Bolsa de Valores

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Trecho do Livro: Táticas Operacionais de Posição em Ações
Taticas Operacionais de Posicao em Acoes
Autor: Alexandre Wolwacz (Stormer)
Editora: Leandro & Stormer
ISBN: 9788560852000

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Aqui, alguns leitores que não estão acostumados com a metodologia de stops ou dos traders técnicos podem não entender a que estou me referindo.

Não é o objetivo deste livro falar de fundamentos de análise técnica; para isso, existem inúmeros livros básicos sobre o tema. Mas uma rápida revisão pode ser útil.

Existem três tipos de tendências:

1.1 – AS TRÊS TENDÊNCIAS:

Os preços costumam se deslocar em tendências. Essas tendências podem ser divididas a partir da forma com que os topos e fundos se dispõem um em relação ao outro.

São três tendências possíveis:

– Tendência de lado.

– Tendência de alta.

– Tendência de baixa.

1.1.1 – TENDÊNCIA DE LADO

A primeira tendência fácil de ser imaginada é a de lado. É quando temos os topos do mercado sendo efetuados no mesmo nível e os fundos do mercado também no mesmo nível.

Nessa situação, percebe-se que o mercado tem esses limites, e essa seria a forma de distribuição dos preços entre compradores e vendedores.

1.1.2 – TENDÊNCIA DE ALTA

Nesse tipo de situação, temos a relação entre topos e fundos sendo ascendente. Cada topo que temos é mais alto que o topo anterior, e cada fundo que temos é mais alto que o anterior. Esse é o conceito de uma tendência de alta.

Esse tipo de tendência é altamente favorável às pessoas compradas, pois o tempo é aliado ao trader da compra. As pessoas se lembram que ela só sobe e, por isso, seguem na compra pesadamente. Aqui, mesmo as compras ruins podem reverter em lucro.

1.1.3 – TENDÊNCIA DE BAIXA

A relação existente entre os topos e fundos nesse tipo de tendência é de queda. Cada novo topo é mais baixo que o anterior, e cada novo fundo é mais baixo que o anterior. Esse tipo de tendência é especialmente favorável aos traders que operam na venda alugada ou descoberta dos ativos.

Obviamente, a cada dia ou semana que passa o mercado precifica menos por esse ativo. Não é, portanto, um papel que queiramos ter na posição comprada.

Quando visualizamos um ativo que, no semanal, executa esse tipo de movimento, devemos pensar em operá-lo na venda e não na compra.

QUANDO AS TENDÊNCIAS MUDAM

Em primeiro lugar, a tendência só muda quando ela muda. Enquanto ela não tiver mudado, ela continua válida. Assim, uma tendência de alta só deixa de ser uma tendência de alta se a seqüência de topos e fundos ascendentes for suspensa.

Uma tendência de baixa só deixa de ser uma tendência de baixa se a seqüência de topos e fundos em queda for sustada.

A forma mais usual de uma tendência mudar é através dos pivots.

Um pivot de alta termina uma tendência de baixa e inicia uma tendência de alta.

Um pivot de baixa termina uma tendência de alta e inicia uma tendência de baixa.

Para maiores referências sobre esse tema, veja a tática número 7.

Como regra geral, só devemos abandonar uma posição se a tendência em cima da qual estamos operando for revertida.

Dessa forma, se compramos um ativo em tendência de alta e ele mudar de tendência, devemos imediatamente fechar a posição, usando uma ferramenta chamada de stop. Ou seja, fechar a posição com o menor prejuízo possível.

Stop é o ponto em que fechamos uma posição aberta se o mercado atingir aquele determinado preço. Quando temos um stop programado em uma operação, automaticamente teremos o risco máximo da operação. O máximo de perda que teríamos se o mercado fosse contra nossa posição. Assim sendo, entenda o stop como nosso primeiro sistema de segurança.

Muitas vezes, no mercado, vender um ativo com pequeno prejuízo é uma forma de proteger o capital de uma queda ainda maior.

Compramos um papel na expectativa de seguir sua tendência de alta, mas ele reverte e inicia uma tendência de baixa. Qual a solução? Estopar o ativo e sair do papel, procurando outro que esteja em melhor ponto.

O stop é apenas uma das medidas de segurança que usamos como traders técnicos. Existem outras que serão comentadas mais tarde.

AS TRÊS POSIÇÕES NO MERCADO

Agora é importante comentar que existem três posições que podemos assumir no mercado.

A primeira posição é a comprada. Nesta posição assumimos a compra de um ativo na expectativa de que ele venha a subir de preço e seja possível executar sua venda mais caro do que foi comprado. Exemplo: executamos a compra de uma ação ao preço de R$ 3,00. Depois que ele subir, vendemos a R$ 7,00.

A segunda posição possível é a vendida. Nesta posição, vendemos um ativo (que não está em nossa custódia) na expectativa de que, na queda dos seus preços, possamos comprar mais barato e ganhar a diferença. Como vender algo que não temos?

Bem, porque, ao vender um ativo às 10h30 da manhã, não precisamos “entregar” imediatamente as ações vendidas. Teremos de entregá-las no fim do dia. Portanto, podemos esperar que as flutuações levem o preço para baixo daquele em que vendemos e, então, compramos até o fim do dia. Por exemplo: vendemos um ativo ao preço de R$ 7,00 no início da manhã, esperamos sua queda ao longo do dia e compramos a R$ 6,15, lucrando os R$ 0,85 nessa operação. Digamos que tenhamos vendido mil ações a R$ 7,00; imediatamente entra na nossa conta R$ 7.000,00, menos corretagem. Ao recomprar as mesmas mil ações antes do fim do dia para entregá-las, vamos gastar R$ 6.150,00 mais corretagem. Com isso, embolsamos R$ 850,00 menos corretagem em uma operação de day trade.

Obviamente que o position não opera day trade, então como fazer para ganhar dinheiro com ativos em tendência de baixa no semanal? Nós alugamos o papel e efetuamos a venda dele. No princípio, não temos o ativo. Temos apenas dinheiro na corretora para garantir a operação. Encontramos um ativo em tendência de baixa no semanal. Alugamos o ativo junto com a nossa corretora e efetuamos a venda. Podemos ficar “vendidos” quanto tempo quisermos ou até que nosso contrato de aluguel vença. O custo de um aluguel varia conforme o ativo, mas fica em taxas de 5% a 10% ao ano, sendo o custo pró-rata.

Existem dois tipos de contrato de aluguel. Um reversível, que pode ser terminado a qualquer momento que o trader desejar, e esse é o ideal. E existe o contrato de aluguel irreversível, em que o trader só pode devolver o ativo quando terminar o prazo do aluguel.

Nesse tipo de transação, existem três figuras implicadas. A primeira: nós, que estamos querendo ficar vendidos por um prazo mais longo. A segunda: um grande fundo ou investidor que não quer vender o ativo, que precisa, por regulamentos internos, ter em carteira determinada quantidade de um ativo. Nesse caso, ele coloca à disposição os ativos para aluguel. A terceira figura é o sujeito que irá comprar as ações alugadas que estaremos vendendo.

Óbvio que, quando recomprarmos as ações, não será da mesma pessoa para quem vendemos originalmente, assim como as ações recompradas não serão exatamente aquelas que foram vendidas. O sistema casa as ofertas da melhor maneira possível e trata todas as ações da mesma forma. Então, posição vendida pode ser descoberta, que tem que ser fechada no mesmo dia. Ou pode ser posição vendida alugada.

A terceira posição possível no mercado é a posição “de fora”. Neste caso, não estamos nem comprados, nem vendidos, mas sim esperando o momento ideal de abrir alguma das outras posições.

Aliás, a posição de fora é extremamente importante e deve ser muito utilizada pelo trader, pois é ela que permite estarmos com o dinheiro certo e livre na hora certa e no momento certo. Ela que vai dar o timing ao trader. Se um trader não consegue ficar de fora ou líquido, ele verá excelentes pontos de entrada passarem em sua frente sem ter o capital necessário para efetivá-los, enquanto seu capital está preso em alguma operação inerte e errática. Dessa forma, não tenha medo de ficar líquido. Tenha medo, sim, é de ficar todo tempo posicionado; isso demonstra falta completa de serenidade, tranqüilidade e eficiência no timing das operações.

Resumo:

Três tipos de posição:

1) Posição comprada – Comprando por um preço baixo e vendendo quando o preço subir.

2) Posição vendida – Vendendo por um preço alto e recomprando quando estiver mais baixo.

3) Posição de fora – Líquido no mercado, esperando uma ótima entrada.

1.2 – COMO PENSAR EM MONTAR POSIÇÕES CONFORME O MERCADO

Um dos erros freqüentes dos traders é não se adaptar às condições do mercado. Acabam operando o mercado como se ele estivesse sempre no mesmo humor ou na mesma tendência. Seria como um surfista que, todos os dias, ao entrar no mar, entra neste da mesma maneira, com a mesma forma de surfar, sem se importar com a cor da bandeira ou com as condições específicas do mar naquele dia.

Bem, aqui, então, vai uma dica: o mercado muda freqüentemente de humor, e nós temos que mudar junto com ele. Quando fica em uma tendência de alta, temos de agir de uma maneira. Quando fica em tendência de baixa, de outra maneira.

Para ajudar o trader a ganhar flexibilidade operacional, eu desenvolvi um sistema simples de modular a forma operante.

OS TRÊS MODOS OPERACIONAIS:

Temos três modos operacionais a serem bem definidos. Uma vez identificados, devem ficar escritos em cores diferentes no gráfico em qual modo estamos operando para sempre nos lembrarmos de qual forma devemos estar procedendo.

- Primeiro modo

O primeiro modo se chama modo operacional de compra. Quando está ligado, assinamos em verde no topo do gráfico.

Quando temos o mercado em tendência de alta: somente abra posições compradas – pontos de compra em todos os suportes identificados e no rompimento dos topos anteriores. Não abra posições vendidas.

- Segundo modo

O segundo modo se chama modo operacional de lado; uma vez tendo o topo no mesmo nível do anterior ou fundo no mesmo nível do anterior, escrevemos em amarelo no topo do gráfico que esse modo está acionado.

Quando temos o mercado em tendência de lado: abra posição comprada nos suportes, desde que a diferença do preço do suporte até o preço da resistência esperada seja maior que 20%. Abra posição vendida nas resistências, desde que a diferença do preço da resistência até o preço do suporte seja maior que 20% . Não compre rompimentos.

- Terceiro modo

O terceiro modo é o modo operacional de venda; uma vez identificados topos e fundos em queda, colocamos em vermelho no topo do gráfico a sinalização anunciada.

Quando temos o mercado em tendência de baixa: somente abra posições vendidas – pontos de venda nas resistências. Não abra posições compradas.

Tendo esse sistema de modos operacionais ativado, estaremos operando sempre conforme a situação do ativo que estamos acompanhando.

- Resumo:

Modo operacional de compra – Topos e fundos ascendentes no semanal.

Modo operacional de lado – Topos e fundos de lado no semanal.

Modo operacional de venda – Topos e fundos descendentes no semanal.

1.3 – METODOLOGIA DE ACOMPANHAMENTO DO MERCADO

Uma vez definido que sua meta é realizar trades de curto prazo, automaticamente você precisa se dispor a seguir esse método; para isso, não deverá olhar o mercado todos os dias. Se ficar acompanhando todos os dias o mercado, certamente sairá das posições antes do que deveria, terá um aumento no nível de estresse e terá muita dificuldade de seguir a estratégia de curto prazo da forma correta. Portanto, se você definiu que esse é o tipo de operação que deseja realizar, então você só poderá olhar o mercado e a sua posição duas vezes por semana. Ou melhor, você só se permitirá olhar o mercado em dois momentos da semana. Isso mesmo, somente duas vezes por semana. Idealmente, uma no fim de semana, sábado ou domingo, e uma outra vez no meio da semana. No fim de semana, período em que se terá mais tempo para pensar e analisar, será a hora certa de planejar, exceto quando o mercado estiver próximo de um ponto possível de entrada definido no fim de semana.

Planejar é o trabalho do trader. A maior parte do trabalho do trader é ficar planejando seus trades de forma cuidadosa, cautelosa e prudente. O trabalho do trader não é ficar fazendo centenas de trades. Isso não é ser um trader profissional. Um trader profissional é aquele que só entra em posições que tenham sido cautelosamente planejadas, estudadas e, somente então, executadas.

O tempo do planejamento é justamente quando o mercado não esta andando: no fim de semana. Depois de ter feito seu plano no fim de semana, durante a semana vai-se acompanhar apenas para verificar se o mercado chegou ao ponto de entrada planejado. Caso não tenha se aproximado dele, não se opera.

Claro, existirá uma angústia inicial por não estar olhando o mercado todo o tempo, especialmente se o trader estiver “viciado” no mercado. O “vício” no mercado é extremamente freqüente e causa gigantescos problemas para quem tem alguma esperança de resultados consistentes no mercado financeiro. O trader profissional precisa saber controlar sua angústia, seu “vício”, sua necessidade de operar todos os dias.

Assim sendo, a sugestão para os traders que vão operar no curto prazo é: sábado, use o horário das 10h às 11h30min para planejar. Segunda-feira, perto do horário de fechamento do mercado, seria a hora de dar uma segunda olhada no mercado.

Por que sábado de manhã? Porque, após uma boa noite de sono, estamos nas melhores condições de avaliar o gráfico que vamos examinar. Isso é fundamental para que possamos pensar e planejar com clareza. Além disso, durante o fim de semana, o mercado está parado, não existe pressão de tomada de decisão urgente ocorrendo, temos tempo para raciocinar e observar todos os aspectos da operação que estivermos considerando. Segunda-feira será o dia de ajustar stop ou observar se o mercado chegou ao nosso ponto de entrada planejado no sábado de manhã. Como nós só vamos entrar em um ativo se ele atingir determinado preço no fechamento, nós só precisamos olhar o mercado perto desse momento. Exceção feita se precisarmos ajustar algum stop; nesse caso, será importante olhar 15 minutos antes da abertura de segunda-feira.

EXEMPLO DE METODOLOGIA DE ACOMPANHAMENTO

Imagine que é sábado de manhã. Acaba de ver um harami, padrão de reversão clássico em cima de um suporte dado pelo fundo anterior. Operar o harami é muito simples e, mais adiante, falaremos com detalhes sobre isso. Mas então, vendo esse candle, planejamos, na semana seguinte, entrar no ativo assim que fechar qualquer dia acima da máxima do candle menor, ou filhote. No exemplo, assim que fechar acima de R$ 870,00.

Na segunda após às 17h olhamos para verificar o fechamento do papel. Agora, olharemos o gráfico diário, pois estaremos esperando o fechamento do dia acima do preço indicado.

Caso não rompa na segunda, olharemos no dia seguinte e no seguinte até que tenha ocorrido a entrada ou o fim da semana. O plano inclui o stop abaixo da mínima do candle maior do harami. No caso, abaixo de R$ 795,00.

Note que nossa entrada, então, foi feita somente na quinta-feira, quando fechou acima de R$ 870,00 no after market com stop abaixo de R$ 795,00. Não olharemos o papel até sábado de manhã.

Por que não ficar olhando todos os dias? A minha resposta é: por que ficar olhando todos os dias? Se o ativo estiver subindo, estaremos dentro, se o ativo estiver caindo e bater no stop, este automaticamente nos tira da posição; se o ativo estiver de lado, nada acontece e nós não perdemos tempo. Para o trader que usa o prazo semanal de operações, não existe motivo para olhar o dia-a-dia do mercado; se o fizer, certamente estragará suas posições que foram montadas usando um gráfico muito mais forte que é o semanal.

Nem todas as semanas são semanas boas para estar dentro do mercado. Deixe-me refazer a frase: a maior parte das semanas de um mês são péssimas para operar. Fortalecendo a frase anterior: teremos, no máximo, um ou dois pontos de entrada no gráfico semanal no meio de várias outras semanas. Nessas semanas em que não está claro o ponto de entrada, o trader de posição precisa saber fazer uma coisa que necessita realmente de muita disciplina: esperar.

Esperar pela semana certa, pelo set-up certo, pelo momento certo, não agir antes nem depois, mas sim na semana certa.

Parece difícil, mas essa é a missão dos traders mesmo. Eles precisam esperar pelo momento certo para tomar a posição. Um day trader espera várias horas pela hora certa para agir. O swing trader espera vários dias pelo dia certo de agir. O position espera várias semanas pela semana certa.

Por isso, durante o exame do mercado feito no sábado de manhã, algumas perguntas que precisam ser formuladas pelo trader são vitais.

Silenciosamente, ele procura os suportes, procura os candles de reversão, procura os pontos de entrada, Fibonaccis de suporte. Procura as resistências. E, depois disso, ele monta as eventuais estratégias para aquela semana: ponto de entrada, ponto de stop e outras definições.

O trader sabe que só deve fazer movimentos perto de suportes ou perto de resistências. Portanto, a primeira pergunta a ser respondida ao olhar o gráfico é: “Qual o modo operacional?”

Segunda pergunta: “Estou perto de algum suporte ou resistência importante?”

Terceira pergunta: “Na semana que vem, tenho de fazer algum movimento? Ou não?”

O costume de formular essas perguntas esclarece as idéias do trader que estará planejando tudo no fim de semana.

Novamente, para reforçar: olhe o mercado somente duas vezes por semana. Caso contrário, você será hipnotizado pelos movimentos menores dos gráficos inferiores. Dessa forma, olhe no fim de semana, e, se o gráfico semanal não apresenta nenhum ponto de entrada ou nenhum ponto de ação para a semana seguinte, então não há necessidade nem de olhar o mercado durante os dias úteis. Você voltará a olhar somente no fim de semana. Agora, se, ao examinar um gráfico no fim de semana, você identificar a proximidade de um suporte, um candle de reversão, um ponto de entrada interessante que possa ser alcançado durante a semana seguinte, bem, então, essa será uma semana em que você deverá olhar o fechamento de cada dia até que tenha ocorrido um fechamento acima ou no seu ponto de entrada planejado.

Nós apresentaremos no desenrolar do livro uma técnica de manejo de risco. Essa técnica diminuirá o risco de qualquer operação efetuada a, no máximo, 2% do capital do trader.

O correto uso da fórmula de manejo de risco apresentada vai promover a segurança vital às nossas operações, permitindo que, naqueles trades nos quais acertarmos, tenhamos uma rentabilidade elevada e, nos trades nos quais formos estopados, não tenhamos perdido capital suficiente para sequer nos preocuparmos. Além disso, saber que, se a operação que efetuamos não der certo, perderemos menos de 2% do nosso capital nos deixa mais tranqüilos para sequer olharmos o mercado durante a semana. Não precisamos olhar o mercado porque nosso stop já está ligado, se o preço cair até ali, a posição será fechada e, se não cair até ali, é sinal de que estamos bem na operação.

O uso desse sistema que será apresentado mais adiante dará a serenidade necessária. É vital sua correta, fidedigna e sistemática utilização. Infelizmente, muitos traders têm uma resistência natural ao uso de regras que limitem os riscos, pois elas, ao mesmo tempo, impõem a necessidade de disciplina. E exatamente o que muitas pessoas consideram interessante no mercado é o fato de serem donas de seus próprios destinos, o que acaba sendo uma incongruência. Você busca a liberdade de agir, encontra-a no mercado, mas, para sobreviver nele, você precisa se auto-impor normas e regras.

Impressionante como as pessoas têm uma resistência natural a esse tipo de operação. Talvez porque ela remova totalmente a sensação de aventura e a emoção do trade. A decisão já foi tomada, nós só vamos entrar se o mercado fizer exatamente o que tínhamos pensado.

Essa metodologia de acompanhamento é fixa, rígida e não admite que o trader não a siga rigorosamente. Se o trader montar uma operação no semanal, entrar no ativo e depois ficar olhando todos os dias, acabará cometendo erros. Essa ansiedade gerada pelo gráfico de menor periodicidade acaba por confundir o trader. Acaba, muitas vezes, fazendo com que o trader de posição feche uma operação desenhada no semanal apenas porque viu uma estrela ou doji ou qualquer outro candle de reversão no diário. Depois que entrar no ativo, ligue o stop, desligue o computador e esqueça do papel até o sábado seguinte. Essa é uma das melhores orientações que podemos lhe passar, e sabemos que você terá forte resistência a cumprir isso.

Essa resistência surge do fato de você estar acostumado a olhar gráficos diários, que, por sua própria característica, mudam rapidamente de tendência. Mudam rapidamente de direção. Assim sendo, você acaba pensando que o semanal também executa esses movimentos abruptos, essas mudanças de idéia instantâneas. Bem, temos uma ótima notícia para você. O gráfico semanal não muda de tendência tão facilmente. O gráfico semanal, pelo peso de sua representação, acaba sendo inexorável na manutenção de sua tendência, seja ela de alta ou de baixa. Nós veremos um gráfico semanal mudar de tendência uma ou duas vezes em um ano inteiro de operações.

STOPS

Em vários momentos desse livro, diremos: “comprar se romper a máxima da semana anterior”. Ou, então, mencionaremos: “colocar stop abaixo da mínima da semana anterior.”

A dúvida que muitos têm é: quando realmente rompeu a máxima? Quanto abaixo da mínima da semana anterior? Portanto, para uniformizar a linguagem, quando mencionarmos romper a máxima, estaremos nos referindo à técnica de fura-teto e, quando nos referirmos a perder a mínima, estaremos nos referindo à técnica fura-chão.

O que chamamos de fura-chão ou fura-teto, em verdade, é uma adaptação da técnica do envelope de Joe Ross. Na técnica descrita e criada por ele, o coeficiente 0,14 é utilizado nas congestões, retângulos, triângulos ou pivots para identificar a ruptura da resistência ou do suporte dessas áreas. Nós puxamos esse conceito e o utilizamos, não em cima de congestões, mas em cima de um candle semanal, que se desenhe em cima de um suporte ou de uma resistência para, dessa forma, identificar o preço exato em que devemos tomar alguma atitude na semana seguinte.

FURA-TETO

Para identificar um rompimento verdadeiro de uma resistência no semanal, marcamos o suporte da congestão, a resistência da congestão. Calculamos sua amplitude.

Multiplicamos a amplitude por 0,14. Teremos o resultado, que deverá ser adicionado à resistência. O preço resultante é aquele no qual o mercado precisará fechar acima em qualquer dia da semana para realmente ter rompido a resistência.

Assim sendo, na figura 7, temos um exemplo do método em utilização, calculando o fura-teto para efetuar a compra caso seja rompido esse ponto na semana seguinte.

Cálculo = [(Máxima - Mínima) x 0,14] + Máxima da semana, ou seja:

[(R$ 7,23 - R$ 6,85) x 0,14] + R$ 7,23 = R$ 7,28

Assim, fica estabelecido que qualquer dia na semana seguinte que feche acima de R$ 7,28 estará orientando compra no after-market ou na abertura do dia seguinte. Esse é o nosso ponto de ação na semana seguinte. Ficaremos olhando todos os fechamentos da semana seguinte até que algum dia feche acima desse preço e nós possamos montar a nossa entrada.

