tenha procurado, mas os pensamentos que pipocavam pela sala, mesmo os de nossa professora, a sra. Machado, foram suficientes para que eu me desse conta da presença dele). E como se isso não bastasse agora vejo que ele estacionou o carro bem ao lado do meu. Até então eu havia conseguido me conter e não olhar para outra parte além das botas do sujeito, mas agora, eu sabia, minhas possibilidades de escapar chegavam ao fim.

— Ai, meu Deus! É ele! Está vindo bem em nossa direção! — exclama Miles, com os trinados de soprano que reserva apenas para os momentos mais excitantes. — E olha aquele carro! Um BMW preto novinho em folha! E com o insulfilme mais escuro que existe! Um espetáculo! Olhe, o plano é o seguinte: vou abrir a porta e acidentalmente bater na porta dele; então terei uma desculpa pra falar alguma coisa. — Ele se vira para mim em busca de aprovação.

— Não arranhe meu carro. Nem o carro dele. Nem o de qualquer outra pessoa — eu digo, balançando a cabeça e tirando as chaves da mochila.

— Tudo bem — resmunga Miles, fazendo beicinho. — Pode arruinar meus sonhos, não me importo. Mas faça um favor a si mesma e dê uma conferida no cara! Depois quero ouvir você dizer, olhando fundo nos meus olhos, que não pirou nem ficou de perna bamba com o que viu!

Reviro os olhos e me espremo entre meu carro e o Fusca vizinho, tão mal estacionado, que parece querer montar no meu Miata. Já estou com a chave na porta quando, atrás de mim, Miles me surpreende, puxa meu capuz para baixo, arranca meus óculos e corre para o lado do passageiro, onde, com gestos nada sutis da cabeça e do polegar, insiste para que eu olhe para o Damen, que a essa altura já está atrás dele.

Então, obedeço. Bem, não posso continuar evitando o cara pelo restante da vida. Assim, respiro fundo e levanto os olhos.

E o que vejo me deixa incapacitada de falar, piscar ou mover qualquer outra parte do corpo.

Percebendo meu estado, Miles arregala os olhos e começa a abanar as mãos freneticamente, fazendo o que pode para abortar a missão e me trazer de volta ao “quartel-general”, à normalidade. Mas não posso. Quer dizer, bem que eu gostaria, porque sei que estou agindo exatamente como a esquisitona que todos já acham que sou. Mas não dá, é impossível. E não apenas por causa da beleza inquestionável do tal de Damen. Tudo bem, os cabelos são lindos, luminosos e compridos; vão descendo ao longo das maçãs do rosto, salientes e esculpidas a cinzel, até roçar os ombros. Mas quando ele ergue os óculos de sol para me fitar de volta, constato que os olhos dele, estranhamente familiares, são amendoados e escuros, emoldurados em cílios tão longos que quase parecem falsos. Ah, e os lábios! Os lábios são carnudos e convidativos, tão bem desenhados quanto um arco de Cupido. E o corpo que sustenta tudo isso é alto, magro, firme. Vestido de preto de cima a baixo.

— Ei, Ever! Alô-ou! Você pode acordar agora. Por favor! — Miles vira-se para Damen, rindo de nervoso. — Não repare na minha amiga, não. Geralmente ela se esconde debaixo do capuz.

Não é que eu não saiba que tenho de parar, e parar agora. Mas os olhos de Damen, pregados nos meus, vão se tornando de um colorido cada vez mais intenso à medida que os lábios esboçam um sorriso.

Mas, como já disse, não é a beleza estonteante dele que me paralisa dessa forma. Um fato não tem nenhuma relação com o outro. Acontece que toda a área em torno do corpo dele, desde a gloriosa cabeça até a ponta quadrada das botas pretas de motoqueiro, consiste em nada além de um espaço vazio, em branco.

Nenhuma cor. Nenhuma aura. Nenhum espetáculo de luzes pulsantes.

—–

Todo o mundo tem uma aura. Todos os seres vivos têm espirais de cor que emanam do corpo. Um campo energético multicolorido do qual nem se dão conta. Nada perigoso ou assustador, nem ruim, de forma alguma, mas apenas parte de um campo magnético visível — bem, ao menos para mim.

Antes do acidente, eu nem fazia ideia de coisas assim. E, definitivamente, não era capaz de vê-las. Mas desde que acordei no hospital vejo cores por toda parte.

— Tudo bem com você? — perguntou a enfermeira ruiva, preocupada.

— Sim, mas por que você está toda rosa? — respondi, sem entender o porquê daquele brilho rosado que a cercava.

— Por que estou o quê? — ela se esforçou para disfarçar o susto.

— Rosa. Isso que está aí ao seu redor, especialmente da cabeça.

— O.K., meu amor, fique aí descansando, que vou chamar o médico. — Ela me deixou sozinha no quarto e saiu correndo pelo corredor.

