Saude do Bebe

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Trecho do Livro: Guia Médico da Gravidez – Passo a Passo
Guia Medico da Gravidez
Autor: Dr. Gerard DiLeo
Editora: M. Books
ISBN: 9788589384865

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Com o advento da ultra-sonografia e de testes muito precisos de urina e de sangue, o diagnóstico de gravidez deixou de ser preocupação para o médico de hoje, auxiliado pelo laboratório. Mas há certo fascínio na história do diagnóstico de gravidez, antes desses recursos modernos passarem a ser usados comumente. Os médicos costumavam receber um treinamento diferente – usavam critérios e habilidades diagnósticas que hoje parecem obsoletos.

Os livros médicos antigos, incorporando encontros e desencontros dos processos fisiológicos, eram tão bem escritos que dificilmente consigo jogar algum deles fora. Folheá-los é uma viagem de volta pelas maravilhas da arte do diagnóstico. Hoje, você tem imagens de seu bebê pela ultra-sonografia e seu médico consegue ter valores mínimos crescentes de hCG, o hormônio da gravidez, praticamente antes de sua menstruação atrasar. Em tempos menos sofisticados, muitas mulheres não podiam ter o diagnóstico de sua “condição delicada” até meados da gravidez. Nunca deveríamos ansiar por um retorno àqueles dias, mas é divertido ver o diagnóstico pelos olhos da medicina dos velhos tempos, da mesma forma que uma criança fica maravilhada ao descobrir as coisas mais simples, consideradas normais hoje em dia. A gravidez é e sempre foi uma experiência bonita e, embora a ciência da obstetrícia tenha contribuído para uma gravidez melhor, a arte da medicina perdeu um pouco de sua beleza. Mas, se um Rembrandt guardado no sótão continua lindo, mesmo que não haja ninguém lá para apreciá-lo, o mesmo acontece com os sinais e sintomas que eram notados no passado.

De volta aos “velhos tempos”, por volta de 1960 (século passado, lembra-se?), o diagnóstico “antigo” era agrupado em três classificações:

Sinais de Presunção de Gravidez: Essa categoria inclui principalmente aspectos que você mesma nota, como o atraso da menstruação, mama dolorida, náusea, freqüência urinária e fadiga.

Sinais de Probabilidade de Gravidez: Essas são as mudanças que seu médico notará, como o tamanho aumentado e o amolecimento de seu útero e a movimentação fetal.

Sinais Positivos de Gravidez: Essas são as indicações “certas”, como batimentos cardíacos fetais, movimentação fetal e imagens de ultra-sonografia.

Evidentemente, as modernas técnicas diagnósticas tornaram obsoleto o uso de muitos dos sinais e sintomas presuntivos e prováveis para diagnosticar a gravidez, colocando-os na Era do Obscurantismo.

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A Data do Nascimento: Divirta-se com a Matemática

A data do nascimento é referida como a data estimada de confinamento. Trata-se de uma volta aos dias em que uma mulher era confinada em casa e ficava em repouso durante o período após o nascimento, até se recuperar totalmente. Um termo também empregado era “ficar de resguardo”, que significava a mesma coisa.

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DICA RÁPIDA: O calendário gregoriano e o calendário do obstetra não coincidem. O calendário do obstetra usa meses de quatro semanas completas — meses lunares —, enquanto o calendário gregoriano usa meses de 30, 31 e mesmo de 28 e 29 dias.

As 40 semanas de gravidez fazem parte dos nove meses, de acordo com esse calendário.
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Quando sua menstruação está atrasada, aquela menstruação que não vem, já se passaram duas semanas da data de concepção. De acordo com a maneira usual de calcular a gravidez, considera-se que você esteja com quatro semanas de gestação. Pelo menos nós, obstetras, chamamos de quatro semanas porque contamos a partir da última menstruação regular. Mas, uma vez que nenhuma mulher está grávida antes da concepção, isso gera confusão em toda gravidez, até explicarmos de que modo contamos a idade gestacional.

