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	<title>Tigre de Fogo &#187; Bernard Cornwell</title>
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		<title>Trecho do Livro: Stonehenge &#124; Bernard Cornwell</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Jul 2009 15:53:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>tigre de fogo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p><p><a href="http://tigredefogo.com/256/livros/trecho-do-livro-stonehenge-bernard-cornwell/">Trecho do Livro: Stonehenge | Bernard Cornwell</a></p><p>Trecho do Livro: Stonehenge &#124; Bernard Cornwell Autor: Bernard Cornwell Editora: Record ISBN: 9788501079855 Saiba onde encontrar este livro Conheça mais livros de Bernard Cornwell Os deuses falam por sinais. Pode ser uma folha caindo no verão, o grito de um animal agonizante ou a ondulação do vento na água calma. Pode ser fumaça perto [...]</p></p><p><a href="http://tigredefogo.com">Tigre de Fogo</a></p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://tigredefogo.com/256/livros/trecho-do-livro-stonehenge-bernard-cornwell/">Trecho do Livro: Stonehenge | Bernard Cornwell</a></p><p><!--Ads3--></p>
<p><strong>Trecho do Livro: Stonehenge | Bernard Cornwell</strong><br />
<img title="Livro Stonehenge" src="http://i.s8.com.br/images/books/cover/img3/21444353.jpg" border="0" alt="Livro Stonehenge" hspace="1" vspace="5" width="180" height="180" align="right" /><br />
<strong>Autor: Bernard Cornwell</strong><br />
<strong>Editora: Record</strong><br />
<strong>ISBN: 9788501079855</strong></p>
<p><span style="color: #1982D1;">»</span> <a title="Saiba onde encontrar este livro" rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21444353/?franq=279991" target="_blank"><strong>Saiba onde encontrar este livro</strong></a></p>
<p><span style="color: #1982D1;">»</span> <a title="Conheca mais livros de Bernard Cornwell" rel="nofollow" href="http://www.submarino.com.br/portal/Artista/90710/?franq=279991" target="_blank"><strong>Conheça mais livros de Bernard Cornwell</strong></a></p>
<p>Os deuses falam por sinais. Pode ser uma folha caindo no verão, o grito de um animal agonizante ou a ondulação do vento na água calma. Pode ser fumaça perto do chão, um rasgo nas nuvens ou o vôo de um pássaro.</p>
<p>Mas, naquele dia, os deuses mandaram uma tempestade. Foi uma grande tempestade, uma tempestade que seria lembrada, mas as pessoas não deram o nome daquela tempestade ao ano. Em vez disso, o chamaram de o Ano em que o Estranho Chegou.</p>
<p>Porque um estranho chegou a Ratharryn no dia da tempestade. Era um dia de verão, o mesmo dia em que Saban quase foi assassinado por seu meio-irmão.</p>
<p>Naquele dia os deuses não estavam falando. Estavam gritando.</p>
<p>Saban era seis anos mais novo que seu meio-irmão, Lengar, e como ainda não havia enfrentando os ritos de passagem para a vida adulta, não tinha cicatrizes tribais nem marcas de matança. Mas faltava apenas um ano para sua prova, e o pai dos dois havia instruído Lengar a levar Saban à floresta para lhe ensinar onde os cervos machos podiam ser encontrados, onde os javalis selvagens espreitavam e onde os lobos tinham seus covis. Lengar havia se ressentido dessa tarefa e por isso, em vez de ensinar o irmão, arrastou Saban por matagais de espinheiros, de modo que a pele bronzeada do garoto estava sangrando.</p>
<p>— Você nunca vai virar homem — zombou Lengar.</p>
<p>Sensatamente, Saban ficou quieto.</p>
<p>Lengar era homem havia cinco anos e tinha as cicatrizes azuis da tribo no peito e as marcas de caçador e guerreiro nos braços. Carregava um arco longo feito de teixo, com pontas de chifre e corda de tendões, polido com banha de porco. Sua túnica era de pele de lobo e o cabelo comprido e preto estava trançado e preso com uma tira de pele de raposa. Era alto, tinha rosto fino e era reconhecido como um dos grandes caçadores da tribo. Seu nome significava “Olhos de Lobo”, porque seu olhar tinha um tom amarelado. No nascimento recebera outro nome, mas, como muitos da tribo, havia tomado um nome novo ao se tornar homem.</p>
<p>Saban também era alto e tinha cabelos compridos. Seu nome significava “o Favorecido”, o que muitos na tribo achavam adequado porque, mesmo com meros 12 verões, Saban prometia ser bonito. Era forte e ágil, trabalhava duro e sorria com freqüência. Lengar raramente sorria.</p>
