Escritores

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Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Março 08, 2010

VEJA

Livro A Cabana

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Ficção

01 A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro
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02 O SÍMBOLO PERDIDO
Dan Brown . leia um trecho do livro
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03 O LADRÃO DE RAIOS (1º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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04 A BATALHA DO LABIRINTO (4º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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05 AMANHECER (4º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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06 O MAR DE MONSTROS (2º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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07 A MALDIÇÃO DO TITÃ (3º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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08 DIÁRIOS DO VAMPIRO 3 – A FÚRIA
L.J. Smith
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09 ECLIPSE (3º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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10 O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
John Boyne . leia um trecho do livro
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Livro Comer Rezar Amar

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Não-Ficção

01 COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro
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02 GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO BRASIL
Leandro Narloch
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03 1808
Laurentino Gomes . leia um trecho do livro
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04 O ANDAR DO BÊBADO
Leonard Mlodinow . leia um trecho do livro
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05 MENTES PERIGOSAS
Ana Beatriz Barbosa Silva
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06 UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro
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07 MAIS VOCÊ 10 ANOS
Ana Maria Braga
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08 HONORÁVEIS BANDIDOS
Palmério Dória
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09 UMA BREVE HISTÓRIA DO SÉCULO XX
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro
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10 MENTES INQUIETAS
Ana Beatriz Barbosa Silva
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Notebooks
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Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Fevereiro 22, 2010

O Estado de São Paulo

Livro O Simbolo Perdido

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Ficção

01 O SÍMBOLO PERDIDO
Dan Brown . leia um trecho do livro
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02 A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro
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03 O LADRÃO DE RAIOS (1º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos) – Obs: CAPA DO FILME
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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04 O MAR DE MONSTROS (2º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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05 O LADRÃO DE RAIOS (1º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos) – Obs: CAPA ORIGINAL
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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06 O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
John Boyne . leia um trecho do livro
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07 OS ESPIÕES
Luis Fernando Verissimo . leia um trecho do livro
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08 AMANHECER (4º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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09 CAIM
José Saramago
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10 O VENDEDOR DE SONHOS – O CHAMADO
Augusto Cury . leia um trecho do livro
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Livro O Verdadeiro Poder

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Não-Ficção

01 O VERDADEIRO PODER
Vicente Falconi
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02 COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro
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03 SE ABRINDO PRA VIDA
Zibia Gasparetto
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04 GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO BRASIL
Leandro Narloch
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05 POR QUE OS HOMENS AMAM AS MULHERES PODEROSAS?
Sherry Argov
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06 HONORÁVEIS BANDIDOS
Palmério Dória
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07 O ANDAR DO BÊBADO
Leonard Mlodinow . leia um trecho do livro
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08 O MONGE E O EXECUTIVO
James C. Hunter . leia um trecho do livro
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09 CLARICE
Benjamin Moser
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10 UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro
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seta Leia um trecho do livro A Senhora do Jogo (Sidney Sheldon)

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Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Fevereiro 15, 2010

O Estado de São Paulo

Livro O Simbolo Perdido

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Ficção

01 O SÍMBOLO PERDIDO
Dan Brown . leia um trecho do livro
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02 A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro
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03 O LADRÃO DE RAIOS (1º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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04 AMANHECER (4º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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05 ECLIPSE (3º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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06 O MAR DE MONSTROS (2º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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07 A SENHORA DO JOGO
Sidney Sheldon
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08 A MALDIÇÃO DO TITÃ (3º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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09 DIÁRIOS DO VAMPIRO 1 – O DESPERTAR
L.J. Smith . leia um trecho do livro
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10 O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
John Boyne . leia um trecho do livro
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Livro Se Abrindo Pra Vida

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Não-Ficção

01 SE ABRINDO PRA VIDA
Zibia Gasparetto
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02 POR QUE OS HOMENS AMAM AS MULHERES PODEROSAS?
Sherry Argov
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03 COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro
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04 GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO BRASIL
Leandro Narloch
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05 O VERDADEIRO PODER
Vicente Falconi
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06 MENTES PERIGOSAS – O PSICOPATA MORA AO LADO
Ana Beatriz Barbosa Silva
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07 UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro
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08 HONORÁVEIS BANDIDOS
Palmério Dória
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09 MAIS VOCÊ 10 ANOS
Ana Maria Braga
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10 O ANDAR DO BÊBADO
Leonard Mlodinow . leia um trecho do livro
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seta Leia um trecho do livro A Batalha do Labirinto (Percy Jackson 4)

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Trecho do Livro: A Batalha do Labirinto (Percy Jackson 4)
A Batalha do Labirinto
Autor: Rick Riordan
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788598078700

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Obs: A Batalha do Labirinto é o quarto volume da premiada série “Percy Jackson e Os Olimpianos” criada pelo escritor norte-americano Rick Riordan. Os livros anteriores são: O Ladrão de Raios, O Mar de Monstros e A Maldição do Titã.

Notícia aos fãs: A série Percy Jackson e Os Olimpianos termina no quinto livro da saga “O Último Olimpiano“, mas haverá uma nova série, talvez a partir de 2010, sobre o Acampamento Meio-Sangue.

Notícia aos fãs: O filme O Mar de Monstros tem previsão de estreia para o ano de 2012.

—–

A última coisa que queria fazer nas férias de verão era destruir outra escola. Mas lá estava eu naquela manhã de segunda-feira, primeira semana de junho, sentado no carro da minha mãe diante da Goode High School, na rua 81 Leste.

A Goode ficava em um prédio grande de arenito com vista para o Rio East. Um monte de BMWs e Lincoln Towns estava estacionado diante dela. Olhando os elegantes arcos de pedra, eu me perguntei quanto tempo levaria até ser expulso daquele lugar.

— Relaxe. — A voz de minha mãe não parecia nada relaxada. — É só uma visita de orientação. E lembre, querido: esta é a escola de Paul. Portanto, tente não… você sabe.

— Destruí-la?

— É.

Paul Blofis, namorado da minha mãe, estava de pé no portão da escola, recebendo os futuros alunos do primeiro ano do ensino médio à medida que subiam os degraus. Com seus cabelos grisalhos, roupa de brim e casaco de couro, parecia um ator de tevê, mas ele era só um professor de inglês. Paul conseguira convencer a Goode High School a me aceitar no primeiro ano, apesar de eu ter sido expulso de todas as escolas que frequentei. Tentei avisá-lo de que aquela não era uma boa ideia, mas ele não me deu ouvidos.

Olhei para minha mãe.

— Você não contou a ele a verdade sobre mim, contou?

Ela tamborilava os dedos nervosamente no volante. Estava vestida para uma entrevista de emprego — seu melhor vestido azul e sapatos de salto alto.

— Pensei que seria melhor esperarmos — ela admitiu.

— Para não o espantarmos.

— Tenho certeza de que vai dar tudo certo na visita de orientação, Percy. É só uma manhã.

— Ótimo — murmurei. — Posso ser expulso antes mesmo de começar o ano letivo.

— Pense positivo. Amanhã você vai para o acampamento! Depois da orientação, você tem o encontro…

— Não é um encontro! — protestei. — É só a Annabeth, mãe. Poxa!

— Ela está vindo do acampamento até aqui para ver você.

— É, eu sei.

— Vocês vão ao cinema.

— Sim.

— Só os dois.

— Mãe!

Ela ergueu as mãos em sinal de rendição, mas eu podia ver que estava fazendo força para não rir.

— É melhor entrar, querido. Até a noite.

Eu estava prestes a sair do carro quando olhei para a escadaria da escola. Paul Blofis cumprimentava uma garota de cabelos ruivos frisados. Ela vestia uma camiseta marrom e um jeans surrado customizado com desenhos feitos com caneta hidrográfica. Quando se virou, vi seu rosto de relance, e os pelos do meu braço se eriçaram.

— Percy? — chamou minha mãe. — O que foi?

— N-nada — gaguejei. — A escola tem uma entrada lateral?

— Descendo a rua, à direita. Por quê?

— Até mais tarde.

Mamãe começou a dizer algo, mas saltei do carro e corri, torcendo para que a garota ruiva não me visse.

O que ela estava fazendo ali? Nem mesmo a minha sorte poderia ser assim tão ruim.

Pois, sim. Eu estava prestes a descobrir que minha sorte poderia ser muito pior.

Entrar sorrateiramente na escola não deu muito certo. Duas líderes de torcida de uniforme roxo e branco estavam na entrada lateral, esperando para emboscar os calouros.

— Oi! — Elas sorriram, e eu deduzi que aquela era a primeira e a última vez que uma líder de torcida seria tão simpática comigo. Uma delas era loura, com gélidos olhos azuis. A outra era afro-americana, com cabelos escuros e enroscados como o da Medusa (e, pode acreditar, eu sei do que estou falando). Ambas tinham o nome bordado em letras cursivas no uniforme, mas, com a minha dislexia, as palavras pareciam espaguete, sem nenhum sentido.

— Bem-vindo à Goode — disse a loura. — Você vai amar muito isso aqui.

Mas, enquanto me olhava de cima a baixo, sua expressão parecia dizer algo como: Argh, quem é este perdedor?

A outra garota se aproximou tanto que me senti desconfortável. Examinei o bordado em seu uniforme e consegui decifrar Kelli. Ela cheirava a rosas e a algo que reconheci das aulas de equitação no acampamento — o cheiro de cavalos recém-lavados. Era um perfume estranho para uma líder de torcida. Talvez tivesse um cavalo, ou algo assim. De qualquer modo, ela estava tão perto de mim que tive a sensação de que ia tentar me empurrar escada abaixo.

— Qual o seu nome, calo?

— Calo?

— Calouro.

— Hã, Percy.

As garotas trocaram olhares.

— Ah, Percy Jackson — disse a loura. — Estávamos à sua espera.

Isso fez um intenso arrepio de Ah, não! percorrer minha espinha. Elas estavam bloqueando a entrada, sorrindo de uma forma nada amistosa. Minha mão instintivamente se dirigiu ao bolso onde eu guardava minha caneta esferográfica letal, Contracorrente.

Então outra voz veio do interior do prédio:

— Percy? — Era Paul Blofis, de algum ponto adiante no corredor.

Eu nunca me sentira tão feliz por ouvir a voz dele.

As líderes de torcida recuaram. Eu estava tão ansioso em passar por elas que acidentalmente esbarrei o joelho na coxa de Kelli.

Clang.

Sua perna emitiu um ruído metálico e oco, como se eu tivesse acabado de atingir o mastro de uma bandeira.

— Ai — murmurou ela. — Preste atenção, calo.

Olhei para baixo, mas aquela parecia uma perna comum. Eu estava apavorado demais para fazer perguntas. Avancei apressadamente para o corredor, as duas garotas rindo atrás de mim.

— Aí está você! — exclamou Paul. — Bem-vindo à Goode!

— Ei, Paul… hã, sr. Blofis. — Olhei para trás, mas as líderes de torcida esquisitas haviam desaparecido.

— Percy, você está com cara de quem viu fantasma.

— É, hã…

— Ouça, eu sei que está nervoso, mas não se preocupe. — Paul me deu um tapinha nas costas. — Temos uma porção de garotos aqui com dislexia, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Os professores sabem como ajudar.

Eu quase tive vontade de rir. Como se meus maiores problemas fossem a dislexia, o transtorno de déficit de atenção e a hiperatividade… Bem, eu sabia que Paul estava tentando ajudar, mas, se eu lhe contasse a verdade, ou ele pensaria que eu estava louco ou sairia correndo e gritando. Aquelas líderes de torcida, por exemplo — eu estava com um mau pressentimento em relação a elas…

Então olhei mais adiante no corredor e me lembrei de que havia outro problema. A garota ruiva que eu vira na escadaria da frente estava passando pela entrada principal.