Só depois de passar por uma batelada de exames oftalmológicos, ressonâncias cerebrais e avaliações psiquiátricas foi que aprendi a guardar minhas visões para mim mesma. E mais tarde, quando passei a ouvir pensamentos, a captar histórias de vida pelo toque e a conversar com minha irmã morta, já estava escaldada o suficiente para ficar de bico calado.

Acho que já me acostumei a viver assim; nem sequer recordava que existe um jeito diferente. Mas ao ver Damen emoldurado apenas no preto reluzente da carroceria de um carro chiquérrimo e caríssimo, acabei me lembrando de outro tempo da minha vida, mais feliz e mais normal.

— Seu nome é Ever, certo? — ele pergunta, enfim abrindo o sorriso esboçado há pouco e revelando mais uma de suas inúmeras perfeições: dentes incrivelmente brancos.

Eu fico ali, inutilmente tentando desviar o olhar, enquanto Miles começa a pigarrear feito um maluco. Só então me lembro de quanto ele detesta ser ignorado.

— Ah, desculpe. Miles, Damen, Damen, Miles — digo, sem ao menos piscar.

Damen dá uma olhada rápida para o Miles, cumprimenta-o com a cabeça e logo se volta para mim. Sei que vai parecer maluquice minha, mas durante a fração de segundo em que Damen desviou o olhar senti uma fraqueza e um frio muito estranhos.

Mas assim que ele vira seu olhar novamente para mim tudo volta ao normal — tudo fica quente e bem de novo.

— Posso pedir um favor? — E sorri. — Será que você pode me emprestar seu O Morro dos Ventos Uivantes? Preciso colocar a leitura em dia, e hoje não vou ter tempo de passar na livraria.

Abro a mochila, retiro meu exemplar todo amarfanhado e estendo o braço com o livro na palma da mão, parte de mim torcendo para que a ponta de meus dedos toque a ponta dos dedos dele, enquanto outra parte, a mais forte e sábia, aquela com poderes sobrenaturais, treme só de pensar nas revelações que podem brotar do contato com um desconhecido tão lindo.

Ele joga o livro no interior do BMW, baixa os óculos escuros e diz:

— Valeu, a gente se vê amanhã.

Só então percebo que nada aconteceu com aquele breve toque, além de um leve formigamento na ponta dos dedos. E antes que eu possa dizer o que quer que seja ele já está dando a ré para sair da vaga.

— Amiga — diz Miles, balançando a cabeça e se acomodando a meu lado no Miata. — Desculpe, mas quando falei que você iria pirar quando visse o cara eu não estava sugerindo que você pirasse. Não era pra você seguir ao pé da letra. Caramba, Ever, o que foi que deu em você? Que esquisitice foi aquela? Só faltou você dizer: Muito prazer, eu sou a Ever, a psicopata que vai perseguir você pelo restante da vida! Não estou brincando. Achei que a gente teria de ressuscitar você! E olhe, pode acreditar, você deu uma tremenda sorte. Imagine se a Haven, nossa queridíssima amiga, estivesse lá para ver a cena, hã? A senha número 1 é dela, meu amor, já esqueceu?

Miles continua tagarelando sem parar durante todo o caminho. Simplesmente eu o deixo falar enquanto presto atenção no trânsito, roçando o dedo na cicatriz espessa em minha testa — a que escondo debaixo da franja.

Como explicar a ele que, desde o acidente, as únicas pessoas cujos pensamentos não posso ouvir, cujos toques nada revelam e cujas auras não consigo ver são as que já morreram?

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Trecho do Livro: A Senhora do Jogo | Sidney Sheldon
Livro A Senhora do Jogo
Autora: Tilly Bagshawe
(baseado no livro de Sidney Sheldon “O Reverso da Medalha”)
Editora: Record
ISBN: 9788501088512

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Dark Harbor, Maine – 1984.

Através dos galhos, Danny Corretti olhou para as agitadas pessoas embaixo e sentiu uma onda de vertigem.

— Que diabos estamos fazendo aqui?

Fechando os olhos, ele segurou com mais força o galho da antiga árvore, garantindo que ele e sua câmera continuassem escondidos na densa folhagem verde.

— Ganhando dinheiro — sussurrou seu colega, excitado. — Olhe, ela está ali!

— Onde?

Seguindo a linha de visão de seu amigo, Danny Corretti ajustou a lente do zoom em uma figura no meio da multidão de luto. Vestida de preto da cabeça aos pés, com um manto de renda que caía até o chão cobrindo seu terninho Dior de corte impecável, era impossível ver seu rosto. Poderia ser qualquer pessoa. Mas ela não era qualquer pessoa.

— Está brincando comigo? — Danny Corretti franziu a testa. Abaixo dele o cemitério parecia balançar ameaçadoramente, os antigos túmulos subindo e descendo como cavalos em um carrossel desagradável. — Não consigo ver nada. Tem certeza de que é ela? Poderia ser Johnny Carson embaixo de toda aquela renda.

