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Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Março 08, 2010

VEJA

Livro A Cabana

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Ficção

01 A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro
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02 O SÍMBOLO PERDIDO
Dan Brown . leia um trecho do livro
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03 O LADRÃO DE RAIOS (1º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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04 A BATALHA DO LABIRINTO (4º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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05 AMANHECER (4º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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06 O MAR DE MONSTROS (2º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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07 A MALDIÇÃO DO TITÃ (3º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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08 DIÁRIOS DO VAMPIRO 3 – A FÚRIA
L.J. Smith
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09 ECLIPSE (3º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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10 O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
John Boyne . leia um trecho do livro
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Livro Comer Rezar Amar

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Não-Ficção

01 COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro
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02 GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO BRASIL
Leandro Narloch
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03 1808
Laurentino Gomes . leia um trecho do livro
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04 O ANDAR DO BÊBADO
Leonard Mlodinow . leia um trecho do livro
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05 MENTES PERIGOSAS
Ana Beatriz Barbosa Silva
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06 UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro
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07 MAIS VOCÊ 10 ANOS
Ana Maria Braga
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08 HONORÁVEIS BANDIDOS
Palmério Dória
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09 UMA BREVE HISTÓRIA DO SÉCULO XX
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro
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10 MENTES INQUIETAS
Ana Beatriz Barbosa Silva
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Notebooks
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Trecho do Livro: Avaliando Empresas, Investindo em Ações
Avaliando Empresas
Autores: Carlos Alberto Debastiani e Felipe Augusto Russo
Editora: Novatec
ISBN: 9788575221792

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Vamos iniciar nossa abordagem sobre análise fundamentalista buscando entender, no decorrer deste capítulo, qual a natureza dos diversos fatores relacionados à macroeconomia que podem interferir nos negócios ou no mercado de uma empresa, avaliando também o grau dessa interferência.

Consideramos esse tema de vital importância – razão pela qual decidimos tratá-lo logo no início, a fim de conceituar muito bem cada um desses fatores –, dada sua influência sobre a vida das empresas.

Detalhamos, a seguir, os principais indicadores macroeconômicos que o investidor deverá levar em consideração durante a análise de uma empresa. Elencamos também os efeitos positivos e negativos que cada um deles pode desencadear, e como esses efeitos afetam, de forma prática, a vida de uma empresa.

Índices de inflação

Os índices de inflação são os termômetros da economia de um país, indicando o grau de equilíbrio entre a oferta e a demanda. Por meio deles, percebemos, nos diversos setores da economia, o quanto as empresas estão preparadas para atender os consumidores em relação à capacidade produtiva.

Quando o consumo se aquece e não há oferta suficiente, o índice de inflação apresenta uma variação positiva. De forma análoga, havendo redução no consumo, o índice tende a variar negativamente, forçado pela presença da oferta maior que a demanda.

Os índices de inflação são calculados por meio de uma composição de pesos. Por exemplo, se dissermos que o leitor vive somente de pão e água e supormos que o peso de cada um desses itens é de 50% em seu orçamento, poderemos criar o Índice Leitor. Sua composição seria a seguinte:

Índice Leitor = (Variação de Preço do Pão x 50%) + (Variação do Preço do Litro de Água x 50%)

Se em 1 ano o preço do pão aumentasse 20% e o preço da água, 10%, o índice de inflação do leitor seria de 15%. Isso significa dizer que se no ano passado o leitor pagava R$ 1,00 por um pão e um copo de água, este ano pagará R$ 1,15.

Utilizando esse mesmo conceito, entidades como a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calculam regularmente índices que serão utilizados como balizadores de nossa economia.

Entre os índices calculados por essas instituições, merecem destaque os mencionados a seguir.

– Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): Índice de inflação oficial do país utilizado como parâmetro para a política de metas de inflação. É calculado pelo IBGE entre o 1º e o 30º dia de cada mês e reflete o custo de vida para famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos, nas principais regiões metropolitanas do país. Em sua composição estão inclusos os gastos com alimentação, habitação, transportes, comunicação, vestuário, saúde e cuidados pessoais.

– Índice de Preços por Atacado (IPA): Índice calculado pela FGV com base nos preços do mercado atacadista, abrangendo etapas do processo produtivo que precedem o preço do varejo.

– Índice de Preços ao Consumidor da Fipe (IPC-Fipe): Índice calculado pela Fipe com base nos custos de habitação, alimentação, transportes, despesas pessoais, saúde, vestuário e educação para uma faixa de renda familiar de 1 a 20 salários mínimos.

– Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC): Índice calculado pelo IBGE, que mede a variação de preços em produtos de alimentação e bebidas, artigos de residência, comunicação, despesas pessoais, educação, habitação, saúde e cuidados pessoais, transportes e vestuário para uma faixa de renda familiar de 1 a 20 salários mínimos.

– Índice Nacional de Custo da Construção (INCC): Índice específico para o setor de construção. Reflete a variação de preço nos materiais de construção e na mão-de-obra do setor. É utilizado para reajuste de financiamentos diretos ao consumidor.

– Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M): Divulgado pela FGV, é calculado com base no IPA, IPC e INCC, com pesos respectivos de 60%, 30% e 10%, entre os dias 21 de um mês e 20 do mês seguinte. Foi criado para corrigir operações financeiras e atualmente também é utilizado para corrigir alguns títulos públicos, contas de consumo e contratos de aluguel.

– Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-DI): Calculado também pela FGV, possui a mesma composição do IGP-M, porém é calculado para o mês fechado. O índice é calculado três vezes no mês, sendo as duas primeiras chamadas de prévias.

Cada índice de inflação calculado por uma determinada instituição foi concebido com um objetivo específico. Alguns foram elaborados para medir o avanço dos preços em determinados grupos de consumo, outros monitoram setores da economia, ou, ainda, como no caso do IPCA, foi criado para ser o índice oficial de inflação do país. Por possuírem composições e pesos distintos, cada um deles apresenta um resultado próprio.

Além de serem importantes ferramentas para avaliar o equilíbrio entre oferta e demanda, na cadeia produtiva, os índices de inflação são os balizadores da política macroeconômica e determinam características futuras do consumo.

Taxa de juros

A taxa básica de juros da economia, conhecida como taxa Selic, é uma ferramenta utilizada para determinar o nível de atividade econômica. Seu valor é definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom), órgão governamental responsável por estabelecer as diretrizes de política monetária do país.

Na prática, ao fixar uma meta para a taxa, o governo estipula qual será o rendimento das operações efetuadas com o uso de títulos públicos, consideradas as de menor risco da economia. Esse rendimento é costumeiramente chamado de “preço do dinheiro” e define quanto custa um dia do investimento de menor risco dentro da economia. A partir deste, todos os investimentos de maior risco têm suas taxas de retorno definidas a partir do de menor risco. Quanto maior o risco, maior a taxa de retorno e assim sucessivamente, criando um efeito “escada”.

Entendendo esse mecanismo, saberemos que todas as vezes que o Copom alterar a taxa Selic, devemos esperar que as operações de crédito às pessoas física e jurídica, como o cheque especial, cartão de crédito, crédito imobiliário, linhas de financiamento para empresas, descontos, adiantamentos etc., sofram um ajuste em sua taxa, na mesma direção em que a taxa Selic foi ajustada.

Quando o Copom necessita frear a economia, a taxa é elevada, encarecendo o crédito a empresas e ao consumo e levando instituições e investidores a comprar mais títulos públicos e reduzir os investimentos em outros setores. Para aquecer a economia, a taxa é reduzida, diminuindo o custo do capital para investimento, facilitando o crédito ao consumidor e forçando o mercado a vender títulos e procurar outras formas de obter o mesmo retorno, por meio de novos investimentos, novos negócios e financiamento ao consumo.

O Brasil está entre os países de maior restrição monetária, com a maior taxa de juros real do mundo. Esse nível de taxa de juros não é saudável e os reflexos são percebidos nos números de crescimento do país. O custo das linhas de financiamento à iniciativa privada é alto e dificulta a expansão da indústria e a abertura de novos negócios. O custo anual com o pagamento de juros sobre os títulos públicos torna necessária uma arrecadação de impostos extremamente agressiva para manter o equilíbrio fiscal. Isso, por sua vez, encarece ainda mais a atividade das empresas e freia o crescimento econômico. O setor imobiliário, que é grande ator no processo de desenvolvimento de um país, também se prejudica pela dificuldade da formação do financiamento de longo prazo, incompatível com esse nível de juros. Aliado a esses itens, mantém-se um círculo vicioso de alto endividamento das famílias.

Nos últimos anos, com a sistemática melhora dos indicadores macroeconômicos, a diminuição da vulnerabilidade externa e o equilíbrio da balança comercial, o Copom pôde iniciar uma jornada para redução gradual da taxa de juros. Enquanto escrevemos este livro, a taxa Selic encontra-se em 11,25% a.a. Considerando que a taxa de juros dos países com economia desenvolvida, madura e estável é, em média, de 4% a.a., ainda há um grande caminho a ser percorrido para termos uma taxa de juros alinhada à realidade mundial.

No caminho para a taxa de juros ideal, devemos estar atentos aos efeitos que a diminuição dessa taxa pode causar às empresas às quais somos acionistas, bem como aos números que podem levar o Copom a ter de aumentar momentaneamente a taxa de juros para corrigir alguma disfunção inesperada.

O número mais preocupante é sempre a inflação. Ao diminuir a taxa de juros, o crédito fica mais barato tanto para o consumo quanto para a expansão industrial e a comercial. O problema é que isso não acontece simultaneamente. Enquanto, em poucos dias, o crediário fica mais barato, pode levar de 6 meses a 1 ano para que a expansão da linha de produção em uma fábrica fique pronta para produzir um bem de consumo. Esse aumento de consumo antes do momento adequado pode iniciar um processo inflacionário, já que há mais consumidores com dinheiro disponível do que produtos à venda.

Além da inflação, números que apóiam esse acompanhamento são os indicadores de atividade econômica e nível de emprego. Enquanto a taxa Selic for gradualmente reduzida, esses indicadores nos darão segurança de que o consumo e a oferta estão crescendo paralelamente. Enquanto o crescimento se der de forma sustentável, os resultados das empresas mostrarão aumento das vendas sem aumento de custo, e o resultado disso será a evolução no preço das ações das empresas.

Câmbio

A taxa de câmbio é o preço da moeda estrangeira em moeda nacional. No Brasil, o regime cambial praticado pelo governo é conhecido como regime de câmbio flutuante, no qual o preço da moeda é determinado pela relação entre a oferta e a procura.

A taxa de câmbio sobe quando há maior procura pela moeda estrangeira e desce quando há maior procura pela moeda nacional. Eventualmente, o Banco Central do Brasil (Bacen) efetua compras ou vendas pontuais, com o objetivo de conter excessos de alta ou de baixa considerados anormais ou especulativos.

Nesse cenário, onde o mercado determina o preço da moeda estrangeira, o acionista deve concentrar seus esforços na tarefa de antecipar o movimento de longo prazo das moedas para determinar como os negócios da empresa e, por conseqüência, o valor de suas ações serão afetados pela alteração no preço das moedas.

Para empresas exportadoras, a apreciação da moeda nacional, ou seja, a queda no preço do dólar, torna seus produtos ofertados no exterior mais caros, diminuindo sua competitividade.

Para as empresas importadoras ou que dependem de matéria-prima importada, comprada em moeda estrangeira, a apreciação do real torna o custo de produção menor, permitindo um considerável aumento da lucratividade ou, por outro lado, redução do preço final ao consumidor, na busca por uma maior fatia de participação no mercado.

Para a economia como um todo, a apreciação do real torna os produtos importados mais baratos e estimula a importação de bens e serviços.

Em momentos de forte crescimento econômico e aumento do consumo, como o que vimos em 2008, esse estímulo dá fôlego à indústria brasileira, permitindo que a cadeia produtiva se desenvolva no tempo necessário, sem o risco de iniciar um processo inflacionário causado pela escassez de produtos no mercado. Já a desvalorização da moeda nacional, e um conseqüente aumento nos preços dos importados, poderia levar a economia à escassez de bens e serviços, fato que culminaria com um aumento progressivo nos preços do mercado interno.

Desta forma, a apreciação da moeda brasileira perante o dólar, apesar de criticada por alguns setores exportadores prejudicados, é, de forma geral, benéfica para a economia e garante um cenário estável para o crescimento econômico sustentável do país.

Risco país

Conhecido pela sigla EMBI (Emerging Market Bond Index), o índice calculado pelo banco JP Morgan é utilizado para medir o grau de risco de uma economia.

Na prática, não é uma medida de risco, e sim de “diferença de retorno”. O indicador mede a diferença entre a taxa de retorno dos títulos de longo prazo do tesouro americano (considerados de baixíssimo risco) e os títulos de mesma natureza em países emergentes, como o Brasil.

Para conseguir efetuar essa apuração, o JP Morgan calcula a taxa de retorno entre o valor atual e o valor futuro dos títulos brasileiros, sendo que o valor futuro é o valor do título em sua data de vencimento. Após calcular tal taxa, esta é, então, comparada à taxa dos títulos americanos.

Se, por exemplo, os títulos americanos possuem um retorno de 3% a.a. e os títulos brasileiros, 5% a.a., o EMBI-Brazil será de 200, que corresponde a 2%.

A dinâmica de funcionamento do risco país é simples. Quando há aumento da percepção de risco sobre a economia brasileira, os investidores internacionais tendem a vender os títulos brasileiros de longo prazo, fazendo que seus preços caiam. Por terem seu preço de vencimento prefixado, esses títulos passam a ter uma taxa de retorno maior, já que esta é calculada pela diferença entre o preço de mercado (que caiu) e o preço de vencimento (que permanece fixo), fazendo que o risco país suba. Quando a percepção de risco diminui, a alta taxa de retorno atrai os compradores, encarecendo os títulos e diminuindo sua vantagem perante os títulos americanos.

O risco país é, desta forma, um termômetro para saber qual a percepção de risco dos investidores internacionais. Quanto menor o risco país, maior a certeza de que a economia tem atratividade e continuará recebendo investimento externo.

Produto Interno Bruto (PIB)

O PIB representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país durante o período de 1 ano. É calculado pelo IBGE e sua metodologia de cálculo avalia apenas bens e serviços finais, apurando também importações e exportações. É o principal indicador utilizado para medir o nível de atividade econômica do país e sua variação.

