Trecho do Livro: Táticas Operacionais de Posição em Ações

Autor: Alexandre Wolwacz (Stormer)
Editora: Leandro & Stormer
ISBN: 9788560852000
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Aqui, alguns leitores que não estão acostumados com a metodologia de stops ou dos traders técnicos podem não entender a que estou me referindo.
Não é o objetivo deste livro falar de fundamentos de análise técnica; para isso, existem inúmeros livros básicos sobre o tema. Mas uma rápida revisão pode ser útil.
Existem três tipos de tendências:
1.1 – AS TRÊS TENDÊNCIAS:
Os preços costumam se deslocar em tendências. Essas tendências podem ser divididas a partir da forma com que os topos e fundos se dispõem um em relação ao outro.
São três tendências possíveis:
– Tendência de lado.
– Tendência de alta.
– Tendência de baixa.
1.1.1 – TENDÊNCIA DE LADO
A primeira tendência fácil de ser imaginada é a de lado. É quando temos os topos do mercado sendo efetuados no mesmo nível e os fundos do mercado também no mesmo nível.
Nessa situação, percebe-se que o mercado tem esses limites, e essa seria a forma de distribuição dos preços entre compradores e vendedores.
1.1.2 – TENDÊNCIA DE ALTA
Nesse tipo de situação, temos a relação entre topos e fundos sendo ascendente. Cada topo que temos é mais alto que o topo anterior, e cada fundo que temos é mais alto que o anterior. Esse é o conceito de uma tendência de alta.
Esse tipo de tendência é altamente favorável às pessoas compradas, pois o tempo é aliado ao trader da compra. As pessoas se lembram que ela só sobe e, por isso, seguem na compra pesadamente. Aqui, mesmo as compras ruins podem reverter em lucro.
1.1.3 – TENDÊNCIA DE BAIXA
A relação existente entre os topos e fundos nesse tipo de tendência é de queda. Cada novo topo é mais baixo que o anterior, e cada novo fundo é mais baixo que o anterior. Esse tipo de tendência é especialmente favorável aos traders que operam na venda alugada ou descoberta dos ativos.
Obviamente, a cada dia ou semana que passa o mercado precifica menos por esse ativo. Não é, portanto, um papel que queiramos ter na posição comprada.
Quando visualizamos um ativo que, no semanal, executa esse tipo de movimento, devemos pensar em operá-lo na venda e não na compra.
QUANDO AS TENDÊNCIAS MUDAM
Em primeiro lugar, a tendência só muda quando ela muda. Enquanto ela não tiver mudado, ela continua válida. Assim, uma tendência de alta só deixa de ser uma tendência de alta se a seqüência de topos e fundos ascendentes for suspensa.
Uma tendência de baixa só deixa de ser uma tendência de baixa se a seqüência de topos e fundos em queda for sustada.
A forma mais usual de uma tendência mudar é através dos pivots.
Um pivot de alta termina uma tendência de baixa e inicia uma tendência de alta.
Um pivot de baixa termina uma tendência de alta e inicia uma tendência de baixa.
Para maiores referências sobre esse tema, veja a tática número 7.
Como regra geral, só devemos abandonar uma posição se a tendência em cima da qual estamos operando for revertida.
Dessa forma, se compramos um ativo em tendência de alta e ele mudar de tendência, devemos imediatamente fechar a posição, usando uma ferramenta chamada de stop. Ou seja, fechar a posição com o menor prejuízo possível.
Stop é o ponto em que fechamos uma posição aberta se o mercado atingir aquele determinado preço. Quando temos um stop programado em uma operação, automaticamente teremos o risco máximo da operação. O máximo de perda que teríamos se o mercado fosse contra nossa posição. Assim sendo, entenda o stop como nosso primeiro sistema de segurança.
Muitas vezes, no mercado, vender um ativo com pequeno prejuízo é uma forma de proteger o capital de uma queda ainda maior.
Compramos um papel na expectativa de seguir sua tendência de alta, mas ele reverte e inicia uma tendência de baixa. Qual a solução? Estopar o ativo e sair do papel, procurando outro que esteja em melhor ponto.