FURA-CHÃO

O sistema de stop fura-chão é um sistema muito sensível de stop que pode ser utilizado de duas formas:

1) Calculando a amplitude de uma congestão formada por mais de um candle semanal (essa forma é mais segura e, ao mesmo tempo, obtém um stop mais longo), e;

2) Calculando o fura-chão de uma única semana. A primeira idealmente como stop de entrada após ter iniciado uma operação. A segunda forma é ideal para deixar um stop muito curto no ativo que estivermos comprados quando ele se aproximar de uma resistência antecipada.

Assim sendo, no exemplo da figura 7, em que traçamos nosso ponto de compra ao fechar acima de R$ 7,28, que era nosso fura-teto, podemos, ao mesmo tempo, calcular o fura-chão daquela semana e, com isso, o ponto de stop.

Stop de posição comprada = Mínimo – [(Máximo - Mínimo) x 0,14], ou seja:

R$ 6,85 – [(R$ 7,23 - R$ 6,85) x 0,14] = R$ 6,79

Dessa forma, após nossa entrada em R$ 7,28, nosso ponto de stop pelo fura-chão fica em R$ 6,79. O coeficiente 0,14 é o fator de ajuste identificado.

Nosso stop fica nesse ponto ou logo abaixo. Lembre-se: se o nosso stop cair em cima de um número redondo, não coloque nesse valor. Assim sendo, supondo que fizemos o cálculo e o resultado foi R$ 5,00. Não coloque o stop exatamente em cima do valor redondo R$ 5,00, coloque em R$ 4,93. Por quê? Porque, à medida que os preços se aproximam de um número redondo, esse número, psicologicamente, serve de imã ao mercado. Então, se um preço se aproxima de R$ 5,00, o teste desse número redondo é muito provável. O mercado segue caindo até bater nesse número e ali encontrar suporte.

Da mesma forma para cima. O IBOVESPA subindo, se aproximando dos 30.000 pontos, leva todo o mercado a querer “ver” esse teste e ir subindo até ali. Ao atingir esse valor, entra a força de venda, e o mercado sente o número. Os números redondos, psicologicamente, funcionam como importantes suportes e importantes resistências. Por exemplo: quando vemos um trader pesado ordenar uma compra forte, ele o faz da seguinte maneira: “Compre tudo até os R$ 50,00!”. Não se vê um trader ordenar: “Compre tudo até R$ 49,73!”. Mesmo quando se trata de um trader menor no mercado, que pensa em comprar uma ação de valor próximo dos R$ 7,40, sua idéia de venda é arredondada para perto de um número redondo tipo R$ 9,00 ou R$ 10,00.

Exatamente por isso, nossos stops não devem ser compostos de números redondos, mas sim de números fragmentados.

A real importância no stop é que ele é basicamente o freio do nosso carro, limitando as perdas que possamos vir a ter em qualquer operação que tenhamos.

É vital que o trader tenha sempre um stop programado para cada uma de suas operações. Não existe operação para um trader se ele não tiver um stop programado.

Um stop bem planejado sendo acionado, no prejuízo, não é problema. O problema é não ter um stop planejado e, depois que o ativo despencou quilômetros, pelo desespero fechar uma posição com um megaprejuízo. Ruim não é o seu stop ser acionado, ruim é você não ter stop.

Existe, nos traders iniciantes, uma resistência a acionar ou posicionar stops. Isso porque eles não querem aceitar perdas em nenhuma hipótese. Essa não é a maneira ideal, psicologicamente, de encarar o mercado. Primeiro, porque acionar um stop não é uma perda, mesmo que no prejuízo, não é. Perda é quando você realiza algo fora do programado.

Risco de negócio é quando você perde parte de um capital empregado em uma operação planejada, estruturada e programada.

Quando um trader compra um ativo, ele entende que ele está fazendo um negócio. E, nesse negócio, como em todos os negócios, existe um risco.

O trader tem que entender que toda operação iniciada sempre inicia no prejuízo. Ou seja, ao abrir uma posição você já está perdendo. O que você já está perdendo? Os custos de corretagem com certeza, o custo do stop também deve ser considerado perdido. Uma vez entendendo que o risco do negócio feito nessa operação é o valor que existe entre o ponto em que foi efetuada a compra e o ponto onde se encontra o seu stop, o trader começa a entender o conceito de manejo de risco.

Primeira e maior de todas as regras – o sistema de manejo de risco

Uma das questões que os traders menos experientes não gastam tempo pensando é: quantos lotes devem ser comprados em cada trade iniciado. Geralmente eles entram com todo ou quase todo o capital disponível no momento. Esse é um grande erro. Mesmo que tenha vários trades positivos, no primeiro negativo, pelo tamanho exagerado da posição, se entrega todo o lucro dos trades anteriores.

Portanto, o trader profissional sabe que deve dosar a quantidade de lotes a serem introduzidos na operação. Quantos lotes nós compraremos? Aqui, cabe o uso de um sistema de manejo de risco.

Como não acertaremos todos os trades que realizarmos, os que errarmos não podem comprometer de forma significativa o nosso capital. Para que isso ocorra, devemos limitar o número de lotes que compramos em relação ao risco da operação executada. Assim sendo, nas operações mais seguras, especificamente naquelas em que compramos pertíssimo do suporte, podemos comprar um maior número de lotes. Nas operações de maior risco, em que compramos longe do nosso ponto de stop, devemos, por prudência, comprar um menor número de lotes.

A regra é: não se permitir perder mais de 2% do seu capital em um único trade.

Existe uma fórmula rápida para nós sabermos quantos lotes devemos comprar de um determinado ativo.

RC – Corretagem = Tamanho do lote
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PE – PS

RC (risco calculado) é o máximo de perda que sua conta pode tolerar em um único trade.

Para calcular isso:

RC é o capital de investimento x 2%.
PE é o preço em que ocorreu a entrada no ativo.
PS é o preço do stop.

Dessa forma, o resultado dessa diminuição é o tamanho de capital que está em risco no trade específico. Note, 2% é um valor destinado para traders que operem com um capital entre R$ 10.000,00 e R$ 150.000,00. Para capitais maiores, devemos reduzir ainda mais a margem de risco. Seguindo uma tabela:

Capital (de – até – risco)
R$ 10.000,00 – R$ 150.000,00 – 2%
R$ 150.000,00 – R$ 250.000,00 – 1,5%
R$ 250.000,00 – R$ 350.000,00 – 1%
acima de R$ 350.000,00 – 0,5%

Peguemos um exemplo:

Digamos que um trader tenha R$ 150.000,00 para operar no mercado.

Usando o manejo de risco, ele se permitiria perder no máximo 1,5% em uma operação. Ou seja, R$ 2.250,00 é o máximo de risco em qualquer operação. Ao observar o gráfico da figura 9, ele identifica um suporte, identifica uma compra ao romper o fura-teto da semana com um stop no fura-chão.

Nesse caso o fura-teto é em R$ 11,07, e o fura-chão em R$ 10,43.

O trader, efetuando essa operação, sabe que tem um risco de negócio de R$ 0,64.

Para que ele saiba exatamente quantos lotes poderiam ser comprados mantendo o risco de negócio em no máximo R$ 2.250,00, basta dividir o valor máximo de risco pelo fator de risco de negócio. R$ 2.250,00/R$ 0,64. O resultado seria a permissão de comprar 3.515 ações. No caso, para operar somente com lotes integrais, poderia optar por comprar 3.500 ações a R$ 11,07, o que teria um custo aproximado de R$ 38.745,00. Esse é o limite máximo de ações que pode ser comprado nessa operação.

Se esse sistema de manejo de risco for utilizado pelo trader, não haverá possibilidade de perdas maiores do capital. Obviamente que o sistema muitas vezes impede que o trader monte megaoperações. E é exatamente isso que deve ser feito, pois megaoperações, quando dão errado, causam megaprejuízos, muito maiores do que poderiam ser permitidos ou suportados pelo capital.

A beleza desse sistema é a segurança implícita que ele fornece ao trader. Que agora sabe que, caso seu stop seja acionado, a perda é perfeitamente tolerável. Outro aspecto interessante dessa regra é a idéia de que, se a compra for próxima do suporte, será automaticamente próxima do stop e, nesse sistema, será permitida uma compra mais forte. Caso se opte por uma compra longe do suporte, com um stop mais longo, a regra nos força a diminuir a quantidade de capital exposta ao risco.

Não existe trader técnico bem-sucedido que não tenha um sistema de manejo de risco em suas operações e que lhe diga qual a força que deve aplicar em cada diferente trade.

Se você operar sem um sistema de manejo de risco, mais cedo ou mais tarde será esmagado por uma perda maior, que destruirá meses de operações bem-sucedidas.

Sempre use o manejo de risco. Nunca opere sem manejo de risco.

Não existem palavras suficientes no mundo para reforçar a importância de sempre usar esse sistema. É mais importante do que qualquer outra ferramenta que está neste livro.

Portanto, daqui para frente, em todos os set-ups de entrada que forem citados neste livro, considere automática a aplicação do manejo de risco. Em toda e qualquer compra ou venda planejada, sempre será usado o sistema descrito para identificar quantos lotes foram operados.

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Trecho do Livro: Estratégia Acionária Para Vencer na Bolsa de Valores
Estrategia Acionaria Bolsa de Valores
Autor: Rivadavila S. Malheiros
Editora: Novatec
ISBN: 9788575221518

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Mercado de ações na BOVESPA

1.1 Mercado de ações

Tudo começa com uma grande idéia que se transforma em um negócio. Uma empresa com o objetivo de se expandir faz um lançamento inicial de ações para captar recursos financeiros (IPO em inglês – Initial Public Offer). A característica fundamental de uma empresa S.A (Sociedade Anônima) é a divisão do seu capital em partes iguais denominadas ações. Por sua vez, a ação representa uma parte do capital referente ao investimento feito pelos acionistas, conferindo a estes uma parcela de direito na participação no controle e nos lucros da empresa, bem como em suas obrigações.

Após o lançamento desse tipo de certificado, sua negociação ocorre em mercados organizados conhecidos como Bolsas de Valores.

As ações podem ser de dois tipos:

– Ordinárias – Proporcionam participação nos resultados da empresa e conferem ao acionista o direito de voto em assembléias gerais.

– Preferenciais – Garantem ao acionista a prioridade no recebimento de dividendos (geralmente em percentual mais elevado do que o atribuído às ações ordinárias) e no reembolso de capital, no caso de dissolução da sociedade. Este tipo de ação não possui direito a voto.

Tanto as ações ordinárias quanto as preferenciais são sempre nominativas, dando origem à notação ON ou PN depois do nome da empresa.

As ações também podem ser diferenciadas por classes: A, B, C ou alguma outra letra que apareça após o “ON” ou o “PN”. As características de cada classe são estabelecidas pela empresa emissora da ação em seu estatuto social. Essas diferenças variam de uma empresa para outra.

Exemplos de nomenclatura das ações:

– Petrobras ON = PETR3 Petrobras PN = PETR4

– Vale do Rio Doce PNA = VALE5

Combinações de ON com PN geram as chamadas Units

Exemplo: América Latina Logística Units = ALLL11

A participação nos resultados e os benefícios concedidos pela empresa emissora são algumas das motivações para o investimento em ações. As empresas propiciam benefícios aos seus acionistas, sob a forma de proventos (dividendos, bonificações) ou de direito de preferência na aquisição de ações (subscrição).

– Dividendos – Valor correspondente à parcela de lucro líquido distribuída aos acionistas, na proporção da quantidade de ações detida, ao fim de cada exercício social. Por lei, a companhia deve distribuir, no mínimo, 25% de seu lucro líquido.

– Bonificação – Ação nova, proveniente de aumento de capital por incorporação de reservas, distribuída gratuitamente aos acionistas na proporção das originalmente possuídas. Às vezes, a empresa poderá optar por distribuir essas reservas, ou parte delas, em dinheiro, gerando o que se denomina bonificação em dinheiro.

– Direito de subscrição – Direito de adquirir novas ações lançadas para venda pela empresa na quantidade proporcional às já possuídas. O acionista poderá transferir o direito de subscrição a terceiros, mediante a venda desse direito em pregão.

Uma ação ainda com os direitos é chamada de Ação Cheia, enquanto que chamamos de Ação “Ex” aquela cujo direito ao provento já foi destacado da ação.

Apenas podem ser negociadas em bolsa as ações que não possuam proventos anteriores a receber. Assim, quando a assembléia de uma empresa aprova a distribuição de um provento, as ações passam a ser negociadas na forma “ex”.

Exemplo: As ações de uma empresa encerraram o pregão valendo R$ 10,00 e, após o fechamento, foi divulgado um fato relevante, informando que, a partir do próximo pregão, estas estariam ex-dividendo em decorrência do pagamento de R$ 0,50. A princípio, no pregão seguinte, as ações valerão R$ 9,50, já que os R$ 0,50 são computados como créditos aos acionistas.

Além dos direitos de proventos, eventualmente o investidor poderá ter ganhos de capital mediante a valorização da ação no mercado secundário (Bolsa de Valores). Essa valorização dependerá de uma série de fatores, tais como desempenho da empresa, comportamento da economia interna, cenário externo etc.

Em geral, o critério de escolha das ações ocorre a partir das qualidades da empresa e do seu nível de liquidez em bolsa (volume e quantidade de negócios), com as ações sendo classificadas como:

– blue chips ou de 1ª. linha – São ações de grande procura por parte dos investidores, normalmente de empresas tradicionais, de grande porte e excelente reputação (PETR4, VALE5, BBDC4 etc).

– 2ª. linha – São ações um pouco menos líquidas, de empresas de boa qualidade de grande e médio portes (Gol, Natura etc).

– 3ª. linha – São ações com pouca liquidez, em geral de companhias de médio e pequeno portes, cuja negociação nem sempre acontece em todos os pregões (Plascar, Guararapes etc).

1.2 A BOVESPA

O lançamento de novas ações com aporte de recursos à empresa emissora é conhecido como mercado primário, enquanto que a negociação das ações já postas em circulação ocorre no mercado secundário (ambiente de bolsas de valores ou mercados de balcão).

A primeira bolsa do mundo foi fundada em 1141, em Paris, e regulamentada em 1304. No Brasil, apesar da fundação da Bolsa Oficial de Títulos de São Paulo, em 1895, somente depois das reformas de 1964 a BOVESPA tomou a forma que conhecemos até hoje.

Durante boa parte de sua vida, a Bolsa de Valores de São Paulo – BOVESPA – funcionou como uma associação civil sem fins lucrativos e pertencente às corretoras de valores. Porém, em 2007, uma nova companhia foi constituída como uma sociedade holding, com a finalidade de reorganizar as atividades desenvolvidas pela BOVESPA.

Com a desmutualização, o objeto social da companhia passou a ser de participar em sociedades que exercecem atividades de negociação, liquidação, custódia e supervisão da negociação, ou outros serviços relacionados a valores mobiliários, títulos, ativos, contratos e direitos negociados no mercado financeiro e de capitais.

A BOVESPA Holding desempenha uma importante função de auto-regulação, fiscalizando as empresas listadas, os negócios realizados e as corretoras de valores, trabalhando para garantir o cumprimento de todas as exigências que a legislação determina. Vale destacar que a BOVESPA é fiscalizada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

A BOVESPA não compra nem vende ações apenas fornece tudo o que é necessário para que as corretoras de valores comprem e vendam ações para seus clientes (investidores).

Até 2005, além do sistema eletrônico de negociação, existia também o pregão viva-voz, no qual os operadores apregoavam no salão as ofertas de compra e venda das ações. Entretanto, como o sistema eletrônico de negociação – o MEGA BOLSA – já representava mais de 90% dos negócios realizados, em setembro desse ano a BOVESPA extinguiu o viva-voz.

1.3 Mercado à vista

Chama-se de mercado à vista a compra ou venda de uma determinada quantidade de ações a um preço estabelecido em pregão. Assim, quando há a realização de um negócio, cabe ao comprador desembolsar o valor financeiro envolvido na operação e ao vendedor a entrega dos títulos-objeto da transação.

O preço de cada papel é formado a partir da interação entre as forças de oferta e demanda durante o pregão. É importante destacar que a realização dos negócios no mercado à vista requer a intermediação de uma sociedade corretora que utiliza o sistema eletrônico MEGA BOLSA para o encontro das ofertas de compra e de venda.

É possível acompanhar o andamento das operações no mercado à vista, durante todo o pregão, por meio da rede de terminais da BOVESPA, dos terminais de um vendor de informações, bem como por telefone, pelo serviço Disque BOVESPA.

Basicamente o investidor poderá dar ordens a mercado, ordens limitadas e ordens de stop.

– Ordem a mercado – O investidor especifica somente a quantidade de ações que deseja comprar ou vender. A corretora deverá executar a ordem a partir do momento que recebê-la.

– Ordem limitada – A operação será executada por um preço igual ou melhor que o indicado pelo investidor.

– Ordem on-stop – É aquela que especifica o nível de preço a partir do qual a ordem deve ser executada. Uma ordem on-stop de compra deve ser executada a partir do momento em que, no caso de alta de preço, ocorra um negócio a preço igual ou superior ao preço especificado. Uma ordem on-stop de venda deve ser executada a partir do momento em que, no caso de baixa de preço, ocorra um negócio a preço igual ou inferior ao preço especificado.

Vale lembrar que sobre as operações realizadas no mercado à vista há incidência da taxa de corretagem pela intermediação (livremente pactuada entre o cliente e a corretora), os emolumentos da bolsa e as taxas de liquidação.

Caso o investidor obtenha ganho de capital com a operação, venda da ação a um preço superior ao de compra, o ganho líquido obtido será tributado à alíquota de imposto de renda vigente, como ganho de renda variável. O cálculo é feito da seguinte forma:

preço de venda – preço de compra – custos da transação(*)

(*)corretagem, emolumentos e demais taxas sobre a operação

Prejuízos obtidos nesse e em outros mercados (ex.: opções) podem ser compensados, exceto operações iniciadas e encerradas no mesmo dia (day-trade), que somente poderão ser compensados com ganhos em operações da mesma espécie.

1.4 Liquidação

A transferência da propriedade das ações e o pagamento/recebimento do montante financeiro envolvido nas operações são realizados pela CBLC.

A Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) foi criada em 1997, a partir de uma cisão da Bolsa de Valores de São Paulo – BOVESPA.

Para uma operação de venda no mercado à vista, as ações-objeto de negociação devem estar disponíveis na conta de custódia do vendedor, para entrega ao comprador, até o horário-limite estabelecido pela CBLC.

A não-entrega total ou parcial das ações-objeto após três dias da negociação (D+3) ou a ausência de apresentação de documentos necessários à liquidação caracterizam a falta da entrega de ativos e resultam em multa ao vendedor das ações.

Caso os ativos não sejam entregues, a CBLC aciona, no mesmo dia, o mecanismo de tratamento de falta de entrega – o Processo de Recompra de Ativos –, além de cobrar nova multa sobre o valor dos ativos não- regularizados.

Todo esse processo pode ser dividido em duas etapas:

1. Entrega dos títulos – Implica a disponibilização dos títulos à CBLC, pela sociedade corretora intermediária ou pela instituição responsável pela custódia dos títulos do vendedor. As ações ficam disponíveis ao comprador após o respectivo pagamento.

2. Liquidação financeira – Compreende o pagamento do valor total da operação pelo comprador, o respectivo recebimento pelo vendedor e a efetivação da transferência das ações para o comprador.

1.5 Novo Mercado

O Novo Mercado é um segmento da BOVESPA, no qual se enquadram as ações emitidas por companhias que se comprometam, voluntariamente, com a adoção de práticas de governança corporativa adicionais em relação ao que é exigido pela legislação.

A entrada de uma companhia no Novo Mercado ocorre por meio da assinatura de um contrato e implica a adesão a um conjunto de regras societárias. Basicamente essas regras, consolidadas no Regulamento de Listagem do Novo Mercado, ampliam os direitos dos acionistas e melhoram a qualidade das informações usualmente prestadas pelas companhias. A principal exigência do Novo Mercado é que o capital social da companhia seja composto apenas por ações ordinárias. Somado a isso, a companhia tem como obrigações:

– Extensão para todos os acionistas das mesmas condições obtidas pelos controladores quando da venda do controle da companhia (tag along).

– Realização de uma oferta pública de aquisição de todas as ações em circulação, no mínimo pelo valor econômico, nas hipóteses de fechamento do capital ou cancelamento do registro de negociação no Novo Mercado.

– Conselho de Administração com um mínimo de cinco membros e mandato unificado de até dois anos, permitida a reeleição. No mínimo, 20% dos membros deverão ser conselheiros independentes.

– Manutenção em circulação de uma parcela mínima de ações, representando 25% do capital social da companhia.

– Quando da realização de distribuições públicas de ações, adoção de mecanismos que favoreçam a dispersão do capital.

– Adesão à Câmara de Arbitragem do Mercado para resolução de conflitos societários.

– Divulgação de demonstrações financeiras de acordo com padrões internacionais IFRS ou US GAAP.

– Melhoria nas informações prestadas, adicionando às Informações Trimestrais (ITRs) – documento que é enviado pelas companhias listadas à CVM e à BOVESPA, disponibilizado ao público e que contém demonstrações financeiras trimestrais – entre outras: demonstrações financeiras consolidadas e a demonstração dos fluxos de caixa.

– Melhoria nas informações relativas a cada exercício social, adicionando às Demonstrações Financeiras Padronizadas (DFPs) – documento que é enviado pelas companhias listadas à CVM e à BOVESPA, disponibilizado ao público e que contém demonstrações financeiras anuais – entre outras, a demonstração dos fluxos de caixa.

– Melhoria nas informações prestadas, adicionando às Informações Anuais (IANs) – documento que é enviado pelas companhias listadas à CVM e à BOVESPA, disponibilizado ao público e que contém informações corporativas – entre outras: a quantidade e as características dos valores mobiliários de emissão da companhia detidos pelos grupos de acionistas-controladores, membros do Conselho de Administração, diretores e membros do Conselho Fiscal, bem como a evolução dessas posições.

– Realização de reuniões públicas com analistas e investidores, ao menos uma vez por ano.

– Apresentação de um calendário anual, do qual conste a programação dos eventos corporativos, tais como assembléias, divulgação de resultados etc.

– Divulgação dos termos dos contratos firmados entre a companhia e partes relacionadas.

– Divulgação, em bases mensais, das negociações de valores mobiliários e derivativos de emissão da companhia por parte dos acionistas – controladores.

– Além de presentes no Regulamento de Listagem, alguns desses compromissos deverão ser aprovados em assembléias gerais e incluídos no Estatuto Social da companhia.

Algumas empresas adotam algumas práticas de governança corporativa, mas não se enquadram em todas as regras do Novo Mercado. Elas estão, no entanto, qualificadas a integrar um segmento de listagem especial da BOVESPA que reúne empresas com Níveis Diferenciados de Governança Corporativa, divididos em duas categorias: Nível 1 e Nível 2.

As Companhias Nível 1 comprometem-se, principalmente, com melhorias na prestação de informações ao mercado e com a pulverização das ações.