O crescimento do PIB indica que o país está ampliando sua capacidade produtiva, de consumo e de exportação e, portanto, gerando um maior volume de atividade econômica. Esse crescimento é de especial interesse para os investidores que estão comprando ações de uma empresa inserida nesse cenário, já que a ampliação da atividade econômica representa maior possibilidade de efetuar negócios para essa empresa e, portanto, maior probabilidade de obter lucro.

De forma análoga, quando o PIB cai, representa uma redução na capacidade de produzir e efetuar negócios. Nessa situação, com a diminuição da atividade econômica da empresa inserida nesse cenário, torna-se desinteressante para o investidor a manutenção das ações em sua carteira.

Para a análise fundamentalista, mais importante que o PIB passado, é o PIB projetado para os próximos períodos. Por ser o principal indicador de atividade econômica, as projeções do PIB afetam diretamente a expectativa futura de consumo por bens e serviços. Desta forma, é importante monitorar os fatores que influenciam o PIB projetado, como demanda interna, câmbio e taxa de juros, que, conforme tratado anteriormente neste capítulo, têm influência sobre a demanda.

Os PIBs de países que mantêm relações comerciais direta ou indiretamente com o Brasil também são importantes, uma vez que as expectativas que recaem sobre eles irão compor as expectativas sobre os resultados das empresas exportadoras no Brasil.

Em um contexto internacional de forte liquidez monetária e incessante busca por investimentos de longo prazo e oportunidades de ganhos, o Brasil está situado em uma confortável zona de risco desde abril de 2008, quando alcançou o grau de investimento (investment grade). Desde essa data, vem sistematicamente atraindo capital de empresas que até então o consideravam muito arriscado para investimentos de longo prazo ou não podiam investir aqui em razão de seus próprios critérios de risco que impediam investimentos em países fora do grau de investimento.

Gastos do governo

Apontados como principal causa de incontáveis problemas econômicos e sociais na história brasileira, os gastos excessivos da máquina pública representam atualmente o mais importante desafio, fundamental e imediato, do governo brasileiro rumo ao crescimento econômico sustentável.

A histórica prática de gastar e depois arrecadar em vez de arrecadar e depois gastar, que levou o país a crises inflacionárias e nefastos cenários recessivos, hoje faz parte do passado. A primeira grande conquista nesse tema foi a lei complementar nº 101, conhecida como Lei da Responsabilidade Fiscal, que estabeleceu normas e políticas de gestão fiscal com o objetivo de garantir o equilíbrio das contas públicas. O equilíbrio fiscal existe e vem sendo possível mantê-lo graças ao crescimento econômico e à febre de consumo existente nos grandes países em desenvolvimento, como a China e a Índia. Entretanto, em um país onde a máquina pública muitas vezes é utilizada com excessivo apelo social para conquista de votos, a eficiência do governo em gerir os recursos públicos está muito aquém do necessário para tornar o Brasil um país competitivo, despontando como pólo de investimentos no cenário internacional.

O principal vilão do orçamento é o sistema de previdência e assistência social, que consome recursos equivalentes a cerca de 12% do PIB nacional. O número é duas vezes maior do que o de países com o mesmo número de idosos. Com gastos tão altos nessa esfera, faltam recursos para investimentos em infra-estrutura, educação e saúde.

O segundo vilão dos gastos públicos é a complexidade do sistema fiscal e tributário, que dificulta a vida das empresas com a sobrecarga de impostos, impedindo um maior crescimento da economia.

Nesse cenário, para o investidor que negocia ações brasileiras, é importante acompanhar a condução desses assuntos pelo governo e perceber se as metas definidas estão sendo cumpridas e quais impactos o ambiente macroeconômico sofrerá a cada mudança de contexto. Os anos de eleição presidencial merecem atenção especial, pois neles é comum haver movimentos no sentido de flexibilizar as políticas de gastos e arrecadação com o objetivo de atingir a população e conquistar votos. É importante perceber se as mudanças nessas políticas são, de forma geral, evolutivas ou se remetem o governo a um estágio anterior.

Uma importante referência para o investidor são as declarações divulgadas pelas destacadas agências internacionais de avaliação de risco, como a Fitch Ratings, Standard & Poor’s e Moody’s, que possuem uma opinião referenciada no mercado internacional e traduzem as expectativas de grandes investidores.

Balanço de pagamentos

O balanço de pagamentos é, para o investidor, uma importante ferramenta que permite monitorar a atividade do país no contexto internacional. Nele estão escrituradas todas as transações financeiras envolvendo empresas e pessoas residentes e não-residentes no país.

Os dados nele contidos são divulgados em dólares norte-americanos, a valores correntes sem ajustamento sazonal. É disponibilizado mensalmente no site do banco central: www.bcb.gov.br

Entre as informações que estão disponíveis no balanço, podemos destacar as seguintes:

– Variação de reservas: Permite avaliar o resultado geral do balanço e observar se esteve em déficit ou em superávit. A mesma informação pode ser obtida na linha “Resultado global do balanço”. A indicação de déficit aponta o país como um cenário de maior risco para os investimentos estrangeiros, afastando-os de nosso mercado, ao passo que a predominância do superávit, e até seu crescimento, atrai novos investimentos para o país, já que passa uma imagem de credibilidade, demonstrando um crescimento sustentado da economia.

– Balança comercial: Permite avaliar o resultado líquido do somatório entre as contas de importação e exportação. Essa informação é importante para avaliar tendências, bem como antever o comportamento do dólar. Quando a tendência é de aumento das exportações, podemos esperar maior entrada de dólares e conseqüente redução no preço dessa moeda. Já o acréscimo nas importações demandará também a necessidade por dólares, aumentando assim seu preço.

– Conta financeira: A entrada e a saída de capital para investimento no país são contabilizadas dentro dessa estrutura. Assim como em um balanço, os grupos desta estrutura são divididos em ativo e passivo. O grupo dos ativos representa os investimentos no exterior detidos por residentes e o grupo dos passivos representa os investimentos no país detidos por não-residentes. Na composição da conta financeira,
podemos destacar:

— a conta de “Investimento direto”, apesar de não possuir a indicação de ativo e passivo, funciona da mesma forma, ou seja, o grupo “No exterior” representa o ativo e o grupo “No país”, o passivo. Essa conta registra todos os ativos e passivos considerados investimentos propriamente ditos;

— a conta “Investimentos em Carteira” registra o fluxo de ativos e passivos compostos de investimentos em ações e títulos de renda fixa, como os títulos de dívida emitidos no país;

— a conta “Derivativos” registra o fluxo proveniente de operações derivadas como swap, opções e futuros;

— por fim, a conta “Outros investimentos” registra os empréstimos e financiamentos de curto e longo prazos, a movimentação de disponibilidades no exterior, cauções, depósitos judiciais e garantias para empréstimos vinculados a exportações.

Além dessas informações disponíveis no quadro principal do balanço, o Banco Central do Brasil disponibiliza, em seu site, dezenas de quadros com o detalhamento das linhas e outras informações consolidadas.

Capacidade de pagamento da dívida externa

A dívida externa pode ser definida como o somatório dos débitos de um país perante seus credores internacionais. Esses débitos podem ser provenientes de empréstimos e financiamentos contraídos no exterior pelo governo ou por empresas estatais e privadas dos mais variados setores.

A capacidade de pagamento da dívida externa é vista pelo mercado como uma medida que se traduz em risco. Se um país possui divisas suficientes para pagar toda sua dívida externa, a chance de alguma situação levá-lo à moratória é muito pequena.

Atualmente, o Brasil se encontra em uma situação confortável em relação à capacidade de pagamento da dívida externa. Com o aquecimento econômico mundial estimulado pelos grandes países em desenvolvimento, como Índia e China, o país se tornou um grande exportador dos mais variados bens e serviços, o que tem trazido um grande volume de capital estrangeiro para cá.

Apesar de essa situação tornar o real mais apreciado perante o dólar, o volume de importações em crescimento não tem sido o suficiente para afetar a balança comercial, que tem se mantido equilibrada.

A atual condição do país o coloca em um cenário onde figura como porto seguro para investimentos entre os países emergentes, posição esta que, somada aos demais fatores conjunturais, permitiu que o país adquirisse a primeira nota do grau de investimento por reconhecidas agências internacionais de avaliação de risco. Com uma classificação de risco menor, governo e empresas terão acesso a empréstimos e financiamentos com juros menores, o que, por sua vez, ajudará na redução da dívida externa e na melhora do perfil de risco. Nesse contexto, o fluxo de capital estrangeiro para investimentos de longo prazo certamente continuará aumentando.

Commodities

Commodities são produtos em estado bruto ou com pequeno grau de industrialização, negociados de maneira global em bolsas de mercadorias e futuros.

Por serem amplamente negociadas e necessárias a todas as economias do planeta, são comercializadas de forma organizada por meio de bolsas que também permitem a negociação de contratos futuros, ou seja, contratos negociados hoje, mas que garantam o fornecimento futuro a um preço predeterminado. Como exemplos de itens negociados nos mercados nacional e internacional de commodities, podemos citar: petróleo, gás natural, ouro, prata, alumínio, cobre, aço, carvão, açúcar, soja, milho, trigo, álcool, etanol, boi gordo, café, cacau e algodão. Esses são apenas alguns exemplos de commodities importantes para o mercado brasileiro, bem como para empresas brasileiras que as vendem ou dependem delas como matéria-prima para seus produtos.

As commodities têm um papel indireto, porém importante no movimento do mercado de ações. A expectativa do preço futuro das commodities, percebida diariamente nos contratos negociados na BM&F e nas demais bolsas mundiais, afeta as projeções de custo e as projeções de faturamento de grandes empresas que possuem seus papéis negociados na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo).

A commodity mais importante do mercado mundial é o petróleo. Em razão de sua complexidade e abrangência, será tratada em tópico específico ainda neste capítulo.

Desde 2007, o forte crescimento econômico de países como China e Índia tem elevado de maneira histórica a demanda por diversas commodities necessárias a seu desenvolvimento, como alimentos, minérios e metais. Nesse cenário, empresas brasileiras exportadoras dessas commodities têm obtido resultado extremamente positivo e grande parte do bom desenvolvimento percebido no país é resultado desse movimento.

Entre as principais empresas que possuem ações categorizadas como blue chips na Bovespa e possuem sensibilidade à variação de preço de alguma commodity, no custo ou na receita, temos:

– Companhia Vale do Rio Doce: Grande exportadora de minério de ferro, alumínio, níquel, cobre, cobalto e metais do grupo da platina. Exporta para países em forte crescimento como China, Índia e países do Leste Europeu.

– Petrobras: Sexta maior companhia de petróleo do mundo, atuando nos segmentos de petróleo e seus derivados, insumos petroquímicos, gás natural e biocombustíveis.

– Metalúrgica Gerdau: Produtora de aço bruto e laminados, atende ao mercado interno e ao externo, tendo sido extremamente beneficiada pelo aumento de preço do aço no mercado mundial.

– Companhia Siderúrgica Nacional (CSN): Produtora de aços planos com grande participação no mercado interno.

O Brasil, por meio de empresas como as citadas anteriormente, é um grande exportador de commodities. A exportação desses produtos representa cerca de 65% da pauta de exportação do país. Esse percentual é tão representativo que acaba por criar um efeito interessante de proteção contra a inflação por meio do câmbio.

Em momentos de grande valorização nos preços das commodities (como o observado desde 2005, com a forte aceleração do crescimento nos países emergentes), espera-se que o aumento nesses preços leve muita riqueza aos países exportadores desses produtos.

Esse aumento de riqueza amplia rapidamente a oferta monetária existente na economia, fazendo que haja uma pressão inflacionária causada tanto pelo aumento de riqueza quanto pelo incremento no preço desses insumos no mercado interno.

Pelo fato de o Brasil possuir um regime de câmbio flutuante, em que a cotação do dólar é determinada pelo equilíbrio entre a oferta e a demanda pela compra da moeda, o “efeito exportação” pressiona a moeda estrangeira para baixo. Por ser um exportador líquido de commodities, o Brasil recebe muita moeda estrangeira, que é trocada por reais para pagar as empresas exportadoras. Isso reduz o preço do dólar, valorizando o real e tornando mais atrativa a importação de produtos internacionais.

Apesar de esse movimento ser criticado por representantes da indústria – uma vez que torna os preços do produto nacional menos competitivos internacionalmente –, esse efeito acaba criando um descolamento inflacionário.

Enquanto os países exportadores com regime de câmbio fixo têm que lidar com o aumento da base monetária e também com o da matéria-prima interna criando políticas monetárias austeras, o Brasil consegue lidar com a situação aumentando a oferta de produtos importados com preços mais baixos, evitando a escalada inflacionária e reduzindo o problema à economia local, que pode ser tratado mais facilmente com aumento da taxa de juros e políticas setoriais para fomentar a oferta local.

Petróleo

Atualmente, o petróleo é a principal fonte de energia do planeta, constituindo-se na matéria-prima básica para fabricação de inúmeros produtos, como combustíveis, lubrificantes e insumos petroquímicos. Situa-se entre as commodities negociadas no mercado futuro que mais afetam a economia em qualquer país do mundo.

Sobre o aspecto da formação de preço, podemos dizer que “o preço do petróleo influencia até mesmo o preço do petróleo”. Apesar da retórica, essa afirmação faz certo sentido ao analisarmos o conjunto de fatores presentes na formação de preço do petróleo e, posteriormente, o efeito desse preço na saúde da economia mundial.

O preço do petróleo é, primeiramente, formado pela relação entre a oferta e a demanda, como qualquer outra commodity.

Na ponta da oferta, temos os países membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), à qual pertencem Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Venezuela, Kuwait, Nigéria, Argélia e Iraque, além dos países não-membros representados pela Rússia, Estados Unidos, República Popular da China, México, Canadá, Noruega e Brasil. A OPEP detém 80% das reservas e responde por 40% da produção mundial de petróleo. Tal grandeza faz que os costumeiros conflitos do Oriente Médio, a concentração de mercado e o interesse dos produtores alterem freqüentemente a oferta do produto.

Na outra ponta, a da demanda, temos um conjunto complexo de fatores estruturais e conjunturais da economia que acabam por determinar o quanto a indústria, o comércio e os consumidores finais estarão dispostos a consumir. O acelerado crescimento de países em desenvolvimento como a China, a Índia e o Brasil, a recuperação do setor de aviação após os atentados de 11 de setembro de 2001, a dificuldade em encontrar substitutos baratos para os insumos e combustíveis derivados do petróleo e a imprevisibilidade do consumo são alguns dos inúmeros fatores que determinam a dificuldade em estabelecer a demanda futura de consumo.