O stop é apenas uma das medidas de segurança que usamos como traders técnicos. Existem outras que serão comentadas mais tarde.
AS TRÊS POSIÇÕES NO MERCADO
Agora é importante comentar que existem três posições que podemos assumir no mercado.
A primeira posição é a comprada. Nesta posição assumimos a compra de um ativo na expectativa de que ele venha a subir de preço e seja possível executar sua venda mais caro do que foi comprado. Exemplo: executamos a compra de uma ação ao preço de R$ 3,00. Depois que ele subir, vendemos a R$ 7,00.
A segunda posição possível é a vendida. Nesta posição, vendemos um ativo (que não está em nossa custódia) na expectativa de que, na queda dos seus preços, possamos comprar mais barato e ganhar a diferença. Como vender algo que não temos?
Bem, porque, ao vender um ativo às 10h30 da manhã, não precisamos “entregar” imediatamente as ações vendidas. Teremos de entregá-las no fim do dia. Portanto, podemos esperar que as flutuações levem o preço para baixo daquele em que vendemos e, então, compramos até o fim do dia. Por exemplo: vendemos um ativo ao preço de R$ 7,00 no início da manhã, esperamos sua queda ao longo do dia e compramos a R$ 6,15, lucrando os R$ 0,85 nessa operação. Digamos que tenhamos vendido mil ações a R$ 7,00; imediatamente entra na nossa conta R$ 7.000,00, menos corretagem. Ao recomprar as mesmas mil ações antes do fim do dia para entregá-las, vamos gastar R$ 6.150,00 mais corretagem. Com isso, embolsamos R$ 850,00 menos corretagem em uma operação de day trade.
Obviamente que o position não opera day trade, então como fazer para ganhar dinheiro com ativos em tendência de baixa no semanal? Nós alugamos o papel e efetuamos a venda dele. No princípio, não temos o ativo. Temos apenas dinheiro na corretora para garantir a operação. Encontramos um ativo em tendência de baixa no semanal. Alugamos o ativo junto com a nossa corretora e efetuamos a venda. Podemos ficar “vendidos” quanto tempo quisermos ou até que nosso contrato de aluguel vença. O custo de um aluguel varia conforme o ativo, mas fica em taxas de 5% a 10% ao ano, sendo o custo pró-rata.
Existem dois tipos de contrato de aluguel. Um reversível, que pode ser terminado a qualquer momento que o trader desejar, e esse é o ideal. E existe o contrato de aluguel irreversível, em que o trader só pode devolver o ativo quando terminar o prazo do aluguel.
Nesse tipo de transação, existem três figuras implicadas. A primeira: nós, que estamos querendo ficar vendidos por um prazo mais longo. A segunda: um grande fundo ou investidor que não quer vender o ativo, que precisa, por regulamentos internos, ter em carteira determinada quantidade de um ativo. Nesse caso, ele coloca à disposição os ativos para aluguel. A terceira figura é o sujeito que irá comprar as ações alugadas que estaremos vendendo.
Óbvio que, quando recomprarmos as ações, não será da mesma pessoa para quem vendemos originalmente, assim como as ações recompradas não serão exatamente aquelas que foram vendidas. O sistema casa as ofertas da melhor maneira possível e trata todas as ações da mesma forma. Então, posição vendida pode ser descoberta, que tem que ser fechada no mesmo dia. Ou pode ser posição vendida alugada.
A terceira posição possível no mercado é a posição “de fora”. Neste caso, não estamos nem comprados, nem vendidos, mas sim esperando o momento ideal de abrir alguma das outras posições.
Aliás, a posição de fora é extremamente importante e deve ser muito utilizada pelo trader, pois é ela que permite estarmos com o dinheiro certo e livre na hora certa e no momento certo. Ela que vai dar o timing ao trader. Se um trader não consegue ficar de fora ou líquido, ele verá excelentes pontos de entrada passarem em sua frente sem ter o capital necessário para efetivá-los, enquanto seu capital está preso em alguma operação inerte e errática. Dessa forma, não tenha medo de ficar líquido. Tenha medo, sim, é de ficar todo tempo posicionado; isso demonstra falta completa de serenidade, tranqüilidade e eficiência no timing das operações.