As Companhias Nível 2, por sua vez, comprometem-se a cumprir as regras aplicáveis ao Nível 1 e, adicionalmente, um conjunto mais amplo de práticas de governança relativas aos direitos societários dos acionistas minoritários.

Com o objetivo de medir o desempenho de uma carteira teórica composta por ações de empresas que apresentem bons níveis de governança corporativa, a BOVESPA criou o IGC – Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada. Para pertencer ao IGC, as empresas precisam ser negociadas no Novo Mercado ou estar classificadas nos Níveis 1 ou 2 da BOVESPA.

De julho de 2001 a abril de 2007 o IGC acumulou uma alta de 460%.

1.6 Ibovespa

O Índice Bovespa é o mais importante indicador do desempenho médio das cotações do mercado de ações brasileiro. Sua relevância é fruto do fato de representar mais de 80% do volume de negócios realizados no mercado à vista, além de sua tradição desde 1968.

A finalidade básica do Ibovespa é a de servir como indicador médio do comportamento do mercado, e sua composição procura se aproximar o máximo possível da real configuração das negociações à vista na BOVESPA.

A carteira teórica do Ibovespa é composta pelas ações que atenderam cumulativamente nos últimos 12 meses aos seguintes critérios:

– estar incluída em uma relação de ações cujos índices de negociabilidade somados representem 80% do valor acumulado de todos os índices individuais;

– apresentar participação, em termos de volume, superior a 0,1% do total;

– ter sido negociada em mais de 80% do total de pregões do período.

A participação de cada ação na carteira depende de sua representatividade em termos de número de negócios e volume financeiro em relação ao mercado como um todo. Uma ação selecionada para compor a carteira só deixará de participar quando não conseguir atender a pelo menos dois dos critérios de inclusão anteriormente indicados ou no caso de estar sob regime de recuperação judicial, processo falimentar, situação especial ou sujeitas a prolongado período de suspensão de negociação.

Vale destacar que a carteira do Ibovespa é reavaliada ao final de cada quadrimestre. Nas reavaliações identificam-se as alterações na participação relativa de cada ação no índice, bem como sua permanência ou exclusão, e a inclusão de novos papéis. A carteira teórica do Ibovespa vigora para os períodos de janeiro a abril, maio a agosto e setembro a dezembro.

1.7 Corretora

As sociedades corretoras são instituições financeiras credenciadas pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários e pela própria Bolsa de Valores, e estão habilitadas a negociar valores mobiliários em pregão. As corretoras podem ser definidas como intermediárias especializadas na execução de ordens e operações por conta própria e determinadas por seus clientes, além da prestação de uma série de serviços a investidores e empresas.

A escolha do intermediário que irá administrar os recursos do investidor exige muita atenção, sendo importante alguns requisitos básicos como:

– tradição e solidez da instituição como administradora de recursos;

– idoneidade pessoal do administrador;

– experiência no gerenciamento de recursos, relacionado à capacidade de indicar as melhores alternativas e os momentos mais adequados para a realização dos negócios;

– situação legal regular com autorização de funcionamento dada pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários, além de ser membro ativo da BOVESPA;

– competência e ética para atender às necessidades do investidor.

Para efetuar qualquer compra e venda de ações, o cliente precisa abrir uma conta na corretora a partir do preenchimento de uma ficha cadastral e apresentação de alguns documentos exigidos (cópia do RG, CPF, comprovante de residência etc).

É permitido que o investidor tenha conta em mais de uma corretora.

1.8 Home Broker

Para permitir uma maior participação dos investidores pessoa física no mercado acionário e, ao mesmo tempo, tornar mais ágil e simples a atividade de compra e venda de ações, foi criado um canal para a negociação de ações via Internet, o sistema Home Broker. Além da praticidade e rapidez nas negociações, o Home Broker oferece outras vantagens como:

– acompanhamento da carteira de ações em tempo real;

– acesso às cotações (algumas corretoras oferecem também notícias e análises sobre o mercado);

– envio de ordens imediatas, ou programadas, de compra e venda de ações;

– recebimento da confirmação de ordens executadas, canceladas etc.

Em geral, as corretoras que operam via Home Broker exigem de seus clientes saldo disponível em conta corrente na data do envio da ordem para garantir a liquidação financeira da operação. Ou seja, no ato da compra, o sistema da corretora consultará o saldo em conta corrente do cliente, e, caso este não seja suficiente para cobrir a operação, a ordem não será executada e automaticamente cancelada.

Segundo dados da BOVESPA, em abril de 2007 o número de investidores que operavam via Home Broker ultrapassou o nível de 100 mil (40% das corretoras que possuem um sistema Home Broker aderiram à corretagem fixa, isto é, custo fixo independente do tamanho da operação realizada).

1.9 Análise Fundamentalista

A informação sobre o passado e o presente é utilizada para a avaliação de desempenho de uma ação ou do mercado como um todo. Porém, a principal função da informação é servir de subsídio para a projeção do comportamento futuro dos preços das ações.

O estudo do mercado e o momento mais propício para comprar ou vender uma determinada ação podem ser feitos mediante o uso da análise fundamentalista e da análise técnica.

A análise fundamentalista, como o próprio nome sugere, baseia-se nos fundamentos da empresa como:

– informações históricas contábeis e financeiras;

– cenários macroeconômicos, riscos envolvidos, valores éticos e socio-ambientais, entre outros.

A partir da análise conjunta de tais elementos, são definidas as premissas para a elaboração da projeção de resultados para os próximos anos. Essa medida de desempenho permite construir os fluxos de caixa futuros (a quantidade de anos projetados depende da natureza da atividade – em geral são projetados no mínimo cinco anos) a fim de determinar o valor “justo” do negócio.

Com o objetivo de desenvolver uma análise sólida sobre as empresas, o primeiro passo a ser dado é o desenho do quadro econômico do país. Afinal, sem um ambiente econômico positivo as empresas encontrarão dificuldades no desenvolvimento do seu negócio.

A chamada análise macroeconômica trabalha com projeções do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), inflação, consumo pessoal, exportações, importações, balança de pagamentos, déficit público, além das políticas fiscal e monetária (tributos e taxa de juros).

A partir das perspectivas econômicas, é possível classificar os setores da economia mais beneficiados e os mais prejudicados para um determinado cenário.

Após a avaliação econômica e setorial, é possível encontrar as empresas que projetam melhor desempenho entre seus pares. Isso é feito a partir do estudo do balanço patrimonial da empresa e com a análise das contas patrimoniais (caixa, máquinas, instalações, lucros retidos, prejuízos acumulados etc.) e do demonstrativo de resultado. Os principais múltiplos fundamentais de uma empresa são:

– Lucro por Ação (LPA) – Lucro líquido da empresa dividido pelo número de ações existente.

– Valor Patrimonial por Ação (VPA) – Patrimônio líquido dividido pela quantidade de ações existente.

– Preço / Lucro por Ação (P/L) – Esta relação decorre da divisão entre o preço da ação na bolsa pelo lucro líquido por ação (anual ou anualizado por alguma técnica adequada). A princípio, esse resultado espelha o prazo de retorno do investimento, caso o lucro gerado fosse constante ao longo do tempo e distribuído em sua totalidade.

– Preço / Valor Patrimonial por Ação (P/VPA) – Esta relação costuma ser utilizada dentro de um mesmo setor de atividade e avalia o prêmio que o mercado está pagando em relação ao valor contábil da empresa.

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Trecho do Livro: Avaliando Empresas, Investindo em Ações
Avaliando Empresas
Autores: Carlos Alberto Debastiani e Felipe Augusto Russo
Editora: Novatec
ISBN: 9788575221792

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Vamos iniciar nossa abordagem sobre análise fundamentalista buscando entender, no decorrer deste capítulo, qual a natureza dos diversos fatores relacionados à macroeconomia que podem interferir nos negócios ou no mercado de uma empresa, avaliando também o grau dessa interferência.

Consideramos esse tema de vital importância – razão pela qual decidimos tratá-lo logo no início, a fim de conceituar muito bem cada um desses fatores –, dada sua influência sobre a vida das empresas.

Detalhamos, a seguir, os principais indicadores macroeconômicos que o investidor deverá levar em consideração durante a análise de uma empresa. Elencamos também os efeitos positivos e negativos que cada um deles pode desencadear, e como esses efeitos afetam, de forma prática, a vida de uma empresa.

Índices de inflação

Os índices de inflação são os termômetros da economia de um país, indicando o grau de equilíbrio entre a oferta e a demanda. Por meio deles, percebemos, nos diversos setores da economia, o quanto as empresas estão preparadas para atender os consumidores em relação à capacidade produtiva.

Quando o consumo se aquece e não há oferta suficiente, o índice de inflação apresenta uma variação positiva. De forma análoga, havendo redução no consumo, o índice tende a variar negativamente, forçado pela presença da oferta maior que a demanda.

Os índices de inflação são calculados por meio de uma composição de pesos. Por exemplo, se dissermos que o leitor vive somente de pão e água e supormos que o peso de cada um desses itens é de 50% em seu orçamento, poderemos criar o Índice Leitor. Sua composição seria a seguinte:

Índice Leitor = (Variação de Preço do Pão x 50%) + (Variação do Preço do Litro de Água x 50%)

Se em 1 ano o preço do pão aumentasse 20% e o preço da água, 10%, o índice de inflação do leitor seria de 15%. Isso significa dizer que se no ano passado o leitor pagava R$ 1,00 por um pão e um copo de água, este ano pagará R$ 1,15.

Utilizando esse mesmo conceito, entidades como a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calculam regularmente índices que serão utilizados como balizadores de nossa economia.

Entre os índices calculados por essas instituições, merecem destaque os mencionados a seguir.

– Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): Índice de inflação oficial do país utilizado como parâmetro para a política de metas de inflação. É calculado pelo IBGE entre o 1º e o 30º dia de cada mês e reflete o custo de vida para famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos, nas principais regiões metropolitanas do país. Em sua composição estão inclusos os gastos com alimentação, habitação, transportes, comunicação, vestuário, saúde e cuidados pessoais.

– Índice de Preços por Atacado (IPA): Índice calculado pela FGV com base nos preços do mercado atacadista, abrangendo etapas do processo produtivo que precedem o preço do varejo.

– Índice de Preços ao Consumidor da Fipe (IPC-Fipe): Índice calculado pela Fipe com base nos custos de habitação, alimentação, transportes, despesas pessoais, saúde, vestuário e educação para uma faixa de renda familiar de 1 a 20 salários mínimos.

– Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC): Índice calculado pelo IBGE, que mede a variação de preços em produtos de alimentação e bebidas, artigos de residência, comunicação, despesas pessoais, educação, habitação, saúde e cuidados pessoais, transportes e vestuário para uma faixa de renda familiar de 1 a 20 salários mínimos.

– Índice Nacional de Custo da Construção (INCC): Índice específico para o setor de construção. Reflete a variação de preço nos materiais de construção e na mão-de-obra do setor. É utilizado para reajuste de financiamentos diretos ao consumidor.

– Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M): Divulgado pela FGV, é calculado com base no IPA, IPC e INCC, com pesos respectivos de 60%, 30% e 10%, entre os dias 21 de um mês e 20 do mês seguinte. Foi criado para corrigir operações financeiras e atualmente também é utilizado para corrigir alguns títulos públicos, contas de consumo e contratos de aluguel.

– Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-DI): Calculado também pela FGV, possui a mesma composição do IGP-M, porém é calculado para o mês fechado. O índice é calculado três vezes no mês, sendo as duas primeiras chamadas de prévias.

Cada índice de inflação calculado por uma determinada instituição foi concebido com um objetivo específico. Alguns foram elaborados para medir o avanço dos preços em determinados grupos de consumo, outros monitoram setores da economia, ou, ainda, como no caso do IPCA, foi criado para ser o índice oficial de inflação do país. Por possuírem composições e pesos distintos, cada um deles apresenta um resultado próprio.

Além de serem importantes ferramentas para avaliar o equilíbrio entre oferta e demanda, na cadeia produtiva, os índices de inflação são os balizadores da política macroeconômica e determinam características futuras do consumo.

Taxa de juros

A taxa básica de juros da economia, conhecida como taxa Selic, é uma ferramenta utilizada para determinar o nível de atividade econômica. Seu valor é definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom), órgão governamental responsável por estabelecer as diretrizes de política monetária do país.

Na prática, ao fixar uma meta para a taxa, o governo estipula qual será o rendimento das operações efetuadas com o uso de títulos públicos, consideradas as de menor risco da economia. Esse rendimento é costumeiramente chamado de “preço do dinheiro” e define quanto custa um dia do investimento de menor risco dentro da economia. A partir deste, todos os investimentos de maior risco têm suas taxas de retorno definidas a partir do de menor risco. Quanto maior o risco, maior a taxa de retorno e assim sucessivamente, criando um efeito “escada”.

Entendendo esse mecanismo, saberemos que todas as vezes que o Copom alterar a taxa Selic, devemos esperar que as operações de crédito às pessoas física e jurídica, como o cheque especial, cartão de crédito, crédito imobiliário, linhas de financiamento para empresas, descontos, adiantamentos etc., sofram um ajuste em sua taxa, na mesma direção em que a taxa Selic foi ajustada.

Quando o Copom necessita frear a economia, a taxa é elevada, encarecendo o crédito a empresas e ao consumo e levando instituições e investidores a comprar mais títulos públicos e reduzir os investimentos em outros setores. Para aquecer a economia, a taxa é reduzida, diminuindo o custo do capital para investimento, facilitando o crédito ao consumidor e forçando o mercado a vender títulos e procurar outras formas de obter o mesmo retorno, por meio de novos investimentos, novos negócios e financiamento ao consumo.

O Brasil está entre os países de maior restrição monetária, com a maior taxa de juros real do mundo. Esse nível de taxa de juros não é saudável e os reflexos são percebidos nos números de crescimento do país. O custo das linhas de financiamento à iniciativa privada é alto e dificulta a expansão da indústria e a abertura de novos negócios. O custo anual com o pagamento de juros sobre os títulos públicos torna necessária uma arrecadação de impostos extremamente agressiva para manter o equilíbrio fiscal. Isso, por sua vez, encarece ainda mais a atividade das empresas e freia o crescimento econômico. O setor imobiliário, que é grande ator no processo de desenvolvimento de um país, também se prejudica pela dificuldade da formação do financiamento de longo prazo, incompatível com esse nível de juros. Aliado a esses itens, mantém-se um círculo vicioso de alto endividamento das famílias.

Nos últimos anos, com a sistemática melhora dos indicadores macroeconômicos, a diminuição da vulnerabilidade externa e o equilíbrio da balança comercial, o Copom pôde iniciar uma jornada para redução gradual da taxa de juros. Enquanto escrevemos este livro, a taxa Selic encontra-se em 11,25% a.a. Considerando que a taxa de juros dos países com economia desenvolvida, madura e estável é, em média, de 4% a.a., ainda há um grande caminho a ser percorrido para termos uma taxa de juros alinhada à realidade mundial.

No caminho para a taxa de juros ideal, devemos estar atentos aos efeitos que a diminuição dessa taxa pode causar às empresas às quais somos acionistas, bem como aos números que podem levar o Copom a ter de aumentar momentaneamente a taxa de juros para corrigir alguma disfunção inesperada.

O número mais preocupante é sempre a inflação. Ao diminuir a taxa de juros, o crédito fica mais barato tanto para o consumo quanto para a expansão industrial e a comercial. O problema é que isso não acontece simultaneamente. Enquanto, em poucos dias, o crediário fica mais barato, pode levar de 6 meses a 1 ano para que a expansão da linha de produção em uma fábrica fique pronta para produzir um bem de consumo. Esse aumento de consumo antes do momento adequado pode iniciar um processo inflacionário, já que há mais consumidores com dinheiro disponível do que produtos à venda.

Além da inflação, números que apóiam esse acompanhamento são os indicadores de atividade econômica e nível de emprego. Enquanto a taxa Selic for gradualmente reduzida, esses indicadores nos darão segurança de que o consumo e a oferta estão crescendo paralelamente. Enquanto o crescimento se der de forma sustentável, os resultados das empresas mostrarão aumento das vendas sem aumento de custo, e o resultado disso será a evolução no preço das ações das empresas.

Câmbio

A taxa de câmbio é o preço da moeda estrangeira em moeda nacional. No Brasil, o regime cambial praticado pelo governo é conhecido como regime de câmbio flutuante, no qual o preço da moeda é determinado pela relação entre a oferta e a procura.

A taxa de câmbio sobe quando há maior procura pela moeda estrangeira e desce quando há maior procura pela moeda nacional. Eventualmente, o Banco Central do Brasil (Bacen) efetua compras ou vendas pontuais, com o objetivo de conter excessos de alta ou de baixa considerados anormais ou especulativos.

Nesse cenário, onde o mercado determina o preço da moeda estrangeira, o acionista deve concentrar seus esforços na tarefa de antecipar o movimento de longo prazo das moedas para determinar como os negócios da empresa e, por conseqüência, o valor de suas ações serão afetados pela alteração no preço das moedas.

Para empresas exportadoras, a apreciação da moeda nacional, ou seja, a queda no preço do dólar, torna seus produtos ofertados no exterior mais caros, diminuindo sua competitividade.

Para as empresas importadoras ou que dependem de matéria-prima importada, comprada em moeda estrangeira, a apreciação do real torna o custo de produção menor, permitindo um considerável aumento da lucratividade ou, por outro lado, redução do preço final ao consumidor, na busca por uma maior fatia de participação no mercado.

Para a economia como um todo, a apreciação do real torna os produtos importados mais baratos e estimula a importação de bens e serviços.

Em momentos de forte crescimento econômico e aumento do consumo, como o que vimos em 2008, esse estímulo dá fôlego à indústria brasileira, permitindo que a cadeia produtiva se desenvolva no tempo necessário, sem o risco de iniciar um processo inflacionário causado pela escassez de produtos no mercado. Já a desvalorização da moeda nacional, e um conseqüente aumento nos preços dos importados, poderia levar a economia à escassez de bens e serviços, fato que culminaria com um aumento progressivo nos preços do mercado interno.

Desta forma, a apreciação da moeda brasileira perante o dólar, apesar de criticada por alguns setores exportadores prejudicados, é, de forma geral, benéfica para a economia e garante um cenário estável para o crescimento econômico sustentável do país.

Risco país

Conhecido pela sigla EMBI (Emerging Market Bond Index), o índice calculado pelo banco JP Morgan é utilizado para medir o grau de risco de uma economia.

Na prática, não é uma medida de risco, e sim de “diferença de retorno”. O indicador mede a diferença entre a taxa de retorno dos títulos de longo prazo do tesouro americano (considerados de baixíssimo risco) e os títulos de mesma natureza em países emergentes, como o Brasil.

Para conseguir efetuar essa apuração, o JP Morgan calcula a taxa de retorno entre o valor atual e o valor futuro dos títulos brasileiros, sendo que o valor futuro é o valor do título em sua data de vencimento. Após calcular tal taxa, esta é, então, comparada à taxa dos títulos americanos.

Se, por exemplo, os títulos americanos possuem um retorno de 3% a.a. e os títulos brasileiros, 5% a.a., o EMBI-Brazil será de 200, que corresponde a 2%.

A dinâmica de funcionamento do risco país é simples. Quando há aumento da percepção de risco sobre a economia brasileira, os investidores internacionais tendem a vender os títulos brasileiros de longo prazo, fazendo que seus preços caiam. Por terem seu preço de vencimento prefixado, esses títulos passam a ter uma taxa de retorno maior, já que esta é calculada pela diferença entre o preço de mercado (que caiu) e o preço de vencimento (que permanece fixo), fazendo que o risco país suba. Quando a percepção de risco diminui, a alta taxa de retorno atrai os compradores, encarecendo os títulos e diminuindo sua vantagem perante os títulos americanos.

O risco país é, desta forma, um termômetro para saber qual a percepção de risco dos investidores internacionais. Quanto menor o risco país, maior a certeza de que a economia tem atratividade e continuará recebendo investimento externo.

Produto Interno Bruto (PIB)

O PIB representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país durante o período de 1 ano. É calculado pelo IBGE e sua metodologia de cálculo avalia apenas bens e serviços finais, apurando também importações e exportações. É o principal indicador utilizado para medir o nível de atividade econômica do país e sua variação.

O crescimento do PIB indica que o país está ampliando sua capacidade produtiva, de consumo e de exportação e, portanto, gerando um maior volume de atividade econômica. Esse crescimento é de especial interesse para os investidores que estão comprando ações de uma empresa inserida nesse cenário, já que a ampliação da atividade econômica representa maior possibilidade de efetuar negócios para essa empresa e, portanto, maior probabilidade de obter lucro.

De forma análoga, quando o PIB cai, representa uma redução na capacidade de produzir e efetuar negócios. Nessa situação, com a diminuição da atividade econômica da empresa inserida nesse cenário, torna-se desinteressante para o investidor a manutenção das ações em sua carteira.

Para a análise fundamentalista, mais importante que o PIB passado, é o PIB projetado para os próximos períodos. Por ser o principal indicador de atividade econômica, as projeções do PIB afetam diretamente a expectativa futura de consumo por bens e serviços. Desta forma, é importante monitorar os fatores que influenciam o PIB projetado, como demanda interna, câmbio e taxa de juros, que, conforme tratado anteriormente neste capítulo, têm influência sobre a demanda.

Os PIBs de países que mantêm relações comerciais direta ou indiretamente com o Brasil também são importantes, uma vez que as expectativas que recaem sobre eles irão compor as expectativas sobre os resultados das empresas exportadoras no Brasil.

Em um contexto internacional de forte liquidez monetária e incessante busca por investimentos de longo prazo e oportunidades de ganhos, o Brasil está situado em uma confortável zona de risco desde abril de 2008, quando alcançou o grau de investimento (investment grade). Desde essa data, vem sistematicamente atraindo capital de empresas que até então o consideravam muito arriscado para investimentos de longo prazo ou não podiam investir aqui em razão de seus próprios critérios de risco que impediam investimentos em países fora do grau de investimento.

Gastos do governo

Apontados como principal causa de incontáveis problemas econômicos e sociais na história brasileira, os gastos excessivos da máquina pública representam atualmente o mais importante desafio, fundamental e imediato, do governo brasileiro rumo ao crescimento econômico sustentável.

A histórica prática de gastar e depois arrecadar em vez de arrecadar e depois gastar, que levou o país a crises inflacionárias e nefastos cenários recessivos, hoje faz parte do passado. A primeira grande conquista nesse tema foi a lei complementar nº 101, conhecida como Lei da Responsabilidade Fiscal, que estabeleceu normas e políticas de gestão fiscal com o objetivo de garantir o equilíbrio das contas públicas. O equilíbrio fiscal existe e vem sendo possível mantê-lo graças ao crescimento econômico e à febre de consumo existente nos grandes países em desenvolvimento, como a China e a Índia. Entretanto, em um país onde a máquina pública muitas vezes é utilizada com excessivo apelo social para conquista de votos, a eficiência do governo em gerir os recursos públicos está muito aquém do necessário para tornar o Brasil um país competitivo, despontando como pólo de investimentos no cenário internacional.

