Literatura Estrangeira

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Trecho do Livro: Os Arquivos do Semideus
Os Arquivos do Semideus
Autor: Rick Riordan
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788598078892

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Querido jovem semideus,

Se você está lendo este livro, só posso me desculpar. Sua vida está prestes a ficar muito perigosa.

A essa altura, você provavelmente já descobriu que não é um mortal comum. Este livro foi feito para dar a você uma visão privilegiada do mundo dos semideuses, que nenhuma criança humana seria autorizada a ter. Como escriba sênior do Acampamento Meio-Sangue, espero que as informações supersecretas aqui contidas deem algumas dicas e ideias que possam manter você vivo durante o seu treinamento.

Os arquivos do semideus contêm três das mais perigosas aventuras de Percy Jackson, nunca antes registradas. Você saberá como ele conheceu os imortais e terríveis filhos de Ares. Conhecerá a verdade sobre o dragão de bronze, há muito tido apenas como uma lenda do Acampamento Meio-Sangue. E descobrirá como Hades adquiriu uma nova arma secreta e como Percy foi forçado a ter uma participação não desejada na sua criação. Essas histórias não devem aterrorizá-lo, mas é importante você saber quão periculosa a vida de um herói pode ser.

Quíron também me deu permissão para divulgar entrevistas confidenciais com alguns de nossos mais importantes campistas, incluindo Percy Jackson, Annabeth Chase e Grover Underwood. Por favor, tenha em mente que as entrevistas foram dadas confidencialmente. Passe essas informações para qualquer não semideus e você poderá encontrar Clarisse avançando na sua direção com a lança elétrica dela. Acredite em mim, você não quer isso.

Finalmente, incluí ilustrações para ajudá-lo a se orientar. Você encontrará retratos de várias personalidades do Acampamento Meio-Sangue para que possa reconhecê-las quando as encontrar pessoalmente. Annabeth Chase permitiu que mostrássemos sua mala para que você pudesse ter uma ideia do que levar em seu primeiro verão. Há ainda um mapa do acampamento, o qual espero que o ajude a não se perder nem ser engolido por monstros.

Estude bem estas páginas, porque suas próprias aventuras estão apenas começando. Que os deuses estejam com você, jovem semideus!

Um abraço afetuoso,

Rick Riordan (Escriba sênior, Acampamento Meio-Sangue)

_______________

Percy Jackson e a Quadriga Roubada

Eu estava no quinto tempo, na aula de ciências, quando ouvi sons vindos de fora.

SCRAUC! AU! SCRECH! EIA!

Era como se alguém estivesse sendo atacado por uma galinha possuída. E, acredite, essa é uma situação que já vivi. Ninguém mais pareceu notar o tumulto. Estávamos no laboratório, e todo mundo estava conversando, então, não foi difícil olhar pela janela enquanto fingia que lavava meu béquer.

Como eu suspeitava, havia uma garota no beco empunhando uma espada. Ela era alta e musculosa como uma jogadora de basquete, tinha cabelos castanhos oleosos e usava jeans, coturnos e jaqueta de brim. Estava golpeando um bando de pássaros pretos do tamanho de corvos. Havia penas presas a suas roupas em vários lugares. Um corte acima de seu olho esquerdo sangrava. Enquanto eu a observava, um dos pássaros lançou uma pena como se fosse uma flecha, que se alojou no ombro dela. Ela praguejou e tentou acertar o animal, mas ele voou para longe.

Infelizmente, reconheci a garota. Era Clarisse, minha antiga inimiga no acampamento para semideuses. Ela costumava passar o ano inteiro no Acampamento Meio-Sangue. Eu não tinha ideia do que Clarisse fazia no Upper East Side no meio de um dia de aula, mas, obviamente, ela estava com problemas. E não ia aguentar por muito mais tempo.

Fiz a única coisa que podia.

— Sra. White — chamei —, posso ir ao banheiro? Acho que vou vomitar.

Sabe quando os professores ensinam que as palavras mágicas são por favor? Isso não é verdade. A palavra mágica é vomitar. Ela tira você da sala de aula mais rápido do que qualquer outra coisa.

— Vá! — respondeu a sra. White.

Corri para a porta, tirando os óculos de proteção, as luvas e o avental do laboratório. Então saquei minha melhor arma: uma caneta esferográfica chamada Contracorrente.

Ninguém me parou nos corredores. Saí pelo ginásio. Cheguei ao beco a tempo de ver Clarisse acertar um pássaro demoníaco com a lateral da espada como numa rebatida de beisebol. O pássaro guinchou e voou para longe em espiral, batendo na parede de tijolos e escorregando para dentro de uma lixeira. Mesmo assim, ainda havia uma dúzia deles em volta dela.

— Clarisse! — gritei.

Ela me lançou um olhar furioso, descrente.

— Percy? O que você está fazendo…

Ela foi interrompida por uma saraivada de penas que zuniram sobre sua cabeça e espetaram-se na parede.

— Essa é a minha escola.

— Que sorte a minha — Clarisse resmungou, mas estava muito ocupada para reclamar mais.

Destampei minha caneta, que se tornou uma espada de bronze de um metro de comprimento, e entrei na batalha golpeando os pássaros e desviando as flechas com a lâmina. Juntos, Clarisse e eu atacamos e atingimos os pássaros até que todos fossem reduzidos a pilhas de penas no chão.

Nós dois respirávamos com dificuldade. Eu tinha alguns arranhões, mas nada além disso. Arranquei do meu braço uma pena. Ela não tinha me perfurado muito. Se não fosse venenosa, eu ficaria bem. Tirei um saquinho de ambrosia do bolso da jaqueta, onde sempre o mantinha para emergências, parti um pedaço ao meio e ofereci um pouco a Clarisse.

— Não preciso da sua ajuda — murmurou ela, mas pegou a ambrosia mesmo assim.

Engolimos alguns pedaços, mas não muitos, já que a comida dos deuses pode queimar até as cinzas se ingerida em excesso. Acho que é por isso que não há muitos deuses gordos. De qualquer forma, em poucos segundos nossos cortes e arranhões desapareceram.

Clarisse colocou sua espada na bainha e bateu a sujeira da jaqueta.

— Então… a gente se vê.

— Espere aí! — retruquei. — Você não pode ir embora assim.

— Claro que posso.

— O que está acontecendo? O que está fazendo fora do acampamento? Por que aqueles pássaros estavam perseguindo você?

Clarisse me empurrou, ou tentou me empurrar. Eu estava bastante acostumado com seus truques, então apenas dei um passo para o lado e deixei que ela passasse direto por mim.

— Vamos lá — insisti. — Você quase foi morta na minha escola. Isso agora virou assunto meu.

— Não virou, não!

— Deixe eu ajudar você.

Ela deu um breve suspiro. Senti que realmente queria me bater. Mas, ao mesmo tempo, havia desespero em seus olhos, como se ela estivesse com sérios problemas.

— São meus irmãos — começou ela. — Eles estão aprontando comigo.

— Ah — respondi, sem muita surpresa. Clarisse tinha muitos irmãos no Acampamento Meio-Sangue. Todos implicavam uns com os outros. Acho que isso era esperado, já que são filhos e filhas do deus da guerra, Ares. — Que irmãos? Sherman? Mark?

— Não — respondeu ela, parecendo assustada como eu nunca tinha visto. — Meus irmãos imortais. Phobos e Deimos.

Sentamos num banco do parque enquanto Clarisse me contava a história. Eu não estava muito preocupado em voltar para a escola. A sra. White chegaria à conclusão de que a enfermeira teria me mandado para casa, e o sexto tempo era aula de trabalhos manuais. O sr. Bell nunca fazia chamada.

— Então me deixe entender isso direito. Você pegou o carro do seu pai para dar uma volta e agora ele sumiu.

— Não é um carro — rosnou Clarisse. — É uma quadriga de guerra! E ele me disse que pegasse. É como… um teste. Eu deveria trazê-la de volta ao pôr do sol. Mas…

— Seus irmãos roubaram o carro de você.

— Roubaram a quadriga — corrigiu ela. — Normalmente, são eles que a guiam, entende? E não gostam que ninguém mais o faça. Então, roubaram a quadriga e me perseguiram com esses pássaros idiotas que disparam flechas.

— Os animais de estimação do seu pai?

Ela assentiu, chateada.

— Eles guardam o templo. De qualquer forma, se eu não encontrar a quadriga…

Parecia que ela estava prestes a ter um ataque de nervos. Eu não a culpo. Já vi seu pai, Ares, ficar irritado, e não foi uma visão agradável. Se Clarisse o decepcionasse, ele pegaria pesado com ela. Muito pesado.

— Vou ajudar você — ofereci.

- Por que faria isso? Eu não sou sua amiga — devolveu ela, irritada.

Não pude argumentar diante daquilo. Clarisse tinha agido mal comigo um milhão de vezes, mas, ainda assim, eu não gostava da ideia de ela ou qualquer outra pessoa estar na mira de Ares. Eu tentava descobrir como explicar isso a ela quando ouvimos uma voz masculina.

— Ah, olhe só. Acho que ela andou chorando!

Um garoto mais velho estava encostado num telefone público. Usava jeans surrado, camiseta preta e jaqueta de couro, e uma bandana cobria seus cabelos. Tinha uma faca presa ao cinto. Seus olhos eram da cor de chamas.

— Phobos. — Clarisse cerrou os punhos. — Onde está a quadriga, seu idiota?

— Você a perdeu — provocou ele. — Não pergunte a mim.

— Seu…

Clarisse desembainhou a espada e partiu para o ataque, mas Phobos desapareceu bem no meio do golpe e a lâmina acertou o poste do telefone público.

Ele apareceu no banco ao meu lado. Estava rindo, mas parou quando encostei a ponta de Contracorrente em sua garganta.

— É melhor você devolver aquela quadriga — eu disse a ele. — Antes que eu me irrite.

Phobos me olhou com desprezo e tentou parecer durão, ou tão durão quanto alguém pode ficar com uma espada na garganta.

— Quem é o seu namoradinho, Clarisse? Agora você precisa de ajuda para vencer suas batalhas?

— Ele não é meu namorado! — Com um puxão, Clarisse tirou sua espada do poste. — Não é nem meu amigo. Esse é Percy Jackson.

Algo mudou na expressão de Phobos. Ele pareceu surpreso, talvez até nervoso.