Resumo:
Três tipos de posição:
1) Posição comprada – Comprando por um preço baixo e vendendo quando o preço subir.
2) Posição vendida – Vendendo por um preço alto e recomprando quando estiver mais baixo.
3) Posição de fora – Líquido no mercado, esperando uma ótima entrada.
1.2 – COMO PENSAR EM MONTAR POSIÇÕES CONFORME O MERCADO
Um dos erros freqüentes dos traders é não se adaptar às condições do mercado. Acabam operando o mercado como se ele estivesse sempre no mesmo humor ou na mesma tendência. Seria como um surfista que, todos os dias, ao entrar no mar, entra neste da mesma maneira, com a mesma forma de surfar, sem se importar com a cor da bandeira ou com as condições específicas do mar naquele dia.
Bem, aqui, então, vai uma dica: o mercado muda freqüentemente de humor, e nós temos que mudar junto com ele. Quando fica em uma tendência de alta, temos de agir de uma maneira. Quando fica em tendência de baixa, de outra maneira.
Para ajudar o trader a ganhar flexibilidade operacional, eu desenvolvi um sistema simples de modular a forma operante.
OS TRÊS MODOS OPERACIONAIS:
Temos três modos operacionais a serem bem definidos. Uma vez identificados, devem ficar escritos em cores diferentes no gráfico em qual modo estamos operando para sempre nos lembrarmos de qual forma devemos estar procedendo.
- Primeiro modo
O primeiro modo se chama modo operacional de compra. Quando está ligado, assinamos em verde no topo do gráfico.
Quando temos o mercado em tendência de alta: somente abra posições compradas – pontos de compra em todos os suportes identificados e no rompimento dos topos anteriores. Não abra posições vendidas.
- Segundo modo
O segundo modo se chama modo operacional de lado; uma vez tendo o topo no mesmo nível do anterior ou fundo no mesmo nível do anterior, escrevemos em amarelo no topo do gráfico que esse modo está acionado.
Quando temos o mercado em tendência de lado: abra posição comprada nos suportes, desde que a diferença do preço do suporte até o preço da resistência esperada seja maior que 20%. Abra posição vendida nas resistências, desde que a diferença do preço da resistência até o preço do suporte seja maior que 20% . Não compre rompimentos.
- Terceiro modo
O terceiro modo é o modo operacional de venda; uma vez identificados topos e fundos em queda, colocamos em vermelho no topo do gráfico a sinalização anunciada.
Quando temos o mercado em tendência de baixa: somente abra posições vendidas – pontos de venda nas resistências. Não abra posições compradas.
Tendo esse sistema de modos operacionais ativado, estaremos operando sempre conforme a situação do ativo que estamos acompanhando.
- Resumo:
Modo operacional de compra – Topos e fundos ascendentes no semanal.
Modo operacional de lado – Topos e fundos de lado no semanal.
Modo operacional de venda – Topos e fundos descendentes no semanal.
1.3 – METODOLOGIA DE ACOMPANHAMENTO DO MERCADO
Uma vez definido que sua meta é realizar trades de curto prazo, automaticamente você precisa se dispor a seguir esse método; para isso, não deverá olhar o mercado todos os dias. Se ficar acompanhando todos os dias o mercado, certamente sairá das posições antes do que deveria, terá um aumento no nível de estresse e terá muita dificuldade de seguir a estratégia de curto prazo da forma correta. Portanto, se você definiu que esse é o tipo de operação que deseja realizar, então você só poderá olhar o mercado e a sua posição duas vezes por semana. Ou melhor, você só se permitirá olhar o mercado em dois momentos da semana. Isso mesmo, somente duas vezes por semana. Idealmente, uma no fim de semana, sábado ou domingo, e uma outra vez no meio da semana. No fim de semana, período em que se terá mais tempo para pensar e analisar, será a hora certa de planejar, exceto quando o mercado estiver próximo de um ponto possível de entrada definido no fim de semana.