A gestação humana normal (o período de tempo que leva para um bebê crescer no útero) é de cerca de 280 dias. Dividida em meses de quatro semanas completas, isso resulta em dez meses completos. Mas Júlio César e o Papa Gregório XIII, os mentores do calendário moderno, estavam pensando em tudo, menos na gestação, quando estabeleceram “30 dias tem setembro, abril, junho e novembro”. (E continua sem dizer que todo o resto tem 31, com exceção de fevereiro.) Se um obstetra tivesse feito o calendário, todo mês teria 28 dias (“nada mais”), abrangendo 13 meses com quatro semanas completas por ano. Na realidade, esse “Ano Obstétrico” seria um pouco mais curto, o verdadeiro ano solar com 13 meses exatos e cerca de um dia e um quarto. (Eu sei que poderia imaginar algo para fazer com esse dia, 5 horas e 49 minutos extras.)

Não é coincidência que todo ciclo menstrual médio dure 28 dias. Esses intervalos foram chamados de meses lunares no passado, coincidindo com as fases da lua. A palavra menses, da qual deriva a menstruação, é originária do latim mensis, que significa “mês lunar”. Os ciclos menstruais, que historicamente coincidem com todo mês lunar, nos confirmam quanto estamos sincronizados com o mundo, a rotação da Terra e o seu satélite. Durante os longos períodos de evolução, as relações exatas foram se perdendo, mas faz sentido que a glândula pineal em sua cabeça, vestígio de um terceiro olho, que nos animais inferiores responde à luz, ajuda no ritmo circadiano e está envolvido com mudanças pigmentares afetadas pelo estrógeno e pela progesterona, esteja ligada às fases da lua e à menstruação, misteriosamente relacionada.

Cada vez que o mês no calendário moderno passa de 28 dias, a gestação perfeita de dez meses completos sai de sincronia com ele. Os dois dias a mais aqui e três ali “engolem” o décimo mês completo, de modo que, pelo calendário impresso de hoje, a gravidez dura nove meses. Então, quando exatamente você vai dar à luz? Como eu disse, a data de nascimento é o dia estimado para o confinamento, porque tradicionalmente as mulheres eram confinadas na cama, “de resguardo”, do dia do parto até se convalescerem totalmente. O último ciclo menstrual é o único acontecimento observável, a partir do qual se pode calcular a gravidez sem auxílio da ultra-sonografia. O dia de confinamento (DC) e o último período menstrual (UPM) combinam-se na seguinte fórmula para calcular a data de nascimento:

DC = (UPM – 3 meses) + 7 dias

A data do nascimento geralmente é designada como o dia após 40 semanas contadas a partir do primeiro dia da última menstruação regular, no entanto, essa não é a verdadeira “data”, porque há muito mais variações na população em geral. Visto que a gravidez chega ao termo entre 38 e 42 semanas, na verdade, seria melhor falar do “mês previsto para o nascimento”.

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REGRAS DA GRAVIDEZ PARA MARIDOS: Regra nº 1: Você nunca deve usar o Calendário Esportivo Ilustrado para marcar a idade gestacional de sua esposa.
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O Ser Materno–Fetal

Sua gravidez, que tem como resultado o nascimento de uma vida tão complexa quanto qualquer outro ser humano, exige mudanças extraordinárias em seu corpo para criar uma fisiologia partilhada entre você e seu filho em desenvolvimento. Tendemos a pensar que a futura mãe e o filho em desenvolvimento são dois seres diferentes, mas essa combinação resulta, na verdade, em uma criatura diferente—a entidade mãe–filho. Quem é essa pessoa? É alguém diferente de você e de seu bebê isoladamente. Ter um bebê crescendo dentro de você é como ter um tumor, em vários sentidos. (Ter gêmeos crescendo dentro de você é ainda mais complicado.) Na maior parte, as mudanças que você notará se devem à nova ordem mundial hormonal.Oestrógeno, a progesterona, a gonadotrofina coriônica (hCG), o lactogênio placentário humano (hPL) e a prolactina (hormônio que produz o leite) são importantes hormônios da gravidez. Cada um deles tem um papel na fisiologia materno–fetal em preparação para o nascimento de sua prole. O estrógeno e a progesterona também têm papel importante na preparação de seu corpo para a concepção, aquela conhecida como o ciclo menstrual. Em suma, o estrógeno ajuda a formar o revestimento de seu útero (ventre) e, então, depois da ovulação, a progesterona ajuda a amadurecer esse tecido de modo que uma concepção tenha um leito adequado de tecido onde o ovo vai se implantar.

