Literatura Brasileira

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Trecho do Livro: Avaliando Empresas, Investindo em Ações
Avaliando Empresas
Autores: Carlos Alberto Debastiani e Felipe Augusto Russo
Editora: Novatec
ISBN: 9788575221792

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Vamos iniciar nossa abordagem sobre análise fundamentalista buscando entender, no decorrer deste capítulo, qual a natureza dos diversos fatores relacionados à macroeconomia que podem interferir nos negócios ou no mercado de uma empresa, avaliando também o grau dessa interferência.

Consideramos esse tema de vital importância – razão pela qual decidimos tratá-lo logo no início, a fim de conceituar muito bem cada um desses fatores –, dada sua influência sobre a vida das empresas.

Detalhamos, a seguir, os principais indicadores macroeconômicos que o investidor deverá levar em consideração durante a análise de uma empresa. Elencamos também os efeitos positivos e negativos que cada um deles pode desencadear, e como esses efeitos afetam, de forma prática, a vida de uma empresa.

Índices de inflação

Os índices de inflação são os termômetros da economia de um país, indicando o grau de equilíbrio entre a oferta e a demanda. Por meio deles, percebemos, nos diversos setores da economia, o quanto as empresas estão preparadas para atender os consumidores em relação à capacidade produtiva.

Quando o consumo se aquece e não há oferta suficiente, o índice de inflação apresenta uma variação positiva. De forma análoga, havendo redução no consumo, o índice tende a variar negativamente, forçado pela presença da oferta maior que a demanda.

Os índices de inflação são calculados por meio de uma composição de pesos. Por exemplo, se dissermos que o leitor vive somente de pão e água e supormos que o peso de cada um desses itens é de 50% em seu orçamento, poderemos criar o Índice Leitor. Sua composição seria a seguinte:

Índice Leitor = (Variação de Preço do Pão x 50%) + (Variação do Preço do Litro de Água x 50%)

Se em 1 ano o preço do pão aumentasse 20% e o preço da água, 10%, o índice de inflação do leitor seria de 15%. Isso significa dizer que se no ano passado o leitor pagava R$ 1,00 por um pão e um copo de água, este ano pagará R$ 1,15.

Utilizando esse mesmo conceito, entidades como a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calculam regularmente índices que serão utilizados como balizadores de nossa economia.

Entre os índices calculados por essas instituições, merecem destaque os mencionados a seguir.

– Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): Índice de inflação oficial do país utilizado como parâmetro para a política de metas de inflação. É calculado pelo IBGE entre o 1º e o 30º dia de cada mês e reflete o custo de vida para famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos, nas principais regiões metropolitanas do país. Em sua composição estão inclusos os gastos com alimentação, habitação, transportes, comunicação, vestuário, saúde e cuidados pessoais.

– Índice de Preços por Atacado (IPA): Índice calculado pela FGV com base nos preços do mercado atacadista, abrangendo etapas do processo produtivo que precedem o preço do varejo.

– Índice de Preços ao Consumidor da Fipe (IPC-Fipe): Índice calculado pela Fipe com base nos custos de habitação, alimentação, transportes, despesas pessoais, saúde, vestuário e educação para uma faixa de renda familiar de 1 a 20 salários mínimos.

– Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC): Índice calculado pelo IBGE, que mede a variação de preços em produtos de alimentação e bebidas, artigos de residência, comunicação, despesas pessoais, educação, habitação, saúde e cuidados pessoais, transportes e vestuário para uma faixa de renda familiar de 1 a 20 salários mínimos.

– Índice Nacional de Custo da Construção (INCC): Índice específico para o setor de construção. Reflete a variação de preço nos materiais de construção e na mão-de-obra do setor. É utilizado para reajuste de financiamentos diretos ao consumidor.

– Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M): Divulgado pela FGV, é calculado com base no IPA, IPC e INCC, com pesos respectivos de 60%, 30% e 10%, entre os dias 21 de um mês e 20 do mês seguinte. Foi criado para corrigir operações financeiras e atualmente também é utilizado para corrigir alguns títulos públicos, contas de consumo e contratos de aluguel.

– Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-DI): Calculado também pela FGV, possui a mesma composição do IGP-M, porém é calculado para o mês fechado. O índice é calculado três vezes no mês, sendo as duas primeiras chamadas de prévias.

Cada índice de inflação calculado por uma determinada instituição foi concebido com um objetivo específico. Alguns foram elaborados para medir o avanço dos preços em determinados grupos de consumo, outros monitoram setores da economia, ou, ainda, como no caso do IPCA, foi criado para ser o índice oficial de inflação do país. Por possuírem composições e pesos distintos, cada um deles apresenta um resultado próprio.

Além de serem importantes ferramentas para avaliar o equilíbrio entre oferta e demanda, na cadeia produtiva, os índices de inflação são os balizadores da política macroeconômica e determinam características futuras do consumo.

Taxa de juros

A taxa básica de juros da economia, conhecida como taxa Selic, é uma ferramenta utilizada para determinar o nível de atividade econômica. Seu valor é definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom), órgão governamental responsável por estabelecer as diretrizes de política monetária do país.

Na prática, ao fixar uma meta para a taxa, o governo estipula qual será o rendimento das operações efetuadas com o uso de títulos públicos, consideradas as de menor risco da economia. Esse rendimento é costumeiramente chamado de “preço do dinheiro” e define quanto custa um dia do investimento de menor risco dentro da economia. A partir deste, todos os investimentos de maior risco têm suas taxas de retorno definidas a partir do de menor risco. Quanto maior o risco, maior a taxa de retorno e assim sucessivamente, criando um efeito “escada”.

Entendendo esse mecanismo, saberemos que todas as vezes que o Copom alterar a taxa Selic, devemos esperar que as operações de crédito às pessoas física e jurídica, como o cheque especial, cartão de crédito, crédito imobiliário, linhas de financiamento para empresas, descontos, adiantamentos etc., sofram um ajuste em sua taxa, na mesma direção em que a taxa Selic foi ajustada.

Quando o Copom necessita frear a economia, a taxa é elevada, encarecendo o crédito a empresas e ao consumo e levando instituições e investidores a comprar mais títulos públicos e reduzir os investimentos em outros setores. Para aquecer a economia, a taxa é reduzida, diminuindo o custo do capital para investimento, facilitando o crédito ao consumidor e forçando o mercado a vender títulos e procurar outras formas de obter o mesmo retorno, por meio de novos investimentos, novos negócios e financiamento ao consumo.

O Brasil está entre os países de maior restrição monetária, com a maior taxa de juros real do mundo. Esse nível de taxa de juros não é saudável e os reflexos são percebidos nos números de crescimento do país. O custo das linhas de financiamento à iniciativa privada é alto e dificulta a expansão da indústria e a abertura de novos negócios. O custo anual com o pagamento de juros sobre os títulos públicos torna necessária uma arrecadação de impostos extremamente agressiva para manter o equilíbrio fiscal. Isso, por sua vez, encarece ainda mais a atividade das empresas e freia o crescimento econômico. O setor imobiliário, que é grande ator no processo de desenvolvimento de um país, também se prejudica pela dificuldade da formação do financiamento de longo prazo, incompatível com esse nível de juros. Aliado a esses itens, mantém-se um círculo vicioso de alto endividamento das famílias.

Nos últimos anos, com a sistemática melhora dos indicadores macroeconômicos, a diminuição da vulnerabilidade externa e o equilíbrio da balança comercial, o Copom pôde iniciar uma jornada para redução gradual da taxa de juros. Enquanto escrevemos este livro, a taxa Selic encontra-se em 11,25% a.a. Considerando que a taxa de juros dos países com economia desenvolvida, madura e estável é, em média, de 4% a.a., ainda há um grande caminho a ser percorrido para termos uma taxa de juros alinhada à realidade mundial.

No caminho para a taxa de juros ideal, devemos estar atentos aos efeitos que a diminuição dessa taxa pode causar às empresas às quais somos acionistas, bem como aos números que podem levar o Copom a ter de aumentar momentaneamente a taxa de juros para corrigir alguma disfunção inesperada.

O número mais preocupante é sempre a inflação. Ao diminuir a taxa de juros, o crédito fica mais barato tanto para o consumo quanto para a expansão industrial e a comercial. O problema é que isso não acontece simultaneamente. Enquanto, em poucos dias, o crediário fica mais barato, pode levar de 6 meses a 1 ano para que a expansão da linha de produção em uma fábrica fique pronta para produzir um bem de consumo. Esse aumento de consumo antes do momento adequado pode iniciar um processo inflacionário, já que há mais consumidores com dinheiro disponível do que produtos à venda.

Além da inflação, números que apóiam esse acompanhamento são os indicadores de atividade econômica e nível de emprego. Enquanto a taxa Selic for gradualmente reduzida, esses indicadores nos darão segurança de que o consumo e a oferta estão crescendo paralelamente. Enquanto o crescimento se der de forma sustentável, os resultados das empresas mostrarão aumento das vendas sem aumento de custo, e o resultado disso será a evolução no preço das ações das empresas.

Câmbio

A taxa de câmbio é o preço da moeda estrangeira em moeda nacional. No Brasil, o regime cambial praticado pelo governo é conhecido como regime de câmbio flutuante, no qual o preço da moeda é determinado pela relação entre a oferta e a procura.

A taxa de câmbio sobe quando há maior procura pela moeda estrangeira e desce quando há maior procura pela moeda nacional. Eventualmente, o Banco Central do Brasil (Bacen) efetua compras ou vendas pontuais, com o objetivo de conter excessos de alta ou de baixa considerados anormais ou especulativos.

Nesse cenário, onde o mercado determina o preço da moeda estrangeira, o acionista deve concentrar seus esforços na tarefa de antecipar o movimento de longo prazo das moedas para determinar como os negócios da empresa e, por conseqüência, o valor de suas ações serão afetados pela alteração no preço das moedas.

Para empresas exportadoras, a apreciação da moeda nacional, ou seja, a queda no preço do dólar, torna seus produtos ofertados no exterior mais caros, diminuindo sua competitividade.

Para as empresas importadoras ou que dependem de matéria-prima importada, comprada em moeda estrangeira, a apreciação do real torna o custo de produção menor, permitindo um considerável aumento da lucratividade ou, por outro lado, redução do preço final ao consumidor, na busca por uma maior fatia de participação no mercado.

Para a economia como um todo, a apreciação do real torna os produtos importados mais baratos e estimula a importação de bens e serviços.

Em momentos de forte crescimento econômico e aumento do consumo, como o que vimos em 2008, esse estímulo dá fôlego à indústria brasileira, permitindo que a cadeia produtiva se desenvolva no tempo necessário, sem o risco de iniciar um processo inflacionário causado pela escassez de produtos no mercado. Já a desvalorização da moeda nacional, e um conseqüente aumento nos preços dos importados, poderia levar a economia à escassez de bens e serviços, fato que culminaria com um aumento progressivo nos preços do mercado interno.

Desta forma, a apreciação da moeda brasileira perante o dólar, apesar de criticada por alguns setores exportadores prejudicados, é, de forma geral, benéfica para a economia e garante um cenário estável para o crescimento econômico sustentável do país.

Risco país

Conhecido pela sigla EMBI (Emerging Market Bond Index), o índice calculado pelo banco JP Morgan é utilizado para medir o grau de risco de uma economia.

Na prática, não é uma medida de risco, e sim de “diferença de retorno”. O indicador mede a diferença entre a taxa de retorno dos títulos de longo prazo do tesouro americano (considerados de baixíssimo risco) e os títulos de mesma natureza em países emergentes, como o Brasil.

Para conseguir efetuar essa apuração, o JP Morgan calcula a taxa de retorno entre o valor atual e o valor futuro dos títulos brasileiros, sendo que o valor futuro é o valor do título em sua data de vencimento. Após calcular tal taxa, esta é, então, comparada à taxa dos títulos americanos.

Se, por exemplo, os títulos americanos possuem um retorno de 3% a.a. e os títulos brasileiros, 5% a.a., o EMBI-Brazil será de 200, que corresponde a 2%.

A dinâmica de funcionamento do risco país é simples. Quando há aumento da percepção de risco sobre a economia brasileira, os investidores internacionais tendem a vender os títulos brasileiros de longo prazo, fazendo que seus preços caiam. Por terem seu preço de vencimento prefixado, esses títulos passam a ter uma taxa de retorno maior, já que esta é calculada pela diferença entre o preço de mercado (que caiu) e o preço de vencimento (que permanece fixo), fazendo que o risco país suba. Quando a percepção de risco diminui, a alta taxa de retorno atrai os compradores, encarecendo os títulos e diminuindo sua vantagem perante os títulos americanos.

O risco país é, desta forma, um termômetro para saber qual a percepção de risco dos investidores internacionais. Quanto menor o risco país, maior a certeza de que a economia tem atratividade e continuará recebendo investimento externo.

Produto Interno Bruto (PIB)

O PIB representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país durante o período de 1 ano. É calculado pelo IBGE e sua metodologia de cálculo avalia apenas bens e serviços finais, apurando também importações e exportações. É o principal indicador utilizado para medir o nível de atividade econômica do país e sua variação.

O crescimento do PIB indica que o país está ampliando sua capacidade produtiva, de consumo e de exportação e, portanto, gerando um maior volume de atividade econômica. Esse crescimento é de especial interesse para os investidores que estão comprando ações de uma empresa inserida nesse cenário, já que a ampliação da atividade econômica representa maior possibilidade de efetuar negócios para essa empresa e, portanto, maior probabilidade de obter lucro.

De forma análoga, quando o PIB cai, representa uma redução na capacidade de produzir e efetuar negócios. Nessa situação, com a diminuição da atividade econômica da empresa inserida nesse cenário, torna-se desinteressante para o investidor a manutenção das ações em sua carteira.

Para a análise fundamentalista, mais importante que o PIB passado, é o PIB projetado para os próximos períodos. Por ser o principal indicador de atividade econômica, as projeções do PIB afetam diretamente a expectativa futura de consumo por bens e serviços. Desta forma, é importante monitorar os fatores que influenciam o PIB projetado, como demanda interna, câmbio e taxa de juros, que, conforme tratado anteriormente neste capítulo, têm influência sobre a demanda.

Os PIBs de países que mantêm relações comerciais direta ou indiretamente com o Brasil também são importantes, uma vez que as expectativas que recaem sobre eles irão compor as expectativas sobre os resultados das empresas exportadoras no Brasil.

Em um contexto internacional de forte liquidez monetária e incessante busca por investimentos de longo prazo e oportunidades de ganhos, o Brasil está situado em uma confortável zona de risco desde abril de 2008, quando alcançou o grau de investimento (investment grade). Desde essa data, vem sistematicamente atraindo capital de empresas que até então o consideravam muito arriscado para investimentos de longo prazo ou não podiam investir aqui em razão de seus próprios critérios de risco que impediam investimentos em países fora do grau de investimento.

Gastos do governo

Apontados como principal causa de incontáveis problemas econômicos e sociais na história brasileira, os gastos excessivos da máquina pública representam atualmente o mais importante desafio, fundamental e imediato, do governo brasileiro rumo ao crescimento econômico sustentável.

A histórica prática de gastar e depois arrecadar em vez de arrecadar e depois gastar, que levou o país a crises inflacionárias e nefastos cenários recessivos, hoje faz parte do passado. A primeira grande conquista nesse tema foi a lei complementar nº 101, conhecida como Lei da Responsabilidade Fiscal, que estabeleceu normas e políticas de gestão fiscal com o objetivo de garantir o equilíbrio das contas públicas. O equilíbrio fiscal existe e vem sendo possível mantê-lo graças ao crescimento econômico e à febre de consumo existente nos grandes países em desenvolvimento, como a China e a Índia. Entretanto, em um país onde a máquina pública muitas vezes é utilizada com excessivo apelo social para conquista de votos, a eficiência do governo em gerir os recursos públicos está muito aquém do necessário para tornar o Brasil um país competitivo, despontando como pólo de investimentos no cenário internacional.

O principal vilão do orçamento é o sistema de previdência e assistência social, que consome recursos equivalentes a cerca de 12% do PIB nacional. O número é duas vezes maior do que o de países com o mesmo número de idosos. Com gastos tão altos nessa esfera, faltam recursos para investimentos em infra-estrutura, educação e saúde.

O segundo vilão dos gastos públicos é a complexidade do sistema fiscal e tributário, que dificulta a vida das empresas com a sobrecarga de impostos, impedindo um maior crescimento da economia.

Nesse cenário, para o investidor que negocia ações brasileiras, é importante acompanhar a condução desses assuntos pelo governo e perceber se as metas definidas estão sendo cumpridas e quais impactos o ambiente macroeconômico sofrerá a cada mudança de contexto. Os anos de eleição presidencial merecem atenção especial, pois neles é comum haver movimentos no sentido de flexibilizar as políticas de gastos e arrecadação com o objetivo de atingir a população e conquistar votos. É importante perceber se as mudanças nessas políticas são, de forma geral, evolutivas ou se remetem o governo a um estágio anterior.

Uma importante referência para o investidor são as declarações divulgadas pelas destacadas agências internacionais de avaliação de risco, como a Fitch Ratings, Standard & Poor’s e Moody’s, que possuem uma opinião referenciada no mercado internacional e traduzem as expectativas de grandes investidores.