O principal vilão do orçamento é o sistema de previdência e assistência social, que consome recursos equivalentes a cerca de 12% do PIB nacional. O número é duas vezes maior do que o de países com o mesmo número de idosos. Com gastos tão altos nessa esfera, faltam recursos para investimentos em infra-estrutura, educação e saúde.

O segundo vilão dos gastos públicos é a complexidade do sistema fiscal e tributário, que dificulta a vida das empresas com a sobrecarga de impostos, impedindo um maior crescimento da economia.

Nesse cenário, para o investidor que negocia ações brasileiras, é importante acompanhar a condução desses assuntos pelo governo e perceber se as metas definidas estão sendo cumpridas e quais impactos o ambiente macroeconômico sofrerá a cada mudança de contexto. Os anos de eleição presidencial merecem atenção especial, pois neles é comum haver movimentos no sentido de flexibilizar as políticas de gastos e arrecadação com o objetivo de atingir a população e conquistar votos. É importante perceber se as mudanças nessas políticas são, de forma geral, evolutivas ou se remetem o governo a um estágio anterior.

Uma importante referência para o investidor são as declarações divulgadas pelas destacadas agências internacionais de avaliação de risco, como a Fitch Ratings, Standard & Poor’s e Moody’s, que possuem uma opinião referenciada no mercado internacional e traduzem as expectativas de grandes investidores.

Balanço de pagamentos

O balanço de pagamentos é, para o investidor, uma importante ferramenta que permite monitorar a atividade do país no contexto internacional. Nele estão escrituradas todas as transações financeiras envolvendo empresas e pessoas residentes e não-residentes no país.

Os dados nele contidos são divulgados em dólares norte-americanos, a valores correntes sem ajustamento sazonal. É disponibilizado mensalmente no site do banco central: www.bcb.gov.br

Entre as informações que estão disponíveis no balanço, podemos destacar as seguintes:

– Variação de reservas: Permite avaliar o resultado geral do balanço e observar se esteve em déficit ou em superávit. A mesma informação pode ser obtida na linha “Resultado global do balanço”. A indicação de déficit aponta o país como um cenário de maior risco para os investimentos estrangeiros, afastando-os de nosso mercado, ao passo que a predominância do superávit, e até seu crescimento, atrai novos investimentos para o país, já que passa uma imagem de credibilidade, demonstrando um crescimento sustentado da economia.

– Balança comercial: Permite avaliar o resultado líquido do somatório entre as contas de importação e exportação. Essa informação é importante para avaliar tendências, bem como antever o comportamento do dólar. Quando a tendência é de aumento das exportações, podemos esperar maior entrada de dólares e conseqüente redução no preço dessa moeda. Já o acréscimo nas importações demandará também a necessidade por dólares, aumentando assim seu preço.

– Conta financeira: A entrada e a saída de capital para investimento no país são contabilizadas dentro dessa estrutura. Assim como em um balanço, os grupos desta estrutura são divididos em ativo e passivo. O grupo dos ativos representa os investimentos no exterior detidos por residentes e o grupo dos passivos representa os investimentos no país detidos por não-residentes. Na composição da conta financeira,
podemos destacar:

— a conta de “Investimento direto”, apesar de não possuir a indicação de ativo e passivo, funciona da mesma forma, ou seja, o grupo “No exterior” representa o ativo e o grupo “No país”, o passivo. Essa conta registra todos os ativos e passivos considerados investimentos propriamente ditos;

— a conta “Investimentos em Carteira” registra o fluxo de ativos e passivos compostos de investimentos em ações e títulos de renda fixa, como os títulos de dívida emitidos no país;

— a conta “Derivativos” registra o fluxo proveniente de operações derivadas como swap, opções e futuros;

— por fim, a conta “Outros investimentos” registra os empréstimos e financiamentos de curto e longo prazos, a movimentação de disponibilidades no exterior, cauções, depósitos judiciais e garantias para empréstimos vinculados a exportações.

Além dessas informações disponíveis no quadro principal do balanço, o Banco Central do Brasil disponibiliza, em seu site, dezenas de quadros com o detalhamento das linhas e outras informações consolidadas.

Capacidade de pagamento da dívida externa

A dívida externa pode ser definida como o somatório dos débitos de um país perante seus credores internacionais. Esses débitos podem ser provenientes de empréstimos e financiamentos contraídos no exterior pelo governo ou por empresas estatais e privadas dos mais variados setores.

A capacidade de pagamento da dívida externa é vista pelo mercado como uma medida que se traduz em risco. Se um país possui divisas suficientes para pagar toda sua dívida externa, a chance de alguma situação levá-lo à moratória é muito pequena.

Atualmente, o Brasil se encontra em uma situação confortável em relação à capacidade de pagamento da dívida externa. Com o aquecimento econômico mundial estimulado pelos grandes países em desenvolvimento, como Índia e China, o país se tornou um grande exportador dos mais variados bens e serviços, o que tem trazido um grande volume de capital estrangeiro para cá.

Apesar de essa situação tornar o real mais apreciado perante o dólar, o volume de importações em crescimento não tem sido o suficiente para afetar a balança comercial, que tem se mantido equilibrada.

A atual condição do país o coloca em um cenário onde figura como porto seguro para investimentos entre os países emergentes, posição esta que, somada aos demais fatores conjunturais, permitiu que o país adquirisse a primeira nota do grau de investimento por reconhecidas agências internacionais de avaliação de risco. Com uma classificação de risco menor, governo e empresas terão acesso a empréstimos e financiamentos com juros menores, o que, por sua vez, ajudará na redução da dívida externa e na melhora do perfil de risco. Nesse contexto, o fluxo de capital estrangeiro para investimentos de longo prazo certamente continuará aumentando.

Commodities

Commodities são produtos em estado bruto ou com pequeno grau de industrialização, negociados de maneira global em bolsas de mercadorias e futuros.

Por serem amplamente negociadas e necessárias a todas as economias do planeta, são comercializadas de forma organizada por meio de bolsas que também permitem a negociação de contratos futuros, ou seja, contratos negociados hoje, mas que garantam o fornecimento futuro a um preço predeterminado. Como exemplos de itens negociados nos mercados nacional e internacional de commodities, podemos citar: petróleo, gás natural, ouro, prata, alumínio, cobre, aço, carvão, açúcar, soja, milho, trigo, álcool, etanol, boi gordo, café, cacau e algodão. Esses são apenas alguns exemplos de commodities importantes para o mercado brasileiro, bem como para empresas brasileiras que as vendem ou dependem delas como matéria-prima para seus produtos.

As commodities têm um papel indireto, porém importante no movimento do mercado de ações. A expectativa do preço futuro das commodities, percebida diariamente nos contratos negociados na BM&F e nas demais bolsas mundiais, afeta as projeções de custo e as projeções de faturamento de grandes empresas que possuem seus papéis negociados na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo).

A commodity mais importante do mercado mundial é o petróleo. Em razão de sua complexidade e abrangência, será tratada em tópico específico ainda neste capítulo.

Desde 2007, o forte crescimento econômico de países como China e Índia tem elevado de maneira histórica a demanda por diversas commodities necessárias a seu desenvolvimento, como alimentos, minérios e metais. Nesse cenário, empresas brasileiras exportadoras dessas commodities têm obtido resultado extremamente positivo e grande parte do bom desenvolvimento percebido no país é resultado desse movimento.

Entre as principais empresas que possuem ações categorizadas como blue chips na Bovespa e possuem sensibilidade à variação de preço de alguma commodity, no custo ou na receita, temos:

– Companhia Vale do Rio Doce: Grande exportadora de minério de ferro, alumínio, níquel, cobre, cobalto e metais do grupo da platina. Exporta para países em forte crescimento como China, Índia e países do Leste Europeu.

– Petrobras: Sexta maior companhia de petróleo do mundo, atuando nos segmentos de petróleo e seus derivados, insumos petroquímicos, gás natural e biocombustíveis.

– Metalúrgica Gerdau: Produtora de aço bruto e laminados, atende ao mercado interno e ao externo, tendo sido extremamente beneficiada pelo aumento de preço do aço no mercado mundial.

– Companhia Siderúrgica Nacional (CSN): Produtora de aços planos com grande participação no mercado interno.

O Brasil, por meio de empresas como as citadas anteriormente, é um grande exportador de commodities. A exportação desses produtos representa cerca de 65% da pauta de exportação do país. Esse percentual é tão representativo que acaba por criar um efeito interessante de proteção contra a inflação por meio do câmbio.

Em momentos de grande valorização nos preços das commodities (como o observado desde 2005, com a forte aceleração do crescimento nos países emergentes), espera-se que o aumento nesses preços leve muita riqueza aos países exportadores desses produtos.

Esse aumento de riqueza amplia rapidamente a oferta monetária existente na economia, fazendo que haja uma pressão inflacionária causada tanto pelo aumento de riqueza quanto pelo incremento no preço desses insumos no mercado interno.

Pelo fato de o Brasil possuir um regime de câmbio flutuante, em que a cotação do dólar é determinada pelo equilíbrio entre a oferta e a demanda pela compra da moeda, o “efeito exportação” pressiona a moeda estrangeira para baixo. Por ser um exportador líquido de commodities, o Brasil recebe muita moeda estrangeira, que é trocada por reais para pagar as empresas exportadoras. Isso reduz o preço do dólar, valorizando o real e tornando mais atrativa a importação de produtos internacionais.

Apesar de esse movimento ser criticado por representantes da indústria – uma vez que torna os preços do produto nacional menos competitivos internacionalmente –, esse efeito acaba criando um descolamento inflacionário.

Enquanto os países exportadores com regime de câmbio fixo têm que lidar com o aumento da base monetária e também com o da matéria-prima interna criando políticas monetárias austeras, o Brasil consegue lidar com a situação aumentando a oferta de produtos importados com preços mais baixos, evitando a escalada inflacionária e reduzindo o problema à economia local, que pode ser tratado mais facilmente com aumento da taxa de juros e políticas setoriais para fomentar a oferta local.

Petróleo

Atualmente, o petróleo é a principal fonte de energia do planeta, constituindo-se na matéria-prima básica para fabricação de inúmeros produtos, como combustíveis, lubrificantes e insumos petroquímicos. Situa-se entre as commodities negociadas no mercado futuro que mais afetam a economia em qualquer país do mundo.

Sobre o aspecto da formação de preço, podemos dizer que “o preço do petróleo influencia até mesmo o preço do petróleo”. Apesar da retórica, essa afirmação faz certo sentido ao analisarmos o conjunto de fatores presentes na formação de preço do petróleo e, posteriormente, o efeito desse preço na saúde da economia mundial.

O preço do petróleo é, primeiramente, formado pela relação entre a oferta e a demanda, como qualquer outra commodity.

Na ponta da oferta, temos os países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), à qual pertencem Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Venezuela, Kuwait, Nigéria, Argélia e Iraque, além dos países não-membros representados pela Rússia, Estados Unidos, República Popular da China, México, Canadá, Noruega e Brasil. A OPEP detém 80% das reservas e responde por 40% da produção mundial de petróleo. Tal grandeza faz que os costumeiros conflitos do Oriente Médio, a concentração de mercado e o interesse dos produtores alterem freqüentemente a oferta do produto.

Na outra ponta, a da demanda, temos um conjunto complexo de fatores estruturais e conjunturais da economia que acabam por determinar o quanto a indústria, o comércio e os consumidores finais estarão dispostos a consumir. O acelerado crescimento de países em desenvolvimento como a China, a Índia e o Brasil, a recuperação do setor de aviação após os atentados de 11 de setembro de 2001, a dificuldade em encontrar substitutos baratos para os insumos e combustíveis derivados do petróleo e a imprevisibilidade do consumo são alguns dos inúmeros fatores que determinam a dificuldade em estabelecer a demanda futura de consumo.

O risco da interrupção no fornecimento aliado a um moderno mercado futuro de commodities faz que os consumidores negociem contratos com o objetivo de garantir sua necessidade futura de consumo de petróleo, determinando, desta maneira, seu preço.

Entendendo como funciona a formação de seu preço, podemos observar quais são os principais impactos do petróleo sobre as empresas e a economia, de modo geral.

Qualquer atividade produtiva tem, em sua estrutura de custos, a influência direta ou indireta do petróleo. De combustíveis para máquinas, fornos e veículos a insumos para produção de medicamentos, plásticos, carpetes e materiais sintéticos, toda empresa tem algum nível de sensibilidade a variações no preço do petróleo.

Além dos impactos diretos na produção, existem também os que recaem sobre a logística de distribuição, especialmente num país como o nosso, onde o transporte de matérias-primas e produtos acabados é essencialmente rodoviário ou aéreo e, portanto, totalmente dependente do petróleo. Esse aspecto do impacto causado pelo preço do petróleo tem um efeito do tipo cascata, pois interfere nos custos de toda a cadeia de fornecimento, já que todas as empresas envolvidas se utilizam desse tipo de transporte, mesmo que sua atividade produtiva não tenha alto grau de dependência em relação ao petróleo.

Somado a esse efeito de acréscimo nos custos da produção e, conseqüentemente, no preço do produto final ofertado nas prateleiras das lojas, temos a redução no consumo, causada pela queda do poder aquisitivo do consumidor final, obrigado a pagar mais caro pela gasolina que coloca em seu automóvel ou pela tarifa de ônibus que utiliza para ir ao trabalho.

O resultado dessa soma é a queda no faturamento das empresas e, posteriormente, na apuração de seus lucros em balanço.

Essas são as razões que nos levam a enxergar o reflexo da variação da cotação do petróleo nos movimentos de preços das ações negociadas em bolsas de valores.

Pequenas oscilações para cima e para baixo não chegam a causar grande efeito no preço das ações, uma vez que o mercado de futuros permite aos compradores garantir o preço do petróleo para o fornecimento futuro. Porém, quando há temor de escassez, torna-se difícil projetar o custo, o consumo e, por conseqüência, o resultado financeiro das empresas para os próximos anos. Quando isso ocorre, percebemos uma grande volatilidade no preço das ações. Essa volatilidade representa o temor do mercado sobre a saúde da economia e sua capacidade de crescimento.

Em 1973, os países árabes impuseram um embargo às economias americana e européia, reduzindo drasticamente a oferta de petróleo disponível. O preço da commodity rapidamente quadruplicou. O preço da matéria-prima tornou cara e inviável a atividade de muitas empresas, que fecharam as portas iniciando um ciclo de desemprego estrutural e retração da atividade econômica. Foi a recessão mais forte desde a Grande Depressão de 1932. Em 1979, novos conflitos no Oriente Médio reduziram a oferta criando um novo período recessivo tanto na Europa quanto na América do Norte.

Com relação à economia brasileira, ao avaliarmos a variação do preço do petróleo, sempre devemos considerar a atual capacidade de fornecimento da Petrobras, que coloca o país na situação de auto-suficiência na produção de combustíveis fósseis. Essa situação, aparentemente confortável, transmite à nossa economia certa tranqüilidade com relação às contas externas, uma vez que não se torna mais necessário o endividamento do país com a importação de petróleo.

Para os consumidores internos, entretanto, o aumento de preços do petróleo significa forte alteração na estrutura de custos e, como já citamos, redução na capacidade de consumo que poderia ser direcionada a outros setores da economia.

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Livro Aprenda a Investir em Acoes e a Operar na Bolsa Via Internet
Autor: Carlos A.H. Brum
Editora: Ciência Moderna
ISBN: 9788573934731

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Subsistema Financeiro Nacional

Subsistema Normativo

O Sistema Financeiro Nacional é constituído por um subsistema normativo e por outro operativo. O subsistema normativo controla e regula o subsistema operativo. Esse controle e regulação são exercidos por meio de normas legais, expedidas pela autoridade monetária. As instituições que compõem o subsistema normativo são: o Conselho Monetário Nacional, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários.

CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL

O Conselho Monetário Nacional é o órgão deliberativo máximo do sistema financeiro brasileiro. Ele tem a incumbência de formular a política da moeda e do crédito, de acordo com a Lei Nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964.

BANCO CENTRAL DO BRASIL – BACEN

O Banco Central do Brasil, criado pela Lei Nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda e tem, por objetivo, executar e fiscalizar o cumprimento de todas as normas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional, zelar pela adequada liquidez da economia, manter as reservas internacionais do país em nível satisfatório, assegurar a formação de poupança em níveis apropriados e garantir a estabilidade e o aperfeiçoamento do Sistema Financeiro Nacional.

COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (C.V.M)

A CVM é uma Autarquia Federal, criada em 1976 pela Lei Nº 6.385, para regular, disciplinar e fiscalizar o mercado de títulos e valores mobiliários (bolsas de valores, companhias abertas, fundos de investimento e mercados derivativos que tenham por referência valores mobiliários). É conhecida como a instituição “xerife” do mercado de capitais brasileiro.

Uma das principais funções da CVM é cuidar para que os investidores tenham acesso a informações que confirmem a boa qualidade das companhias abertas e dos fundos de investimento. Ou seja, que o mercado seja transparente para o investidor e, o que ainda é mais importante, que todos tenham oportunidade de acesso a informações relevantes de maneira uniforme. Dessa forma, é possível evitar o chamado insider information, informações privilegiadas que vão beneficiar determinado grupo de investidores em detrimento de outros.

A CVM, a partir de 2002, com a aprovação da nova lei das empresas S.A., foi transformada em uma agência reguladora autônoma e independente. Passou, desde então, a usufruir de autonomia financeira através de orçamento próprio, com autoridade administrativa independente e estabilidade de seus dirigentes, que passaram a ser nomeados pelo presidente da República com a aprovação do Senado e com mandato fixo de cinco anos.

A Comissão de Valores Mobiliários agora pode tipificar os crimes na hipótese de uso de informação privilegiada, delegar às bolsas a possibilidade de abertura de processo contra terceiros e, ainda, dar prioridade a processos. No caso das bolsas, os processos só podem ser abertos contra corretoras que operam na própria bolsa.

Quem manipular o mercado estará sujeito à pena de um a oito anos de reclusão e multa equivalente a até três vezes a vantagem financeira que obteve na operação.

O uso de informação privilegiada também estará sujeito à pena de um a cinco anos de reclusão e multa de até três vezes o montante obtido.

As funções da Comissão de Valores Mobiliários são, dentre outras, regular e fiscalizar:

- Registro de companhias abertas;

- Registro de distribuição de valores mobiliários;

- Administração de carteiras e a custódia de valores mobiliários;

- Negociação e intermediação no mercado de valores mobiliários;

- Organização, funcionamento e operações das bolsas de valores;

- Credenciamento de auditores independentes, administradores de carteiras de valores mobiliários, consultores e analistas de investimento;

- Suspensão ou cancelamento de registros, credenciamentos ou autorizações;

- Suspensão de emissão, distribuição ou negociação de determinado valor mobiliário, ou decretar recesso de bolsa de valores.

Subsistema Operativo

O subsistema operativo é constituído pelas instituições financeiras públicas e privadas que atuam no mercado financeiro. Ele se divide em instituições bancárias e não bancárias.

As instituições bancárias são aquelas que operam com ativos financeiros monetários, aos quais é dada a faculdade de emissão de moeda (moeda escritural). Essas instituições também se caracterizam pela captação de depósitos à vista, livremente movimentados pelos depositantes. São instituições bancárias: os bancos comerciais, a Caixa Econômica Federal (CEF), o Banco do Brasil, as caixas econômicas, as cooperativas de crédito e os bancos múltiplos.

As instituições não bancárias se caracterizam por operar com ativos financeiros não monetários, porquanto não lhes é permitida a emissão de moeda escritural, pela impossibilidade de captar depósitos à vista. São instituições não bancárias: os bancos de investimento, as sociedades de arrendamento mercantil, as sociedades de crédito, investimento e financiamento, as sociedades de crédito imobiliário e associações de poupança e empréstimos, e os bancos de desenvolvimento.

Entretanto, as instituições mais importantes na área de investimento em ações são as que fazem parte da distribuição de títulos e valores mobiliários: as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, as bolsas de valores, as bolsas de mercadorias, as sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, e a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC).

CORRETORAS DE VALORES MOBILIÁRIOS

As Corretoras de Valores Mobiliários são instituições típicas do mercado acionário, operando com compra, venda e distribuição de títulos e valores mobiliários por conta de terceiros.

São instituições financeiras membros das bolsas de valores, credenciadas pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários e pelas próprias bolsas, e estão habilitadas, entre outras atividades, nos mercados financeiro e de capitais, a negociar valores mobiliários com exclusividade por sistemas de negociação mantidos pela Bovespa.

Em outras palavras, é a intermediária entre compradores e vendedores de ações nas transações em bolsas de valores. Administra carteiras de ações, fundos mútuos e clubes de investimentos, entre outras atribuições.

Bolsa de Valores

É uma associação civil, sem fins lucrativos, e tem como objetivo básico manter local adequado à realização de transações de compra e venda das ações das companhias abertas.

As bolsas atuam como auxiliares da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na fiscalização do mercado, em especial de seus membros, as Sociedades Corretoras, e têm ampla autonomia na sua esfera de responsabilidade.

A Bolsa de Valores de São Paulo, hoje considerada o mais importante centro de negócios do mercado latino americano, foi fundada em 23 de agosto de 1890 como entidade oficial corporativa, vinculada à secretaria de finanças do governo estadual e composta por corretores nomeados pelo poder público.

A Bovespa só adquiriu a característica institucional que mantém hoje (uma associação civil sem fins lucrativos, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial) em 1965/66, com a implementação das reformas do sistema financeiro nacional e do mercado de capitais.

Desde o regulamento anexo à Resolução CMN nº 2.690 de 2000, que as bolsas de valores brasileiras têm a faculdade de também se constituírem como sociedades anônimas.

Bolsa de Mercadorias

As Bolsas de Mercadorias têm, como principais objetivos, proporcionar ao mercado condições adequadas para a realização de negócios de compra e venda à vista, a termo e a futuro, de mercadorias, tais como ouro, café, algodão, boi gordo etc., bem como de outros ativos suscetíveis de negociação em bolsa como, por exemplo, o dólar (comercial ou flutuante).

Uma das peculiaridades desse mercado é que apenas, em média, 2% das operações são liquidadas pela entrega efetiva do bem negociado. Compram-se e vendem-se mercadorias e ativos financeiros apenas no papel. Não há a concretização física do negócio, mas sim a concretização financeira.

Sociedades Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários

As sociedades distribuidoras são firmas constituídas como sociedades anônimas ou sociedades por quotas de responsabilidade limitada, cuja autorização de funcionamento é fornecida pelo Banco Central do Brasil.

São entidades financeiras que atuam no mercado de ações e outros valores mobiliários, mas que não podem intermediar negócios nos sistemas de negociações das bolsas de valores e de mercadorias. Por isso, utilizam os serviços de uma corretora de títulos e valores mobiliários para intermediar os negócios nas bolsas.