O risco da interrupção no fornecimento aliado a um moderno mercado futuro de commodities faz que os consumidores negociem contratos com o objetivo de garantir sua necessidade futura de consumo de petróleo, determinando, desta maneira, seu preço.

Entendendo como funciona a formação de seu preço, podemos observar quais são os principais impactos do petróleo sobre as empresas e a economia, de modo geral.

Qualquer atividade produtiva tem, em sua estrutura de custos, a influência direta ou indireta do petróleo. De combustíveis para máquinas, fornos e veículos a insumos para produção de medicamentos, plásticos, carpetes e materiais sintéticos, toda empresa tem algum nível de sensibilidade a variações no preço do petróleo.

Além dos impactos diretos na produção, existem também os que recaem sobre a logística de distribuição, especialmente num país como o nosso, onde o transporte de matérias-primas e produtos acabados é essencialmente rodoviário ou aéreo e, portanto, totalmente dependente do petróleo. Esse aspecto do impacto causado pelo preço do petróleo tem um efeito do tipo cascata, pois interfere nos custos de toda a cadeia de fornecimento, já que todas as empresas envolvidas se utilizam desse tipo de transporte, mesmo que sua atividade produtiva não tenha alto grau de dependência em relação ao petróleo.

Somado a esse efeito de acréscimo nos custos da produção e, conseqüentemente, no preço do produto final ofertado nas prateleiras das lojas, temos a redução no consumo, causada pela queda do poder aquisitivo do consumidor final, obrigado a pagar mais caro pela gasolina que coloca em seu automóvel ou pela tarifa de ônibus que utiliza para ir ao trabalho.

O resultado dessa soma é a queda no faturamento das empresas e, posteriormente, na apuração de seus lucros em balanço.

Essas são as razões que nos levam a enxergar o reflexo da variação da cotação do petróleo nos movimentos de preços das ações negociadas em bolsas de valores.

Pequenas oscilações para cima e para baixo não chegam a causar grande efeito no preço das ações, uma vez que o mercado de futuros permite aos compradores garantir o preço do petróleo para o fornecimento futuro. Porém, quando há temor de escassez, torna-se difícil projetar o custo, o consumo e, por conseqüência, o resultado financeiro das empresas para os próximos anos. Quando isso ocorre, percebemos uma grande volatilidade no preço das ações. Essa volatilidade representa o temor do mercado sobre a saúde da economia e sua capacidade de crescimento.

Em 1973, os países árabes impuseram um embargo às economias americana e européia, reduzindo drasticamente a oferta de petróleo disponível. O preço da commodity rapidamente quadruplicou. O preço da matéria-prima tornou cara e inviável a atividade de muitas empresas, que fecharam as portas iniciando um ciclo de desemprego estrutural e retração da atividade econômica. Foi a recessão mais forte desde a Grande Depressão de 1932. Em 1979, novos conflitos no Oriente Médio reduziram a oferta criando um novo período recessivo tanto na Europa quanto na América do Norte.

Com relação à economia brasileira, ao avaliarmos a variação do preço do petróleo, sempre devemos considerar a atual capacidade de fornecimento da Petrobras, que coloca o país na situação de auto-suficiência na produção de combustíveis fósseis. Essa situação, aparentemente confortável, transmite à nossa economia certa tranqüilidade com relação às contas externas, uma vez que não se torna mais necessário o endividamento do país com a importação de petróleo.

Para os consumidores internos, entretanto, o aumento de preços do petróleo significa forte alteração na estrutura de custos e, como já citamos, redução na capacidade de consumo que poderia ser direcionada a outros setores da economia.

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Trecho do Livro: Guia Médico da Gravidez – Passo a Passo
Guia Medico da Gravidez
Autor: Dr. Gerard DiLeo
Editora: M. Books
ISBN: 9788589384865

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Com o advento da ultra-sonografia e de testes muito precisos de urina e de sangue, o diagnóstico de gravidez deixou de ser preocupação para o médico de hoje, auxiliado pelo laboratório. Mas há certo fascínio na história do diagnóstico de gravidez, antes desses recursos modernos passarem a ser usados comumente. Os médicos costumavam receber um treinamento diferente – usavam critérios e habilidades diagnósticas que hoje parecem obsoletos.

Os livros médicos antigos, incorporando encontros e desencontros dos processos fisiológicos, eram tão bem escritos que dificilmente consigo jogar algum deles fora. Folheá-los é uma viagem de volta pelas maravilhas da arte do diagnóstico. Hoje, você tem imagens de seu bebê pela ultra-sonografia e seu médico consegue ter valores mínimos crescentes de hCG, o hormônio da gravidez, praticamente antes de sua menstruação atrasar. Em tempos menos sofisticados, muitas mulheres não podiam ter o diagnóstico de sua “condição delicada” até meados da gravidez. Nunca deveríamos ansiar por um retorno àqueles dias, mas é divertido ver o diagnóstico pelos olhos da medicina dos velhos tempos, da mesma forma que uma criança fica maravilhada ao descobrir as coisas mais simples, consideradas normais hoje em dia. A gravidez é e sempre foi uma experiência bonita e, embora a ciência da obstetrícia tenha contribuído para uma gravidez melhor, a arte da medicina perdeu um pouco de sua beleza. Mas, se um Rembrandt guardado no sótão continua lindo, mesmo que não haja ninguém lá para apreciá-lo, o mesmo acontece com os sinais e sintomas que eram notados no passado.

De volta aos “velhos tempos”, por volta de 1960 (século passado, lembra-se?), o diagnóstico “antigo” era agrupado em três classificações:

Sinais de Presunção de Gravidez: Essa categoria inclui principalmente aspectos que você mesma nota, como o atraso da menstruação, mama dolorida, náusea, freqüência urinária e fadiga.

Sinais de Probabilidade de Gravidez: Essas são as mudanças que seu médico notará, como o tamanho aumentado e o amolecimento de seu útero e a movimentação fetal.

Sinais Positivos de Gravidez: Essas são as indicações “certas”, como batimentos cardíacos fetais, movimentação fetal e imagens de ultra-sonografia.

Evidentemente, as modernas técnicas diagnósticas tornaram obsoleto o uso de muitos dos sinais e sintomas presuntivos e prováveis para diagnosticar a gravidez, colocando-os na Era do Obscurantismo.

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A Data do Nascimento: Divirta-se com a Matemática

A data do nascimento é referida como a data estimada de confinamento. Trata-se de uma volta aos dias em que uma mulher era confinada em casa e ficava em repouso durante o período após o nascimento, até se recuperar totalmente. Um termo também empregado era “ficar de resguardo”, que significava a mesma coisa.

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DICA RÁPIDA: O calendário gregoriano e o calendário do obstetra não coincidem. O calendário do obstetra usa meses de quatro semanas completas — meses lunares —, enquanto o calendário gregoriano usa meses de 30, 31 e mesmo de 28 e 29 dias.

As 40 semanas de gravidez fazem parte dos nove meses, de acordo com esse calendário.
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Quando sua menstruação está atrasada, aquela menstruação que não vem, já se passaram duas semanas da data de concepção. De acordo com a maneira usual de calcular a gravidez, considera-se que você esteja com quatro semanas de gestação. Pelo menos nós, obstetras, chamamos de quatro semanas porque contamos a partir da última menstruação regular. Mas, uma vez que nenhuma mulher está grávida antes da concepção, isso gera confusão em toda gravidez, até explicarmos de que modo contamos a idade gestacional.

A gestação humana normal (o período de tempo que leva para um bebê crescer no útero) é de cerca de 280 dias. Dividida em meses de quatro semanas completas, isso resulta em dez meses completos. Mas Júlio César e o Papa Gregório XIII, os mentores do calendário moderno, estavam pensando em tudo, menos na gestação, quando estabeleceram “30 dias tem setembro, abril, junho e novembro”. (E continua sem dizer que todo o resto tem 31, com exceção de fevereiro.) Se um obstetra tivesse feito o calendário, todo mês teria 28 dias (“nada mais”), abrangendo 13 meses com quatro semanas completas por ano. Na realidade, esse “Ano Obstétrico” seria um pouco mais curto, o verdadeiro ano solar com 13 meses exatos e cerca de um dia e um quarto. (Eu sei que poderia imaginar algo para fazer com esse dia, 5 horas e 49 minutos extras.)

Não é coincidência que todo ciclo menstrual médio dure 28 dias. Esses intervalos foram chamados de meses lunares no passado, coincidindo com as fases da lua. A palavra menses, da qual deriva a menstruação, é originária do latim mensis, que significa “mês lunar”. Os ciclos menstruais, que historicamente coincidem com todo mês lunar, nos confirmam quanto estamos sincronizados com o mundo, a rotação da Terra e o seu satélite. Durante os longos períodos de evolução, as relações exatas foram se perdendo, mas faz sentido que a glândula pineal em sua cabeça, vestígio de um terceiro olho, que nos animais inferiores responde à luz, ajuda no ritmo circadiano e está envolvido com mudanças pigmentares afetadas pelo estrógeno e pela progesterona, esteja ligada às fases da lua e à menstruação, misteriosamente relacionada.

Cada vez que o mês no calendário moderno passa de 28 dias, a gestação perfeita de dez meses completos sai de sincronia com ele. Os dois dias a mais aqui e três ali “engolem” o décimo mês completo, de modo que, pelo calendário impresso de hoje, a gravidez dura nove meses. Então, quando exatamente você vai dar à luz? Como eu disse, a data de nascimento é o dia estimado para o confinamento, porque tradicionalmente as mulheres eram confinadas na cama, “de resguardo”, do dia do parto até se convalescerem totalmente. O último ciclo menstrual é o único acontecimento observável, a partir do qual se pode calcular a gravidez sem auxílio da ultra-sonografia. O dia de confinamento (DC) e o último período menstrual (UPM) combinam-se na seguinte fórmula para calcular a data de nascimento:

DC = (UPM – 3 meses) + 7 dias

A data do nascimento geralmente é designada como o dia após 40 semanas contadas a partir do primeiro dia da última menstruação regular, no entanto, essa não é a verdadeira “data”, porque há muito mais variações na população em geral. Visto que a gravidez chega ao termo entre 38 e 42 semanas, na verdade, seria melhor falar do “mês previsto para o nascimento”.

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REGRAS DA GRAVIDEZ PARA MARIDOS: Regra nº 1: Você nunca deve usar o Calendário Esportivo Ilustrado para marcar a idade gestacional de sua esposa.
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O Ser Materno–Fetal

Sua gravidez, que tem como resultado o nascimento de uma vida tão complexa quanto qualquer outro ser humano, exige mudanças extraordinárias em seu corpo para criar uma fisiologia partilhada entre você e seu filho em desenvolvimento. Tendemos a pensar que a futura mãe e o filho em desenvolvimento são dois seres diferentes, mas essa combinação resulta, na verdade, em uma criatura diferente—a entidade mãe–filho. Quem é essa pessoa? É alguém diferente de você e de seu bebê isoladamente. Ter um bebê crescendo dentro de você é como ter um tumor, em vários sentidos. (Ter gêmeos crescendo dentro de você é ainda mais complicado.) Na maior parte, as mudanças que você notará se devem à nova ordem mundial hormonal.Oestrógeno, a progesterona, a gonadotrofina coriônica (hCG), o lactogênio placentário humano (hPL) e a prolactina (hormônio que produz o leite) são importantes hormônios da gravidez. Cada um deles tem um papel na fisiologia materno–fetal em preparação para o nascimento de sua prole. O estrógeno e a progesterona também têm papel importante na preparação de seu corpo para a concepção, aquela conhecida como o ciclo menstrual. Em suma, o estrógeno ajuda a formar o revestimento de seu útero (ventre) e, então, depois da ovulação, a progesterona ajuda a amadurecer esse tecido de modo que uma concepção tenha um leito adequado de tecido onde o ovo vai se implantar.

As mudanças e os ciclos hormonais, por estranho que possa parecer, têm seu esboço iniciado por um elemento chamado colesterol. Muito condenado por suas implicações em doenças cardíacas, na verdade é uma substância necessária. É por isso que, se você remover certo grupo de carbono—voilà!—ele se torna um hormônio precursor chamado pregnenolona. Então, da pregnenolona derivam o estrógeno, a progesterona e a testosterona, entre outros. Se você tivesse de observar as moléculas oscilarem pra lá e pra cá em um tipo de videocassete de bioquímica que fizesse replay instantâneo, veria moléculas agitando-se em volta de uma estrutura química central que não se altera, que é o esqueleto do colesterol.

Assim como um ponto marca o fim de uma sentença, a menstruação é o final de sua preparação para a gravidez, quando o revestimento receptivo de seu útero é expelido. Mas isto põe fim a um ciclo porque, à medida que o tecido que reveste o útero durante o ciclo é eliminado, as seqüências hormonais começam a tentar novamente seu próximo ciclo.

Nesse ponto, quando um óvulo fertilizado se acomoda no revestimento aconchegante de seu útero, no local de implantação, inicia-se uma reação química em cadeia que manterá os níveis hormonais de seu corpo, de modo que uma condição estável seja preservada. Um ciclo mais longo começa agora — que durar 40 semanas, até que seu útero expulse não o revestimento uterino não utilizado, mas um bebê. Como um novo ser materno–fetal, você vai ao consultório de seu médico.

Pré-natal

A não ser que você esteja sendo cuidada por uma obstetriz que a visite em casa, com a gravidez, inicia-se uma série de visitas ao consultório do obstetra. Os tipos e a freqüência das consultas são tão variados quanto os médicos que fazem os partos. A esse respeito, todo o período pré-natal é pontuado por um plano de acompanhamento médico que ele desenvolveu com os anos e que, então, adaptará para a apresentação única de sua gravidez.

Há dois tipos de população pré-natal:

– aquela em que tudo transcorre perfeitamente;

– as outras.

Não existirá gravidez perfeita até usarmos nosso conhecimento do genoma humano para que a Barbie e o Ken entrem no processo e, então, seja feita a clonagem e o pedido por correio (sem contar a entrega). É claro que primeiro teremos de resolver o problema da Barbie e do Ken, que não têm genitália.