Balanço de pagamentos

O balanço de pagamentos é, para o investidor, uma importante ferramenta que permite monitorar a atividade do país no contexto internacional. Nele estão escrituradas todas as transações financeiras envolvendo empresas e pessoas residentes e não-residentes no país.

Os dados nele contidos são divulgados em dólares norte-americanos, a valores correntes sem ajustamento sazonal. É disponibilizado mensalmente no site do banco central: www.bcb.gov.br

Entre as informações que estão disponíveis no balanço, podemos destacar as seguintes:

– Variação de reservas: Permite avaliar o resultado geral do balanço e observar se esteve em déficit ou em superávit. A mesma informação pode ser obtida na linha “Resultado global do balanço”. A indicação de déficit aponta o país como um cenário de maior risco para os investimentos estrangeiros, afastando-os de nosso mercado, ao passo que a predominância do superávit, e até seu crescimento, atrai novos investimentos para o país, já que passa uma imagem de credibilidade, demonstrando um crescimento sustentado da economia.

– Balança comercial: Permite avaliar o resultado líquido do somatório entre as contas de importação e exportação. Essa informação é importante para avaliar tendências, bem como antever o comportamento do dólar. Quando a tendência é de aumento das exportações, podemos esperar maior entrada de dólares e conseqüente redução no preço dessa moeda. Já o acréscimo nas importações demandará também a necessidade por dólares, aumentando assim seu preço.

– Conta financeira: A entrada e a saída de capital para investimento no país são contabilizadas dentro dessa estrutura. Assim como em um balanço, os grupos desta estrutura são divididos em ativo e passivo. O grupo dos ativos representa os investimentos no exterior detidos por residentes e o grupo dos passivos representa os investimentos no país detidos por não-residentes. Na composição da conta financeira,
podemos destacar:

— a conta de “Investimento direto”, apesar de não possuir a indicação de ativo e passivo, funciona da mesma forma, ou seja, o grupo “No exterior” representa o ativo e o grupo “No país”, o passivo. Essa conta registra todos os ativos e passivos considerados investimentos propriamente ditos;

— a conta “Investimentos em Carteira” registra o fluxo de ativos e passivos compostos de investimentos em ações e títulos de renda fixa, como os títulos de dívida emitidos no país;

— a conta “Derivativos” registra o fluxo proveniente de operações derivadas como swap, opções e futuros;

— por fim, a conta “Outros investimentos” registra os empréstimos e financiamentos de curto e longo prazos, a movimentação de disponibilidades no exterior, cauções, depósitos judiciais e garantias para empréstimos vinculados a exportações.

Além dessas informações disponíveis no quadro principal do balanço, o Banco Central do Brasil disponibiliza, em seu site, dezenas de quadros com o detalhamento das linhas e outras informações consolidadas.

Capacidade de pagamento da dívida externa

A dívida externa pode ser definida como o somatório dos débitos de um país perante seus credores internacionais. Esses débitos podem ser provenientes de empréstimos e financiamentos contraídos no exterior pelo governo ou por empresas estatais e privadas dos mais variados setores.

A capacidade de pagamento da dívida externa é vista pelo mercado como uma medida que se traduz em risco. Se um país possui divisas suficientes para pagar toda sua dívida externa, a chance de alguma situação levá-lo à moratória é muito pequena.

Atualmente, o Brasil se encontra em uma situação confortável em relação à capacidade de pagamento da dívida externa. Com o aquecimento econômico mundial estimulado pelos grandes países em desenvolvimento, como Índia e China, o país se tornou um grande exportador dos mais variados bens e serviços, o que tem trazido um grande volume de capital estrangeiro para cá.

Apesar de essa situação tornar o real mais apreciado perante o dólar, o volume de importações em crescimento não tem sido o suficiente para afetar a balança comercial, que tem se mantido equilibrada.

A atual condição do país o coloca em um cenário onde figura como porto seguro para investimentos entre os países emergentes, posição esta que, somada aos demais fatores conjunturais, permitiu que o país adquirisse a primeira nota do grau de investimento por reconhecidas agências internacionais de avaliação de risco. Com uma classificação de risco menor, governo e empresas terão acesso a empréstimos e financiamentos com juros menores, o que, por sua vez, ajudará na redução da dívida externa e na melhora do perfil de risco. Nesse contexto, o fluxo de capital estrangeiro para investimentos de longo prazo certamente continuará aumentando.

Commodities

Commodities são produtos em estado bruto ou com pequeno grau de industrialização, negociados de maneira global em bolsas de mercadorias e futuros.

Por serem amplamente negociadas e necessárias a todas as economias do planeta, são comercializadas de forma organizada por meio de bolsas que também permitem a negociação de contratos futuros, ou seja, contratos negociados hoje, mas que garantam o fornecimento futuro a um preço predeterminado. Como exemplos de itens negociados nos mercados nacional e internacional de commodities, podemos citar: petróleo, gás natural, ouro, prata, alumínio, cobre, aço, carvão, açúcar, soja, milho, trigo, álcool, etanol, boi gordo, café, cacau e algodão. Esses são apenas alguns exemplos de commodities importantes para o mercado brasileiro, bem como para empresas brasileiras que as vendem ou dependem delas como matéria-prima para seus produtos.

As commodities têm um papel indireto, porém importante no movimento do mercado de ações. A expectativa do preço futuro das commodities, percebida diariamente nos contratos negociados na BM&F e nas demais bolsas mundiais, afeta as projeções de custo e as projeções de faturamento de grandes empresas que possuem seus papéis negociados na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo).

A commodity mais importante do mercado mundial é o petróleo. Em razão de sua complexidade e abrangência, será tratada em tópico específico ainda neste capítulo.

Desde 2007, o forte crescimento econômico de países como China e Índia tem elevado de maneira histórica a demanda por diversas commodities necessárias a seu desenvolvimento, como alimentos, minérios e metais. Nesse cenário, empresas brasileiras exportadoras dessas commodities têm obtido resultado extremamente positivo e grande parte do bom desenvolvimento percebido no país é resultado desse movimento.

Entre as principais empresas que possuem ações categorizadas como blue chips na Bovespa e possuem sensibilidade à variação de preço de alguma commodity, no custo ou na receita, temos:

– Companhia Vale do Rio Doce: Grande exportadora de minério de ferro, alumínio, níquel, cobre, cobalto e metais do grupo da platina. Exporta para países em forte crescimento como China, Índia e países do Leste Europeu.

– Petrobras: Sexta maior companhia de petróleo do mundo, atuando nos segmentos de petróleo e seus derivados, insumos petroquímicos, gás natural e biocombustíveis.

– Metalúrgica Gerdau: Produtora de aço bruto e laminados, atende ao mercado interno e ao externo, tendo sido extremamente beneficiada pelo aumento de preço do aço no mercado mundial.

– Companhia Siderúrgica Nacional (CSN): Produtora de aços planos com grande participação no mercado interno.

O Brasil, por meio de empresas como as citadas anteriormente, é um grande exportador de commodities. A exportação desses produtos representa cerca de 65% da pauta de exportação do país. Esse percentual é tão representativo que acaba por criar um efeito interessante de proteção contra a inflação por meio do câmbio.

Em momentos de grande valorização nos preços das commodities (como o observado desde 2005, com a forte aceleração do crescimento nos países emergentes), espera-se que o aumento nesses preços leve muita riqueza aos países exportadores desses produtos.

Esse aumento de riqueza amplia rapidamente a oferta monetária existente na economia, fazendo que haja uma pressão inflacionária causada tanto pelo aumento de riqueza quanto pelo incremento no preço desses insumos no mercado interno.

Pelo fato de o Brasil possuir um regime de câmbio flutuante, em que a cotação do dólar é determinada pelo equilíbrio entre a oferta e a demanda pela compra da moeda, o “efeito exportação” pressiona a moeda estrangeira para baixo. Por ser um exportador líquido de commodities, o Brasil recebe muita moeda estrangeira, que é trocada por reais para pagar as empresas exportadoras. Isso reduz o preço do dólar, valorizando o real e tornando mais atrativa a importação de produtos internacionais.

Apesar de esse movimento ser criticado por representantes da indústria – uma vez que torna os preços do produto nacional menos competitivos internacionalmente –, esse efeito acaba criando um descolamento inflacionário.

Enquanto os países exportadores com regime de câmbio fixo têm que lidar com o aumento da base monetária e também com o da matéria-prima interna criando políticas monetárias austeras, o Brasil consegue lidar com a situação aumentando a oferta de produtos importados com preços mais baixos, evitando a escalada inflacionária e reduzindo o problema à economia local, que pode ser tratado mais facilmente com aumento da taxa de juros e políticas setoriais para fomentar a oferta local.

Petróleo

Atualmente, o petróleo é a principal fonte de energia do planeta, constituindo-se na matéria-prima básica para fabricação de inúmeros produtos, como combustíveis, lubrificantes e insumos petroquímicos. Situa-se entre as commodities negociadas no mercado futuro que mais afetam a economia em qualquer país do mundo.

Sobre o aspecto da formação de preço, podemos dizer que “o preço do petróleo influencia até mesmo o preço do petróleo”. Apesar da retórica, essa afirmação faz certo sentido ao analisarmos o conjunto de fatores presentes na formação de preço do petróleo e, posteriormente, o efeito desse preço na saúde da economia mundial.

O preço do petróleo é, primeiramente, formado pela relação entre a oferta e a demanda, como qualquer outra commodity.

Na ponta da oferta, temos os países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), à qual pertencem Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Venezuela, Kuwait, Nigéria, Argélia e Iraque, além dos países não-membros representados pela Rússia, Estados Unidos, República Popular da China, México, Canadá, Noruega e Brasil. A OPEP detém 80% das reservas e responde por 40% da produção mundial de petróleo. Tal grandeza faz que os costumeiros conflitos do Oriente Médio, a concentração de mercado e o interesse dos produtores alterem freqüentemente a oferta do produto.

Na outra ponta, a da demanda, temos um conjunto complexo de fatores estruturais e conjunturais da economia que acabam por determinar o quanto a indústria, o comércio e os consumidores finais estarão dispostos a consumir. O acelerado crescimento de países em desenvolvimento como a China, a Índia e o Brasil, a recuperação do setor de aviação após os atentados de 11 de setembro de 2001, a dificuldade em encontrar substitutos baratos para os insumos e combustíveis derivados do petróleo e a imprevisibilidade do consumo são alguns dos inúmeros fatores que determinam a dificuldade em estabelecer a demanda futura de consumo.

O risco da interrupção no fornecimento aliado a um moderno mercado futuro de commodities faz que os consumidores negociem contratos com o objetivo de garantir sua necessidade futura de consumo de petróleo, determinando, desta maneira, seu preço.

Entendendo como funciona a formação de seu preço, podemos observar quais são os principais impactos do petróleo sobre as empresas e a economia, de modo geral.

Qualquer atividade produtiva tem, em sua estrutura de custos, a influência direta ou indireta do petróleo. De combustíveis para máquinas, fornos e veículos a insumos para produção de medicamentos, plásticos, carpetes e materiais sintéticos, toda empresa tem algum nível de sensibilidade a variações no preço do petróleo.

Além dos impactos diretos na produção, existem também os que recaem sobre a logística de distribuição, especialmente num país como o nosso, onde o transporte de matérias-primas e produtos acabados é essencialmente rodoviário ou aéreo e, portanto, totalmente dependente do petróleo. Esse aspecto do impacto causado pelo preço do petróleo tem um efeito do tipo cascata, pois interfere nos custos de toda a cadeia de fornecimento, já que todas as empresas envolvidas se utilizam desse tipo de transporte, mesmo que sua atividade produtiva não tenha alto grau de dependência em relação ao petróleo.

Somado a esse efeito de acréscimo nos custos da produção e, conseqüentemente, no preço do produto final ofertado nas prateleiras das lojas, temos a redução no consumo, causada pela queda do poder aquisitivo do consumidor final, obrigado a pagar mais caro pela gasolina que coloca em seu automóvel ou pela tarifa de ônibus que utiliza para ir ao trabalho.

O resultado dessa soma é a queda no faturamento das empresas e, posteriormente, na apuração de seus lucros em balanço.

Essas são as razões que nos levam a enxergar o reflexo da variação da cotação do petróleo nos movimentos de preços das ações negociadas em bolsas de valores.

Pequenas oscilações para cima e para baixo não chegam a causar grande efeito no preço das ações, uma vez que o mercado de futuros permite aos compradores garantir o preço do petróleo para o fornecimento futuro. Porém, quando há temor de escassez, torna-se difícil projetar o custo, o consumo e, por conseqüência, o resultado financeiro das empresas para os próximos anos. Quando isso ocorre, percebemos uma grande volatilidade no preço das ações. Essa volatilidade representa o temor do mercado sobre a saúde da economia e sua capacidade de crescimento.

Em 1973, os países árabes impuseram um embargo às economias americana e européia, reduzindo drasticamente a oferta de petróleo disponível. O preço da commodity rapidamente quadruplicou. O preço da matéria-prima tornou cara e inviável a atividade de muitas empresas, que fecharam as portas iniciando um ciclo de desemprego estrutural e retração da atividade econômica. Foi a recessão mais forte desde a Grande Depressão de 1932. Em 1979, novos conflitos no Oriente Médio reduziram a oferta criando um novo período recessivo tanto na Europa quanto na América do Norte.

Com relação à economia brasileira, ao avaliarmos a variação do preço do petróleo, sempre devemos considerar a atual capacidade de fornecimento da Petrobras, que coloca o país na situação de auto-suficiência na produção de combustíveis fósseis. Essa situação, aparentemente confortável, transmite à nossa economia certa tranqüilidade com relação às contas externas, uma vez que não se torna mais necessário o endividamento do país com a importação de petróleo.

Para os consumidores internos, entretanto, o aumento de preços do petróleo significa forte alteração na estrutura de custos e, como já citamos, redução na capacidade de consumo que poderia ser direcionada a outros setores da economia.

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Trecho do Livro: Herança – Perguntas e Respostas
Livro Heranca Perguntas Respostas
Autora: Ivone Zeger
Editora: Mescla
ISBN: 9788588641075

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O Direito não é mais do que uma das ferramentas postas a serviço da humanidade para minorar seus males.

A aventura da espécie humana por este planeta é uma sucessão de desencontros, mas ninguém consegue deixar de conviver. O fenômeno do homem só já foi explorado na filosofia e na literatura: conseguiriam percorrer o fluxo existencial desacompanhados apenas aqueles que estivessem muito acima ou infinitamente abaixo da normalidade. Afora essas duas categorias – felizmente raras –, apenas um infortúnio poderia privar o indivíduo de companhia. O exemplo de Robinson Crusoé é sempre lembrado.

A vocação gregária é natural e não exclui a participação da vontade. Vivemos em conjunto porque o instinto nos fez necessitar do contato e aderimos, convictos e satisfeitos, a esse modelo original. Sentimos prazer autêntico em conviver.

Mas o convívio cobra seus tributos. E eles se tornam mais onerosos quando está em jogo a questão patrimonial. Ao se esquecer de que a vida é finita e se torna cada vez mais frágil, o ser racional confere excessiva importância aos bens materiais. Acumula-se um acervo e nem sempre se cuida de seu destino, até que o titular dominial é convocado para o único e incontornável encontro a que não se escapa: o chamado da morte.

Passado o momento de dor, pois a morte sempre é superada, surgem as questões sucessórias. O direito se predispõe a sanar os conflitos, mas a criatividade humana é muito maior do que a limitada capacidade de previsão do legislador. Herda-se a dor da perda, mas não é raro que se conte também com o legado da discórdia. Os herdeiros sentem-se prejudicados. A família se transforma em uma entidade complexa e conflituosa, seja pelo ingresso de outras pessoas, com distinta concepção de valores, seja em virtude das inúmeras conformações que essa instituição pode adquirir.

Todos que têm experiência no foro da família sabem o que poderão encontrar durante as partilhas. Os inventários, os arrolamentos, os testamentos e suas vicissitudes constituem – para muito além da seara jurídica – material fecundo de reflexão psicológica, sociológica, moral e política.

O universo do direito das sucessões precisa ser compreendido por todos. Não deve ser território reservado aos técnicos e especialistas em ciência jurídica. Qualquer ser humano poderá enfrentar as situações patrimoniais decorrentes da morte de um ente próximo, sendo também prudente pensar na própria partida. O que se fará daquilo que amealhamos quando a ceifadeira nos escolher?

Se algum não iniciado ousar uma incursão pelos códigos por certo desistirá. A linguagem técnica nem sempre é assimilável para quem não enfrentou um bacharelado. O aconselhamento com profissionais pode esclarecer dúvidas, mas o hábito do jurista é lançar mão do hermetismo vernacular que assusta e afugenta.

Por isso é que a obra de Ivone Zeger reveste uma dimensão insuspeita. Ela traduz para o leigo – com objetividade, singeleza e correção – aquilo que pareceria indecifrável a quem se dispusesse a ir à fonte normativa por sua conta e risco.

A sofisticação da ciência jurídica passa a constituir um gravame adicional às asperezas enfrentadas por todos os que necessitam da tutela do direito. Ivone desmistifica a selva obscura da lei e abre clareiras de compreensão atingíveis por qualquer interessado. O direito passa a ser inteligível. Mostra o seu lado lógico e solucionador. E é assim que ele deveria ser, não fosse a arrogância científica a blindar uma área de conhecimento preordenada a resolver problemas concretos.