Planejar é o trabalho do trader. A maior parte do trabalho do trader é ficar planejando seus trades de forma cuidadosa, cautelosa e prudente. O trabalho do trader não é ficar fazendo centenas de trades. Isso não é ser um trader profissional. Um trader profissional é aquele que só entra em posições que tenham sido cautelosamente planejadas, estudadas e, somente então, executadas.
O tempo do planejamento é justamente quando o mercado não esta andando: no fim de semana. Depois de ter feito seu plano no fim de semana, durante a semana vai-se acompanhar apenas para verificar se o mercado chegou ao ponto de entrada planejado. Caso não tenha se aproximado dele, não se opera.
Claro, existirá uma angústia inicial por não estar olhando o mercado todo o tempo, especialmente se o trader estiver “viciado” no mercado. O “vício” no mercado é extremamente freqüente e causa gigantescos problemas para quem tem alguma esperança de resultados consistentes no mercado financeiro. O trader profissional precisa saber controlar sua angústia, seu “vício”, sua necessidade de operar todos os dias.
Assim sendo, a sugestão para os traders que vão operar no curto prazo é: sábado, use o horário das 10h às 11h30min para planejar. Segunda-feira, perto do horário de fechamento do mercado, seria a hora de dar uma segunda olhada no mercado.
Por que sábado de manhã? Porque, após uma boa noite de sono, estamos nas melhores condições de avaliar o gráfico que vamos examinar. Isso é fundamental para que possamos pensar e planejar com clareza. Além disso, durante o fim de semana, o mercado está parado, não existe pressão de tomada de decisão urgente ocorrendo, temos tempo para raciocinar e observar todos os aspectos da operação que estivermos considerando. Segunda-feira será o dia de ajustar stop ou observar se o mercado chegou ao nosso ponto de entrada planejado no sábado de manhã. Como nós só vamos entrar em um ativo se ele atingir determinado preço no fechamento, nós só precisamos olhar o mercado perto desse momento. Exceção feita se precisarmos ajustar algum stop; nesse caso, será importante olhar 15 minutos antes da abertura de segunda-feira.
EXEMPLO DE METODOLOGIA DE ACOMPANHAMENTO
Imagine que é sábado de manhã. Acaba de ver um harami, padrão de reversão clássico em cima de um suporte dado pelo fundo anterior. Operar o harami é muito simples e, mais adiante, falaremos com detalhes sobre isso. Mas então, vendo esse candle, planejamos, na semana seguinte, entrar no ativo assim que fechar qualquer dia acima da máxima do candle menor, ou filhote. No exemplo, assim que fechar acima de R$ 870,00.
Na segunda após às 17h olhamos para verificar o fechamento do papel. Agora, olharemos o gráfico diário, pois estaremos esperando o fechamento do dia acima do preço indicado.
Caso não rompa na segunda, olharemos no dia seguinte e no seguinte até que tenha ocorrido a entrada ou o fim da semana. O plano inclui o stop abaixo da mínima do candle maior do harami. No caso, abaixo de R$ 795,00.
Note que nossa entrada, então, foi feita somente na quinta-feira, quando fechou acima de R$ 870,00 no after market com stop abaixo de R$ 795,00. Não olharemos o papel até sábado de manhã.
Por que não ficar olhando todos os dias? A minha resposta é: por que ficar olhando todos os dias? Se o ativo estiver subindo, estaremos dentro, se o ativo estiver caindo e bater no stop, este automaticamente nos tira da posição; se o ativo estiver de lado, nada acontece e nós não perdemos tempo. Para o trader que usa o prazo semanal de operações, não existe motivo para olhar o dia-a-dia do mercado; se o fizer, certamente estragará suas posições que foram montadas usando um gráfico muito mais forte que é o semanal.
Nem todas as semanas são semanas boas para estar dentro do mercado. Deixe-me refazer a frase: a maior parte das semanas de um mês são péssimas para operar. Fortalecendo a frase anterior: teremos, no máximo, um ou dois pontos de entrada no gráfico semanal no meio de várias outras semanas. Nessas semanas em que não está claro o ponto de entrada, o trader de posição precisa saber fazer uma coisa que necessita realmente de muita disciplina: esperar.
Esperar pela semana certa, pelo set-up certo, pelo momento certo, não agir antes nem depois, mas sim na semana certa.