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DICA RÁPIDA: Ou você é normal ou não é. Não se apresse em se dizer “normal”, pois até mesmo as menores preocupações garantirão o rótulo melodramático de “alto risco”; é importante observar mais atentamente condições suspeitas.
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Enquanto esperamos pela fusão controvertida da indústria de brinquedos Mattel, a química Dow e a farmacêutica UpJohn, que nos dará a gravidez perfeita, temos de focar nossa atenção para as escalas relativas, e com esse objetivo os obstetras pensam em termos de gravidez normal e de alto risco. Esses dois grupos são a forma mais generalizada de vigilância para um obstetra que esteja acompanhando uma gravidez. “Normal” e “alto risco” — estas são designações humorísticas, no sentido de que, se houver qualquer problema, um médico passará a considerar o paciente e a gravidez de alto risco.

Melodramático? Talvez, mas, se não for assim, haverá coisa demais em jogo. Toda gravidez é de suma importância. Em sua gravidez, qualquer coisa que “aparecer” deve ser considerada seriamente.

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Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Fevereiro 22, 2010

O Estado de São Paulo

Livro O Simbolo Perdido

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Ficção

01 O SÍMBOLO PERDIDO
Dan Brown . leia um trecho do livro
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02 A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro
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03 O LADRÃO DE RAIOS (1º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos) – Obs: CAPA DO FILME
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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04 O MAR DE MONSTROS (2º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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05 O LADRÃO DE RAIOS (1º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos) – Obs: CAPA ORIGINAL
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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06 O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
John Boyne . leia um trecho do livro
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07 OS ESPIÕES
Luis Fernando Verissimo . leia um trecho do livro
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08 AMANHECER (4º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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09 CAIM
José Saramago
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10 O VENDEDOR DE SONHOS – O CHAMADO
Augusto Cury . leia um trecho do livro
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Livro O Verdadeiro Poder

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Não-Ficção

01 O VERDADEIRO PODER
Vicente Falconi
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02 COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro
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03 SE ABRINDO PRA VIDA
Zibia Gasparetto
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04 GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO BRASIL
Leandro Narloch
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05 POR QUE OS HOMENS AMAM AS MULHERES PODEROSAS?
Sherry Argov
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06 HONORÁVEIS BANDIDOS
Palmério Dória
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07 O ANDAR DO BÊBADO
Leonard Mlodinow . leia um trecho do livro
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08 O MONGE E O EXECUTIVO
James C. Hunter . leia um trecho do livro
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09 CLARICE
Benjamin Moser
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10 UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro
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seta Leia um trecho do livro A Senhora do Jogo (Sidney Sheldon)

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The Real Options Solution: Finding Total Value in a High-Risk World | Book Excerpt
The Real Options Solution
Author: F. Peter Boer
Publisher: Wiley
ISBN-13: 9780471209980

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The Real Options Solution offers a new approach to the valuation of businesses and technologies based on options theory. It provides a quantifiable approach to the problem of the strategic premium — the gap between apparent economic value and actual value as determined by the marketplace. Total value is the sum of economic value and the strategic premium created by real options.

The wild rise of Internet stocks, which peaked shortly after the millennium opened and the severe correction that followed have made clear to everyone what some have known all along — there is a crisis in how companies, especially technology companies, are valued. Accounting systems based on historical costs can’t do it. Discounted cash flow models can’t do it when positive cash flow is nowhere in sight. Dubious comparables, such as “price-to-sales ratios” or “eyeballs,” lose track of value and beg the question of whether the stocks to which one is comparing are correctly priced.

The gap between market value and economic value has been trending upward for some time as the economy becomes increasingly service – and information-based. The gap reached record proportions at the height of the Internet bubble; it is still very substantial after the correction and is likely to grow again. Dismissing the phenomenon as simply the madness of crowds wastes the opportunity to analyze the dynamics of how great value is being created and destroyed by innovation in the modern economy.

THE VALUATION SOLUTION — PLANS ARE OPTIONS

This book is based on a straightforward central idea: plans are options. A plan is unlike the physical or financial asset it is intended to produce because the owner of the plan has freedom to modify the plan as circumstances change. This freedom has value, which can be analyzed quantitatively. The implications of the idea are considerable because options are valued differently than securities. The idea is powerful because it provides a universal valuation method — one that applies equally to the dullest old-economy company and to a wild new Internet start-up. It also creates a framework for the special valuation issues that occur when brilliant innovations are being made within a traditional operating business.

No radical assumptions are required to use this approach. The discounted cash flow (DCF) model is fundamentally sound for operating businesses and is the core first step. And DCF analysis is also the first step in valuing innovative business plans — whether of a new business-to-business (B2B) model, a promising drug in the research pipeline, or a new type of fuel cell. But because these plans are subject to both unique and market risks and because management has considerable flexibility in their execution, such plans are correctly evaluated as real options. The value of such options under the dual conditions of rapid growth and high volatility can be huge — and unquestionably higher than one might intuitively guess.

Plans are certainly not correctly valued by the prevalent, and seriously flawed, notion that they are future cash flow machines to which an arbitrary risk-weighted hurdle rate can be applied.

Why does this insight make a difference? Simply because DCF analysis alone can lead an investor to pass up a financially attractive opportunity. In the past, executives used the word strategic to label intuitively attractive investments that failed to earn the cost of capital. Options theory allows one to calculate the strategic premium to obtain total value.

WHO SHOULD READ THIS BOOK?

Those who are investing for above-average returns and those who are trying to create these aboveaverage returns should read on. Among the former will be venture investors and those legions of individual investors who are willing to take investment risks to enjoy superior returns. The latter includes executives of New Economy start-ups or of old-economy firms seeking to reinvigorate their companies. The book should be of special interest to those in research and development (R&D).

Potential readers may be frustrated by the mumbo jumbo terminology that aims to justify large premiums based on a “first-mover” principle, impressive intellectual capital, or a supposedly unassailable market position. But just how does one determine what these premiums are worth? If you are willing to think about a new approach, read on.

RISK IS MORE PREVALENT THAN WE GENERALLY REALIZE

I am a high-risk investor and have been in the employ of high-risk investors. But I have not thought about myself this way all along, nor has my new perspective developed by conscious choice. After all, I was for most of my career in the employ of solid Fortune 100 industrial companies. I viewed my personal investments as growth oriented, but reasonably safe. These assumptions proved to be illusions.

The lights came on in the 1980s when a misguided news report temporarily destroyed about 25 percent of my paper net worth. The picture became even clearer when modest investments in new technology grew quickly into major investments, while my “value” investments underperformed for a decade. And it became crystal clear when a young relative with an idea created significant personal wealth in the space of one very wild year.

Investors have become inured to massive changes in market valuation triggered by a single business news item, whether it is an announcement about a deal, an earnings warning, or government intervention. It is similarly common to see daily changes in our personal stock portfolios equivalent to months of salaries earned from solid labor. Nonetheless, many of us, old and young alike, have come to prefer being rewarded with equity, especially stock options, rather than with cash.

And despite our anxiety about this irrational and high-risk world, on the whole we are more prosperous than ever. It seems we must live with risk; and if we must, it’s best to enjoy the ride.

ORIGINS OF THE BOOK

This book is an outgrowth of two major influences. The first was my earlier book, The Valuation of Technology, which was conceived in 1997 and published in 1999. Broadly speaking, that work aimed to bridge the communications gap between scientists and engineers and the business and financial community through the concept of valuation. More narrowly, the book linked the familiar algorithms used by the R&D community, where I spent much of my professional career, with the algorithms used by those more directly concerned with shareholder value: investors, senior executives, and board members.

The Valuation of Technology is a quantitative book, replete with graphs, tables, equations, and detailed examples. It is aimed at practitioners of and investors in technology. I came away from the task of writing it with the conviction that some of its key concepts had broad usefulness and could eventually be the core of a book aimed at a wider audience. In particular, I recognized that the techniques used to manage the extraordinarily high-risk world of R&D were applicable to other important problems in the business world.

The second influence for this book has been my exploration of the concept of real options. I have been exposed to the general concept of R&D as a form of real option for over a decade. My initial reaction as a practitioner was that the idea had conceptual merit but was too abstract to use as an effective communications tool in a real company (and I was a senior executive of a real company at the time). Nevertheless, I included the basics of options analysis in my original book, included a number of quantitative cases to show why the idea could be important, and referenced some of the current thinking in the field.

The epiphany about the consequences of options thinking came in a classroom situation, when, in the role of a professor, I was trying to explain the value of embedded options in a business proposal, using a case taken from a corporate finance textbook. The example described a proposal to make a new computer product, which implied the further option to introduce a second-generation computer three years later. Coincidentally, the talk of the business community at the time was about the extraordinary and seemingly irrational valuations being placed on Internet stocks. The fact that my young relative was deeply involved in a dot-com compounded my interest. I decided to plug typical Internet growth rates and volatilities into the textbook case. These new conditions produced some extraordinarily high valuations, yet the results all were derived using standard financial theory.

While these results demonstrated a very plausible linkage of market valuation to embedded options, the most important message was that the options were visible to some and invisible to others. In the original textbook case, the chief executive officer (CEO) had rejected a proposal to make the new computer because it failed to meet his hurdle rate. But an analyst pointed out that making a firstgeneration machine carried with it an option to build a second-generation machine a few years later. In other words, she had identified and valued a strategic premium that reversed a flawed decision derived from economic value alone. How to identify, structure, and exploit such hidden options is one of the ambitions of this book.

FIVE KEYS TO A LOCK

The immediately following paragraphs offer a crisp summary of the book’s five premises and how they can unlock the mystery of value. The book will explore a wide range of cases that illustrate the consequences of these ideas.

The first key to the lock is the concept of value, that new capital is created in direct proportion to the degree to which returns on capital exceed the cost of capital. This idea is widely accepted today, but hardly universally understood. It needs development.

The second key is that value creation cannot occur in the absence of risk and, indeed, is dependent on the assumption of risk and its intelligent management. These general ideas are not really original, but the actual algorithms linking risk and value for the innovation process may be novel and are central elements in The Valuation of Technology.

The third key is that human capital and intellectual capital are important, and sometimes dominant, parts of the valuation of modern companies. The idea of intangible capital assets has a reasonably long history, and its extension as “intellectual capital” to explain the gap between accounting and marketplace values has gained adherents during the past decade. Nevertheless, there is considerable confusion about just how intellectual capital is converted into shareholder value. This book outlines a solution.

The fourth key is that strategic capital resides in an organization’s plans and options for future actions. The implications of this fact are largely unexplored. Previous approaches tended to look at intellectual capital as an extension of quantifiable intellectual property, such as patents, trademarks, and copyrights. To these were added more subjective forms of intellectual capital, such as learning and knowledge, business processes, and technical know-how. However, the weakness of this approach is that it is not intellectual capital itself but the ability to translate it into business plans that creates value in the marketplace. There is no other way to determine which patent, which ad campaign, or which employee will add the most value.

The fifth key — perhaps the missing key — is that plans begin as real options and are transformed into tangible capital when the options are exercised. This idea is new, particularly in the context of the fourth premise, and is a promising approach to the valuation of strategic capital.

An important consequence is that to value the opportunity (and therefore the strategic premium), the analyst must carefully separate unique risk from systematic risk. This technique for evaluating options is not new to options theorists, but it is only just beginning to be understood and applied in the world of real business and investment.

PLAN OF THE BOOK

Part One of the book provides a new perspective on value by developing the concepts on which an integrated value model is built. The introductory chapter retells a high-seas adventure story from the viewpoint of a high-risk investor and recapitulates the enormous prosperity (the Total Value) triggered by that investment.

A foundation for a new approach is built in Chapter 2, where the crisis in valuation noted earlier is reviewed, and the differences between book capital, economic capital, and strategic capital are reviewed. This structure is more useful than the notion that the difference between market value and book value is accounted for by “intellectual capital.” Why? Because those intangibles that support the current economic processes of the firm must be distinguished from those other intangibles that create a strategic premium. Without that distinction, valuation of a strategic premium is hopeless. Some recent business cases are used to illustrate the point.

Chapter 3 has two purposes. The first is to review the methods and the limitations of conventional (DCF) economic valuation, which is the foundation on which the Total Value approach is built. The second purpose is to imprint a fundamental understanding of the powerful link between sustainable growth and value creation. Yet, it is easy to go badly astray with DCF analysis, leading to serious undervaluation or, almost as easily, to overvaluation.

The Real Options Solution comes together in Chapter 4. Here, an ambitious, integrated valuation model combines economic valuation based on forecast cash flows with strategic valuation based on option theory. The chapter also discusses how strategic capital can be converted into economic capital, and vice versa. The model has the advantage of universality: It does not require separate yardsticks for established operating companies and innovative new businesses; it can smoothly accommodate a mix of the two — a common situation. And it holds true for both microeconomic and macroeconomic conditions. Chapter 4 reduces the concepts just introduced to a practical, six-step method for determining total value. It begins with a brief summary of the method. It then defines and discusses the underlying concepts in each step, beginning with the core concept of economic value and its relationship to growth rates. To complement theory with a concrete example, the economic value of a very straight-forward business is calculated. This business model then becomes a platform to which a single strategic option is added. The value of the option is calculated, the sum of economic capital and strategic capital is added, and a total value for the business is obtained.

Options are an extremely useful way to manage risk, the subject of Chapter 5. This chapter reviews the basics of financial options and shows why they are closely analogous to business situations that contain what are called real options. (The term real is coming into increasing use, in the titles of books, articles, and management conferences, to distinguish those options that arise in ordinary business from financial options relating to securities or commodities.) It demonstrates why, in situations characterized by a combination of high growth and high volatility, options can take on extraordinary values. Investors need to understand the dynamics by which this remarkable phenomenon occurs. But financial options are risky — they can expire with the full loss of the premiums paid for them — and the wild ride of Nasdaq stocks in 1998 and 2001 amply demonstrates a corresponding risk for real options.

Chapter 6 explores the proposition that strategic capital resides in an organization’s plans and options for future actions. This assertion is the foundation for a quantitative approach to the valuation of strategic capital. However, to make the equation Plans = Options useable, it is important to recognize that plans are neither forecasts nor dreams. In a nutshell, one must realize that Position is a necessary although not sufficient condition for plans to be actionable.

Part Two of the book describes how diminishing returns, risk, and innovation affect the integrated value model introduced in Part One and in particular outlines why the management of risk and innovation is the foundation of modern prosperity.

Chapter 7 deals with the law of diminishing returns and shows how its consequences have driven organizations to stagnation and devolution through value destruction. Investors and executives can be slow to accept the inevitable deterioration of once-successful business models, which leads to serious misallocation of scarce resources.