— O filho de Poseidon? Aquele que deixou papai furioso? Ah, isso é muito bom, Clarisse. Você está andando com um arqui-inimigo?

— Eu não estou andando com ele!

Os olhos de Phobos brilharam num vermelho bem vivo.

— Por favor, não! — gritou Clarisse. Ela golpeou o ar como se estivesse sendo atacada por insetos invisíveis.

— O que está fazendo com ela? — eu quis saber.

Clarisse se afastou para a rua, balançando sua espada furiosamente.

— Pare com isso! — eu disse a Phobos.

Apertei minha espada um pouco mais fundo em sua garganta, mas ele simplesmente sumiu, reaparecendo perto do telefone público.

— Não se anime tanto, Jackson — disse Phobos. — Só mostrei a ela aquilo de que ela tem medo.

O brilho desapareceu dos seus olhos.

Clarisse se curvou, respirando com dificuldade.

— Seu desgraçado — arfou ela. — Eu vou… eu vou pegar você.

Phobos se virou para mim.

— E quanto a você, Percy Jackson? O que você teme? Sabe, vou descobrir. Eu sempre descubro.

— Devolva a quadriga. — Tentei manter minha voz calma. — Enfrentei seu pai uma vez. Você não me assusta.

— Nada a temer além do medo em si. Não é o que dizem? — Phobos riu. — Bom, deixe eu contar um segredinho a você, meio-sangue. Eu sou o medo. Se você quer a quadriga, venha pegar. Está sobre as águas. Você vai encontrá-la onde vivem os animaizinhos selvagens, exatamente o tipo de lugar a que você pertence. — Ele estalou os dedos e desapareceu numa cortina de fumaça amarela.

Preciso dizer: conheci muitos deuses inferiores e monstros de que não gostei, mas Phobos ganhou o prêmio máximo. Não gosto de valentões. Nunca pertenci à turma dos populares da escola, então passei a maior parte da minha vida me defendendo de punks que tentavam amedrontar a mim e a meus amigos. A forma como Phobos riu de mim e fez Clarisse desmoronar só com o olhar… Queria dar uma lição nesse cara.

Ajudei Clarisse a se levantar. Seu rosto ainda estava coberto pelo suor.

— Agora você quer ajuda? — perguntei.

Pegamos o metrô preparados para novos ataques, mas ninguém nos incomodou. Enquanto viajávamos, Clarisse me falou sobre Phobos e Deimos.

— Eles são deuses inferiores — explicou ela. — Phobos é o medo. Deimos é o pânico.

— Qual é a diferença?

Ela deu de ombros.

— Deimos é maior e mais feio, eu acho. Ele é bom em enlouquecer multidões. Phobos é mais, digamos, pessoal. Ele consegue invadir a sua mente.

— É daí que vem a palavra fobia?

— Sim — resmungou ela. — Ele tem muito orgulho disso. Todas aquelas fobias nomeadas em homenagem a ele. O idiota.

— E por que eles não querem que você conduza a quadriga?

— Isso costuma ser um ritual apenas para os filhos homens de Ares, quando completam quinze anos. Eu sou a primeira menina a ter uma chance em muitos anos.

— Bom para você.

— Diga isso a Phobos e a Deimos. Eles me odeiam. Eu tenho de levar aquela quadriga de volta ao templo.

— Onde é o templo?

— Píer 86. O Intrepid.

— Ah.

Aquilo fazia sentido, pensei na hora. Na verdade, eu nunca estivera a bordo do antigo porta-aviões, mas sabia que era usado como uma espécie de museu militar. Provavelmente, estava cheio de armas e bombas e outros brinquedos perigosos. Exatamente o tipo de lugar que um deus da guerra gostaria de frequentar.

— Talvez tenhamos cerca de quatro horas antes do pôr do sol — supus. — Pode ser tempo suficiente, se acharmos a quadriga.

— Mas o que Phobos quis dizer com “sobre as águas”? Estamos numa ilha, pelo amor de Zeus. Pode estar em qualquer lugar!

— Ele disse alguma coisa sobre animais selvagens — lembrei. — Animaizinhos selvagens.

— Um zoológico?

Concordei. Um zoológico sobre as águas pode ser o do Brooklyn, ou talvez… algum lugar de difícil acesso, com pequenos animais selvagens. Algum lugar onde ninguém pensaria em procurar uma quadriga.

— Staten Island — sugeri. — Há um pequeno zoológico lá.

— Talvez — respondeu Clarisse. — Esse parece o tipo de lugar fora do comum em que Phobos e Deimos esconderiam alguma coisa. Mas se estivermos errados…

— Não temos tempo para estarmos errados.

Descemos na Times Square e pegamos o trem número 1 para o centro de Manhattan, em direção ao cais das barcas.

Embarcamos para Staten Island às três e meia da tarde, com um monte de turistas que lotavam as grades do deque superior, tirando fotografias conforme passávamos pela Estátua da Liberdade.

— Ele a esculpiu em homenagem à mãe — comentei, observando a estátua.

— Quem? — Clarisse olhou para mim com desdém.

— Bartholdi — respondi. — O cara que fez a Estátua da Liberdade. Ele era filho de Atena e projetou a estátua de forma que se parecesse com a mãe dele. Bom, foi o que Annabeth me contou.

Clarisse revirou os olhos. Annabeth era minha melhor amiga e tinha loucura por arquitetura e monumentos. Acho que, às vezes, sua fixação pelo assunto acabava me contaminando.

— Inútil — Clarisse considerou. — Se não ajuda você na batalha, é uma informação inútil.

Eu poderia ter discutido com ela, mas, logo em seguida, a barca se inclinou como se tivesse batido em uma rocha. Os turistas escorregaram, derrubando uns aos outros. Clarisse e eu corremos para a frente do barco. A água abaixo de nós começou a borbulhar. Então, a cabeça de uma serpente marinha emergiu na baía.

O monstro era, no mínimo, tão grande quanto o barco. Era cinza e verde, e possuía uma cabeça de crocodilo e dentes em formato de lâminas afiadas. Cheirava como… bom, como alguma coisa que tivesse acabado de sair do fundo das águas do porto de Nova York. Montado em seu pescoço, estava um garoto forte que usava uma armadura grega de cor preta. Seu rosto estava coberto de feias cicatrizes, e ele segurava uma lança.

— Deimos! — berrou Clarisse.

— Olá, irmã! — Seu sorriso era quase tão terrível quanto o da serpente. — Que tal uma brincadeira?

O monstro rugiu. Os turistas gritaram e se dispersaram. Não sei exatamente o que viram, a Névoa geralmente evita que mortais vejam monstros em sua forma verdadeira. Mas, seja lá o que tenham visto, deixou-os aterrorizados.

— Deixe-os em paz! — berrei.

— Ou o quê, filho do deus do mar? — Deimos desdenhou. — Meu irmão me disse que você é um banana! Além disso, eu amo pânico. Eu vivo em meio ao pânico!

Ele incitou a serpente a golpear a barca com a cabeça, e, com o impacto, ela espalhou água para trás. Alarmes dispararam. Passageiros se atropelaram ao tentar fugir. Deimos gargalhava de felicidade.

— Chega — murmurei. — Clarisse, agarre aqui.

— O quê?

— Agarre meu pescoço. Vamos dar uma volta.

Ela não protestou. Agarrou-se a mim e eu comecei a contar:

— Um, dois, três… pule!

Pulamos do deque superior direto para dentro da baía, mas ficamos embaixo d’água só por um instante. Senti o poder do oceano tomar conta de mim. Induzi a água a fazer um redemoinho em torno de nós, aumentando a velocidade até que surgíssemos no topo de uma tromba-d’água de dez metros de altura. Então nos conduzi diretamente ao monstro.

— Acha que consegue cuidar de Deimos? — berrei para Clarisse.

— Eu pego ele! — respondeu ela. — Só me faça descer dez metros.

Avançamos rapidamente em direção à serpente. Assim que ela expôs sua presa, desviei a tromba-d’água para o lado e Clarisse pulou. Ela foi de encontro a Deimos e os dois caíram na água.

A serpente veio atrás de mim. Rapidamente, virei a tromba-d’água para encará-la. Então, reuni todo o meu poder e induzi a água a subir cada vez mais.

— Uouuuu!

Milhões de litros de água salgada atingiram o monstro. Pulei em sua cabeça, destampei Contracorrente e cortei com toda a minha força o pescoço da criatura. O monstro rugiu. Sangue verde jorrou da ferida, e a serpente afundou nas ondas.

Mergulhei e observei a criatura enquanto ela recuava em direção ao mar aberto. Isto é bom nas serpentes marinhas: elas se tornam bebês gigantes quando estão feridas.

Clarisse emergiu perto de mim; cuspindo e tossindo. Nadei até ela e a agarrei.

— Você pegou Deimos?

Clarisse balançou a cabeça.

— O covarde desapareceu enquanto lutávamos. Mas tenho certeza de que o veremos de novo. E a Phobos também.

Os turistas ainda corriam em pânico pela barca, mas não havia sinais de ninguém ferido. O barco não parecia estar danificado. Decidi que não devíamos ficar ali. Segurei Clarisse pelo braço e fiz com que as ondas nos levassem para Staten Island.

No oeste, o sol se punha sobre a costa de Jersey. Nosso tempo se esgotava.

Eu nunca tinha passado muito tempo em Staten Island. Percebi que era maior do que eu imaginava e não muito divertida para caminhadas. As ruas seguiam trajetos confusos e tudo parecia ficar no alto. Eu estava seco (nunca me molho no oceano, a menos que eu queira), mas as roupas de Clarisse ainda pingavam. Ela deixava pegadas imundas pela calçada e o motorista do ônibus não nos deixou entrar.

— Não vamos conseguir chegar a tempo — observou ela.

— Pare de pensar assim. — Tentei parecer otimista, mas eu também começava a duvidar. Gostaria que tivéssemos tido reforços. Dois semideuses contra dois deuses inferiores já não era uma disputa justa, e eu não tinha certeza do que faríamos quando encontrássemos Phobos e Deimos ao mesmo tempo. Ficava relembrando o que Phobos tinha dito: “E quanto a você, Percy Jackson? O que você teme? Sabe, vou descobrir.”