<p>— Ele tem uma nuvem no rosto — diziam as mulheres, mas não para que Lengar escutasse, porque ele provavelmente seria o próximo chefe da tribo. Lengar e Saban eram filhos de Hengall, e Hengall era chefe do povo de Ratharryn.</p>
<p>Durante todo aquele longo dia Lengar fez Saban atravessar a floresta. Não encontraram nenhum cervo, nem javalis, nem lobos, nem auroques e nem ursos. Só andaram. À tarde chegaram à borda do terreno elevado e viram que toda a terra a oeste estava sombreada por uma massa de nuvens pretas. Raios saltavam, empalidecendo a nuvem escura, retorciam-se em direção à floresta distante e deixavam o céu queimado. Lengar se agachou, uma das mãos no arco polido, e olhou a tempestade se aproximando. Deveria ter começado a voltar para casa, mas queria preocupar Saban, por isso fingiu que não se incomodava com a ameaça do deus da tempestade.</p>
<p>Foi enquanto olhavam a tempestade que o estranho chegou.</p>
<p>Montava um pequeno cavalo pardo, branco de suor. A sela era um cobertor de lã dobrado e as rédeas eram cordas de fibra de urtiga trançadas, mas ele praticamente não precisava delas, pois estava ferido e parecia exausto, deixando o pequeno animal escolher o caminho que subia a trilha pela escarpa íngreme. A cabeça do estranho estava tombada e seus calcanhares quase encostavam no chão. Usava uma capa de lã tingida de azul e em sua mão direita havia um arco, enquanto do ombro esquerdo pendia uma aljava de couro cheia de flechas com penas de gaivotas e corvos. A barba curta era preta, e as cicatrizes tribais nas bochechas eram cinzentas.</p>
<p>Lengar sibilou para Saban ficar quieto, depois acompanhou o estranho em direção ao leste. Lengar estava com uma flecha na corda do arco, mas o estranho não se virou nem uma só vez para ver se estava sendo seguido, e Lengar ficou contente em manter a flecha pousada na corda. Saban perguntou a si mesmo se o cavaleiro estaria vivo, pois parecia um morto tombado inerte sobre o cavalo.</p>
<p>O estranho era um Forasteiro. Até Saban sabia disso, porque só o Povo de Fora montava os pequenos cavalos peludos e tinha cicatrizes cinzentas no rosto. O Povo de Fora era inimigo, mas, mesmo assim, Lengar não disparou a flecha. Apenas seguiu o cavaleiro, e Saban acompanhou Lengar, até que finalmente o Forasteiro chegou perto das árvores onde cresciam as samambaias. Ali, o estranho parou o cavalo e levantou a cabeça para olhar a terra que subia suavemente, enquanto Lengar e Saban se agachavam sem ser vistos, atrás dele.</p>
<p>O estranho viu as samambaias e, mais além — onde o solo era fino sobre a base de calcário —, pastagens. Havia montes funerários espalhados pelas colinas baixas das pastagens. Porcos fuçavam nas samambaias enquanto o gado branco comia o capim. O sol ainda brilhava onde ele estava. O estranho ficou um bom tempo na orla da floresta, procurando inimigos, mas não viu nenhum. Ao norte, muito longe, havia campos de trigo cercados de espinheiros, sobre os quais as primeiras nuvens — a guarda avançada da tempestade — perseguiam suas sombras, mas à frente dele tudo estava ensolarado. Existia vida adiante, escuridão atrás, e o pequeno cavalo, sem ser contido, subitamente saltou para as samambaias. O cavaleiro se deixou levar.</p>
<p>O cavalo subiu a encosta suave até os montes funerários. Lengar e Saban esperaram até que o estranho tivesse desaparecido no horizonte para segui-lo e quando chegaram à crista do morro, agacharam-se na vala de uma sepultura e viram que o cavaleiro havia parado junto ao Templo Antigo.</p>
<p>Um rugido de trovão soou e outro sopro de vento achatou o capim onde o gado pastava. O estranho deslizou de cima do animal, atravessou a vala coberta de mato do Templo Antigo e desapareceu nos arbustos de aveleiras que cresciam muito densos dentro do círculo sagrado. Saban achou que o homem estaria procurando abrigo.</p>
<p>Mas Lengar estava atrás do Forasteiro, e Lengar não era dado à misericórdia.</p>