CBLC – COMPANHIA BRASILEIRA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA

Para a liquidação das operações, a Bovespa utiliza, desde 16 de novembro de 1998, uma empresa independente, a CBLC – Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia. A CBLC é a responsável pela liquidação de operações de todo o mercado brasileiro de ações. Parcela significativa da eficiência da Bovespa repousa na CBLC, que realiza um serviço de alta qualidade, isento e confiável. A CBLC tem inúmeras responsabilidades. Entre elas destacamos:

- Registrar, liquidar e compensar operações à vista, a termo e do mercado de opções, de responsabilidade das corretoras ou de seus comitentes;

- Receber depósitos e margens para garantia de operações realizadas por associados da Bolsa;

- Emitir certificados visando o resgate, desdobramento, conversão e transferência de títulos negociados ou a negociar;

As Corretoras da Bovespa e outras instituições financeiras são os Agentes de Compensação da CBLC, responsáveis pela boa liquidação das operações que executam para si ou para seus clientes.

Empresas como a CBLC são conhecidas como Clearings – entidades de prestação de serviços de liquidação e custódia.

As Clearings desempenham atividades relacionadas à compensação, liquidação, custódia e controle de risco para os mercados à vista, a termo e de opções.

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Trecho do Livro: Comprando Ações e Vendendo Opções
Livro Comprando Acoes e Vendendo Opcoes
Autores: Alexandre Wolwacz e Luiz Fernando Roxo
Editora: Leandro & Stormer
ISBN: 9788560852017

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O que é uma opção?

Opção é um contrato de direitos e obrigações.

Suponha que você queira comprar um apartamento de mim, cujo preço é R$ 400.000,00. Você não tem esse dinheiro agora, mas quer comprá-lo futuramente, oferecendo-me R$ 400.000,00 por ele daqui a um ano. Bem, para que eu segure tal apartamento para você e não o venda nesse meio-tempo para outro, eu lhe peço um depósito inicial (leia prêmio) hoje, digamos, de R$ 4.000,00, sem direito à devolução se você desistir da compra no meio-tempo.

Muito bem, você acabou de comprar uma opção de compra do meu apartamento!

Se, daqui a um ano, o apartamento estiver valendo R$ 800.000,00, eu (lançador da opção) terei a obrigação de lhe vender o apartamento pelos mesmos R$ 400.000,00. Mas, caso ele esteja valendo R$ 200.000,00, você (dono do direito) certamente não usará seu direito de comprá-lo por R$ 400.000,00 e o dinheiro de sinal (prêmio) terá sido perdido.

Digamos, num outro exemplo, que você tenha um carro, cujo preço seja R$ 40.000,00, mas que você esteja preocupado com a possibilidade de que ele seja roubado ou de que você sofra um acidente com ele. Em qualquer uma das situações, esse seu patrimônio seria severamente lesado ou subtraído.

Então, o que você faz? Compra um seguro para o seu carro.

Comprando uma apólice de seguro de um ano para o seu carro, segurando-o em R$ 40.000,00 em caso de acidentes ou de roubo, você estará comprando o direito de vender seu carro acidentado por R$ 40.000,00 para a companhia de seguros (lançadora do direito). Para isso, você terá pagado o valor do seguro (prêmio) de R$ 2.000,00. Parabéns! Você acaba de comprar uma opção de venda. Se nada ocorrer nesse ano inteiro de cobertura do seu carro, a sua opção de venda terá expirado, você não usará seu direito de venda e o valor do seguro (prêmio) terá sido perdido. Se nesse ano, porém, sofrer um acidente, ou se o seu carro for roubado, então você usará seu direito, recebendo o valor integral da apólice.

Então, quando eu compro o seguro de um carro, estou comprando uma opção de venda do meu carro? Exatamente, você está usando uma ferramenta de hedge de patrimônio. Em outras palavras, está usando uma ferramenta para garantir seu patrimônio.

Dessa forma, as opções são ferramentas maleáveis, dinâmicas e altamente úteis ao trader. Perceba: com elas, podemos especular ou assegurar um direito de compra (como no exemplo da compra do apartamento), podemos proteger nosso patrimônio (como no exemplo da compra do seguro) e podemos, ainda, aumentar a rentabilidade existente de um patrimônio num dado período de tempo, como será visto.

Opção é um derivativo proveniente de um ativo, sejam ações, índices ou commodities. Isso significa que o valor de uma opção está vinculado diretamente ao ativo ao qual ela está relacionada.

Existem dois tipos de opções: as opções de compra (call) e as opções de venda (put).

Porém, como no Brasil não há ainda liquidez para opções de venda, o foco desta obra será as características e as operações com opções de compra. Assim, tudo que disser respeito a opções daqui para diante será com relação às de compra.

Primeiro, porque, com elas, já é possível fazer uma série muito grande de diferentes operações, sendo seus aspectos e características muito amplos, e também porque, por terem os dois tipos de opções lógicas completamente inversas, se tratássemos das duas conjuntamente, a compreensão de ambas seria comprometida, e os exemplos mais confundiriam do que seriam esclarecedores.

Então, por mais que tratemos de vender e comprar opções, sempre estaremos falando de opções de compra.

A opção de compra nada mais é do que o direito de comprar aquele ativo por um determinado preço em uma determinada data.

Fixe sua atenção na palavra direito. Quando você compra uma opção, é exatamente isso que está adquirindo. Se você comprar uma opção de compra, adquire o direito de comprar aquela ação até o exercício por aquele valor determinado. Não tem a obrigação de comprá-la. Não realizando esse direito até a data do exercício, ele expira, perdendo totalmente o valor. Ou seja: você tem o direito de comprar a ação por aquele preço, direito garantido pela opção de compra, mas, se a ação estiver abaixo daquele preço no mercado, não vale a pena exercê-lo.

Ao comprar uma opção de venda, você passa a ter o direito de vender aquela ação por aquele preço até o exercício. Se o preço da ação no mercado estiver mais alto do que o preço garantido pelo direito, você, obviamente, não irá exercer esse direito.

Por outro lado, o lançador de uma opção tem a obrigação de cumprir o acordo. Quem lançou uma opção de compra é obrigado a vender sua ação pelo preço acordado se o direito de compra for exercido.

Diferente do caso do apartamento, no qual a decisão de não exercer o direito de comprar o apartamento pode ser algo subjetivo (como ter encontrado outro apartamento melhor, o rompimento de um noivado ou o recebimento da oferta de um emprego em outra cidade), fazendo com que a compra deixe de valer a pena, a decisão de exercer ou não a opção de compra de ações em bolsa de valores segue sempre o mesmo motivo lógico: o preço do ativo objeto no dia do vencimento.

Então, sempre que o ativo estiver mais caro que o preço de exercício da opção no dia de vencimento desse contrato, essa opção, sem nenhuma dúvida, dará exercício. Porém, se, em vez disso, o preço do ativo estiver abaixo do preço de exercício no dia do vencimento, que é conhecido como dia do exercício, o titular dessa opção de compra não irá exercer seu direito de comprar as ações de quem vendeu as opções, o lançador.

Um exemplo para mostrar melhor a decisão objetiva de exercer ou não o direito de comprar as ações no dia do vencimento pode ser:

Você comprou a quantidade de 1000 opções de compra de ações VALE5, com vencimento daqui a 20 dias úteis, ações que hoje estão cotadas a R$ 50,00. Para tanto, você pagou a título de prêmio – que é o objeto de negociação do contrato de opções e o de estudo deste livro – o valor de R$ 3,60 para ter o direito de comprar essas ações no vencimento por R$ 48,00, isso é, com preço de exercício R$ 48,00.

Se, daqui a 20 dias, as ações da Vale estiverem cotadas a qualquer valor menor do que isso (por exemplo, as ações estiverem a R$ 44,00), essas opções não serão exercidas, e os R$ 3,60 gastos serão completamente perdidos – no jargão da bolsa, terão virado pó.

Porém, se, em vez disso, a VALE5 estiver custando qualquer preço acima de R$ 48,00, você irá exercer seu direito no dia do vencimento. Isso se for do seu interesse carregar sua posição em opções até esse dia, pois, diferente do exemplo do apartamento, opções sobre ações têm liquidez em bolsa de valores e podem ser abertas ou encerradas a qualquer momento. Isso significa que, se você comprou essas opções, poderá vendê-las a qualquer momento até o vencimento sem que tenha que exercer ou ver o valor que gastou com o prêmio virar pó. Nesse momento, a pessoa que acaba de comprar as opções de você passa a ter o direito de comprar as ações de quem havia lhe vendido as opções, e você recebe o valor de mercado pelas opções que possuía – seus direitos cessam a partir dali.

Da mesma maneira, se a pessoa que vendeu as opções para você for ao mercado e recomprá-las, ela cessa suas obrigações com você, e quem passa a ter essas obrigações é a nova pessoa que vendeu as opções para ela. Assim, qualquer pessoa pode abrir ou fechar posições em opções de compra a qualquer momento, muitas vezes ao dia, se assim desejar e houver liquidez no mercado para isso.

A maior parte das pessoas que negocia opções em bolsa de valores não o faz com o objetivo de exercer ou ser exercido no dia do vencimento. Elas liquidam sua posição antes do vencimento e objetivam apenas ganhar com a diferença entre os valores de compra e de venda, no caso dos titulares, ou vice-versa, no caso dos lançadores.

Voltando ao ponto em que estávamos, dizíamos que, se no dia do exercício, a VALE5 se encontrar a qualquer preço acima dos R$ 48,00 combinados no contrato, você, que é titular dessas opções e que, para tanto, pagou R$ 3,60, irá necessariamente exercer seu direito e comprar 1000 ações por R$ 48,00, independentemente de elas terem custado R$ 48,10 ou R$ 70,00.

De maneira objetiva, se essas ações, na data do exercício, estiverem custando R$ 48,10, você terá prejuízo, pois irá comprar as ações do lançador por R$ 48,00, e, se vendê-las imediatamente no mercado por R$ 48,10, obterá como resultado positivo R$ 0,10 por ação. Como o valor pago pelo prêmio foi R$ 3,60, isso significa um prejuízo de R$ 3,50 ou R$ 3.500,00 pelas 1000 opções que foram compradas.

Aí aparece uma dúvida comum entre os iniciantes nesse mercado: se uma pessoa tiver comprado uma opção por R$ 3,60, com preço de exercício de R$ 48,00, significa que ela comprou o direito de comprar ações VALE5 por R$ 48,00, mas ela só vai ganhar alguma coisa se essas ações estiverem ao menos R$ 51,60 – que é o preço pelo qual as ações serão compradas, mais os R$ 3,60 gastos para assegurar tal direito. Sim, é isso mesmo. Então, se ela exercer seu direito com as ações estando cotadas a um valor abaixo disso, entre os R$ 48,00 e os R$ 51,60, ela não terá prejuízo? Terá sim. E vale a pena exercer mesmo assim? Vale sim, pois, se ela exercer seu direito a qualquer valor entre R$ 48,01 e R$ 51,59 ela terá prejuízo, porém, como poderá vender as ações que comprou por R$ 48,00 a um preço acima disso, estará diminuindo seu prejuízo nessa diferença. Se as ações da Vale estiverem acima de R$ 51,60 no dia do vencimento das opções, o resultado dessa compra de opções será um lucro.

seta2 Veja: Técnicas de Investimento para o Mercado de AçõesLivro Tecnicas de Investimento para o Mercado de Acoes

Veja também:

seta Leia um trecho do livro Imposto de Renda nas Bolsas de Valores para P.F.

seta Leia um trecho do livro O Crash de 2008, de Charles R. Morris

seta Veja a lista atualizada das Taxas de Juros praticadas no Brasil

seta Veja as Taxas de Juros do Crédito Pessoal – 07.11.2009

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Trecho do Livro: Técnicas de Investimento para o Mercado de Ações
Livro Tecnicas de Investimento para o Mercado de Acoes
Autor: Marcelo C. Piazza
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788599560440

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Um breve histórico do nascimento da Análise Técnica: Os primeiros rumores de que se tem notícia sobre tentativas relativamente bem sucedidas de análise e interpretação dos mercados ocorreu em Osaka, no Japão, sede da primeira Bolsa de Futuros do mundo, a Bolsa de Arroz Dojima, fundada em 1654. Foi aí, também, que surgiu Munehisa Homma (1724-1803), um reconhecido investidor que, por volta de 1750, escreveu alguns livros que traziam, entre suas experiências nos mercados, um conhecimento novo para a época: a técnica das velas, ou castiçais, hoje denominada Candlesticks.

Não se sabe o motivo pelo qual esta descoberta permaneceu em uso somente no Japão por mais de 200 anos. O fato é que só em 1991 (há apenas 17 anos) a técnica dos Candlesticks passou a ser conhecida também nos Estados Unidos, e quase tão logo, em todo o mundo. E isso só aconteceu graças a Steve Nilson, na época vice-presidente da Merrill Lynch, hoje um dos maiores Bancos de Investimentos e Corretoras de Valores do mundo. Ele foi o primeiro a tomar conhecimento da técnica no Ocidente, e a divulgá-la amplamente.

Mas, entre esses dois acontecimentos marcantes – o desenvolvimento dos Candlesticks por Homma e a chegada desse conhecimento ao resto do mundo graças a Nilson – nascia, também, a Análise Técnica ocidental, cujo primeiro grande nome a marcar a história foi Charles Henry Dow (1851-1902). Dow será citado diversas vezes no decorrer deste livro, dada sua importância histórica no nascimento da Análise Técnica que conhecemos hoje.

Dow era jornalista financeiro de grande destaque na época. Trabalhava no pequeno estado de Rhode Island, o menor dos Estados Unidos em extensão territorial, num jornal impresso, em companhia de Edward Jones (1856-1920), quando, juntos, foram transferidos para Nova York, em 1880. Alguns anos depois, fundaram, ainda juntos, a Dow Jones & Company, cujo principal produto era seu informativo financeiro com cotações de empresas negociadas nos mercados de Nova York. Nascia, aí, o Índice Dow Jones. Mas, ainda havia muito mais por vir.

Em 1884, quando fundou o Wall Street Journal, também em companhia de Jones, Dow passou a publicar diversas matérias sobre seus estudos de formas para interpretar o movimento dos preços das ações. Esse conhecimento, porém, ainda não era organizado sobre a forma de uma teoria.

Somente a partir de 1902, com a morte de Charles Dow, o então repórter do Wall Street Journal, Samuel A. Nelson, teve a iniciativa de fazer um levantamento sobre tudo o que Dow havia desenvolvido, reunindo, assim, seus conceitos para publicá-los sob a forma de um livro, intitulado The ABC of Stock Speculation, que explicava a base do que denominou de Teoria de Dow .

Mas estes não foram os únicos a participarem do nascimento da Análise Técnica. Em 1931, Robert Rhea, reconhecido estudioso e analista da época, reorganizou e aprofundou ainda mais os princípios criados por Dow, transformando-os naquilo que conhecemos atualmente. Rhea marcou seu nome na história dos mercados de risco ao lançar o livro The Dow Theory.

A partir de então, vários outros nomes foram contribuindo para o fortalecimento da Análise Técnica. Ralph Nelson Elliott criou as tão populares Ondas de Elliott, além de aplicar, com sucesso, os números da seqüência de Fibonacci, e suas razões, para realizar uma projeção futura dos preços das ações. Surgiu, também, o primeiro dos indicadores, chamado de Índice de Força Relativa (IFR), desenvolvido por J. Welles Wilder Jr. Em seguida, foram descobertas inúmeras outras técnicas, conhecidas e aplicadas até hoje por grande parte dos operadores de mercado de todo o mundo.

Mas o que é Análise Técnica?

Por definição, temos que: Análise Técnica é a ciência que busca, por meio do estudo de registros multiformes, associados a formulações matemático-estatísticas, incidentes sobre preços, volumes e contratos em aberto do passado e do corrente dos diferentes ativos financeiros, proporcionar, pela análise de padrões que se repetem, condições para que possamos projetar o futuro caminho dos preços, dentro de uma lógica de maiores probabilidades. (NORONHA, 1995)

Em outras palavras, podemos dizer que a Análise Técnica se interessa pela análise gráfica do histórico de preços da ação, e pelo seu desempenho ao longo de diversos períodos de tempo. Para tal, dispõe de uma infinidade de ferramentas capazes de gerar uma previsão aproximada para os próximos movimentos de preços. Afinal, é preciso haver uma forma de traduzir o que está ocorrendo no mercado, assim como tentar avaliar a próxima tendência, pois não se pode aplicar recursos numa ação qualquer, escolhida sem nenhum critério lógico de seleção.

Os parâmetros disponíveis para a elaboração dessas ferramentas são bem conhecidos de qualquer investidor: a cotação atual do ativo, seu histórico anterior, seu preço máximo, médio e mínimo do dia, seus valores de abertura e fechamento, seu volume financeiro e de negócios. Dispondo apenas desses dados básicos, alguns dos mais talentosos investidores e estudiosos do planeta adicionaram a eles seu conhecimento, suas experiências e sua criatividade para desenvolver métodos capazes de, segundo eles, interpretar o movimento aparentemente incoerente dos gráficos de preços, fornecendo sinais valiosos sobre qual será o próximo passo a ser dado pelo mercado e, diante disso, que posições o investidor deve assumir.

A Análise Técnica independe dos fundamentos de uma companhia, como relação preço/lucro, lucro líquido, grau de endividamento, patrimônio líquido, pagamento de dividendos, notícias sobre possíveis fusões ou venda, entre outros, que costumam afetar fortemente os investidores fundamentalistas, adeptos da Análise Fundamentalista, que é a segunda forma de análise disponível, também utilizada para a interpretação dos mercados. A escola técnica é totalmente diferente, e não está ligada à situação clínica de uma empresa. Também não sofre grandes abalos com as notícias divulgadas pelos meios de comunicação.

Partindo do princípio de que a Análise Técnica acredita que todos esses fatores já virão descontados nos gráficos de preços, muitas vezes até mesmo antes que as notícias sejam divulgadas à população em geral, os investidores técnicos concentram-se apenas em analisar os gráficos, dando-se por satisfeitos e convencidos de que estão tendo uma visão real e total das companhias, do mercado e da economia como um todo.

Sobre a eficácia da Análise Técnica, é evidente que funciona, assim como a Análise Fundamentalista também tem seus méritos, caso contrário ambas não sobreviveriam até hoje. O problema é que os investidores não dedicam ao aprendizado dessas duas nobres disciplinas o tempo e o esforço que lhes é devido.

Vejamos um exemplo semelhante: para que alguém se torne um profissional ou especialista em algo, o primeiro passo, hoje, é que ele freqüente uma faculdade ou alguns cursos técnicos sobre o assunto. Após esta preparação inicial, o que costuma durar de dois a quatro anos, o interessado sairá “cru” em direção ao mercado de trabalho, onde vai passar por um período de estágio, para que coloque em prática os conhecimentos teóricos adquiridos. Essa etapa dura de seis meses a dois anos. Só então esse indivíduo estará apto a começar, veja bem, começar a atuar profissionalmente no mercado de trabalho, e a gerar renda e valor para a empresa que o contratar. Alguns profissionais optam, também, por uma pós-graduação, um MBA ou um mestrado, visando aprofundar seus conhecimentos, agregando ainda mais pontos ao seu curriculum. Esse novo passo poderá levar um ano ou mais.

A indústria dos investimentos funciona da mesma forma, e está repleta de profissionais e especialistas, com larga experiência, que estão prontos para abocanhar verdadeiras fortunas de capital rapidamente, inclusive o seu. A maioria deles dispõe de grandes aparatos tecnológicos, sistemas de negociação e envio de ordens automáticos, além dos melhores provedores de análises de mercado. Como se não bastasse, alguns ainda contam com a retaguarda de grandes bancos de investimentos, fundos de investimentos e Corretoras de Valores, que os estimulam com altos salários, pomposas comissões e a possibilidade de operarem com taxas de corretagem próximas de zero.

Aí vem a pergunta: por que um iniciante, com pouca ou nenhuma experiência de mercado, capital reduzido, psicológico despreparado e imaturo para suportar as pressões geradas pelas operações de risco e a iminência constante de perda do capital, além de insuficiente conhecimento sobre Análise Técnica e/ou Fundamentalista, deve ser capaz de ganhar dinheiro nas Bolsas de Valores, especulando de mercado em mercado, de ação em ação? Por quê?

Como você pode notar, atuar nos mercados é uma profissão como qualquer outra. Para ganhar dinheiro nesse meio não existem segredos. O caminho é um só: o aprendizado e o domínio das técnicas de análise e dos fatores fundamentais para a sobreviência nesse mercado, como o treinamento psicológico adequado e um longo período de experiência, através da vivência prática, dia a dia. A Bolsa de Valores é, sim, um ambiente repleto de oportunidades, que surgem a todo instante, todos os dias, mas você precisa estar preparado para aproveitá-las.

Quando ouvir alguém dizer que ganhou uma bolada de dinheiro com investimentos em Bolsa, pense duas vezes antes de achar que foi apenas um lance de sorte. Talvez ele estivesse preparado, apenas aguardando pacientemente o momento certo chegar. Como muito bem disse Elmer Letterman: “Sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade”. Nos investimentos, esse conceito é absolutamente aplicável e fundamental para que se tire algum dinheiro dos mercados.

seta2 Veja: Bem-Vindo à Bolsa de Valores, de Marcelo C. PiazzaLivro Bem Vindo a Bolsa de Valores

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seta Leia um trecho do livro Warren Buffett e o Negócio da Vida

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Trecho do Livro: Como Investir em Ações
Livro Como Investir em Acoes
Autor: Carlos Alberto Orge Pinheiro
Editora: Ciência Moderna
ISBN: 9788573936254

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O Mercado de Ações é considerado eficiente quando o preço das ações, como fixado no mundo real, constitui uma boa estimativa do valor teórico para essas ações. Assim, o preço consegue antecipar corretamente o futuro, uma vez que leva em consideração as informações do mercado.

A ideia de que o mercado de ações é eficiente acaba negando a busca por padrões recorrentes e previsíveis nos preços das ações, seja através da análise técnica seja através da análise fundamentalista. Enquanto o primeiro grupo busca reconhecer oportunidades para comprar ou vender ações através das informações gráficas do retorno das ações o segundo busca essas oportunidades através de uma avaliação da empresa e do seu segmento, com base em informes econômicos e contábeis.

Independentemente da forma como as ações podem ser escolhidas a contribuição de Markowitz em 1952, através do conceito de diversificação, é fundamental para a criação de carteiras de ações. Neste caso, conforme o número de ações cresce numa carteira de ações o risco associado à operação de investimento é reduzido. Portanto, a combinação das ações de diferentes comportamentos, reduz o risco pela eliminação do risco de cada ação. Mais quais são os riscos que estão associados a uma ação?

Existem dois tipos de riscos associados a uma empresa cotada em bolsa. O primeiro risco é o risco não sistemático ou diversificável que é provocado por eventos relacionados com a atividade da empresa, a exemplo dos seus processos judiciais, das greves, dos programas de desenvolvimento além dos programas de parcerias com outras empresas.

O segundo é o risco sistemático que é provocado por fatores que sistematicamente afetam grande parte das empresas a exemplo das guerras, do processo inflacionário e das recessões econômicas além das taxas de juros e câmbio. Este último não pode eliminado pela diversificação, requerendo um prêmio.