Ivone, profissional experimentada, conhece o seu mister. Sabe do que está falando e perscrutou as dúvidas mais frequentes em relação ao tema. Além disso, possui um talento raro e, portanto, precioso: consegue clarear o que para tantos é uma escuridão indevassável ou tormentosa penumbra.

Após a colheita bem-sucedida de seu primeiro livro, Como a Lei Resolve Questões de Família (Mescla, 2007), vaticina-se caminho igualmente auspicioso para este livro. Ambos se propõem familiarizar as pessoas com uma normatividade que incidirá sobre sua vida em algum momento. Convém a todos interessar-se por isso. Não se pode prometer a eliminação de todas as angústias ou desconfortos. Mas é sempre melhor vislumbrar o que se avizinha – mais dia, menos dia – do que ser apanhado de surpresa.

Aqueles que pretendem fazer do direito uma ferramenta efetiva, eficiente e eficaz devem se regozijar com a missão de que Ivone Zeger se imbuiu. Ao simplificar, ela valoriza, prestigia e enobrece esta que foi a opção de vida de tantos: a ciência do justo e do ético.

José Renato Nalini
Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo

APRESENTAÇÃO

Diz a sabedoria popular que o verdadeiro teste para comprovar a união de uma família é ver como seus membros reagem durante a partilha de uma herança. E, de fato, como advogada que há anos tem acompanhado inúmeros processos de sucessão – o nome que na linguagem jurídica se dá ao conjunto de procedimentos legais que culminam com a partilha dos bens deixados por uma pessoa falecida –, percebo que, com frequência, os desentendimentos entre herdeiros não só acabam em longas brigas nos tribunais como também desgastam e corroem os laços familiares e afetivos. Percebo ainda que, muitas vezes, boa parte dos conflitos deve-se não à má-fé desse ou daquele membro da família, mas à simples falta de informação.

O desconhecimento dos aspectos legais que envolvem o processo de sucessão gera uma série de expectativas equivocadas quanto à parte que cabe a cada um e aos direitos e obrigações de uns e de outros. É possível que um filho receba uma parte da herança maior do que a que foi destinada a outro filho? A esposa também é herdeira? E a companheira? E a namorada? E o que dizer dos filhos nascidos fora do casamento? Bens doados em vida devem entrar no inventário após a morte do doador? E o que acontece caso a pessoa que os recebeu já tenha feito uso desses bens? Em que ocasiões é possível deserdar alguém? Como se faz um testamento e por que fazê-lo? E as dívidas do falecido, quem paga? É possível destinar a propriedade de um imóvel para uma pessoa e seu uso para outra? Se um herdeiro achar que foi lesado, que providências deve tomar? Quem pode e quem não pode fazer inventário e partilha no cartório?

Essa é apenas uma pequena amostra das dúvidas que assolam os membros de uma família no delicado momento em que têm de lidar com a morte de um ente querido e com a partilha dos bens por ele deixados. Para tentar lançar luz sobre essas e outras questões é que me propus escrever este livro.

Assim como fiz em minha obra anterior, Como a Lei Resolve Questões de Família, procuro falar de temas essenciais da legislação referente à sucessão numa linguagem clara e objetiva, tendo por base as perguntas mais comuns que me são feitas por clientes e também pelo público que acompanha minhas colunas e artigos em jornais e revistas, bem como minhas participações em programas de rádio e TV.

Cabe salientar que este livro visa apenas fornecer ao leitor leigo algumas informações e esclarecimentos básicos sobre o assunto – o que, de modo algum, dispensa os serviços de um advogado. Para questões mais específicas, assim como para o encaminhamento dos devidos procedimentos legais, os serviços desse profissional são indispensáveis. No entanto, como iniciação no tema, este livro poderá ajudá-lo a se orientar no labirinto das leis que regem a sucessão. E também o ajudará a não ter mais “arrepios” ao ouvir palavras como “inventário”, “espólio”, “colação”, “usufruto”, “inalienabilidade”, “meação”, “codicilo” e tantas outras que você encontrará pelo caminho até que chegue o momento de receber – ou de deixar – sua herança.

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Para muitas pessoas, a discussão em torno da herança deixada por um parente falecido resume-se a saber quem fica com o quê. Em que casos a esposa divide com os filhos a herança deixada pelo marido e em que situações ela não tem direito a nada? Quem vive em união estável tem direito a herança? Quando os pais do falecido também são herdeiros? E os irmãos, tios, sobrinhos e demais parentes? Pode-se receber uma herança antes do falecimento do detentor do patrimônio? O regime de bens do casamento tem alguma coisa a ver com a herança? Uma divorciada pode ser herdeira do ex-marido? E o que acontece caso a pessoa morra sem deixar testamento?

A lista de dúvidas parece interminável. As respostas, porém, podem ser encontradas na lei. A parte do Código Civil Brasileiro de 2002 que trata das sucessões (isto é, das heranças) é longa, detalhada e, em alguns casos, complexa, estando sujeita à interpretação de juristas e magistrados. Mas não se assuste. Para obter o esclarecimento das dúvidas mais comuns, você encontrará neste capítulo um guia de perguntas e respostas objetivo e direto. Informar-se é a melhor forma de impedir que seus direitos sejam desrespeitados. É, também, uma maneira eficaz de lidar com – ou mesmo evitar – o pesadelo das brigas entre herdeiros.

BENS E PATRIMÔNIO

Bens – posses materiais de uma pessoa; as diferentes coisas que ela possui.

Bens aquestos – bens adquiridos na vigência do casamento.

Bens colacionáveis – bens doados em vida pelo autor da herança. Esses bens deverão ser posteriormente incluídos no inventário, o que recebe o nome de colação.

Bens comuns – os que pertencem ao marido e à mulher, em virtude do regime do casamento. É importante lembrar que, dependendo do regime, mesmo os bens que estiverem em nome de apenas um dos cônjuges poderão pertencer aos dois.

Bens incomunicáveis – aqueles que pertencem a um dos cônjuges e são excluídos do regime de comunhão. Exemplo: bens que os cônjuges possuíam antes de se casarem, se o regime do casamento for o da comunhão parcial de bens.

Bens imóveis – casas, apartamentos, sítios, fazendas (enfim, tudo que não pode ser removido).

Bens móveis – tudo que não é imóvel. Por exemplo: veículos, obras de arte, mobiliário e eletrodomésticos, peças ornamentais, coleções de objetos, joias, ações etc.

Bens vinculados – os que, por lei ou por disposição de alguém, são inalienáveis, impenhoráveis e incomunicáveis (ou seja, não podem ser vendidos, penhorados ou partilhados).

Patrimônio – o conjunto de todos os bens possuídos por uma pessoa, por uma família, por uma empresa etc.

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Trecho do Livro: Aprenda a Investir em Ações e a Operar na Bolsa Via Internet
Livro Aprenda a Investir em Acoes e a Operar na Bolsa Via Internet
Autor: Carlos A.H. Brum
Editora: Ciência Moderna
ISBN: 9788573934731

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Subsistema Financeiro Nacional

Subsistema Normativo

O Sistema Financeiro Nacional é constituído por um subsistema normativo e por outro operativo. O subsistema normativo controla e regula o subsistema operativo. Esse controle e regulação são exercidos por meio de normas legais, expedidas pela autoridade monetária. As instituições que compõem o subsistema normativo são: o Conselho Monetário Nacional, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários.

CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL

O Conselho Monetário Nacional é o órgão deliberativo máximo do sistema financeiro brasileiro. Ele tem a incumbência de formular a política da moeda e do crédito, de acordo com a Lei Nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964.

BANCO CENTRAL DO BRASIL – BACEN

O Banco Central do Brasil, criado pela Lei Nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda e tem, por objetivo, executar e fiscalizar o cumprimento de todas as normas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional, zelar pela adequada liquidez da economia, manter as reservas internacionais do país em nível satisfatório, assegurar a formação de poupança em níveis apropriados e garantir a estabilidade e o aperfeiçoamento do Sistema Financeiro Nacional.

COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (C.V.M)

A CVM é uma Autarquia Federal, criada em 1976 pela Lei Nº 6.385, para regular, disciplinar e fiscalizar o mercado de títulos e valores mobiliários (bolsas de valores, companhias abertas, fundos de investimento e mercados derivativos que tenham por referência valores mobiliários). É conhecida como a instituição “xerife” do mercado de capitais brasileiro.

Uma das principais funções da CVM é cuidar para que os investidores tenham acesso a informações que confirmem a boa qualidade das companhias abertas e dos fundos de investimento. Ou seja, que o mercado seja transparente para o investidor e, o que ainda é mais importante, que todos tenham oportunidade de acesso a informações relevantes de maneira uniforme. Dessa forma, é possível evitar o chamado insider information, informações privilegiadas que vão beneficiar determinado grupo de investidores em detrimento de outros.

A CVM, a partir de 2002, com a aprovação da nova lei das empresas S.A., foi transformada em uma agência reguladora autônoma e independente. Passou, desde então, a usufruir de autonomia financeira através de orçamento próprio, com autoridade administrativa independente e estabilidade de seus dirigentes, que passaram a ser nomeados pelo presidente da República com a aprovação do Senado e com mandato fixo de cinco anos.

A Comissão de Valores Mobiliários agora pode tipificar os crimes na hipótese de uso de informação privilegiada, delegar às bolsas a possibilidade de abertura de processo contra terceiros e, ainda, dar prioridade a processos. No caso das bolsas, os processos só podem ser abertos contra corretoras que operam na própria bolsa.

Quem manipular o mercado estará sujeito à pena de um a oito anos de reclusão e multa equivalente a até três vezes a vantagem financeira que obteve na operação.

O uso de informação privilegiada também estará sujeito à pena de um a cinco anos de reclusão e multa de até três vezes o montante obtido.

As funções da Comissão de Valores Mobiliários são, dentre outras, regular e fiscalizar:

- Registro de companhias abertas;

- Registro de distribuição de valores mobiliários;

- Administração de carteiras e a custódia de valores mobiliários;

- Negociação e intermediação no mercado de valores mobiliários;

- Organização, funcionamento e operações das bolsas de valores;

- Credenciamento de auditores independentes, administradores de carteiras de valores mobiliários, consultores e analistas de investimento;

- Suspensão ou cancelamento de registros, credenciamentos ou autorizações;

- Suspensão de emissão, distribuição ou negociação de determinado valor mobiliário, ou decretar recesso de bolsa de valores.

Subsistema Operativo

O subsistema operativo é constituído pelas instituições financeiras públicas e privadas que atuam no mercado financeiro. Ele se divide em instituições bancárias e não bancárias.

As instituições bancárias são aquelas que operam com ativos financeiros monetários, aos quais é dada a faculdade de emissão de moeda (moeda escritural). Essas instituições também se caracterizam pela captação de depósitos à vista, livremente movimentados pelos depositantes. São instituições bancárias: os bancos comerciais, a Caixa Econômica Federal (CEF), o Banco do Brasil, as caixas econômicas, as cooperativas de crédito e os bancos múltiplos.

As instituições não bancárias se caracterizam por operar com ativos financeiros não monetários, porquanto não lhes é permitida a emissão de moeda escritural, pela impossibilidade de captar depósitos à vista. São instituições não bancárias: os bancos de investimento, as sociedades de arrendamento mercantil, as sociedades de crédito, investimento e financiamento, as sociedades de crédito imobiliário e associações de poupança e empréstimos, e os bancos de desenvolvimento.

Entretanto, as instituições mais importantes na área de investimento em ações são as que fazem parte da distribuição de títulos e valores mobiliários: as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, as bolsas de valores, as bolsas de mercadorias, as sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, e a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC).

CORRETORAS DE VALORES MOBILIÁRIOS

As Corretoras de Valores Mobiliários são instituições típicas do mercado acionário, operando com compra, venda e distribuição de títulos e valores mobiliários por conta de terceiros.

São instituições financeiras membros das bolsas de valores, credenciadas pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários e pelas próprias bolsas, e estão habilitadas, entre outras atividades, nos mercados financeiro e de capitais, a negociar valores mobiliários com exclusividade por sistemas de negociação mantidos pela Bovespa.

Em outras palavras, é a intermediária entre compradores e vendedores de ações nas transações em bolsas de valores. Administra carteiras de ações, fundos mútuos e clubes de investimentos, entre outras atribuições.

Bolsa de Valores

É uma associação civil, sem fins lucrativos, e tem como objetivo básico manter local adequado à realização de transações de compra e venda das ações das companhias abertas.

As bolsas atuam como auxiliares da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na fiscalização do mercado, em especial de seus membros, as Sociedades Corretoras, e têm ampla autonomia na sua esfera de responsabilidade.

A Bolsa de Valores de São Paulo, hoje considerada o mais importante centro de negócios do mercado latino americano, foi fundada em 23 de agosto de 1890 como entidade oficial corporativa, vinculada à secretaria de finanças do governo estadual e composta por corretores nomeados pelo poder público.

A Bovespa só adquiriu a característica institucional que mantém hoje (uma associação civil sem fins lucrativos, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial) em 1965/66, com a implementação das reformas do sistema financeiro nacional e do mercado de capitais.

Desde o regulamento anexo à Resolução CMN nº 2.690 de 2000, que as bolsas de valores brasileiras têm a faculdade de também se constituírem como sociedades anônimas.

Bolsa de Mercadorias

As Bolsas de Mercadorias têm, como principais objetivos, proporcionar ao mercado condições adequadas para a realização de negócios de compra e venda à vista, a termo e a futuro, de mercadorias, tais como ouro, café, algodão, boi gordo etc., bem como de outros ativos suscetíveis de negociação em bolsa como, por exemplo, o dólar (comercial ou flutuante).

Uma das peculiaridades desse mercado é que apenas, em média, 2% das operações são liquidadas pela entrega efetiva do bem negociado. Compram-se e vendem-se mercadorias e ativos financeiros apenas no papel. Não há a concretização física do negócio, mas sim a concretização financeira.

Sociedades Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários

As sociedades distribuidoras são firmas constituídas como sociedades anônimas ou sociedades por quotas de responsabilidade limitada, cuja autorização de funcionamento é fornecida pelo Banco Central do Brasil.

São entidades financeiras que atuam no mercado de ações e outros valores mobiliários, mas que não podem intermediar negócios nos sistemas de negociações das bolsas de valores e de mercadorias. Por isso, utilizam os serviços de uma corretora de títulos e valores mobiliários para intermediar os negócios nas bolsas.

CBLC – COMPANHIA BRASILEIRA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA

Para a liquidação das operações, a Bovespa utiliza, desde 16 de novembro de 1998, uma empresa independente, a CBLC – Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia. A CBLC é a responsável pela liquidação de operações de todo o mercado brasileiro de ações. Parcela significativa da eficiência da Bovespa repousa na CBLC, que realiza um serviço de alta qualidade, isento e confiável. A CBLC tem inúmeras responsabilidades. Entre elas destacamos:

- Registrar, liquidar e compensar operações à vista, a termo e do mercado de opções, de responsabilidade das corretoras ou de seus comitentes;

- Receber depósitos e margens para garantia de operações realizadas por associados da Bolsa;

- Emitir certificados visando o resgate, desdobramento, conversão e transferência de títulos negociados ou a negociar;

As Corretoras da Bovespa e outras instituições financeiras são os Agentes de Compensação da CBLC, responsáveis pela boa liquidação das operações que executam para si ou para seus clientes.

Empresas como a CBLC são conhecidas como Clearings – entidades de prestação de serviços de liquidação e custódia.

As Clearings desempenham atividades relacionadas à compensação, liquidação, custódia e controle de risco para os mercados à vista, a termo e de opções.

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Trecho do Livro: Acerte o Preço e Aumente Seus Lucros
Livro Acerte o Preco e Aumente Seus Lucros
Autor: Frederico Zornig
Editora: Nobel
ISBN: 9788521313649

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Decisões sobre preços são tomadas diariamente em qualquer empresa. Desde o estabelecimento de uma estratégia de preços para um novo produto, até a negociação feita por um vendedor para fechar a venda com um cliente. Estabelecer preços para produtos e serviços é uma decisão responsável por muito mais do que a simples definição de um valor monetário a um produto ou serviço. São os preços que auxiliam a imagem de uma marca – seja ela de qualidade superior ou de um produto de valor por dinheiro (value for money). Também são os preços efetivamente praticados que determinam níveis de lucratividade em qualquer negócio. Porém, poucas empresas prestam a devida atenção à maneira como podem estabelecer vantagens competitivas através de estratégias de preços agressivas. Por outro lado, na visão do cliente ou consumidor, preços influenciam o que comprar e em que quantidade comprar. Portanto, alterações de preços também afetam o mercado. Por exemplo, quando a demanda por um certo produto ou serviço é maior que a oferta, normalmente os preços deveriam subir para refletir uma nova realidade na curva de oferta e demanda.