The acceleration of economic growth and widely spreading prosperity have been the most extraordinary of modern phenomena. Chapter 8 explores the causes. What is different today from the stagnation typical of past eras? I argue that one difference is a far superior understanding of risk, which has led to a new balance between innovation and diminishing returns.

Risk is the subject of Chapters 9 and 10. Traditional risk management (think of a bank or an insurance company) does not translate easily to the high-risk environment of breakthrough innovation. So what is it that we have learned about risk management? We are beginning to understand that the management of systematic (market) risk requires different techniques (and provides different profit opportunities) than the management of unique (private) risk. And we have developed new value-creating management techniques pioneered for a high-risk environment, such as the aggressive use of the option to abandon troubled projects. We are also learning to apply what financial experts have called the “last free lunch,” diversification, to technology and other high-risk portfolios.

Chapter 11 returns to the subject of human and intellectual capital — the key to value creation in a modern economy. It explores the mechanics by which human and intellectual capital are translated into economic capital on the one hand and into strategic capital on the other. After reviewing traditional intellectual property, including patents and copyrights, the chapter turns to the more complex issues of valuing R&D and new business opportunities. The situational nature of intellectual capital valuation is emphasized throughout.

Innovation is our weapon for overcoming the law of diminishing returns and is tied to the ability to frame real options. Innovation is the subject of Chapter 12. The technological S-curve and the appearance of disruptive technologies are two critical features of how innovators create value for themselves and destroy value for others. Innovation itself appears to be in a stage of exponential growth based on the accelerating number of combinatorial possibilities generated by the increasingly frequent emergence of new technologies. One of the most promising investment strategies is to place chips where such combinatorial possibilities are greatest.

Governments have an important role in creating or in destroying prosperity. We examine their role in Chapter 13. Strong governments have historically provided important contributions by enhancing security and reducing risk. Governments also provide services, sometimes efficiently and sometimes less so. They invest in education, infrastructure, health, and technology. But while governments may adopt policies that favor value-creating investments, they are perfectly capable of misguided policies that systematically destroy value. Some examples will be presented.

The Epilogue deals with three of the central issues of our time. The first is the Keynesian nightmare — that we will run out of attractive investment opportunities. The second is the notion that the planet itself imposes serious limits on our future prosperity. The third is that the complexity of modern-day decision making will overwhelm human intellectual limits. However, there is ample reason to believe that our age of prosperity is far from over.

STYLE OF THE BOOK

This book is appearing at what will one day be viewed as the denouement of the Internet gold rush, a very unique time in U.S. economic history. There is an obvious peril in dispensing business wisdom that is the product of a unique era — it may fit the times, but times soon change. So I will mix contemporary examples with historic examples to test whether the central premises are useful in a broader context.

For the contemporary examples, I did not have the full advantage of hindsight. But I did have the advantage of abundant stores of financial and economic data, plus my own direct experience. The historic examples are just the opposite — we know how the story turned out; but there may never be enough data, especially regarding profit margins, to confirm, or possibly disprove, the arguments. Given my seemingly safe position in the latter cases, I can still hope that the readers will gain new insight into the economic forces that have shaped our past and amusement from how classic examples translate into modern business jargon!

To increase the readability of this book, I have also chosen to minimize tables, formulas, and charts.

ACKNOWLEDGMENTS

The development of this book owes much to conversations I have held with members of my classes at the Yale School of Management and with many professional colleagues with whom I have discussed the implications of options theory.

Three people deserve special thanks. Ranch Kimball, formerly a partner at Boston Consulting Group (BCG) and a managing director of Tiger Scientific, Inc., made many contributions to the book in terms of its organization and provided several specific case studies based on his extensive consulting experience. Ranch in particular helped me articulate the notion that position is a prerequisite for plans and was a major contributor to Chapter 6.

Andrew Boer, through our many discussions of real-world situations, deserves the credit for my introduction to the special dynamics of high technology during the Internet bubble. Andrew, after founding in 1997 the Internet nonprofit TRUSTe, which dealt with issues of Internet privacy, moved on to found the distinctly for-profit corporation Emptor in 1998. Emptor was funded by two prominent Silicon Valley venture capital firms, changed its name to Accept.com in 1999, and was sold to Amazon.com for $180 million.

Louis Hegedus of Atofina, a veteran R&D practitioner and my former associate, was kind enough to read the draft in full and provided highly useful critical tests of its assertions and assumptions.

I also wish to thank Richard Luecke for skillful professional assistance in reviewing the book and arranging for its publication. The unstinting support of Jeanne Glasser and the splendid Wiley team, Judy Cardanha, and Jamie Temple is gratefully appreciated. May Adams, my assistant for two decades, has been an invaluable helper, not only in the preparation of some of the materials used in this book, but also in organizing my many activities to ensure that the book stayed on track.

Finally, my wife, Ellen, has undoubtedly wondered why, after one book was completed, I still felt that there was enough left unsaid to justify the time spent on yet another. Surely, I neglected to tell her that, having done one, I might go for another. Her continued support and enthusiasm, and her conversion to the cause, are deeply appreciated. Even more important, since Ellen is an inveterate high-risk investor, I hope she concludes that reading the final version will be another winning investment.

F. PETER BOER
Village of Golf, Florida

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Lista dos livros mais vendidos no Brasil | Fevereiro 15, 2010

O Estado de São Paulo

Livro O Simbolo Perdido

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Ficção

01 O SÍMBOLO PERDIDO
Dan Brown . leia um trecho do livro
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02 A CABANA
William P. Young . leia um trecho do livro
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03 O LADRÃO DE RAIOS (1º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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04 AMANHECER (4º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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05 ECLIPSE (3º livro da série Crepúsculo)
Stephenie Meyer . leia um trecho do livro
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06 O MAR DE MONSTROS (2º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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07 A SENHORA DO JOGO
Sidney Sheldon
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08 A MALDIÇÃO DO TITÃ (3º livro da série Percy Jackson e Os Olimpianos)
Rick Riordan . leia um trecho do livro
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09 DIÁRIOS DO VAMPIRO 1 – O DESPERTAR
L.J. Smith . leia um trecho do livro
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10 O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
John Boyne . leia um trecho do livro
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.
.

Livro Se Abrindo Pra Vida

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Não-Ficção

01 SE ABRINDO PRA VIDA
Zibia Gasparetto
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02 POR QUE OS HOMENS AMAM AS MULHERES PODEROSAS?
Sherry Argov
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03 COMER, REZAR, AMAR
Elizabeth Gilbert . leia um trecho do livro
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04 GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO BRASIL
Leandro Narloch
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05 O VERDADEIRO PODER
Vicente Falconi
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06 MENTES PERIGOSAS – O PSICOPATA MORA AO LADO
Ana Beatriz Barbosa Silva
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07 UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO
Geoffrey Blainey . leia um trecho do livro
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08 HONORÁVEIS BANDIDOS
Palmério Dória
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09 MAIS VOCÊ 10 ANOS
Ana Maria Braga
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10 O ANDAR DO BÊBADO
Leonard Mlodinow . leia um trecho do livro
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Veja também:

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Trecho do Livro: A Batalha do Labirinto (Percy Jackson 4)
A Batalha do Labirinto
Autor: Rick Riordan
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788598078700

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Obs: A Batalha do Labirinto é o quarto volume da premiada série “Percy Jackson e Os Olimpianos” criada pelo escritor norte-americano Rick Riordan. Os livros anteriores são: O Ladrão de Raios, O Mar de Monstros e A Maldição do Titã.

Notícia aos fãs: A série Percy Jackson e Os Olimpianos termina no quinto livro da saga “O Último Olimpiano“, mas haverá uma nova série, talvez a partir de 2010, sobre o Acampamento Meio-Sangue.

Notícia aos fãs: O filme O Mar de Monstros tem previsão de estreia para o ano de 2012.

—–

A última coisa que queria fazer nas férias de verão era destruir outra escola. Mas lá estava eu naquela manhã de segunda-feira, primeira semana de junho, sentado no carro da minha mãe diante da Goode High School, na rua 81 Leste.

A Goode ficava em um prédio grande de arenito com vista para o Rio East. Um monte de BMWs e Lincoln Towns estava estacionado diante dela. Olhando os elegantes arcos de pedra, eu me perguntei quanto tempo levaria até ser expulso daquele lugar.

— Relaxe. — A voz de minha mãe não parecia nada relaxada. — É só uma visita de orientação. E lembre, querido: esta é a escola de Paul. Portanto, tente não… você sabe.

— Destruí-la?

— É.

Paul Blofis, namorado da minha mãe, estava de pé no portão da escola, recebendo os futuros alunos do primeiro ano do ensino médio à medida que subiam os degraus. Com seus cabelos grisalhos, roupa de brim e casaco de couro, parecia um ator de tevê, mas ele era só um professor de inglês. Paul conseguira convencer a Goode High School a me aceitar no primeiro ano, apesar de eu ter sido expulso de todas as escolas que frequentei. Tentei avisá-lo de que aquela não era uma boa ideia, mas ele não me deu ouvidos.

Olhei para minha mãe.

— Você não contou a ele a verdade sobre mim, contou?

Ela tamborilava os dedos nervosamente no volante. Estava vestida para uma entrevista de emprego — seu melhor vestido azul e sapatos de salto alto.

— Pensei que seria melhor esperarmos — ela admitiu.

— Para não o espantarmos.

— Tenho certeza de que vai dar tudo certo na visita de orientação, Percy. É só uma manhã.

— Ótimo — murmurei. — Posso ser expulso antes mesmo de começar o ano letivo.

— Pense positivo. Amanhã você vai para o acampamento! Depois da orientação, você tem o encontro…

— Não é um encontro! — protestei. — É só a Annabeth, mãe. Poxa!

— Ela está vindo do acampamento até aqui para ver você.

— É, eu sei.

— Vocês vão ao cinema.

— Sim.

— Só os dois.

— Mãe!

Ela ergueu as mãos em sinal de rendição, mas eu podia ver que estava fazendo força para não rir.

— É melhor entrar, querido. Até a noite.

Eu estava prestes a sair do carro quando olhei para a escadaria da escola. Paul Blofis cumprimentava uma garota de cabelos ruivos frisados. Ela vestia uma camiseta marrom e um jeans surrado customizado com desenhos feitos com caneta hidrográfica. Quando se virou, vi seu rosto de relance, e os pelos do meu braço se eriçaram.

— Percy? — chamou minha mãe. — O que foi?

— N-nada — gaguejei. — A escola tem uma entrada lateral?

— Descendo a rua, à direita. Por quê?

— Até mais tarde.

Mamãe começou a dizer algo, mas saltei do carro e corri, torcendo para que a garota ruiva não me visse.

O que ela estava fazendo ali? Nem mesmo a minha sorte poderia ser assim tão ruim.

Pois, sim. Eu estava prestes a descobrir que minha sorte poderia ser muito pior.

Entrar sorrateiramente na escola não deu muito certo. Duas líderes de torcida de uniforme roxo e branco estavam na entrada lateral, esperando para emboscar os calouros.

— Oi! — Elas sorriram, e eu deduzi que aquela era a primeira e a última vez que uma líder de torcida seria tão simpática comigo. Uma delas era loura, com gélidos olhos azuis. A outra era afro-americana, com cabelos escuros e enroscados como o da Medusa (e, pode acreditar, eu sei do que estou falando). Ambas tinham o nome bordado em letras cursivas no uniforme, mas, com a minha dislexia, as palavras pareciam espaguete, sem nenhum sentido.

— Bem-vindo à Goode — disse a loura. — Você vai amar muito isso aqui.

Mas, enquanto me olhava de cima a baixo, sua expressão parecia dizer algo como: Argh, quem é este perdedor?

A outra garota se aproximou tanto que me senti desconfortável. Examinei o bordado em seu uniforme e consegui decifrar Kelli. Ela cheirava a rosas e a algo que reconheci das aulas de equitação no acampamento — o cheiro de cavalos recém-lavados. Era um perfume estranho para uma líder de torcida. Talvez tivesse um cavalo, ou algo assim. De qualquer modo, ela estava tão perto de mim que tive a sensação de que ia tentar me empurrar escada abaixo.

— Qual o seu nome, calo?

— Calo?

— Calouro.

— Hã, Percy.

As garotas trocaram olhares.

— Ah, Percy Jackson — disse a loura. — Estávamos à sua espera.

Isso fez um intenso arrepio de Ah, não! percorrer minha espinha. Elas estavam bloqueando a entrada, sorrindo de uma forma nada amistosa. Minha mão instintivamente se dirigiu ao bolso onde eu guardava minha caneta esferográfica letal, Contracorrente.

Então outra voz veio do interior do prédio:

— Percy? — Era Paul Blofis, de algum ponto adiante no corredor.

Eu nunca me sentira tão feliz por ouvir a voz dele.

As líderes de torcida recuaram. Eu estava tão ansioso em passar por elas que acidentalmente esbarrei o joelho na coxa de Kelli.

Clang.

Sua perna emitiu um ruído metálico e oco, como se eu tivesse acabado de atingir o mastro de uma bandeira.

— Ai — murmurou ela. — Preste atenção, calo.

Olhei para baixo, mas aquela parecia uma perna comum. Eu estava apavorado demais para fazer perguntas. Avancei apressadamente para o corredor, as duas garotas rindo atrás de mim.

— Aí está você! — exclamou Paul. — Bem-vindo à Goode!

— Ei, Paul… hã, sr. Blofis. — Olhei para trás, mas as líderes de torcida esquisitas haviam desaparecido.

— Percy, você está com cara de quem viu fantasma.

— É, hã…

— Ouça, eu sei que está nervoso, mas não se preocupe. — Paul me deu um tapinha nas costas. — Temos uma porção de garotos aqui com dislexia, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Os professores sabem como ajudar.

Eu quase tive vontade de rir. Como se meus maiores problemas fossem a dislexia, o transtorno de déficit de atenção e a hiperatividade… Bem, eu sabia que Paul estava tentando ajudar, mas, se eu lhe contasse a verdade, ou ele pensaria que eu estava louco ou sairia correndo e gritando. Aquelas líderes de torcida, por exemplo — eu estava com um mau pressentimento em relação a elas…

Então olhei mais adiante no corredor e me lembrei de que havia outro problema. A garota ruiva que eu vira na escadaria da frente estava passando pela entrada principal.

Não me veja, rezei.

Mas ela me viu. Seus olhos se arregalaram.

— Onde é a orientação? — perguntei a Paul.

— No ginásio. Por ali. Mas…

— Tchau.

— Percy? — ele chamou, mas eu já estava correndo.

Pensei que a tivesse despistado.

