Trecho do Livro: Estratégia Acionária Para Vencer na Bolsa de Valores

Autor: Rivadavila S. Malheiros
Editora: Novatec
ISBN: 9788575221518
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Mercado de ações na BOVESPA
1.1 Mercado de ações
Tudo começa com uma grande idéia que se transforma em um negócio. Uma empresa com o objetivo de se expandir faz um lançamento inicial de ações para captar recursos financeiros (IPO em inglês – Initial Public Offer). A característica fundamental de uma empresa S.A (Sociedade Anônima) é a divisão do seu capital em partes iguais denominadas ações. Por sua vez, a ação representa uma parte do capital referente ao investimento feito pelos acionistas, conferindo a estes uma parcela de direito na participação no controle e nos lucros da empresa, bem como em suas obrigações.
Após o lançamento desse tipo de certificado, sua negociação ocorre em mercados organizados conhecidos como Bolsas de Valores.
As ações podem ser de dois tipos:
– Ordinárias – Proporcionam participação nos resultados da empresa e conferem ao acionista o direito de voto em assembléias gerais.
– Preferenciais – Garantem ao acionista a prioridade no recebimento de dividendos (geralmente em percentual mais elevado do que o atribuído às ações ordinárias) e no reembolso de capital, no caso de dissolução da sociedade. Este tipo de ação não possui direito a voto.
Tanto as ações ordinárias quanto as preferenciais são sempre nominativas, dando origem à notação ON ou PN depois do nome da empresa.
As ações também podem ser diferenciadas por classes: A, B, C ou alguma outra letra que apareça após o “ON” ou o “PN”. As características de cada classe são estabelecidas pela empresa emissora da ação em seu estatuto social. Essas diferenças variam de uma empresa para outra.
Exemplos de nomenclatura das ações:
– Petrobras ON = PETR3 Petrobras PN = PETR4
– Vale do Rio Doce PNA = VALE5
Combinações de ON com PN geram as chamadas Units
Exemplo: América Latina Logística Units = ALLL11
A participação nos resultados e os benefícios concedidos pela empresa emissora são algumas das motivações para o investimento em ações. As empresas propiciam benefícios aos seus acionistas, sob a forma de proventos (dividendos, bonificações) ou de direito de preferência na aquisição de ações (subscrição).
– Dividendos – Valor correspondente à parcela de lucro líquido distribuída aos acionistas, na proporção da quantidade de ações detida, ao fim de cada exercício social. Por lei, a companhia deve distribuir, no mínimo, 25% de seu lucro líquido.
– Bonificação – Ação nova, proveniente de aumento de capital por incorporação de reservas, distribuída gratuitamente aos acionistas na proporção das originalmente possuídas. Às vezes, a empresa poderá optar por distribuir essas reservas, ou parte delas, em dinheiro, gerando o que se denomina bonificação em dinheiro.
– Direito de subscrição – Direito de adquirir novas ações lançadas para venda pela empresa na quantidade proporcional às já possuídas. O acionista poderá transferir o direito de subscrição a terceiros, mediante a venda desse direito em pregão.
Uma ação ainda com os direitos é chamada de Ação Cheia, enquanto que chamamos de Ação “Ex” aquela cujo direito ao provento já foi destacado da ação.
Apenas podem ser negociadas em bolsa as ações que não possuam proventos anteriores a receber. Assim, quando a assembléia de uma empresa aprova a distribuição de um provento, as ações passam a ser negociadas na forma “ex”.
Exemplo: As ações de uma empresa encerraram o pregão valendo R$ 10,00 e, após o fechamento, foi divulgado um fato relevante, informando que, a partir do próximo pregão, estas estariam ex-dividendo em decorrência do pagamento de R$ 0,50. A princípio, no pregão seguinte, as ações valerão R$ 9,50, já que os R$ 0,50 são computados como créditos aos acionistas.
Além dos direitos de proventos, eventualmente o investidor poderá ter ganhos de capital mediante a valorização da ação no mercado secundário (Bolsa de Valores). Essa valorização dependerá de uma série de fatores, tais como desempenho da empresa, comportamento da economia interna, cenário externo etc.
Em geral, o critério de escolha das ações ocorre a partir das qualidades da empresa e do seu nível de liquidez em bolsa (volume e quantidade de negócios), com as ações sendo classificadas como:
– blue chips ou de 1ª. linha – São ações de grande procura por parte dos investidores, normalmente de empresas tradicionais, de grande porte e excelente reputação (PETR4, VALE5, BBDC4 etc).