Durante muito tempo, a dispersão do retorno da ação em relação à média foi considerada como parâmetro de risco. Ou seja, quanto mais voláteis fossem os retornos de uma ação, mais arriscada seria como maior seria o prêmio exigido pelo acionista. Paralelo a está ideia, o risco assume o conceito de dispersão em relação a um parâmetro, que não necessariamente é a média dos retornos das ações. Se de um lado temos o uso do desvio-padrão como medida de risco do outro lado temos o uso do semi-desvio.

Com base nessas ideias, explicamos o uso de dois modelos de otimização de carteiras de ações, através do Excel. Com o livro não pretendemos esgotar todo o assunto sobre otimização, mas permitir que o acionista possa diversificar eficientemente sua carteira de ações. Atuando de forma ativa poderá definir ações responsáveis por retornos compatíveis com o mercado e de risco reduzido. O investidor deve dedicar-se a esta atividade compreendendo que os resultados no mercado de capitais são de longo prazo.

seta2 Veja: Operando na B.V. Utilizando Análise TécnicaLivro Operando na Bolsa de Valores

Veja também:

seta Leia um trecho do livro Imposto de Renda nas Bolsas de Valores para P.F.

seta Leia um trecho do livro Os Princípios de Investimento de Warren Buffett

seta Leia um trecho do livro Mercado Financeiro

seta Veja a lista atualizada das Taxas de Juros praticadas no Brasil

seta Veja a lista atualizada dos Livros mais vendidos no Brasil

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Trecho do Livro: A Bola de Neve – Warren Buffett e o Negócio da Vida | Alice Schroeder
Livro A Bola de Neve Warren Buffett e o Negocio da Vida
Autora: Alice Schroeder
Editora: Sextante
ISBN-13: 9788575424407

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A versão menos lisonjeira (Omaha, Junho de 2003): Warren Buffett se balança para trás, na cadeira, com suas longas pernas cruzadas, atrás da mesa simples de madeira de seu pai, Howard. O caro paletó Zegna se avoluma em seus ombros, como se não tivesse sido feito sob medida. Ele usa terno o dia inteiro, todos os dias da semana, mesmo quando os outros 15 funcionários da Berkshire Hathaway se vestem de forma casual. Sua camisa, previsivelmente branca, vai até o alto do pescoço, com o colarinho justo demais se projetando sobre a gravata. Parece um resquício dos seus tempos de jovem executivo – como se ele tivesse passado 40 anos sem se lembrar de conferir o tamanho do próprio pescoço.

Suas mãos estão entrelaçadas atrás da cabeça, entre os fios grisalhos de seu cabelo. Uma mecha especialmente grande e rebelde, penteada com os dedos, salta do couro cabeludo como uma pista de esqui, fazendo uma curva para cima, na altura de sua orelha direita. A sobrancelha esquerda, desgrenhada, serpenteia por sobre os óculos de aro de tartaruga, conferindo ao seu rosto uma expressão que pode ser cética, astuta ou sedutora. Nesse instante ele mostra um sorriso sutil, o que empresta à sobrancelha rebelde um ar cativante. Mas seus olhos, azul-claros, estão concentrados e atentos.

Ele está cercado por 50 anos de recordações. No corredor do lado de fora do seu escritório estão fotografias do time de futebol americano Nebraska Cornhuskers; o contracheque por sua participação numa telenovela; a carta de oferta (jamais aceita) de compra do fundo hedge Long Term Capital Management; e suvenires da Coca-Cola. Na mesa de centro do escritório, uma garrafa clássica do refrigerante e uma luva de beisebol, num suporte de acrílico. Em cima do sofá, um diploma do curso de oratória de Dale Carnegie, concedido em janeiro de 1952. A réplica de uma diligência da Wells Fargo, rumo ao Oeste, está em cima de uma estante, ao lado de um Prêmio Pulitzer, conquistado, em 1973, pelos jornais do grupo Sun, de Omaha, então pertencente à sua sociedade de investimentos. Livros e jornais estão espalhados por todo o escritório. Fotografias da sua família e de amigos cobrem o aparador, uma mesinha e o espaço inferior de um suporte para computador, ao lado de sua mesa. Um grande retrato do pai de Buffett paira sobre a sua cabeça na parede atrás da mesa. Ele encara todo e qualquer visitante que entre no escritório.

Embora uma manhã de fim de primavera se insinue atrás das janelas, as persianas de madeira marrom estão fechadas, bloqueando a vista. A televisão, voltada na direção da mesa, está ligada na CNBC. Está sem som, mas a faixa horizontal, na parte inferior da tela, o abastece de notícias o dia inteiro. Ao longo dos anos, para sua satisfação, elas foram muitas vezes sobre ele mesmo.

Mas poucas pessoas o conhecem bem. Eu fiz meu primeiro contato com ele há seis anos, como analista financeira das ações da Berkshire Hathaway. Com o tempo, nós nos tornamos amigos, e agora tenho a chance de conhecê-lo melhor. Estamos no escritório de Warren porque ele não vai escrever um livro. As sobrancelhas indomáveis sublinham as suas palavras quando ele diz, repetidas vezes: “Você fará um trabalho muito melhor do que eu, Alice. Que bom que é você quem está escrevendo este livro, e não eu.”

O motivo dessas palavras ficará claro mais adiante. Por ora, começamos com o assunto de que ele mais gosta.

“Qual é a explicação, Warren? De onde saiu toda essa vontade de ganhar dinheiro?”

O olhar dele fica distante por alguns segundos, e seus pensamentos se voltam para dentro, como que folheando os arquivos da sua memória. Então Warren começa a contar sua história: “Balzac disse que, por trás de toda grande fortuna, há um crime. Isso não se aplica à Berkshire.”

Ele se levanta da cadeira para desenvolver essa idéia, atravessando o escritório com algumas passadas. Então se senta novamente, numa poltrona com brocado dourado, e se inclina para a frente, parecendo mais um adolescente que se gaba de sua primeira namorada do que um investidor de 72 anos. O livro agora é problema meu: como interpretar a sua história, quem entrevistar, o que escrever. Ele discorre longamente sobre a natureza humana e a fragilidade da memória. Então diz: “Sempre que a versão de outra pessoa for diferente da minha, use a menos lisonjeira.”

São muitas as lições que ele tem para ensinar, e algumas das melhores vêm do simples fato de observá-lo. Eis a primeira: a humildade desarma.

No fim das contas, não houve muitos motivos para escolher a versão menos lisonjeira. Porém, quando o fiz, a culpa foi geralmente da natureza humana, e não da fragilidade da memória. Um desses fatos aconteceu no Sun Valley, em 1999.

Sun Valley (Idaho, Julho de 1999): Warren Buffett saiu do carro e tirou sua bagagem do porta-malas. Ele atravessou o portão magnético e foi até à pista de decolagem do aeroporto, onde um jato Gulfstream IV – branco e reluzente, do tamanho de um avião de passageiros de porte médio e a maior aeronave particular do mundo em 1999 – aguardava o investidor e sua família. Um dos pilotos apanhou sua mala para guardá-la no bagageiro. Sempre que voavam com Buffett pela primeira vez, os pilotos ficavam surpresos ao vê-lo carregando a sua própria bagagem ou saindo de um carro sem chofer. Enquanto subia a escada de embarque, ele cumprimentou a aeromoça – que era nova ali – e escolheu um lugar junto à janela, pela qual não olharia em momento algum durante o vôo. Ele estava animado: havia meses esperava por aquela viagem.

Seu filho Peter e sua nora Jennifer, sua filha Susan e o namorado, além de dois de seus netos já estavam acomodados nas poltronas de couro café-com-leite, na cabine de quase 14 metros de comprimento. Eles giraram os assentos, afastando-os dos painéis abaulados das paredes para ganhar mais espaço, enquanto a aeromoça vinha da cozinha para servir os tira-gostos e bebidas favoritos da família. Havia uma pilha de revistas no sofá: Vanity Fair, The New Yorker, Fortune, Yachting, Robb Report, Atlantic Monthly, The Economist, Vogue, Yoga Journal. A aeromoça trouxe também os jornais do dia, juntamente com uma cestinha de batatas fritas e uma Cherry Coke, que combinava com o suéter vermelho de Buffett, da Universidade de Nebraska. Ele agradeceu, conversou com ela por alguns minutos, tentando aliviar seu nervosismo por voar pela primeira vez com o chefe, e pediu que avisasse ao co-piloto que eles estavam prontos para decolar. Então enfiou a cabeça num jornal, enquanto o avião deixava a pista e rapidamente alcançava os 12 mil metros de altitude. Ao longo das duas horas seguintes ele ficou cercado pelo burburinho de seis pessoas, que assistiam a filmes, conversavam e falavam pelo telefone, enquanto a aeromoça arrumava toalhas e vasos de orquídeas nas mesas de madeira de lei, antes de voltar à cozinha para preparar o almoço. Buffett não se mexeu em nenhum momento. Ficou sentado lendo, escondido atrás dos seus jornais, como se estivesse sozinho no escritório de casa.

Eles estavam voando num verdadeiro palácio aéreo, de 30 milhões de dólares, conhecido como jato “fracionário”. Cada aeronave podia ser dividida por até oito proprietários, mas, como fazia parte de uma frota, os donos podiam voar ao mesmo tempo, se quisessem. Todos – dos pilotos aos funcionários da manutenção, dos programadores de vôo, que preparavam tudo para o embarque num prazo máximo de seis horas, à aeromoça que servia as refeições – trabalhavam para a NetJets, que pertencia à companhia de Warren Buffett, a Berkshire Hathaway.

Algum tempo depois o G-IV cruzou a planície do Snake River e se aproximou das Sawtooth Mountains, uma formação rochosa do período cretáceo, de granito escuro tostado pelo sol durante milênios. O avião singrou o ar luminoso e límpido até Wood River Valley e desceu até 2.500 metros de altitude, onde enfrentou a turbulência provocada pelo relevo acidentado da região. Buffett continuou lendo, imperturbável, enquanto o avião chacoalhava e sua família se sacudia nas poltronas. Moitas salpicavam as partes mais altas da cordilheira, e fileiras de pinheiros começavam sua escalada serra acima, entre desfiladeiros. A família sorria com expectativa. Enquanto o avião descia pela fenda que se estreitava entre dois picos, o sol do meio-dia projetava a sombra alongada do avião sobre a cidade de Hailey, Idaho, um antigo centro de mineração.

Poucos segundos depois as rodas tocaram a pista do aeroporto Friedman Memorial. Quando os Buffett pisaram o solo, apertando os olhos contra o sol de julho, dois utilitários esportivos já tinham atravessado o portão e estavam parados ao lado do jato, com um homem e uma mulher da Hertz aos volantes. Ambos usavam as camisas douradas e pretas da companhia. Mas, em vez de “Hertz”, a logomarca dizia “Allen & Co.”.

As crianças saltitavam, animadas, à medida que os pilotos levavam a bagagem, as raquetes de tênis e a sacola de golfe de Buffett (vermelha e branca, da Coca-Cola) para os carros. Ele e os outros passageiros apertaram as mãos dos pilotos, se despediram da aeromoça e entraram nos veículos. Contornando o escritório da Sun Valley Aviation – na verdade um pequeno trailer na extremidade sul da pista –, eles manobraram até a estrada que apontava na direção dos picos mais distantes. Cerca de dois minutos haviam passado desde que as rodas do avião tocaram o solo.

Exatamente oito minutos depois, outro avião chegou, encaminhando-se para a sua vaga na pista.

Por toda aquela tarde ensolarada uma série de jatos chegou do Sul e do Leste, ou contornando os picos do Oeste, para descer em Hailey: “paus para toda obra” como os Cessna Citations; Learjets glamourosos das redondezas; Hawkers velozes; Falcons luxuosos; mas, em sua maioria, imponentes G-IV. À medida que a tarde chegava ao fim, dezenas de aeronaves brancas, imensas e reluzentes se enfileiravam na pista, como uma vitrine repleta de brinquedos de magnatas.

Os Buffett seguiram o caminho trilhado por outros carros por alguns quilômetros, do aeroporto até a cidadezinha de Ketchum, ao lado da Sawtooth National Forest, perto da saída para o desfiladeiro de Elkhorn. Alguns quilômetros depois eles contornaram a Dollar Mountain, deparando-se com um verdadeiro oásis verde, como se tivesse sido aninhado no meio das encostas marrons. Ali, entre pinheiros e choupos, fica o Sun Valley, o mais lendário resort das montanhas, onde Ernest Hemingway começou a escrever Por Quem Os Sinos Dobram e muitos esquiadores e patinadores olímpicos encontraram um segundo lar.

Todas as diversas famílias às quais eles se juntariam naquela tarde tinham algum vínculo com o Allen & Co., um pequeno banco de investimentos especializado em empresas de mídia e comunicação. O Allen & Co. realizara algumas das maiores fusões de Hollywood e vinha organizando, havia mais de uma década, uma série anual de debates e seminários entremeados por atividades recreativas ao ar livre, no Sun Valley, para seus clientes e amigos. Herbert Allen, o CEO da empresa, convidava apenas as pessoas de que gostava, ou ao menos aquelas com quem tinha interesse em fazer negócios.

Assim, o encontro estava sempre repleto de rostos famosos e ricos: produtores de Hollywood e estrelas, como Candice Bergen, Tom Hanks, Ron Howard e Sydney Pollack; magnatas do mundo do entretenimento, como Barry Diller, Rupert Murdoch, Robert Iger e Michael Eisner; jornalistas com pedigree social, como Tom Brokaw, Diane Sawyer e Charlie Rose; e titãs da tecnologia, como Bill Gates, Steve Jobs e Andy Grove. Uma multidão de repórteres os aguardava todos os anos em frente ao Chalé Sun Valley.

Os jornalistas tinham chegado na véspera, do aeroporto de Newark ou de Nova Jersey ou de algum ponto de embarque parecido, onde apanharam um vôo comercial até Salt Lake City. Eles percorreram o saguão e ficaram sentados no meio de uma multidão que estava à espera de vôos para lugares como Casper, no Wyoming, e Sioux City, em Iowa, até à hora de se espremerem num teco-teco para a penosa viagem até Sun Valley. Ao pousar, o avião dos jornalistas foi conduzido ao lado oposto do aeroporto, próximo a um terminal do tamanho de uma quadra de tênis. Ali eles puderam ver um grupo de jovens funcionários bronzeados do Allen & Co. – vestidos com camisas pólo em tons pastel e shorts brancos – dar as boas-vindas aos convidados da empresa que chegaram mais cedo, em vôos comerciais. Estes se destacavam imediatamente dos demais passageiros: homens de botas de vaqueiro, camisas Paul Stuart e calças jeans; mulheres usando jaquetas de couro de cabra acamurçado e colares de contas de turquesa do tamanho de bolas de gude. Os funcionários do Allen já haviam memorizado os rostos dos recém-chegados por meio de fotografias fornecidas com antecedência. Eles abraçavam pessoas que tinham acabado de conhecer como se fossem velhos amigos e logo se apressavam a apanhar toda a bagagem dos convidados e a levavam até os utilitários esportivos, alinhados a alguns passos de distância, no estacionamento.

Já os repórteres iam até o guichê de aluguel de carros e tinham que dirigir até o Chalé – já bastante conscientes, naquela altura, de que tinham um status inferior. Ao longo dos dias seguintes, diversas áreas do Sun Valley passariam a ser “restritas”, isoladas dos olhares de curiosos por portas fechadas, pelos onipresentes seguranças, por cestos de flores suspensos e grandes vasos de plantas que encobriam a visão. Excluídos dos acontecimentos lá dentro, os repórteres espreitavam pelas beiradas, com os narizes colados nos arbustos. Desde que Michael Eisner, da Disney, e Tom Murphy, da Capital Cities/ABC, haviam fechado um acordo para a fusão de suas companhias no Sun Valley ’95 (o encontro acabou sendo chamado assim, como se englobasse todo o resort, o que, de certa maneira, era verdade), a cobertura da imprensa crescera até o evento assumir a atmosfera artificialmente eufórica de um Festival de Cannes do mundo dos negócios. As fusões que surgiam no Sun Valley eram, no entanto, apenas ilhotas de gelo que se desprendiam do iceberg. O Sun Valley não era somente um lugar onde se fechavam negócios, embora estes tivessem a maior parte da publicidade. Todos os anos multiplicavam-se os boatos de que esta ou aquela companhia estava envolvida em alguma grande negociação naquele misterioso conclave nas montanhas de Idaho. Assim, enquanto os utilitários esportivos entravam, em fila, pela porte-cochère, os repórteres espreitavam pelos vidros, tentando enxergar quem estava lá dentro. Quando algum colunável chegava, eles perseguiam a presa até o chalé, brandindo câmeras e microfones.

A imprensa logo reconheceu Warren Buffett quando ele saiu do carro. “Ele está entranhado no DNA do encontro”, disse seu amigo Don Keough, presidente do Allen & Co. A maioria dos jornalistas gostava de Buffett, que se esforçava para não ser malquisto por ninguém. Mas ele também os intrigava. Sua imagem pública era a de um homem simples – e ela parecia corresponder à realidade. Sua vida, porém, era bastante complicada. Ele tinha cinco casas, embora só morasse em duas. De alguma maneira, e para todos os efeitos, ele acabara tendo duas mulheres. Falava usando aforismos de fácil compreensão com um brilho delicado no olhar e possuía um círculo de amizades extremamente leal, embora tivesse conquistado, ao longo de sua vida, uma reputação de negociador durão e até mesmo hostil. Ele parecia querer evitar a publicidade a qualquer preço, mas conseguira se tornar mais famoso, praticamente, que qualquer outro homem de negócios na face da Terra. Percorria o país em um jato G-IV, comparecia com freqüência a eventos de celebridades e convivia com várias pessoas famosas, embora dissesse que preferia Omaha, hambúrgueres e um estilo de vida modesto. Ele afirmava que seu sucesso se baseava em algumas idéias simples sobre investimentos – e na prática de sapateado, que lhe dava energia para trabalhar com entusiasmo todos os dias. Mas, se fosse assim, por que ninguém mais tinha sido capaz de fazer o mesmo?

Buffett, como sempre, acenou com cortesia para os fotógrafos, abrindo o sorriso acolhedor de um avô bondoso, enquanto passava. Depois que o fotografaram passaram a espreitar o carro seguinte.

Os Buffett seguiram até o chalé da família, decorado à francesa, que fazia parte do cobiçado conjunto Wildflower, próximo da piscina e das quadras de tênis, onde Herbert Allen instalava os convidados VIPs. Lá dentro, os tesouros de sempre os esperavam: uma pilha de paletós do Allen & Co., bonés de beisebol, agasalhos, camisas pólo – cada ano numa cor diferente – e uma agenda com zíper. Apesar da sua fortuna de mais de 30 bilhões de dólares – dinheiro suficiente para comprar mil daqueles G-IV parados no aeroporto –, pouca coisa deixava Buffett mais feliz do que ganhar uma camisa de golfe de um amigo, de forma que ele passara um bom tempo analisando com atenção aqueles brindes preciosos. Mais interessante ainda, no entanto, era o bilhete personalizado que Herbert Allen enviara a cada convidado e a organizadíssima agenda do encontro, que explicava o que o Sun Valley reservava para eles naquele ano.

Com todos os segundos contados, organizada nos mínimos detalhes e tão impecável quanto o punho da camisa de Herbert Allen, a agenda de Buffett estava detalhada em cada hora de cada dia. Ela apresentava os palestrantes e seus respectivos temas – o que, até aquele momento, era um segredo guardado a sete chaves – e os almoços e jantares aos quais ele deveria comparecer. Diferentemente dos demais convidados, Buffett já sabia de boa parte de tudo aquilo, mas ainda assim gostava de conferir a sua agenda.

Herbert Allen, conhecido como “Senhor do Sun Valley” e discreto organizador do encontro, dava o tom de sofisticação casual que permeava o evento. As pessoas sempre se referiam a ele como um homem de princípios, disposto a dar bons conselhos, generoso e inteligente. “Qualquer um gostaria de morrer sendo respeitado por alguém como Herbert Allen”, derramou-se um hóspede. Por medo de não serem mais convidados para o encontro, aqueles que faziam qualquer tipo de crítica dificilmente iam além de comentários vagos a respeito de Herbert ser “excêntrico” ou indócil ou impaciente ou dono de um ego inflado. Diante da sua figura esbelta mas musculosa, era preciso se esforçar para acompanhar as palavras que ele disparava como uma metralhadora. Allen vociferava perguntas e, em seguida, interrompia seu interlocutor no meio das respostas, para que não desperdiçassem um segundo sequer de seu tempo. Era um especialista em dizer o indizível. “No final das contas, Wall Street será varrida do mapa”, ele declarara certa vez a um repórter, embora ele próprio administrasse um banco em Wall Street. Allen gostava de se referir aos concorrentes como “vendedores de cachorro-quente”.

Allen mantinha a sua empresa deliberadamente pequena, e seus banqueiros investiam dinheiro do próprio bolso em seus empreendimentos. Essa abordagem pouco convencional tornava a empresa uma sócia – e não uma mera servidora – dos seus clientes, entre os quais se incluíam a elite de Hollywood e do mundo da mídia. Assim, quando ele bancava o anfitrião, seus convidados se sentiam privilegiados, e não prisioneiros de olhos vendados sendo observados a cada passo. Todos os anos o Allen & Co. organizava uma agenda social detalhada, que girava em torno da rede de relacionamentos pessoais de cada convidado – que a empresa conhecia bem – e das novas pessoas que os assistentes de Allen achavam que deveriam conhecer. Hierarquias tácitas estabeleciam a distância entre os chalés de cada hóspede e a pousada (onde as reuniões aconteciam), bem como os almoços ou jantares aos quais cada um seria convidado, e com quem se sentariam.

Tom Murphy, amigo de Buffett, se referia àquele evento como um “encontro de elefantes”. “Sempre que um bando de figurões se reúne”, Buffett disse, “é fácil atrair as pessoas, pois elas ficam tranqüilas em saber que, se estão presentes num encontro de elefantes, devem ser elefantes também.”

Sun Valley é sempre um lugar muito tranqüilo, pois, ao contrário da maioria dos encontros de elefantes, não se pode comprar ingresso para ele. O resultado acaba sendo um clima elitista e falsamente democrático. Parte da emoção de estar lá é ver quem foi convidado e, mais emocionante ainda, quem não voltou a sê-lo. Contudo, dentro da sua camada social, as pessoas desenvolvem relacionamentos genuínos. O Allen & Co. estimulava a sociabilidade por meio de diversas atividades de entretenimento. Elas começavam à tardinha, quando os convidados vestiam roupas de caubói, embarcavam em charretes puxadas por cavalos e seguiam vaqueiros de verdade por uma trilha sinuosa que passava por uma torre de pedra natural no caminho para os prados de Trail Creek Cabin. Ali eles eram recebidos por Herbert Allen ou por um dos seus dois filhos, quando o sol começava a se pôr. Junto a uma enorme tenda branca, decorada com arranjos de petúnias vermelhas e sálvias azuis, caubóis faziam truques com cordas, divertindo as crianças. Enquanto isso, a velha-guarda de Sun Valley se reunia e dava as boas-vindas aos novos hóspedes, que faziam fila com seus pratos para se servirem do bufê de carnes e salmão. Os Buffett geralmente terminavam a noite reunidos com amigos em volta de uma fogueira, sentados sob o céu do Oeste salpicado de estrelas.