As mudanças e os ciclos hormonais, por estranho que possa parecer, têm seu esboço iniciado por um elemento chamado colesterol. Muito condenado por suas implicações em doenças cardíacas, na verdade é uma substância necessária. É por isso que, se você remover certo grupo de carbono—voilà!—ele se torna um hormônio precursor chamado pregnenolona. Então, da pregnenolona derivam o estrógeno, a progesterona e a testosterona, entre outros. Se você tivesse de observar as moléculas oscilarem pra lá e pra cá em um tipo de videocassete de bioquímica que fizesse replay instantâneo, veria moléculas agitando-se em volta de uma estrutura química central que não se altera, que é o esqueleto do colesterol.

Assim como um ponto marca o fim de uma sentença, a menstruação é o final de sua preparação para a gravidez, quando o revestimento receptivo de seu útero é expelido. Mas isto põe fim a um ciclo porque, à medida que o tecido que reveste o útero durante o ciclo é eliminado, as seqüências hormonais começam a tentar novamente seu próximo ciclo.

Nesse ponto, quando um óvulo fertilizado se acomoda no revestimento aconchegante de seu útero, no local de implantação, inicia-se uma reação química em cadeia que manterá os níveis hormonais de seu corpo, de modo que uma condição estável seja preservada. Um ciclo mais longo começa agora — que durar 40 semanas, até que seu útero expulse não o revestimento uterino não utilizado, mas um bebê. Como um novo ser materno–fetal, você vai ao consultório de seu médico.

Pré-natal

A não ser que você esteja sendo cuidada por uma obstetriz que a visite em casa, com a gravidez, inicia-se uma série de visitas ao consultório do obstetra. Os tipos e a freqüência das consultas são tão variados quanto os médicos que fazem os partos. A esse respeito, todo o período pré-natal é pontuado por um plano de acompanhamento médico que ele desenvolveu com os anos e que, então, adaptará para a apresentação única de sua gravidez.

Há dois tipos de população pré-natal:

– aquela em que tudo transcorre perfeitamente;

– as outras.

Não existirá gravidez perfeita até usarmos nosso conhecimento do genoma humano para que a Barbie e o Ken entrem no processo e, então, seja feita a clonagem e o pedido por correio (sem contar a entrega). É claro que primeiro teremos de resolver o problema da Barbie e do Ken, que não têm genitália.

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DICA RÁPIDA: Ou você é normal ou não é. Não se apresse em se dizer “normal”, pois até mesmo as menores preocupações garantirão o rótulo melodramático de “alto risco”; é importante observar mais atentamente condições suspeitas.
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Enquanto esperamos pela fusão controvertida da indústria de brinquedos Mattel, a química Dow e a farmacêutica UpJohn, que nos dará a gravidez perfeita, temos de focar nossa atenção para as escalas relativas, e com esse objetivo os obstetras pensam em termos de gravidez normal e de alto risco. Esses dois grupos são a forma mais generalizada de vigilância para um obstetra que esteja acompanhando uma gravidez. “Normal” e “alto risco” — estas são designações humorísticas, no sentido de que, se houver qualquer problema, um médico passará a considerar o paciente e a gravidez de alto risco.

Melodramático? Talvez, mas, se não for assim, haverá coisa demais em jogo. Toda gravidez é de suma importância. Em sua gravidez, qualquer coisa que “aparecer” deve ser considerada seriamente.

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Trecho do Livro: Seu Bebê em Perguntas e Respostas – Do Nascimento aos 12 Meses
Livro Seu Bebe
Autor: Sylvio Renan Monteiro de Barros
Editora: MG Editores
ISBN: 9788572550543

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Fui afortunado em conhecer o dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros. Minha esposa, que é sua amiga desde os tempos de adolescência, apontou-me a necessidade de trocarmos de pediatra; um de nossos filhos precisou dele em um momento muito difícil. Desde então, ele sempre esteve com minha família, inclusive em horas muito mais amenas, e sempre de amizade.