Seu colega sorriu.

— Tenho certeza de que é ela.

Da árvore à sua esquerda, Danny Corretti escutou os cliques da câmera de seu rival. Focalizou mais uma vez seu zoom e começou a fotografar.

Vamos, doçura. Dê um sorrisinho para o papai.

Uma boa foto do rosto de Eve Blackwell poderia valer uns cem mil para o fotógrafo que a conseguisse primeiro. Qualquer um que fosse capaz de capturar a barriga proeminente poderia esperar ganhar o dobro disso.

Duzentas mil pratas!

Talvez não fosse muito dinheiro para os Blackwell, herdeiros da multibilionária Kruger Brent Ltda. — império de diamantes que se transformara em um conglomerado, e que tornara a família a mais rica dos Estados Unidos -, mas era uma fortuna para Danny Corretti. Foram os Blackwell que trouxeram Danny e outros paparazzi ao cemitério de St. Stephen nesta manhã gelada de fevereiro. Eles vieram enterrar a matriarca da família, Kate Blackwell, que morrera na avançada idade de 92 anos.

Olhe para eles. Parecem moscas-varejeiras voando em volta do corpo da velha senhora. Repugnante.

Danny Corretti sentiu-se nauseado de novo, mas tentou não dar atenção a isso — nem à intensa dor nas costas depois de passar seis horas direto em cima de uma árvore. Sua vontade era se esticar, mas não ousava mexer um músculo sequer, para não arriscar ser visto pelos seguranças da Kruger Brent. Observando as silhuetas taciturnas dos ex-fuzileiros navais vestidos de preto que andavam por todo o perímetro do cemitério, com suas armas grudadas ao peito como objetos de estimação, Danny Corretti sentiu uma pontada de medo. Duvidava que Kate Blackwell tivesse contratado algum deles por causa do senso de humor.

Você vai ficar bem. Só precisa conseguir a foto e dar o fora daqui. Vamos Eve, doçura. Olha o passarinho.

Danny Corretti realmente não fora feito para esse tipo de trabalho. Um homem alto e magro, com pernas sobrenaturalmente compridas e cabelos muito louros, quase brancos, por cima de sua pele italiana azeitonada; não havia muitos lugares no cemitério de Maine capazes de esconder seu corpo de 1m90. A velha árvore fora a melhor opção, mas ele tivera de chegar absurdamente cedo para superar seus rivais e conseguir um lugar estratégico e tão cobiçado. Agarrado aos galhos mais altos agora, cada tendão de seu corpo parecia em chamas, apesar do dia extremamente frio. Rangeu os dentes, amaldiçoando suas longas pernas.

Pense no dinheiro.

Ironicamente, se não fosse por causa de suas pernas compridas, Danny nem estaria nesta profissão maluca.

Se não fossem suas pernas compridas, o marido de sua amante nunca teria visto seus pés tamanho 44 por baixo da cama de casal.

Ah, Carla. Deus, ela era linda! Nenhum homem conseguia resistir a ela. Se aquele brutamontes com quem ela se casou não tivesse saído mais cedo do trabalho…

Foram as pernas compridas de Danny que fizeram com que levasse uma surra de quebrar ossos e fosse parar no hospital público (sem plano de saúde). Graças às suas pernas compridas, sua esposa Loretta descobrira seu caso, se divorciara dele e ficara com a casa. Agora, graças às suas pernas compridas, o advogado com cara de rato de Loretta estava exigindo que Danny pagasse uma pensão de mil dólares por mês.

Mil dólares? Quem eles pensavam que ele era, o maldito Donald Trump?

Sim, toda a culpa por sua difícil situação atual era de suas pernas compridas. Por que outro motivo passaria uma manhã de domingo apertado e congelando em cima de uma árvore de 400 anos em cima de um cemitério, arriscando seu pescoço por uma mísera foto da mulher que os tabloides apelidaram de “A Fera dos Blackwell”?

As pernas compridas de Danny Corretti tinham muito pelo que responder. Ele ia conseguir a foto de Eve Blackwell mesmo que isso acabasse com ele.

—–

A voz do padre ecoava pelo ar gelado de fevereiro, intensa, forte e poderosa.

— Deus misericordioso, o Senhor conhece o tormento dos pesarosos…

Por trás do grosso véu, Eve Blackwell riu com desdém. Pesaroso? Ver aquela bruxa velha morta e enterrada? Por favor. Se eu fosse dez anos mais nova, estaria dando pulos de alegria.

Hoje, Eve estava enterrando uma de suas inimigas. Mas não descansaria até enterrar todos eles. Uma já tinha ido, faltavam três.

— O Senhor escuta as orações dos humildes…

Eve Blackwell olhou em volta para o pequeno grupo de familiares e amigos que tinham vindo se despedir de sua avó Kate, e se perguntou se algum deles poderia ser descrito como humilde.