Vários autores já definiram o que é preço, mas gosto da idéia de que, em geral, preço é a razão entre o valor recebido em dinheiro pelo vendedor em troca de uma certa quantidade de produtos ou serviços entregue ao comprador. Por exemplo, quando uma caixa longa vida de 1 litro de suco de manga concentrado é vendida por R$ 3,25, estamos entendendo que o vendedor está recebendo R$ 3,25 do comprador, e este leva a caixa de suco para a casa. Portanto, a maneira de alterar os preços mais diretamente é aumentando a quantidade necessária de dinheiro pela mesma caixa de suco. Desta forma podemos, por exemplo, assumir que a partir de agora o preço a ser pago será de R$ 3,45 pela mesma caixa de suco e o preço estará alterado.

Outra maneira que algumas empresas utilizam para alterar o preço é reduzindo a quantidade de suco na caixa ou embalagem. Ou seja, em um outro cenário podemos cobrar os mesmos R$ 3,25 por uma caixa de suco, mas que em vez de 1L tenha apenas 900 ml. Ainda uma outra possibilidade para alterarmos os preços é mudando a qualidade do produto vendido. Vamos assumir que pelos mesmos R$ 3,25 o vendedor passará a oferecer uma garantia da qualidade do suco de manga, por meio de uma embalagem longa vida de última geração. Por entregar ao comprador mais valor pelo mesmo preço de antes, o vendedor está de fato abaixando seu preço!

O mesmo vendedor também poderá reduzir seus preços oferecendo descontos por quantidade. Por outro lado, poderá conseguir um “aumento” de preços de seus produtos se, em vez de oferecer 30 dias para pagamento, só aceitar pagamentos à vista.

Finalmente, alterar os meios de recebimento do preço do suco também pode afetar seu preço final – ao cancelar a parceria com a empresa de cartão de crédito, o vendedor poderá evitar um desconto sobre o valor de sua venda pela operadora do cartão.

Notem, porém, que em qualquer decisão a ser tomada em relação aos preços praticados, as conseqüências têm de ser levadas em consideração. O objetivo final de uma ação estratégica de preços deverá sempre ter como objetivo a maximização do lucro da empresa no longo prazo.

Outros fatores que estão de certo modo fora do controle de apenas uma empresa e que afetam os preços de um produto ou serviço precisam também ser levados em conta. Podemos mencionar aspectos como desenvolvimento e avanço de novas tecnologias, o aumento da competição globalizada, regulamentação de preços de alguns setores da economia, variações cambiais significativas, taxas básicas de juros, entre outros.

Preço é quase tudo

Com uma estratégia de preços correta, uma empresa seguramente estará ampliando seus lucros da maneira mais rápida e eficaz que existe entre os quatro “Ps” de marketing (preço, propaganda, produto e praça – distribuição). Um aumento de apenas 1% no preço poderá elevar o lucro de qualquer negócio em aproximadamente 10%. Em um estudo feito pela consultoria McKinsey, utilizando dados de balanço publicados na Average Economics Global 1200 de 2002, que inclui empresas de capital aberto do mundo todo, foi demonstrado que 1% de aumento no preço líquido geraria um aumento nos lucros líquidos da ordem de 11%. Nesse mesmo estudo ficou demonstrado que 1% de redução em custos variáveis, para essas empresas, geraria uma melhora no lucro de 7%. Se os ganhos fossem em volume, ou seja, vendendo 1% a mais em volume, teriam um aumento de lucro de 3,7%, e se reduzissem custos fixos em 1% conseguiriam apenas uma melhora de 2,7% no lucro. Fica claro que um pequeno aumento em preço pode se transformar em grandes aumentos de lucratividade (veja tabela 1, abaixo).

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Tabela 1 – Impacto na lucratividade após melhoria de 1% nas variáveis

Variável Percentual – impacto no lucro

Custos fixos – 2,7%
Volume – (unidades) 3,7%
Custos variáveis – 7,3%
Preços – 11,0%

Fonte: Estudo McKinsey baseado na Average Economics Global 1200, edição 2002.
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Quando discutirmos aumentos de preços neste livro, temos de esquecer nossa cultura inflacionária, de que até 1994 era comum aumentos de preços de 1% ao dia, e começarmos a buscar oportunidades em pequenos aumentos reais (acima de índices inflacionários) ao longo do tempo. Em alguns casos de companhias de bens de consumo de massa, um aumento real (descontada inflação) de 0,5% pode representar toda a lucratividade de uma empresa em um ano.

Encontrar oportunidades para incrementar preços em 1% é factível em qualquer empresa e em qualquer tipo de mercado (inclusive aquelas que acreditam que só vendem commodities). Basta implementar alguns dos conceitos (estratégias ou táticas) que serão apresentados neste livro que o aumento no seu lucro aparecerá.

Claro que falar de aumentos de preços sempre nos traz a dúvida sobre a equação preço versus volume (ou curvas de oferta e demanda). Normalmente, os gerentes de vendas e de marketing pensam em abaixar os preços para aumentar a demanda e conseqüentemente o volume, e com isso, alcançar maiores lucros. Para argumentar minha crença de que esta geralmente não é a melhor estratégia, gostaria de voltar para os dados da Average Economics e o estudo da McKinsey citados acima. Utilizando os dados disponíveis, podemos observar que uma redução de 5% nos preços requer um aumento de volume da ordem de 18% apenas para alcançarmos o ponto de equilíbrio. Na maioria dos negócios, este aumento é bastante incomum, especialmente no longo prazo. Além disso, estamos mostrando que com dados de 1200 empresas globais temos uma elasticidade média de 3,5. Ou seja, para cada 1% de redução de preço temos de aumentar o volume em 3,5%. Mais uma vez utilizando dados da Average Economics, a elasticidade de preços alcança, no mínimo, 0,8. Ou seja, atingir os níveis exigidos para equilíbrio no lucro após uma redução de preços da ordem de 5% é bastante improvável.

Nunca me esqueço de que em quase todas as lojas de roupa que vou, ao final da compra, sempre peço mais 5% de desconto e, em 90% das vezes, sou atendido. Espero que já tenham avaliado a variação do volume necessária para justificar estes 5% de descontos adicionais. Sem falar em possíveis guerras de preços que reduções dessa natureza poderiam gerar em alguns mercados. Mas este será um tema de outro capítulo.

Como um bom exercício para entender esses conceitos e confirmar o poder de um aumento de preço, convido o leitor a fazer essas análises de elasticidade e aumentos de preços versus redução de custos ou aumento de volume com dados do seu próprio negócio. Empresas com um bom entendimento dos impactos dessas variações nos seus lucros com certeza estarão deixando menos dinheiro escapar por decisões equivocadas.

Outro fator importante é que, em geral, todos os negócios, sejam voltados para o consumidor ou business-to-business (B2B), estão sendo afetados por uma pressão para a redução dos preços. Se as empresas não tomarem alguma atitude, eventualmente estas forças conseguirão reduzir os preços e afetar a lucratividade. Algumas dessas forças no mercado para o consumidor que podemos ilustrar incluem: a concentração do poder dos varejistas – vejam o exemplo de hipermercados, como Carrefour e WalMart, prometendo o menor preço todo dia; a venda de produtos pela internet, em que podemos consultar preços mais baixos ao clique de um mouse; o mercado de trabalho estagnado com nível de desemprego alto, obrigando os consumidores a procurar sempre a melhor oferta; o surgimento de marcas próprias em supermercados, diminuindo a diferença na qualidade para os produtos de marca premium. Já para as empresas que participam de negócios apenas com outras empresas (B2B), as forças predominantes incluem a profissionalização do mercado de procurement, isto é, cada vez mais empresas lidam com compradores treinados e preparados para extrair o máximo de seus fornecedores, programas de redução de custos e eficiência por parte das grandes empresas, obrigando os pequenos fornecedores a melhorar qualidade e reduzir custos ao mesmo tempo.

Em função do nosso custo tributário de faturamento, mais e mais empresas querem abrir mão do distribuidor, obrigando empresas a se reestruturar e assumir mais tarefas ou reduzir suas margens para manter a competitividade dos distribuidores, portais eletrônicos de compras, entre outros tantos.

Para finalizar, lembre-se daquela calça jeans de marca italiana que você comprou pagando pelo menos 10 vezes mais que uma calça jeans de qualidade similar, que você encontraria em uma loja de boa marca nacional. Este é um ótimo exemplo da importância de uma estratégia de preço sendo implementada. Se uma empresa consegue, por várias razões, estabelecer uma percepção de valor para o cliente de que sua marca, imagem e qualidade valem 10 vezes mais do que uma outra opção e consegue capturar este valor em forma do preço cobrado, podemos concluir que ela está tendo sua superioridade recompensada pelo cliente.

Se “apenas” 10 vezes mais é o ponto ideal já não posso afirmar, com o nível limitado de informações que tenho a respeito, mas a idéia aqui é que se todo o valor gerado para o cliente não estiver sendo capturado, eventualmente essa empresa poderá inclusive perder a possibilidade de manter-se em um patamar superior de preços e imagem de marca. Pois posso assegurar que muitos concorrentes estão utilizando preços de maneira estratégica para conseguirem extrair o máximo de retorno de seus produtos ou serviços.

Outros conceitos importantes

Apresento abaixo outros conceitos que são fundamentais para o bom entendimento dos próximos capítulos, quando apresentaremos estratégias e táticas assumindo que o leitor já domina alguns termos utilizados no gerenciamento e administração de preços.

Preços absolutos e preços relativos

É importante entender as diferenças entre estes dois conceitos. Preço absoluto é o preço de um produto – um veículo VW Fox 1.6 Total Flex, por exemplo, custa, pela tabela da revista Auto Esporte de agosto de 2005, R$ 34.911,00, e o VW Gol Power 1.6 Total Flex, pela mesma tabela, custa R$ 32.478,00. Preço relativo é a diferença de preço percebida pelo cliente – ou seja, nessa data temos uma diferença entre os dois modelos de R$ 2.433,00.

Para ilustrar esses conceitos, vamos imaginar que estamos no ano de 2010 e supor que a Volkswagen tenha agora seus preços para o mesmo Fox em R$ 54.911,00 e que o mesmo modelo de Gol é vendido pelo preço de R$ 52.478,00. Portanto, a diferença de preço entre os dois veículos foi mantida ao longo desses hipotéticos cinco anos. Qual seria, em sua opinião, a reação dos consumidores?

Em algumas situações similares podemos constatar que o produto com mais qualidade percebida, neste caso o Fox, ganharia participação de mercado. O erro hipotético da Volkswagen teria sido ignorar que clientes e consumidores percebem a diferença de R$ 2.433,00 em 2005 como sendo muito mais significativa do que a diferença de R$ 2.433,00 se comparada aos preços de 2010. Portanto, notem que os preços absolutos de ambos os carros aumentaram. Porém o preço relativo entre ambos foi bastante reduzido em cinco anos.

Valor percebido e preço

Uma loja de chocolates caseiros no interior de São Paulo mantinha uma política de preços similar à de uma rede de lojas de chocolate de abrangência nacional (ou pelo menos nas grandes cidades do país). Por ser uma loja local, detinha uma certa preferência por parte dos consumidores e, em função disso, mantinha uma vantagem competitiva em relação ao competidor nacional em sua cidade. Porém, a rede de lojas nacional iniciou um processo de modernização de seus pontos de vendas, lançou novos produtos e campanhas agressivas de marketing em outdoors e revistas. Além disso, foi notado também um aumento de preços generalizado na rede. Já a loja de chocolate local, em vez de também melhorar seu ponto de venda e investir em novos produtos para poder manter a relação preço versus qualidade similar ao concorrente nacional, optou pelo caminho mais fácil de abaixar os preços. Em questão de meses, os clientes começaram a perceber que a loja tinha produtos e qualidade inferior ao da marca nacional e a vantagem competitiva que a loja local detinha por ser mais próxima aos clientes de sua cidade foi sendo perdida. A proprietária da loja não percebeu os limites entre preços e valor percebido pelos clientes. Neste caso, como na grande maioria das vezes, um produto de menor preço foi considerado de qualidade inferior pelo seu próprio público consumidor.

Preços de referência e limites de preços

De acordo com Kent Monroe, preços são sempre avaliados comparativamente. Ou seja, para um comprador decidir se um preço é justo, muito alto ou muito baixo é necessário comparar o preço com um produto ou serviço similar. Consumidores e empresas, pela experiência, iniciam um processo de arquivo de preços de referência para produtos ou serviços adquiridos.

Ao criar esses preços de referência para um determinado produto, os preços oferecidos para aquele produto serão sempre julgados em relação à referência existente. Se a diferença for muito grande em relação a essa referência, o preço ofertado poderá sair dos limites máximos e mínimos para aquele cliente. Os limites de preços máximos são ultrapassados quando um cliente decide não optar pela compra, por acreditar que o preço pedido está fora do que seria razoável por aquele produto.

Durante minha vida profissional sempre trabalhei com empresas de qualidade e com produtos com excelente imagem de marca e relativo domínio de mercado e por isso algumas vezes ouvi que vendia produtos como se vendesse Coca-Cola gelada na praia. Imagine, porém, se eu fosse vender essa Coca-Cola e decidisse pedir por uma latinha gelada R$ 30,00. Provavelmente, não venderia muitas unidades, uma vez que a grande maioria dos clientes acharia este preço acima do limite aceitável de preço para uma lata de Coca-Cola (mesmo que gelada na praia). Este é um exemplo de um limite máximo de preço baseado no preço de referência que temos para uma lata de refrigerante. Notem que preços até podem ser superiores ao preço de referência para algumas situações (tais como a conveniência de se comprar uma Coca-Cola gelada deitado na areia da praia, mas sempre dentro de uma faixa “aceitável” de valor – falaremos mais sobre isso no decorrer do livro).

Na outra extremidade, temos situações em que o preço pode ficar abaixo de uma referência que temos para um valor mínimo aceitável e questões sobre a qualidade do produto podem influenciar a decisão de não consumirmos.

Vamos também imaginar uma visita a uma loja de roupas para comprarmos um terno. Apesar de ser um produto em que, dependendo da marca, podemos encontrar variações bastante significativas, vamos supor que nos deparamos com uma promoção na qual um terno de marca estabelecida estava sendo oferecido por R$ 50,00. No mínimo, o cliente que já tem uma idéia do valor de um terno daquela marca acharia estranho tamanho desconto. Também poderia acreditar que não se tratava de mercadoria original ou, ainda, que tivesse algum defeito e por alguma dessas razões decidiria não levar o produto.

A importância (ou não importância) dos custos

Existe quase uma regra enraizada na mente de muitos executivos e empresários de que preços devem ser formados a partir de um custo. Seja este custo de produção ou aquisição de uma mercadoria, além de muitas vezes ainda acrescentarem alocações de custos administrativos, vendas e marketing.

Infelizmente, este é um dos erros mais comuns que encontro na maioria das empresas. Custos não são relevantes para a definição de uma estratégia de preços. Ainda mais se forem os custos com alocações baseadas em regras criadas pelo departamento de contabilidade. No máximo, o custo direto de um produto poderá servir para sabermos qual o valor que abaixo dele estaremos perdendo dinheiro em cada venda daquele produto ou item. Além disso, de nada mais serve.

Indignado com tamanho descaso sobre tão importante variável na equação? Ótimo. Por isso que este livro vai mudar sua maneira de definir e administrar preços na sua empresa. Boa leitura nos próximos capítulos.

seta2 Conheça o livro Marketing Para o Século XXILivro Marketing Para o Seculo XXI

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Trecho do Livro: Seu Bebê em Perguntas e Respostas – Do Nascimento aos 12 Meses
Livro Seu Bebe
Autor: Sylvio Renan Monteiro de Barros
Editora: MG Editores
ISBN: 9788572550543

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Fui afortunado em conhecer o dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros. Minha esposa, que é sua amiga desde os tempos de adolescência, apontou-me a necessidade de trocarmos de pediatra; um de nossos filhos precisou dele em um momento muito difícil. Desde então, ele sempre esteve com minha família, inclusive em horas muito mais amenas, e sempre de amizade.

O dr. Sylvio é um “cuidador”. O leitor perceberá, desde o início, que seu texto reflete trinta anos de experiência de cuidados com o bebê. Muito mais que curar, o médico cuida da vida. Poucas especialidades mostram isso tão bem como a pediatria.

A medicina trata da vida, transcendendo época, linguagem, nacionalidade, cultura. Não é uma profissão: é um ofício marcado por dois dos piores medos que acometem o ser humano: o medo do desconhecido e o medo perene do desaparecimento da própria vida. Requer capacitação técnica, intuição, afeição e principalmente amor à verdade e total rejeição à violência. Amada ardentemente na necessidade; esquecida fora dela. Desafios à intuição médica me parecem ainda mais marcantes no ofício do pediatra: ele precisa ouvir quem ainda não sabe falar e quem está muito aflito e não consegue mais se expressar.

Sylvio ouve, antes de mais nada. Ouve pacientinhos, suas mães, avós, tias, babás, empregadas. Olhos e ouvidos já estão prontinhos no quarto mês de gravidez; cones, bastonetes e células do ouvido interno são neurônios diferenciados. Mas, diante de tantas contradições do ser humano, ainda temos dificuldade para ouvir! Bons livros de minha especialidade, a psicanálise, vêm chamando a atenção para esse fato desde o tempo de Freud. Popularizou-se o seu “tratamento pela fala”, mas igualmente poder-se-ia dizer “pelo ouvir”. É por isso que o dr. Sylvio escreve perguntas e respostas.