– 2ª. linha – São ações um pouco menos líquidas, de empresas de boa qualidade de grande e médio portes (Gol, Natura etc).
– 3ª. linha – São ações com pouca liquidez, em geral de companhias de médio e pequeno portes, cuja negociação nem sempre acontece em todos os pregões (Plascar, Guararapes etc).
1.2 A BOVESPA
O lançamento de novas ações com aporte de recursos à empresa emissora é conhecido como mercado primário, enquanto que a negociação das ações já postas em circulação ocorre no mercado secundário (ambiente de bolsas de valores ou mercados de balcão).
A primeira bolsa do mundo foi fundada em 1141, em Paris, e regulamentada em 1304. No Brasil, apesar da fundação da Bolsa Oficial de Títulos de São Paulo, em 1895, somente depois das reformas de 1964 a BOVESPA tomou a forma que conhecemos até hoje.
Durante boa parte de sua vida, a Bolsa de Valores de São Paulo – BOVESPA – funcionou como uma associação civil sem fins lucrativos e pertencente às corretoras de valores. Porém, em 2007, uma nova companhia foi constituída como uma sociedade holding, com a finalidade de reorganizar as atividades desenvolvidas pela BOVESPA.
Com a desmutualização, o objeto social da companhia passou a ser de participar em sociedades que exercecem atividades de negociação, liquidação, custódia e supervisão da negociação, ou outros serviços relacionados a valores mobiliários, títulos, ativos, contratos e direitos negociados no mercado financeiro e de capitais.
A BOVESPA Holding desempenha uma importante função de auto-regulação, fiscalizando as empresas listadas, os negócios realizados e as corretoras de valores, trabalhando para garantir o cumprimento de todas as exigências que a legislação determina. Vale destacar que a BOVESPA é fiscalizada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
A BOVESPA não compra nem vende ações apenas fornece tudo o que é necessário para que as corretoras de valores comprem e vendam ações para seus clientes (investidores).
Até 2005, além do sistema eletrônico de negociação, existia também o pregão viva-voz, no qual os operadores apregoavam no salão as ofertas de compra e venda das ações. Entretanto, como o sistema eletrônico de negociação – o MEGA BOLSA – já representava mais de 90% dos negócios realizados, em setembro desse ano a BOVESPA extinguiu o viva-voz.
1.3 Mercado à vista
Chama-se de mercado à vista a compra ou venda de uma determinada quantidade de ações a um preço estabelecido em pregão. Assim, quando há a realização de um negócio, cabe ao comprador desembolsar o valor financeiro envolvido na operação e ao vendedor a entrega dos títulos-objeto da transação.
O preço de cada papel é formado a partir da interação entre as forças de oferta e demanda durante o pregão. É importante destacar que a realização dos negócios no mercado à vista requer a intermediação de uma sociedade corretora que utiliza o sistema eletrônico MEGA BOLSA para o encontro das ofertas de compra e de venda.
É possível acompanhar o andamento das operações no mercado à vista, durante todo o pregão, por meio da rede de terminais da BOVESPA, dos terminais de um vendor de informações, bem como por telefone, pelo serviço Disque BOVESPA.
Basicamente o investidor poderá dar ordens a mercado, ordens limitadas e ordens de stop.
– Ordem a mercado – O investidor especifica somente a quantidade de ações que deseja comprar ou vender. A corretora deverá executar a ordem a partir do momento que recebê-la.
– Ordem limitada – A operação será executada por um preço igual ou melhor que o indicado pelo investidor.
– Ordem on-stop – É aquela que especifica o nível de preço a partir do qual a ordem deve ser executada. Uma ordem on-stop de compra deve ser executada a partir do momento em que, no caso de alta de preço, ocorra um negócio a preço igual ou superior ao preço especificado. Uma ordem on-stop de venda deve ser executada a partir do momento em que, no caso de baixa de preço, ocorra um negócio a preço igual ou inferior ao preço especificado.
Vale lembrar que sobre as operações realizadas no mercado à vista há incidência da taxa de corretagem pela intermediação (livremente pactuada entre o cliente e a corretora), os emolumentos da bolsa e as taxas de liquidação.