O dr. Sylvio é um “cuidador”. O leitor perceberá, desde o início, que seu texto reflete trinta anos de experiência de cuidados com o bebê. Muito mais que curar, o médico cuida da vida. Poucas especialidades mostram isso tão bem como a pediatria.

A medicina trata da vida, transcendendo época, linguagem, nacionalidade, cultura. Não é uma profissão: é um ofício marcado por dois dos piores medos que acometem o ser humano: o medo do desconhecido e o medo perene do desaparecimento da própria vida. Requer capacitação técnica, intuição, afeição e principalmente amor à verdade e total rejeição à violência. Amada ardentemente na necessidade; esquecida fora dela. Desafios à intuição médica me parecem ainda mais marcantes no ofício do pediatra: ele precisa ouvir quem ainda não sabe falar e quem está muito aflito e não consegue mais se expressar.

Sylvio ouve, antes de mais nada. Ouve pacientinhos, suas mães, avós, tias, babás, empregadas. Olhos e ouvidos já estão prontinhos no quarto mês de gravidez; cones, bastonetes e células do ouvido interno são neurônios diferenciados. Mas, diante de tantas contradições do ser humano, ainda temos dificuldade para ouvir! Bons livros de minha especialidade, a psicanálise, vêm chamando a atenção para esse fato desde o tempo de Freud. Popularizou-se o seu “tratamento pela fala”, mas igualmente poder-se-ia dizer “pelo ouvir”. É por isso que o dr. Sylvio escreve perguntas e respostas.

O problema é que nenhum livro pode dar ao leitor uma capacidade de ouvir. Mas a experiência viva ajuda bastante. Muito tempo depois de formado, dei-me conta de que foram pediatras e “quase-pediatras” quem mais contribuições deram à psicanálise. Eles ampliaram as descobertas de Freud. Donald Winnicott, que veio da pediatria, descobriu coisas por observar a espátula bucal. Mesmo tendo se voltado à psicanálise, jamais abandonou a semiologia pediátrica. Melanie Klein, que queria ser médica, aprendeu a ouvir bebês como ninguém; e Wilfred Bion, como o dr. Sylvio, falou do alimento psicológico proporcionado pelo contato físico mãe–bebê.

Em determinado trecho do livro, Sylvio explica que “[...] a tensão, preocupação, angústia ou insegurança da mãe se transferem para o bebê, que reage com comportamentos ‘anormais’, como choro intenso, cólicas e insônia, entre outros. Se a mãe não percebe ou não é informada de que seu bebê está apenas reagindo a estímulos maternos, corre-se o risco de se iniciar aí um círculo vicioso, em que as reações do bebê às instabilidades emocionais da mãe produzem mais insegurança, o que retroalimenta as reações do bebê”. Um psicanalista identifica nessas e em muitas outras respostas as contribuições de Klein, Winnicott e Bion, e conclui: a psicanálise precisou de pelo menos oitenta anos para descobrir algo que pediatras suficientemente bons descobrem e expõem de modo tão cristalino – e, no caso do dr. Sylvio, escrevem tão claramente.

Com o respeito que talvez esteja manifestado na paráfrase do verso e do poeta tão conhecidos em nosso meio, autor, aliás, de nome “Pessoa”, sinto-me honrado, surpreso e pouco preparado diante da solicitação do dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros de prefaciar esta obra – oferecida com o tecido delicado de um conteúdo precioso e útil para mães e bebês, com inigualável amor, afeto, experiência e capacidade de doação.

Paulo Cesar Sandler (Mestre em Medicina pela Universidade de São Paulo, mestre em Psiquiatria pela Associação Médica Brasileira e analista didata pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo)

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APRESENTAÇÃO

Conheci o doutor Sylvio quando minha filha estava com dois meses e meio. Naquela época, talvez a mais difícil da minha vida, eu não sentia a menor segurança como mãe. A Lavínia não parava de chorar e se recusava a dormir depois de enfrentar dias e dias da cólica mais terrível sem que eu pudesse fazer nada – a não ser massagens, compressas com toalhas mornas e rezar. Minha mãe já tinha ido embora, as férias do meu marido haviam terminado e me vi, de repente, às voltas com um serzinho que chorava o tempo todo e se recusava a fechar os olhos e descansar. Isso sem falar na roupa que se acumulava na área de serviço e nas dezenas de tarefas domésticas que me aguardavam.