Depois de nos arrastarmos até a metade da ilha, de passarmos por várias casas de subúrbio, algumas igrejas e um McDonald’s, finalmente avistamos uma placa em que se lia zoológico. Viramos a esquina e seguimos pela rua sinuosa com algumas árvores em um dos lados até que chegamos à entrada.

A senhora da bilheteria nos observou com olhar de suspeita, mas, graças aos deuses, eu tinha dinheiro suficiente para pagar nossas entradas.

Andamos pelo viveiro dos répteis e Clarisse parou de repente.

— Lá está ela.

Ela estava estacionada num cruzamento entre a fazendinha das crianças e o lago das lontras: uma enorme quadriga vermelha e dourada atrelada a quatro cavalos pretos. A quadriga era decorada com incrível riqueza de detalhes. Seria bonita se todas as imagens não mostrassem pessoas morrendo dolorosamente. Os cavalos soltavam fogo pelas narinas.

Famílias com carrinhos de bebês passavam ao lado da quadriga como se ela não existisse. Acho que a Névoa em torno dela devia estar muito forte, pois o único disfarce da quadriga era um bilhete escrito à mão colado no peito de um dos cavalos em que se lia veículo oficial do zoológico.

— Onde estão Phobos e Deimos? — sussurrou Clarisse, desembainhando sua espada.

Não os via em lugar algum, mas isso só podia ser uma armadilha.

Eu me concentrei nos cavalos. Normalmente, consigo falar com cavalos, já que meu pai os criou. Ei, cavalos, labaredas legais essas. Venham aqui!, chamei.

Um deles relinchou desdenhosamente. Certo, consegui entender seus pensamentos. Ele me chamou de alguns nomes que não posso repetir.

— Vou tentar pegar as rédeas — Clarisse avisou. — Os cavalos me conhecem, me dê cobertura.

— Tudo bem.

Eu não estava certo de como deveria dar cobertura a ela com a espada, mas mantive meus olhos bem abertos enquanto Clarisse se aproximava da quadriga. Ela andou em volta dos cavalos, quase na ponta dos pés. E congelou quando uma senhora passou com uma garotinha de uns três anos de idade.

— Cavalinho pegando fogo! — disse a menina.

— Não seja boba, Jessie — a mãe respondeu com uma voz confusa. — Isso é um veículo oficial do zoológico.

A garotinha tentou argumentar, mas a mãe agarrou sua mão e elas continuaram andando. Clarisse chegou perto da quadriga. A mão dela estava a quinze centímetros do arreio quando os cavalos empinaram, relinchando e soltando chamas. Phobos e Deimos apareceram na quadriga, os dois agora vestidos com negras armaduras de guerra. Phobos deu uma risada, seus olhos vermelhos brilhando. As feições assustadoras de Deimos pareciam ainda mais terríveis de perto.

— A caçada começou! — gritou Phobos. Clarisse tombou para trás enquanto ele chicoteava os cavalos e conduzia a quadriga diretamente para cima de mim.

Bom, agora eu gostaria de poder contar a vocês que cometi um ato heroico, como permanecer parado diante um grupo feroz de cavalos lança-chamas munido somente com a minha espada. Mas a verdade é que eu fugi. Pulei uma lata de lixo e uma grade, mas não houve meio de eu ser mais rápido que a quadriga. Ela foi de encontro à grade logo atrás de mim, escavando tudo pelo seu caminho.

— Percy, cuidado! — gritou Clarisse, como se eu precisasse que alguém me dissesse aquilo.

Saltei e pousei numa ilha de pedra no meio da área das lontras. Fiz com que a água formasse uma coluna para fora do lago e se jogasse sobre os cavalos, apagando temporariamente suas chamas e deixando-os confusos. As lontras não ficaram felizes com isso. Elas tagarelaram e gritaram, e entendi que era melhor sair da sua ilha bem rápido, antes que mamíferos marinhos enfurecidos começassem a me perseguir também.

Corri enquanto Phobos xingava e tentava controlar seus cavalos. Clarisse aproveitou a chance para pular nas costas de Deimos justamente quando ele começava a empunhar sua lança. Os dois saltaram da quadriga no momento em que ela tombou para a frente.

Pude ouvir Deimos e Clarisse começarem a lutar, espada contra espada. Mas eu não tinha tempo para me preocupar com isso porque Phobos estava me perseguindo novamente. Avancei rapidamente em direção ao aquário com a quadriga em meu encalço.

— Ei, Percy! — provocou Phobos. — Tenho uma coisa para você!

Olhei para trás e vi a quadriga derreter e os cavalos se transformarem em aço, envolvendo uns aos outros como se bonecos de barro estivessem sendo retrabalhados. A quadriga se remodelou em uma caixa preta de metal com a parte de baixo como a de um trator, uma pequena torre e um longo cano de arma. Um tanque de guerra. Reconheci por causa de uma pesquisa que tivera de fazer para a aula de história. Phobos dava risadas para mim do alto de um tanque da Segunda Guerra Mundial.

— Diga “X”! — disse ele.

Rolei para o lado quando a arma disparou.

CA-BUUUM! Um quiosque de suvenires explodiu, e bichos de pelúcia, canecas de plástico e câmeras descartáveis voaram em todas as direções. Enquanto Phobos recarregava sua arma, eu me levantei e mergulhei no aquário.

Eu queria me cercar de água. Isso sempre aumentava meu poder. Além do mais, era possível que Phobos não conseguisse fazer a quadriga passar pela porta. Claro que, se ele explodisse tudo, não faria diferença…

Corri pelas salas iluminadas por uma estranha luz azul-clara vinda dos tanques de exposição de peixes. Sépias, peixes-palhaços e enguias, todos me encararam à medida que eu passava correndo por eles. Filho do deus do mar! Filho do deus do mar!, eu podia ouvir suas pequenas mentes sussurrarem. É ótimo quando lulas o consideram uma celebridade.

Parei no final do aquário para escutar. Não ouvi nada. E então… vrum, vrum. Um tipo diferente de motor.

Olhei sem acreditar quando Phobos apareceu pilotando uma Harley-Davidson. Eu já tinha visto aquela moto: seu tanque de combustível decorado com chamas, seus coldres com espingardas, seu assento de couro parecido com pele humana. Aquela era a mesma moto que Ares pilotava quando o vi pela primeira vez, mas nunca imaginei que ela era apenas outra forma para sua quadriga de guerra.

— Oi, perdedor — Phobos me cumprimentou puxando uma enorme espada da bainha. — Hora de ficar com medo.

Empunhei minha espada, determinado a encará-lo. Então, os olhos de Phobos incandesceram e cometi o erro de olhar dentro deles.

De repente, eu estava num lugar diferente. Era o Acampamento Meio-Sangue, meu lugar favorito em todo o mundo, e ele estava em chamas. A floresta pegava fogo. Saía fumaça dos chalés. As colunas gregas do pavilhão do refeitório haviam tombado e a Casa Grande era uma ruína ardente. Meus amigos, ajoelhados, imploravam. Annabeth, Grover e todos os outros campistas.

Salve a gente, Percy!, eles choramingavam. Faça a escolha!

Fiquei paralisado. Era o momento que sempre temi: a profecia que deveria ser cumprida quando eu completasse dezesseis anos. Eu teria de escolher entre salvar ou destruir o Monte Olimpo.

Agora chegara o momento e eu não tinha a menor ideia do que fazer. O acampamento queimava. Meus amigos me encaravam, pedindo ajuda. Meu coração estava disparado. Eu não podia me mover. E se eu fizesse a coisa errada?

Então, ouvi as vozes dos peixes do aquário.

Filho do deus do mar! Acorde!

Subitamente, senti o poder dos oceanos me dominar novamente, milhares de litros de água salgada e centenas de peixes tentavam chamar minha atenção. Eu não estava no acampamento. Era uma ilusão. Phobos me mostrara meu temor mais profundo.

Pisquei e vi a espada de Phobos vindo na direção da minha cabeça. Empunhei Contracorrente e bloqueei o golpe segundos antes que ele me partisse em dois.

Contra-ataquei e acertei Phobos no braço. Icor dourado, o sangue dos deuses, ensopou sua camisa.

Phobos rosnou e avançou sobre mim. Desviei facilmente. Sem o seu poder do medo, Phobos não era nada. Ele não era nem um guerreiro razoável. Eu o contive, golpeando seu rosto e deixando-lhe um corte na bochecha. Quanto mais irritado ele ficava, mais desajeitadamente agia. Eu não podia matá-lo. Ele era imortal. Mas não era possível saber disso levando em conta somente sua expressão. O deus do medo parecia amedrontado.

Finalmente, chutei-o contra a fonte de água. Sua espada foi parar no banheiro das mulheres. Agarrei-o pelos cordões da sua armadura e o levantei até a altura do meu rosto.

— Você vai desaparecer agora — ordenei. — Vai sair do caminho de Clarisse. E se eu o vir de novo, vou lhe dar uma cicatriz maior e num lugar muito mais doloroso!

Ele engoliu em seco.

— Haverá uma próxima vez, Jackson! — E se dissolveu numa fumaça amarela.

Eu me virei para o tanque de exposição de peixes.

— Valeu, pessoal!

Então, observei a moto de Ares. Eu nunca havia pilotado uma superpoderosa quadriga Harley-Davidson de guerra. Quão difícil poderia ser? Subi na moto, acionei a ignição e saí do aquário para ajudar Clarisse.

Não tive problemas para encontrá-la, apenas segui o rastro de destruição. Grades foram derrubadas e animais corriam livremente. Texugos e lêmures estavam explorando a pipoqueira. Um leopardo gordo espreguiçava-se num banco do parque, rodeado de penas de pombo.

Estacionei a moto próximo à fazendinha das crianças, e lá estavam Deimos e Clarisse na área das cabras. Clarisse estava de joelhos. Corri até ela, mas parei subitamente quando vi como Deimos havia mudado sua forma. Agora ele era Ares: o grande deus da guerra, usando couro preto e óculos de sol. Todo o seu corpo soltava fumaça furiosamente enquanto ele levantava o punho para Clarisse.

— Você me decepcionou de novo! — o deus da guerra elevou a voz. — Eu a avisei do que aconteceria!

Ele tentou acertá-la, mas Clarisse arrastou-se para longe.

— Não! Por favor! — clamou ela.

— Garota boba!

— Clarisse! — gritei. — Isso é uma ilusão. Enfrente-o!

A forma de Deimos vacilou.