A diversão continuava na tarde de quarta-feira, com um passeio opcional de bote pelas corredeiras suaves do Salmon River. Ali floresciam algumas amizades, pois o Allen & Co. determinava o lugar que cada um ocuparia no ônibus, no caminho até o local de embarque e nos botes. Os guias, em silêncio, os conduziam pelo vale montanhoso, para não interromperem parcerias que se formavam. Ambulâncias e vigias contratados entre a população local se espalhavam estrategicamente pela rota, para o caso de alguém cair na água gelada. Os convidados recebiam toalhas quentes assim que largavam seus remos e saíam dos botes, para então participar de um delicioso churrasco.

Os que não estavam fazendo rafting poderiam estar pescando, cavalgando, praticando tiro ao alvo, mountain bike, jogando bridge, aprendendo a tricotar, fotografando a natureza, jogando frisbee com os onipresentes convidados caninos do encontro, patinando na pista de gelo coberta, jogando tênis em quadras de saibro perfeitas, relaxando na piscina ou jogando golfe em campos impecáveis, onde andavam em carrinhos em que não faltavam protetores solares, tira-gostos e repelentes. Todas as recreações transcorriam na maior tranqüilidade, sem interrupções. Qualquer coisa que os convidados precisassem aparecia como que por mágica, sem sequer ser pedida, trazida por uma equipe aparentemente incansável – quase invisível, porém sempre presente – de funcionários em camisas pólo.

A arma secreta de Herbert Allen, no entanto, eram as baby-sitters: cento e poucas beldades adolescentes, quase todas louras e superbronzeadas, usando as mesmas camisas pólo e mochilas do Allen & Co., que combinavam com elas. Enquanto os pais e avós se divertiam, as baby-sitters garantiam que cada Joshua e Brittany estivesse com o companheiro certo de brincadeiras, em qualquer atividade que escolhessem, fosse uma partida de tênis ou de futebol, um passeio de bicicleta ou de charrete, uma exposição de cavalos, patinação, corrida de revezamento, pescaria, um projeto artístico, comer pizza ou tomar sorvete. Cada baby-sitter era selecionada pessoalmente, para garantir que toda criança se divertisse tanto que implorasse para voltar no ano seguinte – ao mesmo tempo que deleitava os pais, pois eram jovens muitíssimo atraentes que lhes permitiam se dedicar por dias a fio à companhia de outros adultos, sem culpa.

Buffett sempre foi um dos hóspedes mais gratos de Allen. Ele adorava o Sun Valley como local de férias em família, pois, se ficasse por conta própria em um resort nas montanhas com seus netos, não teria a mínima idéia de como agir. Ele não se interessava por nenhuma outra atividade ao ar livre além do golfe. Jamais praticava tiro ao alvo ou mountain bike, considerava a água “uma espécie de prisão” e preferia andar algemado a passear de bote. Em vez disso, ele escapava confortavelmente para o meio da manada de elefantes. Jogava um pouco de golfe e de bridge, incluindo, no primeiro caso, uma partida com Jack Valenti, presidente da Motion Picture Association of America, valendo um dólar, e, no segundo caso, com Meredith Brokaw. De resto, passava o tempo conversando com pessoas como Christie Hefner, CEO da Playboy, e Michael Dell, CEO da empresa de hardware que leva seu sobrenome.

Muitas vezes, no entanto, ele desaparecia por longos períodos em seu chalé com vista para o campo de golfe, onde lia e assistia às notícias do mundo dos negócios na sala de estar, sentado diante de uma grande lareira de pedra. Mal notava a vista coberta de pinheiros da Baldy Mountain, da janela, nem a colina que parecia um tapete persa, coberta de flores e plantas das mais variadas espécies e cores. “Imagino que a paisagem esteja lá”, ele dizia. O principal motivo da sua ida era a atmosfera acolhedora criada por Herbert Allen. Ele gostava de estar com seus amigos mais próximos: Kay Graham e seu filho Don; Bill e Melinda Gates; Mickie e Don Keough; Barry Diller e Diane von Furstenberg; Andy Grove e sua mulher, Eva.

Mas, acima de tudo, para Buffett o Sun Valley significa uma oportunidade de se reunir com a família, um dos raros momentos em que a maior parte dela fica junta. “Ele gosta que todos fiquemos na mesma casa”, disse sua filha, Susie Buffett Jr. Ela morava em Omaha; Howie, seu irmão mais novo, e sua mulher, Devon – que não estavam presentes naquele ano –, moravam em Decatur, Illinois; enquanto o caçula Peter e sua mulher, Jennifer, moravam em Milwaukee.

Susan, mulher de Buffett havia 47 anos, mas que vivia separada dele, tinha pegado um avião de São Francisco, onde morava, para encontrá-los. E Astrid Menks, sua companheira havia mais de 20 anos, ficara na casa deles, em Omaha.

Na sexta-feira à noite, Warren vestiu uma camisa havaiana e acompanhou sua primeira mulher na tradicional festa ao ar livre, junto às quadras de tênis, perto do chalé da família. A maioria dos convidados conhecia Susie e gostava dela. Sempre a estrela da festa, ela interpretou clássicos da canção popular, à luz de tochas tiki, em frente a uma piscina olímpica iluminada.

Naquele ano, à medida que os coquetéis e amenidades corriam soltos, ouvia-se o burburinho de uma nova língua, quase incompreensível – B2B, B2C, largura de banda, banda larga –, completada pelo som do grupo musical de Al Oehrle. Durante a semana inteira uma vaga sensação de desconforto pairou pelos almoços, jantares e coquetéis, como uma névoa silenciosa que se insinuasse entre os apertos de mão, beijos e abraços. Um novo grupo de executivos da área de tecnologia, cheios de uma arrogância incomum, se apresentava a pessoas que, um ano antes, sequer tinham ouvido falar em seus nomes. De certa forma, a autoconfiança que demonstravam não combinava com a atmosfera natural de Sun Valley, onde reinava uma informalidade planejada. Herbert Allen adotava uma espécie de regra tácita contra a ostentação, sob pena de exclusão.

A nuvem de arrogância pesou ainda mais durante as apresentações, que eram o ponto alto do encontro. Diretores de companhias, funcionários do alto escalão do governo e outros convidados ilustres faziam palestras nada convencionais: nenhuma palavra pronunciada ultrapassava, nem mesmo na forma de um cochicho, os cestos de flores pendurados nas portas da Pousada Sun Valley. A entrada de repórteres era proibida; havia na platéia colunistas e barões da mídia, incluindo donos de redes de televisão e jornais, mas todos respeitavam a lei do silêncio. Dessa forma, falando apenas para seus colegas, os palestrantes se sentiam mais livres para dizer coisas importantes, em geral verdadeiras. Coisas que jamais poderiam ser proferidas diante da imprensa, pois eram muito diretas ou muito sutis ou muito alarmantes ou muito fáceis de satirizar ou muito propensas a serem mal interpretadas. Os jornalistas comuns espreitavam do lado de fora, aguardando migalhas que só eram atiradas com muita parcimônia.

Naquele ano, os novos magnatas da internet estavam se pavoneando, exibindo suas expectativas elevadíssimas, alardeando suas últimas fusões e procurando arrancar dinheiro dos gestores de recursos que estavam na platéia. Estes últimos, que cuidavam das aposentadorias e economias de terceiros, controlavam juntos tanta riqueza que ela praticamente fugia à compreensão humana: mais de 1 trilhão de dólares. Em 1999, se você tivesse 1 trilhão de dólares, poderia pagar o imposto de renda de cada cidadão dos Estados Unidos. Poderia dar de presente um Bentley para todos os lares de mais de nove estados americanos. Poderia comprar todos os imóveis de Chicago, Nova York e Los Angeles – juntos. Representantes de algumas empresas precisavam daquele dinheiro – e queriam que ele viesse da platéia.

Naquela mesma semana, uma série de debates no programa de televisão de Tom Brokaw, com o tema “A Internet e Nossas Vidas”, exibira com estardalhaço discursos sobre como a internet remodelaria o setor de comunicações. Jay Walker, da Priceline, fez uma apresentação estonteante da internet, que comparava a supervia da informação ao advento da estrada de ferro, em 1869. Ininterruptamente, executivos expuseram as possibilidades fabulosas que se abriam para as empresas, enchendo o auditório do perfume inebriante de um futuro sem as limitações do espaço, do armazenamento e da geografia. Era algo tão brilhante e visionário que, enquanto alguns se convenciam de que um novo mundo de fato se desdobrava diante dos seus olhos, outros pensavam estar diante de vendedores charlatães. Os donos das empresas de tecnologia se viam como verdadeiros Prometeus, gênios que traziam o fogo aos reles mortais. Outros empreendimentos, que envolviam o trabalho braçal de prover as necessidades maçantes da vida – peças para carros, móveis de jardim –, passavam a ser interessantes apenas em termos de quanta tecnologia eram capazes de comprar. Algumas ações de empresas pontocom eram negociadas a valores infinitamente maiores do que suas inexistentes receitas, ao passo que “companhias de verdade”, que faziam coisas de verdade, estavam sendo desvalorizadas. Enquanto as ações de empresas de tecnologia engoliam a “velha economia”, o índice Dow Jones tinha ultrapassado a marca anteriormente inimaginável de 10.000 pontos apenas quatro meses antes, dobrando de valor em menos de três anos e meio.

Vários novos ricos se reuniam, nos intervalos entre as palestras, numa varanda coberta de frente para o Duck Pond, onde se via um casal de cisnes criados em cativeiro. Lá, qualquer convidado – mas nenhum repórter – poderia flanar entre os outros usando calças cáqui e suéteres de caxemira e fazer perguntas a Bill Gates ou Andy Grove. Do lado de fora, os jornalistas perseguiam os magnatas da internet quando eles caminhavam entre a pousada e seus chalés – e amplificavam ainda mais a atmosfera de arrogância que dominava o Sun Valley naquele ano.

Alguns dos novos czares da internet passaram a tarde de sexta-feira tentando convencer Herbert Allen a incluí-los no ensaio que a fotógrafa Annie Leibovitz faria no sábado à tarde, com as “Grandes Estrelas da Mídia”, para a revista Vanity Fair. Eles achavam que tinham sido chamados para o Sun Valley porque eram as pessoas “do momento”, e mal podiam acreditar que Leibovitz tivesse escolhido por conta própria quem fotografar. Por que, por exemplo, ela incluiria Buffett? Seu papel na mídia era secundário – limitava-se à participação em conselhos, a uma rede ampla de influência pessoal e a uma história de grandes e pequenos investimentos na área. Além do mais, ele era notícia velha. Era difícil acreditar que seu rosto numa fotografia ainda vendesse revistas.

Estas supostas grandes estrelas se sentiam ofendidas, porque sabiam muito bem que a balança da mídia havia pendido para a internet. Isso era certo, apesar de o próprio Herbert Allen achar que o “novo paradigma” de cotação das ações de empresas de tecnologia e comunicação – baseado em instantâneos, no “olhômetro” e em projeções de crescimento a longo prazo, e não na habilidade de uma empresa de ganhar dinheiro de verdade – era uma furada. “Novo paradigma”, ele falava com desdém, “é igual a novo s_xo. Simplesmente não existe.”

Na manhã seguinte, Buffett, um dos ícones do antigo paradigma, se levantou cedo, pois faria a palestra de encerramento do seminário daquele ano. Ele recusava invariavelmente convites para falar em congressos organizados por outras empresas, mas, quando Herbert Allen pedia que fizesse uma apresentação no Sun Valley, sempre dizia sim. A palestra de encerramento, na manhã de sábado, era o acontecimento que dava o tom do encontro; por isso, em vez de seguirem para o campo de golfe ou pegarem uma vara de pescar, quase todos iam tomar café da manhã na Pousada Sun Valley, procurando em seguida um lugar na platéia. Naquele dia, Buffett iria falar sobre o mercado de ações.

Particularmente, ele sempre fora um crítico do mercado dominado por investimentos impulsivos e baseado em iniciativas de marketing, que vinham fazendo as ações das empresas de tecnologia dispararem para alturas delirantes ao longo daquele ano. As ações da sua própria companhia, a Berkshire Hathaway, estavam no fundo do poço, e o seu princípio rígido de nunca comprar ações de empresas de tecnologia parecia ultrapassado. Mas isso não influenciava a sua maneira de investir e, até então, em público, ele se limitara a afirmar que jamais especulava sobre o mercado. Dessa forma, a sua decisão de subir no palanque do Sun Valley para fazer exatamente isso era algo sem precedentes. Talvez fosse um sinal dos tempos. Buffett tinha uma convicção inabalável – e sentia um desejo irresistível de demonstrá-la.

Ele tinha passado semanas se preparando para aquela palestra. Entendia que o mercado não se limitava a pessoas negociando ações como se estas fossem fichas de um cassino. As fichas representavam empresas. Buffett pensou sobre o valor total das fichas. Quanto elas valiam? Aquela não era a primeira vez que tecnologias novas, capazes de mudar o mundo, tinham chegado para abalar o mercado de ações. A história dos negócios estava repleta de novas tecnologias – as estradas de ferro, o telégrafo, o telefone, o automóvel, o avião: todas essas inovações foram maneiras revolucionárias de interligar as coisas com mais rapidez. No entanto, quantas delas haviam tornado os investidores mais ricos? Era o que ele estava prestes a explicar.

Depois do café da manhã, Clarke Keough subiu ao palanque. Buffett conhecia a família Keough havia muitos anos; tinham sido vizinhos em Omaha. Foi por intermé dio do pai de Clarke, Don, que Buffett fizera os contatos que o levaram até o Sun Valley. Don Keough, então presidente do conselho do Allen & Co. e ex-presidente da Coca-Cola, conhecera Herbert Allen em 1982, quando este comprara a Columbia Pictures para a Coca-Cola. Keough e seu chefe, Roberto Goizueta, o CEO da Coca-Cola, ficaram tão impressionados com a postura de venda de Herbert Allen, que não tinha nada em comum com a dos outros vendedores, que o convenceram a se juntar a seu conselho.

Naquela altura, Keough – filho de um criador de gado de Sioux e ex-coroinha – estava praticamente aposentado na Coca-Cola, mas ainda vivia e respirava na alta roda da empresa, tão poderoso que era considerado por muitos o mais influente ex-executivo da companhia.

Quando os Keough eram seus vizinhos em Omaha, na década de 1950, Warren perguntou a Don como ele faria para pagar a faculdade dos filhos, sugerindo que investisse 10 mil dólares na sua sociedade. Don, no entanto, estava pagando escola para seis filhos, ganhando 200 dólares por semana como vendedor da lanchonete Butter-Nut. “Não tínhamos o dinheiro”, contou seu filho Clarke para a platéia. “Esta é uma parte da história da nossa família que nunca esqueceremos.”

Buffett se juntou a Clarke no palanque, usando seu suéter vermelho favorito da Universidade de Nebraska por cima de uma camisa xadrez. E terminou de contar a história.

“Os Keough eram vizinhos maravilhosos”, disse. “É verdade que às vezes Don me provocava, dizendo que, diferentemente de mim, ele ao menos tinha um emprego, mas o nosso relacionamento era ótimo. Uma vez, minha mulher, Susie, foi até à casa deles e fez o que se espera de qualquer vizinho no Meio-Oeste: pediu uma xícara de açúcar, e a mulher de Don, Mickie, lhe deu um saco inteiro. Quando fiquei sabendo disso, decidi visitar eu mesmo os Keough naquela noite. Eu disse a Don: ‘Por que você não me dá 25 mil dólares, para a minha empresa investir?’ Foi então que a família Keough ficou um pouco tensa e eu fui rejeitado.

Voltei algum tempo depois e pedi os 10 mil dólares de que Clarke falou, e aconteceu a mesma coisa. Mas eu não era orgulhoso. Então voltei um pouco mais tarde e pedi 5 mil dólares. E fui rejeitado mais uma vez.

Uma noite, no verão de 1962, caminhei até à casa dos Keough. Não sei se teria baixado a oferta para 2.500 dólares ou não, mas quando cheguei à porta deles a casa estava toda escura e silenciosa. Não dava para ver nada. Eu sabia o que estava acontecendo. Sabia que Don e Mickie estavam escondidos no andar de cima. Então continuei ali.

Toquei a campainha. Bati à porta. Nada aconteceu. A casa estava um breu, mas eu sabia que Don e Mickie estavam lá em cima. Estava escuro demais para ler e cedo demais para ir dormir. Eu me lembro daquele dia como se fosse ontem. Era o dia 21 de junho de 1962.

Clarke, quando você nasceu?”

“No dia 21 de março de 1963.”

“É este tipo de coisa que faz a história dar reviravoltas. Já que é assim, talvez você deva agradecer aos seus pais por eles não terem descido para me atender e me dar aquele dinheiro.”

Depois de conquistar a platéia com este pequeno diálogo cômico, Buffett abordou o assunto em pauta.

“Agora vou tentar dar uma de multimídia. Herb me pediu para incluir alguns slides na minha palestra. ‘Mostre que você está por dentro’, ele disse. E, quando Herb fala alguma coisa, é praticamente uma ordem para a família Buffett.” Sem especificar o que exatamente diferenciava a “família Buffett” (pois, para ele, a sua família era igual a qualquer outra), ele começou a contar uma piada sobre Allen: “O secretário do presidente dos Estados Unidos entra correndo no Salão Oval pedindo desculpas por ter marcado duas reuniões para o mesmo horário. O presidente tem que escolher entre receber o Papa ou Herbert Allen.” Buffett fez uma pausa de efeito. “‘Mande o Papa entrar’, o presidente diz. ‘Pelo menos eu só tenho que beijar o anel dele.’”

Hoje eu gostaria de falar para todos vocês, que assim como eu beijam o anel de Herb, sobre a Bolsa de Valores. Vou falar sobre a cotação das ações, mas não sobre como prever o comportamento delas no próximo mês ou ano. Falar sobre cotações não é o mesmo que fazer previsões. A curto prazo, o mercado é como uma urna eletrônica. A longo prazo, é como uma balança. No fim, o que conta é o peso. Mas é o número de votos que conta a curto prazo. E estamos falando de um jeito muito pouco democrático de votação. Infelizmente a pessoa não passa por nenhum teste de alfabetização antes de poder votar, como todos vocês sabem muito bem.”

Buffett apertou um botão, que projetou um slide de Powerpoint numa tela enorme à sua direita. Bill Gates, que estava sentado na platéia, prendeu a respiração por um instante, até Buffett – um notório desastrado – conseguir se entender com o projetor.

ÍNDICE DOW JONES
31 de dezembro de 1964 – 874,12
31 de dezembro de 1981 – 875,00

Ele andou até à tela e começou a explicar.

“No decorrer dos últimos 17 anos, o tamanho da economia quintuplicou. As vendas das empresas citadas na revista Fortune 500 mais do que quintuplicaram. Porém, durante esses 17 anos, o mercado de ações continuou exatamente no mesmo lugar.”

Buffett voltou um ou dois passos.

“O que vocês estão fazendo ao investir é adiar o consumo e aplicar o dinheiro agora, para pegar mais dinheiro de volta no futuro. E só existem duas perguntas. Uma é quanto você vai pegar de volta, e a outra é quando.

Esopo não era nenhum gênio financeiro quando disse algo parecido com ‘mais vale um pássaro na mão do que dois voando’. Só que ele não explicou quando. As taxas de juros – o custo de se pegar dinheiro emprestado, são o preço do ‘quando’. Elas estão para as finanças como a gravidade está para a física. Como as taxas de juros variam, o valor de todos os ativos financeiros – imóveis, ações, títulos – também muda, assim como o preço dos pássaros de Esopo.

E é por isso que nem sempre um pássaro na mão é melhor do que dois voando. Às vezes dois voando são melhores do que um na mão.”

Com seu tom fanhoso, ofegante e monocórdio, e falando tão depressa que às vezes as palavras se atropelavam, Buffett fez uma analogia entre Esopo e a grande euforia do mercado na década de 1990, que ele classificou como “conversa para boi dormir”. Os lucros cresceram muito menos do que no período anterior, mas os pássaros voando eram caros, porque as taxas de juros estavam baixas. Menos pessoas queriam dinheiro – o pássaro na mão –, apesar dos juros baixos. Então os investidores estavam pagando preços sem precedentes por aqueles pássaros no céu. De forma franca, Buffett se referia a isso como o “fator ganância”.

A platéia, cheia de gurus tecnológicos que acreditavam estar mudando o mundo enquanto ficavam ricos, graças à enorme euforia do mercado, ficou calada. Eles estavam empoleirados em cima de portfólios abarrotados de ações que vinham sendo negociadas a valores extravagantes. E adoravam isso. Era um novo paradigma, a aurora da era da internet. Achavam que Buffett não tinha o direito de chamá-los de gananciosos. Logo Warren – que passou anos juntando seu dinheiro e dando muito pouco dele; que era tão pão-duro que na placa do seu carro estava escrito “Thrifty”, ou seja, “Econômico”; que passava boa parte do seu tempo pensando em como ganhar mais dinheiro; que tinha perdido o barco ao detonar o boom tecnológico – estava cuspindo no champanhe deles.

Buffett continuou seu discurso. Havia apenas três formas de o mercado de ações se manter crescendo no ritmo de 10% ou mais ao ano. Uma das maneiras possíveis era se as taxas de juros caíssem e permanecessem abaixo dos níveis históricos. A segunda era se a fatia da economia que ia para os investidores – e não para os trabalhadores, o governo, etc. – crescesse além de seu nível já historicamente elevado. Ou ainda, nas palavras dele, se a economia começasse a crescer mais rapidamente do que o normal. Ele considerava “uma ilusão” se valer de premissas otimistas como aquelas.

Algumas pessoas, ele disse, não achavam que o mercado iria prosperar como um todo. Para elas, era difícil identificar quem sairia ganhando. Balançando os braços como um regente de orquestra, ele mostrou outro slide, enquanto explicava que, embora as inovações tecnológicas pudessem tirar o mundo da pobreza, a História nos dizia que as pessoas que investiam nelas não costumavam ficar felizes depois.

“Esta é apenas uma folha de uma lista de 70 páginas de companhias automobilísticas dos Estados Unidos.” Ele balançou a lista completa no ar. “Existiam duas mil empresas deste tipo: o automóvel foi, provavelmente, a invenção mais importante da primeira metade do século XX. Ele teve um impacto enorme na vida das pessoas. Se, na época dos primeiros carros, vocês soubessem como o desenvolvimento do país estaria atrelado a eles, teriam dito: ‘Preciso entrar nessa.’ Porém, daquelas duas mil companhias originais, segundo dados de poucos anos atrás, apenas três sobreviveram. E, em momentos distintos, todas as três estiveram à venda por menos que o seu valor contábil, isto é, a quantidade de dinheiro que tinha sido aplicada nelas. De modo que os automóveis tiveram um impacto enorme na América, mas, para os investidores, este impacto não foi positivo.”