Sua irmã gêmea idêntica, Alexandra, estava ali. Aos 34 anos, ela ainda era linda, com as maçãs do rosto salientes, cabelo louro e os deslumbrantes olhos cinza que herdara do bisavô, fundador da Kruger Brent, Jamie McGregor.

Eve estreitou os olhos com ódio. O mesmo ódio que sentia pela irmã desde o dia em que nasceram.

Como ousa! Como minha irmã ousa ainda ser linda!

Alexandra chorava copiosamente, segurando com força a mão de seu filho, Robert. O menino louro, delicado e doce de 10 anos era uma cópia de sua mãe. Um pianista talentoso, ele era o preferido de Kate Blackwell e herdeiro da Kruger Brent.

Não por muito tempo, pensou Eve. Vamos ver quanto tempo o garoto vai durar sem Kate por perto para protegê-lo.

Eve Blackwell sentiu um aperto no peito. Como odiava os dois, mãe e filho, e suas lágrimas de crocodilo! Se ao menos fosse o corpo de Alexandra a ser colocado naquele buraco de terra gelada. Então, a felicidade de Eve seria realmente completa.

Ao lado de Alexandra, estava seu marido, o famoso psiquiatra Peter Templeton. Alto, moreno, bonito, com olhos azuis, Peter Templeton parecia mais um atleta do que um psiquiatra. Ele e Alexandra formavam um lindo casal. Peter já fora arrogante o suficiente para achar que compreendia Eve. Acreditava que podia ver através dela, até o âmago do ódio que borbulhava dentro dela. Alexandra, com toda a sua bondade, nunca conseguira ver o quanto sua irmã gêmea a odiava. Mas seu marido via.

Eve sorriu.

Tolo inútil. Ele acha que me conhece, mas não consegue vislumbrar mais que a superfície.

Não, Peter Templeton não era humilde.

E seu próprio marido, o famoso cirurgião plástico Keith Webster? Muitas pessoas o viam como uma pessoa humilde. Eve podia ouvir os gratos pacientes dele: “O querido Dr. Webster, que cirurgião talentoso, mas tão tímido e modesto em relação ao seu dom.” Eve sentiu um arrepio quando Keith envolveu seus ombros com um braço marital e protetor.

Protetor? Ele não é protetor. É possessivo. E psicótico. Me chantageou para casar, depois deliberadamente destruiu meu rosto, mutilando minhas lindas feições e me transformando neste monstro. Tudo para que eu não o deixasse.

Um dia vou fazê-lo pagar pelo que fez.

Eve Blackwell era muitas coisas, mas não era burra. Sabia que as árvores e moitas em volta da igreja St. Stephen estavam cheias de fotógrafos, e sabia o porquê: todos queriam uma foto de seu espantoso rosto desfigurado.

Bem, podiam ir todos para o inferno. Por trás, ainda era possível ver o corpo perfeito e feminino de Eve. Mas a parte da frente estava escondida. Nenhuma lente no mundo conseguiria penetrar o espesso véu de renda tecida a mão. Eve se certificou disso.

Um dia famosa por sua beleza, nos últimos anos Eve Blackwell se transformara em uma prisioneira em sua cobertura em Manhattan, com medo de mostrar ao mundo seu rosto coberto por cicatrizes monstruosas. Na verdade, não era vista em público havia dois anos. A última vez fora na festa de aniversário de 90 anos da avó em Cedar Hill House, a Camelot particular da família, a poucos metros de onde a velha mulher estava sendo enterrada para o repouso eterno.

Kate Blackwell tinha sorte. Fora se juntar aos seus amados fantasmas: Jamie, Margaret, Banda, David, e os espíritos do passado africano longo e violento da Kruger Brent. Mas Eve não teria tal descanso. Com os boatos já circulando sobre sua gravidez — ambas, Eve e Alexandra Blackwell, estavam grávidas, embora a família se recusasse a confirmar para a imprensa —, Eve tinha plena consciência de que o preço de sua cabeça tinha dobrado. Não havia um editor de tabloide dos Estados Unidos que não venderia a alma por uma foto mais ou menos decente da Fera dos Blackwell carregando um filho.

E pensar que eles me chamam de monstro…

— Senhor, escute o Seu povo, que implora em necessidade…

Eve observou silenciosamente o caixão de Kate Blackwell baixar no túmulo recém-aberto. Brad Rogers, o número dois de Kate na Kruger Brent por três décadas, abafou um soluço. Ele mesmo um homem bastante velho agora, com o cabelo tão branco e fino quanto a neve embaixo de seus pés, estava completamente arrasado com a morte de Kate. Ele a amara em segredo durante anos. Mas fora um amor que ela nunca conseguiu corresponder.

Como ela está pequena!, pensou Eve, enquanto a patética caixa de madeira desaparecia nas profundezas da terra. Kate Blackwell, que fora gigante quando viva, respeitada por presidentes e reis, parecia insignificante no final.

Não vai ser um bom banquete para os vermes de sua amada Dark Harbor, vai, vovó?