Até então, já tínhamos consultado três pediatras. O primeiro seguia o manual do “bebê-padrão” e dizia que “logo passava”. Uma vez me jogou na cara a seguinte frase: “Mãe ansiosa, bebê com cólica; mãe tranqüila, bebê sem cólica” (como se, depois de sessenta dias de choros de dor incessantes, algum ser humano conseguisse manter a calma)… A segunda disse que eu amamentava pouco (embora eu o fizesse de duas em duas horas) e que deveria me transformar em uma vaca leiteira (sic). A terceira, que infelizmente me deixou com trauma de homeopatas, afirmou que a menina chorava porque “não havia harmonia” em meu lar. Juro, ela disse isso.

Enfim, quando cheguei ao consultório do doutor Sylvio, por indicação de uma pessoa da família, estava muito magra, extremamente cansada, deprimida e, pior, sentindo uma culpa imensa por não conseguir fazer minha filha feliz. A primeira coisa que notei foi o olhar calmo e tranqüilizador daquele médico. Em seguida, reparei num coala de pelúcia minúsculo pendurado em seu estetoscópio. Finalmente um pediatra que realmente gostava de crianças!

Na penumbra de seu consultório – faltou luz naquela tarde –, expliquei a ele o que estava acontecendo e disse que minha filha e eu precisávamos de ajuda. Ele ouviu tudo com atenção, fez algumas perguntas e então começou a falar, com um sotaque mineiro-carioca (que depois descobri ser capixaba) bastante peculiar. Explicou que as minhas inquietações eram comuns em mães com o primeiro filho e que provavelmente a Lavínia não tinha nenhum problema de saúde. Disse ainda que, quanto antes eu aceitasse que minha vida mudara para sempre – e me habituasse, pelo menos nos primeiros meses, a não dormir, a não ter hora para comer e a me dedicar totalmente ao bebê –, mais fácil seria. A maneira como tudo isso foi dito, acolhedora e compreensiva, me tranqüilizou quase imediatamente. Senti que enfim alguém me entendia e não me tratava como “mãe-de-primeira-viagem-histérica-infantil-e-neurótica”.

O passo seguinte foi realizar um exame físico extremamente minucioso, que os outros pediatras não tinham feito com o mesmo apuro. O doutor Sylvio me assegurou que, em princípio, não havia mesmo nada de errado com a Lavínia, mas pediu um exame de urina e outro de sangue, só para ter certeza.

No dia seguinte, como ela não parava de chorar, resolvi seguir o conselho de uma prima, mãe recente, e depois de amamentar fiz uma mamadeira de leite em pó e ofereci à minha filha. Ela não só parou de chorar como dormiu, pela primeira vez, por seis horas seguidas. Liguei para o doutor Sylvio e contei o que tinha acontecido. “Sua filha está mesmo com fome. Complemente as mamadas com leite em pó, mas ofereça sempre o seio primeiro”, disse ele. “Mas, doutor, por que aconteceu isso comigo? Os outros pediatras disseram que quanto mais se amamenta mais se tem leite!”, retruquei. “E se ela largar o peito? Eu sempre quis amamentar…” “Veja”, respondeu ele, “antes você chorava porque a Lavínia tinha fome; agora que descobriu o problema vai arranjar outro?” Aquilo me despertou para o fato de que a maternidade, por mais difícil que seja, não precisa ser dramática. E, a partir daí, a relação com a minha filha ficou muito mais fortalecida e serena.

Fiz, nesse meio-tempo, centenas de ligações para o doutor Sylvio. As dúvidas iam de passar ou não protetor solar na Lavínia a trocar o bico da mamadeira ou manter determinada medicação. E as respostas, sempre prestativas, rápidas e certeiras, vinham com um respeito inexplicável, mesmo às altas horas da madrugada. Também houve uma enxurrada de e-mails, todos respondidos prontamente e com uma firmeza de dar inveja a qualquer profissional.

Foi por isso, e por ter conhecido várias mães e pais que recorreram e recorrem ao doutor Sylvio e, assim como eu, confiam no seu trabalho, que o convidei para escrever este livro. Todo aquele conhecimento não podia ficar restrito ao seu consultório!