Parece difícil, mas essa é a missão dos traders mesmo. Eles precisam esperar pelo momento certo para tomar a posição. Um day trader espera várias horas pela hora certa para agir. O swing trader espera vários dias pelo dia certo de agir. O position espera várias semanas pela semana certa.
Por isso, durante o exame do mercado feito no sábado de manhã, algumas perguntas que precisam ser formuladas pelo trader são vitais.
Silenciosamente, ele procura os suportes, procura os candles de reversão, procura os pontos de entrada, Fibonaccis de suporte. Procura as resistências. E, depois disso, ele monta as eventuais estratégias para aquela semana: ponto de entrada, ponto de stop e outras definições.
O trader sabe que só deve fazer movimentos perto de suportes ou perto de resistências. Portanto, a primeira pergunta a ser respondida ao olhar o gráfico é: “Qual o modo operacional?”
Segunda pergunta: “Estou perto de algum suporte ou resistência importante?”
Terceira pergunta: “Na semana que vem, tenho de fazer algum movimento? Ou não?”
O costume de formular essas perguntas esclarece as idéias do trader que estará planejando tudo no fim de semana.
Novamente, para reforçar: olhe o mercado somente duas vezes por semana. Caso contrário, você será hipnotizado pelos movimentos menores dos gráficos inferiores. Dessa forma, olhe no fim de semana, e, se o gráfico semanal não apresenta nenhum ponto de entrada ou nenhum ponto de ação para a semana seguinte, então não há necessidade nem de olhar o mercado durante os dias úteis. Você voltará a olhar somente no fim de semana. Agora, se, ao examinar um gráfico no fim de semana, você identificar a proximidade de um suporte, um candle de reversão, um ponto de entrada interessante que possa ser alcançado durante a semana seguinte, bem, então, essa será uma semana em que você deverá olhar o fechamento de cada dia até que tenha ocorrido um fechamento acima ou no seu ponto de entrada planejado.
Nós apresentaremos no desenrolar do livro uma técnica de manejo de risco. Essa técnica diminuirá o risco de qualquer operação efetuada a, no máximo, 2% do capital do trader.
O correto uso da fórmula de manejo de risco apresentada vai promover a segurança vital às nossas operações, permitindo que, naqueles trades nos quais acertarmos, tenhamos uma rentabilidade elevada e, nos trades nos quais formos estopados, não tenhamos perdido capital suficiente para sequer nos preocuparmos. Além disso, saber que, se a operação que efetuamos não der certo, perderemos menos de 2% do nosso capital nos deixa mais tranqüilos para sequer olharmos o mercado durante a semana. Não precisamos olhar o mercado porque nosso stop já está ligado, se o preço cair até ali, a posição será fechada e, se não cair até ali, é sinal de que estamos bem na operação.
O uso desse sistema que será apresentado mais adiante dará a serenidade necessária. É vital sua correta, fidedigna e sistemática utilização. Infelizmente, muitos traders têm uma resistência natural ao uso de regras que limitem os riscos, pois elas, ao mesmo tempo, impõem a necessidade de disciplina. E exatamente o que muitas pessoas consideram interessante no mercado é o fato de serem donas de seus próprios destinos, o que acaba sendo uma incongruência. Você busca a liberdade de agir, encontra-a no mercado, mas, para sobreviver nele, você precisa se auto-impor normas e regras.
Impressionante como as pessoas têm uma resistência natural a esse tipo de operação. Talvez porque ela remova totalmente a sensação de aventura e a emoção do trade. A decisão já foi tomada, nós só vamos entrar se o mercado fizer exatamente o que tínhamos pensado.
Essa metodologia de acompanhamento é fixa, rígida e não admite que o trader não a siga rigorosamente. Se o trader montar uma operação no semanal, entrar no ativo e depois ficar olhando todos os dias, acabará cometendo erros. Essa ansiedade gerada pelo gráfico de menor periodicidade acaba por confundir o trader. Acaba, muitas vezes, fazendo com que o trader de posição feche uma operação desenhada no semanal apenas porque viu uma estrela ou doji ou qualquer outro candle de reversão no diário. Depois que entrar no ativo, ligue o stop, desligue o computador e esqueça do papel até o sábado seguinte. Essa é uma das melhores orientações que podemos lhe passar, e sabemos que você terá forte resistência a cumprir isso.