Durante anos, Kate Blackwell fora a nêmesis de Eve. Fizera tudo ao seu alcance para evitar que sua neta malvada atingisse seu objetivo na vida: assumir o controle da empresa da família, a poderosa Kruger Brent.

Mas agora Kate Blackwell se fora.

— Garanta seu descanso eterno, ó, Pai, e que Sua luz perpétua brilhe sobre ela.

Já vai tarde, sua bruxa velha e vingativa.

— Que ela descanse em paz.

—–

Danny Correti olhou infeliz os negativos na sua frente. Suas costas ainda o estavam matando depois dessa manhã, e agora ele sentia uma enxaqueca se aproximando.

— Conseguiu alguma coisa?

Seu amigo tentou parecer esperançoso. Mas já sabia a resposta.

Nenhum deles conseguira a foto de duzentos mil dólares.

Eve Blackwell fora mais esperta que todos.

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Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Janeiro 04, 2010

O Estado de São Paulo

Livro O Simbolo Perdido

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Ficção

01 O SÍMBOLO PERDIDO
Dan Brown . leia um trecho do livro
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02 A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro
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03 ECLIPSE (3º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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04 AMANHECER (4º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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05 CAIM
José Saramago
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06 CREPÚSCULO (1º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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07 LUA NOVA (2º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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08 A HOSPEDEIRA
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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09 A SENHORA DO JOGO
Sidney Sheldon
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10 O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
John Boyne . leia um trecho do livro
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Livro Se Abrindo Pra Vida

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Não-Ficção

01 SE ABRINDO PRA VIDA
Zibia Gasparetto
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02 MAIS VOCÊ 10 ANOS
Ana Maria Braga
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03 COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro
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04 CHICO BUARQUE – HISTÓRIAS DE CANÇÕES
Wagner Homem
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05 MENTES PERIGOSAS – O PSICOPATA MORA AO LADO
Ana Beatriz Barbosa Silva
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06 UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro
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07 POR QUE OS HOMENS AMAM AS MULHERES PODEROSAS?
Sherry Argov
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08 O ANDAR DO BÊBADO
Leonard Mlodinow . leia um trecho do livro
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09 HONORÁVEIS BANDIDOS
Palmério Dória
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10 O VERDADEIRO PODER
Vicente Falconi
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Trecho do Livro: O Símbolo Perdido | Dan Brown
Livro O Simbolo Perdido

Obs: O Símbolo Perdido trata da terceira aventura de Robert Langdon. A primeira aventura se passou no livro Anjos e Demônios, e a segunda no livro O Código Da Vinci.

Autor: Dan Brown
Editora: Sextante
ISBN: 9788599296554

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FATOS: Em 1991, um documento foi trancado no cofre do diretor da CIA. O documento continua lá até hoje. Seu texto em código inclui referências a um antigo portal e a uma localização subterrânea desconhecida. O documento também contém a frase: “Está enterrado lá em algum lugar.”

Todas as organizações citadas neste romance existem, incluindo a Francomaçonaria, o Colégio Invisível, o Escritório de Segurança, o Centro de Apoio dos Museus Smithsonian (CAMS) e o Instituto de Ciências Noéticas.

Todos os rituais, informações científicas, obras de arte e monumentos citados neste romance são reais.

—–

Prólogo: Casa do Templo – 20h33

O segredo é saber como morrer. Desde o início dos tempos, o segredo sempre foi saber como morrer.

O iniciado de 34 anos baixou os olhos para o crânio humano que segurava com as duas mãos. O crânio era oco feito uma tigela e estava cheio de vinho cor de sangue.

Beba, disse ele a si mesmo. Você não tem nada a temer.

Como rezava a tradição, ele havia começado aquela jornada vestido com os trajes ritualísticos de um herege medieval a caminho da forca, com a camisa frouxa deixando entrever o peito pálido, a perna esquerda da calça arregaçada até o joelho e a manga direita enrolada até o cotovelo. De seu pescoço pendia um pesado nó feito de corda – uma “atadura”, como diziam os irmãos. Nessa noite, porém, assim como os companheiros que assistiam à cerimônia, ele estava vestido de mestre.

O grupo que o rodeava estava todo paramentado com aventais de pele de cordeiro, faixas na cintura e luvas brancas. Em volta do pescoço usavam joias cerimoniais que cintilavam à luz mortiça como olhos espectrais. Muitos daqueles homens ocupavam cargos de poder lá fora, mas o iniciado sabia que suas posições mundanas nada significavam entre aquelas paredes. Ali todos eram iguais, irmãos unidos pelo juramento compartilhando um elo místico.

Correndo os olhos pelo impressionante grupo, o iniciado se perguntou quem, no mundo exterior, seria capaz de acreditar que todos aqueles homens pudessem se reunir em um mesmo lugar… principalmente naquele lugar. O recinto parecia um santuário sagrado do mundo antigo. A verdade, porém, era ainda mais estranha.