— Eu sou Ares! — insistiu ele. — E você é uma garota desprezível! Eu sabia que você me decepcionaria. Agora vai sofrer minha ira.

Eu queria avançar e lutar com Deimos, mas, de alguma maneira, sabia que não podia ajudar. Clarisse precisava fazer isso. Esse era o seu maior medo. Ela teria de superá-lo sozinha.

— Clarisse — chamei. Ela se virou e eu tentei sustentar seu olhar. — Enfrente-o — eu disse. — Isso é só fachada. Levante-se!

— Eu… eu não consigo.

— Sim, você consegue. Você é uma guerreira. Levante!

Ela hesitou. E então começou a se erguer.

— O que está fazendo? — Ares elevou a voz. — Humilhe- se por misericórdia, garota!

Clarisse deu um breve suspiro.

— Não — disse ela, calmamente.

— o quê?

— Estou cansada de ser amedrontada por você. — Ela empunhou a espada.

Deimos atacou, mas Clarisse se desviou do golpe. Ela cambaleou, mas não caiu.

— Você não é Ares — afirmou ela. — Você não é nem mesmo um bom guerreiro.

Deimos rosnou de frustração. Ele atacou de novo, Clarisse estava preparada. Ela o desarmou e o atingiu no ombro, não tão profundamente, mas o suficiente para ferir mesmo um deus inferior.

Ele uivou de dor e começou a incandescer.

— Não olhe! — avisei a Clarisse.

Desviamos nossos olhos enquanto Deimos explodia em luz dourada, sua verdadeira forma divina, e desaparecia.

Estávamos sozinhos, exceto pelas cabras da fazendinha, que mordiscavam nossas roupas em busca de migalhas.

A moto se transformou novamente em uma quadriga puxada a cavalos.

Clarisse me observou cautelosamente. Ela limpou a palha e o suor do rosto.

— Você não viu isso. Você nunca viu nada disso.

Eu dei uma risada.

— Você se saiu bem.

Ela olhou para o céu, que ficava vermelho atrás das árvores.

— Suba na quadriga — disse ela. — Ainda temos uma longa viagem a fazer.

Alguns minutos depois, chegamos à estação das barcas de Staten Island e relembramos o óbvio: estávamos numa ilha. A barca não transporta carros. Ou quadrigas. Ou motos.

— Ótimo — resmungou Clarisse. — O que fazemos agora? Conduzimos essa coisa pela Ponte Verrazano?

Nós dois sabíamos que não havia tempo. Existiam pontes para o Brooklyn e para Nova Jersey, mas ambos os caminhos exigiriam horas para levar a quadriga de volta a Manhattan. Mesmo se conseguíssemos induzir as pessoas a pensarem que aquilo era um carro normal.

Então, tive uma ideia.

— Vamos pegar um caminho direto.

— O que você quer dizer? — Clarisse franziu as sobrancelhas.

Fechei os olhos e comecei a me concentrar.

— Siga em frente. Vá!

Clarisse estava tão desesperada que não hesitou. Ela gritou “Eia!” e chicoteou os cavalos. Eles avançaram em direção à água. Imaginei o oceano se tornando sólido, as ondas se transformando numa superfície firme até Manhattan. A quadriga de guerra bateu na arrebentação, a respiração ardente dos cavalos espalhava fumaça ao nosso redor. Andamos por cima das ondas diretamente até o porto de Nova York.

Chegamos ao Píer 86 bem no momento em que o céu ganhava a cor roxa. O USS Intrepid, templo de Ares, era uma enorme parede cinza de metal diante de nós, a pista de decolagem pontilhada de aeronaves e helicópteros. Estacionamos a quadriga na rampa e descemos dela. Pelo menos uma vez eu me sentia feliz por estar em terra firme. Concentrar-me em manter a quadriga sobre as ondas foi uma das coisas mais difíceis que já fiz. Eu estava exausto.

— É melhor eu sair daqui antes que Ares chegue — eu disse.

Clarisse concordou.

— Ele provavelmente mataria você assim que o visse.

— Parabéns — cumprimentei-a. — Acho que você passou no seu teste de direção.

Ela enrolou as rédeas na mão.

— Sobre aquilo que você viu, Percy. Aquilo de que eu tenho medo, quer dizer…

— Não vou contar a ninguém.

Ela me olhou com desconforto.

— Phobos assustou você?

— Sim. Vi o acampamento em chamas. Todos os meus amigos imploravam por ajuda, e eu não sabia o que fazer. Por um instante, não consegui me mover. Eu estava paralisado. Sei como você se sentiu.

Ela baixou os olhos.

— Eu, hum… acho que eu devo dizer… — As palavras pareciam estar presas na sua garganta. Não tinha certeza se algum dia na sua vida Clarisse dissera “obrigada”.

— Não precisa se incomodar — eu disse.

Comecei a me afastar, mas ela me chamou.

— Percy?

— Sim?

— Quando você, hum… teve aquela visão com seus amigos…

— Você era um deles — dei minha palavra. — Só não conte a ninguém, está bem? Ou vou ter de matar você.

Um sorriso fraco passou pelo rosto de Clarisse.

— A gente se vê.

— A gente se vê.

Eu me encaminhei para o metrô. Aquele tinha sido um longo dia, e eu estava pronto para voltar para casa.

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Trecho do Livro: Pai Rico, Pai Pobre
Pai Rico Pai Pobre
Autores: Robert T. Kiyosaki e Sharon L. Lechter
Editora: Campus
ISBN: 9788535206234

» Confira o preço no Submarino ou na Livraria Cultura

Tive dois pais, um rico e outro pobre. Um era muito instruído e inteligente; tinha o Ph.D. e fizera um curso universitário de graduação, com duração de quatro anos, em menos de dois. Foi então para a Universidade de Stanford, para a Universidade de Chicago e para a Northwestern University, sempre com bolsa de estudos. O outro pai nunca concluiu o segundo grau.

Ambos foram homens bem-sucedidos em suas carreiras e trabalharam arduamente durante toda a vida. Ambos auferiam rendas consideráveis. Contudo, um sempre enfrentou dificuldades financeiras. O outro se tornou o homem mais rico do Havaí. Um morreu deixando milhões de dólares para sua família, para instituições de caridade e para sua igreja. O outro deixou contas a pagar.

Ambos eram homens fortes, carismáticos e influentes. Ambos me ofereceram conselhos, mas não aconselharam as mesmas coisas. Ambos acreditavam firmemente na instrução mas não sugeriram os mesmos estudos.

Se eu tivesse tido um único pai, teria tido que aceitar ou rejeitar seus conselhos. Tendo dois, tive a escolha entre pontos de vista contrastantes; a visão de um homem rico e a visão de um homem pobre.

Em vez de aceitar ou rejeitar simplesmente um desses pontos de vista, me descobri pensando mais, comparando-os e escolhendo por mim mesmo.

O problema é que o homem rico ainda não era rico e o homem pobre ainda não era pobre. Ambos estavam no início de suas carreiras e lutavam por dinheiro e pela família. Mas tinham idéias muito diferentes sobre o dinheiro.

Por exemplo, um dos pais dizia: “O amor ao dinheiro é a raiz de todo mal.” O outro: “A falta de dinheiro é a raiz de todo mal.”

Quando garoto, a influência de dois pais, ambos homens fortes, era uma situação complicada. Eu queria ser um bom filho e ouvia, mas os dois pais não falavam a mesma língua. O contraste entre suas idéias, especialmente no que se referia ao dinheiro, era tão extremo que eu ficava curioso e intrigado. Comecei a pensar profundamente sobre o que cada um deles dizia.

Muito do meu tempo era gasto refletindo, fazendo-me perguntas como “Por que ele fala isso?”, a respeito das afirmações dos pais. Teria sido muito mais simples falar “Sim, ele está certo. Concordo com isso”. Ou simplesmente rejeitar o ponto de vista dizendo “O velho não sabe do que está falando”. Porém, tendo dois pais que eu amava, fui forçado a pensar e a escolher um dos caminhos por mim mesmo. Esse processo de escolher por mim mesmo se mostrou muito valioso no longo prazo, não se tratou simplesmente da aceitação ou da rejeição de um único ponto de vista.

Uma das razões pelas quais os ricos ficam mais ricos, os pobres, mais pobres e a classe média luta com as dívidas é que o assunto dinheiro não é ensinado nem em casa nem na escola. Muitos de nós aprendemos sobre o dinheiro com nossos pais. O que pode dizer um pai pobre a respeito do dinheiro para seu filho? Ele diz simplesmente: “Fique na escola e estude muito.” O filho pode se formar com ótimas notas; mas com uma programação financeira e uma mentalidade de pessoa pobre. Isso foi aprendido pelo filho em sua tenra idade.

O dinheiro não é ensinado nas escolas. As escolas se concentram nas habilidades acadêmicas e profissionais mas não nas habilidades financeiras. Isso explica por que médicos, gerentes de banco e contadores inteligentes que tiveram ótimas notas quando estudantes terão problemas financeiros durante toda a sua vida. Nossa impressionante dívida nacional se deve em boa medida a políticos e funcionários públicos muito instruídos que tomam decisões financeiras com pouco ou nenhum treinamento na área do dinheiro.

Muitas vezes penso no novo milênio e imagino o que acontecerá quando houver milhões de pessoas precisando de assistência financeira e médica. Eles se tornarão dependentes do apoio financeiro de suas famílias ou do governo. O que acontecerá quando o Medicare e a Seguridade Social ficarem sem dinheiro? Como uma nação sobreviverá se ensinar sobre dinheiro continuar sendo tarefa dos pais — cuja maioria será ou já é pobre?

Como tive dois pais a me influenciar, aprendi com ambos. Tive que refletir sobre os conselhos de cada um deles e ao fazê-lo percebi o poder e o impacto dos nossos pensamentos sobre nossa própria vida. Por exemplo, um pai costumava falar “Não dá para comprar isso”. O outro proibia o uso dessas palavras. Insistia em que eu falasse: “O que posso fazer para comprar isso?”