Um grupo de garotos e garotas estava seguindo para o ginásio, e logo eu era apenas um entre os trezentos adolescentes de 14 anos amontoados nas arquibancadas. Uma banda tocava um grito de guerra da escola, que soava desafinado como se alguém estivesse batendo em um saco de gatos com um taco de beisebol de metal. Garotos mais velhos, provavelmente membros do grêmio estudantil, estavam lá na frente, apresentando o uniforme da Goode, com cara de: Ei, nós somos o máximo. Professores circulavam no local, sorrindo e apertando a mão dos alunos. As paredes do ginásio estavam cobertas por grandes bandeiras roxas e brancas onde se lia: Bem-vindos, futuros alunos do primeiro ano, a Goode é legal, somos todos uma família, e um monte de outros slogans alegres que me davam vontade de vomitar.

Nenhum dos outros futuros alunos tampouco parecia entusiasmado por estar ali; afinal, apresentar-se aos orientadores em junho — enquanto as aulas só começam em setembro — não é nada legal. Mas na Goode “Preparamos para a excelência cedo!”. Pelo menos era o que dizia o folheto.

A banda parou de tocar. Um sujeito de terno de risca de giz dirigiu-se ao microfone e começou a falar, mas o som reverberava pelo ginásio e eu não tinha a menor ideia do que ele estava dizendo. Daria no mesmo se ele estivesse gargarejando.

Alguém agarrou meu ombro.

— O que você está fazendo aqui?

Era ela: meu pesadelo ruivo.

— Rachel Elizabeth Dare — eu disse.

O queixo dela caiu, como se não pudesse acreditar que eu tivera a ousadia de me lembrar de seu nome.

— E você é Percy não sei de quê. Não cheguei a saber seu nome todo dezembro passado, quando você tentou me matar.

— Olhe, eu não estava… eu não queria… O que você está fazendo aqui?

— O mesmo que você, eu acho. Orientação.

— Você mora em Nova York?

— Por quê? Achou que eu morasse na Barragem de Hoover?

Aquilo nunca me ocorrera. Sempre que eu pensava nela (e não estou dizendo que eu pensava; ela só me passava pela cabeça de tempos em tempos, está bem?), imaginava que morasse perto da Barragem de Hoover, já que fora lá que eu a conhecera. Havíamos passado acho que uns dez minutos juntos, e nesse meio-tempo eu acidentalmente a golpeara com uma espada, ela salvara minha vida e eu fugira correndo, perseguido por um bando de máquinas assassinas sobrenaturais. Sabe, um encontro assim… bem comum.

Um garoto atrás de nós murmurou:

— Ei, calem a boca. As líderes da torcida estão falando!

— Oi, pessoal! — disse efusivamente uma garota ao microfone. Era a loura que eu vira na entrada. — Meu nome é Tammi, e esta é, bem, Kelli. — Kelli deu uma estrela.

A meu lado, Rachel gritou como se alguém a tivesse espetado com um alfinete. Alguns garotos olharam na direção dela e soltaram uma risadinha abafada, mas Rachel continuou encarando fixamente as líderes de torcida, aterrorizada. Tammi não pareceu perceber a agitação. Ela começou a falar sobre todas as atividades maravilhosas nas quais poderíamos nos envolver em nosso primeiro ano.

— Corra — disse-me Rachel. — Agora.

— Por quê?

Ela não explicou. Abriu caminho até a lateral da arquibancada, ignorando os professores de testa franzida e os resmungos dos alunos nos quais pisava.

Eu hesitei. Tammi estava explicando que nos dividiríamos em pequenos grupos e faríamos um tour pela escola. O olhar de Kelli encontrou o meu e ela me dirigiu um sorriso divertido, como se estivesse esperando para ver o que eu ia fazer. Ficaria mal se eu saísse naquele momento. Paul Blofis estava lá embaixo com os outros professores. Ele ficaria imaginando qual era o problema.

Então pensei em Rachel Elizabeth Dare, e na habilidade especial que ela demonstrara no último inverno na Barragem de Hoover. Ela conseguira enxergar um grupo de seguranças que não eram guardas de verdade, não eram nem humanos. Com o coração batendo forte, eu me levantei e a segui, saindo do ginásio.

Encontrei Rachel na sala de música. Ela estava escondida atrás de um tambor, na seção de percussão.

— Venha até aqui! — chamou. — Mantenha a cabeça baixa!

Eu me senti bastante bobo escondido atrás de alguns bongôs, mas me agachei ao lado dela.

— Elas seguiram você? — perguntou Rachel.

— Está se referindo às líderes de torcida?

Ela assentiu, nervosa.

— Acho que não — eu disse. — O que elas são? O que foi que você viu?

Seus olhos verdes brilhavam de medo. As sardas salpicadas no rosto me lembravam constelações. Sua camiseta marrom dizia Departamento de Arte de Harvard.

— Você… você não iria acreditar em mim.

— Ah, iria sim — garanti. — Sei que consegue ver através da Névoa.

— Do quê?

— Da Névoa. É… bem, é como um véu que esconde o que as coisas são de verdade. Alguns mortais nascem com a habilidade de enxergar através dela. Como você.

Ela me olhou com atenção.

— Você fez isso na Barragem de Hoover. Disse que eu era mortal. Como se você não fosse.

Tive vontade de dar um soco em um bongô. O que eu estava pensando? Nunca conseguiria explicar. Não deveria nem estar tentando.

— Fale para mim — ela implorou. — Você sabe o que isso quer dizer. Todas essas coisas horríveis que eu vejo?

— Olhe, isso vai soar estranho. Você sabe alguma coisa sobre mitologia grega?

— Como… o Minotauro e a Hidra?

— Sim, mas tente não dizer esses nomes quando eu estiver por perto, o.k.?

— E como as Fúrias — continuou ela, animando-se. — E como as sereias, e…

— O.k.! — Dei uma olhada pela sala de música, certo de que Rachel ia fazer um bando de criaturas asquerosas e sedentas de sangue pular das paredes; mas ainda estávamos sozinhos. Mais à frente, no corredor, ouvi um grupo de garotos saindo do ginásio. Estavam começando o tour. Não tínhamos muito tempo para conversar.

— Todos aqueles monstros — eu disse —, todos os deuses gregos… eles são de verdade!

— Eu sabia!

Teria me sentido mais à vontade se ela tivesse me chamado de mentiroso, mas a expressão de Rachel mostrava que eu acabara de confirmar suas piores suspeitas.

— Você não sabe como é difícil — disse ela. — Durante anos pensei que estivesse ficando maluca. Eu não podia contar a ninguém. Não podia… — Seus olhos se estreitaram. — Peraí. Quem é você? Quer dizer, de verdade?

— Eu não sou um monstro.

— Bem, disso eu sei. Eu veria se você fosse. Você parece… você. Mas não é humano, é?

Engoli em seco. Embora tivesse tido três anos para me acostumar a ser quem era, eu nunca havia falado a respeito disso com um mortal comum — isto é, exceto com minha mãe, mas ela já sabia. Não sei por quê, mas resolvi me arriscar.

— Sou um meio-sangue — eu disse. — Sou metade humano.

— E metade o quê?

Nesse momento Tammi e Kelli entraram na sala de música. As portas se fecharam atrás delas com estrondo.

— Aí está você, Percy Jackson — disse Tammi. — Chegou a hora da sua orientação.

— Elas são horríveis! — suspirou Rachel.

Tammi e Kelli ainda usavam o uniforme roxo e branco de líderes de torcida, segurando os pompons da apresentação.

— Qual é a aparência real delas? — perguntei, mas Rachel parecia perplexa demais para responder.

— Ah, deixe ela para lá! — Tammi me lançou um sorriso brilhante e começou a caminhar na minha direção. Kelli permaneceu na porta, bloqueando nossa saída.

Elas nos haviam apanhado em uma armadilha. Eu sabia que teríamos de lutar para escapar, mas o sorriso de Tammi era tão deslumbrante que me distraía. Seus olhos azuis eram lindos, e o modo como os cabelos balançavam nos ombros…

— Percy — advertiu Rachel.

Eu disse algo muito inteligente, do tipo:

— Hein?

Tammi estava se aproximando. Ela estendeu os pompons.

— Percy! — A voz de Rachel parecia vir de um lugar muito distante. — Dê o fora daí!

Precisei usar toda a minha força de vontade, mas consegui pegar a caneta no bolso e destampá-la. Contracorrente então se transformou em uma espada de bronze de noventa centímetros, a lâmina brilhando com uma suave luz dourada. O sorriso de Tammi tornou-se uma expressão de escárnio.

— Ah, pare com isso! — protestou ela. — Você não precisa disso. Que tal um beijo, em vez dessa coisa?

Ela cheirava a rosas e a pelo limpo de animal — um aroma estranho, mas de alguma forma intoxicante.

Rachel beliscou meu braço com força.

— Percy, ela quer morder você! Olhe para ela!

— Ela só está com ciúme. — Tammi olhou na direção de Kelli. — Posso, senhora?

Kelli ainda estava bloqueando a porta, lambendo os lábios, faminta.

— Vá em frente, Tammi. Está indo bem.

Tammi avançou mais um passo, mas apontei a espada contra seu peito.

— Para trás!

Ela rosnou.

— Calouros — disse, com desprezo. — Esta é a nossa escola, meio-sangue. Nós nos alimentamos de quem escolhemos!

Então ela começou a ficar diferente. A cor se esvaiu de seu rosto e de seus braços. A pele se tornou branca como giz, os olhos, completamente vermelhos. Os dentes cresceram e viraram presas.

— Uma vampira! — balbuciei. Então notei suas pernas. Abaixo da saia do uniforme, a perna esquerda era marrom e peluda, com um casco de burro. A direita tinha o formato de uma perna humana, mas era feita de bronze. — Hã, uma vampira com…

— Não fale das pernas! — disse Tammi. — É grosseiro zombar disso!

Ela avançou com suas pernas estranhas, descombinadas. Parecia totalmente bizarra, mais ainda com os pompons, mas eu não conseguia rir — não encarando aqueles olhos vermelhos e as presas afiadas.

— Uma vampira, você disse? — Kelli riu. — Essa lenda boboca foi inspirada em nós, seu tolo. Somos empousai, servas de Hécate.

— Hummm. — Tammi aproximou-se ainda mais. — A magia negra nos criou a partir de um animal, do bronze e de fantasmas! Existimos para nos alimentar do sangue de homens jovens. Agora venha e me dê aquele beijo!

Ela mostrou as presas. Fiquei paralisado, sem conseguir me mover, mas Rachel jogou um tarol na cabeça da empousa.

O demônio sibilou e, com um golpe, desviou o tarol, que foi rolando pelos corredores entre os suportes de partituras, as molas chocalhando de encontro ao couro. Rachel lançou então um xilofone, mas o demônio também o desviou com um tapa.

— Geralmente não mato garotas — grunhiu Tammi. — Mas para você, mortal, vou abrir uma exceção. Você enxerga um pouquinho demais!

Ela investiu contra Rachel.

— Não! — Desferi um golpe com Contracorrente. Tammi tentou esquivar-se à lâmina, mas consegui perfurar seu uniforme de líder de torcida, e com um gemido horrível ela explodiu em uma nuvem de pó sobre Rachel.

Rachel tossiu. Parecia que tinham acabado de jogar um saco de farinha em cima dela.

— Que nojo!

— Isso acontece com os monstros — eu disse. — Desculpe-me.

— Você matou minha estagiária! — gritou Kelli. — Precisa de uma lição sobre espírito esportivo, meio-sangue!

Então ela também começou a se transformar. Os cabelos crespos tornaram-se chamas bruxuleantes. Os olhos ficaram vermelhos. As presas cresceram. Ela veio em nossa direção, o pé de bronze e o casco ressoando descompassados no piso da sala de música.

— Eu sou a empousa sênior — grunhiu. — Nenhum herói me derrota há mil anos.

— Mesmo? — perguntei. — Então já passou da validade!

Kelli era bem mais rápida que Tammi. Esquivou-se ao meu primeiro golpe e rolou para a seção de metais, derrubando uma fileira de trombones com um ruído altíssimo. Rachel saiu do caminho. Coloquei-me entre ela e a empousa. Kelli nos rodeou, os olhos indo de mim para a espada.

— Uma laminazinha tão linda — disse ela. — Que pena que está entre nós dois.

Sua forma tremeluzia — às vezes um demônio, às vezes uma linda líder de torcida. Eu tentava manter a mente focada, mas aquilo era muito perturbador.

— Pobrezinho — riu Kelli. — Você não sabe nem o que está acontecendo, não é? Logo seu lindo acampamentozinho estará em chamas, seus amigos se tornarão escravos do Senhor do Tempo, e não há nada que possa fazer para evitar isso. Seria até misericordioso dar um fim à sua vida agora, antes que tenha tempo de assistir a tudo.

Eu ouvia vozes vindo do fim do corredor. Um grupo fazendo o tour se aproximava. Um homem falava algo sobre combinação de cadeados.

Os olhos da empousa se iluminaram.

— Excelente! Vamos ter companhia!

Ela apanhou uma tuba e a lançou contra mim. Rachel e eu nos abaixamos. A tuba voou sobre nossas cabeças e quebrou a janela.

As vozes no corredor se calaram.

— Percy! — gritou Kelli, fingindo-se assustada. — Por que você atirou aquilo?

Eu estava surpreso demais para responder. Kelli pegou um suporte de partitura e atingiu uma fileira de clarinetas e flautas. Cadeiras e instrumentos musicais desabaram no chão com um estrondo.

— Pare! — eu gritei.

As pessoas agora disparavam pelo corredor, vindo em nossa direção.

— Hora de cumprimentar os nossos visitantes! — Kelli arreganhou as presas e correu para as portas. Fui atrás dela com Contracorrente. Precisava evitar que ela ferisse os mortais.

— Percy, não! — gritou Rachel. Mas eu não percebi o que Kelli pretendia até que fosse tarde demais.

Kelli abriu as portas. Paul Blofis e um grupo de calouros recuaram, em choque. Eu ergui minha espada.

No último segundo, a empousa se virou para mim como uma vítima apavorada.

— Ah, não, por favor! — gritou.

Eu não podia parar a lâmina, que já estava em movimento.

Segundos antes de o bronze celestial atingi-la, Kelli explodiu em chamas como um coquetel molotov. Ondas de fogo lançaram-se sobre tudo. Eu nunca vira um monstro fazer algo assim, mas não tinha tempo para pensar no assunto. Recuei para a sala de música enquanto as chamas engoliam o vão de entrada.