Estou a poucos quarteirões da Casa Branca.

Aquele edifício colossal, situado no número 1.733 da Rua 16 Noroeste, em Washington, D.C., era a réplica de um templo pré-cristão – o Templo do Rei Mausolo, o primeiro mausoléu… um lugar para onde se era levado após a morte. Diante da entrada principal, duas esfinges de 17 toneladas montavam guarda ao lado das portas de bronze. O interior era um labirinto de câmaras ritualísticas, corredores, alcovas secretas, bibliotecas e até mesmo um compartimento contendo os restos mortais de dois corpos humanos. O iniciado havia aprendido que cada cômodo daquele edifício guardava um segredo, mas sabia que nenhum deles ocultava mistérios mais profundos do que a câmara colossal na qual se encontrava agora, ajoelhado, segurando um crânio nas mãos. A Sala do Templo.

Sua forma era a de um quadrado perfeito. E o ambiente era sombrio e grandioso. O teto altíssimo se erguia a surpreendentes 30 metros, sustentado por colunas monolíticas de granito verde. Ao redor da sala, fileiras de cadeiras russas de nogueira escura, estofadas com couro de porco trabalhado à mão, estavam dispostas em níveis. Um trono de 10 metros de altura dominava a parede oeste, e um órgão escondido ocupava o lado oposto. As paredes eram um caleidoscópio de símbolos antigos… egípcios, hebraicos, astronômicos, alquímicos e outros ainda desconhecidos.

Nessa noite, a Sala do Templo estava iluminada por uma série de velas minuciosamente posicionadas. Seu brilho fraco era complementado apenas por um facho de luar que entrava pela ampla claraboia do teto jogando luz sobre o elemento mais surpreendente da sala – um imenso altar feito de um bloco maciço de mármore belga preto polido, situado bem no meio do recinto quadrado.

O segredo é saber como morrer, lembrou o iniciado a si mesmo.

– Chegou a hora – sussurrou uma voz.

O iniciado deixou seu olhar subir até o rosto do distinto personagem vestido de branco à sua frente. O Venerável Mestre Supremo. O homem, de quase 60 anos, era um ícone norte-americano, estimado, robusto e dono de uma fortuna incalculável. Seus cabelos outrora escuros estavam ficando grisalhos, e o semblante conhecido refletia uma vida inteira de poder e um vigoroso intelecto.

– Preste o juramento – disse o Venerável Mestre, com uma voz suave feito a neve. – Complete sua jornada.

A jornada do iniciado, assim como todas as daquele tipo, havia começado no grau 1. Naquela noite, em um ritual parecido com este de agora, o Venerável Mestre o vendara com uma faixa de veludo e pressionara uma adaga cerimonial contra seu peito, indagando:

– Você declara seriamente, pela sua honra, sem influência de motivações mercenárias ou quaisquer outras considerações indignas, candidatar-se de forma livre e espontânea aos mistérios e privilégios desta irmandade?

– Sim – havia mentido o iniciado.

– Então que isso seja um estímulo à sua consciência – alertara o mestre –, bem como a morte instantânea caso algum dia você venha a trair os segredos que lhe serão revelados.

Na época, o iniciado não sentira medo. Eles jamais saberão meu verdadeiro motivo para estar aqui.

Nessa noite, porém, uma atmosfera de ameaçadora solenidade pairava na Sala do Templo, levando-o a rememorar todos os avisos severos recebidos durante a jornada, ameaças de punições terríveis caso ele algum dia revelasse os antigos segredos que estava prestes a conhecer: garganta cortada de orelha a orelha… língua arrancada pela raiz… entranhas removidas e queimadas… espalhadas aos quatro ventos… coração retirado do peito e jogado aos animais selvagens…

– Irmão – disse o mestre de olhos cinzentos, pousando a mão esquerda no ombro do iniciado. – Preste o juramento final.

Tomando coragem para dar o último passo de sua jornada, o iniciado endireitou o corpo e voltou sua atenção para o crânio que segurava nas mãos. À fraca luz das velas, o vinho cor de carmim parecia quase negro. Um silêncio sepulcral reinava na sala, e ele podia sentir os olhos das testemunhas cravados nele, à espera que prestasse o juramento final e se unisse àquele grupo de elite.

Hoje à noite, pensou ele, entre estas paredes, está acontecendo algo que nunca aconteceu antes na história desta irmandade. Nem sequer uma vez em séculos.

Ele sabia que aquilo seria a faísca… e que lhe daria um poder inimaginável. Cheio de energia, respirou fundo e repetiu as mesmas palavras pronunciadas antes dele por incontáveis homens espalhados por todo o mundo.

– Que este vinho que agora bebo se transforme em veneno mortal para mim… caso algum dia eu descumpra meu juramento de forma consciente ou voluntária.

Suas palavras ecoaram no espaço oco. Então o silêncio foi total.