Essa resistência surge do fato de você estar acostumado a olhar gráficos diários, que, por sua própria característica, mudam rapidamente de tendência. Mudam rapidamente de direção. Assim sendo, você acaba pensando que o semanal também executa esses movimentos abruptos, essas mudanças de idéia instantâneas. Bem, temos uma ótima notícia para você. O gráfico semanal não muda de tendência tão facilmente. O gráfico semanal, pelo peso de sua representação, acaba sendo inexorável na manutenção de sua tendência, seja ela de alta ou de baixa. Nós veremos um gráfico semanal mudar de tendência uma ou duas vezes em um ano inteiro de operações.
STOPS
Em vários momentos desse livro, diremos: “comprar se romper a máxima da semana anterior”. Ou, então, mencionaremos: “colocar stop abaixo da mínima da semana anterior.”
A dúvida que muitos têm é: quando realmente rompeu a máxima? Quanto abaixo da mínima da semana anterior? Portanto, para uniformizar a linguagem, quando mencionarmos romper a máxima, estaremos nos referindo à técnica de fura-teto e, quando nos referirmos a perder a mínima, estaremos nos referindo à técnica fura-chão.
O que chamamos de fura-chão ou fura-teto, em verdade, é uma adaptação da técnica do envelope de Joe Ross. Na técnica descrita e criada por ele, o coeficiente 0,14 é utilizado nas congestões, retângulos, triângulos ou pivots para identificar a ruptura da resistência ou do suporte dessas áreas. Nós puxamos esse conceito e o utilizamos, não em cima de congestões, mas em cima de um candle semanal, que se desenhe em cima de um suporte ou de uma resistência para, dessa forma, identificar o preço exato em que devemos tomar alguma atitude na semana seguinte.
FURA-TETO
Para identificar um rompimento verdadeiro de uma resistência no semanal, marcamos o suporte da congestão, a resistência da congestão. Calculamos sua amplitude.
Multiplicamos a amplitude por 0,14. Teremos o resultado, que deverá ser adicionado à resistência. O preço resultante é aquele no qual o mercado precisará fechar acima em qualquer dia da semana para realmente ter rompido a resistência.
Assim sendo, na figura 7, temos um exemplo do método em utilização, calculando o fura-teto para efetuar a compra caso seja rompido esse ponto na semana seguinte.
Cálculo = [(Máxima - Mínima) x 0,14] + Máxima da semana, ou seja:
[(R$ 7,23 - R$ 6,85) x 0,14] + R$ 7,23 = R$ 7,28
Assim, fica estabelecido que qualquer dia na semana seguinte que feche acima de R$ 7,28 estará orientando compra no after-market ou na abertura do dia seguinte. Esse é o nosso ponto de ação na semana seguinte. Ficaremos olhando todos os fechamentos da semana seguinte até que algum dia feche acima desse preço e nós possamos montar a nossa entrada.
FURA-CHÃO
O sistema de stop fura-chão é um sistema muito sensível de stop que pode ser utilizado de duas formas:
1) Calculando a amplitude de uma congestão formada por mais de um candle semanal (essa forma é mais segura e, ao mesmo tempo, obtém um stop mais longo), e;
2) Calculando o fura-chão de uma única semana. A primeira idealmente como stop de entrada após ter iniciado uma operação. A segunda forma é ideal para deixar um stop muito curto no ativo que estivermos comprados quando ele se aproximar de uma resistência antecipada.
Assim sendo, no exemplo da figura 7, em que traçamos nosso ponto de compra ao fechar acima de R$ 7,28, que era nosso fura-teto, podemos, ao mesmo tempo, calcular o fura-chão daquela semana e, com isso, o ponto de stop.
Stop de posição comprada = Mínimo – [(Máximo - Mínimo) x 0,14], ou seja:
R$ 6,85 – [(R$ 7,23 - R$ 6,85) x 0,14] = R$ 6,79
Dessa forma, após nossa entrada em R$ 7,28, nosso ponto de stop pelo fura-chão fica em R$ 6,79. O coeficiente 0,14 é o fator de ajuste identificado.