Num caso temos uma afirmação, no outro uma pergunta. Um deixa você sem alternativa, o outro obriga você a refletir. Meu pai-que-logo-ficaria-rico explicava que ao falar automaticamente “Não dá para comprar isso” seu cérebro pára de trabalhar. Ao perguntar “O que posso fazer para comprar isso?”, você mantém seu cérebro trabalhando. Ele não estava dizendo que comprasse tudo o que desejasse. Ele incentivava fanaticamente que exercitasse minha mente, o computador mais poderoso do mundo. “Meu cérebro fica mais forte a cada dia porque eu o exercito. Quanto mais forte fica, mais dinheiro ganho.” Ele acreditava que repetir mecanicamente “Não dá para comprar isso” era um sinal de preguiça mental.

Embora ambos os pais trabalhassem com afinco, observei que um deles tinha o hábito de pôr seu cérebro a dormir quando o assunto era dinheiro e o outro tinha o costume de exercitar seu cérebro. O resultado era que, ao longo do tempo, um dos pais ficava mais forte financeiramente, e o outro enfraquecia. Isso não é muito diferente do que ocorre quando uma pessoa faz exercícios físicos regulares enquanto a outra senta no sofá e fica assistindo à televisão. O exercício físico adequado aumenta suas chances de ter boa saúde, e o exercício mental adequado aumenta suas chances de ficar rico. A preguiça reduz tanto a saúde quanto a riqueza.

Meus dois pais tinham atitudes mentais diferentes. Um acreditava que os ricos deviam pagar mais impostos para atender os menos afortunados. O outro dizia: “Os impostos punem os que produzem e recompensam os que não produzem.”

Um dos pais recomendava: “Estude arduamente para poder trabalhar em uma boa empresa.” O outro falava: “Estude arduamente para poder comprar uma boa empresa.”

Um dos pais dizia: “Não sou rico porque tenho filhos.” O outro: “Tenho que ser rico por causa de vocês, meus filhos.”

Um incentivava as conversas sobre dinheiro e negócios na hora do jantar. O outro proibia que se falasse do assunto durante as refeições.

Um dizia: “Em questões de dinheiro seja cuidadoso, não se arrisque.” O outro: “Aprenda a administrar o risco.”

Um recomendava: “Nossa casa é nosso maior investimento e nosso maior patrimônio.” O outro: “Minha casa é uma dívida e se sua casa for seu maior investimento, você terá problemas.”

Ambos os pais pagavam suas contas no prazo, mas um deles pagava suas contas em primeiro lugar enquanto o outro as deixava para a última hora.

Um deles acreditava que a empresa ou o governo deveria cuidar de você e de suas necessidades. Estava sempre preocupado com aumentos salariais, planos de aposentadoria, benefícios médicos, licenças de saúde, férias e outros benefícios. Ele ficava impressionado com dois de seus tios que foram para o exército e se aposentaram com vários benefícios após vinte anos de serviço ativo. Ele adorava a idéia de assistência médica e serviços de reembolso de alimentos que os militares ofereciam a seus aposentados. Ele também se empolgava com as cátedras vitalícias do sistema universitário. A idéia de estabilidade no emprego e benefícios trabalhistas lhe parecia às vezes mais importante do que o próprio emprego. Dizia freqüentemente: “Trabalhei muito para o governo, mereço essas mordomias.”

O outro pai acreditava na total auto-suficiência financeira. Ele sempre se manifestava contra a mentalidade dos “direitos” e falava que isso estava criando pessoas fracas e financeiramente necessitadas. Ele dava muita ênfase à competência financeira.

Um dos pais lutava para poupar alguns poucos dólares. O outro simplesmente criava investimentos.

Um pai me ensinou a escrever um currículo impressionante para que eu pudesse encontrar um bom emprego. O outro me ensinou a fazer sólidos planos financeiros e de negócios de modo que eu pudesse criar empregos.

Ter dois pais fortes me proporcionou o luxo de observar o impacto de diferentes formas de pensar sobre a própria vida. Observei que as pessoas moldam suas vidas por meio de seus pensamentos.

Por exemplo, meu pai pobre sempre me dizia: “Nunca vou ficar rico.” E isso acabou acontecendo. Meu pai rico, por outro lado, sempre se referia a si próprio como sendo rico. Ele dizia coisas como: “Sou um homem rico e pessoas ricas não fazem isto.” Mesmo que estivesse totalmente quebrado após um revés financeiro, ele continuava a se considerar um homem rico. Ele se justificava dizendo: “Há uma diferença entre ser pobre e estar quebrado. Estar quebrado é algo temporário, ser pobre é algo eterno.”

Meu pai pobre dizia: “Não ligo para dinheiro” ou “O dinheiro não é importante.” Meu pai rico sempre dizia: “Dinheiro é poder.”

O poder de nossos pensamentos nunca poderá ser medido ou avaliado, mas desde jovem se tornou óbvio para mim a tomada de consciência de meus pensamentos e da forma como me expressava. Observei que meu pai pobre não era pobre por causa do dinheiro que ganhava, que era bastante, mas por causa de seus pensamentos e ações. Quando garoto, tendo dois pais, me tornei consciente de que deveria ser cuidadoso com os pensamentos que decidisse adotar como meus. A quem ouviria — a meu pai rico ou a meu pai pobre?

Embora ambos tivessem um enorme respeito pela educação e pelo aprendizado, eles discordavam quanto ao que era importante aprender. Um queria que eu estudasse arduamente, me formasse e conseguisse um bom emprego para trabalhar pelo dinheiro. Ele queria que eu estudasse para me tornar um profissional, um advogado ou um contador, ou que fosse para uma faculdade de administração para obter um MBA. O outro me incentivava a estudar para ficar rico, para entender como funciona o dinheiro e para aprender como fazê-lo trabalhar para mim. “Não trabalho por dinheiro”, costumava repetir uma e outra vez. “O dinheiro trabalha para mim.”

Com nove anos de idade resolvi ouvir e aprender com meu pai rico tudo sobre dinheiro. Optei por não dar ouvidos a meu pai pobre, mesmo que fosse ele quem possuísse todos os títulos universitários.

Ao escolher não dar atenção aos conselhos e atitudes quanto a dinheiro de meu pai muito instruído, tomei uma decisão dolorosa, mas foi uma decisão que determinou o resto de minha vida.

Com a decisão de quanto a quem dar ouvidos, teve início minha educação sobre dinheiro. Meu pai rico me deu lições ao longo de um período de trinta anos, até que cheguei aos 39 anos de idade. Suas lições pararam quando ele percebeu que eu conhecia e entendia plenamente o que ele estava tentando martelar na minha cabeça, às vezes, bastante dura.

O dinheiro é uma forma de poder. Mais poderosa ainda, entretanto, é a instrução financeira. O dinheiro vem e vai, mas se você tiver sido educado quanto ao funcionamento do dinheiro, você adquire poder sobre ele e pode começar a construir riqueza. O motivo pelo qual o simples pensamento positivo não funciona é porque a maioria das pessoas foi à escola e nunca aprendeu como o dinheiro funciona, e assim passam suas vidas trabalhando pelo dinheiro.

Como comecei com apenas nove anos, as lições que meu pai rico me ensinou foram simples. E quando tudo foi dito e tudo foi feito, encontramos apenas seis lições, repetidas ao longo de trinta anos. Este livro trata dessas seis lições, expostas da maneira mais simples possível, da forma como meu pai rico as passou para mim. Estas lições não pretendem ser respostas e sim marcos. Marcos que ajudarão você e seus filhos a enriquecerem, não importa o que aconteça em um mundo de crescente mudança e incerteza.

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Trecho do Livro: 100 Dicas Infalíveis para Emagrecer e se Manter em Forma
100 Dicas para Emagrecer
Autor: Dr. Fred A. Stutman
Editora: Sextante
ISBN: 9788575425503

» Confira o preço no Submarino ou na Livraria Cultura

Sou médico há bastante tempo e já perdi a conta dos pacientes que me procuram em busca de conselhos para emagrecer e manter o peso. Eles sempre me perguntam se recomendo a dieta que está na moda naquele momento – todos querem encontrar uma espécie de solução mágica para o problema do sobrepeso e da obesidade.

Minha resposta tem sido a mesma ao longo desses anos: “Coma menos e se exercite mais.” É uma fórmula simples, porém quem faz dieta costuma querer algo mais radical, como o regime da moda, que, em teoria, proporciona uma rápida perda de peso. Pesquisando diversos programas de emagrecimento e tópicos nutricionais, levantei dados científicos que embasam a dieta alimentar e a nutrição e os transformei em dicas fáceis de seguir. Essas sugestões estão divididas pelas áreas mais comuns de interesse.

Portanto, este é um livro muito versátil, um guia para o sucesso, independentemente do caminho que você prefira seguir. Leia-o do início ao fim para ter uma noção geral dos hábitos alimentares saudáveis e da prática de exercícios. Ou se concentre nos aspectos do emagrecimento que são mais difíceis para você ou sobre os quais deseja obter mais informações. Para aumentar a sua motivação, experimente ler uma dica por dia e incorporá-la ao seu cardápio ou à sua programação de atividades diárias.

Use as sugestões fáceis, saborosas e saudáveis de lanches e refeições que apresento aqui para emagrecer com facilidade e manter o peso ideal com segurança, sem as ameaças à saúde ocultas nas perigosas dietas da moda, como aquelas que são pobres em carboidratos. Destaco a caminhada como a melhor e mais eficiente modalidade de atividade física. Além disso, ela não apresenta os riscos das opções que exigem maior esforço físico. Até mesmo as pessoas que têm um cotidiano atribulado encontram muitas maneiras de encaixar esse exercício em sua rotina. Por exemplo, parar o carro na última vaga do estacionamento e subir pela escada em vez de usar o elevador contribui para a queima de calorias. De forma geral, a caminhada beneficia quem é muito ocupado para fazer dieta ou se exercitar.

Combinadas, essas dicas formam um conjunto prático de medidas fundamentais que vão ajudar você a emagrecer, adquirir condicionamento físico e desenvolver hábitos alimentares saudáveis. Escolha aquelas que são mais apropriadas ao seu estilo de vida.

Todas as sugestões apresentadas neste livro foram rigorosamente pesquisadas com o objetivo de comprovar sua autenticidade em termos médicos. São seguras, eficazes e proporcionam um método de emagrecimento único e fácil de seguir. Você não será vítima do efeito sanfona e, o mais importante, será mais saudável; portanto, é provável que viva mais. Além disso, se sentirá melhor, mais jovem e mais disposto. Cada dica que seguir o ajudará a emagrecer. Os quilos perdidos não voltarão, pois você terá adotado bons hábitos alimentares e estará se exercitando com regularidade – duas práticas que podem ser mantidas pelo resto da vida.