Não me veja, rezei.

Mas ela me viu. Seus olhos se arregalaram.

— Onde é a orientação? — perguntei a Paul.

— No ginásio. Por ali. Mas…

— Tchau.

— Percy? — ele chamou, mas eu já estava correndo.

Pensei que a tivesse despistado.

Um grupo de garotos e garotas estava seguindo para o ginásio, e logo eu era apenas um entre os trezentos adolescentes de 14 anos amontoados nas arquibancadas. Uma banda tocava um grito de guerra da escola, que soava desafinado como se alguém estivesse batendo em um saco de gatos com um taco de beisebol de metal. Garotos mais velhos, provavelmente membros do grêmio estudantil, estavam lá na frente, apresentando o uniforme da Goode, com cara de: Ei, nós somos o máximo. Professores circulavam no local, sorrindo e apertando a mão dos alunos. As paredes do ginásio estavam cobertas por grandes bandeiras roxas e brancas onde se lia: Bem-vindos, futuros alunos do primeiro ano, a Goode é legal, somos todos uma família, e um monte de outros slogans alegres que me davam vontade de vomitar.

Nenhum dos outros futuros alunos tampouco parecia entusiasmado por estar ali; afinal, apresentar-se aos orientadores em junho — enquanto as aulas só começam em setembro — não é nada legal. Mas na Goode “Preparamos para a excelência cedo!”. Pelo menos era o que dizia o folheto.

A banda parou de tocar. Um sujeito de terno de risca de giz dirigiu-se ao microfone e começou a falar, mas o som reverberava pelo ginásio e eu não tinha a menor ideia do que ele estava dizendo. Daria no mesmo se ele estivesse gargarejando.

Alguém agarrou meu ombro.

— O que você está fazendo aqui?

Era ela: meu pesadelo ruivo.

— Rachel Elizabeth Dare — eu disse.

O queixo dela caiu, como se não pudesse acreditar que eu tivera a ousadia de me lembrar de seu nome.

— E você é Percy não sei de quê. Não cheguei a saber seu nome todo dezembro passado, quando você tentou me matar.

— Olhe, eu não estava… eu não queria… O que você está fazendo aqui?

— O mesmo que você, eu acho. Orientação.

— Você mora em Nova York?

— Por quê? Achou que eu morasse na Barragem de Hoover?

Aquilo nunca me ocorrera. Sempre que eu pensava nela (e não estou dizendo que eu pensava; ela só me passava pela cabeça de tempos em tempos, está bem?), imaginava que morasse perto da Barragem de Hoover, já que fora lá que eu a conhecera. Havíamos passado acho que uns dez minutos juntos, e nesse meio-tempo eu acidentalmente a golpeara com uma espada, ela salvara minha vida e eu fugira correndo, perseguido por um bando de máquinas assassinas sobrenaturais. Sabe, um encontro assim… bem comum.

Um garoto atrás de nós murmurou:

— Ei, calem a boca. As líderes da torcida estão falando!

— Oi, pessoal! — disse efusivamente uma garota ao microfone. Era a loura que eu vira na entrada. — Meu nome é Tammi, e esta é, bem, Kelli. — Kelli deu uma estrela.

A meu lado, Rachel gritou como se alguém a tivesse espetado com um alfinete. Alguns garotos olharam na direção dela e soltaram uma risadinha abafada, mas Rachel continuou encarando fixamente as líderes de torcida, aterrorizada. Tammi não pareceu perceber a agitação. Ela começou a falar sobre todas as atividades maravilhosas nas quais poderíamos nos envolver em nosso primeiro ano.

— Corra — disse-me Rachel. — Agora.

— Por quê?

Ela não explicou. Abriu caminho até a lateral da arquibancada, ignorando os professores de testa franzida e os resmungos dos alunos nos quais pisava.

Eu hesitei. Tammi estava explicando que nos dividiríamos em pequenos grupos e faríamos um tour pela escola. O olhar de Kelli encontrou o meu e ela me dirigiu um sorriso divertido, como se estivesse esperando para ver o que eu ia fazer. Ficaria mal se eu saísse naquele momento. Paul Blofis estava lá embaixo com os outros professores. Ele ficaria imaginando qual era o problema.

Então pensei em Rachel Elizabeth Dare, e na habilidade especial que ela demonstrara no último inverno na Barragem de Hoover. Ela conseguira enxergar um grupo de seguranças que não eram guardas de verdade, não eram nem humanos. Com o coração batendo forte, eu me levantei e a segui, saindo do ginásio.

Encontrei Rachel na sala de música. Ela estava escondida atrás de um tambor, na seção de percussão.

— Venha até aqui! — chamou. — Mantenha a cabeça baixa!

Eu me senti bastante bobo escondido atrás de alguns bongôs, mas me agachei ao lado dela.

— Elas seguiram você? — perguntou Rachel.

— Está se referindo às líderes de torcida?

Ela assentiu, nervosa.

— Acho que não — eu disse. — O que elas são? O que foi que você viu?

Seus olhos verdes brilhavam de medo. As sardas salpicadas no rosto me lembravam constelações. Sua camiseta marrom dizia Departamento de Arte de Harvard.

— Você… você não iria acreditar em mim.

— Ah, iria sim — garanti. — Sei que consegue ver através da Névoa.

— Do quê?

— Da Névoa. É… bem, é como um véu que esconde o que as coisas são de verdade. Alguns mortais nascem com a habilidade de enxergar através dela. Como você.

Ela me olhou com atenção.

— Você fez isso na Barragem de Hoover. Disse que eu era mortal. Como se você não fosse.

Tive vontade de dar um soco em um bongô. O que eu estava pensando? Nunca conseguiria explicar. Não deveria nem estar tentando.

— Fale para mim — ela implorou. — Você sabe o que isso quer dizer. Todas essas coisas horríveis que eu vejo?

— Olhe, isso vai soar estranho. Você sabe alguma coisa sobre mitologia grega?

— Como… o Minotauro e a Hidra?

— Sim, mas tente não dizer esses nomes quando eu estiver por perto, o.k.?

— E como as Fúrias — continuou ela, animando-se. — E como as sereias, e…

— O.k.! — Dei uma olhada pela sala de música, certo de que Rachel ia fazer um bando de criaturas asquerosas e sedentas de sangue pular das paredes; mas ainda estávamos sozinhos. Mais à frente, no corredor, ouvi um grupo de garotos saindo do ginásio. Estavam começando o tour. Não tínhamos muito tempo para conversar.

— Todos aqueles monstros — eu disse —, todos os deuses gregos… eles são de verdade!

— Eu sabia!

Teria me sentido mais à vontade se ela tivesse me chamado de mentiroso, mas a expressão de Rachel mostrava que eu acabara de confirmar suas piores suspeitas.

— Você não sabe como é difícil — disse ela. — Durante anos pensei que estivesse ficando maluca. Eu não podia contar a ninguém. Não podia… — Seus olhos se estreitaram. — Peraí. Quem é você? Quer dizer, de verdade?

— Eu não sou um monstro.

— Bem, disso eu sei. Eu veria se você fosse. Você parece… você. Mas não é humano, é?

Engoli em seco. Embora tivesse tido três anos para me acostumar a ser quem era, eu nunca havia falado a respeito disso com um mortal comum — isto é, exceto com minha mãe, mas ela já sabia. Não sei por quê, mas resolvi me arriscar.

— Sou um meio-sangue — eu disse. — Sou metade humano.

— E metade o quê?

Nesse momento Tammi e Kelli entraram na sala de música. As portas se fecharam atrás delas com estrondo.

— Aí está você, Percy Jackson — disse Tammi. — Chegou a hora da sua orientação.

— Elas são horríveis! — suspirou Rachel.

Tammi e Kelli ainda usavam o uniforme roxo e branco de líderes de torcida, segurando os pompons da apresentação.

— Qual é a aparência real delas? — perguntei, mas Rachel parecia perplexa demais para responder.

— Ah, deixe ela para lá! — Tammi me lançou um sorriso brilhante e começou a caminhar na minha direção. Kelli permaneceu na porta, bloqueando nossa saída.

Elas nos haviam apanhado em uma armadilha. Eu sabia que teríamos de lutar para escapar, mas o sorriso de Tammi era tão deslumbrante que me distraía. Seus olhos azuis eram lindos, e o modo como os cabelos balançavam nos ombros…

— Percy — advertiu Rachel.

Eu disse algo muito inteligente, do tipo:

— Hein?

Tammi estava se aproximando. Ela estendeu os pompons.

— Percy! — A voz de Rachel parecia vir de um lugar muito distante. — Dê o fora daí!

Precisei usar toda a minha força de vontade, mas consegui pegar a caneta no bolso e destampá-la. Contracorrente então se transformou em uma espada de bronze de noventa centímetros, a lâmina brilhando com uma suave luz dourada. O sorriso de Tammi tornou-se uma expressão de escárnio.

— Ah, pare com isso! — protestou ela. — Você não precisa disso. Que tal um beijo, em vez dessa coisa?

Ela cheirava a rosas e a pelo limpo de animal — um aroma estranho, mas de alguma forma intoxicante.

Rachel beliscou meu braço com força.

— Percy, ela quer morder você! Olhe para ela!

— Ela só está com ciúme. — Tammi olhou na direção de Kelli. — Posso, senhora?

Kelli ainda estava bloqueando a porta, lambendo os lábios, faminta.

— Vá em frente, Tammi. Está indo bem.

Tammi avançou mais um passo, mas apontei a espada contra seu peito.

— Para trás!

Ela rosnou.

— Calouros — disse, com desprezo. — Esta é a nossa escola, meio-sangue. Nós nos alimentamos de quem escolhemos!

Então ela começou a ficar diferente. A cor se esvaiu de seu rosto e de seus braços. A pele se tornou branca como giz, os olhos, completamente vermelhos. Os dentes cresceram e viraram presas.

— Uma vampira! — balbuciei. Então notei suas pernas. Abaixo da saia do uniforme, a perna esquerda era marrom e peluda, com um casco de burro. A direita tinha o formato de uma perna humana, mas era feita de bronze. — Hã, uma vampira com…

— Não fale das pernas! — disse Tammi. — É grosseiro zombar disso!

Ela avançou com suas pernas estranhas, descombinadas. Parecia totalmente bizarra, mais ainda com os pompons, mas eu não conseguia rir — não encarando aqueles olhos vermelhos e as presas afiadas.

— Uma vampira, você disse? — Kelli riu. — Essa lenda boboca foi inspirada em nós, seu tolo. Somos empousai, servas de Hécate.

— Hummm. — Tammi aproximou-se ainda mais. — A magia negra nos criou a partir de um animal, do bronze e de fantasmas! Existimos para nos alimentar do sangue de homens jovens. Agora venha e me dê aquele beijo!

Ela mostrou as presas. Fiquei paralisado, sem conseguir me mover, mas Rachel jogou um tarol na cabeça da empousa.

O demônio sibilou e, com um golpe, desviou o tarol, que foi rolando pelos corredores entre os suportes de partituras, as molas chocalhando de encontro ao couro. Rachel lançou então um xilofone, mas o demônio também o desviou com um tapa.

— Geralmente não mato garotas — grunhiu Tammi. — Mas para você, mortal, vou abrir uma exceção. Você enxerga um pouquinho demais!

Ela investiu contra Rachel.

— Não! — Desferi um golpe com Contracorrente. Tammi tentou esquivar-se à lâmina, mas consegui perfurar seu uniforme de líder de torcida, e com um gemido horrível ela explodiu em uma nuvem de pó sobre Rachel.

Rachel tossiu. Parecia que tinham acabado de jogar um saco de farinha em cima dela.

— Que nojo!

— Isso acontece com os monstros — eu disse. — Desculpe-me.