<p>O cavalo abandonado, com medo do trovão e do gado, trotou em direção à floresta, a oeste. Lengar esperou até que o animal tivesse voltado para as árvores, depois se levantou da vala e correu até as aveleiras, para onde o estranho havia ido. Saban o seguiu, indo para onde nunca havia estado em seus 12 anos. O Templo Antigo.</p>
<p>Muitos anos antes, tantos que ninguém que estivesse vivo poderia se lembrar, o Templo Antigo fora o maior local de culto do interior. Naquele tempo, quando homens vinham de muito longe para dançar nos círculos do templo, o alto barranco de calcário que o rodeava era tão branco que parecia reluzir ao luar. De um dos lados do círculo brilhante até o outro era uma centena de passos, e nos velhos tempos aquele espaço sagrado fora batido pelos pés dos dançarinos que rodeavam a casa da morte, feita de três círculos de troncos de carvalho cortados. Os troncos lisos e descascados eram cobertos de gordura animal e enfeitados com ramos de azevinho e hera.</p>
<p>Agora o barranco estava coberto de capim e cheio de mato. Pequenas aveleiras cresciam na vala e outras mais tinham invadido o amplo espaço dentro do barranco circular, de modo que, a distância, o templo parecia um bosque de pequenos arbustos. Pássaros faziam ninhos onde antigamente os homens dançavam. Um mastro de carvalho da casa da morte ainda aparecia acima das aveleiras emaranhadas, mas agora ficava meio inclinado, e a madeira, que já fora lisa, estava furada, preta e com uma grossa camada de fungos.</p>
<p>O templo fora abandonado, mas os deuses não se esquecem de seus locais de culto. Algumas vezes, em dias calmos quando havia névoa no pasto, ou quando a lua inchada pairava imóvel sobre o círculo de calcário, as folhas de aveleira tremiam como se um vento tivesse passado. Os dançarinos haviam sumido, mas o poder permanecia.</p>
<p>E agora o Forasteiro havia entrado no templo.</p>
<p>Os deuses estavam gritando.</p>
<p>A sombra das nuvens engoliu o pasto, e Lengar e Saban correram para o Templo Antigo. Saban estava com frio e com medo. Lengar também sentia medo, mas o Povo de Fora era famoso por sua riqueza, e a cobiça de Lengar suplantou seu temor de entrar no templo.</p>
<p>O estranho havia atravessado a vala com dificuldade e subido o barranco, mas Lengar foi para a antiga entrada sul, onde um caminho estreito levava ao interior cheio de mato. Assim que atravessou o caminho, Lengar ficou de quatro e engatinhou através das aveleiras. Saban o seguiu, relutante, não querendo ficar sozinho no pasto quando a fúria do deus da tempestade irrompesse.</p>
<p>Para surpresa de Lengar, o Templo Antigo não estava totalmente coberto de mato, havia um espaço limpo onde antigamente ficava a casa da morte. Alguém da tribo ainda devia visitar o Templo Antigo, porque o mato havia sido retirado, o capim fora cortado com uma faca e havia uma caveira de boi na casa da morte, onde agora o estranho estava sentado, encostado no único poste que restava. O rosto do homem estava pálido e ele tinha os olhos fechados, mas seu peito subia e descia com a respiração dificultosa. Usava uma placa de pedra escura na parte interna do pulso esquerdo, amarrada com couro. Havia sangue em sua calça de lã. O homem havia largado o pequeno arco e a aljava de flechas ao lado do crânio de boi e agora segurava uma bolsa de couro sobre a barriga ferida. Fora emboscado na floresta três dias antes. Não tinha visto os agressores, apenas sentira a dor súbita e quente da lança atirada, depois instigara o cavalo e o deixara levá-lo para longe do perigo.</p>
<p>— Vou chamar o pai — sussurrou Saban.</p>
<p>— Não vai, não — sibilou Lengar, e o homem ferido deve ter escutado, porque abriu os olhos e fez uma careta enquanto se inclinava adiante para pegar o arco. Mas o estranho estava lento por causa da dor, e Lengar era muito mais rápido. Largou seu arco longo, saiu do esconderijo e atravessou correndo a casa da morte, pegando o arco do estranho com uma das mãos e a aljava com a outra. Em sua pressa derramou as flechas, de modo que restou apenas uma na aljava de couro.</p>
<p>Um murmúrio de trovão soou no oeste. Saban estremeceu, temendo que o som inchasse e preenchesse o ar com a fúria do deus, mas o trovão se esvaiu, deixando o céu num silêncio mortal.</p>
<p>— Sannas — disse o estranho, depois acrescentou algumas palavras numa língua que nem Lengar nem Saban falavam.</p>