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Tudo o que você precisa saber sobre calorias e carboidratos

Dica 1. Acredite: as calorias contam
Dica 2. Conheça um método simples de emagrecimento
Dica 3. Adote maneiras rápidas e fáceis de cortar calorias
Dica 4. Evite os maus carboidratos
Dica 5. Conte as calorias, não os carboidratos
Dica 6. Concentre-se nos carboidratos complexos
Dica 7. Emagreça com os bons carboidratos
Dica 8. Experimente carboidratos saudáveis e saborosos

DICA 1

Acredite: as calorias contam

Apesar do que dizem as dietas da moda, não existe uma fórmula mágica para emagrecer. Talvez você obtenha sucesso seguindo diversos regimes alimentares. No entanto, a única maneira de perder peso é fazer com que o número de calorias ingeridas seja menor do que o número de calorias queimadas. Para se manter sempre em forma, coma alimentos saudáveis e nutritivos e livre-se das calorias extras praticando exercícios.

Um estudo publicado no Journal of American Medicine em abril de 2003 revelou que o melhor meio de emagrecer é manter o consumo calórico diário em um nível mais baixo durante um longo período. A única – e a mais saudável – dieta de emagrecimento que você pode seguir para ter saúde e permanecer em forma é a que estabelece uma alimentação com pouca gordura, muitas fibras e quantidades moderadas de proteína e de carboidratos complexos. Com ela, você não estará exposto a efeitos colaterais perigosos nem sentirá fome. Além disso, conservará o peso ideal e terá os benefícios de um programa alimentar balanceado e nutritivo.

Tornando seu prato mais pobre em gordura e rico em fibras, você terá menos chance de apresentar problemas cardíacos, hipertensão, derrame e diversos tipos de câncer. Essa alimentação é, por natureza, uma dieta de baixa caloria disfarçada. E o melhor é que ela dá certo e continua a funcionar enquanto é seguida. Esse é um plano alimentar que você pode seguir pelo resto da vida se desejar emagrecer, manter o peso ideal, ter saúde, obter condicionamento físico e viver por mais tempo – adotando uma dica de cada vez.

DICA 2

Conheça um método simples de emagrecimento

Uma técnica fácil para emagrecer é ingerir menos 300 calorias por dia e aumentar o nível de atividade física para queimar 200 calorias diariamente. Isso corresponde a uma perda diária de 500 calorias. Como 3.500 calorias equivalem a cerca de 500g de gordura, você conseguirá perder em torno de meio quilo por semana com pouco ou nenhum esforço. O cálculo é o seguinte: consuma 300 calorias a menos por dia e queime 200 calorias extras com atividades físicas, como caminhadas. Isso lhe permitirá perder 500 calorias por dia, sete dias por semana (500 x 7 = 3.500 calorias). Se você ingerir 500 calorias a menos sem aumentar o nível de atividade física, ainda assim perderá meio quilo por semana (500 calorias eliminadas da dieta x 7 dias = 3.500 calorias, ou meio quilo a menos). Pense, então, nas possibilidades de emagrecimento que você terá se reduzir a ingestão calórica diária e passar a se exercitar ainda mais.

A perda de peso lenta e estável proporcionada por ajustes na ingestão de calorias é a maneira mais segura e eficiente de emagrecer e se manter em forma pelo resto da vida. Esse método permite que você se habitue a uma mudança permanente em seus hábitos alimentares, enquanto a prática regular de exercícios condiciona seu corpo a realizar atividades físicas todos os dias para obter a sensação de bem-estar. Parece simples? E é.

DICA 3

Adote maneiras rápidas e fáceis de cortar calorias

Veja a seguir dicas para cortar calorias sem nem mesmo perceber:

– Substitua o leite integral pela mesma quantidade de leite desnatado. Opte também por adicionar leite desnatado ao café ou ao cappuccino.

– Use mostarda, ketchup ou maionese light no lugar da maionese comum em saladas e sanduíches.

– Se você não consegue resistir à batata frita, tente dividir uma pequena porção com um amigo ou coma apenas três ou quatro batatinhas.

– Uma boa maneira de cortar calorias e carboidratos refinados dos sanduíches é retirar o miolo do pão antes de acrescentar a margarina ou requeijão e os demais ingredientes.

– Corte uma fatia de pizza ao meio e guarde o restante para comer mais tarde.

– Preste muita atenção nos tamanhos das porções tanto em lanchonetes quanto em restaurantes. Use as sugestões a seguir para comer menos nesses lugares. Por exemplo:

– 1/2 xícara de cereal ou de massa cozida equivale a uma porção. Os restaurantes, porém, servem uma quantidade quase três vezes maior do que essa como se fosse apenas uma porção – e antes da adição do molho.

– Uma panqueca ou waffle pequeno feito em casa corresponde a uma porção. Nos restaurantes, entretanto, uma panqueca grande equivale a cerca de duas porções e meia.

– Ao pedir uma salada, tempere-a com molhos light, que têm 1/3 das calorias dos molhos comuns. Se não for possível, opte por azeite de oliva e vinagre. Peça o molho à parte para controlar a quantidade.

– Verifique sempre os tamanhos das porções de qualquer alimento industrializado que você comprar. Em geral, as pessoas acreditam que um pacote desses produtos equivale a uma porção, quando, na verdade, ele pode conter várias porções.

– Tome cuidado com os alimentos industrializados feitos com gorduras do tipo trans. Esse tipo de gordura, que é muito prejudicial à saúde, pode estar discriminado no rótulo da embalagem como gordura “hidrogenada” ou “parcialmente hidrogenada”.

– No restaurante, antes mesmo de começar a comer, peça ao garçom que embrulhe metade da refeição para viagem. Se você esperar para fazer isso quando já a estiver saboreando, acabará comendo mais do que queria, e a quantidade de calorias ingeridas irá para a estratosfera.

– Substitua o queijo comum por queijos com pouca ou nenhuma gordura. Queijo de cabra light, queijo feta, mozarela light e ricota são boas opções.

– Retire toda a pele e toda a gordura visível das carnes de aves e da carne vermelha antes de prepará-las.

– Evite tomar refrigerantes comuns, chás e sucos adoçados. Para acompanhar os lanches, beba chás e café descafeinados, refrigerantes diet ou sucos frescos de laranja e de grapefruit. (Se for tomar suco de tomate em lata, use a versão com pouco sódio.) O melhor, no entanto, é tornar a água a sua bebida favorita.

– Faça as refeições com calma. Sirva-se de porções pequenas, coma devagar e mastigue bem os alimentos. Faça pausas durante a refeição. Isso permite que o organismo tenha tempo de se sentir saciado e impede que você consuma calorias desnecessárias.

DICA 4

Evite os maus carboidratos

Todos os carboidratos que ingerimos são transformados em açúcar (glicose), que as células do corpo usam como combustível. Quando as moléculas de glicose passam dos intestinos para a corrente sanguínea, o pâncreas (glândula situada na parte posterior do estômago) produz o hormônio insulina, que avisa as células de que elas devem absorver a glicose. Assim que as células (da pele, dos órgãos internos, dos tecidos, dos músculos, de gordura e outras) assimilam a glicose, os níveis de insulina no sangue voltam ao normal.

O principal fator que diferencia os bons carboidratos dos maus carboidratos é a velocidade com que esses alimentos são convertidos em açúcar no intestino e absorvidos pela corrente sanguínea. Esse fator é conhecido como índice glicêmico (IG). Os alimentos que apresentam um IG alto são considerados maus carboidratos. Entre eles estão: arroz branco, farinha de trigo branca refinada e altamente processada (usada na confecção de pães, massas, produtos de confeitaria, panquecas, waffles, etc.); sucos de frutas, refrigerantes açucarados e isotônicos; bolos, tortas, sorvetes, biscoitos recheados, doces e a maioria das sobremesas; batatas chips; bolachas salgadas; e algumas hortaliças (milho e batata-inglesa).

Os maus carboidratos são rapidamente convertidos em glicose no intestino e absorvidos muito depressa pela corrente sanguínea. Esse súbito aumento nos níveis de açúcar no sangue causa uma brusca elevação nas taxas de insulina. Por conta da alta produção desse hormônio, a glicose cai depressa, privando os tecidos orgânicos e o cérebro de energia. Em resposta, o cérebro envia sinais de fome para que a pessoa faça logo outra refeição e restaure as taxas de glicose. Esse círculo vicioso provoca um consumo exagerado de calorias, o que acarreta um aumento excessivo do peso.

Os elevados níveis de insulina necessários para que as células sejam abastecidas de açúcar inibem também a produção de um hormônio chamado glucagon, que orienta as células adiposas a queimar o combustível estocado quando as taxas de glicose estão abaixo do nível crítico. Com a redução da taxa desse hormônio, as células adiposas passam, então, a armazenar mais gordura em vez de usá-la para gerar energia. Assim, quanto menos energia é produzida, mais gordura é acumulada.

Além de promover o aumento excessivo de peso, a ingestão exagerada de alimentos com IG alto pode desencadear graves problemas de saúde. Quando, em resposta ao consumo desse tipo de alimento, o pâncreas secreta insulina em excesso repetidas vezes, as células que a produzem podem entrar em exaustão e fabricá-la numa quantidade cada vez menor. Muitas vezes, isso causa diabetes e resistência à insulina, distúrbio em que os tecidos do organismo não reagem satisfatoriamente aos sinais emitidos por esse hormônio para que a glicose seja transferida do sangue para as células.

As dietas ricas em açúcar podem aumentar o risco de câncer de mama

De acordo com uma pesquisa publicada no Journal of Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention em agosto de 2004, as mulheres que comem grandes quantidades de carboidratos refinados correm um risco duas vezes maior de desenvolver câncer de mama em comparação com aquelas que consomem menos açúcar e menos amiláceos (alimentos ricos em amido). Segundo os cientistas, isso acontece porque a ingestão excessiva de carboidratos refinados provoca uma elevação súbita nas taxas de glicose, levando às alturas os níveis de insulina no sangue. As altas taxas desse hormônio podem fazer com que as células normais se dividam muito rápido e também elevar os níveis de insulina nas células da mama. Acredita-se que esses dois fatores concorram para a formação de células cancerosas no seio.