— Você matou minha estagiária! — gritou Kelli. — Precisa de uma lição sobre espírito esportivo, meio-sangue!

Então ela também começou a se transformar. Os cabelos crespos tornaram-se chamas bruxuleantes. Os olhos ficaram vermelhos. As presas cresceram. Ela veio em nossa direção, o pé de bronze e o casco ressoando descompassados no piso da sala de música.

— Eu sou a empousa sênior — grunhiu. — Nenhum herói me derrota há mil anos.

— Mesmo? — perguntei. — Então já passou da validade!

Kelli era bem mais rápida que Tammi. Esquivou-se ao meu primeiro golpe e rolou para a seção de metais, derrubando uma fileira de trombones com um ruído altíssimo. Rachel saiu do caminho. Coloquei-me entre ela e a empousa. Kelli nos rodeou, os olhos indo de mim para a espada.

— Uma laminazinha tão linda — disse ela. — Que pena que está entre nós dois.

Sua forma tremeluzia — às vezes um demônio, às vezes uma linda líder de torcida. Eu tentava manter a mente focada, mas aquilo era muito perturbador.

— Pobrezinho — riu Kelli. — Você não sabe nem o que está acontecendo, não é? Logo seu lindo acampamentozinho estará em chamas, seus amigos se tornarão escravos do Senhor do Tempo, e não há nada que possa fazer para evitar isso. Seria até misericordioso dar um fim à sua vida agora, antes que tenha tempo de assistir a tudo.

Eu ouvia vozes vindo do fim do corredor. Um grupo fazendo o tour se aproximava. Um homem falava algo sobre combinação de cadeados.

Os olhos da empousa se iluminaram.

— Excelente! Vamos ter companhia!

Ela apanhou uma tuba e a lançou contra mim. Rachel e eu nos abaixamos. A tuba voou sobre nossas cabeças e quebrou a janela.

As vozes no corredor se calaram.

— Percy! — gritou Kelli, fingindo-se assustada. — Por que você atirou aquilo?

Eu estava surpreso demais para responder. Kelli pegou um suporte de partitura e atingiu uma fileira de clarinetas e flautas. Cadeiras e instrumentos musicais desabaram no chão com um estrondo.

— Pare! — eu gritei.

As pessoas agora disparavam pelo corredor, vindo em nossa direção.

— Hora de cumprimentar os nossos visitantes! — Kelli arreganhou as presas e correu para as portas. Fui atrás dela com Contracorrente. Precisava evitar que ela ferisse os mortais.

— Percy, não! — gritou Rachel. Mas eu não percebi o que Kelli pretendia até que fosse tarde demais.

Kelli abriu as portas. Paul Blofis e um grupo de calouros recuaram, em choque. Eu ergui minha espada.

No último segundo, a empousa se virou para mim como uma vítima apavorada.

— Ah, não, por favor! — gritou.

Eu não podia parar a lâmina, que já estava em movimento.

Segundos antes de o bronze celestial atingi-la, Kelli explodiu em chamas como um coquetel molotov. Ondas de fogo lançaram-se sobre tudo. Eu nunca vira um monstro fazer algo assim, mas não tinha tempo para pensar no assunto. Recuei para a sala de música enquanto as chamas engoliam o vão de entrada.

— Percy? — Paul Blofis parecia totalmente atônito, fitando-me através do fogo. — O que você fez?

Adolescentes gritavam e corriam pelo corredor. O alarme de incêndio soava. Os sprinklers no teto silvavam, ganhando vida.

Em meio ao caos, Rachel me puxou pela manga da camisa.

— Você precisa sair daqui!

Ela estava certa. A escola estava em chamas e a culpa seria atribuída a mim. Os mortais não conseguiam ver com perfeição através da Névoa. Para eles, pareceria que eu atacara uma garota indefesa diante de um grupo de testemunhas. Não havia como eu explicar. Dei as costas para Paul e disparei para a janela da sala de música destruída.

Saí da viela na 81 Leste e dei de cara com Annabeth.

— Ei, você saiu cedo! — Ela riu, agarrando meus ombros para evitar que eu me estatelasse no chão. — Olhe para onde está indo, Cabeça de Alga.

Por uma fração de segundo ela estava de bom humor e tudo corria bem. Vestia jeans e a camisa laranja do acampamento, e usava o colar de contas de cerâmica. O cabelo louro estava preso em um rabo de cavalo. Os olhos cinzentos brilhavam. Ela parecia pronta para ir ao cinema e passar uma tarde divertida comigo.

Então Rachel Elizabeth Dare, ainda coberta de poeira de monstro, veio correndo pela viela, gritando:

— Percy, espere!

O sorriso de Annabeth se desfez. Ela olhou para Rachel e, em seguida, para a escola. Foi então que pareceu notar a fumaça negra e o som dos alarmes de incêndio.

Ela me olhou, franzindo a testa.

— O que foi que você fez dessa vez? E quem é essa?

— Ah, Rachel… Annabeth. Annabeth… Rachel. Hã, ela é uma amiga, acho.

Eu não sabia ao certo como chamar Rachel. Quer dizer, eu mal a conhecia, mas, depois de estarmos juntos duas vezes em situações de vida ou morte, eu não podia simplesmente dizer que ela não era ninguém.

— Oi — disse Rachel, e então se virou para mim: — Você está muito encrencado. E ainda me deve uma explicação!

As sirenes da polícia gemiam na FDR Drive.

— Percy — Annabeth falou com frieza. — Precisamos ir.

— Quero saber mais sobre meios-sangues — insistiu Rachel. — E monstros. E essa história dos deuses. — Ela agarrou meu braço, pegou uma caneta permanente e escreveu um número de telefone em minha mão. — Vai me ligar e explicar tudo, o.k.? Você me deve isso. Agora vá.

— Mas…

— Vou inventar uma história — disse Rachel. — Vou dizer a eles que não foi culpa sua. Mas vá!

Ela voltou correndo para a escola, deixando-me na rua com Annabeth.

Annabeth me encarou por um segundo. Então se virou e começou a correr.

— Ei! — Fui atrás dela. — Lá dentro tinha duas empousai — tentei explicar. — Eram líderes de torcida, sabe, e disseram que o acampamento ia pegar fogo, e…

— Você contou a uma garota mortal sobre os meios-sangues?

— Ela pode ver através da Névoa. Viu os monstros antes que eu os notasse.

— Então você contou a ela a verdade.

— Ela me reconheceu da Barragem de Hoover…

— Você a tinha encontrado antes?

— Hã… O inverno passado. Mas, sério, eu mal a conheço.

— Ela é bem bonitinha.

— Eu… eu nunca reparei nisso.

Annabeth continuava andando na direção da avenida York.

— Vou resolver a história da escola — prometi, ansioso para mudar de assunto. — De verdade, vai ficar tudo bem.

Annabeth nem mesmo me olhava.

— Acho que nossa tarde já era. É melhor tirarmos você daqui, agora que a polícia vai sair à sua procura.

Atrás de nós, a fumaça se erguia da Goode High School em ondas. Na coluna escura de cinzas tive a impressão de quase enxergar um rosto — um demônio feminino, de olhos vermelhos, rindo de mim.

Seu lindo acampamentozinho em chamas, dissera Kelli. Seus amigos transformados em escravos do Senhor do Tempo.

— Você tem razão — disse a Annabeth, com o coração apertado. — Precisamos ir para o Acampamento Meio-Sangue. Agora.

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Trecho do Livro: Herança – Perguntas e Respostas
Livro Heranca Perguntas Respostas
Autora: Ivone Zeger
Editora: Mescla
ISBN: 9788588641075

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O Direito não é mais do que uma das ferramentas postas a serviço da humanidade para minorar seus males.

A aventura da espécie humana por este planeta é uma sucessão de desencontros, mas ninguém consegue deixar de conviver. O fenômeno do homem só já foi explorado na filosofia e na literatura: conseguiriam percorrer o fluxo existencial desacompanhados apenas aqueles que estivessem muito acima ou infinitamente abaixo da normalidade. Afora essas duas categorias – felizmente raras –, apenas um infortúnio poderia privar o indivíduo de companhia. O exemplo de Robinson Crusoé é sempre lembrado.

A vocação gregária é natural e não exclui a participação da vontade. Vivemos em conjunto porque o instinto nos fez necessitar do contato e aderimos, convictos e satisfeitos, a esse modelo original. Sentimos prazer autêntico em conviver.

Mas o convívio cobra seus tributos. E eles se tornam mais onerosos quando está em jogo a questão patrimonial. Ao se esquecer de que a vida é finita e se torna cada vez mais frágil, o ser racional confere excessiva importância aos bens materiais. Acumula-se um acervo e nem sempre se cuida de seu destino, até que o titular dominial é convocado para o único e incontornável encontro a que não se escapa: o chamado da morte.

Passado o momento de dor, pois a morte sempre é superada, surgem as questões sucessórias. O direito se predispõe a sanar os conflitos, mas a criatividade humana é muito maior do que a limitada capacidade de previsão do legislador. Herda-se a dor da perda, mas não é raro que se conte também com o legado da discórdia. Os herdeiros sentem-se prejudicados. A família se transforma em uma entidade complexa e conflituosa, seja pelo ingresso de outras pessoas, com distinta concepção de valores, seja em virtude das inúmeras conformações que essa instituição pode adquirir.

Todos que têm experiência no foro da família sabem o que poderão encontrar durante as partilhas. Os inventários, os arrolamentos, os testamentos e suas vicissitudes constituem – para muito além da seara jurídica – material fecundo de reflexão psicológica, sociológica, moral e política.

O universo do direito das sucessões precisa ser compreendido por todos. Não deve ser território reservado aos técnicos e especialistas em ciência jurídica. Qualquer ser humano poderá enfrentar as situações patrimoniais decorrentes da morte de um ente próximo, sendo também prudente pensar na própria partida. O que se fará daquilo que amealhamos quando a ceifadeira nos escolher?

Se algum não iniciado ousar uma incursão pelos códigos por certo desistirá. A linguagem técnica nem sempre é assimilável para quem não enfrentou um bacharelado. O aconselhamento com profissionais pode esclarecer dúvidas, mas o hábito do jurista é lançar mão do hermetismo vernacular que assusta e afugenta.

Por isso é que a obra de Ivone Zeger reveste uma dimensão insuspeita. Ela traduz para o leigo – com objetividade, singeleza e correção – aquilo que pareceria indecifrável a quem se dispusesse a ir à fonte normativa por sua conta e risco.

A sofisticação da ciência jurídica passa a constituir um gravame adicional às asperezas enfrentadas por todos os que necessitam da tutela do direito. Ivone desmistifica a selva obscura da lei e abre clareiras de compreensão atingíveis por qualquer interessado. O direito passa a ser inteligível. Mostra o seu lado lógico e solucionador. E é assim que ele deveria ser, não fosse a arrogância científica a blindar uma área de conhecimento preordenada a resolver problemas concretos.

Ivone, profissional experimentada, conhece o seu mister. Sabe do que está falando e perscrutou as dúvidas mais frequentes em relação ao tema. Além disso, possui um talento raro e, portanto, precioso: consegue clarear o que para tantos é uma escuridão indevassável ou tormentosa penumbra.

Após a colheita bem-sucedida de seu primeiro livro, Como a Lei Resolve Questões de Família (Mescla, 2007), vaticina-se caminho igualmente auspicioso para este livro. Ambos se propõem familiarizar as pessoas com uma normatividade que incidirá sobre sua vida em algum momento. Convém a todos interessar-se por isso. Não se pode prometer a eliminação de todas as angústias ou desconfortos. Mas é sempre melhor vislumbrar o que se avizinha – mais dia, menos dia – do que ser apanhado de surpresa.