<p>— Sannas? — perguntou Lengar.</p>
<p>— Sannas — repetiu o homem, ansioso. Sannas era a grande feiticeira de Cathallo, famosa em toda a região, e Saban presumiu que o estranho quisesse ser curado por ela.</p>
<p>Lengar sorriu.</p>
<p>— Sannas não é do nosso povo — disse. — Sannas vive ao norte daqui.</p>
<p>O estranho não entendeu.</p>
<p>— Erek — disse ele, e Saban, ainda observando do mato, perguntou a si mesmo se aquele seria o nome do estranho, ou talvez o nome de seu deus. — Erek — disse o ferido com mais firmeza, mas a palavra não significava nada para Lengar, que havia tirado a única flecha da aljava do estranho e ajustado no arco pequeno. O arco era feito de tiras de madeira e de chifre de cervo, coladas juntas e amarradas com tendões, e o povo de Lengar nunca havia usado uma arma assim. Preferiam o arco mais longo, esculpido a partir da árvore de teixo, mas Lengar estava curioso com a arma estranha. Esticou a corda, testando a força.</p>
<p>— Erek! — gritou o estranho, alto.</p>
<p>— Você é do Povo de Fora — disse Lengar. — Não tem o que fazer aqui. — Em seguida esticou o arco de novo, surpreso com a tensão na arma curta.</p>
<p>— Traga-me um curandeiro. Traga-me Sannas — disse o estranho em sua língua.</p>
<p>— Se Sannas estivesse aqui — respondeu Lengar, reconhecendo apenas esse nome —, eu a mataria primeiro. — E cuspiu. — É isso que eu penso de Sannas. Ela é uma vaca velha e murcha, uma casca maligna. — Cuspiu de novo.</p>
<p>O estranho se inclinou para a frente, catou laboriosamente as flechas que haviam se derramado da aljava e juntou-as num pequeno feixe, que segurou como uma faca, como se quisesse se defender.</p>
<p>— Traga-me um curandeiro — implorou em sua língua. O trovão rosnou a oeste, e as folhas de aveleira estremeceram quando um sopro de vento frio chegou antes da tempestade que se aproximava. O estranho fitou de novo os olhos de Lengar e não viu piedade ali. Havia apenas o deleite que Lengar sentia com sua morte. — Não — disse. — Não, por favor, não.</p>
<p>Lengar soltou a flecha. Estava a apenas cinco passos do estranho, e a pequena flecha acertou o alvo com força doentia, fazendo o homem tombar de lado. A flecha se cravou fundo, e apenas um pedaço de haste do tamanho da mão de um homem, com penas pretas e brancas, ficou aparecendo do lado esquerdo do peito do estranho. Saban achou que o Forasteiro devia estar morto, porque ele não se moveu por muito tempo, mas então o feixe de flechas que ele havia feito com cuidado caiu-lhe da mão, enquanto lentamente, muito lentamente, ele se empertigava de novo.</p>
<p>— Por favor — disse ele baixinho.</p>
<p>— Lengar! — Saban saiu atabalhoadamente do meio das aveleiras. — Deixe-me chamar o pai!</p>
<p>— Quieto! — Lengar havia tirado uma de suas próprias flechas com pena preta de sua aljava e colocara-a na corda do arco pequeno. Caminhou até Saban, apontando o arco para ele e rindo ao ver o terror no rosto do meio-irmão.</p>
<p>O estranho também olhou para Saban, vendo um garoto alto e bonito com cabelos pretos emaranhados e olhos brilhantes e ansiosos.</p>
<p>— Sannas — implorou o estranho a Saban. — Leve-me a Sannas.</p>
<p>— Sanas não mora aqui — disse Saban, entendendo apenas o nome da feiticeira.</p>
<p>— Nós moramos aqui — anunciou Lengar, agora apontando a flecha para o estranho —, e você é um Forasteiro e rouba nosso gado, escraviza nossas mulheres e engana nossos comerciantes. — Em seguida disparou a segunda flecha que, como a primeira, se cravou no peito do estranho, mas desta vez nas costelas do lado direito. De novo o homem tombou de lado, mas de novo se obrigou a ficar empertigado, como se seu espírito se recusasse a abandonar o corpo ferido.</p>
<p>— Eu posso lhe dar poder — disse ele, enquanto um fio de sangue rosado e borbulhante escorria de sua boca para a barba curta. — Poder — sussurrou.</p>
<p>Mas Lengar não entendia a língua do homem. Havia disparado duas flechas e o homem continuava se recusando a morrer, por isso Lengar pegou seu arco longo, pôs uma flecha na corda e encarou o estranho. Retesou o enorme arco.</p>
<p>O estranho balançou a cabeça, mas agora conhecia seu destino e encarou Lengar para mostrar que não tinha medo de morrer. Xingou seu assassino, mas duvidava que os deuses o ouvissem, porque era ladrão e fugitivo.</p>