Nosso stop fica nesse ponto ou logo abaixo. Lembre-se: se o nosso stop cair em cima de um número redondo, não coloque nesse valor. Assim sendo, supondo que fizemos o cálculo e o resultado foi R$ 5,00. Não coloque o stop exatamente em cima do valor redondo R$ 5,00, coloque em R$ 4,93. Por quê? Porque, à medida que os preços se aproximam de um número redondo, esse número, psicologicamente, serve de imã ao mercado. Então, se um preço se aproxima de R$ 5,00, o teste desse número redondo é muito provável. O mercado segue caindo até bater nesse número e ali encontrar suporte.
Da mesma forma para cima. O IBOVESPA subindo, se aproximando dos 30.000 pontos, leva todo o mercado a querer “ver” esse teste e ir subindo até ali. Ao atingir esse valor, entra a força de venda, e o mercado sente o número. Os números redondos, psicologicamente, funcionam como importantes suportes e importantes resistências. Por exemplo: quando vemos um trader pesado ordenar uma compra forte, ele o faz da seguinte maneira: “Compre tudo até os R$ 50,00!”. Não se vê um trader ordenar: “Compre tudo até R$ 49,73!”. Mesmo quando se trata de um trader menor no mercado, que pensa em comprar uma ação de valor próximo dos R$ 7,40, sua idéia de venda é arredondada para perto de um número redondo tipo R$ 9,00 ou R$ 10,00.
Exatamente por isso, nossos stops não devem ser compostos de números redondos, mas sim de números fragmentados.
A real importância no stop é que ele é basicamente o freio do nosso carro, limitando as perdas que possamos vir a ter em qualquer operação que tenhamos.
É vital que o trader tenha sempre um stop programado para cada uma de suas operações. Não existe operação para um trader se ele não tiver um stop programado.
Um stop bem planejado sendo acionado, no prejuízo, não é problema. O problema é não ter um stop planejado e, depois que o ativo despencou quilômetros, pelo desespero fechar uma posição com um megaprejuízo. Ruim não é o seu stop ser acionado, ruim é você não ter stop.
Existe, nos traders iniciantes, uma resistência a acionar ou posicionar stops. Isso porque eles não querem aceitar perdas em nenhuma hipótese. Essa não é a maneira ideal, psicologicamente, de encarar o mercado. Primeiro, porque acionar um stop não é uma perda, mesmo que no prejuízo, não é. Perda é quando você realiza algo fora do programado.
Risco de negócio é quando você perde parte de um capital empregado em uma operação planejada, estruturada e programada.
Quando um trader compra um ativo, ele entende que ele está fazendo um negócio. E, nesse negócio, como em todos os negócios, existe um risco.
O trader tem que entender que toda operação iniciada sempre inicia no prejuízo. Ou seja, ao abrir uma posição você já está perdendo. O que você já está perdendo? Os custos de corretagem com certeza, o custo do stop também deve ser considerado perdido. Uma vez entendendo que o risco do negócio feito nessa operação é o valor que existe entre o ponto em que foi efetuada a compra e o ponto onde se encontra o seu stop, o trader começa a entender o conceito de manejo de risco.
Primeira e maior de todas as regras – o sistema de manejo de risco
Uma das questões que os traders menos experientes não gastam tempo pensando é: quantos lotes devem ser comprados em cada trade iniciado. Geralmente eles entram com todo ou quase todo o capital disponível no momento. Esse é um grande erro. Mesmo que tenha vários trades positivos, no primeiro negativo, pelo tamanho exagerado da posição, se entrega todo o lucro dos trades anteriores.
Portanto, o trader profissional sabe que deve dosar a quantidade de lotes a serem introduzidos na operação. Quantos lotes nós compraremos? Aqui, cabe o uso de um sistema de manejo de risco.