Aqueles que pretendem fazer do direito uma ferramenta efetiva, eficiente e eficaz devem se regozijar com a missão de que Ivone Zeger se imbuiu. Ao simplificar, ela valoriza, prestigia e enobrece esta que foi a opção de vida de tantos: a ciência do justo e do ético.

José Renato Nalini
Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo

APRESENTAÇÃO

Diz a sabedoria popular que o verdadeiro teste para comprovar a união de uma família é ver como seus membros reagem durante a partilha de uma herança. E, de fato, como advogada que há anos tem acompanhado inúmeros processos de sucessão – o nome que na linguagem jurídica se dá ao conjunto de procedimentos legais que culminam com a partilha dos bens deixados por uma pessoa falecida –, percebo que, com frequência, os desentendimentos entre herdeiros não só acabam em longas brigas nos tribunais como também desgastam e corroem os laços familiares e afetivos. Percebo ainda que, muitas vezes, boa parte dos conflitos deve-se não à má-fé desse ou daquele membro da família, mas à simples falta de informação.

O desconhecimento dos aspectos legais que envolvem o processo de sucessão gera uma série de expectativas equivocadas quanto à parte que cabe a cada um e aos direitos e obrigações de uns e de outros. É possível que um filho receba uma parte da herança maior do que a que foi destinada a outro filho? A esposa também é herdeira? E a companheira? E a namorada? E o que dizer dos filhos nascidos fora do casamento? Bens doados em vida devem entrar no inventário após a morte do doador? E o que acontece caso a pessoa que os recebeu já tenha feito uso desses bens? Em que ocasiões é possível deserdar alguém? Como se faz um testamento e por que fazê-lo? E as dívidas do falecido, quem paga? É possível destinar a propriedade de um imóvel para uma pessoa e seu uso para outra? Se um herdeiro achar que foi lesado, que providências deve tomar? Quem pode e quem não pode fazer inventário e partilha no cartório?

Essa é apenas uma pequena amostra das dúvidas que assolam os membros de uma família no delicado momento em que têm de lidar com a morte de um ente querido e com a partilha dos bens por ele deixados. Para tentar lançar luz sobre essas e outras questões é que me propus escrever este livro.

Assim como fiz em minha obra anterior, Como a Lei Resolve Questões de Família, procuro falar de temas essenciais da legislação referente à sucessão numa linguagem clara e objetiva, tendo por base as perguntas mais comuns que me são feitas por clientes e também pelo público que acompanha minhas colunas e artigos em jornais e revistas, bem como minhas participações em programas de rádio e TV.

Cabe salientar que este livro visa apenas fornecer ao leitor leigo algumas informações e esclarecimentos básicos sobre o assunto – o que, de modo algum, dispensa os serviços de um advogado. Para questões mais específicas, assim como para o encaminhamento dos devidos procedimentos legais, os serviços desse profissional são indispensáveis. No entanto, como iniciação no tema, este livro poderá ajudá-lo a se orientar no labirinto das leis que regem a sucessão. E também o ajudará a não ter mais “arrepios” ao ouvir palavras como “inventário”, “espólio”, “colação”, “usufruto”, “inalienabilidade”, “meação”, “codicilo” e tantas outras que você encontrará pelo caminho até que chegue o momento de receber – ou de deixar – sua herança.

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Para muitas pessoas, a discussão em torno da herança deixada por um parente falecido resume-se a saber quem fica com o quê. Em que casos a esposa divide com os filhos a herança deixada pelo marido e em que situações ela não tem direito a nada? Quem vive em união estável tem direito a herança? Quando os pais do falecido também são herdeiros? E os irmãos, tios, sobrinhos e demais parentes? Pode-se receber uma herança antes do falecimento do detentor do patrimônio? O regime de bens do casamento tem alguma coisa a ver com a herança? Uma divorciada pode ser herdeira do ex-marido? E o que acontece caso a pessoa morra sem deixar testamento?

A lista de dúvidas parece interminável. As respostas, porém, podem ser encontradas na lei. A parte do Código Civil Brasileiro de 2002 que trata das sucessões (isto é, das heranças) é longa, detalhada e, em alguns casos, complexa, estando sujeita à interpretação de juristas e magistrados. Mas não se assuste. Para obter o esclarecimento das dúvidas mais comuns, você encontrará neste capítulo um guia de perguntas e respostas objetivo e direto. Informar-se é a melhor forma de impedir que seus direitos sejam desrespeitados. É, também, uma maneira eficaz de lidar com – ou mesmo evitar – o pesadelo das brigas entre herdeiros.

BENS E PATRIMÔNIO

Bens – posses materiais de uma pessoa; as diferentes coisas que ela possui.

Bens aquestos – bens adquiridos na vigência do casamento.

Bens colacionáveis – bens doados em vida pelo autor da herança. Esses bens deverão ser posteriormente incluídos no inventário, o que recebe o nome de colação.

Bens comuns – os que pertencem ao marido e à mulher, em virtude do regime do casamento. É importante lembrar que, dependendo do regime, mesmo os bens que estiverem em nome de apenas um dos cônjuges poderão pertencer aos dois.

Bens incomunicáveis – aqueles que pertencem a um dos cônjuges e são excluídos do regime de comunhão. Exemplo: bens que os cônjuges possuíam antes de se casarem, se o regime do casamento for o da comunhão parcial de bens.

Bens imóveis – casas, apartamentos, sítios, fazendas (enfim, tudo que não pode ser removido).

Bens móveis – tudo que não é imóvel. Por exemplo: veículos, obras de arte, mobiliário e eletrodomésticos, peças ornamentais, coleções de objetos, joias, ações etc.

Bens vinculados – os que, por lei ou por disposição de alguém, são inalienáveis, impenhoráveis e incomunicáveis (ou seja, não podem ser vendidos, penhorados ou partilhados).

Patrimônio – o conjunto de todos os bens possuídos por uma pessoa, por uma família, por uma empresa etc.

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Trecho do Livro: Aprenda a Investir em Ações e a Operar na Bolsa Via Internet
Livro Aprenda a Investir em Acoes e a Operar na Bolsa Via Internet
Autor: Carlos A.H. Brum
Editora: Ciência Moderna
ISBN: 9788573934731

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Subsistema Financeiro Nacional

Subsistema Normativo

O Sistema Financeiro Nacional é constituído por um subsistema normativo e por outro operativo. O subsistema normativo controla e regula o subsistema operativo. Esse controle e regulação são exercidos por meio de normas legais, expedidas pela autoridade monetária. As instituições que compõem o subsistema normativo são: o Conselho Monetário Nacional, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários.

CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL

O Conselho Monetário Nacional é o órgão deliberativo máximo do sistema financeiro brasileiro. Ele tem a incumbência de formular a política da moeda e do crédito, de acordo com a Lei Nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964.

BANCO CENTRAL DO BRASIL – BACEN

O Banco Central do Brasil, criado pela Lei Nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda e tem, por objetivo, executar e fiscalizar o cumprimento de todas as normas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional, zelar pela adequada liquidez da economia, manter as reservas internacionais do país em nível satisfatório, assegurar a formação de poupança em níveis apropriados e garantir a estabilidade e o aperfeiçoamento do Sistema Financeiro Nacional.

COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (C.V.M)

A CVM é uma Autarquia Federal, criada em 1976 pela Lei Nº 6.385, para regular, disciplinar e fiscalizar o mercado de títulos e valores mobiliários (bolsas de valores, companhias abertas, fundos de investimento e mercados derivativos que tenham por referência valores mobiliários). É conhecida como a instituição “xerife” do mercado de capitais brasileiro.

Uma das principais funções da CVM é cuidar para que os investidores tenham acesso a informações que confirmem a boa qualidade das companhias abertas e dos fundos de investimento. Ou seja, que o mercado seja transparente para o investidor e, o que ainda é mais importante, que todos tenham oportunidade de acesso a informações relevantes de maneira uniforme. Dessa forma, é possível evitar o chamado insider information, informações privilegiadas que vão beneficiar determinado grupo de investidores em detrimento de outros.

A CVM, a partir de 2002, com a aprovação da nova lei das empresas S.A., foi transformada em uma agência reguladora autônoma e independente. Passou, desde então, a usufruir de autonomia financeira através de orçamento próprio, com autoridade administrativa independente e estabilidade de seus dirigentes, que passaram a ser nomeados pelo presidente da República com a aprovação do Senado e com mandato fixo de cinco anos.

A Comissão de Valores Mobiliários agora pode tipificar os crimes na hipótese de uso de informação privilegiada, delegar às bolsas a possibilidade de abertura de processo contra terceiros e, ainda, dar prioridade a processos. No caso das bolsas, os processos só podem ser abertos contra corretoras que operam na própria bolsa.

Quem manipular o mercado estará sujeito à pena de um a oito anos de reclusão e multa equivalente a até três vezes a vantagem financeira que obteve na operação.

O uso de informação privilegiada também estará sujeito à pena de um a cinco anos de reclusão e multa de até três vezes o montante obtido.

As funções da Comissão de Valores Mobiliários são, dentre outras, regular e fiscalizar:

- Registro de companhias abertas;

- Registro de distribuição de valores mobiliários;

- Administração de carteiras e a custódia de valores mobiliários;

- Negociação e intermediação no mercado de valores mobiliários;

- Organização, funcionamento e operações das bolsas de valores;

- Credenciamento de auditores independentes, administradores de carteiras de valores mobiliários, consultores e analistas de investimento;

- Suspensão ou cancelamento de registros, credenciamentos ou autorizações;

- Suspensão de emissão, distribuição ou negociação de determinado valor mobiliário, ou decretar recesso de bolsa de valores.

Subsistema Operativo

O subsistema operativo é constituído pelas instituições financeiras públicas e privadas que atuam no mercado financeiro. Ele se divide em instituições bancárias e não bancárias.

As instituições bancárias são aquelas que operam com ativos financeiros monetários, aos quais é dada a faculdade de emissão de moeda (moeda escritural). Essas instituições também se caracterizam pela captação de depósitos à vista, livremente movimentados pelos depositantes. São instituições bancárias: os bancos comerciais, a Caixa Econômica Federal (CEF), o Banco do Brasil, as caixas econômicas, as cooperativas de crédito e os bancos múltiplos.

As instituições não bancárias se caracterizam por operar com ativos financeiros não monetários, porquanto não lhes é permitida a emissão de moeda escritural, pela impossibilidade de captar depósitos à vista. São instituições não bancárias: os bancos de investimento, as sociedades de arrendamento mercantil, as sociedades de crédito, investimento e financiamento, as sociedades de crédito imobiliário e associações de poupança e empréstimos, e os bancos de desenvolvimento.

Entretanto, as instituições mais importantes na área de investimento em ações são as que fazem parte da distribuição de títulos e valores mobiliários: as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, as bolsas de valores, as bolsas de mercadorias, as sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, e a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC).

CORRETORAS DE VALORES MOBILIÁRIOS

As Corretoras de Valores Mobiliários são instituições típicas do mercado acionário, operando com compra, venda e distribuição de títulos e valores mobiliários por conta de terceiros.

São instituições financeiras membros das bolsas de valores, credenciadas pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários e pelas próprias bolsas, e estão habilitadas, entre outras atividades, nos mercados financeiro e de capitais, a negociar valores mobiliários com exclusividade por sistemas de negociação mantidos pela Bovespa.

Em outras palavras, é a intermediária entre compradores e vendedores de ações nas transações em bolsas de valores. Administra carteiras de ações, fundos mútuos e clubes de investimentos, entre outras atribuições.

Bolsa de Valores

É uma associação civil, sem fins lucrativos, e tem como objetivo básico manter local adequado à realização de transações de compra e venda das ações das companhias abertas.

As bolsas atuam como auxiliares da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na fiscalização do mercado, em especial de seus membros, as Sociedades Corretoras, e têm ampla autonomia na sua esfera de responsabilidade.