Infelizmente, nem todas as jovens mães de hoje foram feitas para a maternidade. Aprenderam que devem ser independentes, estudar, trabalhar, viajar, batalhar. A necessidade de competir com os homens nos afastou do arquétipo da progenitora acolhedora e feliz, além de sufocar os instintos mais básicos de mãe. Sabemos ser excelentes executivas, mas temos medo de estar fazendo tudo errado quando se trata do nosso bebê! Por isso, precisamos de palavras de conforto, que nos tranqüilizem, resgatem esse lado materno de dentro de nós e nos devolvam a confiança. E é isso que o doutor Sylvio transmite aos pais e às mães de seus pequenos pacientes.

Aqui você vai encontrar perguntas e respostas sobre as questões que mais afligem os pais no que se refere a sono, alimentação, desenvolvimento físico e psicológico e cuidados com o bebê. O material é fruto da experiência do autor em mais de trinta anos de exercício da medicina e da puericultura. Dos momentos contemplativos que às vezes tomam conta das crianças ao modo de preparar a sopinha, as informações são apresentadas de forma simples e objetiva. E, mais importante, levando em conta as especificidades de cada criança em cada fase do desenvolvimento.

Que este livro guie e tranqüilize muitos pais e mães!

A Editora

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INTRODUÇÃO

Este livro foi escrito com o objetivo de ajudar as mães a cuidar de seus filhos e estabelecer com eles uma relação de amor e confiança. Foi feito no formato de perguntas e respostas porque consideramos (eu e a editora) ser a maneira mais rápida de conseguir uma informação, além de ser a forma da qual as mães se utilizam nas consultas – elas chegam com suas famosas “listinhas”, que tanto ajudaram na confecção do livro.

Apesar de todo o trabalho que tive para catalogar as questões, pesquisar em livros, revistas e na internet e preparar as respostas, não posso negar o grande prazer que senti ao elaborar este livro. Comecei a relembrar momentos mágicos do passado, em que eu era questionado durante as consultas e me via rapidamente envolvido na questão, esforçando-me para dar à jovem mãe a melhor resposta – aquela que a ajudaria a cuidar melhor de seu filho. Foi um processo evolutivo, culminando com a elaboração deste livro, que pode ser lido na ordem natural ou consultado como fonte de pesquisa, dirigindo-se a mãe diretamente à questão que lhe interessa.

As perguntas aqui elencadas foram obtidas de mães de pacientes durante o exercício da pediatria em meu consultório, de outras mães, de dúvidas remetidas ao meu site e de mães potenciais (em vias de ter bebês), entre outras, conforme relacionado na seção de agradecimentos.

Dirigido a mães e pais de bebês de até 1 ano, o livro está dividido em trimestres. Ao lê-lo, o leitor logo perceberá que o capítulo “Do nascimento aos 3 meses” é o mais extenso em todos os assuntos. Isso porque essa é realmente a fase em que pais e mães recentes mais têm dúvidas.

Obviamente, este livro não está completo. No entanto, procurei falar das questões mais abrangentes e mais freqüentes, que deverão servir de primeiro passo para esclarecer a mãe quanto à conduta que ela deve ter com seu bebê. Ao identificar uma pergunta que também é sua e ler a resposta, a mãe (é o que desejo) se sentirá mais segura e poderá criar com o bebê uma relação mais tranqüila e sem culpa.

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ANTES MESMO DE O BEBÊ CHEGAR

Se você está lendo este capítulo, é porque tem dúvidas em relação ao bebê que ainda vai chegar. Essas dúvidas são normais e perfeitamente compreensíveis. Veja a seguir as perguntas mais comuns feitas no período que antecede o parto.

Devo procurar um pediatra antes de o bebê nascer?

Considero de extrema valia uma consulta ao pediatra antes do parto. Ele lhe fornecerá informações importantíssimas, além de lhe transmitir maior segurança nos cuidados com o seu bebê, principalmente nos primeiros dias de sua vida, e poderá orientá-la sobre os produtos mais adequados para o recém-nascido.

seta2 Veja: Crianças de 1 a 3 anos – Manual do ProprietárioLivro Criancas de 1 a 3 anos

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