— Percy? — Paul Blofis parecia totalmente atônito, fitando-me através do fogo. — O que você fez?

Adolescentes gritavam e corriam pelo corredor. O alarme de incêndio soava. Os sprinklers no teto silvavam, ganhando vida.

Em meio ao caos, Rachel me puxou pela manga da camisa.

— Você precisa sair daqui!

Ela estava certa. A escola estava em chamas e a culpa seria atribuída a mim. Os mortais não conseguiam ver com perfeição através da Névoa. Para eles, pareceria que eu atacara uma garota indefesa diante de um grupo de testemunhas. Não havia como eu explicar. Dei as costas para Paul e disparei para a janela da sala de música destruída.

Saí da viela na 81 Leste e dei de cara com Annabeth.

— Ei, você saiu cedo! — Ela riu, agarrando meus ombros para evitar que eu me estatelasse no chão. — Olhe para onde está indo, Cabeça de Alga.

Por uma fração de segundo ela estava de bom humor e tudo corria bem. Vestia jeans e a camisa laranja do acampamento, e usava o colar de contas de cerâmica. O cabelo louro estava preso em um rabo de cavalo. Os olhos cinzentos brilhavam. Ela parecia pronta para ir ao cinema e passar uma tarde divertida comigo.

Então Rachel Elizabeth Dare, ainda coberta de poeira de monstro, veio correndo pela viela, gritando:

— Percy, espere!

O sorriso de Annabeth se desfez. Ela olhou para Rachel e, em seguida, para a escola. Foi então que pareceu notar a fumaça negra e o som dos alarmes de incêndio.

Ela me olhou, franzindo a testa.

— O que foi que você fez dessa vez? E quem é essa?

— Ah, Rachel… Annabeth. Annabeth… Rachel. Hã, ela é uma amiga, acho.

Eu não sabia ao certo como chamar Rachel. Quer dizer, eu mal a conhecia, mas, depois de estarmos juntos duas vezes em situações de vida ou morte, eu não podia simplesmente dizer que ela não era ninguém.

— Oi — disse Rachel, e então se virou para mim: — Você está muito encrencado. E ainda me deve uma explicação!

As sirenes da polícia gemiam na FDR Drive.

— Percy — Annabeth falou com frieza. — Precisamos ir.

— Quero saber mais sobre meios-sangues — insistiu Rachel. — E monstros. E essa história dos deuses. — Ela agarrou meu braço, pegou uma caneta permanente e escreveu um número de telefone em minha mão. — Vai me ligar e explicar tudo, o.k.? Você me deve isso. Agora vá.

— Mas…

— Vou inventar uma história — disse Rachel. — Vou dizer a eles que não foi culpa sua. Mas vá!

Ela voltou correndo para a escola, deixando-me na rua com Annabeth.

Annabeth me encarou por um segundo. Então se virou e começou a correr.

— Ei! — Fui atrás dela. — Lá dentro tinha duas empousai — tentei explicar. — Eram líderes de torcida, sabe, e disseram que o acampamento ia pegar fogo, e…

— Você contou a uma garota mortal sobre os meios-sangues?

— Ela pode ver através da Névoa. Viu os monstros antes que eu os notasse.

— Então você contou a ela a verdade.

— Ela me reconheceu da Barragem de Hoover…

— Você a tinha encontrado antes?

— Hã… O inverno passado. Mas, sério, eu mal a conheço.

— Ela é bem bonitinha.

— Eu… eu nunca reparei nisso.

Annabeth continuava andando na direção da avenida York.

— Vou resolver a história da escola — prometi, ansioso para mudar de assunto. — De verdade, vai ficar tudo bem.

Annabeth nem mesmo me olhava.

— Acho que nossa tarde já era. É melhor tirarmos você daqui, agora que a polícia vai sair à sua procura.

Atrás de nós, a fumaça se erguia da Goode High School em ondas. Na coluna escura de cinzas tive a impressão de quase enxergar um rosto — um demônio feminino, de olhos vermelhos, rindo de mim.

Seu lindo acampamentozinho em chamas, dissera Kelli. Seus amigos transformados em escravos do Senhor do Tempo.

— Você tem razão — disse a Annabeth, com o coração apertado. — Precisamos ir para o Acampamento Meio-Sangue. Agora.

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The Business of Options | Book Excerpt
The Business of Options
Author: Martin P. O’Connell
Publisher: Wiley
ISBN-13: 9780471405573

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Are You Too Anxious to Win?

Before about 1979, computers were not in widespread use among professional options traders. In part, this was because of the limited availability of useful hardware and software, but the more important reasons were personal and cultural. Members of the Chicago Board Options Exchange (CBOE) and its competitors usually were not the products of graduate schools or of corporate management development programs. They were more like Wild West characters who wandered into town with no identity, no relevant history, not even much money. Many of them (myself included) had never made a trade on a stock or options exchange. Most had a lot of confidence and tolerance for financial risk. Many had good mathematical instincts, but few had classical mathematical expertise or an aptitude for computer work. Almost all were sole proprietors, trying to learn the business and to find a way to make a few hundred dollars a day. Social graces weren’t required.

In this environment, the potential applications of computers weren’t just ignored, they were scorned. Real men didn’t use mathematical models and they didn’t hedge their positions. A “stand up” market maker was supposed to make a living by making markets for the public in individual options or by taking shots on stock price direction.

Eventually, of course, the power of computerized analysis could not be kept out, and many traders — some looking for magic — gave it a try. They soon learned that their new tools couldn’t protect them from their human weakness and inexperience.

In 1979, it became trendy to have a secret computer program that would calculate the probability of winning on a particular position. These theoretical probabilities were discussed as facts by some of their users. Since many of us thought of ourselves as “born winners,” it made sense to us that we should have large positions that would almost surely be profitable. It was common in 1979 to hear a trader say something like “I did a 99.1 today.” That meant he had put on a position for which his (questionable?) program calculated a 99.1% probability of success.

It doesn’t take much imagination to think up a position (or a bet) that has a very high probability of winning, but, on average, will be a loser. No doubt, many of these 1979 positions fall into that category. In most of them, though, the long-term average result was not the big problem. The big problem was remote risk. It is common sense that, if your sole criterion for a position is that it has a 99.1% chance of winning, then maybe somewhere buried in that other 0.9% is a nuclear bomb. Among the remote nuclear bombs waiting for the 1979 crowd were:

- The Saturday Night Massacre: In October 1979, the Federal Reserve raised the discount rate by 200 basis points on a Saturday night. Markets went crazy during the following week. In some cases, call prices rose as stocks collapsed.

- The Hunt Brothers’ silver disaster: The Hunt Brothers were billionaires who bought a lot of silver in the late 1970s. In late January 1980, silver prices finally peaked at about $50/ounce, and then got ugly. The real panic came two months later when the price collapsed from $22 on March 24 to $12 on March 27. Apparently, silver was big enough to take the stock market with it. The Dow Jones Industrial Average (DJIA) decline was only about 20%, but it seemed like a nuclear bomb to some options traders. Other traders survived the decline, but got caught by the whip at the bottom.

In the options business, there can be a powerful temptation to seek out positions that have high probabilities of success, but that also come with excessive remote risk and/ or negative expected returns. Good dealers, speculators, and hedgers can overcome this temptation, both at the individual level and at the institutional level.

In practice, we often find that option traders think differently from other traders regarding expectations about the probability (or frequency) of winning. For example, if you talk to a foreign exchange spot trader who has just put on a position, you might notice that he really believes he’s going to make some money. He might even have reasons. Then, later, when he talks about the trade, he’s likely to use language that reflects that belief. He might say, “I was right on that position.” This means that the subsequent market action proved that his trade was brilliant. Alternatively, he might say, “I was wrong.” That means that the subsequent market action demonstrated that his trade was stupid.

In contrast, a good option trader can be expected to think quite differently. A good option trader will frequently make a trade even though he thinks it will probably lose money. Sometimes, this is hard to explain to the boss.

“You mean, we make trades, even though we think we’ll lose money on them?”

“Yeah, that’s a basic part of our strategy!”

In the options business, simple statistical concerns are often well clarified through the use of gambling examples. In this case, a dice example helps. Suppose I would like to bet that I can roll a 4 in a single roll of one die. Of course, if you insist on even odds, I’m not going to bet because I know I only have one chance in six of winning. On the other hand, if I can get 10 to 1 odds, I am going to make that bet. I am going to make it fully expecting to lose, and I am still going to think about it as a business.

Notice that the word “expect” might be used here with two different meanings. I expect to lose (meaning I’ll probably lose) but I have a positive expected return in the statistical sense. If I am in the business of trading options to make a profit, it is the statistical expectation that matters most. Usually, the appropriate attitude is to be statistically passive. That is, I don’t care how likely I am to win this time. I want to win on average. This is the attitude of an insurance company or a casino.

Suppose I make the 10-to-1 bet and roll the die and get a 2 instead of a 4. Was I wrong? Of course not. I’m no dumber than before the roll, and also no dumber than if I had rolled a 4. If I had rolled a 4, the result might make me feel brilliant. That feeling would be simple emotional weakness. To be statistically passive is not just to make a trade without thinking I know the result. It also requires ignoring the temptation to think that the result indicates the quality of the trade.

Our business is full of snappy inane slogans. Often these slogans sound clever and insightful. Many of them are stupid–or even dangerous. My candidate for the worst of them is “You’re only as good as your last trade.” Sometimes, traders say it and sometimes the boss says it. Weak bosses often say it indirectly. They can be too quick to praise or reward short-term successes and too punitive about short-term losses. Such bosses eventually get exactly what they deserve–their employees find ways to give 10-to-1 odds that I can’t roll a 4.

I don’t want to be in the kind of business where you’re only as good as your last trade. I can’t “know” what’s going to happen all the time. In the options business, the pros are statistically passive.

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Trecho do Livro: Herança – Perguntas e Respostas
Livro Heranca Perguntas Respostas
Autora: Ivone Zeger
Editora: Mescla
ISBN: 9788588641075

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O Direito não é mais do que uma das ferramentas postas a serviço da humanidade para minorar seus males.

A aventura da espécie humana por este planeta é uma sucessão de desencontros, mas ninguém consegue deixar de conviver. O fenômeno do homem só já foi explorado na filosofia e na literatura: conseguiriam percorrer o fluxo existencial desacompanhados apenas aqueles que estivessem muito acima ou infinitamente abaixo da normalidade. Afora essas duas categorias – felizmente raras –, apenas um infortúnio poderia privar o indivíduo de companhia. O exemplo de Robinson Crusoé é sempre lembrado.

A vocação gregária é natural e não exclui a participação da vontade. Vivemos em conjunto porque o instinto nos fez necessitar do contato e aderimos, convictos e satisfeitos, a esse modelo original. Sentimos prazer autêntico em conviver.

Mas o convívio cobra seus tributos. E eles se tornam mais onerosos quando está em jogo a questão patrimonial. Ao se esquecer de que a vida é finita e se torna cada vez mais frágil, o ser racional confere excessiva importância aos bens materiais. Acumula-se um acervo e nem sempre se cuida de seu destino, até que o titular dominial é convocado para o único e incontornável encontro a que não se escapa: o chamado da morte.

Passado o momento de dor, pois a morte sempre é superada, surgem as questões sucessórias. O direito se predispõe a sanar os conflitos, mas a criatividade humana é muito maior do que a limitada capacidade de previsão do legislador. Herda-se a dor da perda, mas não é raro que se conte também com o legado da discórdia. Os herdeiros sentem-se prejudicados. A família se transforma em uma entidade complexa e conflituosa, seja pelo ingresso de outras pessoas, com distinta concepção de valores, seja em virtude das inúmeras conformações que essa instituição pode adquirir.

Todos que têm experiência no foro da família sabem o que poderão encontrar durante as partilhas. Os inventários, os arrolamentos, os testamentos e suas vicissitudes constituem – para muito além da seara jurídica – material fecundo de reflexão psicológica, sociológica, moral e política.

O universo do direito das sucessões precisa ser compreendido por todos. Não deve ser território reservado aos técnicos e especialistas em ciência jurídica. Qualquer ser humano poderá enfrentar as situações patrimoniais decorrentes da morte de um ente próximo, sendo também prudente pensar na própria partida. O que se fará daquilo que amealhamos quando a ceifadeira nos escolher?

Se algum não iniciado ousar uma incursão pelos códigos por certo desistirá. A linguagem técnica nem sempre é assimilável para quem não enfrentou um bacharelado. O aconselhamento com profissionais pode esclarecer dúvidas, mas o hábito do jurista é lançar mão do hermetismo vernacular que assusta e afugenta.

Por isso é que a obra de Ivone Zeger reveste uma dimensão insuspeita. Ela traduz para o leigo – com objetividade, singeleza e correção – aquilo que pareceria indecifrável a quem se dispusesse a ir à fonte normativa por sua conta e risco.

A sofisticação da ciência jurídica passa a constituir um gravame adicional às asperezas enfrentadas por todos os que necessitam da tutela do direito. Ivone desmistifica a selva obscura da lei e abre clareiras de compreensão atingíveis por qualquer interessado. O direito passa a ser inteligível. Mostra o seu lado lógico e solucionador. E é assim que ele deveria ser, não fosse a arrogância científica a blindar uma área de conhecimento preordenada a resolver problemas concretos.

Ivone, profissional experimentada, conhece o seu mister. Sabe do que está falando e perscrutou as dúvidas mais frequentes em relação ao tema. Além disso, possui um talento raro e, portanto, precioso: consegue clarear o que para tantos é uma escuridão indevassável ou tormentosa penumbra.

Após a colheita bem-sucedida de seu primeiro livro, Como a Lei Resolve Questões de Família (Mescla, 2007), vaticina-se caminho igualmente auspicioso para este livro. Ambos se propõem familiarizar as pessoas com uma normatividade que incidirá sobre sua vida em algum momento. Convém a todos interessar-se por isso. Não se pode prometer a eliminação de todas as angústias ou desconfortos. Mas é sempre melhor vislumbrar o que se avizinha – mais dia, menos dia – do que ser apanhado de surpresa.

Aqueles que pretendem fazer do direito uma ferramenta efetiva, eficiente e eficaz devem se regozijar com a missão de que Ivone Zeger se imbuiu. Ao simplificar, ela valoriza, prestigia e enobrece esta que foi a opção de vida de tantos: a ciência do justo e do ético.