A Bolsa de Valores de São Paulo, hoje considerada o mais importante centro de negócios do mercado latino americano, foi fundada em 23 de agosto de 1890 como entidade oficial corporativa, vinculada à secretaria de finanças do governo estadual e composta por corretores nomeados pelo poder público.

A Bovespa só adquiriu a característica institucional que mantém hoje (uma associação civil sem fins lucrativos, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial) em 1965/66, com a implementação das reformas do sistema financeiro nacional e do mercado de capitais.

Desde o regulamento anexo à Resolução CMN nº 2.690 de 2000, que as bolsas de valores brasileiras têm a faculdade de também se constituírem como sociedades anônimas.

Bolsa de Mercadorias

As Bolsas de Mercadorias têm, como principais objetivos, proporcionar ao mercado condições adequadas para a realização de negócios de compra e venda à vista, a termo e a futuro, de mercadorias, tais como ouro, café, algodão, boi gordo etc., bem como de outros ativos suscetíveis de negociação em bolsa como, por exemplo, o dólar (comercial ou flutuante).

Uma das peculiaridades desse mercado é que apenas, em média, 2% das operações são liquidadas pela entrega efetiva do bem negociado. Compram-se e vendem-se mercadorias e ativos financeiros apenas no papel. Não há a concretização física do negócio, mas sim a concretização financeira.

Sociedades Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários

As sociedades distribuidoras são firmas constituídas como sociedades anônimas ou sociedades por quotas de responsabilidade limitada, cuja autorização de funcionamento é fornecida pelo Banco Central do Brasil.

São entidades financeiras que atuam no mercado de ações e outros valores mobiliários, mas que não podem intermediar negócios nos sistemas de negociações das bolsas de valores e de mercadorias. Por isso, utilizam os serviços de uma corretora de títulos e valores mobiliários para intermediar os negócios nas bolsas.

CBLC – COMPANHIA BRASILEIRA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA

Para a liquidação das operações, a Bovespa utiliza, desde 16 de novembro de 1998, uma empresa independente, a CBLC – Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia. A CBLC é a responsável pela liquidação de operações de todo o mercado brasileiro de ações. Parcela significativa da eficiência da Bovespa repousa na CBLC, que realiza um serviço de alta qualidade, isento e confiável. A CBLC tem inúmeras responsabilidades. Entre elas destacamos:

- Registrar, liquidar e compensar operações à vista, a termo e do mercado de opções, de responsabilidade das corretoras ou de seus comitentes;

- Receber depósitos e margens para garantia de operações realizadas por associados da Bolsa;

- Emitir certificados visando o resgate, desdobramento, conversão e transferência de títulos negociados ou a negociar;

As Corretoras da Bovespa e outras instituições financeiras são os Agentes de Compensação da CBLC, responsáveis pela boa liquidação das operações que executam para si ou para seus clientes.

Empresas como a CBLC são conhecidas como Clearings – entidades de prestação de serviços de liquidação e custódia.

As Clearings desempenham atividades relacionadas à compensação, liquidação, custódia e controle de risco para os mercados à vista, a termo e de opções.

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Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Fevereiro 01, 2010

O Estado de São Paulo

Livro O Simbolo Perdido

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Ficção

01 O SÍMBOLO PERDIDO
Dan Brown . leia um trecho do livro
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02 A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro
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03 AMANHECER (4º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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04 ECLIPSE (3º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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05 OS ESPIÕES
Luis Fernando Verissimo . leia um trecho do livro
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06 O LADRÃO DE RAIOS (1º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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07 O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
John Boyne . leia um trecho do livro
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08 DIÁRIOS DO VAMPIRO 1 – O DESPERTAR
L.J. Smith . leia um trecho do livro
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09 CAIM
José Saramago
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10 A SENHORA DO JOGO
Sidney Sheldon
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Livro Se Abrindo Pra Vida

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Não-Ficção

01 SE ABRINDO PRA VIDA
Zibia Gasparetto
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02 COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro
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03 POR QUE OS HOMENS AMAM AS MULHERES PODEROSAS?
Sherry Argov
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04 O VERDADEIRO PODER
Vicente Falconi
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05 MENTES PERIGOSAS – O PSICOPATA MORA AO LADO
Ana Beatriz Barbosa Silva
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06 GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO BRASIL
Leandro Narloch
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07 HONORÁVEIS BANDIDOS
Palmério Dória
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08 O ANDAR DO BÊBADO
Leonard Mlodinow . leia um trecho do livro
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09 O MONGE E O EXECUTIVO
James C. Hunter . leia um trecho do livro
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10 MAIS VOCÊ 10 ANOS
Ana Maria Braga
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Trecho do Livro: Acerte o Preço e Aumente Seus Lucros
Livro Acerte o Preco e Aumente Seus Lucros
Autor: Frederico Zornig
Editora: Nobel
ISBN: 9788521313649

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Decisões sobre preços são tomadas diariamente em qualquer empresa. Desde o estabelecimento de uma estratégia de preços para um novo produto, até a negociação feita por um vendedor para fechar a venda com um cliente. Estabelecer preços para produtos e serviços é uma decisão responsável por muito mais do que a simples definição de um valor monetário a um produto ou serviço. São os preços que auxiliam a imagem de uma marca – seja ela de qualidade superior ou de um produto de valor por dinheiro (value for money). Também são os preços efetivamente praticados que determinam níveis de lucratividade em qualquer negócio. Porém, poucas empresas prestam a devida atenção à maneira como podem estabelecer vantagens competitivas através de estratégias de preços agressivas. Por outro lado, na visão do cliente ou consumidor, preços influenciam o que comprar e em que quantidade comprar. Portanto, alterações de preços também afetam o mercado. Por exemplo, quando a demanda por um certo produto ou serviço é maior que a oferta, normalmente os preços deveriam subir para refletir uma nova realidade na curva de oferta e demanda.

Vários autores já definiram o que é preço, mas gosto da idéia de que, em geral, preço é a razão entre o valor recebido em dinheiro pelo vendedor em troca de uma certa quantidade de produtos ou serviços entregue ao comprador. Por exemplo, quando uma caixa longa vida de 1 litro de suco de manga concentrado é vendida por R$ 3,25, estamos entendendo que o vendedor está recebendo R$ 3,25 do comprador, e este leva a caixa de suco para a casa. Portanto, a maneira de alterar os preços mais diretamente é aumentando a quantidade necessária de dinheiro pela mesma caixa de suco. Desta forma podemos, por exemplo, assumir que a partir de agora o preço a ser pago será de R$ 3,45 pela mesma caixa de suco e o preço estará alterado.

Outra maneira que algumas empresas utilizam para alterar o preço é reduzindo a quantidade de suco na caixa ou embalagem. Ou seja, em um outro cenário podemos cobrar os mesmos R$ 3,25 por uma caixa de suco, mas que em vez de 1L tenha apenas 900 ml. Ainda uma outra possibilidade para alterarmos os preços é mudando a qualidade do produto vendido. Vamos assumir que pelos mesmos R$ 3,25 o vendedor passará a oferecer uma garantia da qualidade do suco de manga, por meio de uma embalagem longa vida de última geração. Por entregar ao comprador mais valor pelo mesmo preço de antes, o vendedor está de fato abaixando seu preço!

O mesmo vendedor também poderá reduzir seus preços oferecendo descontos por quantidade. Por outro lado, poderá conseguir um “aumento” de preços de seus produtos se, em vez de oferecer 30 dias para pagamento, só aceitar pagamentos à vista.

Finalmente, alterar os meios de recebimento do preço do suco também pode afetar seu preço final – ao cancelar a parceria com a empresa de cartão de crédito, o vendedor poderá evitar um desconto sobre o valor de sua venda pela operadora do cartão.

Notem, porém, que em qualquer decisão a ser tomada em relação aos preços praticados, as conseqüências têm de ser levadas em consideração. O objetivo final de uma ação estratégica de preços deverá sempre ter como objetivo a maximização do lucro da empresa no longo prazo.

Outros fatores que estão de certo modo fora do controle de apenas uma empresa e que afetam os preços de um produto ou serviço precisam também ser levados em conta. Podemos mencionar aspectos como desenvolvimento e avanço de novas tecnologias, o aumento da competição globalizada, regulamentação de preços de alguns setores da economia, variações cambiais significativas, taxas básicas de juros, entre outros.

Preço é quase tudo

Com uma estratégia de preços correta, uma empresa seguramente estará ampliando seus lucros da maneira mais rápida e eficaz que existe entre os quatro “Ps” de marketing (preço, propaganda, produto e praça – distribuição). Um aumento de apenas 1% no preço poderá elevar o lucro de qualquer negócio em aproximadamente 10%. Em um estudo feito pela consultoria McKinsey, utilizando dados de balanço publicados na Average Economics Global 1200 de 2002, que inclui empresas de capital aberto do mundo todo, foi demonstrado que 1% de aumento no preço líquido geraria um aumento nos lucros líquidos da ordem de 11%. Nesse mesmo estudo ficou demonstrado que 1% de redução em custos variáveis, para essas empresas, geraria uma melhora no lucro de 7%. Se os ganhos fossem em volume, ou seja, vendendo 1% a mais em volume, teriam um aumento de lucro de 3,7%, e se reduzissem custos fixos em 1% conseguiriam apenas uma melhora de 2,7% no lucro. Fica claro que um pequeno aumento em preço pode se transformar em grandes aumentos de lucratividade (veja tabela 1, abaixo).

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Tabela 1 – Impacto na lucratividade após melhoria de 1% nas variáveis

Variável Percentual – impacto no lucro

Custos fixos – 2,7%
Volume – (unidades) 3,7%
Custos variáveis – 7,3%
Preços – 11,0%

Fonte: Estudo McKinsey baseado na Average Economics Global 1200, edição 2002.
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Quando discutirmos aumentos de preços neste livro, temos de esquecer nossa cultura inflacionária, de que até 1994 era comum aumentos de preços de 1% ao dia, e começarmos a buscar oportunidades em pequenos aumentos reais (acima de índices inflacionários) ao longo do tempo. Em alguns casos de companhias de bens de consumo de massa, um aumento real (descontada inflação) de 0,5% pode representar toda a lucratividade de uma empresa em um ano.

Encontrar oportunidades para incrementar preços em 1% é factível em qualquer empresa e em qualquer tipo de mercado (inclusive aquelas que acreditam que só vendem commodities). Basta implementar alguns dos conceitos (estratégias ou táticas) que serão apresentados neste livro que o aumento no seu lucro aparecerá.

Claro que falar de aumentos de preços sempre nos traz a dúvida sobre a equação preço versus volume (ou curvas de oferta e demanda). Normalmente, os gerentes de vendas e de marketing pensam em abaixar os preços para aumentar a demanda e conseqüentemente o volume, e com isso, alcançar maiores lucros. Para argumentar minha crença de que esta geralmente não é a melhor estratégia, gostaria de voltar para os dados da Average Economics e o estudo da McKinsey citados acima. Utilizando os dados disponíveis, podemos observar que uma redução de 5% nos preços requer um aumento de volume da ordem de 18% apenas para alcançarmos o ponto de equilíbrio. Na maioria dos negócios, este aumento é bastante incomum, especialmente no longo prazo. Além disso, estamos mostrando que com dados de 1200 empresas globais temos uma elasticidade média de 3,5. Ou seja, para cada 1% de redução de preço temos de aumentar o volume em 3,5%. Mais uma vez utilizando dados da Average Economics, a elasticidade de preços alcança, no mínimo, 0,8. Ou seja, atingir os níveis exigidos para equilíbrio no lucro após uma redução de preços da ordem de 5% é bastante improvável.