<p>Lengar soltou a corda e a flecha de penas pretas se cravou fundo no coração do estranho. Ele devia ter morrido num instante, mas, mesmo assim, ergueu o corpo como se quisesse se desviar da ponta de sílex e em seguida caiu para trás, estremeceu por alguns instantes e ficou imóvel.</p>
<p>Lengar cuspiu na mão direita e esfregou o cuspe na parte interna do pulso esquerdo, onde a corda do arco do estranho havia raspado a pele fazendo-a arder; observando o meio-irmão, Saban então entendeu por que o estranho usava a placa de pedra no antebraço. Lengar dançou alguns passos, celebrando a matança, mas estava nervoso. Na verdade, não tinha certeza de que o homem estivesse morto de fato, porque se aproximou do corpo com muita cautela e cutucou-o com uma ponta de chifre do seu arco antes de saltar para trás, caso o cadáver voltasse à vida e pulasse sobre ele, mas o estranho não se mexeu.</p>
<p>Lengar avançou de novo, pegou a bolsa na mão morta do estranho e se afastou do corpo. Por um instante olhou o rosto cinzento do cadáver; depois, confiante em que o espírito do homem havia mesmo ido embora, cortou a tira que amarrava a boca da bolsa. Olhou dentro, ficou imóvel um instante, depois gritou de júbilo. Havia recebido poder.</p>
<p>Aterrorizado com o grito do irmão, Saban se encolheu para trás, depois avançou lentamente de novo, enquanto Lengar esvaziava o conteúdo da bolsa no capim ao lado da caveira branca de boi. Para Saban foi como se um jorro de luz do sol tivesse caído da bolsa de couro.</p>
<p>Havia dezenas de pequenos ornamentos de ouro em forma de losango, cada um mais ou menos do tamanho da unha do polegar de um adulto, e quatro grandes placas em forma de losango, grandes como a mão de um homem. Os losangos, tanto os grandes quanto os pequenos, tinham buracos minúsculos nas pontas mais estreitas, de modo que pudessem ser presos num tendão ou costurados numa vestimenta, e todos eram feitos de folhas de ouro muito finas marcadas com linhas retas, mas seu padrão não significava nada para Lengar, que tomou de volta um dos pequenos losangos que Saban ousara pegar no capim. Lengar empilhou os losangos, tanto os grandes quanto os pequenos.</p>
<p>— Sabe o que é isso? — perguntou ao irmão mais novo, indicando o monte.</p>
<p>— Ouro — respondeu Saban.</p>
<p>— Poder — disse Lengar. E olhou para o morto. — Sabe o que se pode fazer com ouro?</p>
<p>— Usar na roupa? — sugeriu Saban.</p>
<p>— Idiota! Podem-se comprar homens. — Lengar se balançou para trás nos calcanhares. Agora as sombras das nuvens estavam escuras e as aveleiras se agitavam ao vento revigorante. — Podem-se comprar lanceiros, podem-se comprar arqueiros e guerreiros! Pode-se comprar poder!</p>
<p>Saban agarrou um dos pequenos losangos, saindo do caminho quando Lengar tentou pegá-lo de volta. O garoto recuou pelo pequeno espaço limpo e, quando pareceu que Lengar não iria persegui-lo, agachou-se e olhou o pedaço de ouro. Parecia uma coisa estranha com a qual comprar poder. Saban podia imaginar homens trabalhando em troca de comida ou potes de sílex ou escravos, ou em troca de bronze, que podia ser martelado até virar facas, machados, espadas e pontas de lança; mas trabalhar em troca daquele metal brilhante? Ele não podia cortar; simplesmente existia. No entanto, mesmo naquele dia nublado Saban podia ver o quanto o metal brilhava. Brilhava como se um pedaço do sol estivesse preso em seu interior, e Saban estremeceu de súbito porque nunca havia tocado em ouro antes; nunca havia segurado um pedaço do sol todo-poderoso.</p>
<p>— Devemos levá-lo ao pai — disse com reverência.</p>
<p>— Para que o velho idiota possa acrescentá-lo ao seu tesouro? — perguntou Lengar com escárnio. Em seguida retornou ao cadáver e dobrou a capa para trás, sobre as hastes das flechas, revelando que a calça do morto era presa por um cinto cuja fivela era um grande pedaço de ouro pesado, e mais daqueles pequenos losangos pendiam num pedaço de tendão preso ao pescoço.</p>