O problema é que nenhum livro pode dar ao leitor uma capacidade de ouvir. Mas a experiência viva ajuda bastante. Muito tempo depois de formado, dei-me conta de que foram pediatras e “quase-pediatras” quem mais contribuições deram à psicanálise. Eles ampliaram as descobertas de Freud. Donald Winnicott, que veio da pediatria, descobriu coisas por observar a espátula bucal. Mesmo tendo se voltado à psicanálise, jamais abandonou a semiologia pediátrica. Melanie Klein, que queria ser médica, aprendeu a ouvir bebês como ninguém; e Wilfred Bion, como o dr. Sylvio, falou do alimento psicológico proporcionado pelo contato físico mãe–bebê.

Em determinado trecho do livro, Sylvio explica que “[...] a tensão, preocupação, angústia ou insegurança da mãe se transferem para o bebê, que reage com comportamentos ‘anormais’, como choro intenso, cólicas e insônia, entre outros. Se a mãe não percebe ou não é informada de que seu bebê está apenas reagindo a estímulos maternos, corre-se o risco de se iniciar aí um círculo vicioso, em que as reações do bebê às instabilidades emocionais da mãe produzem mais insegurança, o que retroalimenta as reações do bebê”. Um psicanalista identifica nessas e em muitas outras respostas as contribuições de Klein, Winnicott e Bion, e conclui: a psicanálise precisou de pelo menos oitenta anos para descobrir algo que pediatras suficientemente bons descobrem e expõem de modo tão cristalino – e, no caso do dr. Sylvio, escrevem tão claramente.

Com o respeito que talvez esteja manifestado na paráfrase do verso e do poeta tão conhecidos em nosso meio, autor, aliás, de nome “Pessoa”, sinto-me honrado, surpreso e pouco preparado diante da solicitação do dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros de prefaciar esta obra – oferecida com o tecido delicado de um conteúdo precioso e útil para mães e bebês, com inigualável amor, afeto, experiência e capacidade de doação.

Paulo Cesar Sandler (Mestre em Medicina pela Universidade de São Paulo, mestre em Psiquiatria pela Associação Médica Brasileira e analista didata pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo)

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APRESENTAÇÃO

Conheci o doutor Sylvio quando minha filha estava com dois meses e meio. Naquela época, talvez a mais difícil da minha vida, eu não sentia a menor segurança como mãe. A Lavínia não parava de chorar e se recusava a dormir depois de enfrentar dias e dias da cólica mais terrível sem que eu pudesse fazer nada – a não ser massagens, compressas com toalhas mornas e rezar. Minha mãe já tinha ido embora, as férias do meu marido haviam terminado e me vi, de repente, às voltas com um serzinho que chorava o tempo todo e se recusava a fechar os olhos e descansar. Isso sem falar na roupa que se acumulava na área de serviço e nas dezenas de tarefas domésticas que me aguardavam.

Até então, já tínhamos consultado três pediatras. O primeiro seguia o manual do “bebê-padrão” e dizia que “logo passava”. Uma vez me jogou na cara a seguinte frase: “Mãe ansiosa, bebê com cólica; mãe tranqüila, bebê sem cólica” (como se, depois de sessenta dias de choros de dor incessantes, algum ser humano conseguisse manter a calma)… A segunda disse que eu amamentava pouco (embora eu o fizesse de duas em duas horas) e que deveria me transformar em uma vaca leiteira (sic). A terceira, que infelizmente me deixou com trauma de homeopatas, afirmou que a menina chorava porque “não havia harmonia” em meu lar. Juro, ela disse isso.

Enfim, quando cheguei ao consultório do doutor Sylvio, por indicação de uma pessoa da família, estava muito magra, extremamente cansada, deprimida e, pior, sentindo uma culpa imensa por não conseguir fazer minha filha feliz. A primeira coisa que notei foi o olhar calmo e tranqüilizador daquele médico. Em seguida, reparei num coala de pelúcia minúsculo pendurado em seu estetoscópio. Finalmente um pediatra que realmente gostava de crianças!

Na penumbra de seu consultório – faltou luz naquela tarde –, expliquei a ele o que estava acontecendo e disse que minha filha e eu precisávamos de ajuda. Ele ouviu tudo com atenção, fez algumas perguntas e então começou a falar, com um sotaque mineiro-carioca (que depois descobri ser capixaba) bastante peculiar. Explicou que as minhas inquietações eram comuns em mães com o primeiro filho e que provavelmente a Lavínia não tinha nenhum problema de saúde. Disse ainda que, quanto antes eu aceitasse que minha vida mudara para sempre – e me habituasse, pelo menos nos primeiros meses, a não dormir, a não ter hora para comer e a me dedicar totalmente ao bebê –, mais fácil seria. A maneira como tudo isso foi dito, acolhedora e compreensiva, me tranqüilizou quase imediatamente. Senti que enfim alguém me entendia e não me tratava como “mãe-de-primeira-viagem-histérica-infantil-e-neurótica”.

O passo seguinte foi realizar um exame físico extremamente minucioso, que os outros pediatras não tinham feito com o mesmo apuro. O doutor Sylvio me assegurou que, em princípio, não havia mesmo nada de errado com a Lavínia, mas pediu um exame de urina e outro de sangue, só para ter certeza.

No dia seguinte, como ela não parava de chorar, resolvi seguir o conselho de uma prima, mãe recente, e depois de amamentar fiz uma mamadeira de leite em pó e ofereci à minha filha. Ela não só parou de chorar como dormiu, pela primeira vez, por seis horas seguidas. Liguei para o doutor Sylvio e contei o que tinha acontecido. “Sua filha está mesmo com fome. Complemente as mamadas com leite em pó, mas ofereça sempre o seio primeiro”, disse ele. “Mas, doutor, por que aconteceu isso comigo? Os outros pediatras disseram que quanto mais se amamenta mais se tem leite!”, retruquei. “E se ela largar o peito? Eu sempre quis amamentar…” “Veja”, respondeu ele, “antes você chorava porque a Lavínia tinha fome; agora que descobriu o problema vai arranjar outro?” Aquilo me despertou para o fato de que a maternidade, por mais difícil que seja, não precisa ser dramática. E, a partir daí, a relação com a minha filha ficou muito mais fortalecida e serena.

Fiz, nesse meio-tempo, centenas de ligações para o doutor Sylvio. As dúvidas iam de passar ou não protetor solar na Lavínia a trocar o bico da mamadeira ou manter determinada medicação. E as respostas, sempre prestativas, rápidas e certeiras, vinham com um respeito inexplicável, mesmo às altas horas da madrugada. Também houve uma enxurrada de e-mails, todos respondidos prontamente e com uma firmeza de dar inveja a qualquer profissional.

Foi por isso, e por ter conhecido várias mães e pais que recorreram e recorrem ao doutor Sylvio e, assim como eu, confiam no seu trabalho, que o convidei para escrever este livro. Todo aquele conhecimento não podia ficar restrito ao seu consultório!

Infelizmente, nem todas as jovens mães de hoje foram feitas para a maternidade. Aprenderam que devem ser independentes, estudar, trabalhar, viajar, batalhar. A necessidade de competir com os homens nos afastou do arquétipo da progenitora acolhedora e feliz, além de sufocar os instintos mais básicos de mãe. Sabemos ser excelentes executivas, mas temos medo de estar fazendo tudo errado quando se trata do nosso bebê! Por isso, precisamos de palavras de conforto, que nos tranqüilizem, resgatem esse lado materno de dentro de nós e nos devolvam a confiança. E é isso que o doutor Sylvio transmite aos pais e às mães de seus pequenos pacientes.

Aqui você vai encontrar perguntas e respostas sobre as questões que mais afligem os pais no que se refere a sono, alimentação, desenvolvimento físico e psicológico e cuidados com o bebê. O material é fruto da experiência do autor em mais de trinta anos de exercício da medicina e da puericultura. Dos momentos contemplativos que às vezes tomam conta das crianças ao modo de preparar a sopinha, as informações são apresentadas de forma simples e objetiva. E, mais importante, levando em conta as especificidades de cada criança em cada fase do desenvolvimento.

Que este livro guie e tranqüilize muitos pais e mães!

A Editora

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INTRODUÇÃO

Este livro foi escrito com o objetivo de ajudar as mães a cuidar de seus filhos e estabelecer com eles uma relação de amor e confiança. Foi feito no formato de perguntas e respostas porque consideramos (eu e a editora) ser a maneira mais rápida de conseguir uma informação, além de ser a forma da qual as mães se utilizam nas consultas – elas chegam com suas famosas “listinhas”, que tanto ajudaram na confecção do livro.

Apesar de todo o trabalho que tive para catalogar as questões, pesquisar em livros, revistas e na internet e preparar as respostas, não posso negar o grande prazer que senti ao elaborar este livro. Comecei a relembrar momentos mágicos do passado, em que eu era questionado durante as consultas e me via rapidamente envolvido na questão, esforçando-me para dar à jovem mãe a melhor resposta – aquela que a ajudaria a cuidar melhor de seu filho. Foi um processo evolutivo, culminando com a elaboração deste livro, que pode ser lido na ordem natural ou consultado como fonte de pesquisa, dirigindo-se a mãe diretamente à questão que lhe interessa.

As perguntas aqui elencadas foram obtidas de mães de pacientes durante o exercício da pediatria em meu consultório, de outras mães, de dúvidas remetidas ao meu site e de mães potenciais (em vias de ter bebês), entre outras, conforme relacionado na seção de agradecimentos.

Dirigido a mães e pais de bebês de até 1 ano, o livro está dividido em trimestres. Ao lê-lo, o leitor logo perceberá que o capítulo “Do nascimento aos 3 meses” é o mais extenso em todos os assuntos. Isso porque essa é realmente a fase em que pais e mães recentes mais têm dúvidas.

Obviamente, este livro não está completo. No entanto, procurei falar das questões mais abrangentes e mais freqüentes, que deverão servir de primeiro passo para esclarecer a mãe quanto à conduta que ela deve ter com seu bebê. Ao identificar uma pergunta que também é sua e ler a resposta, a mãe (é o que desejo) se sentirá mais segura e poderá criar com o bebê uma relação mais tranqüila e sem culpa.

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ANTES MESMO DE O BEBÊ CHEGAR

Se você está lendo este capítulo, é porque tem dúvidas em relação ao bebê que ainda vai chegar. Essas dúvidas são normais e perfeitamente compreensíveis. Veja a seguir as perguntas mais comuns feitas no período que antecede o parto.

Devo procurar um pediatra antes de o bebê nascer?

Considero de extrema valia uma consulta ao pediatra antes do parto. Ele lhe fornecerá informações importantíssimas, além de lhe transmitir maior segurança nos cuidados com o seu bebê, principalmente nos primeiros dias de sua vida, e poderá orientá-la sobre os produtos mais adequados para o recém-nascido.

seta2 Veja: Crianças de 1 a 3 anos – Manual do ProprietárioLivro Criancas de 1 a 3 anos

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Trecho do Livro: Almanaque dos Carros Antigos
Livro Almanaque dos Carros Antigos
Autor: Fábio Kataoka e vários escritores
Editora: Leitura
ISBN: 9788573588972

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O começo do século XX foi marcado pela ousadia e visão de futuro de um americano, que faria história no cenário da indústria automotiva. Ele era o empresário William Billy Crapo Durant (1861-1947), que decidiu mudar seu ramo de atividade. Empreendedor de sucesso e famoso pela sua companhia Durant-Dort Carriage Company, a maior fabricante de carrocerias para carruagens dos Estados Unidos, Durant percebe o potencial do mercado de automóveis e resolve investir nele. Deixando para trás uma carreira de sucesso, na qual chegara a vender 50 mil carrocerias por ano, ele funda a Buick Motor Car Company em 1903, em Flint, no Estado de Michigan.

Em 1908, a Buick é incorporada a um conglomerado maior, que reuniria diversas empresas, e passa a ser chamado de General Motors. A partir de então a empresa tornou-se mundialmente conhecida pela sigla “GM”. Até 1910, foram adquiridas outras 24 empresas. Nesse mesmo ano, devido a dificuldades financeiras e de organização, William Durant é obrigado a deixar a GM, e então é que começa a história da Chevrolet.

Em parceria com o piloto suíço Louis Joseph Chevrolet, Durant inaugura a empresa que leva o último nome do seu colega, a Chevrolet Motor Car Company of Michigan, em 1911. Louis estreara seis anos antes no automobilismo e já havia corrido pela Buick, o que o aproximou de Durant. Logo no ano seguinte ao da fundação, em 1912, é lançado o Clássico Seis, o primeiro carro da marca. Em menos de cinco anos de existência, em 1915, a Chevrolet já tinha alcance nacional e diversas unidades de venda e fabricação nos Estados Unidos e no Canadá, o que lhe permitiu novos investimentos a partir de então.

Muitas montadoras se instalaram aqui no Brasil na primeira metade do século XX, e com a Chevrolet não podia ser diferente. Em 26 de janeiro de 1925 é registrada, no 2o Tabelionato de São Paulo, a Companhia Geral de Motores S.A., com sede na Av. Presidente Wilson, no bairro do Ipiranga, na capital paulista. Pouco tempo depois, o nome é mudado e a empresa passa a se chamar General Motors of Brazil (GMB). No mesmo ano o país conhece o primeiro Chevrolet montado aqui: um furgão de entregas urbanas. Três anos depois a marca já comemorava 25 mil veículos vendidos e começava a construção da fábrica de São Caetano do Sul, que seria inaugurada em 1930. Em 1932, foi produzido o primeiro ônibus com carroceria nacional.

No período da Segunda Guerra Mundial, de 1939 a 1945, a GMB participa do esforço militar com material bélico e a Chevrolet produz mais de dois mil veículos movidos a gasogênio. Já em 1952, a Chevrolet atingia a marca de 250 mil automóveis vendidos no país. No ano seguinte são comprados 70 alqueires de terreno na cidade de São José dos Campos, interior de São Paulo, onde mais tarde viria a ser uma fábrica de motores. Em 1958, foi entregue o primeiro motor fabricado no Brasil. A partir de então, os motores dos Chevrolet Amazonas (caminhoneta) e Brasil (pick up) passaram a ser produção nacional.

Em 1966, a Chevrolet anuncia a expansão das suas duas fábricas para a produção de um carro de passageiros. Com linhas e mecânica inspiradas no Opel Rekord C, o Opala foi um marco na história da GMB por ter sido o primeiro carro de passeio nacional, lançado em 1968. Já um ano mais tarde chega ao mercado o Chevrolet D-70, caminhão de pequeno porte. Ainda em 1970, teve início o plano de fabricação de um carro de pequeno porte, o Chevette, com 68 cv de potência. Inspirado no Opel Kadett, só foi apresentado ao público e colocado à venda em abril de 1973. Nesse ano foram lançados ainda o Opala SS (de motor 4 cilindros) e o Automático (de 4 ou 6 cilindros).

As novidades não paravam de chegar para a linha Opala. Em 1974, chegavam as versões Comodoro e Caravan, e em novembro do ano seguinte o Opala 250-S. Apenas dois meses mais tarde, em janeiro de 1976, é lançado o Chevette GP durante o Grande Prêmio de Fórmula 1, em Interlagos, apelo que deu muito certo entre a camada mais jovem. Em 1978, chegaram muitos novos modelos, como a Caravan Comodoro, Novo Chevette GP, Chevette 4 portas, Pick Up D10, C100, C-24 ou C-25 com motor de 6 cilindros. Em 1979, a GMB abre o Consórcio Nacional Chevrolet, e os lançamentos do ano foram a Veraneio, a Pick Up A-10 e o Chevette Hatch. Chegavam também, em setembro, os motores a álcool, e no ano seguinte o primeiro Chevette com esse motor.

Os caminhões só começam a rodar com álcool em 1981, mesmo ano em que a General Motors do Brasil é eleita a primeira empresa automobilística do mundo em índice de qualidade, e que o Chevette Hatch recebe o título de “carro do ano” pela revista Auto-Esporte. No ano seguinte é lançado o Monza, que já em 1984 seria líder de vendas, com mais de 53 mil unidades vendidas. Em março, a fábrica de São José dos Campos completava 25 anos. Em 1989, é apresentado à imprensa, no Rio de Janeiro, o Kadett e sua versão “weekend”, o Kadett Ipanema. Em 1990, chega o Kadett Turim, o Opala 91 e o Monza Classic SE 500, com injeção eletrônica, uma grande novidade para a época.

Para os fãs da linha Opala o ano de 1992 foi triste, com o fim da sua produção, após 23 anos de fabricação ininterrupta. Em seu lugar entrou o Chevrolet Omega. Além dele, houve outros lançamentos naquele ano, como o Chevrolet Junior, com motor 1.0, e a Pick Up Conquest. Em 1994, chega a linha Corsa, com as versões Wind 1.0, GL 1.4 e GSI 1.6 com 16V. Também são apresentados o Omega Táxi movido a gás natural e o Astra GLS hatchback, que era importado. No ano seguinte mais novidades com a chegada da Pick Up S-10, a primeira do segmento compacto produzida no país, a Pick Up Corsa GL 1.6, o Astra Station Wagon (importado), o utilitário Blazer e o Corsa Sedã GL e GLS 1.6 com 92 cv de potência. Ainda em 1995 a Chevrolet se torna a primeira montadora da América Latina a receber o certificado da norma ISO para suas fábricas de São Caetano do Sul e São José dos Campos.