Caso o investidor obtenha ganho de capital com a operação, venda da ação a um preço superior ao de compra, o ganho líquido obtido será tributado à alíquota de imposto de renda vigente, como ganho de renda variável. O cálculo é feito da seguinte forma:
preço de venda – preço de compra – custos da transação(*)
(*)corretagem, emolumentos e demais taxas sobre a operação
Prejuízos obtidos nesse e em outros mercados (ex.: opções) podem ser compensados, exceto operações iniciadas e encerradas no mesmo dia (day-trade), que somente poderão ser compensados com ganhos em operações da mesma espécie.
1.4 Liquidação
A transferência da propriedade das ações e o pagamento/recebimento do montante financeiro envolvido nas operações são realizados pela CBLC.
A Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) foi criada em 1997, a partir de uma cisão da Bolsa de Valores de São Paulo – BOVESPA.
Para uma operação de venda no mercado à vista, as ações-objeto de negociação devem estar disponíveis na conta de custódia do vendedor, para entrega ao comprador, até o horário-limite estabelecido pela CBLC.
A não-entrega total ou parcial das ações-objeto após três dias da negociação (D+3) ou a ausência de apresentação de documentos necessários à liquidação caracterizam a falta da entrega de ativos e resultam em multa ao vendedor das ações.
Caso os ativos não sejam entregues, a CBLC aciona, no mesmo dia, o mecanismo de tratamento de falta de entrega – o Processo de Recompra de Ativos –, além de cobrar nova multa sobre o valor dos ativos não- regularizados.
Todo esse processo pode ser dividido em duas etapas:
1. Entrega dos títulos – Implica a disponibilização dos títulos à CBLC, pela sociedade corretora intermediária ou pela instituição responsável pela custódia dos títulos do vendedor. As ações ficam disponíveis ao comprador após o respectivo pagamento.
2. Liquidação financeira – Compreende o pagamento do valor total da operação pelo comprador, o respectivo recebimento pelo vendedor e a efetivação da transferência das ações para o comprador.
1.5 Novo Mercado
O Novo Mercado é um segmento da BOVESPA, no qual se enquadram as ações emitidas por companhias que se comprometam, voluntariamente, com a adoção de práticas de governança corporativa adicionais em relação ao que é exigido pela legislação.
A entrada de uma companhia no Novo Mercado ocorre por meio da assinatura de um contrato e implica a adesão a um conjunto de regras societárias. Basicamente essas regras, consolidadas no Regulamento de Listagem do Novo Mercado, ampliam os direitos dos acionistas e melhoram a qualidade das informações usualmente prestadas pelas companhias. A principal exigência do Novo Mercado é que o capital social da companhia seja composto apenas por ações ordinárias. Somado a isso, a companhia tem como obrigações:
– Extensão para todos os acionistas das mesmas condições obtidas pelos controladores quando da venda do controle da companhia (tag along).
– Realização de uma oferta pública de aquisição de todas as ações em circulação, no mínimo pelo valor econômico, nas hipóteses de fechamento do capital ou cancelamento do registro de negociação no Novo Mercado.
– Conselho de Administração com um mínimo de cinco membros e mandato unificado de até dois anos, permitida a reeleição. No mínimo, 20% dos membros deverão ser conselheiros independentes.
– Manutenção em circulação de uma parcela mínima de ações, representando 25% do capital social da companhia.
– Quando da realização de distribuições públicas de ações, adoção de mecanismos que favoreçam a dispersão do capital.
– Adesão à Câmara de Arbitragem do Mercado para resolução de conflitos societários.
– Divulgação de demonstrações financeiras de acordo com padrões internacionais IFRS ou US GAAP.
– Melhoria nas informações prestadas, adicionando às Informações Trimestrais (ITRs) – documento que é enviado pelas companhias listadas à CVM e à BOVESPA, disponibilizado ao público e que contém demonstrações financeiras trimestrais – entre outras: demonstrações financeiras consolidadas e a demonstração dos fluxos de caixa.
– Melhoria nas informações relativas a cada exercício social, adicionando às Demonstrações Financeiras Padronizadas (DFPs) – documento que é enviado pelas companhias listadas à CVM e à BOVESPA, disponibilizado ao público e que contém demonstrações financeiras anuais – entre outras, a demonstração dos fluxos de caixa.
– Melhoria nas informações prestadas, adicionando às Informações Anuais (IANs) – documento que é enviado pelas companhias listadas à CVM e à BOVESPA, disponibilizado ao público e que contém informações corporativas – entre outras: a quantidade e as características dos valores mobiliários de emissão da companhia detidos pelos grupos de acionistas-controladores, membros do Conselho de Administração, diretores e membros do Conselho Fiscal, bem como a evolução dessas posições.