<p>Lengar olhou para o irmão mais novo, lambeu os lábios e em seguida pegou uma das flechas que haviam caído da mão do estranho. Ainda estava segurando seu arco longo, e pôs a flecha com penas pretas e brancas na corda. Estava olhando para o mato baixo sob as aveleiras, evitando deliberadamente o olhar do meio-irmão, mas Saban subitamente entendeu o que se passava na cabeça de Lengar. Se Saban vivesse para contar ao pai sobre o tesouro do Forasteiro, Lengar iria perdê-lo — ou pelo menos teria de lutar por ele, mas se Saban fosse achado morto, com uma flecha de penas pretas e brancas do Povo de Fora cravada nas costelas, ninguém jamais suspeitaria de que Lengar fizera a matança, nem que Lengar havia tomado um grande tesouro para uso próprio. O trovão cresceu no oeste e o vento frio achatou o topo das aveleiras. Lengar estava esticando o arco, mas ainda não olhava para Saban.</p>
<p>— Olha só! — gritou Saban de repente, levantando o pequeno losango. — Olha!</p>
<p>Lengar relaxou a pressão na corda do arco enquanto espiava, e nesse instante o menino saltou como uma lebre que brotasse do capim. Atravessou as aveleiras e correu pelo caminho largo da entrada do sol do Templo Antigo. Ali havia mais postes apodrecidos, como os que ficavam ao redor da casa da morte. Ele teve de saltar de um lado e do outro para evitar os tocos e, no momento em que se desviava de um, a flecha de Lengar passou assobiando por seu ouvido.</p>
<p>O trovão rasgou o céu em farrapos e a chuva começou a cair. As gotas eram enormes. Um relâmpago saltou na colina oposta. Saban correu, virando-se para um lado e para o outro, não ousando olhar para trás e ver se Lengar o perseguia. A chuva caía cada vez mais forte, preenchendo o ar com seu rugido malévolo, mas formando uma tela que escondia o garoto correndo para o norte e o leste em direção ao povoado. Ele gritava enquanto corria, esperando que algum boiadeiro ainda pudesse estar no pasto, mas não viu ninguém até passar pelos montes funerários no cimo do morro, correndo pelo caminho enlameado entre os pequenos campos de trigo espancados pela chuva torrencial.</p>
<p>Galeth, o tio de Saban, e cinco outros homens estavam retornando ao povoado quando ouviram os gritos do garoto. Viraram-se de novo para o morro, e Saban veio correndo pela chuva até agarrar o gibão de pele de cervo do tio.</p>
<p>— O que foi, garoto? — perguntou Galeth.</p>
<p>Saban agarrou-se ao tio.</p>
<p>— Ele tentou me matar! — ofegou. — Ele tentou me matar!</p>
<p>— Quem? — perguntou Galeth. Era o irmão mais novo do pai de Saban, alto, de barba densa e famoso por suas demonstrações de força. Galeth, segundo se dizia, já havia levantado um mastro do templo, e não um dos pequenos, mas um grande tronco aparado que se erguia alto acima dos outros. Como seus companheiros, Galeth carregava um pesado machado com lâmina de bronze porque estava derrubando árvores quando a tempestade chegou. — Quem tentou matar você?</p>
<p>— Ele! — gritou Saban, apontando morro acima, para onde Lengar havia aparecido com o arco longo nas mãos e uma nova flecha na corda.</p>
<p>Lengar parou. Não disse nada. Apenas olhou para o grupo de homens que agora abrigava seu meio-irmão. Tirou a flecha da corda.</p>
<p>Galeth olhou para o sobrinho mais velho.</p>
<p>— Você tentou matar seu próprio irmão?</p>
<p>Lengar riu.</p>
<p>— Foi um Forasteiro, não eu. — E desceu o morro lentamente. Seu cabelo comprido e preto estava encharcado de chuva e grudado na cabeça, dando-lhe uma aparência apavorante.</p>
<p>— Um Forasteiro? — perguntou Galeth, cuspindo para evitar a má sorte. Havia muitos em Ratharryn que diziam que Galeth deveria ser o próximo chefe, e não Lengar, mas a rivalidade entre tio e sobrinho empalideceu diante da ameaça de um ataque de Forasteiros. — Há Forasteiros no pasto?</p>
<p>— Só um — disse Lengar descuidadamente. Em seguida enfiou a flecha do Povo de Fora em sua aljava. — Só um — repetiu. — E agora está morto.</p>
<p>— Então você está em segurança, garoto — disse Galeth a Saban. — Está em segurança.</p>
<p>— Ele tentou me matar — insistiu Saban — por causa do ouro! — E levantou o losango como prova.</p>
<p>— Ouro, é? — perguntou Galeth, pegando o pedacinho na mão de Saban. — Foi isso que você conseguiu? Ouro? É melhor levarmos para o seu pai.</p>