Em 1996, chega o Vectra da nova geração, e na mesma época o Kadett GSI, o Omega Suprema e o Monza deixam de ser produzidos. Em contrapartida, um ano depois é lançado o Corsa Wagon GL 1.6, a Pick Up Silverado e o Corsa Sedã com transmissão automática de quatro marchas. As importações crescem e em 1998 começam a ser vendidos o Cupê 2+2 Tigra, da Opel espanhola, o Omega CD, da GM-Holden da Austrália e a Grand Blazer, da GM argentina. Foram também lançados o Corsa Super, sedã 1.0 de quatro portas, e a Blazer com tração nas quatro rodas. Em julho daquele ano se encerraria a produção do Omega nacional. A Pick Up S-10 ganha a versão Executive 4×2 com cabine dupla em 1999, mesmo ano em que a fábrica de São José dos Campos completava 40 anos.

O ano de 2000 foi, definitivamente, um dos mais movimentados da montadora. São lançados o Corsa Super, com motor MPFI de 8V e 92 cv, nas versões hatchback, sedã e wagon e a linha Vectra Challenge, em virtude da temporada de Stock Car. No Salão do Automóvel daquele ano são apresentados os modelos S-10 e Blazer 2001, com exterior remodelado e novos motores, e para a comemoração dos 500 anos do Brasil chega a série especial Astra 500. Completando os lançamentos, chega o novo Celta, que disputaria na categoria dos carros populares. Esse também foi o ano em que a Chevrolet completou 75 anos de atividades no país e abriu uma exposição no Museu Paulista da USP, contando a sua trajetória até então. Para terminar bem o ano, a montadora recebeu o prêmio da revista Autodata de “Melhor Montadora do Ano”, segundo escolha dos próprios leitores.

Em apenas um ano, as vendas do Celta atingem a marca de 100 mil unidades. Também em 2001 é lançada a Zafira e o Astra sedã a álcool, voltado principalmente para taxistas, frotistas e transporte de oficiais. No ano seguinte, o Corsa sedã, lançado em 1995, é rebatizado como Corsa Classic e ganha motor VHC (Very High Compression). Também chega ao mercado outro monovolume, o Meriva, com motor 1.8 a gasolina. E para os consumidores uma vantagem: agora a Chevrolet permitia a conversão do motor a álcool para GNV sem perda de garantia. No fim de 2002, em outubro, o Celta registra outra marca, a de 200 mil unidades vendidas.

Em 2004, a carroceria do Vectra, depois de quatro anos de utilização, é substituída pela do Astra sedã nas provas do Chevrolet Stock Car V8, principal categoria do automobilismo brasileiro. Também foi incorporado o motor Flexpower ao Astra 2.0 e à Zafira. Nesse mesmo ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe, no Palácio do Planalto, o chairman e presidente mundial da GM, Rick Wagoner, que comunicou a decisão de investir 240 milhões de dólares no Complexo Industrial Automotivo de Gravataí (CIAG), no Rio Grande do Sul, onde é produzido o Chevrolet Celta. E em dezembro, a GMB encerra o ano, pela primeira vez em sua história no país, como líder de vendas total do mercado automobilístico.

Ao longo dos seus 84 anos de história, a Chevrolet construiu uma trajetória de sucesso e com seus modelos conseguiu a empatia do público brasileiro. Seus clássicos continuam a juntar fãs de todas as idades e assim também acontece com os modelos mais modernos. E ano após ano, continua se confirmando como uma das maiores marcas da história do automobilismo mundial.

seta2 Conheça a linha de Carros ColecionáveisCarro Fusca

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Trecho do Livro: Técnicas de Investimento para o Mercado de Ações
Livro Tecnicas de Investimento para o Mercado de Acoes
Autor: Marcelo C. Piazza
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788599560440

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Um breve histórico do nascimento da Análise Técnica: Os primeiros rumores de que se tem notícia sobre tentativas relativamente bem sucedidas de análise e interpretação dos mercados ocorreu em Osaka, no Japão, sede da primeira Bolsa de Futuros do mundo, a Bolsa de Arroz Dojima, fundada em 1654. Foi aí, também, que surgiu Munehisa Homma (1724-1803), um reconhecido investidor que, por volta de 1750, escreveu alguns livros que traziam, entre suas experiências nos mercados, um conhecimento novo para a época: a técnica das velas, ou castiçais, hoje denominada Candlesticks.

Não se sabe o motivo pelo qual esta descoberta permaneceu em uso somente no Japão por mais de 200 anos. O fato é que só em 1991 (há apenas 17 anos) a técnica dos Candlesticks passou a ser conhecida também nos Estados Unidos, e quase tão logo, em todo o mundo. E isso só aconteceu graças a Steve Nilson, na época vice-presidente da Merrill Lynch, hoje um dos maiores Bancos de Investimentos e Corretoras de Valores do mundo. Ele foi o primeiro a tomar conhecimento da técnica no Ocidente, e a divulgá-la amplamente.

Mas, entre esses dois acontecimentos marcantes – o desenvolvimento dos Candlesticks por Homma e a chegada desse conhecimento ao resto do mundo graças a Nilson – nascia, também, a Análise Técnica ocidental, cujo primeiro grande nome a marcar a história foi Charles Henry Dow (1851-1902). Dow será citado diversas vezes no decorrer deste livro, dada sua importância histórica no nascimento da Análise Técnica que conhecemos hoje.

Dow era jornalista financeiro de grande destaque na época. Trabalhava no pequeno estado de Rhode Island, o menor dos Estados Unidos em extensão territorial, num jornal impresso, em companhia de Edward Jones (1856-1920), quando, juntos, foram transferidos para Nova York, em 1880. Alguns anos depois, fundaram, ainda juntos, a Dow Jones & Company, cujo principal produto era seu informativo financeiro com cotações de empresas negociadas nos mercados de Nova York. Nascia, aí, o Índice Dow Jones. Mas, ainda havia muito mais por vir.

Em 1884, quando fundou o Wall Street Journal, também em companhia de Jones, Dow passou a publicar diversas matérias sobre seus estudos de formas para interpretar o movimento dos preços das ações. Esse conhecimento, porém, ainda não era organizado sobre a forma de uma teoria.

Somente a partir de 1902, com a morte de Charles Dow, o então repórter do Wall Street Journal, Samuel A. Nelson, teve a iniciativa de fazer um levantamento sobre tudo o que Dow havia desenvolvido, reunindo, assim, seus conceitos para publicá-los sob a forma de um livro, intitulado The ABC of Stock Speculation, que explicava a base do que denominou de Teoria de Dow .

Mas estes não foram os únicos a participarem do nascimento da Análise Técnica. Em 1931, Robert Rhea, reconhecido estudioso e analista da época, reorganizou e aprofundou ainda mais os princípios criados por Dow, transformando-os naquilo que conhecemos atualmente. Rhea marcou seu nome na história dos mercados de risco ao lançar o livro The Dow Theory.

A partir de então, vários outros nomes foram contribuindo para o fortalecimento da Análise Técnica. Ralph Nelson Elliott criou as tão populares Ondas de Elliott, além de aplicar, com sucesso, os números da seqüência de Fibonacci, e suas razões, para realizar uma projeção futura dos preços das ações. Surgiu, também, o primeiro dos indicadores, chamado de Índice de Força Relativa (IFR), desenvolvido por J. Welles Wilder Jr. Em seguida, foram descobertas inúmeras outras técnicas, conhecidas e aplicadas até hoje por grande parte dos operadores de mercado de todo o mundo.

Mas o que é Análise Técnica?

Por definição, temos que: Análise Técnica é a ciência que busca, por meio do estudo de registros multiformes, associados a formulações matemático-estatísticas, incidentes sobre preços, volumes e contratos em aberto do passado e do corrente dos diferentes ativos financeiros, proporcionar, pela análise de padrões que se repetem, condições para que possamos projetar o futuro caminho dos preços, dentro de uma lógica de maiores probabilidades. (NORONHA, 1995)

Em outras palavras, podemos dizer que a Análise Técnica se interessa pela análise gráfica do histórico de preços da ação, e pelo seu desempenho ao longo de diversos períodos de tempo. Para tal, dispõe de uma infinidade de ferramentas capazes de gerar uma previsão aproximada para os próximos movimentos de preços. Afinal, é preciso haver uma forma de traduzir o que está ocorrendo no mercado, assim como tentar avaliar a próxima tendência, pois não se pode aplicar recursos numa ação qualquer, escolhida sem nenhum critério lógico de seleção.

Os parâmetros disponíveis para a elaboração dessas ferramentas são bem conhecidos de qualquer investidor: a cotação atual do ativo, seu histórico anterior, seu preço máximo, médio e mínimo do dia, seus valores de abertura e fechamento, seu volume financeiro e de negócios. Dispondo apenas desses dados básicos, alguns dos mais talentosos investidores e estudiosos do planeta adicionaram a eles seu conhecimento, suas experiências e sua criatividade para desenvolver métodos capazes de, segundo eles, interpretar o movimento aparentemente incoerente dos gráficos de preços, fornecendo sinais valiosos sobre qual será o próximo passo a ser dado pelo mercado e, diante disso, que posições o investidor deve assumir.

A Análise Técnica independe dos fundamentos de uma companhia, como relação preço/lucro, lucro líquido, grau de endividamento, patrimônio líquido, pagamento de dividendos, notícias sobre possíveis fusões ou venda, entre outros, que costumam afetar fortemente os investidores fundamentalistas, adeptos da Análise Fundamentalista, que é a segunda forma de análise disponível, também utilizada para a interpretação dos mercados. A escola técnica é totalmente diferente, e não está ligada à situação clínica de uma empresa. Também não sofre grandes abalos com as notícias divulgadas pelos meios de comunicação.

Partindo do princípio de que a Análise Técnica acredita que todos esses fatores já virão descontados nos gráficos de preços, muitas vezes até mesmo antes que as notícias sejam divulgadas à população em geral, os investidores técnicos concentram-se apenas em analisar os gráficos, dando-se por satisfeitos e convencidos de que estão tendo uma visão real e total das companhias, do mercado e da economia como um todo.

Sobre a eficácia da Análise Técnica, é evidente que funciona, assim como a Análise Fundamentalista também tem seus méritos, caso contrário ambas não sobreviveriam até hoje. O problema é que os investidores não dedicam ao aprendizado dessas duas nobres disciplinas o tempo e o esforço que lhes é devido.

Vejamos um exemplo semelhante: para que alguém se torne um profissional ou especialista em algo, o primeiro passo, hoje, é que ele freqüente uma faculdade ou alguns cursos técnicos sobre o assunto. Após esta preparação inicial, o que costuma durar de dois a quatro anos, o interessado sairá “cru” em direção ao mercado de trabalho, onde vai passar por um período de estágio, para que coloque em prática os conhecimentos teóricos adquiridos. Essa etapa dura de seis meses a dois anos. Só então esse indivíduo estará apto a começar, veja bem, começar a atuar profissionalmente no mercado de trabalho, e a gerar renda e valor para a empresa que o contratar. Alguns profissionais optam, também, por uma pós-graduação, um MBA ou um mestrado, visando aprofundar seus conhecimentos, agregando ainda mais pontos ao seu curriculum. Esse novo passo poderá levar um ano ou mais.

A indústria dos investimentos funciona da mesma forma, e está repleta de profissionais e especialistas, com larga experiência, que estão prontos para abocanhar verdadeiras fortunas de capital rapidamente, inclusive o seu. A maioria deles dispõe de grandes aparatos tecnológicos, sistemas de negociação e envio de ordens automáticos, além dos melhores provedores de análises de mercado. Como se não bastasse, alguns ainda contam com a retaguarda de grandes bancos de investimentos, fundos de investimentos e Corretoras de Valores, que os estimulam com altos salários, pomposas comissões e a possibilidade de operarem com taxas de corretagem próximas de zero.

Aí vem a pergunta: por que um iniciante, com pouca ou nenhuma experiência de mercado, capital reduzido, psicológico despreparado e imaturo para suportar as pressões geradas pelas operações de risco e a iminência constante de perda do capital, além de insuficiente conhecimento sobre Análise Técnica e/ou Fundamentalista, deve ser capaz de ganhar dinheiro nas Bolsas de Valores, especulando de mercado em mercado, de ação em ação? Por quê?

Como você pode notar, atuar nos mercados é uma profissão como qualquer outra. Para ganhar dinheiro nesse meio não existem segredos. O caminho é um só: o aprendizado e o domínio das técnicas de análise e dos fatores fundamentais para a sobreviência nesse mercado, como o treinamento psicológico adequado e um longo período de experiência, através da vivência prática, dia a dia. A Bolsa de Valores é, sim, um ambiente repleto de oportunidades, que surgem a todo instante, todos os dias, mas você precisa estar preparado para aproveitá-las.

Quando ouvir alguém dizer que ganhou uma bolada de dinheiro com investimentos em Bolsa, pense duas vezes antes de achar que foi apenas um lance de sorte. Talvez ele estivesse preparado, apenas aguardando pacientemente o momento certo chegar. Como muito bem disse Elmer Letterman: “Sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade”. Nos investimentos, esse conceito é absolutamente aplicável e fundamental para que se tire algum dinheiro dos mercados.

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Trecho do Livro: Segurança em Redes sem Fio (Rede Wireless)
Livro Seguranca em Redes sem Fio
Subtítulo: Aprenda a proteger suas informações em ambientes Wi-Fi e Bluetooth
Autor: Nelson Murilo de O. Rufino
Editora: Novatec
ISBN: 9788575221327

seta Saiba onde encontrar este livro

Inúmeras tecnologias estão incluídas na categoria de redes sem fio. A ênfase recairá sempre nas relacionadas com o padrão 802.11 (conhecido genericamente como Wi-Fi). Porém algumas outras serão tratadas ao longo do livro, para estabelecer semelhanças e diferenças entre elas.

1.1 Fundamentos de rede sem fio (rede wireless)

Fatores externos ocasionam muito mais interferência nas redes sem fio que as redes convencionais. Tal situação acontece, obviamente, por não existir proteção em relação ao meio por onde as informações trafegam. Nas redes convencionais, os cabos podem se valer de diversos tipos de materiais para proteção física, isolando o que ali trafega do resto do ambiente. Já com as redes sem fio, a informação não dispõe de nenhuma proteção física, mas, por outro lado, pode atingir, sem muito esforço, locais de difícil acesso para redes cabeadas. A seguir iremos conceituar os principais elementos que compõem os protocolos das redes sem fio.

1.1.1 Freqüências

Sinais de radiofreqüência são utilizados pelos mais variados tipos de serviços, que vão desde as infra-estruturas comerciais (estações de rádio e TVs, operadoras de telefonia móvel etc.) até as de uso militar, passando por serviços comunitários e de rádio amador. Porém, a maioria das faixas destinadas a cada um desses serviços não é padronizada internacionalmente. Uma faixa livre em um determinado país pode ser usada, por exemplo, em uma aplicação militar em outro, o que torna a comercialização e o uso de algumas dessas soluções por vezes complicada.

Quando falamos de freqüências de rádio, temos em mente que um sinal será propagado no espaço por alguns centímetros ou por vários quilômetros. A distância percorrida está diretamente ligada às freqüências do sinal. Em tese, quanto mais alta a freqüência, menor será a distância alcançada. A fórmula geral que define essa proporção é:

PS = 32.4 + (20 log D) + (20 log F)

Onde:

PS = perda do sinal

D = distância em quilômetros

F = freqüência em MHz

1.1.2 Canais

O espectro de radiofreqüência é dividido em faixas, que são intervalos reservados, normalmente, para um determinado tipo de serviço, definido por convenções internacionais e/ou por agências reguladoras. Uma faixa é, em geral, subdividida em freqüências menores, para permitir a transmissão em paralelo de sinais diferentes em cada uma delas. Essas freqüências menores (ou sub-freqüências) são chamadas de canais, que já fazem parte do nosso dia-a-dia há bastante tempo, como os canais de rádio (AM/FM) e televisão.

Ao navegar pelo dial do rádio é fácil perceber que não existem emissoras muito próximas umas das outras, da mesma forma que os canais de TV aberta, até há bem pouco tempo, não usavam canais adjacentes (se havia um canal 4, um canal novo não alocava o 3 ou o 5) em geral se mantinham dois ou três canais de distância. Tal fato ocorria porque um canal muito próximo de outro causava interferência neste. Em aparelhos de TV mais antigos era possível, por meio do seletor de sintonia fina, sintonizar um determinado canal em outro anterior ou posterior a este.

Algo semelhante ocorre com os canais de rede sem fio: canais de transmissão em freqüências muito próximas podem causar interferência mútua.