José Renato Nalini
Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo

APRESENTAÇÃO

Diz a sabedoria popular que o verdadeiro teste para comprovar a união de uma família é ver como seus membros reagem durante a partilha de uma herança. E, de fato, como advogada que há anos tem acompanhado inúmeros processos de sucessão – o nome que na linguagem jurídica se dá ao conjunto de procedimentos legais que culminam com a partilha dos bens deixados por uma pessoa falecida –, percebo que, com frequência, os desentendimentos entre herdeiros não só acabam em longas brigas nos tribunais como também desgastam e corroem os laços familiares e afetivos. Percebo ainda que, muitas vezes, boa parte dos conflitos deve-se não à má-fé desse ou daquele membro da família, mas à simples falta de informação.

O desconhecimento dos aspectos legais que envolvem o processo de sucessão gera uma série de expectativas equivocadas quanto à parte que cabe a cada um e aos direitos e obrigações de uns e de outros. É possível que um filho receba uma parte da herança maior do que a que foi destinada a outro filho? A esposa também é herdeira? E a companheira? E a namorada? E o que dizer dos filhos nascidos fora do casamento? Bens doados em vida devem entrar no inventário após a morte do doador? E o que acontece caso a pessoa que os recebeu já tenha feito uso desses bens? Em que ocasiões é possível deserdar alguém? Como se faz um testamento e por que fazê-lo? E as dívidas do falecido, quem paga? É possível destinar a propriedade de um imóvel para uma pessoa e seu uso para outra? Se um herdeiro achar que foi lesado, que providências deve tomar? Quem pode e quem não pode fazer inventário e partilha no cartório?

Essa é apenas uma pequena amostra das dúvidas que assolam os membros de uma família no delicado momento em que têm de lidar com a morte de um ente querido e com a partilha dos bens por ele deixados. Para tentar lançar luz sobre essas e outras questões é que me propus escrever este livro.

Assim como fiz em minha obra anterior, Como a Lei Resolve Questões de Família, procuro falar de temas essenciais da legislação referente à sucessão numa linguagem clara e objetiva, tendo por base as perguntas mais comuns que me são feitas por clientes e também pelo público que acompanha minhas colunas e artigos em jornais e revistas, bem como minhas participações em programas de rádio e TV.

Cabe salientar que este livro visa apenas fornecer ao leitor leigo algumas informações e esclarecimentos básicos sobre o assunto – o que, de modo algum, dispensa os serviços de um advogado. Para questões mais específicas, assim como para o encaminhamento dos devidos procedimentos legais, os serviços desse profissional são indispensáveis. No entanto, como iniciação no tema, este livro poderá ajudá-lo a se orientar no labirinto das leis que regem a sucessão. E também o ajudará a não ter mais “arrepios” ao ouvir palavras como “inventário”, “espólio”, “colação”, “usufruto”, “inalienabilidade”, “meação”, “codicilo” e tantas outras que você encontrará pelo caminho até que chegue o momento de receber – ou de deixar – sua herança.

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Para muitas pessoas, a discussão em torno da herança deixada por um parente falecido resume-se a saber quem fica com o quê. Em que casos a esposa divide com os filhos a herança deixada pelo marido e em que situações ela não tem direito a nada? Quem vive em união estável tem direito a herança? Quando os pais do falecido também são herdeiros? E os irmãos, tios, sobrinhos e demais parentes? Pode-se receber uma herança antes do falecimento do detentor do patrimônio? O regime de bens do casamento tem alguma coisa a ver com a herança? Uma divorciada pode ser herdeira do ex-marido? E o que acontece caso a pessoa morra sem deixar testamento?

A lista de dúvidas parece interminável. As respostas, porém, podem ser encontradas na lei. A parte do Código Civil Brasileiro de 2002 que trata das sucessões (isto é, das heranças) é longa, detalhada e, em alguns casos, complexa, estando sujeita à interpretação de juristas e magistrados. Mas não se assuste. Para obter o esclarecimento das dúvidas mais comuns, você encontrará neste capítulo um guia de perguntas e respostas objetivo e direto. Informar-se é a melhor forma de impedir que seus direitos sejam desrespeitados. É, também, uma maneira eficaz de lidar com – ou mesmo evitar – o pesadelo das brigas entre herdeiros.

BENS E PATRIMÔNIO

Bens – posses materiais de uma pessoa; as diferentes coisas que ela possui.

Bens aquestos – bens adquiridos na vigência do casamento.

Bens colacionáveis – bens doados em vida pelo autor da herança. Esses bens deverão ser posteriormente incluídos no inventário, o que recebe o nome de colação.

Bens comuns – os que pertencem ao marido e à mulher, em virtude do regime do casamento. É importante lembrar que, dependendo do regime, mesmo os bens que estiverem em nome de apenas um dos cônjuges poderão pertencer aos dois.

Bens incomunicáveis – aqueles que pertencem a um dos cônjuges e são excluídos do regime de comunhão. Exemplo: bens que os cônjuges possuíam antes de se casarem, se o regime do casamento for o da comunhão parcial de bens.

Bens imóveis – casas, apartamentos, sítios, fazendas (enfim, tudo que não pode ser removido).

Bens móveis – tudo que não é imóvel. Por exemplo: veículos, obras de arte, mobiliário e eletrodomésticos, peças ornamentais, coleções de objetos, joias, ações etc.

Bens vinculados – os que, por lei ou por disposição de alguém, são inalienáveis, impenhoráveis e incomunicáveis (ou seja, não podem ser vendidos, penhorados ou partilhados).

Patrimônio – o conjunto de todos os bens possuídos por uma pessoa, por uma família, por uma empresa etc.

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Trecho do Livro: Aprenda a Investir em Ações e a Operar na Bolsa Via Internet
Livro Aprenda a Investir em Acoes e a Operar na Bolsa Via Internet
Autor: Carlos A.H. Brum
Editora: Ciência Moderna
ISBN: 9788573934731

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Subsistema Financeiro Nacional

Subsistema Normativo

O Sistema Financeiro Nacional é constituído por um subsistema normativo e por outro operativo. O subsistema normativo controla e regula o subsistema operativo. Esse controle e regulação são exercidos por meio de normas legais, expedidas pela autoridade monetária. As instituições que compõem o subsistema normativo são: o Conselho Monetário Nacional, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários.

CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL

O Conselho Monetário Nacional é o órgão deliberativo máximo do sistema financeiro brasileiro. Ele tem a incumbência de formular a política da moeda e do crédito, de acordo com a Lei Nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964.

BANCO CENTRAL DO BRASIL – BACEN

O Banco Central do Brasil, criado pela Lei Nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda e tem, por objetivo, executar e fiscalizar o cumprimento de todas as normas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional, zelar pela adequada liquidez da economia, manter as reservas internacionais do país em nível satisfatório, assegurar a formação de poupança em níveis apropriados e garantir a estabilidade e o aperfeiçoamento do Sistema Financeiro Nacional.

COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS (C.V.M)

A CVM é uma Autarquia Federal, criada em 1976 pela Lei Nº 6.385, para regular, disciplinar e fiscalizar o mercado de títulos e valores mobiliários (bolsas de valores, companhias abertas, fundos de investimento e mercados derivativos que tenham por referência valores mobiliários). É conhecida como a instituição “xerife” do mercado de capitais brasileiro.

Uma das principais funções da CVM é cuidar para que os investidores tenham acesso a informações que confirmem a boa qualidade das companhias abertas e dos fundos de investimento. Ou seja, que o mercado seja transparente para o investidor e, o que ainda é mais importante, que todos tenham oportunidade de acesso a informações relevantes de maneira uniforme. Dessa forma, é possível evitar o chamado insider information, informações privilegiadas que vão beneficiar determinado grupo de investidores em detrimento de outros.

A CVM, a partir de 2002, com a aprovação da nova lei das empresas S.A., foi transformada em uma agência reguladora autônoma e independente. Passou, desde então, a usufruir de autonomia financeira através de orçamento próprio, com autoridade administrativa independente e estabilidade de seus dirigentes, que passaram a ser nomeados pelo presidente da República com a aprovação do Senado e com mandato fixo de cinco anos.

A Comissão de Valores Mobiliários agora pode tipificar os crimes na hipótese de uso de informação privilegiada, delegar às bolsas a possibilidade de abertura de processo contra terceiros e, ainda, dar prioridade a processos. No caso das bolsas, os processos só podem ser abertos contra corretoras que operam na própria bolsa.

Quem manipular o mercado estará sujeito à pena de um a oito anos de reclusão e multa equivalente a até três vezes a vantagem financeira que obteve na operação.

O uso de informação privilegiada também estará sujeito à pena de um a cinco anos de reclusão e multa de até três vezes o montante obtido.

As funções da Comissão de Valores Mobiliários são, dentre outras, regular e fiscalizar:

- Registro de companhias abertas;

- Registro de distribuição de valores mobiliários;

- Administração de carteiras e a custódia de valores mobiliários;

- Negociação e intermediação no mercado de valores mobiliários;

- Organização, funcionamento e operações das bolsas de valores;

- Credenciamento de auditores independentes, administradores de carteiras de valores mobiliários, consultores e analistas de investimento;

- Suspensão ou cancelamento de registros, credenciamentos ou autorizações;

- Suspensão de emissão, distribuição ou negociação de determinado valor mobiliário, ou decretar recesso de bolsa de valores.

Subsistema Operativo

O subsistema operativo é constituído pelas instituições financeiras públicas e privadas que atuam no mercado financeiro. Ele se divide em instituições bancárias e não bancárias.

As instituições bancárias são aquelas que operam com ativos financeiros monetários, aos quais é dada a faculdade de emissão de moeda (moeda escritural). Essas instituições também se caracterizam pela captação de depósitos à vista, livremente movimentados pelos depositantes. São instituições bancárias: os bancos comerciais, a Caixa Econômica Federal (CEF), o Banco do Brasil, as caixas econômicas, as cooperativas de crédito e os bancos múltiplos.

As instituições não bancárias se caracterizam por operar com ativos financeiros não monetários, porquanto não lhes é permitida a emissão de moeda escritural, pela impossibilidade de captar depósitos à vista. São instituições não bancárias: os bancos de investimento, as sociedades de arrendamento mercantil, as sociedades de crédito, investimento e financiamento, as sociedades de crédito imobiliário e associações de poupança e empréstimos, e os bancos de desenvolvimento.

Entretanto, as instituições mais importantes na área de investimento em ações são as que fazem parte da distribuição de títulos e valores mobiliários: as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, as bolsas de valores, as bolsas de mercadorias, as sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, e a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC).

CORRETORAS DE VALORES MOBILIÁRIOS

As Corretoras de Valores Mobiliários são instituições típicas do mercado acionário, operando com compra, venda e distribuição de títulos e valores mobiliários por conta de terceiros.

São instituições financeiras membros das bolsas de valores, credenciadas pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários e pelas próprias bolsas, e estão habilitadas, entre outras atividades, nos mercados financeiro e de capitais, a negociar valores mobiliários com exclusividade por sistemas de negociação mantidos pela Bovespa.

Em outras palavras, é a intermediária entre compradores e vendedores de ações nas transações em bolsas de valores. Administra carteiras de ações, fundos mútuos e clubes de investimentos, entre outras atribuições.

Bolsa de Valores

É uma associação civil, sem fins lucrativos, e tem como objetivo básico manter local adequado à realização de transações de compra e venda das ações das companhias abertas.

As bolsas atuam como auxiliares da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na fiscalização do mercado, em especial de seus membros, as Sociedades Corretoras, e têm ampla autonomia na sua esfera de responsabilidade.

A Bolsa de Valores de São Paulo, hoje considerada o mais importante centro de negócios do mercado latino americano, foi fundada em 23 de agosto de 1890 como entidade oficial corporativa, vinculada à secretaria de finanças do governo estadual e composta por corretores nomeados pelo poder público.

A Bovespa só adquiriu a característica institucional que mantém hoje (uma associação civil sem fins lucrativos, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial) em 1965/66, com a implementação das reformas do sistema financeiro nacional e do mercado de capitais.

Desde o regulamento anexo à Resolução CMN nº 2.690 de 2000, que as bolsas de valores brasileiras têm a faculdade de também se constituírem como sociedades anônimas.

Bolsa de Mercadorias

As Bolsas de Mercadorias têm, como principais objetivos, proporcionar ao mercado condições adequadas para a realização de negócios de compra e venda à vista, a termo e a futuro, de mercadorias, tais como ouro, café, algodão, boi gordo etc., bem como de outros ativos suscetíveis de negociação em bolsa como, por exemplo, o dólar (comercial ou flutuante).

Uma das peculiaridades desse mercado é que apenas, em média, 2% das operações são liquidadas pela entrega efetiva do bem negociado. Compram-se e vendem-se mercadorias e ativos financeiros apenas no papel. Não há a concretização física do negócio, mas sim a concretização financeira.

Sociedades Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários

As sociedades distribuidoras são firmas constituídas como sociedades anônimas ou sociedades por quotas de responsabilidade limitada, cuja autorização de funcionamento é fornecida pelo Banco Central do Brasil.

São entidades financeiras que atuam no mercado de ações e outros valores mobiliários, mas que não podem intermediar negócios nos sistemas de negociações das bolsas de valores e de mercadorias. Por isso, utilizam os serviços de uma corretora de títulos e valores mobiliários para intermediar os negócios nas bolsas.

CBLC – COMPANHIA BRASILEIRA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA

Para a liquidação das operações, a Bovespa utiliza, desde 16 de novembro de 1998, uma empresa independente, a CBLC – Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia. A CBLC é a responsável pela liquidação de operações de todo o mercado brasileiro de ações. Parcela significativa da eficiência da Bovespa repousa na CBLC, que realiza um serviço de alta qualidade, isento e confiável. A CBLC tem inúmeras responsabilidades. Entre elas destacamos:

- Registrar, liquidar e compensar operações à vista, a termo e do mercado de opções, de responsabilidade das corretoras ou de seus comitentes;

- Receber depósitos e margens para garantia de operações realizadas por associados da Bolsa;

- Emitir certificados visando o resgate, desdobramento, conversão e transferência de títulos negociados ou a negociar;

As Corretoras da Bovespa e outras instituições financeiras são os Agentes de Compensação da CBLC, responsáveis pela boa liquidação das operações que executam para si ou para seus clientes.

Empresas como a CBLC são conhecidas como Clearings – entidades de prestação de serviços de liquidação e custódia.

As Clearings desempenham atividades relacionadas à compensação, liquidação, custódia e controle de risco para os mercados à vista, a termo e de opções.

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