<p>Lengar lançou um olhar de puro ódio para Saban, mas agora era tarde demais. Saban tinha visto o tesouro e sobrevivido, de modo que o pai ficaria sabendo do ouro. Lengar cuspiu, depois se virou e caminhou de novo morro acima. Desapareceu na chuva, arriscando-se à fúria da tempestade para recuperar o resto do ouro.</p>
<p>Esse foi o dia em que o estranho chegou ao Templo Antigo no meio da tempestade, o dia em que Lengar tentou matar Saban e o dia em que tudo no mundo de Ratharryn mudou.</p>
<p>O deus da tempestade se enfureceu sobre a terra naquela noite. A chuva achatou as plantações e transformou os caminhos do morro em riachos. Inundou os pântanos ao norte de Ratharryn e o rio Mai transbordou, arrastando árvores caídas do vale íngreme que serpenteava pelo terreno elevado até chegar à grande curva onde Ratharryn estava construído. A vala de Ratharryn se inundou e o vento golpeou a palha das cabanas e gemeu por entre os postes de madeira dos círculos dos templos.</p>
<p>Ninguém sabia quando as primeiras pessoas haviam chegado àquela terra ao lado do rio, nem como haviam descoberto que Arryn era o deus do vale. No entanto, Arryn devia ter se revelado àquelas pessoas, porque deram seu nome ao novo lar e espalharam templos em seu vale. Eram templos simples, nada além de clareiras na floresta nas quais um círculo de troncos de árvores era erguido, e havia anos — ninguém sabia quantos — o povo seguia os caminhos nas florestas até aqueles círculos de madeira, onde todos imploravam aos deuses para mantê-los em segurança. Com o tempo, o povo de Arryn derrubou a maioria das florestas, cortando carvalho, olmo, freixo e aveleira, e plantou cevada ou trigo nos pequenos campos. Pegavam peixes com armadilhas no rio que era sagrado para a esposa de Arryn, Mai, criavam gado nos pastos e porcos nos trechos de floresta que permaneciam entre os campos, e os rapazes da tribo caçavam javalis, cervos, auroques, ursos e lobos nas florestas selvagens que agora haviam sido empurradas para além dos templos.</p>
<p>Os primeiros templos apodreceram e outros foram feitos, e com o tempo os novos ficaram velhos, mas ainda eram círculos de madeira, se bem que agora os círculos eram de postes aparados, erguidos dentro de um barranco e uma vala que formavam um círculo mais amplo ao redor dos anéis de madeira. Sempre um círculo, porque a vida era um círculo, e o céu era um círculo, e a borda do mundo era um círculo, e o sol era um círculo, e a lua crescia até virar um círculo, e por isso os templos em Cathallo e Drewenna, em Maden e em Ratharryn, na verdade em quase todos os povoados espalhados pela terra, eram feitos na forma de círculos.</p>
<p>Cathallo e Ratharryn eram as tribos gêmeas do interior. Eram ligadas por sangue e tão ciumentas quanto duas esposas. Uma vantagem para uma significava afronta para a outra, e naquela noite Hengall, chefe do povo de Ratharryn, pensava no ouro do Povo de Fora. Havia esperado que Lengar lhe trouxesse o tesouro, mas ainda que Lengar tivesse retornado a Ratharryn com uma bolsa de couro, não fora à cabana do pai. E quando Hengall mandou um escravo exigir que o filho lhe trouxesse os tesouros, Lengar havia respondido que estava cansado demais para obedecer. De modo que agora Hengall estava consultando o sumo sacerdote da tribo.</p>
<p>— Ele vai desafiar você — disse Hirac.</p>
<p>— Os filhos devem desafiar os pais — respondeu Hengall. O chefe era um homem alto e pesado, com o rosto cheio de cicatrizes e uma grande barba hirsuta suja de gordura. Sua pele, como a da maioria das pessoas, era escura de fuligem, sujeira, terra, suor e fumaça entranhados. Por baixo da sujeira, seus braços grossos tinham inúmeras marcas azuis, que mostravam quantos inimigos ele havia matado em batalha. Seu nome significava “Guerreiro”, mas Hengall, o Guerreiro, amava a paz muito mais do que a guerra.</p>
<p>Hirac era mais velho que Hengall. Era magro, suas juntas doíam e a barba branca era rala. Hengall podia liderar a tribo, mas Hirac falava com os deuses, de modo que seu conselho era crucial.</p>
<p>— Lengar vai lutar com você — alertou Hirac.</p>
<p>— Não vai.</p>
<p>— Ele pode lutar. É jovem e forte. — O sacerdote tinha a pele coberta com uma camada seca de calcário branco e água, sobre a qual uma de suas esposas havia traçado padrões em redemoinho usando os dedos abertos. Um crânio de esquilo pendia de um cordel preso ao pescoço, e na cintura havia uma tira com conchas e dentes de urso. O cabelo e a barba estavam cobertos de lama vermelha, que estava secando e rachando ao calor feroz da fogueira de Hengall.</p>