– Realização de reuniões públicas com analistas e investidores, ao menos uma vez por ano.
– Apresentação de um calendário anual, do qual conste a programação dos eventos corporativos, tais como assembléias, divulgação de resultados etc.
– Divulgação dos termos dos contratos firmados entre a companhia e partes relacionadas.
– Divulgação, em bases mensais, das negociações de valores mobiliários e derivativos de emissão da companhia por parte dos acionistas – controladores.
– Além de presentes no Regulamento de Listagem, alguns desses compromissos deverão ser aprovados em assembléias gerais e incluídos no Estatuto Social da companhia.
Algumas empresas adotam algumas práticas de governança corporativa, mas não se enquadram em todas as regras do Novo Mercado. Elas estão, no entanto, qualificadas a integrar um segmento de listagem especial da BOVESPA que reúne empresas com Níveis Diferenciados de Governança Corporativa, divididos em duas categorias: Nível 1 e Nível 2.
As Companhias Nível 1 comprometem-se, principalmente, com melhorias na prestação de informações ao mercado e com a pulverização das ações.
As Companhias Nível 2, por sua vez, comprometem-se a cumprir as regras aplicáveis ao Nível 1 e, adicionalmente, um conjunto mais amplo de práticas de governança relativas aos direitos societários dos acionistas minoritários.
Com o objetivo de medir o desempenho de uma carteira teórica composta por ações de empresas que apresentem bons níveis de governança corporativa, a BOVESPA criou o IGC – Índice de Ações com Governança Corporativa Diferenciada. Para pertencer ao IGC, as empresas precisam ser negociadas no Novo Mercado ou estar classificadas nos Níveis 1 ou 2 da BOVESPA.
De julho de 2001 a abril de 2007 o IGC acumulou uma alta de 460%.
1.6 Ibovespa
O Índice Bovespa é o mais importante indicador do desempenho médio das cotações do mercado de ações brasileiro. Sua relevância é fruto do fato de representar mais de 80% do volume de negócios realizados no mercado à vista, além de sua tradição desde 1968.
A finalidade básica do Ibovespa é a de servir como indicador médio do comportamento do mercado, e sua composição procura se aproximar o máximo possível da real configuração das negociações à vista na BOVESPA.
A carteira teórica do Ibovespa é composta pelas ações que atenderam cumulativamente nos últimos 12 meses aos seguintes critérios:
– estar incluída em uma relação de ações cujos índices de negociabilidade somados representem 80% do valor acumulado de todos os índices individuais;
– apresentar participação, em termos de volume, superior a 0,1% do total;
– ter sido negociada em mais de 80% do total de pregões do período.
A participação de cada ação na carteira depende de sua representatividade em termos de número de negócios e volume financeiro em relação ao mercado como um todo. Uma ação selecionada para compor a carteira só deixará de participar quando não conseguir atender a pelo menos dois dos critérios de inclusão anteriormente indicados ou no caso de estar sob regime de recuperação judicial, processo falimentar, situação especial ou sujeitas a prolongado período de suspensão de negociação.
Vale destacar que a carteira do Ibovespa é reavaliada ao final de cada quadrimestre. Nas reavaliações identificam-se as alterações na participação relativa de cada ação no índice, bem como sua permanência ou exclusão, e a inclusão de novos papéis. A carteira teórica do Ibovespa vigora para os períodos de janeiro a abril, maio a agosto e setembro a dezembro.
1.7 Corretora
As sociedades corretoras são instituições financeiras credenciadas pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários e pela própria Bolsa de Valores, e estão habilitadas a negociar valores mobiliários em pregão. As corretoras podem ser definidas como intermediárias especializadas na execução de ordens e operações por conta própria e determinadas por seus clientes, além da prestação de uma série de serviços a investidores e empresas.
A escolha do intermediário que irá administrar os recursos do investidor exige muita atenção, sendo importante alguns requisitos básicos como:
– tradição e solidez da instituição como administradora de recursos;
– idoneidade pessoal do administrador;
– experiência no gerenciamento de recursos, relacionado à capacidade de indicar as melhores alternativas e os momentos mais adequados para a realização dos negócios;
– situação legal regular com autorização de funcionamento dada pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários, além de ser membro ativo da BOVESPA;
– competência e ética para atender às necessidades do investidor.