1.1.3 Spread Spectrum

Esta tecnologia, originalmente desenvolvida para uso militar, distribui o sinal por toda a faixa de freqüência de maneira uniforme. Consome mais banda, porém garante maior integridade ao tráfego das informações e está muito menos sujeita a ruídos e interferências que outras tecnologias que utilizam freqüência fixa predeterminada, já que um ruído em uma determinada freqüência irá afetar apenas a transmissão nessa freqüência, e não a faixa inteira. Desta maneira, o sinal necessitaria ser retransmitido somente quando – e se – fizer uso daquela freqüência. Pelo fato de preencher toda a faixa, pode ser mais facilmente detectada, mas se o receptor não conhecer o padrão de alteração da freqüência, tudo que receber será entendido como ruído. O padrão de comunicação para todos os tipos de redes sem fio atuais usa essa tecnologia.

1.1.4 Frequency-Hopping Spread-Spectrum (FHSS)

Neste modelo, a banda 2,4 GHz é dividida em 75 canais, e a informação é enviada utilizando todos esses canais numa seqüência pseudo-aleatória, em que a freqüência de transmissão dentro da faixa vai sendo alterada em saltos. Essa seqüência segue um padrão conhecido pelo transmissor e pelo receptor, que uma vez sincronizados, estabelecem um canal lógico. O sinal é recebido por quem conhece a seqüência de saltos e aparece como ruído para outros possíveis receptores. Com essa técnica, limita-se a velocidade de transmissão a 2Mbps, já que todo o espectro é utilizado e as mudanças de canais constantes causam grande retardo na transmissão do sinal.

1.1.5 Direct Sequence Spread Spectrum (DSSS)

Utilizado no padrão 802.11b, o DSSS utiliza uma técnica denominada code chips, que consiste em separar cada bit de dados em 11 subbits, que são enviados de forma redundante por um mesmo canal em diferentes freqüências, e a banda 2,4 GHz é dividida em três canais. Essa característica torna o DSSS mais susceptível a ataques diretos em uma freqüência fixa e a ruídos que ocupem parte da banda utilizada.

1.1.6 Orthogonal Frequency Division Multiplexing/Modulation (OFDM)

Trata-se de outro tipo de modo de transmissão (mais eficiente) utilizado não somente por equipamentos sem fio, mas também por redes cabeadas, como ADSL, cujas características de modulação do sinal e isolamento de interferências podem também ser bem aproveitadas. A maioria dos padrões atuais de redes sem fio adota esse modo de transmissão, principalmente por sua capacidade de identificar interferências e ruídos, permitindo troca ou isolamento de uma faixa de freqüência, ou mudar a velocidade de transmissão.

1.1.7 Bandas de radiofreqüência públicas

Seguindo-se convenções internacionais, há pelo menos três diferentes segmentos de radiofreqüência que podem ser usados sem a necessidade de obter licença da agência reguladora governamental (no caso do Brasil, esse órgão é a Anatel). Esses segmentos foram reservados a uso industrial, científico e médico (Industrial, Scientific e Medical – ISM), portanto podem ser utilizados de maneira irrestrita por qualquer aplicação que se adapte a uma dessas categorias.

As freqüências disponíveis em cada uma das três faixas são:

1) 902 – 928 MHz;

2) 2,4 – 2,485 GHz (2,4 a 2,5 GHz no Brasil);

3) 5,150 – 5,825 GHz.

1.1.8 Freqüência 2,4 GHz

Faixa de freqüência utilizada por uma vasta quantidade de equipamentos e serviços, por isso se diz que é poluída ou suja, por ser usada também por aparelhos de telefone sem fio, Bluetooth, forno de microondas, babás eletrônicas e pelos padrões 802.11b e 802.11g.

1.1.9 Freqüência 5 GHz

No Brasil, existem ainda outras faixas reservadas para ISM (tais como 24 – 24,25 GHz e 61 – 61,5 GHz, por exemplo). Em contrapartida a faixa de 5,725-5,825 GHz está alocada para uso militar, o que, atualmente, restringe a comercialização de produtos que se utilizam dela. Uma das principais diferenças dessa faixa diz respeito ao alcance do sinal, comparativamente menor em relação ao das outras freqüências, o que tanto pode ser um problema em ambientes amplos como uma vantagem adicional quando não se deseja que o sinal atinja áreas muito maiores que as necessárias para o funcionamento dos equipamentos da rede.

1.1.10 Freqüências licenciadas

Algumas soluções de redes sem fio optam por utilizar faixas de radiofreqüências menos sujeitas à interferência e, principalmente, que tenham maior alcance. Para utilizar essas aplicações, o fornecedor da solução deve requerer da agência reguladora autorização e, normalmente, pagar uma taxa de atualização. O padrão 802.16a (WiMax), por exemplo, utiliza a faixa de 2 a 11 GHz e pode atingir 50 km a uma velocidade de 10 a 70 Mb. Os fornecedores de serviço de telefonia móvel (celulares) no padrão GSM utilizam, no Brasil, a faixa de 1,8 GHz. Já em países como Canadá, México e Estados Unidos a faixa utilizada é de 1,9 GHz.

1.2 Características

Alguns conceitos são restritos às redes sem fio, alguns são adaptados das redes convencionais cabeadas, até porque foram esses padrões que nortearam o modelo Wi-Fi. Porém, a maioria deles é própria para redes sem fio, em virtude de suas características peculiares, e relaciona-se às camadas mais próximas do hardware, ou seja, 2 e 3 no modelo de referência OSI.

1.2.1 Carrier Sense Multiple Access with Collision Avoidance (CSMA/CA)

Em redes Ethernet, um meio de prevenir colisões é fazer com que todos os participantes consigam ouvir o segmento de rede, para saber se podem ou não iniciar um diálogo. Esta técnica é conhecida como Carrier Sense Multiple Access with Collision Detection (CSMA/CD). Para estabelecer uma equivalência em relação às redes cabeadas, pensou-se no mesmo procedimento para redes sem fio. Entretanto, essa equivalência não pode ser completa, tendo em vista a dificuldade de reprodução desse mecanismo em redes sem fio. Para tanto, seria necessário ter dois canais, um para recepção e outro para transmissão. E ainda assim haveria outros problemas, como, por exemplo, se duas estações em lados opostos do concentrador quisessem estabelecer comunicação.

A forma encontrada para resolver essa questão foi adotar uma solução que garantisse que no momento da liberação do meio, para que uma estação trafegasse informações, não houvesse nenhuma outra transmissão. O CSMA/CA é semelhante ao CSMA/CD no que tange à liberação imediata do meio, caso não exista tráfego, e à geração de retardo para consulta, caso esteja havendo transmissão no momento do pedido. Essas características geram acessos rápidos em redes com tráfego pequeno, os quais passam a ter resposta mais lenta quanto maior for o volume de tráfego da rede em questão. Só que, diferentemente do CSMA/CD, quando uma estação não consegue acesso ao meio após o período aleatório de espera, não recebe um novo prazo, e, sim, entra em uma fila de prioridade. Quando o meio estiver liberado, a fila vai sendo processada, o que permite que estações que estão esperando há mais tempo tenham vantagem de uso do meio, para transmissão, em relação aos pedidos mais recentes.

1.2.2 Extended Service Set Identifier (ESSID)

Também denominado o “nome da rede”, é a cadeia que deve ser conhecida tanto pelo concentrador, ou grupo de concentradores, como pelos clientes que desejam conexão. Em geral, o concentrador envia sinais com ESSID, que é detectado pelos equipamentos na região de abrangência, fazendo com que estes enviem um pedido de conexão. Quando o ESSID não está presente, ou seja, quando os concentradores não enviam seu ESSID de forma gratuita, os clientes têm de conhecer de antemão os ESSIDs dos concentradores disponíveis no ambiente, para, então, requerer conexão.

1.2.3 BEACON

Concentradores enviam sinais informando sobre sua existência, para que clientes que estejam procurando por uma rede percebam sua presença e estabeleçam corretamente conexão com um determinado concentrador. Essas informações são conhecidas como Beacon frames, sinais enviados gratuitamente pelos concentradores para orientar os clientes. Entretanto, essas características podem não existir em alguns ambientes, já que a inibição do envio desses sinais é facilmente configurável nos concentradores atuais, a despeito dessa ação, em alguns casos, comprometer a facilidade de uso e retardar a obtenção da conexão em determinados ambientes.

1.2.4 Meio compartilhado

Da mesma maneira que em redes Ethernet, também em redes WiFi o meio é compartilhado entre todas as estações conectadas a um mesmo concentrador. Desta forma, quanto maior o número de usuários, menor será a banda disponível para cada um deles. Essa mesma característica faz com que o tráfego fique visível para todas as interfaces participantes. Portanto, de forma similar às redes cabeadas, uma estação pode capturar o tráfego não originado em si ou que lhe é destinado. Se o envio do sinal para todas as estações possui um grande risco associado em redes cabeadas, em redes sem fio ganha uma dimensão muito maior: para ter acesso ao meio, um atacante não precisa estar presente fisicamente ou ter acesso a um equipamento da rede-alvo. Como o meio de transporte é o próprio ar, basta que um atacante esteja na área de abrangência do sinal.

Porém, continuando a nossa analogia com as redes cabeadas, o uso de swiches permite isolar o tráfego para grupos de um ou mais elementos. Essa característica está presente em concentradores mais recentes, que permitem da mesma forma isolar o tráfego de cada cliente sem fio conectado.

A tecnologia mais difundida para redes sem fio é o padrão Spread Spectrum, desenvolvido para uso militar, tendo como características de projeto a segurança e o uso em comunicações em situações adversas. Existem várias formas de comunicação que utilizam Spread Spectrum, como, por exemplo, o Code Division Multiple Access (CDMA) para telefonia móvel.

O uso de radiotransmissão faz com que o equipamento receptor tenha que conhecer a exata freqüência da unidade transmissora para que a comunicação seja estabelecida corretamente.

Em termos organizacionais, o padrão 802.11 define dois modos distintos de operação: Ad-Hoc e infra-estrutura.

1.2.4.1 Ad-Hoc

Funciona de forma a prescindir de um ponto central de conexão. Os equipamentos conectam-se diretamente uns aos outros, de maneira mais ou menos análoga às antigas redes feitas com cabo coaxial, onde um único cabo interligava vários equipamentos e permitia a comunicação de um ponto com qualquer outro da rede. A analogia não é perfeita, pois no caso do cabo, quando ocorria um rompimento ou mau contato, a comunicação da rede inteira (ligada pelo mesmo cabo) era prejudicada, diferentemente do modo Ad-Hoc, onde apenas o equipamento com problemas deixa de se comunicar com o restante da rede. Este modo de operação pode ser mais apropriado em situações em que não haja um concentrador disponível ou mesmo em pequenas redes, porém deve-se enfatizar que a ausência do concentrador cria vários problemas de segurança, administração e gerência da rede. Contudo, por outro lado, pode resolver questões pontuais, como acesso momentâneo para troca de arquivos em um aeroporto ou permitir comunicação rápida em um campo de batalha etc.

1.2.4.2 Infra-estrutura

O concentrador é o equipamento central de uma rede que se utiliza dessa topologia. Assim, um ponto único de comunicação é rodeado de vários clientes, fazendo com que todas as configurações de segurança fiquem concentradas em um só ponto. Tal fato permite controlar todos os itens (autorização, autenticação, controle de banda, filtros de pacote, criptografia etc.) em um único ponto. Outra vantagem deste modelo é facilitar a interligação com redes cabeadas e/ou com a Internet, já que em geral o concentrador também desempenha o papel de gateway ou ponte.

Em uma configuração onde exista um concentrador, as estações precisarão de menos esforço para cobrir uma mesma área.

1.3 Padrões atuais

O Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE) formou um grupo de trabalho com o objetivo de definir padrões de uso em redes sem fio. Um desses grupos de trabalho foi denominado 802.11, que reúne uma série de especificações que basicamente definem como deve ser a comunicação entre um dispositivo cliente e um concentrador ou a comunicação entre dois dispositivos clientes. Ao longo do tempo foram criadas várias extensões, onde foram incluídas novas características operacionais e técnicas. O padrão 802.11 original (também conhecido como WiFi), em termos de velocidade de transmissão, provê, no máximo, 2Mbps, trabalhando com a banda de 2,4 GHz.

A família 802.11 conta com as principais extensões (ou subpadrões) descritas na ordem que foram especificadas.

1.3.1 Padrão 802.11b

O primeiro subpadrão a ser definido permite 11 Mbps de velocidade de transmissão máxima, porém pode comunicar-se a velocidades mais baixas, como 5,5, 2 ou mesmo 1 Mbps. Opera na freqüência de 2,4 GHz e usa somente DSSS. Permite um número máximo de 32 clientes conectados. Foi ratificado em 1999 e definiu padrões de interoperabilidade bastante semelhante aos das redes Ethernet. Há limitação em termos de utilização de canais, sendo ainda hoje o padrão mais popular e com a maior base instalada, com mais produtos e ferramentas de administração e segurança disponíveis. Porém, está claro que esse padrão chegou ao limite e já está sendo preterido em novas instalações e em atualizações do parque instalado.

1.3.2 Padrão 802.11a

Definido após os padrões 802.11 e 802.11.b e tentando resolver os problemas existentes nestes, o 802.11a tem como principal característica o significativo aumento da velocidade para um máximo de 54 Mbps (108 Mbps em modo turbo), mas podendo operar em velocidades mais baixas. Outra diferença é a operação na faixa de 5 GHz, uma faixa com poucos concorrentes, porém com menor área de alcance. Oferece também aumento significativo na quantidade de clientes conectados (64) e ainda no tamanho da chave usada com WEP, chegando em alguns casos a 256 bits (mas possui compatibilidade com os tamanhos menores, como 64 e 128 bits). Finalmente, adota o tipo de modulação OFDM, diferentemente do DSSS usado no 802.11b. Outra vantagem deste padrão consiste na quantidade de canais não sobrepostos disponíveis, um total de 12, diferentemente dos 3 canais livres disponíveis nos padrões 802.11b e 802.11g, o que permite cobrir uma área maior e mais densamente povoada, em melhores condições que outros padrões.

O principal problema relacionado à expansão deste padrão tem sido a inexistência de compatibilidade com a base instalada atual (802.11b), já que esta utiliza faixas de freqüência diferentes. A despeito disso, vários fabricantes têm investido em equipamentos neste padrão, e procedimento similar começa a ser usado em redes novas, onde não é necessário fazer atualizações nem há redes sem fio preexistentes.

1.3.3 Padrão 802.11g

Este padrão é mais recente que os comentados anteriormente e equaciona a principal desvantagem do 802.11a, que é utilizar a faixa de 5GHz e não permitir interoperação com 802.11b. O fato de o 802.11g operar na mesma faixa (2,4 GHz) permite até que equipamentos de ambos os padrões (b e g) coexistam no mesmo ambiente, possibilitando assim evolução menos traumática do parque instalado. Além disso, o 802.11g incorpora várias das características positivas do 802.11a, como utilizar também modulação OFDM e velocidade a cerca de 54 Mb nominais.

1.3.4 Padrão 802.11i

Homologado em junho de 2004, este padrão diz respeito a mecanismos de autenticação e privacidade e pode ser implementado em vários de seus aspectos aos protocolos existentes. O principal protocolo de rede definido neste padrão é chamado RSN (Robust Security Network), que permite meios de comunicação mais seguros que os difundidos atualmente. Está inserido neste padrão também o protocolo WPA, que foi desenhado para prover soluções de segurança mais robustas, em relação ao padrão WEP, além do WPA2, que tem por principal característica o uso do algoritmo criptográfico AES (Advanced Encryption Standard). Várias características deste padrão, como os problemas já constatados e de vários de seus métodos de promover maior nível de segurança, estão detalhados nos capítulos subseqüentes.

1.3.5 Padrão 802.1n

Também conhecido como WWiSE (World Wide Spectrum Efficiency), este é um padrão em desenvolvimento, cujo foco principal é o aumento da velocidade (cerca de 100 a 500 Mbps). Paralelamente, deseja-se aumento da área de cobertura. Em relação aos padrões atuais há poucas mudanças. A mais significativa delas diz respeito a uma modificação de OFDM, conhecida como MIMO-OFDM (Multiple Input, Multiple Out-OFDM). Outra característica deste padrão é a compatibilidade retroativa com os padrões vigentes atualmente. O 802.11n pode trabalhar com canais de 40 Mhz e, também, manter compatibilidade com os 20 MHz atuais, mas neste caso as velocidades máximas oscilam em torno de 135 Mbps.

1.3.6 Padrão 802.1x

Mesmo não sendo projetado para redes sem fio (até por ter sido definido anteriormente a esses padrões), o 802.1x possui características que são complementares a essas redes, pois permite autenticação baseada em métodos já consolidados, como o RADIUS (Remote Authentication Dial-in User Service), de forma escalável e expansível. Desta maneira é possível promover um único padrão de autenticação, independentemente da tecnologia (vários padrões de redes sem fio, usuários de redes cabeadas e discadas etc.), e manter a base de usuários em um repositório único, quer seja em banco de dados convencional, LDAP ou qualquer outro reconhecido pelo servidor de autenticação.

É importante notar que para esta infra-estrutura funcionar, basta que os componentes – concentrador, servidor RADIUS e outros opcionais, como: LDAP, Active Directory, banco de dados convencionais etc. – estejam interligados por meio de uma rede. A localização física de cada elemento tem pouca importância.