Tais estudos não sugerem que as pessoas sigam programas alimentares pobres em carboidratos, e sim que restrinjam a quantidade de carboidratos refinados e os substituam por carboidratos complexos, que contêm alta concentração de fibras. Um grande número de pesquisas revela que as dietas que privilegiam as fibras diminuem o risco de ocorrência de diversos tipos de câncer quando associadas a uma alimentação rica em proteína magra e com pouca gordura. (Por outro lado, ficou comprovado que as dietas com muita gordura elevam o risco de formação de vários tipos de câncer, sobretudo o de mama.) Essas descobertas aumentam a preocupação com mulheres que consomem açúcar refinado em excesso, pois elas podem estar mais sujeitas a ter câncer. Isso se aplica sobretudo àquelas que estão acima do peso, são diabéticas ou apresentam resistência à insulina.

DICA 5

Conte as calorias, não os carboidratos

Sabemos que não existe mágica para emagrecer. A única maneira de perder peso é fazer com que o número de calorias consumidas seja menor do que o número de calorias queimadas. O “truque” é reduzir a ingestão de calorias, mas sem passar fome.

Para funcionar adequadamente, o organismo necessita de carboidratos, porém não de calorias em excesso na forma de açúcares refinados, amidos e gorduras saturadas. O relatório sobre alimentação saudável divulgado em 2002 pelo Institute of Medicine da National Academy of Science recomenda que 45 a 65% das calorias consumidas por adultos sejam provenientes de carboidratos. Isso representa a ingestão diária de cerca de 520 calorias presentes em carboidratos, com base em uma dieta de 1.200 calorias.

O correto funcionamento do organismo depende, na verdade, de carboidratos complexos, como grãos integrais, frutas e hortaliças. Esses alimentos são ricos em nutrientes e contêm muito menos calorias do que grãos refinados e alimentos açucarados.

Os carboidratos se transformam em glicose, um açúcar simples, que é a fonte favorita de combustível do corpo e do cérebro. A restrição excessiva do seu consumo, como estabelecem alguns regimes alimentares, esgota o estoque de carboidratos armazenados nos músculos e no fígado. Assim, o organismo tem que produzir glicose a partir da proteína, um modo ineficiente de obter energia que pode causar fadiga, depressão, desequilíbrio de minerais e perda de proteína. Esses distúrbios sobrecarregam os rins, o fígado e outros órgãos, que ficam sujeitos a danos quando esse tipo de dieta não é corrigida. Os carboidratos sem valor nutricional, como biscoitos recheados, produtos de confeitaria e sorvetes, além de conterem açúcar, apresentam quantidades consideráveis de gordura. Para cada grama de gordura consumido, acumulam-se nove calorias; no caso de cada grama de carboidrato e de proteína, porém, são apenas quatro calorias. Assim, se você limitar o consumo de açúcares refinados, amiláceos e alimentos gordurosos, cortará naturalmente calorias da alimentação e emagrecerá com saúde.

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Trecho do Livro: Como Treinar o Seu Dragão
Como Treinar o Seu Dragao
Autora: Cressida Cowell
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788598078717

» Confira o preço no Submarino ou na Livraria Cultura

Os dragões existiam quando eu era menino.

Havia os grandes e austeros dragões celestes, que se aninhavam no alto dos rochedos como se fossem pássaros gigantescos e assustadores. Os dragões pequeninos, marrons, de cauda curta, que perseguiam ratos e camundongos em bandos bem organizados. Os Dragões do Mar, absurdamente imensos, vinte vezes maiores que uma baleia-azul, que matavam só por diversão.

Você precisará acreditar em minhas palavras, pois os dragões estão desaparecendo tão rapidamente que logo estarão extintos.

Ninguém sabe o que está acontecendo. Eles estão voltando aos mares de onde vieram, sem deixar um osso, uma garra, um indício qualquer para que os humanos do futuro possam recordar-se deles.

Então, para que essas criaturas excepcionais não sejam esquecidas, eu lhes contarei a verdadeira história de minha infância.

Eu não fui o tipo de garoto capaz de treinar um dragão apenas com um erguer de sobrancelhas. Eu não era um herói nato. Precisei me esforçar muito. Esta é a história de como me tornei herói do jeito mais difícil que existe.

1. PRIMEIRO, CAPTURE O SEU DRAGÃO

Há muito tempo, na selvagem e ventosa Ilha de Berk, um viking pequenino com nome comprido estava de pé na neve.

Soluço Spantosicus Strondus Terceiro, a Grande Esperança e o Herdeiro da Tribo dos Hooligans Cabeludos, sentia-se levemente enjoado desde que despertara pela manhã.

Dez garotos, incluindo Soluço, esperavam se tornar membros da Tribo após passarem no Programa de Iniciação em Dragões. Eles estavam de pé na pequena praia deserta, no lugar mais vazio da desolada ilha. Caía muita neve.

– PRESTEM ATENÇÃO! – gritou Bocão Bonarroto, o soldado encarregado de fazer a Iniciação. – Esta será nossa primeira operação militar, Soluço será o comandante do grupo.

– Ah, o So-luço, não – grunhiram Bafoca de Maluquício e a maioria dos garotos. – Não pode colocá-lo no comando, senhor, ele é um INÚTIL.

Soluço Spantosicus Strondus Terceiro, a Grande Esperança e o Herdeiro da Tribo dos Hooligans Cabeludos, limpou o nariz na manga da roupa, desanimado. Ele afundou um pouco mais na neve.

– QUALQUER UM seria melhor que Soluço – zombou Malvado Melequento. – Até mesmo Perna-de-peixe.

Perna-de-peixe tinha um estrabismo que o deixava quase cego e era alérgico a répteis.

– SILÊNCIO! – rugiu Bocão Bonarroto. – Quem mais abrir a boca vai comer moluscos no almoço nas próximas TRÊS SEMANAS!

O silêncio foi imediato. Moluscos parecem minhoca, ou meleca, e são bem menos saborosos que qualquer um dos dois.

– Soluço será o responsável, e isso é uma ordem! – gritou Bocão, que não sabia falar mais baixo. Ele era um gigante de dois metros com um brilho alucinado no olhar e uma barba que parecia fogos de artifício explodindo. Apesar do frio extremo, usava bermudas e um colete de couro de veado que deixava entrever sua pele vermelho-lagosta e seus enormes músculos. O viking trazia uma tocha flamejante na mão gigantesca.

– Soluço será o líder, embora ele seja, eu admito, completamente inútil, porque o garoto é o filho do CHEFE, e é assim que funciona entre nós, vikings. Onde vocês pensam que estão? Na REPÚBLICA ROMANA? De qualquer modo, esse, hoje, será o menor de seus problemas. Vocês estão aqui para provar sua capacidade de se tornarem Heróis Vikings. Essa é uma antiga tradição da Tribo dos Hooligans. Vocês precisam… – Bocão fez uma pausa, bem teatral. – PRIMEIRO, CAPTURAR O SEU DRAGÃO!

“Com mil moluscos!”, pensou Soluço.

– Nossos dragões são o que nos diferencia! – gritou Bocão. – Humanos treinam gaviões para caçar e cavalos para carregá-los. Apenas os HERÓIS VIKINGS se atrevem a domar as criaturas mais selvagens e perigosas da face da Terra.

Bocão cuspiu na neve com ar solene.

– O Teste de Iniciação em Captura de Dragões tem três etapas. A primeira, e mais perigosa, avalia sua coragem e habilidade de assalto. Se querem entrar na Tribo dos Hooligans, primeiro vocês precisam capturar os seus dragões. E é POR ISSO – prosseguiu Bocão, falando bem alto – que eu os trouxe ao cenário adequado. Vejam o Rochedo do Dragão Selvagem com os próprios olhos.

Os dez garotos viraram a cabeça para trás.

O rochedo se elevava diante deles, sombrio e sinistro. No verão, mal se podia vê-lo, pois dragões de todos os formatos e tamanhos se empoleiravam por ali, grunhindo, mordendo e produzindo uma cacofonia, com ruídos que se espalhavam por toda a região de Berk.

No inverno, porém, os dragões hibernavam e o rochedo caía no silêncio, com exceção de alguns roncos abafados e lúgubres. Soluço sentia nas sandálias as vibrações sob seus pés.

– Agora – disse Bocão –, vocês repararam naquelas quatro cavernas que ficam na metade do rochedo, agrupadas mais ou menos no formato de uma caveira?

Os meninos concordaram com um aceno de cabeça.

– Dentro da caverna que seria o olho direito da caveira está a creche dos dragõezinhos, onde, NESTE EXATO MOMENTO, três mil filhotes de dragão estão hibernando, em suas últimas semanas de inverno.

– OOOOOOOH! – murmuram os meninos, animados.

Soluço engoliu em seco. Ele sabia muito mais sobre dragões que qualquer outra pessoa ali. Desde pequeno era fascinado por essas criaturas. Passara horas observando-as, escondido. (Os observadores de dragões eram considerados nerds, por isso mantinham suas atividades em segredo.) E tudo o que Soluço aprendera sobre dragões lhe dizia que entrar em uma caverna com três mil deles seria loucura.

Mas ninguém parecia muito preocupado com isso.

– Em poucos minutos vou querer que vocês escolham uma dessas cestas e comecem a escalar o rochedo – comandou Bocão. – Depois que tiverem passado pela entrada da caverna, ninguém os ajudará. Sou grande demais para me espremer pelos túneis que levam à creche de dragões. Vocês entrarão na caverna SILENCIOSAMENTE. E isso também se aplica a você, Espinha-de-porco, a menos que queira ser a primeira refeição primaveril de três mil dragões famintos. HÁ! HÁ! HÁ! HÁ!

Bocão riu muito de sua própria piada, depois continuou:

– Dragões desse porte normalmente são inofensivos aos seres humanos, mas em grande número podem agir como piranhas. Não sobraria nada de ninguém, nem mesmo de um gordinho como você, Espinha-de-porco. Só restariam uma pilha de ossos e seu capacete. HÁ! HÁ! HÁ! HÁ! Então… Vocês caminharão SILENCIOSAMENTE pela caverna e cada garoto vai roubar UM dragão adormecido. Ergam o dragão da rocha CUIDADOSAMENTE e coloquem o bicho dentro de sua cesta. Alguma dúvida até aqui?

Ninguém disse nada.