Firmando as mãos, o iniciado levou o crânio à boca e sentiu os lábios tocarem o osso seco. Fechou os olhos e o inclinou, bebendo o vinho em goles demorados, generosos. Depois de sorver tudo até a última gota, abaixou o crânio.

Por um instante, pensou sentir os pulmões se contraírem, e seu coração começou a bater descompassado. Meu Deus, eles sabem! Então, com a mesma rapidez que havia surgido, a sensação passou.

Um agradável calor começou a percorrer seu corpo. O iniciado soltou o ar, sorrindo consigo mesmo enquanto observava o homem de olhos cinzentos que não desconfiava de nada e que acabara de cometer o erro de deixá-lo entrar para o círculo mais secreto de sua irmandade.

Você logo perderá tudo o que lhe é mais precioso.

—–

O elevador Otis que subia a coluna sul da Torre Eiffel estava lotado de turistas. Em seu interior abarrotado, o austero executivo de terno bem passado baixou os olhos para o menino ao seu lado.

– Você está pálido, filho. Devia ter ficado lá embaixo.

– Estou bem… – respondeu o garoto, esforçando-se para controlar a própria ansiedade. – Vou descer no próximo andar. – Não consigo respirar.

O homem chegou mais perto.

– Pensei que a esta altura você já tivesse superado isso. – Ele acariciou com afeto a bochecha do filho.

O menino estava com vergonha por desapontar o pai, mas mal conseguia escutar qualquer coisa, tamanho o zumbido em seus ouvidos. Não consigo respirar. Preciso sair de dentro desta caixa!

O ascensorista estava dizendo alguma coisa tranquilizadora sobre os pistons articulados e a estrutura de ferro forjado do elevador. Muito abaixo deles, as ruas de Paris se estendiam em todas as direções.

Estamos quase chegando, disse o menino para si mesmo, esticando o pescoço e erguendo os olhos para a plataforma de desembarque. Aguente firme.

À medida que o elevador se aproximava num ângulo acentuado do deque de observação, o poço se estreitava, e seus enormes tirantes se contraíam formando um túnel apertado, vertical.

– Pai, eu acho que não…

De repente, um estalo abrupto ecoou acima dele. O elevador deu um tranco e pendeu para um dos lados, desequilibrado. Cabos esgarçados começaram a chicotear em volta do compartimento, agitando-se feito cobras. O menino estendeu a mão para o pai.

– Pai!

Durante um segundo aterrorizante, seus olhares se cruzaram.

Então o fundo do elevador se soltou.

Robert Langdon teve um sobressalto, despertando assustado daquele sonho diurno semiconsciente. Estava sentado sozinho em sua macia poltrona de couro na imensa cabine de um jatinho corporativo Falcon 2000EX que atravessava aos solavancos uma área de turbulência. Ao fundo, ouvia-se o zumbido constante dos dois motores Pratt & Whitney.

– Sr. Langdon? – O alto-falante chiou acima dele. – Estamos na fase final de aproximação.

Langdon se endireitou no assento e tornou a guardar as notas da palestra dentro da bolsa de viagem de couro. Estava no meio de uma revisão da simbologia maçônica quando havia cochilado. Desconfiava que o sonho sobre o pai já falecido tivesse sido causado pelo inesperado convite, recebido naquela manhã, de seu antigo mentor, Peter Solomon.

O outro homem que nunca vou querer decepcionar.

O filantropo, historiador e cientista de 58 anos havia se tornado o protetor de Langdon quase 30 anos antes, preenchendo sob muitos aspectos o vazio deixado pela morte do pai. Apesar da influente dinastia familiar e da imensa fortuna de Solomon, Langdon encontrou humildade e calor humano em seus suaves olhos cinzentos.

Do lado de fora da janela, o sol havia se posto, mas Langdon ainda podia distinguir a silhueta esguia do maior obelisco do mundo, erguendo-se acima do horizonte como a coluna de um antigo relógio de sol. O obelisco de quase 170 metros de altura revestido de mármore marcava o centro daquela nação. A partir dele, a meticulosa geometria de ruas e monumentos se espalhava por todas as direções. Mesmo vista de cima, Washington exalava um poder quase místico.

Langdon adorava aquela cidade e, quando o jatinho tocou o solo, sentiu uma animação crescente em relação ao que o dia lhe reservava. A aeronave taxiou até um terminal privado em algum lugar em meio à vastidão do Aeroporto Internacional Dulles e parou.

Langdon juntou suas coisas, agradeceu aos pilotos e emergiu do interior luxuoso do jatinho para a escada dobrável. O ar frio de janeiro dava uma sensação de liberdade.

Respire, Robert, pensou ele, apreciando os grandes espaços abertos.

Uma manta de bruma branca cobria a pista de pouso e, ao descer para o asfalto enevoado, Langdon teve a sensação de estar pisando em um pântano.

– Olá! Olá! – chamou uma voz melodiosa com sotaque britânico. – Professor Langdon?