Nunca me esqueço de que em quase todas as lojas de roupa que vou, ao final da compra, sempre peço mais 5% de desconto e, em 90% das vezes, sou atendido. Espero que já tenham avaliado a variação do volume necessária para justificar estes 5% de descontos adicionais. Sem falar em possíveis guerras de preços que reduções dessa natureza poderiam gerar em alguns mercados. Mas este será um tema de outro capítulo.

Como um bom exercício para entender esses conceitos e confirmar o poder de um aumento de preço, convido o leitor a fazer essas análises de elasticidade e aumentos de preços versus redução de custos ou aumento de volume com dados do seu próprio negócio. Empresas com um bom entendimento dos impactos dessas variações nos seus lucros com certeza estarão deixando menos dinheiro escapar por decisões equivocadas.

Outro fator importante é que, em geral, todos os negócios, sejam voltados para o consumidor ou business-to-business (B2B), estão sendo afetados por uma pressão para a redução dos preços. Se as empresas não tomarem alguma atitude, eventualmente estas forças conseguirão reduzir os preços e afetar a lucratividade. Algumas dessas forças no mercado para o consumidor que podemos ilustrar incluem: a concentração do poder dos varejistas – vejam o exemplo de hipermercados, como Carrefour e WalMart, prometendo o menor preço todo dia; a venda de produtos pela internet, em que podemos consultar preços mais baixos ao clique de um mouse; o mercado de trabalho estagnado com nível de desemprego alto, obrigando os consumidores a procurar sempre a melhor oferta; o surgimento de marcas próprias em supermercados, diminuindo a diferença na qualidade para os produtos de marca premium. Já para as empresas que participam de negócios apenas com outras empresas (B2B), as forças predominantes incluem a profissionalização do mercado de procurement, isto é, cada vez mais empresas lidam com compradores treinados e preparados para extrair o máximo de seus fornecedores, programas de redução de custos e eficiência por parte das grandes empresas, obrigando os pequenos fornecedores a melhorar qualidade e reduzir custos ao mesmo tempo.

Em função do nosso custo tributário de faturamento, mais e mais empresas querem abrir mão do distribuidor, obrigando empresas a se reestruturar e assumir mais tarefas ou reduzir suas margens para manter a competitividade dos distribuidores, portais eletrônicos de compras, entre outros tantos.

Para finalizar, lembre-se daquela calça jeans de marca italiana que você comprou pagando pelo menos 10 vezes mais que uma calça jeans de qualidade similar, que você encontraria em uma loja de boa marca nacional. Este é um ótimo exemplo da importância de uma estratégia de preço sendo implementada. Se uma empresa consegue, por várias razões, estabelecer uma percepção de valor para o cliente de que sua marca, imagem e qualidade valem 10 vezes mais do que uma outra opção e consegue capturar este valor em forma do preço cobrado, podemos concluir que ela está tendo sua superioridade recompensada pelo cliente.

Se “apenas” 10 vezes mais é o ponto ideal já não posso afirmar, com o nível limitado de informações que tenho a respeito, mas a idéia aqui é que se todo o valor gerado para o cliente não estiver sendo capturado, eventualmente essa empresa poderá inclusive perder a possibilidade de manter-se em um patamar superior de preços e imagem de marca. Pois posso assegurar que muitos concorrentes estão utilizando preços de maneira estratégica para conseguirem extrair o máximo de retorno de seus produtos ou serviços.

Outros conceitos importantes

Apresento abaixo outros conceitos que são fundamentais para o bom entendimento dos próximos capítulos, quando apresentaremos estratégias e táticas assumindo que o leitor já domina alguns termos utilizados no gerenciamento e administração de preços.

Preços absolutos e preços relativos

É importante entender as diferenças entre estes dois conceitos. Preço absoluto é o preço de um produto – um veículo VW Fox 1.6 Total Flex, por exemplo, custa, pela tabela da revista Auto Esporte de agosto de 2005, R$ 34.911,00, e o VW Gol Power 1.6 Total Flex, pela mesma tabela, custa R$ 32.478,00. Preço relativo é a diferença de preço percebida pelo cliente – ou seja, nessa data temos uma diferença entre os dois modelos de R$ 2.433,00.

Para ilustrar esses conceitos, vamos imaginar que estamos no ano de 2010 e supor que a Volkswagen tenha agora seus preços para o mesmo Fox em R$ 54.911,00 e que o mesmo modelo de Gol é vendido pelo preço de R$ 52.478,00. Portanto, a diferença de preço entre os dois veículos foi mantida ao longo desses hipotéticos cinco anos. Qual seria, em sua opinião, a reação dos consumidores?

Em algumas situações similares podemos constatar que o produto com mais qualidade percebida, neste caso o Fox, ganharia participação de mercado. O erro hipotético da Volkswagen teria sido ignorar que clientes e consumidores percebem a diferença de R$ 2.433,00 em 2005 como sendo muito mais significativa do que a diferença de R$ 2.433,00 se comparada aos preços de 2010. Portanto, notem que os preços absolutos de ambos os carros aumentaram. Porém o preço relativo entre ambos foi bastante reduzido em cinco anos.

Valor percebido e preço

Uma loja de chocolates caseiros no interior de São Paulo mantinha uma política de preços similar à de uma rede de lojas de chocolate de abrangência nacional (ou pelo menos nas grandes cidades do país). Por ser uma loja local, detinha uma certa preferência por parte dos consumidores e, em função disso, mantinha uma vantagem competitiva em relação ao competidor nacional em sua cidade. Porém, a rede de lojas nacional iniciou um processo de modernização de seus pontos de vendas, lançou novos produtos e campanhas agressivas de marketing em outdoors e revistas. Além disso, foi notado também um aumento de preços generalizado na rede. Já a loja de chocolate local, em vez de também melhorar seu ponto de venda e investir em novos produtos para poder manter a relação preço versus qualidade similar ao concorrente nacional, optou pelo caminho mais fácil de abaixar os preços. Em questão de meses, os clientes começaram a perceber que a loja tinha produtos e qualidade inferior ao da marca nacional e a vantagem competitiva que a loja local detinha por ser mais próxima aos clientes de sua cidade foi sendo perdida. A proprietária da loja não percebeu os limites entre preços e valor percebido pelos clientes. Neste caso, como na grande maioria das vezes, um produto de menor preço foi considerado de qualidade inferior pelo seu próprio público consumidor.

Preços de referência e limites de preços

De acordo com Kent Monroe, preços são sempre avaliados comparativamente. Ou seja, para um comprador decidir se um preço é justo, muito alto ou muito baixo é necessário comparar o preço com um produto ou serviço similar. Consumidores e empresas, pela experiência, iniciam um processo de arquivo de preços de referência para produtos ou serviços adquiridos.

Ao criar esses preços de referência para um determinado produto, os preços oferecidos para aquele produto serão sempre julgados em relação à referência existente. Se a diferença for muito grande em relação a essa referência, o preço ofertado poderá sair dos limites máximos e mínimos para aquele cliente. Os limites de preços máximos são ultrapassados quando um cliente decide não optar pela compra, por acreditar que o preço pedido está fora do que seria razoável por aquele produto.

Durante minha vida profissional sempre trabalhei com empresas de qualidade e com produtos com excelente imagem de marca e relativo domínio de mercado e por isso algumas vezes ouvi que vendia produtos como se vendesse Coca-Cola gelada na praia. Imagine, porém, se eu fosse vender essa Coca-Cola e decidisse pedir por uma latinha gelada R$ 30,00. Provavelmente, não venderia muitas unidades, uma vez que a grande maioria dos clientes acharia este preço acima do limite aceitável de preço para uma lata de Coca-Cola (mesmo que gelada na praia). Este é um exemplo de um limite máximo de preço baseado no preço de referência que temos para uma lata de refrigerante. Notem que preços até podem ser superiores ao preço de referência para algumas situações (tais como a conveniência de se comprar uma Coca-Cola gelada deitado na areia da praia, mas sempre dentro de uma faixa “aceitável” de valor – falaremos mais sobre isso no decorrer do livro).

Na outra extremidade, temos situações em que o preço pode ficar abaixo de uma referência que temos para um valor mínimo aceitável e questões sobre a qualidade do produto podem influenciar a decisão de não consumirmos.

Vamos também imaginar uma visita a uma loja de roupas para comprarmos um terno. Apesar de ser um produto em que, dependendo da marca, podemos encontrar variações bastante significativas, vamos supor que nos deparamos com uma promoção na qual um terno de marca estabelecida estava sendo oferecido por R$ 50,00. No mínimo, o cliente que já tem uma idéia do valor de um terno daquela marca acharia estranho tamanho desconto. Também poderia acreditar que não se tratava de mercadoria original ou, ainda, que tivesse algum defeito e por alguma dessas razões decidiria não levar o produto.

A importância (ou não importância) dos custos

Existe quase uma regra enraizada na mente de muitos executivos e empresários de que preços devem ser formados a partir de um custo. Seja este custo de produção ou aquisição de uma mercadoria, além de muitas vezes ainda acrescentarem alocações de custos administrativos, vendas e marketing.

Infelizmente, este é um dos erros mais comuns que encontro na maioria das empresas. Custos não são relevantes para a definição de uma estratégia de preços. Ainda mais se forem os custos com alocações baseadas em regras criadas pelo departamento de contabilidade. No máximo, o custo direto de um produto poderá servir para sabermos qual o valor que abaixo dele estaremos perdendo dinheiro em cada venda daquele produto ou item. Além disso, de nada mais serve.

Indignado com tamanho descaso sobre tão importante variável na equação? Ótimo. Por isso que este livro vai mudar sua maneira de definir e administrar preços na sua empresa. Boa leitura nos próximos capítulos.

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Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Janeiro 18, 2010

O Estado de São Paulo

Livro O Simbolo Perdido

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Ficção

01 O SÍMBOLO PERDIDO
Dan Brown . leia um trecho do livro
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02 A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro
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03 AMANHECER (4º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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04 ECLIPSE (3º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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05 CREPÚSCULO (1º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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06 LUA NOVA (2º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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07 CAIM
José Saramago
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08 DIÁRIOS DO VAMPIRO 1 – O DESPERTAR
L.J. Smith . leia um trecho do livro
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09 A HOSPEDEIRA
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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10 DIÁRIOS DO VAMPIRO 2 – O CONFRONTO
L.J. Smith
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Livro Se Abrindo Pra Vida

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Não-Ficção

01 SE ABRINDO PRA VIDA
Zibia Gasparetto
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02 POR QUE OS HOMENS AMAM AS MULHERES PODEROSAS?
Sherry Argov
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03 COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro
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04 MENTES PERIGOSAS – O PSICOPATA MORA AO LADO
Ana Beatriz Barbosa Silva
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05 O VERDADEIRO PODER
Vicente Falconi
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06 MAIS VOCÊ 10 ANOS
Ana Maria Braga
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07 UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro
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08 O MONGE E O EXECUTIVO
James C. Hunter . leia um trecho do livro
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09 O ANDAR DO BÊBADO
Leonard Mlodinow . leia um trecho do livro
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10 HONORÁVEIS BANDIDOS
Palmério Dória
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Trecho do Livro: Para Sempre – Os Imortais | Alyson Noel
Livro Para Sempre Os Imortais
Autora: Alyson Noel
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788598078625

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As cores da aura e seus significados:

Vermelho: energia, força, raiva, paixão, medo, ego
Laranja: autocontrole, ambição, coragem, poder de reflexão, desânimo, apatia
Amarelo: otimismo, felicidade, intelectualidade, amizade, indecisão, vulnerabilidade à influência alheia
Verde: serenidade, poder de cura, compaixão, farsa, ciúme
Azul: espiritualidade, lealdade, criatividade, sensibilidade, generosidade, humor instável
Violeta: alta espiritualidade, sabedoria, intuição
Índigo: benevolência, intuição apurada, busca existencial
Rosa: amor, sinceridade, amizade
Cinza: depressão, tristeza, cansaço, falta de energia, ceticismo
Marrom: ambição, egoísmo, opiniões fortes
Preto: falta de energia, doença, morte iminente
Branco: equilíbrio perfeito

—–

— Adivinha!