– Se por acaso alguém despertar o dragão, e é preciso ser ABSURDAMENTE IDIOTA para fazer isso, corram a toda a velocidade para a entrada da caverna. Os dragões não gostam de frio, e a neve provavelmente os impedirá de seguir seus rastros.

“Provavelmente?”, pensou Soluço. “Ah, claro, isso é animador.”

– Sugiro que dediquem algum tempo a escolher o seu dragão. É importante apanhar um bicho que seja do tamanho certo. Ele vai pescar e caçar veados para vocês. Vão escolher o dragão que os conduzirá à batalha futuramente, quando vocês forem mais velhos e tiverem se tornado Guerreiros da Tribo. Além disso, vocês querem um animal impressionante, então, grosseiramente, a regra é: peguem o maior dragão que couber na cesta. Não demorem MUITO tempo lá dentro…

“Demorar???”, pensou Soluço. “Dentro de uma caverna com três mil DRAGÕES adormecidos?”

– Não preciso lhes dizer – prosseguiu Bocão, animado – que se for para voltar sem dragão nem vale a pena chegar até aqui. Todos os que FALHAREM nesse teste serão imediatamente exilados. A Tribo dos Hooligans Cabeludos não aceita FRACASSADOS. Só os mais fortes permanecem.

Com tristeza, Soluço fitou o horizonte. Só viu neve e mar. O exílio também não lhe parecia nem um pouquinho promissor.

– CERTO! – disse Bocão depressa. – Cada um pegue uma cesta para enfiar o seu dragão e vamos em frente.

Os garotos correram para apanhar as cestas, conversando felizes e animados.

– Vou pegar um dragão do tipo Pesadelo Monstruoso com garras extralongas, porque eles são muito assustadores – gabou-se Melequento.

– Ah, cale a boca, Melequento, você não pode fazer isso – disse Punho Rápido. – Só Soluço pode ter um dragão Pesadelo Monstruoso, você precisa ser o filho do Chefe para isso.

O pai de Soluço era Stoico, o Imenso – o temível Chefe da Tribo dos Hooligans Cabeludos.

– SO-LUÇO? – disse Melequento, com ironia. – Se ele for tão inútil quanto é no jogo de Batebolada, será uma sorte se conseguir um Dragão Comum.

O Dragão Comum era uma fera obediente, mas sem charme algum.

– CALEM A BOCA E ENTREM NA FILA, SEUS MISERÁVEIS! – gritou Bocão.

Os garotos se atropelaram para chegar a seus lugares, as cestas nas costas, e prestaram atenção. Bocão percorreu a forma e acendeu com as poderosas chamas que carregava as tochas que cada menino erguia diante de si.

– DAQUI A MEIA HORA VOCÊS SERÃO GUERREIROS VIKINGS, COM UM FIEL RÉPTIL A SEU LADO… OU ESTARÃO TOMANDO CHÁ COM O DEUS ODIN EM VALHALA, O CAMPO DOS GUERREIROS MORTOS, COM O TRASEIRO MARCADO POR DENTES DE DRAGÃO! – gritou Bocão com seu horrível entusiasmo.

Bocão continuou berrando:

– MORTE OU GLÓRIA!

– MORTE OU GLÓRIA! – gritaram de volta fanaticamente oito garotos.

“Morte…”, pensaram Soluço e Perna-de-peixe, com tristeza.

Bocão fez uma pausa dramática, levando a corneta de chifre aos lábios.

“Acho que este é o pior momento da minha vida ATÉ AGORA”, pensou Soluço, enquanto esperava pelo toque da corneta. “E se eles começarem a gritar ainda mais alto vamos acordar os dragões antes mesmo de começarmos a capturá-los.”

Bocão tocou a corneta: FOOOMMM!!!

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Trecho do Livro: Guia de Estudos para Certificação Ubuntu
Certificacao Ubuntu
Autor: Michael Jang
Editora: Ciência Moderna
ISBN: 9788573938319

» Saiba onde encontrar este livro

O Ubuntu Linux percorreu um longo caminho nos últimos quatro anos, desde sua versão inicial de 2004, tornando-se claramente a distribuição mais popular de Linux. Mesmo não sendo provavelmente o líder em rendimentos, está começando a forçar sua inserção nas empresas.

Sua missão pode ser mais bem expressa pelo Bug nº 1 do Ubuntu, nomeado “A Microsoft tem a maior participação no mercado”. Com a decisão da Dell de vender computadores pré-configurados com o Ubuntu Linux, ao que tudo indica, o Linux, especificamente o Ubuntu Linux, agora tem uma oportunidade no mercado consumidor. O Ubuntu levará o Linux até o ponto em que consumidores normais o considerarão uma alternativa ao Microsoft Windows? Somente o tempo dirá. Porém para chegar neste ponto, o Ubuntu precisa de uma infra-estrutura de comunidade, em outras palavras, precisa de mais administradores de Linux como você mesmo que se especializaram e são certificados na distribuição Ubuntu Linux.

O teste de Certificação Ubuntu (UCP) é direcionado ao administrador de sistemas de nível júnior. Junto com os testes de nível 1 do Linux Professional Institute, o teste UCP, como descrito em www.ubuntu.com/training/certificationcourses, é projetado para demonstrar a habilidade do candidato em:

– Configurar uma rede de sistemas Ubuntu.

– Entender os fundamentos de gerenciamento de pacotes e segurança.

– Realizar tarefas de gerenciamento de senhas.

Como um teste de habilidades administrativas de sistemas, o UCP irá além das habilidades associadas aos Cursos de Ubuntu Desktop em desenvolvimento. Conforme discutido na Introdução e com base no programa de estudos da Certificação Ubuntu em www.ubuntu.com/training/certificationcourses/professional/curriculum, este livro começa com uma análise detalhada da Comunidade Ubuntu; e um entendimento profundo de hardware, instalação e requisitos de manutenção; conhecimento de tarefas administrativas rotineiras; a habilidade de configurar serviços de rede e ambiente de rede; e práticas em configuração do GNOME Desktop Environment.

Embora o foco esteja no GNOME, abreviação de GNU Network Object Model Environment (Ambiente do modelo de objeto de rede GNU), outros ambientes de desktop estão disponíveis no Ubuntu Linux. Entretanto, os requisitos do UCP especificam o GNOME entre os principais desktops Linux.

O Ubuntu Linux não seria possível sem os esforços de Mark Shuttleworth ou o apoio de sua empresa privada, Canonical ltda.

Este capítulo tem como foco os recursos da comunidade Ubuntu. Embora parte deste capítulo esteja diretamente relacionada a comandos ou ferramentas gráficas do Linux, ainda é uma importante etapa no entendimento do Ubuntu Linux. E como são tópicos que fazem parte do programa de estudos UCP, são objeto de interesse para o teste UCP.

OBJETIVOS DA CERTIFICAÇÃO 1.01

Um histórico das versões do Ubuntu

O Ubuntu Linux tem como base os pacotes de desenvolvimento do Debian Linux. Visto que o desenvolvimento do Debian progrediu, o Ubuntu obteve vantagem desses desenvolvimentos, com lançamentos em um ciclo regular de seis meses. Embora a maioria do suporte para o Ubuntu tenha a comunidade como base, a Canonical também oferece suporte comercial pago.

Há diversas variações de Ubuntu Linux, incluindo variações com base em um pacote de desktop e servidor. Novas versões, é claro, estão disponíveis por meio de download. Para ajudar a tornar o Ubuntu acessível em áreas sem conexões de alta velocidade, versões do Ubuntu também estão disponíveis pelos programas ShipIt e Freedom Toaster.

Debian Foundation

O Ubuntu Linux criou sua distribuição com base no trabalho da Debian Foundation. Isso é admissível e talvez até encorajado, visto que pacotes de Debian Linux estão disponíveis para todos de acordo com a GNU General Public License [Licença Pública Geral] (GPL). Além disso, há vários desenvolvedores de Debian que estão agora trabalhando no Ubuntu Linux. Mark Shuttleworth, o proprietário da Canonical, a empresa por trás do Ubuntu Linux, definiu que “todo desenvolvedor de Debian também é um desenvolvedor de Ubuntu”.

As versões do Debian Linux são criadas com base em software livre. As diretrizes de software livre segundo o Debian (DFSG) dizem que o Debian Linux permite a distribuição livre, libera todo o código-fonte, permite modificação e trabalhos derivados e muito mais. Para mais informações, consulte www.debian.org/social_contract.

Uma decisão controversa dos desenvolvedores do Ubuntu é a instalação padrão de drivers “não livres”. Como estes drivers não estão em conformidade com as licenças de código livre aceitas, eles são evitados por alguns usuários de Linux, incluindo vários desenvolvedores de Debian. Isso quer dizer que a instalação padrão do Ubuntu Linux não é completamente formada por código livre. Entretanto, eles promovem uma distribuição Linux que “simplesmente funciona”, o que, em minha opinião, tem aumentado de maneira estrondosa a popularidade do Ubuntu Linux.

Uma segunda decisão que simplificou a tarefa do Ubuntu é sua lista de arquiteturas suportadas. Enquanto o Debian Linux suporta onze arquiteturas (e está trabalhando em outras quatro), o Ubuntu limita suas versões a duas arquiteturas: Sistemas Intel/AMD de 32 e 64 bits. Agora é mais simples ainda, visto que o Ubuntu suporta oficialmente a arquitetura PowerPC desde o Edgy Eft (6.10). O suporte oficial do Ubuntu Server para processadores Sun SPARC terminou com a versão Gutsy Gibbon. Essa decisão limita a quantidade de trabalho que tem de ser feito na criação de pacotes — e, o mais importante, limita o número de plataformas (e hardware associados) que têm de ser testadas e aprovadas para cada lançamento.

Como o Ubuntu Linux não suporta tantas arquiteturas quanto o Debian, o Ubuntu também tem mais flexibilidade com suas versões. Visto que os desenvolvedores principais não têm de criar e testar pacotes para tantas arquiteturas, a tarefa de desenvolvimento é muito mais simples.

A primeira versão do Ubuntu Linux, com o codinome Warty Warthog, foi feita com base em uma ramificação (instável) em desenvolvimento de Debian Linux, conhecida como Debian Etch. Warty Warthog foi lançado em outubro de 2004. Versões do Ubuntu Linux atuais continuam a incorporar pacotes instáveis de Debian durante o ciclo de desenvolvimento para novos lançamentos.

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