<p>— E eu sou velho e forte — disse Hengall. — E se ele lutar, vou matá-lo.</p>
<p>— Se você o matar — sibilou Hirac —, só lhe restarão dois filhos.</p>
<p>— Um filho — rosnou Hengall, fazendo uma careta feroz para o sumo sacerdote, porque não gostava que lhe lembrassem de como havia tido poucos filhos homens. Kital, chefe do povo de Cathallo, tinha oito filhos homens. Ossaya, que fora chefe de Madan antes de Kital conquistá-lo, fora pai de seis, ao passo que Melak, chefe do povo de Drewenna, tinha 11, de modo que Hengall sentia vergonha por só ter tido três filhos homens, e mais vergonha ainda porque um desses filhos era aleijado. Tinha filhas também, claro, e algumas estavam vivas, mas filhas não eram filhos. E seu segundo filho, o garoto aleijado, o idiota gago chamado Camaban, ele não contaria como seu. Lengar ele reconhecia, bem como Saban, mas não o filho do meio. — E Lengar não vai me desafiar — declarou Hengall. — Não vai ousar.</p>
<p>— Ele não é covarde — alertou o sacerdote.</p>
<p>Hengall sorriu.</p>
<p>— Não, não é covarde, mas só luta quando sabe que pode ganhar. Por isso será um bom chefe, se viver.</p>
<p>O sacerdote estava agachado junto ao mastro central da cabana. Entre seus joelhos havia uma pilha de ossos finos: as costelas de um bebê que havia morrido no inverno anterior. Cutucou-os com um dedo comprido e coberto de giz, empurrando-os em padrões aleatórios que estudou de cabeça inclinada.</p>
<p>— Sannas vai querer o ouro — disse, depois de algum tempo, em seguida parou para deixar aquela declaração agourenta fazer seu serviço. Hengall, como todos os outros seres vivos, sentia um respeito reverente pela feiticeira de Cathallo, mas pareceu descartar o pensamento. — E Kital tem muitos lanceiros — acrescentou Hirac, como mais um alerta.</p>
<p>Hengall cutucou o sacerdote, desequilibrando-o.</p>
<p>— Deixe que eu me preocupe com as lanças, Hirac. Diga o que o ouro significa. Por que veio para cá? Quem o mandou? O que devo fazer com ele?</p>
<p>O sacerdote olhou a grande cabana ao redor. Uma cortina de couro pendia de um dos lados, abrigando as garotas escravas que serviam à nova esposa de Hengall. Hirac sabia que já existia um grande tesouro escondido na cabana, enterrado sob o piso ou escondido sob pilhas de peles. Hengall sempre fora um acumulador, jamais um gastador.</p>
<p>— Se você ficar com o ouro — disse Hirac —, homens tentarão tirá-lo de você. Este não é um ouro comum.</p>
<p>— Nem sabemos se é o ouro de Sarmennyn — disse Hengall, ainda que sem muita convicção.</p>
<p>— É — respondeu Hirac, indicando o pequeno losango trazido por Saban, que brilhava na terra entre os dois. Sarmennyn era um país do Povo de Fora, muitos quilômetros a oeste, e nas últimas duas luas houvera boatos de que o povo de Sarmennyn havia perdido um grande tesouro. — Saban viu o tesouro — disse Hirac —, e é ouro do Povo de Fora, e o Povo de Fora cultua Slaol, mas lhe dão outro nome&#8230; — Ele parou, tentando se lembrar do nome, mas não conseguiu. Slaol era o deus do sol, um deus poderoso, mas seu poder era rivalizado por Lahanna, a deusa da lua, e os dois, que já haviam sido amantes, agora estavam separados. Esta era a rivalidade que dominava Ratharryn e tornava cada decisão agonizante, porque um gesto para um dos deuses gerava ressentimento no outro, e a tarefa de Hirac era manter contentes todos os deuses rivais, não somente o sol e a lua, mas o vento, o solo, o riacho, as árvores, os animais, o capim, a samambaia e a chuva, todos os inumeráveis deuses, espíritos e poderes invisíveis. Hirac pegou o pequeno losango. — Slaol nos mandou o ouro. E o ouro é o metal de Slaol, mas o losango é o símbolo de Lahanna.</p>
<p>Hengall sibilou.</p>
<p>— Está dizendo que o ouro é de Lahanna?</p>
<p>Durante um tempo Hirac não disse nada. O chefe esperou. Era trabalho do sumo sacerdote determinar o significado dos acontecimentos estranhos, embora Hengall fizesse o máximo para influenciar esses significados a favor da tribo.</p>
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