As mãos quentes e úmidas de Haven apertam minhas bochechas, e seu anel, um crânio de prata escurecido, deixa uma marca de sujeira sobre minha pele. E mesmo que meus olhos estejam cobertos e fechados, sei que os cabelos dela, tingidos de preto, estão partidos ao meio; um espartilho de vinil preto se sobrepõe a uma blusa de gola rulê — mantendo-se em conformidade com o código de vestimenta de nossa escola; a saia comprida de cetim preto, apesar de nova, já tem um furo próximo à bainha, de quando ela pisou com o bico das botas Doc Martens; os olhos parecem dourados, mas só porque ela está usando lentes de contato amarelas.

Também sei que o pai dela não está viajando “a trabalho”, como ele mesmo disse; que o personal trainer de sua mãe é muito mais “personal” que “trainer” e que o irmão caçula quebrou um CD dela, do Evanescence, e agora está com medo de contar.

Mas não sei isso tudo porque andei bisbilhotando a vida dela, nem porque alguém me contou. Sei porque tenho poderes sobrenaturais.

— Anda logo, adivinha! Daqui a pouco o sinal vai tocar! — ela diz com a voz rouca.

Enrolo um pouco enquanto penso na última pessoa com quem ela gostaria de ser confundida.

— Hilary Duff?

— Eca! Vai, tenta de novo. — Ela aperta ainda mais forte, nem sequer desconfiando de que não preciso ver para saber.

— Será a sra. Marilyn Manson?

Ela ri e desencosta as mãos, e então lambe o polegar para apagar a tatuagem de sujeira em minha bochecha, mas levanto o braço antes que ela possa me alcançar. Não porque tenha nojo da saliva dela (quer dizer, sei que Haven não tem doença nenhuma), mas porque não quero que encoste em mim novamente. O toque humano é muito revelador, muito cansativo, então procuro evitá-lo a todo o custo.

Com um gesto rápido, ela tira o capuz de minha cabeça e aperta os olhos ao ver meus fones de ouvido.

— O que você está ouvindo?

Levo a mão ao bolsinho para iPod que costurei no capuz de todos os meus moletons (para esconder dos professores os tão conhecidos fiozinhos brancos) e entrego a ela o aparelho.

— Puxa… — ela diz com os olhos arregalados. — Quer dizer, que barulheira é essa? Quem é que está cantando isso?

Haven se curva para que nós duas possamos ouvir Sid Vicious berrando sobre a anarquia no Reino Unido. Na verdade, nem sei se ele é a favor ou contra. Sei apenas que berra o suficiente para dar uma acalmada em meus supersentidos.

— Sex Pistols — respondo, desligando o iPod e guardando-o de volta no esconderijo.

— Nem sei como você pôde me ouvir. — Haven sorri ao mesmo tempo que o sinal toca.

Simplesmente dou de ombros. Não preciso escutar para ouvir. Claro, não é isso que digo a ela. Falo apenas que a gente vai se ver de novo na hora do almoço e vou para minha aula, atravessando o campus da escola e encolhendo-me ao intuir os dois garotos que se aproximam pelas costas de Haven e pisam a bainha da saia dela — por pouco não a fazem cair. Mas quando ela se vira para trás, faz o sinal do Mal (certo, não é o sinal do Mal, mas algo que ela mesma inventou) e os encara com aqueles olhos amarelos, eles imediatamente se afastam e a deixam em paz. Quanto a mim, suspiro aliviada e entro na sala de aula, sabendo que não vai demorar muito até que eu deixe de sentir a energia persistente do toque de Haven.

A caminho de minha carteira, no fundo da sala, desvio-me da bolsa que Stacia Miller deixou de propósito em meu caminho e ignoro a serenata — “Per-de-do-ra!” — que ela diariamente sussurra ao me ver. Em seguida, acomodo-me na carteira, tiro livro, caderno e caneta da mochila, coloco os fones de ouvido, visto o capuz, jogo a mochila na carteira vazia a meu lado e espero pela chegada do sr. Robins.

O sr. Robins está sempre atrasado. Sobretudo porque gosta de tomar uns goles de seu cantil de prata entre uma aula e outra. Mas bebe apenas porque a mulher grita com ele o tempo todo, a filha o considera um fracassado e ele, quase sempre, detesta a própria vida. Descobri tudo isso em meu primeiro dia nesta escola, quando acidentalmente toquei na mão dele ao entregar o formulário de transferência. Agora, portanto, sempre que tenho de lhe entregar algo, deixo na beirada da mesa.

Fecho os olhos e espero, enquanto meus dedos deslizam pelo moletom, a fim de trocar o barulhento Sid Vicious por algo mais leve, mais tranquilo. A gritaria de Sid não é mais necessária agora que estou na sala de aula. Acho que a relação entre professor e alunos ajuda a conter, pelo menos até certo ponto, minha energia mediúnica.

Nem sempre fui essa bizarrice que sou hoje. Já fui uma adolescente normal, do tipo que ia às festinhas da escola, se apaixonava por celebridades e tinha tanto orgulho dos cabelos louros que jamais pensaria em prendê-los num rabo de cavalo ou escondê-los sob um capuz. Eu tinha mãe, pai, uma irmã caçula chamada Riley e uma cadela labrador amarela, fofíssima, de nome Buttercup. Morava numa casa agradável, num bairro bacana de Eugene, no Oregon. Era popular, feliz e mal podia esperar para chegar ao segundo ano, pois tinha acabado de me tornar chefe de torcida da principal equipe da escola. Minha vida era completa, e o céu era o limite. Essa história de céu pode ser um tanto gasta, mas, no meu caso, ironicamente, é também a mais pura verdade.

No entanto, sei tudo isso apenas por ouvir dizer, pois desde o acidente só me lembro claramente de uma coisa: eu morri.

Tive o que as pessoas chamam de “experiência de quase-morte”, ou EQM. Acontece que as pessoas estão erradas. Podem acreditar, não houve nada de “quase” no que me aconteceu. Foi assim: num instante, Riley e eu estávamos no banco de trás do SUV do papai, Buttercup com a cabeça pousada no colo de minha irmã e o rabo batendo suavemente em minha perna, e a próxima lembrança… os airbags inflados, o carro inteiramente destruído, e eu lá, assistindo a tudo do lado de fora.

Olhando para os destroços — os estilhaços de vidro, as portas amassadas, o para-choque dianteiro agarrado ao tronco de um pinheiro num abraço letal —, fiquei me perguntando o que poderia ter acontecido de errado, esperando e suplicando que todos tivessem conseguido sair dali como eu. De repente, ouvi um latido familiar; virei para trás e vi minha família seguindo por um caminho, guiada por Buttercup, que abanava o rabo.

Fui ao encontro deles. De início, tentei correr e alcançá-los, mas depois fui mais devagar, querendo me demorar e passear por aquele campo vasto e perfumado de árvores e flores vibrantes que tremeluziam, e apertando os olhos diante da névoa deslumbrante que refletia e brilhava intensamente, iluminando tudo.

Prometi a mim mesma que seria rápido, que logo voltaria para encontrar minha família. Mas, quando enfim olhei, só deu tempo de, num relance, eles sorrirem e acenarem para mim ao atravessarem uma ponte, sumindo de vista pouco depois.

Entrei em pânico. Olhando para todas as direções, comecei a correr de um lado para o outro, mas tudo parecia igual: uma névoa sem fim, tépida, branca, brilhante, iluminada, bonita e estúpida. Então, caí no chão e fiquei ali, morrendo de frio, chorando, gritando, xingando, implorando, fazendo promessas que sabia jamais poder cumprir.

Foi então que ouvi alguém dizer:

— Ever? É esse seu nome? Abra os olhos e olhe para mim.

Aos tropeços, voltei para a superfície, onde tudo era dor e sofrimento, e minha testa porejava de tanta dor, uma dor lancinante. Então olhei fixamente para o sujeito que se curvava sobre mim, dentro de seus olhos escuros, e sussurrei:

— Sim, sou Ever. — E desmaiei outra vez.

—–

Segundos antes de o sr. Robins entrar na sala baixei o capuz, desliguei o iPod e fingi ler meu livro, sem me dar o trabalho de levantar a cabeça quando ele disse:

— Pessoal, este é Damen Auguste. Acabou de se mudar do Novo México. Muito bem, Damen, pode se sentar lá atrás, ao lado da Ever. Vai ter de acompanhar com o livro dela até comprar o seu.

Damen é lindo. Sei disso sem precisar espiá-lo nem uma única vez. Mantenho os olhos cravados no livro enquanto ele anda para os fundos da sala, pois já conheço minha turma como a palma de minha mão. No que me diz respeito, um pouquinho de ignorância até que não seria mau.

Mas, segundo os pensamentos mais recônditos de Stacia Miller, sentada apenas duas filas à minha frente, Damen Auguste é um espetáculo!

A melhor amiga dela, Honor, concorda em gênero, número e grau.

Assim como o Craig, namorado da tal Honor, mas isso já é outra história.

— Oi. — Damen se espreme na carteira a meu lado, minha mochila produzindo um baque surdo ao ser jogada no chão.

Retribuo o cumprimento com um aceno de cabeça, recusando-me a olhar além das botas de motoqueiro dele. Lustrosas e pretas, muito mais para revista de moda que para Hells Angels. Bem diferentes da profusão de chinelos coloridos que salpica o carpete verde da sala.

O sr. Robins pede que a gente abra o livro na página 133, e Damen se inclina em minha direção.

— Posso acompanhar com você? — diz.

Apavorada com tanta proximidade, hesito um pouco, mas depois empurro o livro até a beirada de minha carteira, o mais longe que consigo sem derrubá-lo no chão. E quando ele arrasta sua cadeira para perto, ocupando o pouco espaço que havia entre nós, deslizo para a extremidade oposta da minha, o mais longe possível. E novamente me escondo sob o capuz.

Damen ri baixinho. Como ainda não olhei para ele, não faço a menor ideia do que isso possa significar. Foi um risinho discreto e gostoso, mas talvez tivesse um duplo sentido qualquer.

Afundo na carteira ainda mais, a cabeça apoiada em uma das mãos, os olhos fixos no relógio e determinada a ignorar todos os olhares e comentários maldosos desferidos contra mim. Tais como: Coitado do novato bonitão… ter de se sentar ao lado da esquisitona! É mais ou menos isso o que passa pela cabeça de Stacia, Honor, Craig… e de quase todo mundo na sala.

Bem, todo mundo menos o sr. Robins, que, como eu, não vê a hora de chegar o fim da aula.

No almoço, ninguém fala de outro assunto que não seja Damen.

Já viu o aluno novo? Que gato, hem?… É… Ouvi dizer que é do México… Do México, não, da Espanha… Tanto faz, de um outro país qualquer… É claro que vou convidar ele pro Baile de Inverno… Mas você nem conhece o cara ainda!… Fique tranquila, porque vou conhecer…

— E aí, amiga? Já viu o tal de Damen? O que acabou de chegar! — Haven se senta a meu lado e espia através da franja, que de tão comprida chega a roçar os lábios pintados de vermelho.

— Ah!, não, você também, não… — Balanço a cabeça e cravo os dentes em minha maçã.

— Aposto que você não diria isso se tivesse tido o privilégio de ver o cara — ela diz, retirando o cupcake de baunilha da caixa de papelão rosa e lambendo a cobertura de glacê, tal como faz todos os dias, embora ela se vista como alguém que não hesitaria nem mesmo um segundo antes de trocar um cupcake por um bom copo de sangue.