Ele largou a lista e enfiou a mão no bolso.

“Às vezes é muito mais fácil identificar quem vai sair perdendo. A meu ver, havia uma decisão óbvia a se tomar naquela época. Os investidores deveriam especular com a venda a descoberto de cavalos.” – Clique. Um slide sobre cavalos apareceu na tela.

POPULAÇÃO EQÜESTRE DOS EUA
1900 – 17 milhões
1998 – 5 milhões

“Francamente, fico um pouco desapontado por minha família não ter investido em cavalos ao longo de todo este período. Sempre vai ter gente que sai perdendo.”

Os membros da platéia riram, mas não muito. As empresas deles podiam estar perdendo dinheiro, mas, no íntimo, eles carregavam a convicção de que eram vencedores, supernovas ardendo no auge de uma mudança celeste monumental. Eles não tinham dúvidas de que seus nomes estariam um dia nas páginas dos livros de História.

“Outra grande invenção da primeira metade do século foi o avião. Entre 1919 e 1939 havia cerca de 200 companhias de aviação. Imagine se você pudesse ter visto o futuro da indústria aérea quando os irmãos Wright fizeram o primeiro vôo controlado, lá em Kitty Hawk. Teria vislumbrado um mundo sem precedentes. Imagine que você tivesse uma inspiração e visse todas aquelas pessoas querendo pegar um avião para visitar seus parentes, ou fugir deles, ou qualquer outra coisa que você pode fazer com um avião, e decidisse que precisava entrar nessa.

De acordo com dados de poucos anos atrás, o conjunto de todas as ações investidas na história da indústria da aviação rendeu zero dólares.

Então deixem-me dizer uma coisa a vocês: eu prefiro pensar que, se estivesse lá em Kitty Hawk, eu teria tido a inspiração e o espírito cívico de dar um tiro em Orville Wright. Era o mínimo que eu poderia fazer pelos capitalistas do futuro.”

Mais risadinhas discretas. Alguns estavam começando a se cansar daqueles exemplos antigos. No entanto, por uma questão de respeito, deixaram Buffett prosseguir.

Então ele passou a falar dos negócios deles:

“É maravilhoso promover novas indústrias, pois elas são muito fáceis de se promover. Já promover investimentos em produtos comuns é muito difícil. É muito mais fácil promover um produto exótico, até mesmo um que dê prejuízos, pois não há parâmetro quantitativo.” Isso era um golpe direto na platéia, bem onde doía. “Mas as pessoas vão continuar investindo assim mesmo. Isso me faz lembrar a história do prospector de petróleo que morre e vai para o céu. Daí São Pedro diz: ‘Bem, eu conferi seu dados, e você preenche todos os requisitos. Mas tem um problema. Seguimos leis muito rígidas de divisão territorial aqui e mantemos todos os petroleiros naquele cercado. E, como você pode ver, ele está estourando de cheio. Não temos espaço para você.’

O prospector diz: ‘O senhor se importa se eu disser só quatro palavrinhas?’

Ao que são Pedro responde: ‘Não vejo mal algum.’

Então o prospector faz uma concha com as mãos e berra: ‘Descobriram petróleo no inferno!’

E, obviamente, a tranca do cercado arrebenta e os petroleiros começam a despencar lá para baixo.

São Pedro diz: ‘Ótimo truque. Pode entrar, fique à vontade. Tem todo o espaço do mundo agora.’

O petroleiro reflete por um instante e então fala: ‘Não, acho que vou descer com o resto do pessoal. Pode ser que aquele boato tenha um fundo de verdade.’

Bem, é assim que as pessoas pensam em relação às ações. É muito fácil acreditar que aquele boato pode ter um fundo de verdade.”

Aquilo arrancou meio segundo de risadinhas, que ficaram presas na garganta logo que a platéia entendeu o que Buffett queria dizer: que, assim como os petroleiros da piada, eles talvez fossem insensatos o bastante para seguir os boatos – e procurar petróleo no inferno.

Veja também:

seta Lista atualizada dos livros mais vendidos no Brasil

seta Trecho do livro Investimentos Inteligentes, do especialista Gustavo Cerbasi.

seta Trecho do livro Os Princípios de Investimento de Warren Buffett

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Trecho do Livro: Os Princípios de Investimento de Warren Buffett | James Pardoe
Livro Os Principios de Investimento de Warren Buffett
Autor: James Pardoe
Editora: Sextante
ISBN-13: 9788575424803

seta Saiba onde encontrar este livro

Para a maioria de nós, o mercado acionário é um mistério. Dada a abundância de opções – são mais de 7 mil empresas com ações negociadas somente nos Estados Unidos –, como é possível ganhar dinheiro investindo nesse mercado? Que ações você deve comprar? A quem dar ouvidos? Que estratégia seguir?

Muita gente anda assustada com a queda das Bolsas mundiais e teme colocar no mercado um dinheiro ganho com tanto suor. Muitos aprenderam da pior maneira. Talvez tenham entrado nessa por conta de dicas imperdíveis de um amigo ou das recomendações de um corretor. Hoje sabem que os esquemas que prometem enriquecimento rápido são muitas vezes esquemas de empobrecimento rápido.

Se seus investimentos fracassaram – por causa de corretores, da queda da Bolsa, de fundos mútuos, de operações de compra e venda no mesmo dia, de sistemas de market timing, de ações de segunda linha ou de empresas de tecnologia –, você deveria estudar a filosofia e a abordagem de investimento de Warren Buffett.

Um estudo sobre Buffett revela um comprovado método de enriquecimento lento por meio de investimentos no mercado acionário. Ele transformou pequenas mudas em grandes árvores por meio de práticas sólidas. Você também pode se tornar um investidor próspero e ganhar dinheiro com ações no longo prazo, mas apenas se seguir seus conceitos fundamentais e adotar a disciplina, a paciência e o temperamento de Buffett.

Warren Buffett não herdou um tostão dos pais. Em 2009, apenas com seus próprios investimentos, tinha um patrimônio pessoal de cerca de US$ 40 bilhões. Mesmo assim, seu nome raramente é citado nas salas de aula das melhores faculdades de economia. Em outras palavras, o maior investidor de todos os tempos costuma ser ignorado pela academia.

Espero que você não ignore o exemplo de Buffett. Considere copiar as práticas de investimento seguidas por ele, especialmente se suas experiências anteriores nessa área tiverem sido desagradáveis.

Para ser um bom atleta, é crucial dominar os fundamentos do esporte que se pratica. Para ser um investidor sólido, é crucial dominar os fundamentos de Buffett. Entre eles, estão:

1. Simplicidade

2. Paciência

3. Temperamento adequado

4. Pensamento independente

5. Ignorar eventos macro que causam distração

6. Não diversificar

7. Inatividade, e não hiperatividade

8. Comprar ações e manter-se fiel a elas

9. Foco nos resultados e no valor da empresa, e não na cotação das ações

10. Oportunismo agressivo

OPTE PELA SIMPLICIDADE EM LUGAR DA COMPLEXIDADE

Ao investir, vá pelo mais simples. Faça o que é fácil e óbvio. Não tente desenvolver respostas complicadas para perguntas complicadas.

Muita gente acredita que investir na Bolsa é algo complexo, misterioso e arriscado, e que, portanto, é melhor deixar isso para um profissional. Segundo essa mentalidade tão difundida, uma pessoa comum não pode ser um investidor bem-sucedido porque o sucesso no mercado de ações requer um diploma em administração ou economia, o domínio de fórmulas matemáticas complicadas, acesso a programas sofisticados de acompanhamento do mercado e muito tempo livre para monitorar cotações, gráficos, volumes, tendências econômicas e assim por diante.

Warren Buffett mostrou que isso é um mito. Ele inventou uma maneira bem-sucedida e simples de investir em ações. Qualquer pessoa com inteligência mediana é capaz de ter êxito em investimentos em valor sem a assistência de um profissional, pois os princípios fundamentais do investimento inteligente não são nenhum bicho-de-sete-cabeças. Buffett só investe em empresas fáceis de entender, sólidas, duradouras e que têm uma explicação elementar para seu sucesso.

Lembre-se de que o grau de dificuldade não conta nos investimentos. Procure empresas duradouras com modelos de negócio previsíveis.

A essência e a beleza da filosofia de investimento de Buffett estão na sua simplicidade. Ela não demanda cálculos complexos, conhecimentos profundos de finanças nem informações a respeito do desempenho futuro da economia ou do mercado acionário. A sua base são princípios de bom senso e paciência – valores do Meio-Oeste americano que qualquer um pode entender e implementar. Na verdade, Buffett acredita que os investidores não ajudam a si mesmos quando se apóiam em recursos como fórmulas matemáticas, previsões e movimentações de curto prazo no mercado ou gráficos baseados em cotações e volumes.

Para Buffett, a complexidade pode atrapalhar. Não enlouqueça tentando decodificar as últimas teorias sobre investimento, como precificação e beta (coeficiente de volatilidade de uma ação). Na maioria das vezes, será melhor você nem saber da existência desses sistemas de última geração. Uma lição importante que Buffett aprendeu com seu mentor, Ben Graham, foi a seguinte: não é preciso fazer “coisas extraordinárias para obter resultados extraordinários”.

Mantenha a simplicidade. Este é o seu objetivo: comprar ações de uma ótima empresa, dirigida por pessoas honestas e capazes. Pagar por sua participação na empresa menos do que ela realmente vale em termos de potencial de ganhos futuros. Depois, segurar essas ações e esperar que o mercado confirme a sua avaliação.

Essa é a essência da filosofia de investimento de Buffett e explica todas as suas incríveis conquistas. Torna claro como ele transformou um investimento de US$ 10,6 milhões em ações do The Washington Post em uma holding que atualmente vale mais de US$ 1 bilhão, como ele comprou US$ 1 bilhão em ações da Coca-Cola que chegaram a valer mais de US$ 8 bilhões e como ele comprou US$ 45 milhões em ações da Geico Insurance e viu seu investimento atingir um valor de mais de US$ 1 bilhão.

Se você não entende os negócios de uma empresa, não compre suas ações.

Esqueça os sofisticados programas de computador para escolher ações com base em históricos de preço, volatilidade ou tendências do mercado. Além disso, descarte equações cheias de logaritmos e letras gregas. Buffett de fato usa um computador, mas para jogar bridge, e não para monitorar a variação de preço das ações. Sua meta de investimento deve ser a mesma do maior investidor do mundo: ficar atento a ações com um preço razoável de empresas cujos negócios você entenda e que ofereçam uma grande possibilidade de lucros maiores nos próximos anos.

Aqui estão três princípios que devem guiar todas as suas decisões de investimento:

Busque sempre a simplicidade. Não faça com que os investimentos se tornem desnecessariamente difíceis. Atenha-se ao que você conhece e compre ações de empresas sólidas com uma gestão forte e ética. As decisões de investimento que envolvem complexidade devem ser evitadas.

Tome suas próprias decisões de investimento. Seja seu próprio consultor. Tenha cuidado com corretores e outros vendedores que oferecem agressivamente determinada ação ou fundo mútuo para aumentar as próprias comissões. É óbvio que esses indivíduos não estão pensando no seu interesse.

Aprenda mais sobre o mentor de Buffett. O homem que mais influenciou Buffett (sem contar o pai, Howard) foi Benjamin Graham, o pai do investimento em valor, que há décadas ensinou a Buffett que o sucesso nos investimentos não deriva necessariamente da complexidade. É uma boa idéia ler o que ele tem a dizer.

Não se esqueça de que as estratégias simples de Buffett lhe proporcionaram resultados extraordinários.

TOME SUAS PRÓPRIAS DECISÕES DE INVESTIMENTO

Não dê ouvidos a corretores, analistas ou especialistas. Vire-se sozinho.

Warren Buffett acredita que qualquer pessoa é capaz de investir com sucesso sem depender de corretores, especialistas do mercado de ações ou qualquer outro profissional. E Buffett ainda vai mais longe. De modo geral, acredita que esses supostos especialistas não acrescentam nada. Você pode fazer melhor sozinho tudo o que eles alegam fazer.

Por motivos óbvios, os investidores profissionais querem que você pense de outra maneira. Eles fomentam a crença de que investir no mercado acionário é algo complicado demais para uma pessoa comum porque isso é bom para os negócios deles. O que iriam fazer se o investidor leigo decidisse que eles não acrescentam nada?

Talvez seja difícil acreditar que todos esses especialistas que aparecem na TV e no rádio no fundo não agregam valor. Mas pense em como eles ganham a vida e nos incentivos financeiros que governam seu comportamento. Os peritos em finanças muitas vezes são vendedores que promovem produtos de investimento dos quais extraem seus ganhos financeiros. A renda de um corretor costuma se basear na atividade: comissões obtidas por meio da compra e venda de ações.

Assim, se os clientes mantiverem as ações paradas por muito tempo – um preceito central da filosofia de Buffett –, os corretores não vão ganhar nada. A atividade muitas vezes é uma de suas principais preocupações. Eles são pagos com base no número de transações que um investidor realiza, independentemente de serem lances inteligentes ou imprudentes.

Ao ser abordado por um especialista em investimentos, pergunte: “O que você está ganhando com isso?” Se a resposta não for satisfatória, caia fora.

Ao adotar as idéias simples e comprovadas de Buffett, você poderá dispensar os programas de computador para escolha de ações e os serviços profissionais de corretores, autoridades da Bolsa, previsores do mercado e outras pessoas que se autodenominam especialistas. Você será capaz de tomar suas próprias decisões de investimento. Segundo Buffett, no geral, um profissional agrega mais valor do que um leigo pode esperar conseguir por si só. Mas ele diz que esse não é o caso quando se trata da administração de recursos pessoais.

Por quê? A maioria dos profissionais ignora a filosofia básica de Buffett e, em seu lugar, adota práticas de investimento complexas e de utilidade dúbia. Isso se deve ao fato de que essas pessoas possuem uma formação acadêmica extensa (e cara) que lhes forneceu todo tipo de ferramenta e técnica exótica. É como no velho ditado: dê um martelo a uma criança e tudo vai parecer um prego.

Os profissionais financeiros, em sua maioria, acreditam em suas fórmulas e práticas, cujo domínio lhes demandou um trabalho longo e árduo. Infelizmente, muitos deles continuam a ignorar a prática do investimento em valor (value investing), a técnica que foi introduzida há meio século por Benjamin Graham e David Dodd por meio do livro Security Analisys (Análise de valores mobiliários) e que é divulgada há quase quatro décadas por Warren Buffett. O investimento em valor consiste principalmente em tirar proveito das discrepâncias entre preço e valor no mercado acionário: o mesmo que buscar notas de 1 real que estejam sendo vendidas a 40 centavos.

Torne-se um adepto do investimento em valor. Está provado que essa é uma técnica muito compensadora a longo prazo.

Assim como Buffett, você pode ganhar dinheiro com o investimento em valor. Os profissionais financeiros que você ignorar, por sua vez, não vão ganhar dinheiro, pelo menos não à sua custa. Deve ter sido por isso que, apesar dos êxitos óbvios de Buffett, não houve uma debandada visível para adotar seus princípios. Existem interesses demais empurrando os investidores na direção oposta.

Seguindo o modelo de Buffett, meu conselho é: invista em valor. Seus “mandamentos” são tudo de que você precisa para se tornar confiante e independente e formarão a base que lhe permitirá assumir o controle do seu futuro financeiro. Para começar, tenha estes preceitos em mente:

Adquira um conhecimento básico de contabilidade e dos mercados financeiros. Para tomar suas próprias decisões de investimento, você vai precisar aprender os princípios básicos da contabilidade e das negociações no mercado acionário. Comece lendo revistas e periódicos financeiros, além de tudo o que encontrar sobre Benjamin Graham, Warren Buffett e Charlie Munger.

Aproxime-se de consultores financeiros, corretores e especialistas com uma dose saudável de ceticismo. Uma vez que tenha aprendido os princípios fundamentais do investimento, não se deixe levar por “gurus” do mercado. A maioria deles tem interesses ou objetivos próprios que não necessariamente colocam o seu bem-estar financeiro em primeiro lugar.

Lembre-se de que ninguém tem um histórico de investimento melhor do que Buffett. Ao tentar entender o mercado acionário, dê ouvidos à pessoa que está ganhando mais.

A compreensão das idéias e práticas de Buffett vai lhe proporcionar um código de conduta que você poderá seguir sozinho, sem precisar dos serviços de um profissional.

DESENVOLVA O TEMPERAMENTO ADEQUADO

Deixe que as outras pessoas reajam exageradamente ao mercado. Mantenha-se calmo enquanto elas se desesperam e você sairá ganhando.

Apesar de ser simples e clara, a filosofia de investimento de Warren Buffett não é fácil de ser posta em prática. Depois de compreendê-la, o próximo passo é desenvolver o temperamento adequado para ser um investidor sólido, o que significa permanecer calmo em todos os momentos.

É preciso ter o estado de espírito certo ao lidar com os reveses inevitáveis que podem afetar suas participações acionárias. Quando as coisas dão errado, firmeza e equilíbrio são essenciais. Mas ter o temperamento adequado também quer dizer ficar calmo no outro extremo: quando o mercado acionário está subindo vertiginosamente e as pessoas à sua volta agem de forma gananciosa e eufórica.

Seu comportamento será testado quando as coisas não estiverem a seu favor. O que você fará quando se deparar com a baixa acentuada de suas ações? Vai entrar em pânico e vendê-las? Como vai reagir diante de um evento político ou macroeconômico significativo como uma guerra, uma recessão ou uma grande queda no índice da Bolsa?

Que atitude vai tomar se tiver ações de uma empresa que passou por um trimestre ou ano ruim? Vai se fixar na cotação diária da ação ou, em vez disso, vai se concentrar nos princípios fundamentais e nos resultados de longo prazo da empresa? Qual será a sua reação quando um especialista em investimentos fizer uma previsão apocalíptica para suas ações ou para o mercado como um todo?

Ben Graham, o professor de Buffett na Universidade Columbia, disse uma vez: “O principal problema do investidor, ou seu pior inimigo, provavelmente é ele mesmo.” Você vai ser seu pior inimigo?

A sua reação e a sua resposta a esses desdobramentos irão desempenhar um papel crucial na determinação do sucesso do seu investimento. O investidor inteligente permanece calmo diante de eventos negativos. Você vai vender suas ações quando o preço cair ou tentará tirar proveito de uma oportunidade em potencial e comprar mais ações quando elas estiverem “em liquidação”?

Buffett tem um parâmetro claro. Se você tende ao desespero quando uma de suas ações perde metade do valor da noite para o dia, não deveria estar investindo no mercado acionário, para início de conversa. É preciso ter habilidade para procurar boas empresas e confiança para se manter fiel a elas quando os outros fizerem o contrário. Para Buffett, dificilmente é sensato vender as ações de uma boa empresa quando o medo paira no ar.

Não compre ações que podem fazê-lo entrar em pânico e abandonar o barco se a cotação cair 50%.

A Berkshire Hathaway teve o seu pior ano em 1999, enquanto a Nasdaq atingia novos picos durante o frenesi da internet. O estilo “ultrapassado” de Buffett de investir pacientemente em empresas tradicionais foi considerado obsoleto. Sua recusa em comprar ações quentes de alta tecnologia o tornava irrelevante, na opinião dos especialistas. O investimento em valor era um fóssil, e as transações de compra e venda diárias eram a moda do momento.

Em virtude disso, em março de 2000 a cotação das ações classe A da Berkshire Hathaway caiu 50%, atingindo US$ 40 mil por ação depois de ter chegado a um pico de US$ 84 mil. Embora o negócio ainda fosse sólido e o seu futuro, seguro, acionistas nervosos venderam suas ações. Estavam agindo emocionalmente à medida que uma tempestade castigava a empresa e acabaram abandonando o barco em vez de se agarrarem a ele com mais força.

Pela abordagem de Buffett, uma queda de 50% na cotação de uma ação deve ser considerada uma oportunidade de compra. Seu conselho é ficar de olho nos princípios fundamentais das empresas nas quais você investiu, e não nas variações de um mercado volúvel. Se os investidores tivessem prestado atenção a esse conselho e comprado ações da Berkshire quando a cotação caiu 50%, teriam sido muito bem recompensados quando ela voltou a subir em 2004, atingindo vertiginosos US$ 97 mil por ação.

Sim, é muito difícil manter o controle no meio de um mercado acionário aquecido ou quando os preços estão despencando e os especialistas e as capas das revistas prometem o apocalipse. Na verdade, a coisa mais fácil de fazer num caso desses é entrar em pânico. Não faça isso. Se você possui ações de uma boa empresa, conserve-as. Se alguém quiser lhe vender mais ações a um preço irrisório, compre-as.

Quando tinha cerca de 22 anos, Buffett havia acumulado cerca de 350 ações da Geico Insurance, que valiam por volta de US$ 15 mil; depois, decidiu vender todas aquelas ações. Mais tarde, viu que, se tivesse mantido as ações, seu investimento 20 anos depois valeria mais ou menos US$ 1,3 milhão. Com essa e outras experiências, Buffett aprendeu da pior forma o que significa vender a sua participação em uma empresa em que ele mesmo havia identificado um excelente negócio. Ele consertou esse erro comprando as quotas majoritárias da Geico em 1976 e adquirindo integralmente a empresa em 1996.

Aqui estão três conselhos que vão ajudá-lo em momentos bons e ruins:

Permaneça fiel a ótimas empresas. Não se deixe levar pelo efeito “manada” (tanto para entrar quanto para sair do mercado). Adquira ações de boas empresas e segure-as por anos a fio. Não compre e venda ações rapidamente. As pesquisas mostram que, quanto mais investimentos você faz, maior a probabilidade de perder dinheiro – além de ter de pagar todas aquelas comissões extras.

Conheça a si mesmo. Não compre uma ação se você não puder suportar a perda de metade do seu valor. Tenha paciência e disciplina para permanecer fiel a empresas com princípios administrativos e financeiros sólidos.

Nunca tome uma decisão de investimento por causa dos outros. Faça ouvidos de mercador para dicas quentes de ações de gurus da Bolsa e outras pessoas que podem ter algum interesse próprio em determinada ação. Faça o seu dever de casa e pense por si mesmo.

Buffett afirma que, para obter sucesso no mercado, você precisa do tipo de temperamento que o ajude a enfrentar tempestades e a continuar fiel a seus planos de longo prazo. Se conseguir ficar tranqüilo enquanto os outros à sua volta estiverem em pânico, poderá vencer.

Veja também:

seta Lista atualizada dos livros mais vendidos no Brasil

seta Trecho do livro Operando na Bolsa de Valores Utilizando Análise Técnica

seta Trecho do livro O Ponto da Virada, do escritor Malcolm Gladwell

seta Trecho do livro A Bola de Neve – Warren Buffett e o Negócio da Vida

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