Langdon ergueu os olhos e viu uma mulher de meia-idade, de crachá e com uma prancheta na mão, caminhando apressada em sua direção, acenando alegremente enquanto ele se aproximava. Cabelos louros cacheados despontavam de baixo de um estiloso gorro de lã.

– Bem-vindo a Washington, professor!

Langdon sorriu.

– Obrigado.

– Meu nome é Pam, do serviço de atendimento a passageiros. – A mulher falava com uma exuberância quase perturbadora. – Se quiser me acompanhar, seu carro está aguardando.

Langdon a seguiu pela pista em direção ao terminal exclusivo, cercado por reluzentes jatinhos privados. Um ponto de táxi para os ricos e famosos.

– Sem querer constrangê-lo, professor – disse a mulher, um pouco encabulada –, o senhor é o Robert Landgon que escreve livros sobre símbolos e religião, não é?

Langdon hesitou, mas assentiu com a cabeça.

– Bem que eu achei! – disse ela, radiante. – Meu grupo de leitura leu o seu livro sobre o sagrado feminino e a Igreja! Ele provocou um escândalo delicioso! O senhor gosta mesmo de soltar a raposa no galinheiro!

Langdon sorriu.

– Criar escândalo não foi bem a minha intenção.

A mulher pareceu perceber que Langdon não estava disposto a conversar sobre o próprio trabalho.

– Desculpe. Olhe eu aqui falando. Sei que o senhor provavelmente está cansado de ser reconhecido… mas a culpa é toda sua. – Com ar brincalhão, ela indicou as roupas que ele usava. – O seu uniforme o entregou.

Meu uniforme? Langdon baixou os olhos para examinar as próprias roupas. Estava usando seu suéter grafite de gola rulê, um paletó de tweed Harris, uma calça cáqui e sapatos fechados de couro de cabra… seu traje padrão para aulas, palestras, sessões de fotos e eventos sociais.

A mulher riu.

– Essas golas rulês que o senhor usa são muito fora de moda. O senhor ficaria bem melhor de gravata!

De jeito nenhum, pensou Langdon. Pequenas forcas.

Quando Langdon estudava na Academia Phillips Exeter, o uso da gravata era obrigatório seis dias por semana e, apesar da visão romântica do diretor, segundo a qual a origem da gravata remontava à fascalia de seda usada pelos oradores romanos para aquecer as cordas vocais, Langdon sabia que, do ponto de vista etimológico, gravata na verdade vinha de um bando de cruéis mercenários croatas que amarravam lenços em volta do pescoço antes de partir para a batalha. Até hoje, esse antigo traje de combate é usado por guerreiros corporativos modernos, que esperam intimidar os inimigos nas batalhas diárias das salas de reunião.

– Obrigado pelo conselho – disse Langdon com uma risadinha. – Daqui para a frente, vou pensar em usar gravata.

Por sorte, um homem de aspecto profissional vestindo um terno escuro desceu de um Lincoln estacionado junto ao terminal e chamou seu nome.

– Sr. Langdon? Sou Charles, da Beltway Limusines. – Ele abriu a porta traseira. – Boa noite. Bem-vindo a Washington.

Langdon deu uma gorjeta a Pam para lhe agradecer pela hospitalidade e, em seguida, entrou no interior luxuoso do carro. O motorista lhe mostrou os controles da calefação, a água mineral e o cesto de muffins quentinhos. Segundos depois, o Lincoln já seguia por uma rua de acesso exclusivo. Então é assim que vive a outra metade.

Enquanto disparava pela Windsock Drive, o motorista consultou a lista de passageiros e deu um telefonema rápido.

– Aqui é da Beltway Limusines – disse ele, com eficiência profissional. – Recebi instruções para confirmar quando meu passageiro tivesse aterrissado. – Ele fez uma pausa. – Sim, senhor. Seu convidado, Sr. Langdon, já chegou e eu o estou levando para o prédio do Capitólio. Devemos chegar lá antes das sete. De nada, senhor. – E desligou.

Langdon teve de sorrir. Ele pensou em todos os detalhes. A atenção que Peter Solomon dedicava às minúcias era uma de suas maiores qualidades, algo que lhe permitia administrar com aparente facilidade seu considerável poder. Alguns bilhões de dólares no banco também não fazem mal.

O professor se acomodou no confortável assento de couro e fechou os olhos à medida que o ruído do aeroporto ia ficando para trás. A viagem até o Capitólio demoraria meia hora, e ele ficou satisfeito por ter esse tempo sozinho para organizar os próprios pensamentos. Tudo havia acontecido tão depressa naquele dia que só agora Langdon tinha começado a pensar a sério na incrível noite que tinha pela frente.

Chegando sob um véu de mistério, pensou ele, divertindo-se com a ideia.

A pouco mais de 15 quilômetros do Capitólio, uma figura solitária se preparava ansiosamente para a chegada de Robert Langdon.

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