Este padrão pressupõe a presença de um elemento autenticador, tipicamente um servidor RADIUS, e um requerente, ou seja, o elemento que requer autenticação, no caso o equipamento cliente. Essa autenticação é feita antes de qualquer outro serviço de rede estar disponível ao usuário requerente. Este, primeiramente, solicita autenticação ao autenticador, que verifica em sua base de dados as credenciais apresentadas pelo cliente, e conforme a validade ou não dessas credencias (normalmente o binômio usuário/senha), permite ou não o acesso a estas. Uma autenticação bem-sucedida irá deflagrar todos os outros processos para permitir ao usuário acesso aos recursos da rede, o que pode incluir receber um endereço via DHCP ou outro protocolo de atribuição de endereços IP, com informações de roteamentos, servidores DNS, liberar roteamento na porta do switch etc.

É fácil visualizar o uso deste padrão para coibir o uso não autorizado de pontos de rede, pois em geral pontos de rede desocupados estão ativos e operacionais. Para isso, basta conectar um equipamento de rede para ter acesso total ou parcial aos serviços da rede da organização ou mesmo acesso à Internet.

Em se tratando de redes sem fio, a mecânica é semelhante: só estará apto a fazer uso dos serviços da rede o usuário (e/ou equipamento) que estiver devidamente autenticado no servidor RADIUS. O 802.1x pode utilizar vários métodos de autenticação no modelo EAP (Extensible Authentication Protocol), que define formas de autenticação baseadas em usuário e senha, senhas descartáveis (OneTime Password), algoritmos unidirecionais (hash) e outros que envolvam algoritmos criptográficos.

1.4 Conclusões

Cabe notar que vários fornecedores estão optando por fabricar equipamentos que podem operar em ambos os padrões (802.11a e 802.11g), tornando a escolha por um desses padrões pouco traumática e menos definitiva, pois a opção por um padrão em um determinado momento pode ser trocada sem problemas futuramente. Ou também pode permitir ao administrador utilizar ambos os padrões (802.11a/g) simultaneamente, para atender a diferentes demandas. Por o 802.11g interoperar com o 802.11b, permite que clientes que só têm esse padrão disponível façam uso dos recursos de redes sem fio da instalação.

Além da possibilidade de combinação dos vários padrões no mesmo equipamento, essas características podem ser integradas a uma autenticação robusta e flexível fornecida pelo padrão 802.1x, para, com métodos de criptografia forte quando adotado o 802.11i, complementar os dispositivos necessários para montar realmente um modelo de segurança para redes sem fio.

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Trecho do Livro: Como Investir em Ações
Livro Como Investir em Acoes
Autor: Carlos Alberto Orge Pinheiro
Editora: Ciência Moderna
ISBN: 9788573936254

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O Mercado de Ações é considerado eficiente quando o preço das ações, como fixado no mundo real, constitui uma boa estimativa do valor teórico para essas ações. Assim, o preço consegue antecipar corretamente o futuro, uma vez que leva em consideração as informações do mercado.

A ideia de que o mercado de ações é eficiente acaba negando a busca por padrões recorrentes e previsíveis nos preços das ações, seja através da análise técnica seja através da análise fundamentalista. Enquanto o primeiro grupo busca reconhecer oportunidades para comprar ou vender ações através das informações gráficas do retorno das ações o segundo busca essas oportunidades através de uma avaliação da empresa e do seu segmento, com base em informes econômicos e contábeis.

Independentemente da forma como as ações podem ser escolhidas a contribuição de Markowitz em 1952, através do conceito de diversificação, é fundamental para a criação de carteiras de ações. Neste caso, conforme o número de ações cresce numa carteira de ações o risco associado à operação de investimento é reduzido. Portanto, a combinação das ações de diferentes comportamentos, reduz o risco pela eliminação do risco de cada ação. Mais quais são os riscos que estão associados a uma ação?

Existem dois tipos de riscos associados a uma empresa cotada em bolsa. O primeiro risco é o risco não sistemático ou diversificável que é provocado por eventos relacionados com a atividade da empresa, a exemplo dos seus processos judiciais, das greves, dos programas de desenvolvimento além dos programas de parcerias com outras empresas.

O segundo é o risco sistemático que é provocado por fatores que sistematicamente afetam grande parte das empresas a exemplo das guerras, do processo inflacionário e das recessões econômicas além das taxas de juros e câmbio. Este último não pode eliminado pela diversificação, requerendo um prêmio.

Durante muito tempo, a dispersão do retorno da ação em relação à média foi considerada como parâmetro de risco. Ou seja, quanto mais voláteis fossem os retornos de uma ação, mais arriscada seria como maior seria o prêmio exigido pelo acionista. Paralelo a está ideia, o risco assume o conceito de dispersão em relação a um parâmetro, que não necessariamente é a média dos retornos das ações. Se de um lado temos o uso do desvio-padrão como medida de risco do outro lado temos o uso do semi-desvio.

Com base nessas ideias, explicamos o uso de dois modelos de otimização de carteiras de ações, através do Excel. Com o livro não pretendemos esgotar todo o assunto sobre otimização, mas permitir que o acionista possa diversificar eficientemente sua carteira de ações. Atuando de forma ativa poderá definir ações responsáveis por retornos compatíveis com o mercado e de risco reduzido. O investidor deve dedicar-se a esta atividade compreendendo que os resultados no mercado de capitais são de longo prazo.

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Trecho do Livro: Mais Tempo, Mais Dinheiro | Gustavo Cerbasi
Livro Mais Tempo Mais Dinheiro
Autores: Gustavo Cerbasi e Christian Barbosa
Editora: Thomas Nelson Brasil
ISBN: 9788578600501

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As gerações de produtividade. Quando, aos 9 anos, comecei a programar e a ganhar algum dinheiro com a venda de joguinhos ou de programas para a empresa do meu pai, eu sempre ouvia as pessoas me dizerem: “Tempo é dinheiro! Quanto mais rápido você acabar o programa, mais rápido vai receber.” O tempo passou e essa frase ainda é recorrente nos dias de hoje, porém está começando a ser substituída por “Tempo é vida, vamos aproveitar!” (Christian Barbosa)

Essas frases nos mostram um choque de ideias mais profundo, sendo, na verdade, um choque entre gerações que mudaram radicalmente a forma como encaram o uso da tecnologia, do conhecimento, da cultura e, obviamente, do tempo e do dinheiro.

Existem diversas definições para a idade exata que define uma geração, o que, em nosso contexto, não é o mais importante. O que melhor define uma geração, em termos práticos, é um conjunto de vivências históricas compartilhadas, princípios de vida, visão, valores comuns, formas de relacionamento e de lidar com o trabalho e a vida.

Façamos uma reflexão sobre as quatro principais gerações vivas existentes: os Baby Boomers, a Geração X, a Geração Y e a novíssima Geração Z. Antes dessas gerações temos os chamados Seniores, que nasceram antes de 1925 e formam uma geração que criou grandes fortunas, e os Builders (construtores), que nasceram de 1926 a 1945 e foram os grandes responsáveis por iniciarem os princípios de gestão de tempo. Depois deles, vieram os Baby Boomers — expressão que vem de baby boom, ou explosão de bebês, referindo-se ao grande aumento no número de nascimentos após a segunda guerra.

Baby Boomers

Os Baby Boomers nasceram entre 1946 e 1964, época que foi marcada inicialmente por grandes taxas de desemprego, devido ao término da indústria bélica. Eles tinham uma necessidade de empreender ou de criar grandes estruturas corporativas, eram voltados a normas e burocracias e adoravam uma hierarquia. Em um artigo da revista HSM de novembro de 1998, um executivo sênior de um banco de Nova York, típico baby boomer, contou sua experiência: “Como subalterno, eu sequer tinha uma sala, é claro. Trabalhava em um local que eles costumavam chamar de plataforma. Ter uma sala era sinal de sucesso. Só usávamos camisas brancas. Usávamos chapéu dentro e fora do escritório. Os chapéus faziam parte do uniforme. E, obviamente, não ousávamos tirar o paletó. Nem mesmo dentro da sala, para os que tinham uma. Era totalmente proibido. Ficávamos de paletó o dia todo, mesmo com a porta da sala fechada.”

O uso do tempo pelos Baby Boomers estava extremamente associado à produção, já que, por quanto mais tempo você produzisse, mais reconhecido seria e mais dinheiro ganharia. O tempo era fundamentado principalmente na realização da vida profissional. Equilíbrio era uma questão secundária. Tempo era unicamente dinheiro e a mulher não tinha uma posição no mercado profissional, sendo seu tempo focado na casa e nos filhos.

Geração X

A Geração X compreende as pessoas nascidas basicamente entre 1965 e 1980, mas alguns especialistas consideram até 1977 e dizem que a Geração Y teve início em 1978. A Geração X possui uma visão claramente contrária à dos Baby Boomers. Eles basicamente desejam contradizer os padrões criados pelas gerações anteriores.

Dá para entender um pouco melhor a Geração X se analisarmos que ela viveu grandes transformações históricas e culturais, como a queda do Muro de Berlim, o fim dos grandes estadistas, a geração MTV, o início do microcomputador, Apple, Microsoft, Tartarugas Ninja, He-Man, Disney Magic Kingdom, Palm, Aids, Blade Runner, cultura hippie etc. Foram tantas novidades e mudanças, que fizeram com que a Geração X tivesse uma completa ruptura ideológica e social com as gerações anteriores.

O uso do tempo da Geração X também teve várias transformações, começando pelo desenvolvimento de metodologias e formas de ver o tempo de outra maneira, não apenas focando a vida profissional. A questão do equilíbrio entre vida pessoal e profissional se tornou vital para a carreira. A introdução da internet e do e-mail, nesse contexto, transformou a forma de comunicação do profissional e a velocidade da informação passou a gerar a sensação de que ele está correndo mais rápido a cada dia.

A Geração X coloca a mulher em posições de destaque no mercado de trabalho e quebra diversos tabus. Por exemplo, entre as mulheres da Geração X que responderam a uma pesquisa do Gallup, 61% disseram preferir se subordinar a outra mulher, contra 26% das mulheres de um grupo da geração baby boom. Em contrapartida, novas atividades geram para a mulher um volume de estresse nunca antes visto, aumentando significativamente o número de infartos femininos e a busca por formas de ter uma vida mais equilibrada.

Geração Y

A Geração Y compreende as pessoas nascidas entre 1979 e 2000, e que vêm ocupando um grande espaço no mercado de trabalho. É a geração Power Ranger, Jimmy Neutron, Orkut, Matrix, Twitter, iPod, iPhone etc. Boa parte da sua vida esteve dentro de um computador conectado à internet, muitos usaram MSN, GTalk e Skype, entre outras ferramentas para fazer os trabalhos da escola ou da faculdade.

É uma geração muito decidida, sabe o que quer, alguns parecem ter seu próprio mundo, sua própria comunidade. Muitos são filhos de “Xs” que não tinham muito tempo para si próprios ou viveram com pais separados. A Geração Y está transformando a forma como as empresas funcionam. O pessoal da área de Tecnologia da Informação tem muito trabalho para lidar com essa geração que quer se comunicar por Twitter, instalar blogs e criar comunidades no Facebook ou no MySpace para a empresa.

Uma grande parcela de empresas de web, software e marketing, entre outros segmentos, é composta 100% por pessoas da Geração Y. Em termos de tempo, esse pessoal se importa como nunca em fazer as coisas de que gosta, ter tempo para lazer, para jogar Nintendo Wii ou PSP, ficar em comunidades na Net. Equilíbrio é mais importante que cargo ou salário. Outra grande mudança é a tendência a multitarefa. Apesar de a qualidade ainda não ser muito efetiva, eles já começam a dar os primeiros passos para fazer muitas coisas bem feitas ao mesmo tempo. Usam a internet para gerenciar e colaborar, usam softwares de produtividade, gostam de reuniões virtuais e não gostam muito de conversar via e-mail.

O que veremos nos próximos anos é uma adequação, e não um conflito de valores entre as gerações. Cerca de 75 milhões de trabalhadores terão se aposentado nos próximos dez anos nos EUA — os baby boomers — e, com eles, 50% dos CEOs das maiores empresas do país. Para que as organizações consigam suprir essa lacuna, os profissionais que já estão no mercado (Geração X) deverão interagir com a Geração Y, que está chegando agora e conta com apenas 45 milhões de pessoas.

Geração Z

E, por fim, chegamos a ainda pouco divulgada Geração Z ou, como dizem, The New Kids on the Virtual Block (as novas crianças no bloco virtual). É a geração que engloba todas as pessoas nascidas após o ano 2000. Essa geração nasceu com internet banda larga, Google, smartphone, jogos online, Xbox e mais uma série de gadgets.

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Eu, que colaborei com o nascimento de dois membros da Geração Z, ouvi de meu filho mais velho quando estava na quarta série: “Pai, como você fazia na escola, quando não tinha Google nem MSN?” (Christian Barbosa)
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Essa ultranova geração nasceu na velocidade do conhecimento. Eles não são acelerados; velocidade é o ritmo normal deles. Têm acesso a um volume de informações a que nenhuma outra geração teve tão fácil e rapidamente, e a forma como eles levarão isso ao mercado profissional é o que veremos nas próximas décadas. Tudo indica que eles serão a geração do tempo bem aproveitado! Serão mais focados, conseguirão executar múltiplas atividades com mais qualidade e terão uso pleno das tecnologias de colaboração.

Gerações estressadas

Existe um problema que, infelizmente, se tornou comum ao longo de todas as gerações atuais: o estresse. Nosso mundo moderno criou uma sociedade de pessoas estressadas, sobrecarregadas, com excesso de informação e de prioridades.

Existem diversas definições para o estresse, mas podemos sintetizá-lo na reação biológica do seu organismo, na resposta de algum tipo de demanda. Qualquer coisa que imponha um desafio ou ameace o seu bem-estar é um tipo de estresse.

O estresse não é uma doença, mas sim a capacidade da pessoa de se adaptar a qualquer estímulo, tanto físico como emocional. Essa capacidade de adaptação é estudada desde o início do século passado, mas só foi estabelecida da forma como a conhecemos a partir dos trabalhos dos fisiologistas Walter Cannon e Hans Selye, que a denominaram de síndrome geral de adaptação, ou estresse (palavra que foi trazida da engenharia, e que se refere ao desgaste de materiais submetidos à pressão excessiva).

A falta de tempo e de dinheiro gera estresse? Não encontramos nenhuma pesquisa sobre essa pergunta, mas podemos concluir que, sem dúvida, as preocupações financeiras deixam você sem dormir, o que acaba afetando sua produtividade e deixando-o sem tempo para nada. Em consequência, seu nível de estresse aumenta e tira sua capacidade de criar novas oportunidades para ampliar sua renda. É um círculo vicioso, que, se não for interrompido, paralisará seu progresso.

De acordo com uma pesquisa da União Geral dos Trabalhadores na Europa, feita em junho de 2008, 73% dos trabalhadores sofrem de estresse no ambiente de trabalho. Três quartos deles também têm problemas de saúde por conta dessa situação. As doenças mais comuns são fadiga, dor no pescoço, dor de cabeça, irritabilidade, sensação de angústia, insônia, falta de concentração e dificuldades de visão.

Outro estudo, realizado pelo Hospital do Coração de São Paulo em 2008, com mais de 400 executivos que passaram pelo seu check-up clínico, mostrou que 59% dos pesquisados não estão apenas com estresse, mas sim com um índice elevadíssimo de estresse. O detalhe dessa pesquisa é que a faixa etária dos pesquisados está entre os 20 e 30 anos, ou seja, a Geração Y está estressada!

Um estudo da International Stress Management Association no Brasil mostrou que 70% dos brasileiros sofrem de estresse no trabalho. Mas não é um número muito diferente de outros níveis mundiais. Na Inglaterra, o percentual é similar. Nos Estados Unidos, sobe para 72%. De acordo com a Associação Médica Americana, o estresse está direta ou indiretamente relacionado às seis principais causas de morte no mundo: doenças do coração, câncer, enfermidades do pulmão, acidentes, cirrose e suicídio. Nesse campo, o Japão ocupa o primeiro lugar, apresentando 70% de profissionais estressados em fase burnout (nível intenso de exaustão prolongada e diminuição de interesse, especialmente em relação ao trabalho e às pessoas). Em segundo está o Brasil, com 30% nessa fase, seguido pelos Estados Unidos, com 20%.

Na pesquisa feita entre mais de 5 mil mulheres para o livro Você, Dona do Seu Tempo (Christian Barbosa, Editora Gente, 2007), quando questionadas sobre se conseguiam equilibrar vida pessoal e profissional, 70% das entrevistadas afirmaram que não conseguem ter tempo para ambas as coisas, e isso acaba sendo a causa de grande estresse e frustração.

A boa notícia com relação a todos esses dados alarmantes do estresse é que ele pode ser mantido em níveis aceitáveis, se você conseguir aprender a administrar bem seu tempo e sua vida financeira. Nosso objetivo é ajudá-lo a se conscientizar de que tempo é vida e que sucesso não será medido apenas pelas suas conquistas materiais, mas sim pela qualidade de vida que você tiver! Para conseguir essa desejada melhoria no uso de seus preciosos recursos, iniciaremos explicando como suas decisões de hoje influenciam toda sua vida futura, determinando o ritmo de construção — ou destruição — de seu bem-estar e prosperidade.

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