Para efetuar qualquer compra e venda de ações, o cliente precisa abrir uma conta na corretora a partir do preenchimento de uma ficha cadastral e apresentação de alguns documentos exigidos (cópia do RG, CPF, comprovante de residência etc).
É permitido que o investidor tenha conta em mais de uma corretora.
1.8 Home Broker
Para permitir uma maior participação dos investidores pessoa física no mercado acionário e, ao mesmo tempo, tornar mais ágil e simples a atividade de compra e venda de ações, foi criado um canal para a negociação de ações via Internet, o sistema Home Broker. Além da praticidade e rapidez nas negociações, o Home Broker oferece outras vantagens como:
– acompanhamento da carteira de ações em tempo real;
– acesso às cotações (algumas corretoras oferecem também notícias e análises sobre o mercado);
– envio de ordens imediatas, ou programadas, de compra e venda de ações;
– recebimento da confirmação de ordens executadas, canceladas etc.
Em geral, as corretoras que operam via Home Broker exigem de seus clientes saldo disponível em conta corrente na data do envio da ordem para garantir a liquidação financeira da operação. Ou seja, no ato da compra, o sistema da corretora consultará o saldo em conta corrente do cliente, e, caso este não seja suficiente para cobrir a operação, a ordem não será executada e automaticamente cancelada.
Segundo dados da BOVESPA, em abril de 2007 o número de investidores que operavam via Home Broker ultrapassou o nível de 100 mil (40% das corretoras que possuem um sistema Home Broker aderiram à corretagem fixa, isto é, custo fixo independente do tamanho da operação realizada).
1.9 Análise Fundamentalista
A informação sobre o passado e o presente é utilizada para a avaliação de desempenho de uma ação ou do mercado como um todo. Porém, a principal função da informação é servir de subsídio para a projeção do comportamento futuro dos preços das ações.
O estudo do mercado e o momento mais propício para comprar ou vender uma determinada ação podem ser feitos mediante o uso da análise fundamentalista e da análise técnica.
A análise fundamentalista, como o próprio nome sugere, baseia-se nos fundamentos da empresa como:
– informações históricas contábeis e financeiras;
– cenários macroeconômicos, riscos envolvidos, valores éticos e socio-ambientais, entre outros.
A partir da análise conjunta de tais elementos, são definidas as premissas para a elaboração da projeção de resultados para os próximos anos. Essa medida de desempenho permite construir os fluxos de caixa futuros (a quantidade de anos projetados depende da natureza da atividade – em geral são projetados no mínimo cinco anos) a fim de determinar o valor “justo” do negócio.
Com o objetivo de desenvolver uma análise sólida sobre as empresas, o primeiro passo a ser dado é o desenho do quadro econômico do país. Afinal, sem um ambiente econômico positivo as empresas encontrarão dificuldades no desenvolvimento do seu negócio.
A chamada análise macroeconômica trabalha com projeções do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), inflação, consumo pessoal, exportações, importações, balança de pagamentos, déficit público, além das políticas fiscal e monetária (tributos e taxa de juros).
A partir das perspectivas econômicas, é possível classificar os setores da economia mais beneficiados e os mais prejudicados para um determinado cenário.
Após a avaliação econômica e setorial, é possível encontrar as empresas que projetam melhor desempenho entre seus pares. Isso é feito a partir do estudo do balanço patrimonial da empresa e com a análise das contas patrimoniais (caixa, máquinas, instalações, lucros retidos, prejuízos acumulados etc.) e do demonstrativo de resultado. Os principais múltiplos fundamentais de uma empresa são:
– Lucro por Ação (LPA) – Lucro líquido da empresa dividido pelo número de ações existente.
– Valor Patrimonial por Ação (VPA) – Patrimônio líquido dividido pela quantidade de ações existente.
– Preço / Lucro por Ação (P/L) – Esta relação decorre da divisão entre o preço da ação na bolsa pelo lucro líquido por ação (anual ou anualizado por alguma técnica adequada). A princípio, esse resultado espelha o prazo de retorno do investimento, caso o lucro gerado fosse constante ao longo do tempo e distribuído em sua totalidade.
– Preço / Valor Patrimonial por Ação (P/VPA) – Esta relação costuma ser utilizada dentro de um mesmo setor de atividade e avalia o prêmio que o mercado está pagando em relação ao valor contábil da empresa.
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