Como não acertaremos todos os trades que realizarmos, os que errarmos não podem comprometer de forma significativa o nosso capital. Para que isso ocorra, devemos limitar o número de lotes que compramos em relação ao risco da operação executada. Assim sendo, nas operações mais seguras, especificamente naquelas em que compramos pertíssimo do suporte, podemos comprar um maior número de lotes. Nas operações de maior risco, em que compramos longe do nosso ponto de stop, devemos, por prudência, comprar um menor número de lotes.
A regra é: não se permitir perder mais de 2% do seu capital em um único trade.
Existe uma fórmula rápida para nós sabermos quantos lotes devemos comprar de um determinado ativo.
RC – Corretagem = Tamanho do lote
______________
PE – PS
RC (risco calculado) é o máximo de perda que sua conta pode tolerar em um único trade.
Para calcular isso:
RC é o capital de investimento x 2%.
PE é o preço em que ocorreu a entrada no ativo.
PS é o preço do stop.
Dessa forma, o resultado dessa diminuição é o tamanho de capital que está em risco no trade específico. Note, 2% é um valor destinado para traders que operem com um capital entre R$ 10.000,00 e R$ 150.000,00. Para capitais maiores, devemos reduzir ainda mais a margem de risco. Seguindo uma tabela:
Capital (de – até – risco)
R$ 10.000,00 – R$ 150.000,00 – 2%
R$ 150.000,00 – R$ 250.000,00 – 1,5%
R$ 250.000,00 – R$ 350.000,00 – 1%
acima de R$ 350.000,00 – 0,5%
Peguemos um exemplo:
Digamos que um trader tenha R$ 150.000,00 para operar no mercado.
Usando o manejo de risco, ele se permitiria perder no máximo 1,5% em uma operação. Ou seja, R$ 2.250,00 é o máximo de risco em qualquer operação. Ao observar o gráfico da figura 9, ele identifica um suporte, identifica uma compra ao romper o fura-teto da semana com um stop no fura-chão.
Nesse caso o fura-teto é em R$ 11,07, e o fura-chão em R$ 10,43.
O trader, efetuando essa operação, sabe que tem um risco de negócio de R$ 0,64.
Para que ele saiba exatamente quantos lotes poderiam ser comprados mantendo o risco de negócio em no máximo R$ 2.250,00, basta dividir o valor máximo de risco pelo fator de risco de negócio. R$ 2.250,00/R$ 0,64. O resultado seria a permissão de comprar 3.515 ações. No caso, para operar somente com lotes integrais, poderia optar por comprar 3.500 ações a R$ 11,07, o que teria um custo aproximado de R$ 38.745,00. Esse é o limite máximo de ações que pode ser comprado nessa operação.
Se esse sistema de manejo de risco for utilizado pelo trader, não haverá possibilidade de perdas maiores do capital. Obviamente que o sistema muitas vezes impede que o trader monte megaoperações. E é exatamente isso que deve ser feito, pois megaoperações, quando dão errado, causam megaprejuízos, muito maiores do que poderiam ser permitidos ou suportados pelo capital.
A beleza desse sistema é a segurança implícita que ele fornece ao trader. Que agora sabe que, caso seu stop seja acionado, a perda é perfeitamente tolerável. Outro aspecto interessante dessa regra é a idéia de que, se a compra for próxima do suporte, será automaticamente próxima do stop e, nesse sistema, será permitida uma compra mais forte. Caso se opte por uma compra longe do suporte, com um stop mais longo, a regra nos força a diminuir a quantidade de capital exposta ao risco.
Não existe trader técnico bem-sucedido que não tenha um sistema de manejo de risco em suas operações e que lhe diga qual a força que deve aplicar em cada diferente trade.
Se você operar sem um sistema de manejo de risco, mais cedo ou mais tarde será esmagado por uma perda maior, que destruirá meses de operações bem-sucedidas.
Sempre use o manejo de risco. Nunca opere sem manejo de risco.
Não existem palavras suficientes no mundo para reforçar a importância de sempre usar esse sistema. É mais importante do que qualquer outra ferramenta que está neste livro.
Portanto, daqui para frente, em todos os set-ups de entrada que forem citados neste livro, considere automática a aplicação do manejo de risco. Em toda e qualquer compra ou venda planejada, sempre será usado o sistema descrito para identificar quantos lotes foram operados.
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