— Vocês estão falando sobre o Damen, é? — sussurra Miles, deslizando no banco e fincando os cotovelos na mesa, os olhos castanhos oscilando entre nosso rosto, um sorriso maroto estampado no rostinho de bebê. — Que gato! Vocês viram as botas? Tão Vogue… Acho que vou perguntar se ele quer ser meu próximo namorado.

Haven aperta os olhos amarelos na direção dele.

— Tarde demais — diz. — Eu vi primeiro.

— Poxa, foi mal. Não sabia que você curtia “não góticos”. — Ele dá um risinho, revira os olhos e desembrulha seu sanduíche.

Haven ri de volta.

— Se forem como ele, curto. Juro que ele é simplesmente um absurdo de tão irresistível, você precisa ver. — E balançando a cabeça, irritada com minha indiferença, vira-se para mim e diz: — Ele é demais!

— Você ainda não viu? — espanta-se Miles, segurando o sanduíche.

Baixo os olhos para a mesa, muito inclinada a contar uma mentira. Diante daquele carnaval todo, não conseguia ver outra saída. Mas não posso mentir, não para eles. Haven e Miles são meus melhores amigos. Os únicos que tenho. Além disso, já guardo segredos demais.

— Ele se sentou ao meu lado na aula de inglês — digo, finalmente. — Fui obrigada a dividir o livro com ele, mas não cheguei a vê-lo direito.

— Obrigada? — Haven move a franja para o lado para ver melhor a maluca que foi capaz de proferir tamanha asneira. — Ah, deve ter sido horrível pra você, um suplício, né? — Ela revira os olhos e suspira. — Eu juro: você não faz ideia da sorte que tem! Devia estar agradecendo de joelhos!

— Que livro vocês leram juntos? — pergunta Miles, como se o título pudesse revelar algo de muito importante.

— O Morro dos Ventos Uivantes — respondo, dando de ombros. Coloco o que restou da maçã sobre um guardanapo e dobro as pontas em torno dela.

— E o capuz? — pergunta Haven. — Com ou sem?

Depois de certo esforço, lembro que botei o capuz enquanto Damen caminhava em minha direção.

— Hmm… com. É, tenho certeza: com.

— Ainda bem — resmunga Haven, aliviada, partindo o cupcake em dois. — A última coisa de que preciso é competir com a deusa dos cabelos dourados.

Eu me encolho e mais uma vez baixo os olhos para a mesa. Fico envergonhada quando as pessoas fazem elogios assim, que no passado costumavam ser muito importantes para mim. Agora, não são mais.

— Mas, e o Miles? — pergunto, desviando a atenção para alguém realmente capaz de apreciá-la. — Você não acha que ele também é um forte candidato?

— Isso mesmo! — Miles passa a mão pelos curtos cabelos castanhos e vira de perfil, oferecendo-nos seu melhor ângulo. — Eu também estou na parada!

— Bobagem — diz Haven, limpando do colo as migalhas brancas. — Damen e Miles não jogam no mesmo time. Pelo menos dessa vez, a beleza estonteante e incomparável de nosso amigo top model não vai contar.

— Como você sabe em que time ele joga? — pergunta Miles, apertando as pálpebras enquanto destampa sua garrafa de isotônico. — Como pode ter tanta certeza assim?

— Meu gaydar não apitou — explica Haven, dando um tapinha na própria testa. — Confie em mim: o cara não aparece nele.

Pois bem, Damen é meu colega não só na aula de inglês do primeiro tempo, como também na de educação artística do sexto (não que ele tenha se sentado ao meu lado, nem que eu tenha procurado, mas os pensamentos que pipocavam pela sala, mesmo os de nossa professora, a sra. Machado, foram suficientes para que eu me desse conta da presença dele). E como se isso não bastasse agora vejo que ele estacionou o carro bem ao lado do meu. Até então eu havia conseguido me conter e não olhar para outra parte além das botas do sujeito, mas agora, eu sabia, minhas possibilidades de escapar chegavam ao fim.

— Ai, meu Deus! É ele! Está vindo bem em nossa direção! — exclama Miles, com os trinados de soprano que reserva apenas para os momentos mais excitantes. — E olha aquele carro! Um BMW preto novinho em folha! E com o insulfilme mais escuro que existe! Um espetáculo! Olhe, o plano é o seguinte: vou abrir a porta e acidentalmente bater na porta dele; então terei uma desculpa pra falar alguma coisa. — Ele se vira para mim em busca de aprovação.

— Não arranhe meu carro. Nem o carro dele. Nem o de qualquer outra pessoa — eu digo, balançando a cabeça e tirando as chaves da mochila.

— Tudo bem — resmunga Miles, fazendo beicinho. — Pode arruinar meus sonhos, não me importo. Mas faça um favor a si mesma e dê uma conferida no cara! Depois quero ouvir você dizer, olhando fundo nos meus olhos, que não pirou nem ficou de perna bamba com o que viu!

Reviro os olhos e me espremo entre meu carro e o Fusca vizinho, tão mal estacionado, que parece querer montar no meu Miata. Já estou com a chave na porta quando, atrás de mim, Miles me surpreende, puxa meu capuz para baixo, arranca meus óculos e corre para o lado do passageiro, onde, com gestos nada sutis da cabeça e do polegar, insiste para que eu olhe para o Damen, que a essa altura já está atrás dele.

Então, obedeço. Bem, não posso continuar evitando o cara pelo restante da vida. Assim, respiro fundo e levanto os olhos.

E o que vejo me deixa incapacitada de falar, piscar ou mover qualquer outra parte do corpo.

Percebendo meu estado, Miles arregala os olhos e começa a abanar as mãos freneticamente, fazendo o que pode para abortar a missão e me trazer de volta ao “quartel-general”, à normalidade. Mas não posso. Quer dizer, bem que eu gostaria, porque sei que estou agindo exatamente como a esquisitona que todos já acham que sou. Mas não dá, é impossível. E não apenas por causa da beleza inquestionável do tal de Damen. Tudo bem, os cabelos são lindos, luminosos e compridos; vão descendo ao longo das maçãs do rosto, salientes e esculpidas a cinzel, até roçar os ombros. Mas quando ele ergue os óculos de sol para me fitar de volta, constato que os olhos dele, estranhamente familiares, são amendoados e escuros, emoldurados em cílios tão longos que quase parecem falsos. Ah, e os lábios! Os lábios são carnudos e convidativos, tão bem desenhados quanto um arco de Cupido. E o corpo que sustenta tudo isso é alto, magro, firme. Vestido de preto de cima a baixo.

— Ei, Ever! Alô-ou! Você pode acordar agora. Por favor! — Miles vira-se para Damen, rindo de nervoso. — Não repare na minha amiga, não. Geralmente ela se esconde debaixo do capuz.

Não é que eu não saiba que tenho de parar, e parar agora. Mas os olhos de Damen, pregados nos meus, vão se tornando de um colorido cada vez mais intenso à medida que os lábios esboçam um sorriso.

Mas, como já disse, não é a beleza estonteante dele que me paralisa dessa forma. Um fato não tem nenhuma relação com o outro. Acontece que toda a área em torno do corpo dele, desde a gloriosa cabeça até a ponta quadrada das botas pretas de motoqueiro, consiste em nada além de um espaço vazio, em branco.

Nenhuma cor. Nenhuma aura. Nenhum espetáculo de luzes pulsantes.

—–

Todo o mundo tem uma aura. Todos os seres vivos têm espirais de cor que emanam do corpo. Um campo energético multicolorido do qual nem se dão conta. Nada perigoso ou assustador, nem ruim, de forma alguma, mas apenas parte de um campo magnético visível — bem, ao menos para mim.

Antes do acidente, eu nem fazia ideia de coisas assim. E, definitivamente, não era capaz de vê-las. Mas desde que acordei no hospital vejo cores por toda parte.

— Tudo bem com você? — perguntou a enfermeira ruiva, preocupada.

— Sim, mas por que você está toda rosa? — respondi, sem entender o porquê daquele brilho rosado que a cercava.

— Por que estou o quê? — ela se esforçou para disfarçar o susto.

— Rosa. Isso que está aí ao seu redor, especialmente da cabeça.

— O.K., meu amor, fique aí descansando, que vou chamar o médico. — Ela me deixou sozinha no quarto e saiu correndo pelo corredor.

Só depois de passar por uma batelada de exames oftalmológicos, ressonâncias cerebrais e avaliações psiquiátricas foi que aprendi a guardar minhas visões para mim mesma. E mais tarde, quando passei a ouvir pensamentos, a captar histórias de vida pelo toque e a conversar com minha irmã morta, já estava escaldada o suficiente para ficar de bico calado.

Acho que já me acostumei a viver assim; nem sequer recordava que existe um jeito diferente. Mas ao ver Damen emoldurado apenas no preto reluzente da carroceria de um carro chiquérrimo e caríssimo, acabei me lembrando de outro tempo da minha vida, mais feliz e mais normal.

— Seu nome é Ever, certo? — ele pergunta, enfim abrindo o sorriso esboçado há pouco e revelando mais uma de suas inúmeras perfeições: dentes incrivelmente brancos.

Eu fico ali, inutilmente tentando desviar o olhar, enquanto Miles começa a pigarrear feito um maluco. Só então me lembro de quanto ele detesta ser ignorado.

— Ah, desculpe. Miles, Damen, Damen, Miles — digo, sem ao menos piscar.

Damen dá uma olhada rápida para o Miles, cumprimenta-o com a cabeça e logo se volta para mim. Sei que vai parecer maluquice minha, mas durante a fração de segundo em que Damen desviou o olhar senti uma fraqueza e um frio muito estranhos.

Mas assim que ele vira seu olhar novamente para mim tudo volta ao normal — tudo fica quente e bem de novo.

— Posso pedir um favor? — E sorri. — Será que você pode me emprestar seu O Morro dos Ventos Uivantes? Preciso colocar a leitura em dia, e hoje não vou ter tempo de passar na livraria.

Abro a mochila, retiro meu exemplar todo amarfanhado e estendo o braço com o livro na palma da mão, parte de mim torcendo para que a ponta de meus dedos toque a ponta dos dedos dele, enquanto outra parte, a mais forte e sábia, aquela com poderes sobrenaturais, treme só de pensar nas revelações que podem brotar do contato com um desconhecido tão lindo.

Ele joga o livro no interior do BMW, baixa os óculos escuros e diz:

— Valeu, a gente se vê amanhã.

Só então percebo que nada aconteceu com aquele breve toque, além de um leve formigamento na ponta dos dedos. E antes que eu possa dizer o que quer que seja ele já está dando a ré para sair da vaga.

— Amiga — diz Miles, balançando a cabeça e se acomodando a meu lado no Miata. — Desculpe, mas quando falei que você iria pirar quando visse o cara eu não estava sugerindo que você pirasse. Não era pra você seguir ao pé da letra. Caramba, Ever, o que foi que deu em você? Que esquisitice foi aquela? Só faltou você dizer: Muito prazer, eu sou a Ever, a psicopata que vai perseguir você pelo restante da vida! Não estou brincando. Achei que a gente teria de ressuscitar você! E olhe, pode acreditar, você deu uma tremenda sorte. Imagine se a Haven, nossa queridíssima amiga, estivesse lá para ver a cena, hã? A senha número 1 é dela, meu amor, já esqueceu?

Miles continua tagarelando sem parar durante todo o caminho. Simplesmente eu o deixo falar enquanto presto atenção no trânsito, roçando o dedo na cicatriz espessa em minha testa — a que escondo debaixo da franja.

Como explicar a ele que, desde o acidente, as únicas pessoas cujos pensamentos não posso ouvir, cujos toques nada revelam e cujas auras não consigo ver são as que já morreram?

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